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justificação pela fé N.2
justificação pela fé N.2

                           O que é justificação evangélica?

 

Não consiste em pronunciar o pecador justo pela lei, mas em ser tratado de forma governativa, em última instância, como se fosse justo. Consiste em um decreto governativo de perdão ou anistia — em deter e pôr de lado a execução da pena incorrida da lei — que restabelece a normalidade em favor daqueles que pecaram, daqueles a quem a lei pronunciara culpados e aos quais fora dada a sentença de morte eterna. Trata-se, portanto, de recompensá-los como se fossem justos. Como prova desta posição, acentuo:

1.  Que este é o ensino inequívoco das escrituras do Antigo Testamento. Todo o sistema de sacrifícios exemplifica a doutrina do perdão sob as condi_ções da expiação, do arrependimento e da fé. Na antiga dispensação, tais sa_crifícios representavam a aceitação misericordiosa dos penitentes e nunca a absolvição forense ou judicial. O propiciatório cobria a lei na Arca da Aliança. Paulo mostra a justificação da forma como os santos do Antigo Testamento a entendiam: "Assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras, dizendo: Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado" (Rm 4.6-8). Esta citação de Davi mostra o que tanto Davi quanto Paulo entendia por justificação, a saber, o perdão e a aceitação do pecador penitente.

2.  O Novo Testamento justifica e estabelece a mesma visão do assunto, como veremos sob outro subtítulo.

3. Os pecadores não podem ser justos em qualquer outro sentido. Sob cer_tas condições, podem ser perdoados e tratados como justos. Mas os pecado_res serem declarados justos no sentido forense é algo impossível e absurdo.(NOTAS,TEOLOGIA SISTEMATA CHARLES FINEY)

 Enquanto a regeneração modifica a natureza do crente; a justificação muda a posição dele diante de Deus. O sacrifício expiatório de Cristo no Calvário é a provisão divina para garantir ao homem a posição de justo diante de Deus (Rm 3.25; 5.9; Ef 2.13; 1 Pe 1.4,5). Uma vez regenerado, o homem, por meio da fé, é justificado gratuitamente mediante o preço pago por Jesus Cristo na cruz (1 Pe 2.18-23; Rm 3.22,24,25,28; 5.1,9).A justiça do crente não provém das obras da lei (Gl 2.21), mas da maravilhosa graça do Senhor: “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.24). Mediante a justificação, Deus absolve o pecador da condenação e declara-o justo perante Ele (Rm 8.30; 5.18). 

Martinho Lutero, enquanto professor de Teologia na Universidade de Wittemberg, lecionou a Carta aos Romanos de novembro de 1515 a setembro de 1516. À proporção que se aprofundava na epístola, apreciava cada vez mais a doutrina bíblica da justificação pela fé. Segundo Lutero, ele ‘ansiava por compreender a Epístola de Paulo aos Romanos’, mas o tema da ‘justiça de Deus’ o incomodava. O reformador considerava a doutrina da justiça divina como a punição de Deus sobre o injusto. Até que, depois de muito refletir sobre o assunto, entendeu tratar-se da ‘justiça pela qual, mediante a graça e a misericórdia, Deus nos justifica pela fé’. Desde então, afirmou Lutero, “senti-me renascer e atravessar os portais abertos do paraíso. Toda a Escritura ganhou novo significado e, ao passo que antes a justiça de Deus me enchia de ódio, agora se tornava indizivelmente bela e me enchia de amor. Este texto veio a ser uma porta para o céu”. 

O texto da Leitura Bíblica em Classe divide-se em duas seções: Exposição da doutrina da justificação (vv.21-26) e, insuficiência humana para justificar-se (vv.27-31). Segue abaixo dez sentenças extraídas do texto bíblico que sumarizam a doutrina da justificação.

 A justiça manifestada no Antigo Testamento independe da lei (vv.21,31);

 A justiça de Deus se realiza mediante a fé em Cristo, a favor de todos os que crêem (vv.22,29,30);

 Todos pecaram, logo, todos necessitam da justificação em Cristo (vv.23,24);

 A justificação é gratuita por meio da graça e da redenção que há em Cristo (v.24);

A base inamovível da justificação é a morte substituta e expiatória de Cristo (v.25);

 A morte vicária de Cristo satisfez a justiça de Deus (v.25);

 Deus é justo ao justificar quem vive da fé em Jesus (v.26);

 A fé é o meio pelo qual o homem alcança a justificação em Cristo (vv.26-28);

 Ninguém tem qualquer mérito para ser justificado à parte da fé em Cristo (v.27);

 A fé não anula a lei, mas a estabelece (v.31). 

 

                                                                             A JUSTIFICAÇÃO

 

 A justificação é um ato divino. A justificação é uma declaração de Deus, segundo a qual todos os processos da lei divina são plenamente satisfeitos, por meio da justiça de Cristo, em benefício do pecador que o recebe como salvador. Justificação significa mudança de posição espiritual diante de Deus: de condenados para justificados. Esta é a única maneira do homem ter comunhão com Deus, apresentando-se a Ele sem culpa.

A obra redentora resultante do sacrifício expiatório, efetuado por Cristo na cruz, propiciou a maior de todas as dádivas de Deus — a salvação do indigno e miserável pecador.

 A justificação testificada pela lei e pelos profetas (v.21). A justificação do pecador, mediante o sacrifício vicário de Cristo, pode ser percebida por meio de várias profecias no Antigo Testamento (Is 53.11; 45.22-25; 61.10; Jr 23.6; 33.16; Sl 85.10; Gl 3.7). Em Gênesis 3.21, por exemplo, encontramos uma nítida figura do propósito divino neste sentido. Deus cobrira graciosamente a nudez de nossos primeiros pais, Adão e Eva, após terem pecado. Outro exemplo digno de nota é o de Abraão que foi justificado por Deus somente pela fé (Gn 15.6); fato transcendental que a Bíblia confirma em Romanos 4.3.

A lei mosaica não tinha a intenção de alcançar a justiça pelo esforço humano, mas de revelar a justiça de Deus (Rm 8.4; 10.4,10; At 10.39). Os sacrifícios da lei não visavam retirar os pecados, mas cobri-los temporariamente até que Cristo viesse como o sacrifício perfeito e substitutivo (Êx 12.1-23; Jo 1.29). As ordenanças, rituais, sacrifícios e princípios de vida piedosa ensinados no Antigo Testamento, embora divinamente inspirados, não podiam quitar as “dívidas” da humanidade, e muito menos, transformar o perdido pecador num justo. 

 

 A JUSTIÇA DE DEUS

 

 A justiça de Deus na dispensação da graça. A expressão “justiça de Deus”, na Epístola aos Romanos (1.17; 3.21,22) e em outras passagens, refere-se ao tipo de justiça que o Senhor aceita para que o homem tenha comunhão com Ele. Essa justiça resulta da nossa fé em Cristo segundo o evangelho. Em outras palavras, a justiça é o próprio Cristo (1 Co 1.30; 2 Co 5.21; Fp 3.9).

Por ter sido um ardoroso representante do legalismo, Paulo não cessava de enaltecer a manifestação da justiça divina em sua vida (Fp 3.4-6). Não perdia a chance de enfatizar que é impossível ao homem justificar-se diante de Deus através de suas próprias obras (Fp 3.9; Gn 2.16; Tt 3.5).

 A justiça de Deus pela fé. Na Epístola aos Romanos, capítulos 3 e 4, Paulo ensina que não há outro meio pelo qual o homem alcance a salvação senão pela fé em Cristo. Por sua vez, o escritor aos Hebreus, no capítulo 11 de sua epístola, mostra que somente pela fé o crente será vitorioso em todos os sentidos.

Este mesmo princípio é encontrado em Romanos 4.5, onde a Bíblia declara que quZm “não pratica (boas obras), porém crê nAquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça”. 

 

 CARACTERÍSTICAS DA JUSTIFICAÇÃO DIVINA

 

 A justiça divina alcança a todos. Assim como o pecado tornou-se universal, a justificação destina-se a todos quantos queiram ser salvos (Tt 2.11). A expressão “para que todo aquele que nele crê não pereça” (Jo 3.16) abrange a todos, indistintamente.

Todos os que se arrependem de seus pecados e crêem em Jesus como Salvador não perecerão, mas terão a vida eterna. E é tudo pela graça de Deus, conforme está escrito: “Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5.20). Esta “multiforme graça” alcança de igual modo todas as pessoas de todas as raças, culturas, níveis sociais, idades e circunstâncias (Jo 6.37). Ninguém é bom o suficiente para se salvar, como também não é tão mau que não possa ser salvo por Jesus.

 A justiça de Deus é concedida gratuitamente mediante a graça. Desde que Adão e Eva pecaram contra o Senhor, a lei não tem feito outra coisa senão revelar a culpa universal do ser humano e a justiça do Todo-Poderoso. A graça que procede do amor do Pai reina por meio da justiça, como afirma Romanos 5.21.

É mediante o sacrifício de Cristo sobre a cruz, como perfeito substituto do culpado, que Deus justifica o pecador, quando, arrependido, crê em seu Filho para a salvação (Gn 3.13; 1 Pe 2.24; Rm 10.10). Esta é a maior demonstração da justiça divina. O Altíssimo continua sendo justo mesmo justificando um pecador (Rm 3.26).

 É propiciada por Cristo (v.25). “Ao qual Deus propôs para propiciação no seu sangue”. Propor significa “apresentar perante todos”, ou seja, o Pai constituiu o Filho, feito homem perante o mundo, como Salvador da humanidade (Jo 1.14; Mt 1.20-23; Gl 4.4,5).

“Propiciação” (v.25) é Cristo morrendo em lugar dos perdidos a fim de salvá-los. É a remoção da ira divina por meio de uma oferta, de uma dádiva.

O Tabernáculo com seus objetos, sacrifícios e sacerdócio prefigurou como sombra, entre outros elementos da salvação, a propiciação. Onde há sombra há realidade (Cl 2.16,17; Hb 10.1). Examine também: Sl 32.2; Mt 20.28; Jo 1.29; Rm 4.7,8; 1 Co 15.3; 2 Co 5.19,2; 1 Jo 2.2; 4.10. Propiciação é uma referência ao propiciatório. Este encontrava-se no Lugar Santíssimo do Tabernáculo onde o sumo sacerdote entrava apenas uma vez por ano, no Dia da Expiação, para sacrificar em favor do povo. Ali, ele aspergia o sangue expiador do sacrifício como símbolo da quitação ou remissão correspondente ao castigo de seus pecados e dos pecados do povo.

Jesus é o verdadeiro Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Is 53; Jo 1.29; Lc 23.46; Gl 4.4,5). Foi Deus que estabeleceu todas as coisas concernentes a Jesus, a fim de salvar-nos (At 2.23). Expiação tem a ver com o pecado; propiciação, com a atitude de Deus para com o pecador arrependido; e redenção, com a pessoa do pecador. Tudo efetuado por Deus em Cristo (1 Tm 2.6; 1 Pe 1.18,19; At 20.28).

 É outorgada por Deus. A justificação do pecador perante Deus procede da sua graça (Rm 3.24) . Ela foi efetuada e é garantida pelo sangue de Jesus, como sua base (Rm 5.9). É obtida através da nossa fé em Cristo (Rm 3.28); a fé sem as obras humanas é o meio estipulado por Deus para nossa justificação (Gl 2.16). A ressurreição de Cristo é a garantia da perenidade de nossa justificação (Rm 4.25). Se alguém deseja ser justificado e sair da lista dos que estão sob a ira de Deus, deve crer em Cristo (Rm 1.16,17; 3.3,21,22). O único requisito estabelecido por Deus para que o pecador seja justificado é que venha a Cristo pela fé, aceitando-o como seu único Salvador. 

 

 A MENSAGEM PROVENIENTE DA CRUZ DE CRISTO

 

 Salvação sem vanglória e méritos humanos. Visto que a nossa salvação consiste somente na obra redentora de Cristo consumada na cruz, o homem não tem motivo algum para se vangloriar porque “nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”, a não ser o nome de Jesus (At 4.12).

 Salvação oferecida a todos. A preservação da vida de Raabe e sua família (Hb 11.31); a bênção sobre a vida de Rute (Rt 4.13-22); e a cura de Naamã (2 Rs 5.1-14), são apenas alguns exemplos de que Deus é Senhor e abençoador de todos. Ele quer salvar a todos (Tt 2.11; Mt 11.28; Jo 6.37; Ef 4.6). O profeta Jonas testificou que Deus é misericordioso para aceitar a qualquer um que se arrependa de seus pecados (Jn 4.2). O Evangelho de João 1.12 confirma este propósito de Deus: salvar a todos (Jo 1.12). Jesus também o declarou (Jo 3.17; 5.24). Infelizmente, muitos são os que rejeitam o convite da graça de Deus e acabam por desprezar a Cristo, acarretando sobre si a ira divina.

  

                                                                    JUSTIFICAÇÃO (CONTINUAÇÃO)

 

A justificação é pronunciar alguém justo. Pode ser mediante palavras ou, na prática, por tratamen_to. A justificação tem de ser, em certo sentido, um ato governativo. Por isso, para um entendimento correto da justificação evangélica, é de suma im_portância investigar se ela é um ato do poder judi_ciário, executivo ou legislativo, ou seja, se consiste num procedimento estritamente judicial ou foren_se, ou se consiste em perdão, ou em pôr de lado a execução de uma pena incorrida, sendo, portanto, um ato executivo ou legislativo. Veremos que a re_solução desta questão é de grande importância em teologia. À medida que examinarmos este tema, teremos, para sermos coerentes, de tratar de mui_tas outras questões igualmente importantes e alta_mente práticas em teologia. Isto me leva a dizer:

Que a justificação evangélica não deve ser con_siderada como um procedimento forense ou judicial. O Dr. Chalmers e os adeptos de sua escola sustentam que sim. Mas este é, com certeza, um grande erro, como veremos. O termo forense é derivado deforum, que significa "um tribunal". Qualquer procedimento forense pertence ao poder judiciário, cujo dever é averiguar os fatos e declarar a sentença da lei. Este poder não se sobrepõe à lei, mas lhe cabe pronunciar julgamento conforme o verdadei_ro espírito e significado da lei. Os tribunais nunca perdoam ou põem de lado a execução da pena. Isto não lhes pertence, mas é algo que cabe ao poder executivo ou ao poder legislativo. Muitas vezes este poder dos governos humanos está investido no presidente do poder executivo, que, em geral, recebe essa investidura do poder legislativo. Mas o poder de perdoar nunca é exercido pelo poder judici_ário.

 A base de uma justificação judicial ou forense invariavelmente deve ser a obediência universal à lei. Se um crime é alegado e provado, o tribunal não tem outra alternativa senão condenar, não podendo, em nenhum caso, justificar ou pronunciar o condenado inocente. A justificação evangélica é a justificação dos pecadores. E naturalmente impossível e flagrante contradição afirmar que a jus_tificação de um pecador ou daquele que violou a lei é uma justificação forense ou judicial. Uma justificação legal ou forense age na pressuposição de que o indiví_duo justificado é inocente. Em outras palavras, que ele não violou a lei, que fez apenas o que lhe era um direito legal. Assim, é tolice afirmar que um pecador só pode ser pronunciado justo aos olhos da lei; que pode ser justificado por ações da lei. A lei o condena. Mas a justificação forense ou judicial significa ser pronuncia_do justo ou inocente à luz do julgamento da lei. Esta é, sem dúvida, uma impos_sibilidade a respeito dos pecadores. A Bíblia é explícita neste ponto: "Por isso, nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado" (Rm 3.20).

É adequado afirmar aqui que o Dr. Chalmers e os adeptos de sua escola não tencionam dizer que os pecadores sejam justificados por sua própria obe_diência à lei, mas pela perfeita e imputada obediência de Jesus Cristo a ela. Eles sustentam que a obediência do Senhor à lei, quando estava na terra, foi depositada como crédito e imputada aos pecadores eleitos, de modo que a lei os considera como tendo praticado a perfeita obediência nEle. Em outras pa_lavras, os reputa como tendo obedecido perfeitamente por procuração e, as_sim, os pronuncia justos sob a condição da fé em Cristo. Os defensores dessa tese insistem que é correto tratar-se de uma justificação forense ou judicial. Mas este assunto virá à baila com mais adequação sob outro subtítulo. 

 

Condições da justificação

 

Neste estudo uso o termo condição no sentido de sine qua non, um "não sem o qual". Este é o seu sentido filosófico. Uma condição diferente da base da justificação é algo sem o qual os pecadores não podem ser justificados. Não obstante, essa condição não é a causa de obtenção ou a razão fundamen_tal da justificação. Há, como veremos, muitas condições, enquanto que há apenas uma base para a justificação dos pecadores. Perceberemos a aplicação e a importância desta distinção à medida que prosseguirmos.

Como já foi dito, não pode haver justificação em sentido legal ou foren_se, senão com base na obediência universal, perfeita e ininterrupta à lei. É claro que tal conceito é negado por aqueles que defendem que a justificação evangélica — ou a justificação dos pecadores penitentes — é de natureza forense ou judicial. Eles se apóiam na máxima legal de que aquilo que uma pessoa faz por alguém ela o faz por si mesma. Assim, a lei considera como nossa a obediência de Cristo com base no que Ele obedeceu por nós. A isto, respondo:

 

1. A máxima legal há pouco exposta não se aplica ao tema, exceto em casos nos quais a pessoa age no interesse de outra por sua própria determinação. Esta não é a perspectiva da obediência de Cristo;

 

2. A doutrina de uma justiça imputada, ou que a obediência de Cristo à lei foi considerada como nossa obediência, fundamenta-se numa pressuposição falsa e absurda, qual seja, que Cristo por si próprio não devia obediência à lei, sendo essa obediência um trabalho de sub-rogação — algo de natureza substitutiva para ser creditado em nosso favor, porque Ele, em sua essência, não precisou obedecer.

Nesta altura devo ressaltar que a justificação respeita a lei moral. Portan_to, o que os defensores da tese desejam afirmar é que Cristo não devia obe_diência à lei moral, sendo essa obediência uma obra completa de sub-rogação depositada em nossa conta como a base de nossa justificação condicionada à nossa fé nEle. Mas com certeza este é um engano óbvio. Vimos que o espí_rito da lei moral exige a boa vontade para com Deus e o Universo. Cristo não estava sob a mesma obrigação? Não estava Ele sob a obrigação infinita de ser perfeitamente benevolente? Era-lhe possível ser mais benevolente do que a lei exige a todos os seres que o sejam? Ele não devia inteira consagra_ção de coração e vida ao bem maior do ser universal? Se não, a benevolência de Cristo não teria então nenhuma virtude, porque não seria uma compla_cência com a obrigação moral. Era-lhe naturalmente impossível e o é a qual_quer pessoa fazer uma obra de sub-rogação, isto é, ser mais benevolente do que a lei moral lhe exige. Isto é tão verdadeiro de Deus como o é de qual_quer outro ser. Cristo não teria pecado se Ele não fosse perfeitamente bene_volente? Segue-se, portanto, que o Senhor devia obediência à lei tanto quanto qualquer outro ser. De fato, um ser que não deve obediência à lei moral é completamente incapaz de virtude, pois o que é a virtude senão a obediên_cia à lei moral?

Mas se Cristo devia obediência pessoal à lei moral, então a sua obediên_cia não podia mais do que justificá-lo. Nunca poderia ser imputada a nós. Ele se destinara a amar Deus com todo o coração, alma, mente, força, bem como ao próximo como a si mesmo. Cristo não fez mais do que isso. Ele não poderia fazer mais. Assim sendo, era-lhe naturalmente impossível obedecer em nosso favor. 

 

Contudo, há bases e condições válidas de justificação 

 

1. O sofrimento vicário ou a expiação de Cristo é uma condição da justifi_cação ou do perdão e aceitação de pecadores penitentes.

 

Tem sido comum confundir as condições com a base da justificação, ou representar de propósi_to a expiação e a obra de Cristo como a base distinta e oposta a uma condição da justificação. Ao tratar deste assunto, achei importante distinguir entre a base e as condições da justificação, não considerando a expiação e obra de Cristo como uma base, mas só como uma condição da justificação evangélica. Por base quero dizer a causa movente e conseguidora, na qual o plano de redenção se originou e que foi a razão fundamental ou base do movimento inteiro. Esta era a benevolência e disposição misericordiosa de toda a deidade — Pai, Filho e Espírito Santo. 

Este amor fez a expiação, mas a expiação não gerou este amor. A deidade desejou salvar os pecadores, mas não pôde fazê-lo, é certo, sem perigo para o Universo, a menos que algo fosse feito para satisfazer a justiça pública e não a justiça retributiva. Recorreu-se, pois, à ex_piação como meio de reconciliar perdão com a administração saudável da justiça. Uma disposição misericordiosa na deidade tornou-se a fonte, o fun_damento, a mola-mestra do movimento inteiro, enquanto que a expiação foi só uma condição sem a qual o amor de Deus não podia seguramente manifes_tar-se na justificação e salvação dos pecadores.

Não fazer esta distinção e representar a expiação como a base da justifica_ção do pecador tem sido triste motivo de tropeço para muitos. De fato, todas as questões da natureza, do desígnio, da extensão e dos pontos de apoio da expiação versam e estão envolvidas em torno desta distinção. Alguns repre_sentam a expiação como algo não exigido, nem procedente do amor ou dispo_sição misericordiosa, mas da ira inexorável do Pai, dando a impressão de que Cristo era mais misericordioso e mais amigo dos pecadores do que o Pai. Muitos receberam esta impressão de púlpito e através de representações es_critas, como bem sei.

Outros, em relação à expiação como base ao invés de uma condição da justificação, têm sustentado que a expiação é o pagamento literal da dívida dos pecadores, sendo uma transação de natureza comercial: umquid pro quo, uma valiosa consideração paga por Cristo, ao sofrer a mesma quantidade de castigo merecida pelo número completo dos eleitos; negando, assim, a idéia de uma disposição misericordiosa no Pai e representando-o como a exigir o pagamento para absolver e salvar os pecadores. Alguns deste grupo susten_tam que pelo fato de Cristo ter morrido o pecador eleito tem o direito de exi_gir a sua justificação com base na justiça. Assim, pode apresentar a expiação e obra de Cristo e dizer ao Pai: "Aqui está o preço; exijo a mercadoria". E claro que este grupo tem de sustentar a natureza limitada da expiação ou afirmar-se universalista.

Enquanto outros, presumindo que a expiação é a base da justificação no sentido de pagamento literal da dívida dos pecadores e que as Escrituras re_presentam a expiação como feita por todos os homens, são universalistas consistentes. Alguns desistiram ou nunca mantiveram esta visão; por isso sus_tentam que a expiação é um expediente governativo para reconciliar o perdão dos pecados com uma administração saudável de justiça; que é suficiente para todos como para parte da humanidade; que não dá direito de perdão àqueles por quem foi feita em razão da justiça, mas que os homens estão livremente justificados pela graça mediante a redenção que há em Cristo Jesus. Não obstante, tais teólogos persistem de forma inconsistente representando a ex_piação como base e não apenas como condição da justificação.

Aqueles que sustentam que a expiação e a obediência de Cristo são a base da justificação dos pecadores, no sentido de pagamento da dívida, conside_ram toda a graça na transação como a consistir na expiação e obediência de Cristo e excluem a graça do ato da justificação. A justificação consideram um ato forense. Eu reputo a expiação de Cristo como a condição necessária para manifestar a benevolência de Deus na justificação e salvação dos pecadores. Uma disposição misericordiosa em toda a deidade constituiu-se a base, en_quanto a expiação foi uma condição da justificação. A misericórdia teria sal_vado sem a expiação, tivesse isto sido possível.

Que os sofrimentos de Cristo, especialmente a sua morte, foram vicários, demonstramos de forma abundante ao tratarmos do tema da expiação. Não preciso repetir aqui o que eu disse lá. Embora Cristo devesse obediência per_feita à lei moral para si mesmo, não podendo obedecer como nosso substitu_to, tendo em vista o fato de ter obedecido de forma perfeita, Ele não devia sofrimento à lei ou ao governo divino por sua própria conta.

 Assim, Cristo podia sofrer por nós. Quer dizer, podia responder aos propósitos governativos e substituir pela sua morte a imposição da pena da lei sobre nós. Cristo não podia fazer obras de sub-rogação, mas podia suportar os sofrimentos de sub-rogação, visto que não lhe cabia nenhuma obrigação nesse aspecto. A doutri_na da substituição, no sentido há pouco mencionado, aparece em todos os lugares em ambos os Testamentos. É a idéia principal, o pensamento proemi_nente que jaz em todas as Escrituras: Que os poucos textos bíblicos que se seguem sirvam de exemplos do ensino desta doutrina:

"Porque a alma da carne está no sangue, pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que fará expiação pela alma" (Lv 17.11).

"Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados. Todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. O trabalho da sua alma ele verá e ficará satisfeito; com o seu conhecimento, o meu servo, o justo, justificará a muitos, porque as iniqüidades de_les levará sobre si" (Is 53.5,6,11).

"Bem como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e para dar a sua vida em resgate de muitos" (Mt 20.28).

"Porque isto é o meu sangue, o sangue do Novo Testamento, que é derra_mado por muitos, para remissão dos pecados" (Mt 26.28).

"E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Fi_lho do Homem seja levantado, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3.14,15).

"Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer desse pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo" (Jo6.51).

"Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue" (At 20.28).

"Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu san_gue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes come_tidos, sob a paciência de Deus; para demonstração da sua justiça neste tem_po presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus" (Rm 3.24-26).

"Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer. Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação. Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Porque, como, pela desobediência de um só ho_mem, muitos foram feitos pecadores, assim, pela obediência de um, muitos serão feitos justos" (Rm 5.6-9,11,18,19).

 

"Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós" (1 Co 5.7).

"Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras" (1 Co 15.3).

"Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós, por_que está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo e para que, pela fé, nós recebamos a promessa do Espírito" (Gl 3.13,14).

"Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto" (Ef 2.13).

"Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, en_trou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção. Por_que, se o sangue dos touros e bodes e a cinza de uma novilha, esparzida sobre os imundos, os santificam, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará a vossa consciência das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo? E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão. De sorte que era bem necessário que as figuras das coisas que estão no céu assim se puri_ficassem; mas as próprias coisas celestiais, com sacrifícios melhores do que estes. Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer, por nós, perante a face de Deus; nem também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no santuário com sangue alheio. 

Doutra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas, agora, na consumação dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo, assim tam_bém Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos, apare_cerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para a salvação" (Hb 9.12-14,22-28).

"Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição, recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado" (1 Pe 1.18,19).

"Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados" (1 Pe 2.24).

"Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado" (1 Jo 1.7).

"Nisto se manifestou a caridade de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos. Nisto está a carida_de: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados" (1 Jo 4.9,10).

Estas e muitas outras passagens estabelecem o fato de que a expiação viçaria de Cristo é uma condição de nosso perdão e aceitação a Deus.

 

 

    2.  O arrependimento também é uma condição da nossa justificação.

 

 Ob_serve que aqui uso também o termo condição no sentido de um "não sem o qual", e não no sentido de um "que por causa do qual" o pecador é justifica_do. É certo que o governo de Deus não pode perdoar o pecado sem arrependi_mento. Esta é uma doutrina tão verdadeiramente natural quanto revelada. Até que o pecador se separe dos pecados pelo arrependimento, voltando-se para Deus, é óbvio que ele não pode ser justificado em qualquer sentido. Pre_sume-se o fato em todos os lugares, como está implícito e ensinado na Bíblia. Nenhum leitor da Palavra de Deus pode levantar questão sobre isso, e seria ocupação inútil de tempo citar mais passagens.

 

3.  A fé em Cristo é, no mesmo sentido, outra condição da justificação. Já examinamos a natureza e necessidade da fé. Temo que tenha havido muito erro nas concepções de muitos sobre este assunto. 

 

Eles falaram de justificação pela fé, como se supusessem que, por uma consecução arbitrária de Deus, a fé fosse a única condição da justificação. Esta parece ser a visão antinomiana. Para esta classe de indivíduos, a justificação pela fé parece implicar que so_mente por ela, e não por Cristo mediante a fé, o pecador penitente é justifica_do, como se a fé e não Cristo fosse a nossa justificação. Eles parecem conside_rar a fé não como uma condição natural, mas meramente como condição mís_tica da justificação; como a nos levar a uma aliança e relação místicas com Cristo, em conseqüência do que a sua justiça ou obediência pessoal nos é im_putada. Nunca deveria ser esquecido que a fé é condição da justificação; e ela obra por amor. E a fé pela qual Cristo santifica a alma. Uma fé santificadora une o crente a Cristo como sua justificação, mas que sempre seja lembrado: nenhuma fé recebe Cristo como justificação se não recebê-lo como santificação a reinar dentro do coração. Vimos que o arrependimento, como também a fé, é uma condição da justificação. Veremos que a perseverança na obediência até o fim da vida também é uma condição da justificação. A fé é freqüente_mente falada nas Escrituras como se fosse a condição exclusiva da salvação, porque, como vimos, de sua própria natureza implica o arrependimento e toda a virtude.

Que a fé é uma condição naturalmente necessária da justificação, temos visto. Que as seguintes passagens da Escritura sirvam como exemplos da maneira pela qual as Escrituras falam sobre este assunto.

"E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado" (Mc 16.15,16).

"Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no seu nome" (Jo 1.12).

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Aque_le que crê no Filho tem a vida eterna, mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece" (Jo 3.16,36).

"Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus? Je_sus respondeu e disse-lhes: A obra de Deus é esta: que creiais naquele que ele enviou. Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: que todo aquele que vê o Filho e crê nele tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último Dia" (Jo 6.28,29,40).

"Por isso, vos disse que morrereis em vossos pecados, porque, se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados. Vós tendes por pai ao diabo e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele foi homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. Quem é de Deus escuta as palavras de Deus; por isso, vós não as escutais, porque não sois de Deus" (Jo 8.24,44,47).

"Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim nunca morre_rá" (Jo 11.25,26).

"A este dão testemunho todos os profetas, de que todos os que nele crêem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome" (At 10.43).

"Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa" (At 16.31).

"Mas, àquele que não pratica, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça" (Rm 4.5).

"Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê" (Rm 10.4).

"Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé de Cristo e não pelas obras da lei, porquanto pelas obras da lei nenhu_ma carne será justificada" (Gl 2.16).

"Ora, sem fé é impossível agradar-lhe, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o bus_cam" (Hb 11.6).

"Quem crê no Filho de Deus em si mesmo tem o testemunho; quem em Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu. E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas coisas vos escrevi, para que saibais que tendes a vida eterna e para que creiais no nome do Filho de Deus" (1 Jo 5.10-13).

 

4. A santificação em apreço, no sentido de plena e vigente consagração a Deus, é outra condição e não base da justificação.

 

Alguns teólogos fize_ram da justificação uma condição da santificação, em vez de fazer da san_tificação uma condição da justificação. Mas isto, veremos, é uma visão er_rônea do assunto. O erro está fundamentado num mal-entendido da natu_reza da justificação e da santificação. Santificar é separar, consagrar para uso particular. Santificar uma coisa a Deus é separar para o seu serviço, é consagrá-la exclusivamente ao Senhor. Santificar a pessoa é voluntaria_mente separá-la e consagrá-la a Deus. Ser santificado é estar separado, é estar consagrado a Deus. A santificação é o estado de ser santificado ou separado para o serviço de Deus. Esta é a vigente obediência à lei moral. É o todo do dever presente e está implícito no arrependimento, fé e regene_ração, como vimos abundantemente. 

A santificação é às vezes usada para expressar um estado permanente de obediência a Deus ou de consagra_ção. Neste sentido não é uma condição de justificação presente ou de per_dão e aceitação. Mas é uma condição de contínua e permanente aceitação a Deus. Com certeza não pode ser verdade que Deus aceita e justifica os pecadores em seus pecados. A Bíblia representa as pessoas justificadas como santificadas e sempre condiciona explícita ou implicitamente a justifica_ção à santificação, no sentido da atual obediência a Deus. "E é o que al_guns têm sido, mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus e pelo Espírito do nosso Deus" (1 Co 6.11).

 Este é senão um exemplo da maneira pela qual os que são justificados são descritos na Bíblia. Também: "Portanto, agora, nenhu_ma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam se_gundo a carne, mas segundo o espírito" (Rm 8.1). Eles são justificados por_que andam segundo o Espírito. Deve-se objetar, como o pode ser, que as Escrituras falam freqüentemente de santos ou pessoas verdadeiramente regeneradas, como a necessitar de santificação. Falam também de santifi_cação como algo que vem pela regeneração, advertindo os santos direcionados a atingi-la. Eu respondo que quando a santificação é assim descrita, é indubitavelmente empregada no mais alto sentido já comenta_do, a saber, denotar um estado de ser firmado, estabelecido na fé, arraiga_do e fundamentado no amor, sendo assim confirmado na fé e obediência do Evangelho no que tange a permanecer no caminho com constância e inflexibilidade, sempre abundando na obra do Senhor. Esta é, sem dúvida, uma condição da justificação permanente, como já foi dito, mas não uma condição da justificação vigente.

 

 Ao considerar que a santificação é uma condição da justificação, se quer dizer as seguintes coisas

 

(1) Que a consagração vigente, plena e inteira de coração e vida a Deus e ao seu serviço é uma condição inalterável de vigente perdão do pecado pas_sado e de aceitação presente a Deus.

(2)  Que a alma penitente permanece justificada não mais do que a sua plena consagração continua. Se ele cai do primeiro amor no espírito de agra_dar-se a si mesmo, entra outra vez em escravidão ao pecado e à lei, é condena_do e tem de se arrepender e retornar à sua "primeira obra", tem de voltar a Cristo e renovar sua fé e amor como condição de sua salvação. Este é o mais expresso ensino da Bíblia, como veremos plenamente.

 

 

3. A perseverança na fé e obediência ou em consagração a Deus tam_bém é uma condição inalterável da justificação ou do perdão e aceitação a Deus.

 

Pelo que está afirmado neste contexto, você entenderá que quero dizer que a perseverança na fé e obediência é uma condição não da pre_sente aceitação e salvação, mas da justificação última. Aqueles que susten_tam que a justificação pela justiça imputada é um procedimento forense, olham a justificação final ou última de acordo com a visão que têm da natureza do processo. Segundo eles, a fé recebe uma justiça imputada e uma justificação judicial. O primeiro ato da fé, de acordo com o que pen_sam, apresenta o pecador nesta relação e obtém para ele uma justificação perpétua. Os defensores da tese mantêm que depois deste primeiro ato da fé é impossível ao pecador entrar em expiação; que, estando uma vez jus_tificado, sempre será justificado, pouco importando o que fizer depois disso; de fato, ele nunca é justificado pela graça no que tange aos pecados passa_dos, sob a condição de deixar de pecar; que a justiça de Cristo é a base e que a obediência presente do pecador não é nem mesmo uma condição de sua justificação, de forma que sua obediência presente ou futura à lei de Deus é, seja como for e em certo sentido, um sine qua non de sua justifica_ção, presente ou última.(notas Teologia sistematica Chales Finey).