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temos esperança em Jesus Cristo MT 5.4
temos esperança em Jesus Cristo MT 5.4

2. 5:4: Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.

 

Os que Choram. 

Os códices D 33 565 600 Sy e o pai Clemente Alexandrino (212 D.C.), invertem a ordem dos vss. 4 e 5. Algumas autoridades sobre questões textuais aceitam essa inversão como original, mas a maioria prefere a ordem familiar. A coerência lógica das sentenças parece igualmente boa de um modo ou de outro. A maioria da evidência dada pelos mss indica que a ordem familiar era a original. Alguns acreditam que o vs. 5 tenha sido uma glosa antiga, baseada em Sl 37:11, que provocou a variação na ordem de versículos, mas não há qualquer prova objetiva em favor disso.

Jesus falava novamente de um exercício espiritual, e não da expressão de tristeza pessoal devido a alguma perda pessoal. Aludia à tristeza devido ao pecado, à necessidade de arrependimento, ou, talvez, a alguém que sofria tristeza não merecida, por motivo de perseguição por causa da justiça. Essa bem-aventurança parece ter base em Is. 61:1-3 e 66:2. Essa segunda bem-aventurança pode ser vinculada à primeira. O lamento é uma expressão que toma conta da verdadeira humildade de espírito. A chegada do Messias, que é denominada «consolo de Israel» (Is. 6:12; Lc 2:25), indica que Israel tinha razoes para aguardar tal consolo. Israel, dessa forma, poderia livrar-se de adversários opressivos, nacionais ou individuais. Esse lamento não tem causa apenas no pecado, mas também nos resultados do pecado no seio da sociedade. Provavelmente Jesus inclui ambas as possibilidades. Paulo menciona a opressão exercida pelo mundo, bem como nossa ansiedade de libertação (Rm 8:18,19; II Co 4:17; ver também Jo 14:3). Aqueles que aprendem a permitir que a opressão, pessoal ou impessoal, sirva de instrumento de instrução, que os conduz ao arrependimento e à dependência a Deus, poderão encontrar, no fim, um bom resultado de seu «choro» e assim serão verdadeiramente «bem-aventurados». Essa bem-aventurança é proveniente do consolo divino, consolo no perdão e na restauração, bem como na participação na «manifestação dos filhos de Deus», conforme o ensino de Paulo. Aprendemos, pois, que o dardo do—sofrimento—pode ser armado com a vida, e não com o veneno da morte. Podemos chorar de muitos modos: pelos nossos pecados; pelos pecados de nossa nação; pelos amigos e conhecidos; pelos males humanos; pelos sofrimentos alheios. Aqueles que choram não se contentam com uma vida não-examinada, que, segundo disse Sócrates, nem é digna de ser vivida.

 

Explicação do Texto de Referência (Jo 16.20-24)

 

16:20: Em verdade, em verdade vos digo que vós chorareis e vos lamentarei, mas o mundo se alegrará; vós estareis tristes, porém a vossa tristeza se converterá em alegria.16:19,20

 O debate entre os apóstolos finalmente chegou à atenção do Senhor Jesus. «Era desejo dele guiá-los até àquele ponto. Agora lhes oferecia um esclarecimento, cuja magnitude e certeza são introduzidas pelas palavras 'Em verdade, em verdade'». (Lange, in loc). «O embaraço dos discípulos já se tinha patenteado, depois de terem feito quatro indagações (por Pedro, Tome, Filipe e Judas)». (Robertson, in loc). As referências sobre essas indagações são as que seguem: Pedro—João 13:36; Tome—João 14:5; Filipe—João 14:8; e Judas—João 14:22.

O propósito dessa declaração enigmática (ver o vs. 29) já havia sido realizado. A atenção deles fora despertada, e haviam agora dado o primeiro passo em direção ao conhecimento. Inquiriram entre eles mesmos, e essa , atitude de indagação é que Cristo leu em seus corações. (Comparar com João 2:26 e 6:6). Agora passava a responder às perguntas dos discípulos. A primeira parte de sua resposta dizia respeito à dificuldade deles sobre as palavras 'um pouco'. E no vs. 28 deste mesmo capítulo ele lhes responde o pensamento que tiveram sobre a sua ida para o Pai.

«...Em verdade, em verdade...» Essa expressão prefacia as declarações mais solenes e profundas do Senhor Jesus. Fala do seguinte:

1. Da fidelidade da declaração, em sua veracidade;

2. de sua certeza;

3. do fato de ser digno de confiança o que vem a seguir;

4. da solenidade da declaração e

5. do fato conseqüente de que a declaração deve ser recebida com toda a atenção pelos ouvintes, porquanto aquilo que é dito em seguida se reveste de ; magna importância para os mesmos. Essa expressão se baseia (através do grego) do vocábulo hebraico amém, que quer dizer «assim seja»; mas, devido o seu uso na liturgia judaica, por haver sido vocábulo usado no fim das orações e declarações solenes, assumiu outros sentidos, que têm a idéia de confirmar a veracidade e a dignidade de quaisquer afirmações. Por isso mesmo, «em verdade, em verdade» é excelente tradução do intuito principal da afirmativa. Neste evangelho de João, a expressão sempre aparece emfórmula dupla, isto é, «em verdade, em verdade», enquanto que nos evangelhos sinópticos ela sempre figura no singular, «em verdade». O Senhor Jesus pode ter-se utilizado de ambas as formas, e os diversos autores dos quatro evangelhos preservaram a expressão de uma ou de outra forma, o que foi apenas questão de preferência dos próprios autores sagrados e nada mais.

No caso em foco, a declaração que os discípulos deveriam receber com a máxima atenção é que grande tristeza recairia sobre eles, tristeza essa expressa através de três vocábulos, a saber:

1. Chorareis (no grego, klausete, de klaio), palavra que indica choro em altas vozes, e que com freqüência é o verbo utilizado para indicar o derramamento de lágrimas. (Ver Mt 26:75—o choro pelo Senhor Jesus, quando de sua morte, o que assim cumpria esta profecia, em sua aplicação imediata). Essa é igualmente a palavra usada para descrever a tristeza inconsolável de Raquel, «...chorando por seus filhos e inconsolável, porque, não mais existem...» (Mt 2:18). Quando os apóstolos, portanto, visse ao Senhor Jesus morto, em um túmulo, seriam assaltados por essa profunda forma de tristeza.

2. Lamentareis (no grego, threnesete, de threneo). Essa palavra denota as expressões audíveis da tristeza, e originalmente indicava a declaração de um cântico fúnebre sobre um morto. Assim é que, nos escritos de Homero, encontramos a seguinte lamentação por Heitor, em Tróia:

 Num belo diva puseram o cadáver, e puseram

Cantores a seu lado, líderes da lamentação (thenon)

Que cantavam (ethreneo) triste e lamentosamente,

E todas as mulheres respondiam com soluços.

(A Ilíada, XXIV, 720-722).

 

Por semelhante modo, pode-se ver esse emprego do termo na Septuaginta, antiga tradução dos escritos do Velho Testamento para o grego, em Jr 21:10 e II Sm 1:17. Ou então, no Novo Testamento, em Mt 11:17 e Lc 7:32.

3. Entristecer-vos-eis (no grego, lupethesesthe, de  lupeo). Quanto ao seu significado, esse é o termo de sentido mais geral dentre os três aqui utilizados, e expressa qualquer tipo de dor, do corpo ou da alma, tanto como uma manifestação externa de pesar, como também como uma manifestação de pesar íntimo, oculto para os outros.

Dessa maneira, mediante tais palavras, o Senhor Jesus retratou a intensidade da angústia que estava prestes a dominar aos discípulos, naquele «um pouco» sobre o qual eles haviam inquirido.

«...a tristeza e a viuvez da igreja, durante seu presente estado, mas que será transmutada em júbilo, quando da vinda de seu Senhor». (Alford, in loc). «É ao mesmo tempo a tristeza da igreja viúva, durante a ausência de seu Senhor, enquanto ele está nos céus, e o seu transporte por ocasião de sua volta pessoal. Certamente isso tudo está aqui expresso». (Brown, in loc).

«...e o mundo se alegrará...» «...os judeus incrédulos; e não somente o povo comum, mas também os principais sacerdotes, juntamente com os escribas e anciãos, que zombaram de Cristo, insultaram-no e triunfaram sobre ele, quando estava dependurado da cruz, alegrando-se no coração por tê-lo conduzido até ali, pois imaginavam que tudo havia terminado para ele, que o dia lhes pertencia, e que não mais precisavam ficar perturbados por causa de Cristo e os seus seguidores». (John Gill, in loc).

A ciência moderna da antropologia revela-nos que o deleite no sofrimento é um sinal próprio às civilizações selvagens e atrasadas, mas que o horror pelo sofrimento alheio, a simpatia pelos que sofrem, é característica das civilizações mais avançadas. O deleite das civilizações primitivas no sofrimento dos animais também se reflete no seu deleite ante o sofrimento humano. Ora, tudo isso serve de prova da perversidade dos homens. Considerando as brutais guerras modernas e a atual desumanidade de homem contra homem, torna-se nos evidente que a civilização não conseguiu progredir muito, moralmente falando, se usarmos como medida aquilatadora essa questão do regozijo no sofrimento alheio.

«...mas a vossa tristeza se converterá em alegria...» Essas palavras do Senhor falam da alegria que os discípulos experimentariam sob os seguintes aspectos:

1. Na ressurreição. «Considerai a mudança da tristeza para a alegria, em João 20:14-16, quando não puderam acreditar ainda 'por causa da alegria' (ver Lc 24:41). Tão violenta assim foi a reação dos discípulos ante a súbita aparição de Jesus». (Robertson, in loc).

2. Também está em vista a alegria contínua que o Espírito Santo insuflaria nas almas dos discípulos de todas as eras, durante esta dispensação da igreja; alegria essa que gradualmente haveria de dissipar a tristeza natural, vinculada à ausência do Senhor Jesus, cujo resultado seriam as perseguições; ou mesmo aquela tristeza natural, ligada ao senso de alienação dos céus, durante a presente peregrinação terrena.

3. «Certamente também há aqui indícios sobre a segunda vinda de Jesus Cristo, quando ele houver de reunir-se novamente aos seus discípulos, abrindo-nos o caminho para os lugares celestiais e para o estado eterno. Em conseqüência disso, a profundeza da tristeza dos discípulos seria a aquilatação celestial de sua alegria. Não somente a alegria substituiria a tristeza; mas a alegria dos discípulos surgiria dentre a própria tristeza, pois a tristeza se transformaria em alegria». (Lange, in loc).

Uma das promessas especiais, feitas pelo Senhor Jesus, é a da plenitude da alegria, a qual é conferida, dentro da metáfora da videira e dos ramos, aos ramos que permanecerem nele.

 16:21: A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza porque é chegada a sua hora; mas, depois de ter dado à luz a criança, já não se lembra da aflição, pelo gozo de haver um homem nascido ao mundo.

 O Senhor Jesus ilustra aqui a intensidade e a natureza do sofrimento que sobreviria aos discípulos através do tipo de tristeza que se abate sobre uma mulher qualquer, ao dar nascimento a um filho. Esse emprego é também encontrado em outros lugares no N.T., como segue:

1. Em Rm 8:22—Aqui se fala sobre a criação inteira, que aguarda ansiosamente a fruição da promessa de Deus concernente à manifestação dos filhos de Deus, ao fim desta dispensação, que fará ocorrer aquela operação especial de Deus. Note-se, neste caso, que uma nova espécie da manifestação da vida é aqui indicada, uma alteração das coisas, a concretização dos planos de Deus.

2. Em I Ts 5:3—Esse texto faz referência ao julgamento repentino que apanhará os ímpios de surpresa, por haverem rejeitado a Cristo; e isso sucederá quando de seu aparecimento (ou segunda vinda), em glória. Este texto igualmente alude à culminação de todas as coisas, mas enfatiza particularmente o aspecto da inevitabilidade e da severidade do juízo divino.

3. Em Ap 12:2—Aqui é focalizado o caso do povo de Israel, que foi usado como instrumento para trazer o Cristo, o Messias, ao mundo, o que ilustra novamente a doação da vida a um mundo morto em delitos e pecados, um novo começo, a realização dos planos eternos de Deus.

4. Em Gl 4:19— O apóstolo Paulo emprega essa ilustração acerca dele mesmo, como luz sobre seus sofrimentos e lutas em favor das igrejas, afim de que Cristo seja formado nelas. Isso novamente ilustra a idéia de fruição ou concretização dos planos de Deus, ficando também destacada a idéia da nova vida que dessa maneira é conferida aos que crêem.

5. Os profetas do A.T. empregaram essa expressão a fim de indicarem profundezas ou intensidades especiais de sofrimento e provação, e de algumas vezes o fizeram em conexão com o trabalho de parto de Israel, em seus sofrimentos, no aguardo da libertação messiânica (como em Mq 4:9,10. Ver também Is. 21:3; 26:17,18; 66:7,8 que falam das bênçãos próprias do reino, por meio de Cristo; Jr 4:31; 22:23; 30:6; Os 13:13,14 e Mq 4:9,10).

De conformidade com o modo como essa ilustração é usada neste texto, podemos perceber as seguintes implicações:

1. Os sofrimentos e a tristeza dos discípulos haveriam de ser intensos da mesma maneira que o trabalho de parto com freqüência produz dor intensa.

2. Esses sofrimentos seriam inevitáveis, tal como também não há remédio para o parto, senão quando o mesmo se completa, em que a mulher passa por todo o processo e finalmente dá à luz o seu bebê.

3. Todavia, esses sofrimentos teriam um resultado altamente favorável, uma fruição na forma de elevadíssima alegria, tal como a mulher que dá à luz a seu filho se regozija, passada a aflição do parto.

4. Esse júbilo seria tão intenso que obliteraria(Fazer desaparecer a pouco e pouco; apagar, expungir: Destruir, eliminar, suprimir) completamente toda a memória das aflições: «Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com a glória por vir a ser revelada em nós». (Rm 8:18).

5. Outrossim, é também frisada a idéia de que a tristeza seria subitamente transformada em alegria, tal como o trabalho de parto, uma vez terminado, alivia imediatamente todo o sofrimento da mãe.

6. Finalmente, essa alegria produzirá a vida eterna como seu resultado, em um triunfo completo sobre as forças do mal, que são inimigas de Cristo, porquanto em sua segunda vinda ele nos brindará com o pleno gozo da vida eterna, estabelecerá o estado eterno entre os crentes e triunfará sobre todos os seus adversários. (E isso equivale ao caso da mãe que acaba de dar uma nova vida ao mundo).

7. Nessa analogia, alguns intérpretes pensam poder ver o nascimento da igreja, o que, naturalmente é aplicação que pode fazer parte da ilustração, pois foi através de grandes sofrimentos que a igreja veio finalmente à existência. Esse sentido inclui a idéia de que todo o crente é resultado das dores de parto e dos sofrimentos de Cristo Jesus.

Dessa forma, os discípulos deveriam alegrar-se de modo especialíssimo, por estarem inteirados dessas verdades ensinadas pelo Senhor Jesus, posto que elas lhes asseguravam a alegria e a vitória finais

 16:22: Assim também vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas eu vos tornarei a ver, e alegrar-se-á o vosso coração, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará.

 Esta passagem contém essencialmente os mesmos elementos do versículo anterior, embora enfatize os seguintes pontos:

1. A subtaneidade da tristeza transformada em alegria, tal como uma mulher em trabalho de parto é repentinamente aliviada de sua aflição, uma vez completado o nascimento do bebê.

2. A própria causa da tristeza (a separação entre Jesus e os discípulos, devido à morte do Senhor) seria a fonte do júbilo, porquanto através dessa morte Deus traz de volta para si mesmo os homens que se tinham desviado no pecado, perdoando-os e restaurando-os. Outrossim, são particularmente aludidas aqui as aparições do Senhor Jesus após a sua ressurreição, como algo que produziu intensa alegria nos corações dos discípulos; e essa alegria sobre a ressurreição seria impossível se o Senhor Jesus não tivesse morrido em expiação por nossos pecados. A ressurreição de Cristo foi o selo de aprovação da expiação, tendo sido o meio pelo qual Cristo pôde oferecer aos homens o perdão dos pecados e a vida eterna, já que somente assim pôde ser garantida a participação deles nessas bênçãos eternas, uma vez que Cristo Jesus é as primícias da transformação de um ser humano em vida imortal. «A hora da morte de Jesus foi, para os discípulos, a hora natalícia de uma vida nova». (Lucke, in loc).

3. Em outro sentido, a alegria dos discípulos lhes foi conferida como recompensa pela sua profunda tristeza e angústia, posto que os seguidores de Jesus não se regozijaram com sua morte, a exemplo do mundo (ver o vs. 20 deste capítulo), mas participaram de toda a angústia própria dos acontecimentos da cruz. Ora, Deus estava plenamente cônscio disso e, sabendo que eram discípulos autênticos e honestos, deu-lhes aquela suprema alegria de verem o Senhor Jesus vivo novamente; e, mediante o Espírito Santo, essa alegria foi levada a uma fruição ainda mais pura. (Ver João 15:11, onde a «alegria» aparece como fruto do Espírito e dom de Cristo).

4. Essa alegria do Espírito é produzida pela prática do morrer diário juntamente com Cristo para a carne, para o mundo e para o pecado, o que provoca uma cada vez mais profunda transformação moral, que dará como fruto a participação na própria natureza divina moral. (Ver Mt 5:48). (Ver o sexto capítulo da epístola aos Romanos, que versa sobre o morrer com Cristo para a carne, para o mundo e para o pecado). Esse morrer para o mundo produz no crente a plenitude da alegria, porquanto é através desse exercício constante da alma que o crente vai gradualmente entrando na vida e na expressão próprias das regiões celestiais, sendo essa a nova vida que está em Cristo. (Ver Cl 3:1). Essa nova vida consiste na vida ressurrecta de Cristo Jesus, a experiência de coisas superiores, pertencentes ao nível espiritual onde o Senhor se encontra.

5. Essa alegria, em forma ainda mais completa e perfeita, será trazida para os crentes quando o Salvador retornar corporalmente à sociedade dos homens, por ocasião de seu segundo advento, dando início nos homens a uma nova transformação na maneira de existirem, uma nova fruição dos planos de Deus nas vidas dos remidos. Nesse momento é que os discípulos de Cristo verão novamente ao Senhor Jesus de maneira toda especial, o que foi prefigurado em suas aparições logo após a sua ressurreição, como concretização dessas aparições.

«...quando de minha ressurreição—pelo meu Espírito—no meu segundo advento». (Alford, in loc). «Tudo depende da ressurreição; pois sem as experiências daquelas oportunidades não haveria como contemplarmos a Cristo no Espírito». (Bernard).

«.. .e a vossa alegria ninguém poderá tirar... «Quanto a esta declaração do Senhor Jesus, temos a considerar os quatro pontos seguintes:

1. Seria uma alegria permanente, visto ser divinamente conferida, que nenhuma criatura seria capaz de arrebatar dos discípulos.

2. Sua permanência também dependeria dos eventos que haviam sido determinados por Deus de antemão, e os homens que agora participam de seus efeitos, fazem-no porque assim dita o destino de cada um deles, escolhidos como foram na pessoa de Cristo.

3. Por semelhante modo, essa permanência se vê no fato que chega aos remidos por meio das graças da redenção, que Deus outorga por intermédio de Cristo.

4. Finalmente, essa alegria dos discípulos é permanente porque resulta da obra do Espírito Santo no coração dos remidos, e ele não falhará em sua tarefa. (Ver João 15:11).

Cristo Jesus, por conseguinte, pregava uma ética eudemonistica(eudemonismo. Doutrina que admite ser a felicidade individual ou coletiva o fundamento da conduta humana moral, i. e., que são moralmente boas as condutas que levam à felicidade.), isto é, uma ética cujo alvo é a felicidade; a tristeza pode fazer sua negra intervenção, e realmente é impossível que assim não seja; mas o Senhor Jesus garante-nos a vitória final.

A indagação, «Por que devo ser uma pessoa moral?» F. H. Bradlelp retruca: «Perguntas por quê? Isso já é uma imoralidade. Fazer o bem por sua própria causa é uma virtude, mas fazê-lo por algum objetivo ou finalidade ulterior, que não é bom, nunca é demonstração de virtude... E a teoria que encara a virtude, como no caso dos que querem amealhar dinheiro, como um fim e não um meio, contradiz a voz que proclama que a virtude não somente parece ser, mas realmente é um fim por si mesma». («Ethical Studies», Nova Iorque, G.E.Stechert and Col, 1911, págs. 56,57).

Naturalmente, essas palavras expressam uma verdade; mas a promessa da alegria, que nos fez o Senhor Jesus, é uma promessa que a própria bondade, a própria virtude, necessariamente inclui a alegria.

Fazendo violento contraste com isso tudo, o pecado produz os seus próprios males e as suas misérias. Assim é que Milton descreveu Satanás, como se o tivesse ouvido dizer: «Para onde quer que eu voe, é Inferno; eu mesmo sou o inferno». (Paraíso Perdido, livro IV 1.69). Nas Escrituras e na vida diária também aprendemos que o mal produz necessariamente a tristeza, embora um indivíduo qualquer, em sua experiência, possa iludir-se por algum, não chegando a perceber essa verdade.

 16:23: Naquele dia nada me perguntareis. Em verdade, em verdade vos digo que tudo quanto pedirdes ao Pai, ele vo-lo concederá em meu nome.

 Não podem ser tomadas em sentido absoluto, pois a verdade é que os discípulos pediram informações de Cristo, após a sua ressurreição, como se vê no vigésimo primeiro capítulo do evangelho de João e no primeiro capítulo do livro de Atos. Vê-se melhor o sentido dessas palavras desdobrando-o nos cinco pontos abaixo:

1. Seu sentido é relativo. Pois então teriam passado do período do discipulado imaturo, quando todas as afirmativas feitas por Cristo lhes pareciam difíceis de entender e assimilar, sempre exigindo alguma explicação especial.

2. Portanto, não mais fariam indagações impetuosas, estúpidas, imaturas, que só demonstravam ignorância, e nem mais continuariam ficando perplexos ante as profundas instruções e explicações dadas por Cristo.

3. Pelo contrário, entrariam uma nova fase de elevada iluminação, estado no qual as suas perguntas seriam inteligentes e significativas.

4. Esse estado de iluminação superior seria condicionado pelo ministério contínuo do Espírito Santo, que é o grande Mestre que permanece com os crentes. Ele, pois, daria instruções apropriadas a todas as necessidades dos discípulos.

5. Alguns estudiosos têm conjeturado que o período em que os discípulos nada haveriam de indagar de Cristo seria o tempo do ministério do divino parácletos; pois então, estando o Senhor Jesus fisicamente ausente, ser-lhes-ia impossível fazer-lhe qualquer pergunta. Mas o parácletos, que é o Espírito Santo, é quem seria o mestre e o esclarecedor de todas as perguntas feitas pelos discípulos. Sem dúvida esse aspecto está subentendido nessas palavras de Cristo, embora os outros aspectos nem por isso hão de ser eliminados.

Há uma outra interpretação possível para este versículo, o que ficaria mais claro se traduzíssemos ao invés de nada me perguntareis, «não fareis pedidos» (o que é possível segundo o grego). Isso faria com que tais palavras sejam uma referência à oração, pois daí por diante os crentes orariam ao Pai, já que seria impossível fazer solicitações diretas a Jesus, que em breve se ausentaria deste mundo. Não obstante, essas orações, dirigidas ao Pai, seriam feitas em nome de Cristo Jesus. Essa interpretação se coaduna bem com o resto do versículo, que menciona especificamente a oração a ser oferecida a Deus Pai, pelo que também alguns estudiosos têm dado preferência a essa interpretação.

A outra interpretação observa como os discípulos, com grande freqüência, haviam feito ao Senhor Jesus indagações imaturas, e assim vincula essa porção deste versículo com o contexto geral, no qual encontramos os discípulos perplexos ante as palavras de Jesus acerca de sua retirada e de sua volta, dentro de pouco tempo, o que os levou a buscar alguma solução para o enigma. A verdade, entretanto, é que ambas as interpretações são possíveis, do ponto de vista da gramática e dos usos gregos.

Ocorre neste ponto uma variante textual que afeta o sentido da parte final do versículo. Alguns manuscritos dizem «...se pedirdes alguma cousa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome...», o que significa que essa doação seria feita em nome de Cristo, que Deus atenderia àqueles que possuem a Cristo, que são discípulos dele, e não que a oração é oferecida em nome de Cristo (porém, isso é o que é ensinado no trecho de João 14:13). Os manuscritos que dizem que a doação vem da parte de Deus Pai, em nome do Filho, são P(66), Aleph, BCL e Delta; e é desse modo que Orígenes cita o texto. Do ponto de vista objetivo essa é a variante que conta com o apoio mais forte. Mas outros manuscritos dizem «...o quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo há de dar...». Os manuscritos que fazem á oração ser oferecida em nome de Jesus Cristo, assim duplicando a mensagem de João 14:13, são os mss P(22) (papiro do século III D.C., que aparentemente assim dizia, embora o texto não seja muito claro nesse ponto), AC(3) DNW, Gamma, Theta e a maioria dos manuscritos em siriaco e latim. As traduções AC, KJ e a maioria das traduções mais antigas assim dizem, ao passo que as traduções AA, RSV, IB, WM, GD e a maioria das traduções mais modernas preferem a variante anterior.

A primeira variante, seguida pela tradução de Goodspeed, aparece ali como: ...ele vos dará serdes meus seguidores...» (isto é, em meu nome, porque trazeis o meu nome). A tradução inglesa de Williams, expressando mesma idéia, diz: «...O Pai vos dará, como condutores de meu nome, o que quer que lhe pedirdes...» Essa é maneira mais antiga de representar o texto de João, conforme o conhecemos, e quer dizer que mui provavelmente isso reflete o original nesse caso. Não obstante, a variante alternativa, que diz que a oração deve ser feita em nome de Jesus Cristo, o que fará o Pai responder abundantemente, tem reflexos em João 14:13 e também no versículo seguinte; pelo que essa, por semelhante modo, é uma doutrina verdadeira neste quarto evangelho.

 16:24: Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis, para que o vosso gozo seja completo.

 (Quanto às orações respondidas no caso daqueles que trazem o nome de Cristo, por serem seus seguidores, ver os comentários concernentes a João 16:23). A vida de oração abundante, que necessariamente se alicerça na prática obediente da Palavra de Deus, na observância dos mandamentos de Cristo e no andar no Espírito (mensagem do décimo quinto capítulo deste evangelho), tem por resultado inevitável a presença habitadora e permanente do Espírito Santo no íntimo do crente. Pois, aquele que tem uma vida espiritual abundante, repleta do fruto do Espírito, é justamente o crente que já aprendeu como orar corretamente, o que testifica um resultado abundante de suas orações. Esse resultado extraordinário e transbordante da oração é realmente a fonte perene de alegria que enche a vida do crente. E tudo isso, mui simplesmente, consiste no resultado do andar no Espírito Santo. O Espírito de Deus ensina os homens a orarem como devem, a orarem pelo que devem orar; essas orações se centralizarão em torno das coisas espirituais, não visando primariamente o bem-estar físico do indivíduo, apesar da existência física também estar indiretamente inclusa nos cuidados que Deus exerce por nós, cuidados esses que também atingem as coisas materiais.

O homem espiritual, todavia, em todas as suas expressões, exibe uma sensibilidade especial para com os apelos e anelos do Espírito Santo, estando supremamente interessado no progresso do reino espiritual de Cristo, na salvação dos seus semelhantes e em seu próprio desenvolvimento espiritual, o que, em última análise, consiste na transformação ética e metafísica de seu ser segundo a imagem de Cristo. Portanto, tal crente ora em prol dessas bênçãos, sempre procurando esvaziar-se dos elementos egoístas e deletérios de sua vida, não tendo prazer em orar por aquelas coisas que não têm utilidade espiritual ou não visam o bem-estar espiritual dos outros.

ASSIM agindo, o crente segue a vontade de Deus. E é a essa forma de oração que Deus responde com riqueza. São as orações verdadeiramente feitas em nome de Cristo, nome esse que não deve ser acrescido às nossas orações como mero apêndice litúrgico; pelo contrário, o nome de Cristo expressa a idéia de que aquele que ora está em Cristo, goza de comunhão com ele, foi regenerado por ele, e espera por ele da glória celeste. E então Deus Pai concede ao crente as orações por ele feitas em nome de Jesus Cristo; e os benefícios espirituais desejados lhes serão outorgados por estar ele em união espiritual com o Senhor Jesus. Ora, tudo isso reverbera na forma de alegria na vida do crente, pois a alegria é uma companheira necessária da retidão, segundo temos verificado na passagem de João 16:22.

 

Fatos a considerar

 1. A oração abre o caminho de acesso ao Pai, a fonte de todo o bem-estar, Hb 4:16.

2. A oração é ajudada pelo Espírito (II Ts 3:5), e isso através de Cristo (Ef 2:18).

3. Ela ajuda os homens a atingirem seus destinos, mediante o cumprimento de suas respectivas missões, Cl 4:2-4.

4. A oração é um ato de criação, pois pode alterar tanto as pessoas quanto as circunstâncias

5. Jesus deixou o exemplo; ele vivia em constante oração, Mt 14:23.

6. A oração é um meio de crescimento espiritual, pois ela existe não meramente para pedirmos coisas, mas por si mesma é um exercício espiritual que ajuda a alma a crescer. Outros meios para isso são o estudo das verdades espirituais, contidas nos documentos sagrados, a meditação, que é a irmã gêmea da oração, o viver diário segundo a lei do amor e das boas obras, a santificação, e o uso dos dons espirituais.

 NOTAS VEJA www.avivamentonosul.blogspot.com.br

Notas Bibliografia Champlin,comentário bíblica,2003