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lições CPAD ensinos de Jesus 2trim-2000
lições CPAD ensinos de Jesus 2trim-2000

                                   Lições Bíblicas CPAD

                                               Jovens e Adultos 

                                         2º Trimestre de 2000

 

Título: Os ensinos de Jesus para o homem atual

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima 

Lição 1: Jesus e a salvação

Data: 2 de Abril de 2000 

TEXTO ÁUREO 

Porque o Filho do homem veio salvar o que se tinha perdido” (Mt 18.11).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Jesus veio ao mundo com a sublime missão de propiciar a salvação a todos os homens, mas só serão salvos os que o aceitarem como único e suficiente Salvador.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Lc 1.47

A alegria no Salvador

 

 

 

Terça - Mt 1.21

O Salvador de seu povo

 

 

 

Quarta - Mc 5.34

Considerando a fé pessoal

 

 

 

Quinta - Lc 17.33

A perda que é ganho

 

 

 

Sexta - Jo 10.9

A porta da salvação

 

 

 

Sábado - Jo 12.47b

Veio para salvar o mundo

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Mateus 1.21; 8.25; 10.22; Lucas 1.47; 2.11,30.

 

Mateus

1.21 - E ela dará à luz um filho, e lhe porás o nome de JESUS, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.

8.25 - E os seus discípulos, aproximando-se, o despertaram, dizendo: Senhor, salva-nos, que perecemos.

10.22 - E odiados de todos sereis por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até o fim será salvo.

 

Lucas

1.47 - e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.

2.11 - pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor.

2.30 - pois já os meus olhos viram a tua salvação.

 

PONTO DE CONTATO

 

Neste trimestre, seus alunos terão a oportunidade de aprender com o próprio Senhor Jesus, o “Mestre dos mestres”, lições preciosas, que a cada semana, serão expostas e analisadas com o precípuo propósito de ajudá-los a crescerem no conhecimento do plano divino da Redenção e, consequentemente, no desenvolvimento da salvação.

A única esperança de salvação da humanidade encontra-se no sangue de Jesus Cristo, o Filho de Deus, derramado no Calvário. Este ato redentor e propiciatório dos pecados do homem, já estava marcado e determinado, na mente augusta e onisciente do Criador, antes da fundação do mundo. Assim, tanto a Queda da humanidade originada na desobediência do primeiro Adão, como a sua salvação pelo segundo Adão foram preconhecidas e providenciadas dentro do plano de Deus. Prevista a Queda do homem, Deus determinou, logo e para sempre, o único meio restaurador do ser humano: a propiciação pelo sangue do Cordeiro imaculado, Jesus Cristo, seu Filho amado.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Demonstrar o plano divino de redenção da humanidade através da pessoa de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
  • Relatar os ensinos de Jesus sobre a salvação.
  • Reconhecer e afirmar que, para ser salvo, é necessário crer em Jesus, com arrependimento dos pecados, e permanecer salvo através da santificação.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

O desígnio divino de salvação da humanidade é completo e perfeito. Todos os pecadores de todas as raças e povos podem ser salvos. Evidentemente não é a mera aceitação do plano divino que produz a salvação, mas é a aceitação pessoal de Jesus Cristo, pela fé no sentido de confiança nEle depositada, como Salvador. Pois a fé que salva não é a meramente intelectual, mas a fé viva que nasce no coração, evidenciando arrependimento autêntico e comprovada mudança de vida garantida pela renúncia. Não basta ser salvo, no sentido de aceitar a salvação graciosamente, é necessário permanecer salvo através da santificação.

Sejamos gratos a Deus pelo grande ensejo de aprendermos com o próprio Cristo o caminho da salvação!

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Muitas são as profecias do Antigo Testamento que relacionam a vida de Jesus com fatos cumpridos no Novo Testamento. Elas fortalecem a verdade do advento do Salvador através de sua encarnação entre os homens. Essas profecias foram preditas e cumpridas para revelar a finalidade única e exclusiva de resgate do homem através de Jesus Cristo, para a glória de Deus e felicidade da raça humana.

Para que seus alunos compreendam ainda mais a verdade divina sobre a salvação, faça a seguinte atividade com a classe, num clima bem participativo:

Divida a classe em dois grupos. O Grupo A vai se incumbir de citar profecias com as respectivas referências do Antigo Testamento que falam da promessa da primeira vinda de Cristo. Ao Grupo B, caberá a tarefa de indicar as referências que demonstrem o cumprimento dessas profecias no Novo Testamento.

É interessante que os alunos, ao apresentarem as referências bíblicas, observem a cronologia do cumprimento profético.

Cite as profecias abaixo e peça que o Grupo A encontre no Antigo Testamento a respectiva referência e ao Grupo B o seu cumprimento no Novo Testamento.

Dê cinco minutos para que cada grupo encontre as referências.

 

 

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Desde o ventre de sua mãe, Jesus já era apresentado por Deus como aquele que haveria de trazer a solução para a reconciliação do homem com o seu Criador, livrando-o da condenação eterna, resultante do pecado do primeiro Adão. A nossa salvação foi, e é, sem dúvida, o maior de todos os milagres operados por Jesus. Com esta lição, iniciamos uma incursão pelas páginas dos Evangelhos, extraindo alguns dos maravilhosos ensinos de Jesus, nosso Senhor.

 

I. O NOME DE JESUS ANUNCIADO

 

1. Sete séculos antes. Jesus teve seu nome previsto, séculos antes de seu nascimento, e divulgado nas páginas áureas das Escrituras. O profeta messiânico, Isaías, com setecentos anos de antecedência, vaticinou que seu nome seria “...Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is 9.6b). Para cumprir sua missão salvífica, Ele teria que ter um nome assim, revelando sua personalidade e seu caráter único e inigualável.

2. O nome de Jesus e sua missão. Quando José, desposado com a jovem Maria, percebeu que sua noiva estava grávida (cf. Mt 1.18), sem haver-se ajuntado com ele, “intentou deixá-la secretamente” (Mt 1.19). Contudo, por ordem divina, o anjo do Senhor lhe apareceu, tranquilizando-lhe, e dizendo que ela estava grávida pelo poder do Espírito Santo, e teria um filho, cujo nome seria Jesus, “porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1.20,21). [grifo nosso]

3. O nome de Jesus e seu significado. O nome Jesus é a forma grega do nome Josué (no hebraico, Yeoshuah), que significa “O Senhor salva”, ou “Jeová Salva”. O significado do nome está em harmonia com a missão salvadora de nosso Senhor Jesus Cristo. Isso é confirmado em Hb 7.25, que diz “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus...” e em At 4.12: “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”.

 

II. JESUS PROCLAMADO COMO SALVADOR

 

1. O testemunho do anjo. Antes, o anjo Gabriel já anunciara a Maria que o nome do seu filho seria Jesus, que significa “salvador”. Aos pastores de Belém, um mensageiro celestial asseverou que não temessem, pois, na cidade de Davi, havia nascido “o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.11).

2. O testemunho de Simeão. Por revelação do Espírito Santo, o velho Simeão, “homem justo e temente a Deus”(cf. Lc 2.25) soube que não morreria antes de ter visto o Cristo do Senhor. “E, pelo Espírito, foi ao templo...” (Lc 2.26.27a) [grifo nosso]. No santuário, Simeão, ao ver o menino Jesus, o tomou nos braços, e exclamou: “Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra, pois já os meus olhos viram a tua salvação” (Lc 2.29,30).

3. O testemunho de João, o Batista. Como um pregoeiro da verdade, João Batista testificou da missão de Jesus, exclamando, às margens do Jordão: “Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29b), e o fez por revelação divina, pois Deus lhe dissera que o Cristo seria aquele sobre quem João visse descer o Espírito Santo em forma corpórea de pomba (Jo 1.32-34; Mt 1.16,17).

4. O seu próprio testemunho. Na casa de Zaqueu, após este confessar seus pecados, Jesus afirmou que a salvação chegara àquela casa, “Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 19.8-10). Apresentando-se como o Bom Pastor, Jesus afirmou: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á...” (Jo 10.9 a). No memorável sermão, à entrada de Jerusalém, o Senhor afirmou que não veio para julgar, “mas para salvar o mundo” (Jo 12.47). A Nicodemos, príncipe dos Judeus, Jesus disse que todo aquele que nEle crê não perece, mas tem a vida eterna (cf. Jo 3.16). Em Jo 5.24, Ele afirmou que quem ouve a sua palavra tem a vida eterna.

 

III. OS ENSINOS DE JESUS SOBRE A SALVAÇÃO

 

1. A fé como meio para a salvação (Jo 3.16). No diálogo com Nicodemos, Jesus asseverou a necessidade do novo nascimento (Jo 3.1-5), e revelou a verdade central do Novo Testamento, considerada por muitos estudiosos o “Texto Áureo” dos Evangelhos, ao dizer que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Da parte de Deus, o amor que salva. Da parte do homem, a fé que aceita a salvação de Deus (ver Ef 2.8,9). A fé que salva não é a fé meramente intelectual (ver At 8.13,21). Mas é a fé viva, que nasce no coração, estimulada pelo Espírito, com base na Palavra de Deus. “...a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10.17). O amor leva Deus ao encontro do homem perdido. A fé leva o homem perdido ao encontro com Deus.

2. A necessidade do arrependimento. O termo “arrependimento” na Bíblia tem o sentido de contrição, tristeza e angústia do pecador diante de Deus, por seus pecados, e também voltar-se resoluto para Deus. É uma mudança total de rumo na vida: deixar a senda de pecado e caminhar de volta a Deus e, continuar a caminhar com Deus.

3. A renúncia indispensável. O arrependimento para a salvação não pode ser apenas um impulso de um momento. Precisa ser vivido na prática, na continuidade da vivência do cristão. Para tanto, há necessidade de renúncia quanto à velha vida (cf. 2 Co 5.17). Jesus disse: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me” (Mt 16.24). Aqui está o ponto crítico da conversão de um pecador. A natureza humana, contaminada pelo germe do egoísmo, e da rebeldia contra Deus, reluta e resiste em dar lugar à renúncia dos interesses mesquinhos, carnais e efêmeros, para aceitar o senhorio de Cristo.

4. A perseverança do salvo. A vida cristã não é um “mar de rosas”. Jesus afirmou aos seus discípulos que teriam aflições, no mundo, mas que tivessem bom ânimo, pois Ele venceu o mundo (cf. Jo 16.33). Jesus nos garante a vitória, na luta pela permanência como salvos em seu nome. Mas, para chegarmos na eternidade, com Deus, é necessário que tenhamos perseverança.

O cristão enfrenta lutas e desafios constantes, a começar de parte de seus próprios familiares e conhecidos. O Senhor previu que pais e filhos não se entenderiam, e que os crentes seriam odiados por causa de seu nome (Mt 10.21,22), mas que “...aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 10.22b). Diante disso, não há base bíblica para a doutrina da predestinação absoluta, segundo a qual uns já nascem para serem salvos, e outros, desafortunados, já nascem miseravelmente predestinados à perdição. Isso não condiz com o caráter de Deus, revelado nas Escrituras. Para ser salvo, é necessário crer em Jesus, com arrependimento, e permanecer salvo, através da santificação (cf. Hb 12.14). A santificação se manifesta através da perseverança, em obediência aos ensinos de Jesus.

 

IV. A FÉ PESSOAL RECONHECIDA

 

A doutrina calvinista ensina que o homem nada faz para ser salvo. Segundo esse ensino, a salvação vem de cima, como um “prato feito” para o pecador. Se ele é um “eleito”, não precisa nem estender a mão para receber a salvação. Nesse ensino, não há lugar para a fé pessoal. Mas Jesus valorizou a fé de cada pessoa que o buscou de todo o coração. A mulher que foi curada do fluxo de sangue ouviu de Jesus: “...Tem ânimo, filha, a tua fé te salvou” (Mt 9.22); vendo a fé do paralítico de Cafarnaum, Ele disse: “Filho, perdoados estão os teus pecados ” (Mc 2.5); à pecadora que ungiu seus pés, Jesus disse: “A tua fé te salvou; vai em paz” (Lc 7.50). A fonte da salvação é a graça de Deus: “Pela graça sois salvos...”; mas a fé é o meio da parte de Deus, qual é a mão estendida do pecador em direção à mão estendida do amor de Deus: “...por meio da fé”. (Ver Ef 2.8,9.) “...e isso não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8). Grifamos a palavra isso, lembrando que ela se refere diretamente à salvação e indiretamente à fé. A salvação é o grandioso dom de Deus, bem evidente nesta passagem e no seu contexto.

 

CONCLUSÃO

 

Sem dúvida alguma, a salvação trazida por Jesus Cristo, foi o maior milagre propiciado por Deus ao ser humano, depois da Queda, no Éden. As curas, as maravilhas, a sua mensagem, tudo foi usado por Ele para despertar o homem para aceitar o dom de Deus, a salvação (Ef 2.8). O perdido, uma vez que creia e se arrependa dos seus pecados, confessando a Cristo como seu Salvador e Senhor, tem a vida eterna (Jo 5.24).

 

VOCABULÁRIO

 

Asseverar: Afirmar com certeza, segurança; assegurar.
Calvinista: Baseado no sistema teológico protestante exposto pelo teólogo Calvino.
Corpóreo: Relativo a corpo; material.
Contrição: Profunda tristeza acompanhada de arrependimento em consequência do quebrantamento da lei de Deus.
Desafortunado: Infeliz.
Desposado: Indivíduo recém-casado, ou noivo.
Efêmero: De pouca duração; passageiro, transitório.
Incursão: Entrada, penetração.
Pregoeiro: Aquele que prega.
Propiciar: Tornar propício, favorável.
Vaticinar: Profetizar, predizer; prenunciar.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Qual o significado do nome Jesus?

R. O mesmo que o nome Josué, “o Senhor Salva”.

 

2. Quem revelou a Simeão que Jesus era “a salvação de Israel”?

R. O Espírito Santo.

 

3. Que significa a palavra “arrependimento”?

R. É uma mudança total de rumo na vida: deixar a senda de pecado e caminhar de volta a Deus e, continuar a caminhar com Deus.

 

4. Que disse Jesus em relação à fé da mulher hemorrágica, em Mateus 9?

R. “Filha, tem bom ânimo; a tua fé te salvou”.

 

5. Com base na lição, qual é a fé que salva?

R. É a fé viva, que nasce no coração, estimulada pelo Espírito, com base na Palavra de Deus.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“O estudo da obra salvífica de Cristo deve começar pelo Antigo Testamento, onde descobrimos, nas ações e palavras divinas, a natureza redentora de Deus. Descobrimos tipos e predições específicas daquEle que estava para vir e do que Ele estava para fazer. Parte de nossas descobertas provém da terminologia empregada no Antigo Testamento para descrever a salvação, tanto a natural quanto a espiritual.

Qualquer um que tenha estudado o Antigo Testamento hebraico sabe quão rico é o seu vocabulário. Os escritores sagrados empregam várias palavras que fazem referência ao conceito geral de ‘livramento’ ou ‘salvação’, seja no sentido natural, jurídico ou espiritual. O enfoque recai em dois verbos: natsal e yasha. O primeiro corre 212 vezes, mais frequentemente com o significado de ‘livrar’ Israel das mãos dos egípcios (Êx 3.8). Senaqueribe escreveu ao rei em Jerusalém: ‘O Deus de Ezequias não livrará o seu povo das minhas mãos’ (2 Cr 32.17). Frequentemente, o salmista implorava o salvamento divino (Sl 22.21; 35.17; 69.14; 71.2; 140.1). O emprego do verbo indica haver em vista uma ‘salvação’ física, pessoal ou nacional.

O termo assume ainda conotação espiritual: a salvação mediante o perdão dos pecados. Davi apela a Deus para salvá-lo de todas as suas transgressões (Sl 39.8). Em Salmos 51.14, é provável que Davi tenha em mente a restauração e salvação espirituais pessoais, quando ora: ‘Livra-me dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação, e a minha língua louvará altamente a tua justiça”. (Teologia Sistemática, CPAD, págs. 335,336)

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

2º Trimestre de 2000

 

Título: Os ensinos de Jesus para o homem atual

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

 

Lição 2: Jesus e a renúncia

Data: 9 de Abril de 2000

 

TEXTO ÁUREO

 

E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lc 9.23).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A renúncia de si mesmo, segundo o ensino bíblico é pré-requisito indispensável para que alguém seja discípulo de Jesus.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Lc 14.33

Renunciar a tudo para ser discípulo de Jesus

 

 

 

Terça - Gn 22.12

A primazia de Deus sobre os filhos

 

 

 

Quarta - Mt 8.22

Deixando os mortos para seguir a Jesus

 

 

 

Quinta - Mt 19.27

É preciso deixar tudo por Cristo

 

 

 

Sexta - Mc 10.21,22

Alguém que não quis deixar tudo

 

 

 

Sábado - Lc 9.23

Tomando a cruz de cada dia

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Lucas 9.23-26; 14.33.

 

Lucas 9

23 - E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me,

24 - Porque qualquer que quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida a salvará.

25 - Porque que aproveita ao homem granjear o mundo todo, perdendo-se ou prejudicando-se a si mesmo?

26 - Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do Homem, quando vier na sua glória e na do Pai e dos santos anjos.

 

Lucas 14

33 - Assim, pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.

 

PONTO DE CONTATO

 

Esta lição nos permite avaliar nossa situação como discípulos de Cristo. Estamos realmente dispostos a pagar o preço da obediência ao senhorio de nosso Salvador? Estamos conscientes da opção que um dia fizemos, de seguirmos o caminho da cruz, mesmo sabendo que o custo desta escolha pode ser a própria vida, entregue ao martírio e à causa do Mestre diariamente?

Em suma, o que Cristo nos ensina é que, morrer para o “eu” é viver, perder a vida que desejamos é achar a verdadeira vida. Quando seguimos e servimos a Cristo, não ao eu, nos tornamos disponíveis a servir aos outros. E assim, realizamos a vontade de Deus.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Definir e conceituar o termo “renúncia”.
  • Relacionar as condições exigidas por Cristo àqueles que desejam segui-lo.
  • Reconhecer que o autêntico discípulo de Cristo precisa renunciar o mundo com seus prazeres e sua própria vontade para dar primazia ao senhorio de Cristo.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

A renúncia é a base para o verdadeiro discipulado cristão. O autêntico discípulo de Cristo, que pretende segui-lo sem restrições, reconhece que para servi-lo integralmente, deve estar desprendido de tudo que representa embargo à plena comunhão com seu Senhor.

Ninguém pode entrar no caminho que leva à inefável realização em Cristo sem a renúncia. A verdadeira vida e felicidade consiste no abandono dos nossos próprios caminhos para vivermos em comunhão com Jesus, conforme o ensino de sua Palavra.

O crente que abre mão de tudo por amor a Cristo, de modo que possa entrar na experiência gratificante do discipulado vigoroso, descobre que entrou na vida que é vida de fato. “Mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida a salvará”, disse Jesus.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Jesus requer a renúncia do crente quanto às suas propriedades, famílias e à sua própria vida. Poucas pessoas conseguem romper com a natureza carnal, a fim de renunciar a si próprias e darem lugar a Deus. Essa era uma característica peculiar da expressão espiritual de Cristo. Paulo imortalizou essa atitude em Filipenses 3.7-11.

Para que seus alunos compreendam mais claramente o ensino do Mestre sobre a renúncia, leia juntamente com eles o texto de Fp 3.7-11 e faça as seguintes reflexões:

1) Vocês já abdicaram alguma coisa que consideravam extremamente importante por amor a Cristo?

2) Existe, ainda, alguma coisa em sua vida que precisa renegar ou preterir para seguir a Cristo?

3) Vocês estariam dispostos, a exemplo de Paulo, sofrerem aflições por amor a Jesus?

Estas e outras questões poderão ser levantadas com o intuito de conduzir seus alunos a refletirem sobre a seriedade e o compromisso do verdadeiro discípulo de Cristo.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

As pessoas descrentes ouvem o evangelho e muitas delas entendem que ele é a verdade de Deus para a salvação. Entretanto, a natureza humana, decaída por causa do pecado, resiste em aceitar Cristo como Salvador, em virtude de ter que abrir mão de seus próprios interesses, dos prazeres efêmeros, das amizades, da opinião dos parentes, dos amigos, que são contrários a uma decisão tão séria, que implica mudar completamente a maneira de ser, de viver, de pensar e de agir. Nesta lição, veremos que Jesus foi bastante incisivo com relação à renúncia, como fator indispensável para que alguém seja seu discípulo.

 

I. CONCEITUAÇÃO

 

Renúncia quer dizer “ato ou efeito de renunciar” e renunciar significa “não querer; rejeitar, recusar; deixar voluntariamente a posse de algum bem, de alguma coisa” (Aurélio). Nesta lição, entenderemos a renúncia, no sentido da pregação de Jesus, significando a voluntariedade em abrir mão dos próprios interesses, e da própria vida, a fim de segui-lo fielmente.

É preciso que tenhamos em mente que a renúncia do seguidor de Cristo não é um ato de alienação, inconsequente, gratuito e sem propósito. Pelo contrário, quando alguém abre mão de si próprio para entregar sua vida ao senhorio de Cristo, esse alguém foi conscientizado pelo Espírito Santo de que o faz porque sabe que terá algo infinitamente melhor para a sua vida.

 

II. CONDIÇÕES PARA SEGUIR A JESUS

 

1. Ter vontade. Jesus respeita a vontade da pessoa, e essa é uma das mais impressionantes características do seu relacionamento com o homem. Em sua pregação ele disse: “Se alguém quer vir após mim...” (Lc 9.23a). Ele não impôs sua vontade sobre os sentimentos dos pecadores. Nas Escrituras vemos esse traço da sua personalidade. Numa festa, em Jerusalém, dentro do templo, Ele disse: “Se alguém tem sede, que venha a mim e beba” (Jo 7.37). Na carta à igreja de Laodiceia, Jesus escreveu: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo” (Ap 3.20) [Grifo nosso]. Jesus não empurra portas, não força a vontade humana. É preciso segui-lo voluntariamente.

2. Renunciar a si mesmo. É o mesmo que negar-se a si mesmo. Jesus disse: “negue-se a si mesmo...” (Lc 9.23b). E isso não é fácil. A natureza humana, após a Queda, tornou-se egoísta, insensível, individualista, personalista. O “eu” tornou-se uma espécie de “deus”. Poucas pessoas conseguem romper com a natureza carnal, a fim de renunciar a si próprias e darem lugar a Deus. Na parábola do semeador (Lc 8.4-15), vemos que uma parte da semente caiu entre os espinhos, e Jesus explicou que são aqueles que recebem a Palavra com alegria, mas depois, “são sufocados com os cuidados, e riquezas, e deleites da vida, e não dão fruto com perfeição” (Lc 8.14). A natureza humana, mesmo a do cristão, tende a acomodar-se à velha vida, aos velhos costumes. Mas para ser discípulo de Jesus, é imprescindível renunciar às práticas antigas e más (vide 2 Co 5.17).

3. Renunciar bens, pai, mãe e amigos (Mc 10.28-30). Um jovem rico entristeceu-se por Jesus ter-lhe dito que deveria vender tudo o que tinha e segui-lo (Mc 10.17-23). Pedro, então, disse: “eis que nós tudo deixamos e te seguimos” (Mc 10.28). Jesus deu uma resposta de sublime sabedoria, dizendo que “ninguém há que, tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãos e mães, e filhos, e campos, com perseguições, e, no século futuro, a vida eterna” (Mc 10.29,30). Notemos que, aqui, não há um ensino impositivo, no sentido de sempre alguém ter que deixar bens, pais e parentes para seguir a Jesus. Mas Ele disse que não há ninguém que, fazendo isso, tenha prejuízo, mas que será recompensado, tanto nesta vida, quanto no porvir (ver Lc 14.33). Na realidade, o que Jesus não aceita é que alguém ame ao pai, à mãe ou a filhos mais do que a Ele.

4. Tomar cada dia a cruz. “...tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lc 9.23c). Só toma a cruz quem já decidiu seguir a Cristo. Tomar a cruz significa renunciar ao seu próprio “eu” (o viver segundo a carne, fazendo a nossa própria vontade), e de bom grado sofrer por amor de Cristo. E isso acontece com todo o crente fiel, sincero, humilde e obediente. Jesus disse: “...no mundo tereis aflições...” (Jo 16.33; ver 2 Tm 3.12). A cruz inclui aflições, tribulações, perseguições, de modo claro e explícito. Há crentes, infelizmente, que, dominados pelo relativismo e pelo modernismo, entendem que a vida deve ser de tal forma que não tenha qualquer sofrimento. Muitos são adeptos da falsa Teologia da Prosperidade, que prega o paraíso na terra, sem pobreza, sem doença, sem aflições, contrariando a Palavra de Deus.

 

III. PERDENDO PARA GANHAR

 

1. Quem quer ganhar, perde (Lc 9.24). Jesus colocou diante dos discípulos uma crucial decisão a ser tomada. Ele afirmou que “qualquer que quiser salvar a sua vida perdê-la-á”. A vida humana, por melhor que seja, é efêmera, passageira. Muitas pessoas apegam-se a ela de tal forma, que rejeitam a Deus, a Cristo e a salvação. Há quem perca a salvação, mesmo tendo ouvido a Palavra, por causa dos cuidados deste mundo, da sedução das riquezas (Mt 13.22). Há os que não admitem de modo algum deixar de lado a vida social, com suas festas, encontros, reuniões de fim de semana; há os que não querem perder a condição financeira, pois, se tornando cristãos, terão que renunciar negócios escusos, sonegação de impostos, venda de produtos ilícitos (bebidas, fumo, jogos, loterias, etc); há os que não querem deixar a fornicação, o adultério, a prostituição, o homossexualismo, pois tudo isso é a vida que não querem perder. E, assim, “salvando” a vida, acabam por perdê-la eternamente, por rejeitarem a salvação em Cristo Jesus.

2. Quem perder, ganha (Lc 9.24b). Por outro lado, há pessoas que “perdem” a sua vida para salvá-la, pelo fato de renunciarem às coisas terrenas, e darem lugar às coisas de Deus, aceitando Cristo como Salvador, cumprindo o que ensinou o Senhor; “mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida a salvará”. Na vida espiritual, os que aceitam Jesus, sabem que estão renunciando a muitas coisas, conscientemente, entendendo que em Cristo têm muito mais a ganhar nesta vida e na eternidade (ver Mc 10.29,30). Paulo, divinamente inspirado, exclamou: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Fp 1.21).

3. O perdedor insensato (Lc 9.25). Neste ensino, Jesus fez uma indagação de profundo significado espiritual e filosófico, após dizer que quem quer ganhar a vida sem Ele, a perderá: “Porque que aproveita ao homem granjear o mundo todo, perdendo-se ou prejudicando-se a si mesmo?”. Ter bens, ganhar dinheiro, comprar objetos, possuir terras, casas, propriedades, e outras coisas mais, é o sonho da maioria das pessoas. De fato, há os que querem “granjear o mundo todo”. Daí, porque tantos estão buscando o enriquecimento ilícito, seja utilizando-se da jogatina, oficial ou não; seja através de negócios escusos, nas empresas ou nos órgãos públicos, gerando escândalos, que envergonham a nação. É a avareza, a ganância por dinheiro, que conduz muitos à perdição. Paulo diz que “o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males” (1 Tm 6.10), levando muitos a se desviarem da fé e se prejudicarem a si mesmos, como previu Jesus. Testemunho diferente teve o apóstolo Paulo, quando, em sua carta aos filipenses, escreveu: “Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri perda de todas estas coisas e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo” (Fp 3.7,8).

 

CONCLUSÃO

 

A renúncia para seguir a Cristo é passo importante na conversão. Para aceitar Jesus, o pecador é chamado a arrepender-se e crer no evangelho. Para ser discípulo, de modo consciente, ele descobre que precisa renunciar o mundo com seus prazeres, também à opinião dos pais e de amigos, e abrir mão de seus conceitos e preconceitos, dando a primazia ao senhorio de Cristo em sua vida. O ensino de Jesus é claro a esse respeito, requerendo do crente buscar o reino de Deus em primeiro lugar (vide Mt 6.33).

 

VOCABULÁRIO

 

Alienação: Desinteresse; que está alheio a tudo.
Crucial: Muito importante.
Deleite: Prazer inteiro, pleno; delícia.
Escusos: Suspeitos, misteriosos; ilícitos.
Granjear: Conquistar ou obter com trabalho ou com esforço.
Incisivo: Decisivo, pronto, direto, sem rodeios.
Modernismo: Preferência por tudo quanto é moderno; tendência para aceitar inovações.
Porvir: Tempo que há de vir, o futuro.
Primazia: Prioridade.
Relativismo: Teoria filosófica que se baseia na relatividade do conhecimento.
Sonegação: Ocultar, deixando de descrever ou de mencionar nos casos em que a lei exige a descrição ou a menção.

 

EXERCÍCIOS

 

1. O que significa a palavra “renunciar”?

R. “Não querer, rejeitar, recusar”; “deixar voluntariamente a posse de” algum bem, de alguma coisa.

 

2. Segundo a lição, quais são as condições para seguir a Cristo?

R. Ter vontade, renunciar a si mesmo, renunciar a pais, mães, amigos e bens, e tomar a cruz de cada dia.

 

3. Qual a decisão crucial que Jesus colocou diante de seus discípulos, de acordo com Lc 9.24?

R. “Qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida a salvará”.

 

4. Que disse Paulo em Fp 1.21?

R. “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho”.

 

5. Que significa “tomar a cruz”?

R. É aceitar de bom grado sofrer por amor de Cristo.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“Jamais pedirá o verdadeiro líder aos seus seguidores o cumprimento de algum dever que ele mesmo não esteja disposto a realizar. Da mesma forma, Cristo apontou o próprio exemplo aos discípulos.

1. O espírito sacrificial de Cristo. ‘Pois o próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos’. Cristo nasceu em lar e lugar humildes; passou os primeiros trinta anos da sua vida em absoluta obscuridade e, durante muitos anos, trabalhou como carpinteiro. Embora soubesse ser o Filho de Deus, jamais reclamou direitos reais. A honra e o serviço do mundo não foram colocados à sua disposição.

Seu serviço à humanidade não viera como fruto de posterior decisão: era o propósito pelo qual veio ao mundo. Antes mesmo de sua vinda já fora determinado: Cristo derramaria a sua vida em favor da humanidade.

A declaração de Jesus, conquanto transpirasse humildade, não lhe negava a posição de Filho de Deus. Fosse apenas um carpinteiro, e seria presunção dizer que não viera para ser servido — isto não seria novidade. Porém, vinda de Cristo, a declaração é compreensível.

Note-se que o Antigo Testamento define o Messias como Servo (Is 52.13; 53.12).

2. O ato sacrificial de Cristo. ‘O filho do homem veio... para dar a sua vida em resgate por muitos’. Tivesse o Senhor encerrado com as palavras ‘para ministrar’, e seria mais um na longa lista de mestres que mostravam à humanidade como viver e depois a deixava lutando no lamaçal do pecado. Todavia Ele prosseguiu. Suas palavras confirmam ter vindo Ele não somente para mostrar o caminho da salvação, mas para salvar a humanidade dos seus pecados”. (Comentário Bíblico, Marcos, CPAD, pág. 100)

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

2º Trimestre de 2000

 

Título: Os ensinos de Jesus para o homem atual

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

 

Lição 3: Jesus e a humildade

Data: 16 de Abril de 2000

 

TEXTO ÁUREO

 

Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma” (Mt 11.29).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Na escola da humildade, o Mestre Jesus ensina preciosas lições de vida, elevando-nos a níveis mais altos de espiritualidade, concedendo-nos a tão desejada paz interior.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Pv 15.33

A humildade precede a honra

 

 

 

Terça - At 20.19

Servindo com humildade

 

 

 

Quarta - Fp 2.3

Tudo fazendo com humildade

 

 

 

Quinta - 1 Pe 5.5

Cingindo-se de humildade

 

 

 

Sexta - Mt 18.4

Humilde como criança

 

 

 

Sábado - Tg 4.6

Deus dá graça aos humildes

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Mateus 11.25-30.

 

25 - Naquele tempo, respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos.

26- Sim, ó Pai, porque assim te aprouve.

27 - Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

28 - Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.

29 - Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma.

30 - Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.

 

PONTO DE CONTATO

 

No seu ministério, Jesus sempre apresentou provas de sua simpatia pelo estado e sofrimento da humanidade. Operou curas, não para provar seu próprio poder e grandeza, mas porque anelava aliviar o sofrimento dos homens.

Jesus não assumiu posição de autoridade e grandeza, como faziam alguns líderes judeus, nem procurou qualquer privilégio pessoal ante o governo. Viveu como homem pobre, no meio dos pobres, como humilde no meio dos humildes. Finalmente submeteu-se à morte de cruz; tipo de morte que, sequer, podia ser mencionado na polida sociedade romana; uma morte vergonhosa e horrível. Como disse o apóstolo Paulo: “...humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz”.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Reafirmar o ensino de Jesus sobre a humildade.
  • Decidir submeter-se à vontade de Deus para cumprir todos os desígnios por Ele estabelecidos.
  • Aplicar em sua vida diária o ensino de Jesus que diz “o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado”.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Ser aluno de Jesus é ter um professor muito gentil e inclinado à humildade, que nunca se impacienta com os que são lentos para aprender e jamais é intolerante com os que tropeçam. “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração...” esta é a instrução que Jesus nos dá. Se alguém, na igreja, precisa aprender a ser humilde, basta matricular-se na escola de Cristo.

O Senhor nos ensina em sua Palavra que a humildade é uma condição na qual o orgulho e a arrogância são rejeitados.

Devemos ser humildes porque somos simples criatura; à parte de Cristo, somos pecaminosos, logo, dependemos de Deus. A graça é dada aos humildes, mas Deus resiste aos soberbos. Como crentes, devemos viver em humildade uns para com os outros, considerando-os superiores a nós mesmos.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Peça a seus alunos que ilustrem o ensino bíblico da humildade com exemplos da vida de servos de Deus narrados no Antigo e Novo testamentos.

Distribua para a classe folhas de papel ofício e solicite a seus alunos que relacionem os personagens numa folha de papel. Depois recolha as folhas e faça uma lista única contendo todos os exemplos citados, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Dê a eles cinco minutos para o desempenho desta atividade.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Entre os ensinos de Jesus, certamente os que se referem à humildade têm nEle um exemplo inigualável. Sendo Deus, fez-se homem, sujeitando-se às tentações, ao sofrimento, “humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.8b). Sendo rico, fez-se pobre para nos enriquecer eternamente; sendo onipotente, onisciente e onipresente, “aniquilou-se a si mesmo, tomando forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (Fp 2.7).

 

I. REVELAÇÃO AOS PEQUENINOS

 

1. Coisas ocultas aos sábios e entendidos (v.25b). Jesus, elevando sua voz aos céus, dirigiu-se a Deus, e agradeceu-Lhe por haver ocultado “estas coisas aos sábios e instruídos”. “Estas coisas” a que se referia Jesus eram as profundas verdades, a “Palavra de Deus; o mistério que esteve oculto desde todos os séculos e em todas as gerações e que, agora, foi manifesto aos seus santos”, “...são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória” (Cl 1.25-27). Quando Ele falou aquelas palavras, o mundo já tinha conhecido Sócrates, Platão, Sófocles, e tanto outros filósofos da antiguidade, sem contar os muitos sábios, ensinadores e mestres no reino de Herodes. Entretanto, desde o nascimento de Cristo na manjedoura, até à sublimidade de sua morte, nada foi revelado aos grandes daquele tempo. Da mesma forma, hoje, as verdades do evangelho estão ocultas àqueles que se consideram grandes, sábios e entendidos. A esses, falta a condição indispensável para ter acesso aos arquivos dos céus — a humildade.

2. A revelação aos pequeninos (v.25b). No momento em que agradecia ao Pai por haver ocultado as verdades dos céus aos “sábios e instruídos”, Jesus se alegrava por haver Deus as revelado “aos pequeninos”. Sem dúvida, naquele contexto, Ele se referia aos humildes, que se sentiam pequeninos diante de Deus. Os Evangelhos comprovam esse fato. Havia tantas virgens em Israel, mas só Maria recebeu o anúncio da encarnação de Jesus (Lc 1.28-35); havia muitos rapazes em Israel, mas só José foi escolhido para ouvir sobre a vinda do “Emanuel” (Mt 1.19-23); havia muitos pastores em Belém, mas somente alguns poucos tiveram a visão dos anjos, anunciando o sublime evento (Lc 2.10-14). Eles eram pequeninos. Agora, também, só os humildes, sejam eles pobres ou ricos; sábios ou ignorantes; só a eles, os que temem a Deus, o evangelho é revelado pelo Espírito Santo.

 

II. CONVITE GLOBAL

 

1. “Vinde a mim, todos...” (v.28a). O convite de Jesus aos homens não é excludente, mas é inclusivo, pois é feito a “todos” que estão “cansados e oprimidos”, ou seja, aos pecadores, sofridos e oprimidos, sob o fardo do pecado, que lhes é imposto pelo Diabo. Infelizmente, a maioria das pessoas encontra-se assim. Jesus, que não amou só a Israel, mas “...o mundo, de tal maneira... para que todo aquele que nele crê não pereça...” (Jo 3.16), mandou pregar o evangelho não só aos “eleitos”, mas “por todo o mundo”, “a toda criatura” (Mc 16.15). Podemos dizer que o evangelho, no plano de Deus, é globalizado. Aliás, os homens estão muito atrasados. Só agora falam de “globalização”. A globalização de Deus já foi prevista, antes mesmo da criação do mundo. Ainda assim, mesmo sendo um convite a “todos”, só têm condições de se beneficiar dele os que são “pequeninos”, os “pobres” ou “humildes de espírito” (vide Mt 5.3). Há muitos cansados do pecado, mas não têm condições de atender ao convite de Jesus, pelo fato de se considerarem “grandes” perante Deus. Há ricos humildes e pobres orgulhosos. Os primeiros tornam-se pequeninos e têm acesso às coisas reveladas por Deus. Os últimos, mesmo pobres, tornam-se grandes, distantes do evangelho.

2. Convite ao alívio divino (v.28b). Jesus convidou a todos os cansados e oprimidos, prometendo-lhes alívio para suas vidas. O cansaço e a opressão do pecado têm efeito terrível sobre as pessoas, a ponto de levar muitas à depressão, à angústia profunda e até ao suicídio. Os que se embriagam, os que usam drogas, os que se prostituem, os homossexuais, um dia acabam cansando. Muitos, porém, não têm forças para romper os grilhões do pecado. Falta-lhes a força da humildade para receberem o alívio prometido pelo Senhor. Quantos que enchem as salas dos psiquiatras, dos psicólogos e clínicas de repouso, buscando alívio para seus males espirituais e emocionais, pagando caro por tratamentos demorados, muitas vezes sem sucesso. Quantos gostariam que fosse anunciada a descoberta de um comprimido, uma pílula, que, tomada, propiciasse alívio para alma, dando-lhes paz. Mas, infelizmente, a paz não vem em comprimidos. Só Jesus, o “Príncipe da Paz” (Is 9.6) pode conceder a paz e o alívio aos corações. Para isso é necessário que atendam ao convite de Jesus. E só podem fazê-lo os “pequeninos” ou os humildes a quem o Senhor se referiu.

 

III. TOMANDO O JUGO DE JESUS

 

1. Conceito de jugo. A palavra jugo designa um antigo instrumento de trabalho que se colocava sobre uma junta de bois, para que os mesmos trabalhassem juntos; é equivalente à canga, representada por uma madeira curva, que se punha sobre o pescoço do boi, para mantê-lo preso ao carro ou ao arado (Aurélio); também significa, figuradamente, opressão, sujeição.

2. O jugo de Jesus. “Tomai sobre vós o meu jugo...” (v.29a). A palavra jugo dá ideia de algum tipo de peso, de instrumento de opressão. O jugo de Jesus, no entanto, é diferente. Não é pesado, nem opressor. Ele próprio afirmou: “Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (v.30). Contudo, uma pessoa só pode aceitar o jugo de Jesus se for humilde, após ter passado pelo teste da renúncia e de ter tomado a cruz de cada dia (Lc 9.23). Os pobres ou humildes de espírito (Mt 5.3) aceitam o jugo de Jesus, mesmo sabendo que isso implica ficar muitas vezes em desvantagem perante o mundo, pelas consequências da decisão, em seguir ao Senhor. Já vimos que podem perder pais, mães, irmãos, amigos e até bens, por causa do nome de Jesus. Contudo, a visão espiritual, resultante do quebrantamento diante de Deus e de sua palavra, os torna humildes o suficiente para aceitarem o jugo do Senhor.

 

IV. CONVITE AO APRENDIZADO

 

1. “Aprendei de mim...” (v.29). Existiram muitos mestres e ensinadores no passado e ainda hoje. Contudo, ninguém jamais se igualou ao Mestre Jesus. Os estranhos lhe reconheciam como mestre (Mt 9.11; 17.24); seus discípulos reconheciam sua maestria; Ele próprio se apresentou como Mestre (Mt 23.8; Jo 13.13). Em sua ressurreição, Maria lhe chamou de “Raboni”, que quer dizer Mestre! (Jo 20.16b).

2. “Que sou manso e humilde de coração” (v.29). Jesus demonstrou ser o Mestre por excelência. Quando convidou os discípulos para aprenderem com Ele, tinha autoridade para isto. Na noite que antecedeu sua morte, deu uma profunda lição de humildade. Assumindo a posição de um escravo, tomou uma bacia com água, e pôs-se a lavar os pés dos discípulos (Jo 13.5). Nenhum rabi (mestre) fizera aquilo antes. Jesus lhes indagou: “Entendeis o que eu vos tenho feito?”. E acrescentou: “Vós me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem, porque eu sou” (Jo 13.12b,13), e lhes disse que deveriam seguir o seu exemplo de humildade. Hoje, se alguém, na igreja, precisa aprender a ser humilde, basta matricular-se na escola de Jesus. Ele ensina, e não cobra nada, a não ser a obediência à sua Palavra. Suas aulas não são teóricas, mas práticas, ou seja, “espírito e vida” (Jo 6.63).

3. Os humilhados são exaltados. É um ensino revolucionário o de Jesus. Enquanto para os homens os exaltados são os grandes, os poderosos, o Mestre contrariou todos os conceitos, e afirmou que o maior entre seus seguidores é servo dos outros, e que “o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado” (Mt 23.11,12), constituindo-se um verdadeiro paradoxo para a mente humana.

 

CONCLUSÃO

 

Jesus em seu viver foi um exemplo em tudo. Diferente de muitos mestres, que ensinavam o que não faziam, e faziam o que não ensinavam, Ele provou ao mundo que seus ensinos e sua doutrina estavam muito acima das filosofias humanas, inspiradas no intelecto limitado e falho dos mortais. Seus ensinos sobre a humildade foram por Ele vividos a cada dia no seu ministério, quando “humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz”.

 

VOCABULÁRIO

 

Encarnação: Mistério pelo qual Deus se fez homem.
Excludente: Que exclui.
Grilhão: Corrente que prende os condenados; cadeia, algema.
Inclusivo: Que inclui, encerra, abrange.
Língua celta: Grupo de línguas indo-europeias faladas pelos celtas.
Maestria: Qualidade de mestre; grande saber; sabedoria.
Paradoxo: Conceito que é ou parece contrário ao comum; contrassenso.
Sublimidade: Grande altura ou elevação; perfeição, primor, excelência.
Sujeição: Dependência; submissão, obediência.

 

EXERCÍCIOS

 

1. A quem se referia Jesus, quando falava dos “pequeninos”?

R. Ele se referia aos humildes, que se sentiam pequeninos diante de Deus.

 

2. A quem Jesus convidou para conceder-lhes alivio?

R. A todos os “cansados e oprimidos”.

 

3. Quais as características do “jugo” é do “fardo” de Jesus?

R. Seu jugo é suave e seu fardo é leve.

 

4. Qual o exemplo de humildade que Jesus deu aos discípulos?

R. Na noite anterior à sua morte, Ele lavou-lhes os pés.

 

5. Qual o paradoxo apresentado por Jesus em relação à humildade e à exaltação?

R. Os humilhados serão exaltados e os exaltados serão humilhados.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“A palavra grega prautês transmite o conceito de ternura humilde que tem mais solicitude pelo próximo que consigo mesmo. Jesus disse: ‘Bem-aventurado os mansos, porque eles herdarão a terra’ (Mt 5.5). A palavra cognata praus significa ‘meigo’, ‘humilde’, ‘manso’, ‘suave’. Aristóteles a descreve como o meio-termo entre a disposição excessiva à ira e a incapacidade de irar-se. A pessoa meiga tem o espírito disciplinado. Potencialmente, todas as bênçãos espirituais estão à disposição de tal pessoa. Esse espírito meigo, apesar de a própria palavra ‘mansidão’ não ser empregada em Romanos, é descrita em 12.12-14 — a capacidade de perseverar na aflição e na perseguição, servindo fielmente na oração e nos cuidados práticos com o próximo. A mansidão sabe que Deus está cuidando de tudo, e por isso não toma a vingança nas próprias mãos (Rm 12.17-21; Ef 4.26). Ao invés de sermos grosseiros, egoístas e facilmente provocados à ira, demonstremos mansidão, protejamos o próximo e perseveremos (1 Co 13.5,7). Nossa atitude uns para com os outros deve ser completamente humilde, suave, sem arrogância (2 Co 10.1; Ef 4.2).

Com demasiada frequência, as manifestações espirituais têm sido expressas de modo rigoroso e absolutista, com a manipulação das pessoas. Esse método, ao invés de encorajar o próximo no ministério dos dons, chega mesmo a sufocá-lo, mormente o ministério que provém do Corpo inteiro. Quão importante é aprendermos a resguardar a dignidade e os brios morais uns dos outros! Seja meigo!” (Teologia Sistemática, CPAD, pag. 491,492)

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

2º Trimestre de 2000

 

Título: Os ensinos de Jesus para o homem atual

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

 

Lição 4: Jesus e a solicitude pela vida

Data: 23 de Abril de 2000

 

TEXTO ÁUREO

 

Por isso, vos digo: não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir” (Mt 6.25a).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A fé em Jesus previne o crente contra a ansiedade e desfaz os seus efeitos danosos a saúde emocional.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Gn 42.21

Colhendo ansiedade

 

 

 

Terça - Lv 26.36

Pavor proveniente da desobediência

 

 

 

Quarta - Pv 12.25

A solicitude angustiosa abate o coração

 

 

 

Quinta - Ez 12.18

Comendo com receio

 

 

 

Sexta - Mt 6.25

Ansiosos quanto à vida

 

 

 

Sábado - Fp 4.6

Não viver inquietos

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Mateus 6.19,24-26,28,31-33.

 

19 - Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam.

24 - Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.

25 - Por isso, vos digo: não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo, mais do que a vestimenta?

26 - Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?

28 - E, quanto ao vestuário, porque andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam.

31 - Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos ou que beberemos ou com que nos vestiremos?

32 - (Porque todas essas coisas os gentios procuram.) Decerto, vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas essas coisas;

33 - Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.

 

PONTO DE CONTATO

 

Que lição nos quer passar o Mestre quanto à ansiosa solicitude? É natural vivermos sob constante preocupação e ansiedade? Por mais penoso que pareça devemos entender que a solicitude nasce na falta de fé. Onde começa a solicitude, aí termina a fé. Se Deus providencia o sustento até para os mais pequeninos seres viventes, como não providenciará o sustento para o homem, criado à sua imagem e semelhança?

O Todo-Poderoso prometeu tomar providências para nosso alimento, vestuário e demais necessidades. Ele não nos criou para nos deixar às custas do destino. Tudo o que acontece no universo físico, irracional ou racional está sob seu controle e providência. O Senhor dos céus e da terra é um Pai amoroso que tem cuidado de nós; que não somente preserva o mundo que criou, como também provê as necessidades das suas criaturas.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Explicar o significado do ensino de Jesus sobre não ajuntar tesouros na terra.
  • Apontar as vantagens de se ajuntar tesouros no céu.
  • Reconhecer que a ansiedade é a causadora da maior parte dos males físicos, emocionais e espirituais.
  • Enumerar as advertências de Jesus para quem deseja viver sem ansiedade.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Que lição nos quer passar o Mestre quanto aos tesouros terrestres? Certamente Jesus não condena as riquezas adquiridas honestamente, quer pelo trabalho, quer pela prudente economia, quer por herança. É fato, porém, que não é possível ter visão espiritual, se nossos olhos naturais buscam ansiosamente os tesouros terrestres e tendo seu coração nas coisas materiais.

O grande princípio para a vida humana estabelecido pelo Senhor, é: “buscai primeiro o seu Reino e a sua justiça e todas as coisas vos serão acrescentadas” (v.33). A razão da existência do homem é buscar, servir e glorificar a Deus. O Reino de Deus deve ter a primazia na vida do homem porque não se trata de reino humano, material ou filosófico, mas é um reino espiritual, santo, justo e eterno. Quando nos aferramos na busca do seu Reino, Ele mesmo providencia todas as coisas que necessitamos para a nossa subsistência e felicidade.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

No texto em estudo (vv.25-34) Jesus apresenta oito razões pelas quais devemos evitar a ansiedade quanto à vida física.

Divida a classe em grupos de dois ou três alunos cada. Depois peça-lhes que leiam novamente o texto e alistem essas razões. Dê, no máximo, 5 minutos para a realização desta tarefa.

As listas deverão conter sucintamente o seguinte conteúdo:

1. A vida humana é mais que a parte física e, por isso, merece mais consideração do que os desejos pelas coisas físicas podem fornecer (v.25).

2. Deus que cuida dos animais inferiores, como as aves, que não fazem provisão alguma para si mesmas, certamente cuidará de nós (v.26).

3. A ansiedade não altera as condições da vida e nem aumenta a sua duração (v.27).

4. Deus que outorga vestes às flores, que nem sabem raciocinar, certamente que providenciará as necessidades de seus filhos (v.28).

5. Em relação a ansiedade pelas coisas físicas os seguidores de Cristo devem ter uma atitude diferente da dos gentios (v.32).

6. O Pai celestial conhece perfeitamente a nossa necessidade (v.32).

7. A busca do Reino de Deus e de sua justiça, por si mesma, garante o recebimento das coisas menos importantes (v.33).

8. A ansiedade por sua própria natureza é inútil e só acrescenta maior dose de sofrimento à vida diária (v.34).

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Certo pensador disse que “a ansiedade começa onde termina a fé; e a fé termina onde começa a ansiedade”. A solicitude recorrente é sinônimo de cuidado e preocupação. Ela tem sido responsável por grande parte dos problemas espirituais e emocionais de muitos crentes. Segundo Mc Millen, médico evangélico, 90% das enfermidades são de origem emocional e a ansiedade contribui para seu agravamento. Diante disso, os ensinos de Jesus são poderosos para evitarmos as causas e efeitos da ansiedade.

 

I. A SOLICITUDE QUANTO A TESOUROS PERECÍVEIS

 

1. Traça, ferrugem e ladrões (v.19). Jesus disse: “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam”. Os “tesouros na terra” são as coisas consideradas pelos homens de valor absoluto, tomando o lugar das coisas que Deus tem para nós. Ler 2 Co 4.18. Os bens da terra estão sujeitos ao desgaste, à deterioração. Hoje, a traça e a ferrugem pode ser a desvalorização do dinheiro, seja pela inflação (aumento constante, geral e sistemático dos preços), seja pela desvalorização cambial, em relação a uma moeda forte estrangeira, como é o caso do Real perante o Dólar, ou um confisco monetário, como ocorreu no Brasil, num determinado “plano econômico”. Além disso, literalmente, os bens terrenos são cobiçados pelos ladrões e isso causa ansiedade.

2. O coração no tesouro (v.21). O Mestre disse: “Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”. Há quem volte o seu coração totalmente para as coisas desta vida, ou seja, preocupa-se somente em conseguir e acumular muitos bens, principalmente dinheiro. A avareza é idolatria (Cl 3.5a). “...o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males” (1 Tm 6.10a). O coração no tesouro significa colocar pensamentos, emoções, sentimentos, energias e habilidades, voltados inteiramente para coisas desta vida. (Ler 2 Co 4.8).

 

II. TESOUROS NO CÉU

 

1. Nem ladrão, nem inflação. Jesus ensina como sermos verdadeiros milionários ou bilionários do céu, recomendando que devemos ajuntar “tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam, nem roubam”. Aquilo que mandamos para lá está seguro, imune a qualquer desgaste. A preocupação com a segurança, aqui, na terra, é geral. Contudo, no céu, a “Nova Jerusalém”, para onde vão os salvos, nem sequer há luz nem grades, porque “o Cordeiro é a sua lâmpada” (ver Ap 21.23,25,27). Os bens entesourados no céu estão seguros.

 

III. COMO NÃO VIVER ANSIOSO

 

1. Não servir a dois senhores (v.24). Jesus disse: “Ninguém pode servir a dois senhores”, sob pena de se dedicar a um e desprezar o outro, e aduziu: “Não podeis servir a Deus e a Mamom”. Tudo isso tem um sentido espiritual. Na verdade, Jesus queria dizer que se alguém queria segui-lo, não poderia voltar-se para outro deus. Mamom é palavra aramaica, que significa riquezas, as quais, para muitos, são um deus. Ou se confia em Deus, ou nas riquezas. Uma atitude exclui a outra. Tentar acomodar-se, numa vida dúbia, buscando servir ao Senhor e às riquezas desta vida, é um engano gerador de solicitude.

2. Não andar cuidadosos:

a) Quanto à vida (v.25). A vida é dom de Deus (1 Sm 2.6). É um milagre que se repete a cada nascimento de um novo ser. E na sucessão de seus momentos, com o passar dos anos, vão surgindo problemas, dificuldades e apreensões. Isso faz parte do viver na terra. Entretanto, a inquietação ou solicitude jamais resolverão os problemas. Pelo contrário, só os agravarão. Por isso, Jesus ensinou que não devemos andar ansiosos quanto à vida. É melhor viver como o salmista: “O Senhor é a força da minha vida; de quem me recearei?” (Sl 27.1b).

b) Quanto ao alimento. O Senhor exorta a não andarmos cuidadosos pelo que havemos de comer ou beber (v.25b) e indaga: “Não é a vida mais do que o mantimento...?”. Esse ensino é reconfortante. O alimento e a água são elementos essenciais, indispensáveis mesmo à sobrevivência do ser humano sobre o planeta. A falta de pão e de água causam desespero a populações inteiras, que vivem em regiões desérticas. A seca no Nordeste e em outras regiões do nosso País, causam muita preocupação, principalmente aos mais pobres. Mas o servo de Deus não precisa se desesperar, deixando-se dominar pela ansiedade.

Jesus disse: “Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta” (v.26). De fato, não se vê passarinhos mortos de fome por aí, quando eles estão em liberdade. Jesus, indagou se os homens não teriam muito mais valor que passarinhos? Com isso, quis estimular a fé em “Jeová Jiré”, o Senhor que provê todas as coisas. No mesmo texto, Ele diz: “Não andeis, pois, inquietos dizendo: Que comeremos ou que beberemos?” (v.31). Ler Sl 37.25; Mt 6.11; 1 Ts 2.9; 1 Co 4.12.

c) Quanto ao vestuário (v.28). Deus fez o homem, no Éden, sem vestimentas como conhecidas hoje. Entretanto, com o pecado, a natureza foi transtornada e Deus teve que cobrir a nudez dos pecantes. De lá até hoje, é necessário o uso do vestuário, seja por causa do clima, seja por causa do pudor, exigido por Deus. Mas o vestido é um bem de consumo, que custa dinheiro. E muitos passam a preocupar-se com isso, ficando ansiosos. Jesus chamou a atenção para os discípulos, e mandou que eles olhassem para “os lírios do campo” e observassem “como eles crescem”, sem trabalhar para isso.

Acrescentando que “nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles”. Concluindo, o Senhor assegurou que se Deus veste a erva, quanto mais haveria de vestir as pessoas!

3. Não andar inquietos (vv.31,32a). Jesus disse que a preocupação com a comida e o vestido é própria dos gentios (v.32a). E afirmou que o Pai celestial sabe que necessitamos de todas essas coisas, ou seja, da integridade do corpo, do alimento e do vestuário, símbolos dos bens de primeira necessidade. Para evitar a ansiedade, o ensino geral da Bíblia corrobora as orientações de Jesus, conforme Sl 55.22; Fp 4.6,7; 1 Pe 5.7. Nenhuma ansiedade resiste a uma campanha de oração e jejum, feita pelo crente fiel, em meio às lutas próprias da vida.

4. O Reino de Deus em primeiro lugar (v.33). É valorizar as coisas relativas a Deus, à Igreja, acima das coisas terrenas. É cuidar da evangelização, das missões, do discipulado, da ajuda aos necessitados, da libertação dos oprimidos pelo Diabo e tudo o mais que diz respeito ao domínio de Deus. Notemos que essa busca não deve ser irracional, a ponto de alguém deixar de cuidar da família, do cumprimento dos deveres, para só viver nas reuniões da igreja local. É antes de tudo, uma prioridade espiritual. Devemos lembrar que o Reino de Deus começa em nossa casa (ler 1 Tm 5.8).

5. A justiça de Deus em primeiro lugar (v.33). O Senhor não nos manda só trabalhar em prol do seu reino, mas, também, buscar a sua justiça. Jesus deu o exemplo, no cumprimento de “toda a justiça” (Mt 3.15), e ensinou que a nossa justiça deve exceder a dos escribas e fariseus (Mt 5.20). Assim, devemos viver em justiça e santidade, a começar pelo relacionamento com os familiares, com os amigos e irmãos, demonstrando que vivemos segundo a justiça de Deus perante os descrentes. Isso fala da integridade que deve marcar o testemunho cristão, não só diante dos líderes da igreja, mas diante do mundo (vide Fp 2.12,13).

 

CONCLUSÃO

 

A ansiedade tem causado muitos males espirituais, emocionais e físicos a milhões de pessoas no mundo. Mesmo entre os crentes em Jesus, há os que se deixam dominar por fatores que causam ansiedade, fazendo com que a fé fique sufocada e anulada em suas vidas. Como vimos, nosso Senhor Jesus Cristo, em seus ensinos indicou-nos o caminho para vencermos a ansiedade, demonstrando que o Deus que cuida das aves e dos “lírios do campo”, cuida de nós com seu amor e cuidado. Para tanto, basta que nEle confiemos e busquemos o seu Reino e sua justiça em primeiro lugar.

 

VOCABULÁRIO

 

Aduzir: Trazer, apresentar.
Cambial: Relativo ao câmbio; papel representativo de valor em moeda estrangeira.
Confiscar: Apoderar-se ou apossar-se de, como em caso de confisco.
Corroborar: Confirmar, comprovar.
Deterioração: Ato ou efeito de deteriorar-se; dano, ruína, degeneração.
Dúbio: Duvidoso, incerto; ambíguo.
Imune: Não sujeito; isento, livre.
Pecante: Que ou quem peca habitualmente; pecador.
Pudor: Sentimento de vergonha, de mal-estar, gerado pelo que pode ferir a decência, a honestidade ou a modéstia; pejo.
Solicitude: Afã ou empenho em atingir um objetivo; desejo de atender a alguma solicitação da melhor forma possível; boa vontade; atenção inquieta; cuidado constante.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Que é solicitude?

R. É sinônimo de ansiedade, inquietação.

 

2. De acordo com a lição, que são “tesouros na terra”?

R. São coisas a que os homens dão valor absoluto, tomando o lugar das coisas de Deus.

 

3. Por que Jesus ensinou que devemos ajuntar “tesouros no céu”?

R. Porque, lá, “nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam, nem roubam”.

 

4. Conforme a lição, que fazer para não ficar ansioso ou solicito?

R. Não andar inquietos e buscar o Reino de Deus e sua justiça, em primeiro lugar.

 

5. Em quais circunstâncias não devemos andar cuidadosos?

R. Quanto à vida, quanto ao alimento e quanto ao vestuário.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Doutrinário

 

“A Bíblia identifica a busca insaciável e avarenta pelas riquezas como idolatria, a qual é demoníaca (1 Co 10.19,20; Cl 3.5). Por causa da influência demoníaca associada à riqueza, a ambição por ela e a sua busca frequentemente escravizam as pessoas.

As riquezas são, na perspectiva de Jesus, um obstáculo, tanto à salvação como ao discipulado (Mt 19.24; 13.22). Transmitem um falso senso de segurança, enganam (Mt 13.22) e exigem total lealdade do coração (Mt 6.21). Quase sempre os ricos vivem como quem não precisa de Deus. Na sua luta para acumular riquezas, os ricos sufocam sua vida espiritual (8.14), caem em tentação e sucumbem aos desejos nocivos (1 Tm 6.9), e daí abandonam a fé (1 Tm 6.10). Geralmente os ricos exploram os pobres (Tg 2.5,6). O cristão não deve, pois, ter a ambição de ficar rico (1 Tm 6.9-11).

O amontoar egoísta de bens materiais é uma indicação de que a vida já não é considerada do ponto de vista da eternidade (Cl 3.1). O egoísta e cobiçoso já não centraliza em Deus o seu alvo e a sua realização, mas, sim, em si mesmo e nas suas possessões. O fato de a esposa de Ló pôr todo seu coração numa cidade terrena e seus prazeres, e não na cidade celestial, resultou na sua tragédia (Gn 19.16,26; Lc 17.28-33; Hb 11.8-10).

Para o cristão, as verdadeiras riquezas consistem na fé e no amor que se expressam na abnegação e em seguir fielmente a Jesus (1 Co 13.4-7; Fp 2.3-5). (...)

Cada cristão deve examinar seu próprio coração e desejos: sou uma pessoa cobiçosa? Sou egoísta? Aflijo-me para ser rico? Tenho forte desejo de honrarias, prestígios, poder e posição, o que muitas vezes depende da posse de muita riqueza?” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, pág.1547).

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

2º Trimestre de 2000

 

Título: Os ensinos de Jesus para o homem atual

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

 

Lição 5: Jesus e a oração

Data: 30 de Abril de 2000

 

TEXTO ÁUREO

 

E aconteceu que, naqueles dias, subiu ao monte a orar e passou a noite em oração a Deus” (Lc 6.12).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Jesus, em sua missão terrena, precisou orar. Nós, os seus servos, só poderemos cumprir nossa missão, aqui, se valorizarmos o poderoso recurso da oração.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Lc 6.12

Jesus fazia vigílias

 

 

 

Terça - 1 Rs 8.44,45

Orando pelo povo

 

 

 

Quarta - Jó 16.17

Oração pura

 

 

 

Quinta - Sl 72.15

Orando continuamente

 

 

 

Sexta - Pv 15.8

A oração dos retos é aprazível a Deus

 

 

 

Sábado - Mt 17.21

Oração e jejum

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Mateus 6.5-13.

 

5 - E, quando orares, não sejas como os hipócritas, pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.

6 - Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará.

7 - E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que, por muito falarem, serão ouvidos.

8 - Não vos assemelheis, pois, a eles, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário antes de vós lho pedirdes.

9 - Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome.

10 - Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu.

11 - O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.

12 - Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.

13 - E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal; porque teu é o Reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém!

 

PONTO DE CONTATO

 

Qual o propósito e a intenção de Jesus em nos ensinar a oração-modelo?

Estaria Ele condenando a adoração e a oração em público? Ou estaria simplesmente reprovando o costume judeu de orar em horários e lugares específicos? Certamente que não! O Senhor quer apenas nos advertir quanto à importância de nos mantermos humildes em tudo. Os líderes religiosos dos tempos de Jesus deveriam saber e ensinar a maneira correta de orar ao Pai, mas, ao contrário, usavam a oração como meio de se glorificarem ante os homens. Na verdade, não buscavam comunhão com Deus, mas queriam ser vistos pelos homens e receber deles admiração e louvor. Não devemos nos espelhar neles.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Enumerar as verdadeiras características do crente que realmente ora a Deus.
  • Identificar as sete petições descritas na oração ensinada por Jesus.
  • Reconhecer a necessidade da oração.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

É lastimável o que acontecia em relação à oração nos dias de Jesus e, infelizmente, não é diferente nos dias atuais. Muitos religiosos tidos como “homens de oração” não passavam de atores profissionalmente piedosos, que saíam às ruas propositalmente, especialmente nas ruas principais, para que, chegada a hora certa, estivessem em lugar bem visível. Chegada a hora da oração, oravam onde se encontravam, sem nenhum acanhamento de sua hipocrisia, mas até com orgulho.

Jesus não censura a oração em público e nem estabeleceu regras acerca da oração, mas enfatiza a necessidade do espírito humilde nas orações.

A oração que não estabelece contato sincero com Deus, é inútil e um desperdício de tempo.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

No texto em estudo, Jesus nos ensina as verdadeiras características do crente que realmente dirige sua oração a Deus.

1) Ora sem hipocrisias;

2) Ora em secreto;

3) Ora sem usar vãs repetições.

Escreva essas características no quadro de giz e peça a seus alunos que expliquem e ilustrem cada uma delas.

Peça ainda que identifiquem as três principais partes da oração-modelo ensinada pelo Mestre, que são: invocação, petição e conclusão.

Exemplo:

Invocação: “Pai nosso que estás nos céus” — Nesta invocação Jesus ensinou a nossa parentela espiritual de filhos adotivos de Deus.

Petição:

Aspectos da petição:

a) “Santificado seja o teu nome”;

b) “Venha o teu reino”;

c) “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”;

d) “O pão nosso de cada dia nos dá hoje”;

e) “Perdoa-nos as nossas dívidas”;

f) “Não nos deixe cair em tentação”;

g) “Livra-nos do mal”.

Conclusão: Doxologia (Louvor a Deus).

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Jesus experimentou todas as situações que um homem pode sofrer. Diante de sua sublime missão, “aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (Fp 2.7). Assim, Ele não somente pregava e ensinava, mas orava ao Pai, todos os dias, para assim vencer todas as coisas, dando-nos assim o exemplo para nEle vencermos todas as coisas. Nesta lição, aprenderemos alguns dos mais importantes ensinos de Jesus sobre a oração.

 

I. O EXEMPLO DE JESUS NA ORAÇÃO

 

1. Na escolha dos apóstolos. Jesus precisava escolher seus discípulos e não fez isso de improviso, nem segundo critérios puramente humanos. Antes de fazer a difícil escolha, Ele “subiu ao monte a orar e passou a noite em oração a Deus”. Quando o dia raiou, Ele se levantou, “e escolheu doze deles, a quem também deu o nome de apóstolos” (Lc 6.12,13).

2. Antes de ir ao Calvário. Jesus orou a Deus, rogando por seus discípulos (Jo 17.1,9,20). Mais tarde, às vésperas de encarar o Gólgota, Jesus foi ao monte das Oliveiras, como era seu costume (Lc 22.39) e, ali, no Getsêmani, orou intensamente, submetendo-se à vontade de Deus (Lc 22.42). Do início ao fim do seu ministério, Jesus nos deu o exemplo de oração. Se quisermos vencer na vida cristã, teremos que nos dedicar à oração.

3. Em momentos difíceis. Diante do sepulcro de Lázaro, morto há quatro dias, Jesus orou ao Pai, agradecendo-Lhe, por sempre o haver ouvido (Jo 11.41,42).

 

II. OS PRECIOSOS ENSINOS SOBRE A ORAÇÃO

 

1. Não ser como os hipócritas (v.5). Jesus exortou que os discípulos não fossem como os hipócritas, que se compraziam em “orar em pé nas sinagogas e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens”. Os judeus cumpriam três obrigações muito importantes: dar esmolas, orar e jejuar. Normalmente, oravam às nove horas da manhã, ao meio-dia e às três horas da tarde, à “hora nona” (At 3.1). Ao que tudo indica, alguns escolhiam os horários de maior movimento, nas esquinas e nas sinagogas, para chamarem a atenção a si. Na verdade, não buscavam comunhão com Deus, mas queriam aparecer. Não devemos ser como eles.

2. “Entra no teu aposento” (v.5). Jesus ensinou aos discípulos a fazerem diferente dos hipócritas. Ao orar, deveriam entrar no seu aposento, fechar a porta e orar ao Pai, “que vê o que está oculto”, para serem recompensados por Ele. Extraordinária lição essa, que o Mestre da oração nos dá. Hoje, há muitos crentes que não sabem mais o que orar, estando a sós com Deus. Só oram na igreja, aproveitando curtos momentos de oração. Certamente, orar a Deus, em segredo, é muito valioso. Se não o fosse, Jesus não o teria ensinado.

3. “Não useis de vãs repetições” (v.7). Note-se o adjetivo “vãs”. Jesus advertiu que os discípulos não deveriam fazer como os gentios, os quais pensavam ser melhor atendidos por Deus se fizessem longas orações, repetindo certas palavras rotineiras. Aqui, não se deve entender que o crente não pode orar mais de uma vez por determinado problema. Neste caso, havendo necessidade, não se trata de vã repetição, mas de oração insistente, perseverante, ensinada por Jesus (Lc 18.1-8; Mt 7.7).

4. “Vosso Pai sabe o que vos é necessário” (v.8). Deus sabe o que necessitamos, mesmo antes que Lho peçamos. É o que Davi entendeu, séculos antes, ao dizer: “Sem que haja uma palavra na minha língua, eis que, ó Senhor, tudo conheces” (Sl 139.4). Parece uma contradição: Se Deus sabe tudo a nosso respeito, por que e para que orar? Acontece que, lá no Éden, o pecado cortou a ligação direta que o homem tinha com Deus. Desse modo, é necessário orar, para que tenhamos comunicação e comunhão com Deus, com a ajuda indispensável da intercessão de Jesus e do Espírito Santo (vide Rm 8.26,34).

 

III. A ORAÇÃO-MODELO

 

Na chamada Oração do Pai nosso, que Jesus ensinou, encontramos sete petições, sendo três, relativas a Deus, e quatro, relativas às necessidades humanas.

1. Primeira petição. “Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome” (v.9). A base da oração é a ideia de que Deus é Pai de todos os que nEle creem. A súplica começa no plural, afastando a presunção de um Deus personalizado. Embora seja Deus onipresente, o fiel deve voltar seu olhar para cima, aos céus, vendo-o em posição elevada (2 Cr 20.6; Sl 34.3; 115.3). A primeira petição parece uma redundância: Sendo Deus santo, para que pedir que seu nome seja santificado? Jesus nos mostra que o nome de Deus deve ser honrado, venerado e santificado por nós, seja no falar, e no agir em seu nome.

2. Segunda petição. “Venha o teu reino” (v.10a). Aqui, há um sentido atual, que diz respeito à implantação do Reino de Deus no presente, com a presença de Cristo, o Emanuel; e também há o sentido escatológico, pelo qual desejamos a vinda de Cristo em glória para estabelecer o Reino eterno de Deus, no Milênio (Ap 20.11; 21.1; 22.20; 2 Pe 3.10-12). Na prática, o crente deve aceitar o domínio de Deus sobre todas as áreas de sua vida, tendo Deus, não só como Salvador, mas como seu Senhor.

3. Terceira petição. “Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu” (v. 10b). Temos aqui a oração típica de quem é servo, que não tem vontade própria, e submete-se incondicionalmente a seu Senhor. Querermos a vontade de Deus no céu, não nos implica em nada. A vontade dEle na terra, no entanto, nos compromete. Se não tivermos cuidado, ao expressar essa petição, poderemos incorrer no perigo da dubiedade do coração. Ou seja: a boca diz uma coisa e o coração não concorda com ela, quando, na prática, queremos fazer valer a nossa vontade e não a de Deus.

4. Quarta petição. “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (v.11). Segundo os estudiosos da Bíblia, a expressão “de cada dia” não se encontra em outra parte do Novo Testamento. Ela indica que devemos depender quotidianamente de Deus, para a satisfação de nossas necessidades físicas. Aqui, literalmente, o pão é um tipo de tudo que necessitamos, tais como alimento, roupa, calçado, saúde e bem-estar. Note-se que Jesus não nos ensinou a pedir a provisão de Deus para um mês ou um ano.

5. Quinta petição. “Perdoa-nos as nossas dívidas...” (v.12). A nossa sorte é que Deus se compraz em perdoar. Com Ele está o perdão (Sl 130.4; Dn 9.9) pois é perdoador (Ne 9.17; Sl 99.8). Jesus nos deu o exemplo (Lc 23.34). Devemos lembrar, porém, que essa quinta petição talvez seja a mais comprometedora para quem a profere. É que, além de pedirmos perdão, o condicionamos à maneira pela qual perdoamos aos nossos devedores. Assim, se alguém não perdoa de coração, pede a Deus que lhe faça o mesmo. Por isso, é preciso ter cuidado ao orar o Pai Nosso.

6. Sexta petição. “E não nos induzas à tentação” (v.13a). Esta tradução tem causado polêmica. Haveria possibilidade de Deus induzir à tentação? De modo algum, pois diz a Bíblia: “Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta” (Tg 1.13). Parece-nos mais adequada a tradução que diz: “Não nos deixes cair em tentação...” É como pedir a Deus que não permita vir circunstâncias sobre o crente que este não possa resistir. (Ler 1 Co 10.13.)

7. Sétima petição. “Mas livra-nos do mal” (v.13b). É uma extensão da anterior. Mas entendemos que alguém pode ser livre do mal, sem que este seja somente uma tentação. Esta última petição é seguida de um louvor a Deus (doxologia): “porque teu é o Reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém!”.

 

CONCLUSÃO

 

Orar é tarefa sublime. À oração opõe-se até o Inferno. No dizer de certo pregador, “o Diabo ri de nossa sabedoria, zomba de nossas pregações, mas treme diante de nossas orações”. Faz sentido. Quando o crente ora, descortina-se diante de si, um panorama espiritual, que lhe propicia o contato com os céus. Ele chega ao próprio trono de Deus, através de Jesus Cristo. Por isso, o Senhor nos ensinou preciosas lições acerca do valor da oração.

 

VOCABULÁRIO

 

Comprazer: Fazer o gosto, a vontade; ser agradável; deleitar-se, regozijar-se.
Doxologia: Fórmula litúrgica de louvor a Deus, geralmente ritmada.
Dubiedade: Duvidoso, incerto; ambíguo; vacilante, indeciso, vago, hesitante
Hipócrita: Que tem, ou em que há hipocrisia; impostura, fingimento, simulação, falsidade.
Incondicionalmente: Não sujeito a condições; total, absoluto, irrestrito, integral; incondicionado.
Induzir: Causar, inspirar, incutir; instigar, incitar, sugerir, persuadir.
Perseverante: Conservar-se firme e constante; persistir, prosseguir, continuar.
Polêmica: Debate oral; questão, controvérsia.
Quotidianamente: De todos os dias; diário: a vida cotidiana; aquilo que se faz ou ocorre todos os dias; o que sucede ou se pratica habitualmente.
Redundância: Que sobeja, superabunda; superfluidade de palavras (pleonasmo).
Rotineiro: Que segue uma rotina: caminho já percorrido e conhecido, em geral trilhado maquinalmente; sequência de atos ou procedimentos que se observa pela força do hábito.
Venerado: A quem se tributa grande respeito, reverência, afeição.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Que fez Jesus, antes de escolher os seus apóstolos?

R. “Subiu ao monte a orar, e passou a noite em oração a Deus”.

 

2. De acordo com a lição, como é chamada a oração-modelo?

R. Pai Nosso, Oração Dominical e Oração do Senhor.

 

3. Quantas petições encontramos no Pai Nosso, e a que se referem?

R. São sete, sendo três, relativas a Deus e quatro, relativas às necessidades do homem.

 

4. Por que e para que orar?

R. É necessário orar, para que tenhamos comunicação e comunhão com Deus, com a ajuda indispensável da intercessão de Jesus e do Espírito Santo.

 

5. Que devemos fazer para vencer na vida cristã?

R. Devemos nos dedicar à oração.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Doutrinário

 

Quando orardes, não sereis como os hipócritas (v.5): Como podemos saber quando a nossa religião é realmente hipocrisia? A resposta é: Quando é para ser vista pelos homens. É apenas hipocrisia quando as igrejas têm bons coros, exigem pregação de elevado estilo, fazem orações eloquentes,... mas sem o Espírito. É hipocrisia colocar todas as mercadorias na vitrine, dando a entender que a loja tem grande estoque. É hipocrisia quando a adoração sai da boca para fora: é sinceridade somente se sair do íntimo do coração. (...)

Portanto, vós orareis assim (v.9): Embora seja possível orar em espírito, recitando o Pai Nosso, palavra por palavra, contudo concluímos que Cristo não queria que os discípulos o repetissem desta maneira: (1) O Senhor disse: ‘Orareis assim’, ou seja: deste modo, usando estas palavras como vosso modelo. (2) É impossível repetir o Pai Nosso sem a maioria cair em formalismo ou mesmo atribuir uma superstição às palavras que Jesus usou. (3) Se Cristo queria que declamássemos o Pai Nosso, usando as mesmas palavras, por que se encontra a mesma oração com outras palavras? Lc 11.2-4.” (Espada Cortante, CPAD, págs.427,428).

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

2º Trimestre de 2000

 

Título: Os ensinos de Jesus para o homem atual

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

 

Lição 6: Jesus e o amor

Data: 7 de Maio de 2000

 

TEXTO ÁUREO

 

Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento” (Mc 12.30).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Jesus encarnou o amor de Deus pelos pecadores. E nós, seus servos, precisamos demonstrar amor na prática, a fim de nos parecermos com Ele.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Rm 5.8

Deus prova seu amor

 

 

 

Terça - 1 Co 13.1

Sem amor não somos nada

 

 

 

Quarta - 2 Co 5.14

O amor de Cristo nos constrange

 

 

 

Quinta - Gl 5.22

O amor é fruto do Espírito

 

 

 

Sexta - Ef 5.2

Andando em amor

 

 

 

Sábado - 1 Jo 4.8

Deus é amor

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Marcos 12.30,31; João 3.16; 13.34-35; Mateus 5.43-46.

 

Marcos 12

30 - Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento.

31 - E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.

 

João 3

16 - Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

 

João 13

34 - Um novo mandamento vos dou; Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.

35 - Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.

 

Mateus 5

43 - Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo.

44 - Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem,

45 - para que sejais filhos do Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos.

46 - Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?

 

PONTO DE CONTATO

 

O amor não é mera emoção. É uma qualidade da alma, mediante a qual o indivíduo sente ser natural servir ao próximo, tal como sempre quererá servir a si mesmo. Essa qualidade da alma é produzida pela influência transformadora do Espírito Santo (Gl 5.22).

Visto que o verdadeiro amor é fruto do Espírito Santo, significa que, a fim de obtê-lo, precisamos crescer espiritualmente. Precisamos utilizar os meios do desenvolvimento espiritual como o estudo da Palavra, a oração, a meditação, a prática das boas obras, a santificação e o uso dos dons espirituais. O amor desenvolve-se bem nesse solo.

Aquele que mais ama, mais se parece com Deus.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Explicar o real significado de amar a Deus de todo o coração, alma, entendimento e forças.
  • Reconhecer o dever de amar o próximo como a si mesmo.
  • Aplicar em sua vida o exemplo de Cristo, que nos amou a ponto de dar a sua vida para o resgate da nossa.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

O amor é uma disposição de caráter que leva a pessoa a considerar seus semelhantes com estima, respeito, justiça e compaixão. Amor cristão é obviamente, esse sentimento inspirado, exemplificado por Cristo e praticado pelos seus servos. Foi por amor que Deus enviou Jesus ao mundo. O amor é o resumo da lei de Deus. O amor é a finalidade dos mandamentos. O amor é uma das evidências da regeneração. O amor é, em resumo, a essência do Cristianismo. Por isso mesmo é necessário que cada crente faça uma reavaliação do seu procedimento, para que verifique o quanto tem obedecido ao Senhor no tocante à prática do amor em sua vida.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Na lei de Deus está expresso não somente o amor a Deus, mas o amor ao próximo. Somente pela graça de Deus, o homem pode amar os seus inimigos e bendizer os que o odeiam. Jesus, não injuriava; padecendo, não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente (1 Pe 2.22-23).

Tomando por base o enunciado acima, peça a seus alunos que apresentem três razões bíblicas por que os filhos de Deus devem amar os seus inimigos. Dê-lhes 5 minutos para o cumprimento desta tarefa. Esgotado o tempo, escreva no quadro de giz as razões relacionadas abaixo e compare-as com as apresentadas por seus alunos.

1) Para revelar que é filho do Pai celestial (Mt 5.45).

2) Para revelar que é diferente daquele que não é filho (Mt 5.46-47).

3) Para alcançar a perfeição do Pai (Mt 5.48).

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Até hoje, ninguém foi capaz de definir o que é amor. Poetas, escritores e dramaturgos, sempre tentaram esboçar uma definição de amor, mas nunca conseguiram. Por que isto? Certamente, porque o amor, em sua expressão perfeita e absoluta, é o próprio Deus (1 Jo 4.8). Podemos dizer que o amor é a “pedra de toque” do cristão genuíno. O verdadeiro discípulo de Jesus é identificado pelo amor. Nesta lição, abordaremos alguns aspectos importantes desse tema.

 

I. AMAR A DEUS E AO PRÓXIMO

 

1. O primeiro mandamento: amar a Deus (v.30). Um escriba aproximou-se de Jesus e perguntou-lhe qual seria o “primeiro de todos os mandamentos” (Mc 12.28). O Mestre, serenamente, respondeu, citando Dt 6.5, que diz: “Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder”.

a) “De todo o teu coração”. No Antigo Testamento, Deus disse: “Não terás outros deuses diante de mim” (Ex 20.3). Era um preceito, uma determinação legal. Nosso Senhor Jesus Cristo, tomou esse preceito e o transportou para a esfera do amor. O Senhor não admitia nem admite que o crente tenha outro deus além dEle, em seu coração. Não se pode servir a Deus com coração dividido. O amor a Ele devotado deve ser total, incondicional e exclusivo, verdadeiro e santo. É condição indispensável, inclusive, para poder encontrar a Deus: “E buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jr 29.13).

b) “De toda a tua alma”. A alma é a sede das emoções, dos sentimentos. Podemos dizer que é o centro da personalidade humana. O amor a Deus deve preencher todas as emoções e sentimentos do cristão. Maria disse: “A minha alma engrandece ao Senhor” (Lc 1.46). O salmista adorou: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios” (Sl 103.1,2).

c) “De todo o teu entendimento”. Isso fala de compreensão, de conhecimento. Aquele que ama a Deus de verdade, tem consciência plena desse amor, sendo, por isso, grato ao Senhor. É o culto racional (Rm 12.1b).

d) “De todas as tuas forças”. Certamente, o Senhor Jesus referia-se aos esforços espiritual, pessoal, emocional, e, muitas vezes, até físico, voltados para a adoração a Deus.

2. O segundo mandamento: amar ao próximo (v.31). Jesus, complementando a resposta ao escriba, acrescentou que o segundo mandamento, semelhante ao primeiro, é: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, concluindo que “Não há outro mandamento maior do que estes”. Os judeus, a exemplo dos orientais em geral, não valorizavam muito o amor ao próximo. O evangelho de Cristo trouxe nova dimensão ao amor às pessoas. Paulo enfatiza isso, dizendo: “porque quem ama aos outros cumpriu a lei” (Rm 13.8b); “O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor” (Rm 13.10).

 

II. CARACTERÍSTICA DO VERDADEIRO DISCÍPULO

 

Jesus, dirigindo-se aos discípulos, de modo paternal, disse: “Filhinhos, ainda por um pouco estou convosco... Um novo mandamento vos dou”:

1. “Que vos ameis uns aos outros” (v.34). O discípulo de Jesus tem o dever de amar ao próximo, ou seja, a qualquer pessoa, independente de ter afinidade, amizade, ou não (Mc 12.31). Esse é um amor devido, que faz parte das obrigações dos que servem a Cristo. Contudo, o Senhor quer que amemos uns aos outros, como discípulos dEle, não apenas para cumprir um mandamento, mas por afeto, de modo carinhoso, mesmo. Paulo absorveu esse entendimento, e o retrata nas seguintes palavras: “Portanto, se há algum conforto em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma comunhão no Espírito, se alguns entranháveis afetos e compaixões” (Fp 2.1). Com isso, ele enfatiza o amor que consola, e os “entranháveis afetos e compaixões”. Esse é o amor que deve haver entre os crentes, de coração, e não só por obrigação. Nada justifica o crente aborrecer a seu irmão. Isso é perigoso. Pode levar à condenação (vide 1 Jo 3.15).

2. “Como eu vos amei a vós” (v.34). O padrão do amor cristão é o exemplo de Cristo. É o amor ágape, que tem origem em Deus, o qual nos amou de modo tão grande (1 Jo 3.1). Cristo demonstrou seu amor para conosco, de modo sacrificial. “Conhecemos a caridade nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos” (1 Jo 3.16). Isto mostra que Jesus nos amou de verdade, de modo sublime. Por isso, precisamos expressar o amor pelos irmãos, não de modo teórico, porém prático: “Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade” (1 Jo 3.18). A prática do amor deve começar em casa, entre marido e mulher, pais e filhos e, na igreja, entre pastores e fiéis, membros do Corpo de Cristo.

3. “Nisto conhecerão que sois meus discípulos” (v.35). Aqui, encontramos o padrão do verdadeiro discípulo de Jesus: “...se vos amardes uns aos outros”. Este “se” é o grande desafio ao verdadeiro discipulado. É importante que haja discípulos que façam outros discípulos. Contudo, mais importante é que os cristãos amem uns aos outros, pois, assim, demonstram serem discípulos de Cristo, em condições de obedecer ao Evangelho e, desse modo, viverem aquilo que pregam. Notemos que o Mestre não indicou outra característica pelos quais seus seguidores seriam conhecidos de todos. Não sabemos o impacto total dessas solenes palavras de Jesus entre os seus discípulos, mas Pedro mudou de ideia rapidamente (ver Jo 13.36-38).

 

III. O AMOR CRISTÃO GENUÍNO

 

1. “Amai a vossos Inimigos” (v.44). No Antigo Testamento, a norma era aborrecer o inimigo e amar apenas ao próximo, de preferência o amigo. Jesus contrariou toda aquela maneira de pensar e mandou que os cristãos amassem os próprios inimigos. Ao proferir essas palavras, certamente, os olhos dos ouvintes se arregalaram, causando-lhes grande impacto em suas mentes.

2. “Bendizei o que vos maldizem” (v.44). Sem dúvida alguma, os que ouviam o sermão olharam uns para os outros, indagando: “Que ensino é esse? Isso contraria tudo o que nos foi ensinado até agora!”. Podemos ver, na Bíblia, homens piedosos, como Davi, expressar até ódio aos seus inimigos: “Não aborreço eu, ó SENHOR, aqueles que te aborrecem, e não me aflijo por causa dos que se levantam contra ti? Aborreço-os com ódio completo; tenho-os por inimigos” (Sl 139.22).

3. “Fazei bem aos que vos odeiam” (v.44). O espanto deve ter sido completo entre todos que ouviam o Mestre pregar. Na Lei de Moisés, a ordem era “olho por olho e dente por dente” (Mt 5.38). Jesus mudou todo esse ensino e disse: “Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra”, mandando que os seus seguidores façam bem aos que os odeiam! Se para os judeus, isso era terrível, não o é menos difícil para os crentes, hoje. Só um crente com “abundante graça” (At 4.33) e sob o controle do Espírito Santo (1 Pe 4.13,14) aceita e vive um ensino e uma prática como essa.

4. “Orai pelos que vos maltratam” (v.44). Jesus não disse em que termos se deve orar pelos que nos maltratam e nos perseguem. Mas, no contexto em análise, não deve ser com vingança e ódio. Certamente, devemos orar para que Deus mude seus pensamentos, as circunstâncias, e os salve, assim os nossos desafetos passem a agir de modo diferente.

5. “Para que sejais filhos do Pai que estás nos céus” (v.45). Aqui está todo o escopo do ensino de Jesus sobre o amor cristão. Não é amar por amar. Não é ingenuidade. É amor consequente, que tem um objetivo sublime a ser alcançado. Todo esse amor deve ser praticado, “para que sejais filhos do Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos”. Essa parte do sermão é concluída com a pergunta: “Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?” (v.46).

 

CONCLUSÃO

 

Os ensinos de Jesus sobre o amor contrariam toda a lógica ou referencial humano a respeito do assunto. No Antigo Testamento, o comum era amar o amigo e aborrecer, e até odiar o inimigo. Jesus determina que o verdadeiro cristão deve amar o seu inimigo, orar por ele e abençoá-lo. É a superioridade da ética evangélica. Uma coisa é certa: muitos que se dizem cristãos não terão condições de ir ao encontro de Jesus, na sua vinda, pelo fato de aborrecerem a seu irmão (ler 1 Jo 3.15). Que Deus nos ajude a cumprir a doutrina cristã do amor.

 

VOCABULÁRIO

 

Afinidade: Relação, semelhança, analogia.
Desafeto: Sem afeto; adversário, inimigo, rival.
Dramaturgo: Autor de dramas; escritor que compõe peças teatrais; teatrólogo.
Esboçar: Traçar os contornos de; delinear, bosquejar, tracejar, planejar.
Escopo: Alvo, mira, intuito; intenção.
Incondicional: Não sujeito a condições; total, absoluto, irrestrito, integral.
Proferir: Pronunciar ou publicar em voz alta e clara.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Por que, até hoje, ninguém conseguiu definir o que é o amor?

R. Certamente, porque o amor, em sua expressão absoluta, é o próprio Deus (1 Jo 4.8).

 

2. Como se enuncia o primeiro mandamento, ditado por Jesus?

R. “Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças”.

 

3. Qual o segundo mandamento, semelhante ao primeiro?

R. “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

 

4. Como Jesus disse que os discípulos seriam conhecidos por todos?

R. Se eles se amassem uns aos outros.

 

5. Para que Jesus mandou que os discípulos amassem seus inimigos?

R. Para que fossem filhos do Pai que está nos céus.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Doutrinário

 

“A palavra grega ágape é mais frequentemente usada no tocante ao amor (‘caridade’) com grande lealdade, visto no seu grau mais elevado como uma revelação da própria natureza de Deus. É o amor inabalável, concedido livre e gratuitamente. O amor é o âmago em cada um desses textos bíblicos (Rm 12.9-21; 1 Co 13; Ef 4.25-5.2). Realmente, o amor é o princípio ético, a força motivadora e a metodologia correta para todos os ministérios. Sem o amor, há pouco benefício ao próximo e nenhum para quem exerce o dom. Os desentendimentos surgem, e a igreja fica dividida; as pessoas saem magoadas. O amor forma o alicerce para o ministério com os dons e o contexto em que estes devem ser recebidos e entendidos.” (Teologia Sistemática, CPAD, pág. 488).

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

2º Trimestre de 2000

 

Título: Os ensinos de Jesus para o homem atual

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

 

Lição 7: Jesus e as enfermidades

Data: 14 de Maio de 2000

 

TEXTO ÁUREO

 

Para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, que diz: Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas doenças” (Mt 8.17).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Jesus, em sua morte, no Calvário, consumou a salvação do pecador e a vitória sobre as enfermidades, para todos aqueles que nEle crêem.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Ex 15.26

A promessa de nenhuma enfermidade

 

 

 

Terça - Is 53.4

Ele tomou as enfermidades

 

 

 

Quarta - Mt 4.23

Curando todas as enfermidades

 

 

 

Quinta - Jo 11.4

Enfermidade para a glória de Deus

 

 

 

Sexta - 1 Tm 5.23

Constantes enfermidades

 

 

 

Sábado - Tg 5.15

A oração da fé salvará o doente

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Mateus 4.23,24; 8.14-17 .

 

Mateus 4

23 - E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, e pregando o evangelho do Reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo.

24 - E a sua fama correu por toda a Síria; e traziam-lhe todos os que padeciam acometidos de várias enfermidades e tormentos, os endemoninhados, os lunáticos e os paralíticos, e ele os curava.

 

Mateus 8

14 - E Jesus, entrando na casa de Pedro, viu a sogra deste jazendo com febre.

15 - E tocou-lhe na mão, e a febre a deixou; e levantou-se e serviu-os.

16 - E, chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e ele, com a sua palavra, expulsou deles os espíritos e curou todos os que estavam enfermos,

17 - para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, que diz: Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas doenças.

 

PONTO DE CONTATO

 

Convide sua classe à reflexão. Como explicar a tremenda realidade da vida humana em relação às enfermidades físicas, morais e espirituais? O apóstolo Paulo, na sua epístola aos Romanos, nos apresenta a razão: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, em Cristo Jesus, nosso Senhor”. O pecado trouxe consigo o triste séquito do sofrimento e da morte física e espiritual, mas Cristo Jesus foi enviado pelo Pai a este mundo de sofrimento, de dor, de pecado e de morte, para tomar sobre si as nossas enfermidades e carregar as nossas dores, as nossas transgressões, as nossas iniquidades e todos os nossos pecados, custando-lhe isso o preço do sacrifício vicário da cruz, caindo sobre Ele o justo castigo da justiça divina.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Distinguir e especificar o tríplice ministério de Jesus.
  • Demonstrar através de referências bíblicas que Jesus nos deu poder para curar.
  • Reafirmar os ensinos de Jesus sobre as enfermidades.
  • Refutar os ensinamentos errôneos sobre as enfermidades difundidos pelos adeptos da Confissão Positiva.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

A doutrina da cura divina como provisão de Deus à trágica queda do homem no Éden, baseia-se em várias partes das Escrituras: foi estabelecida e tipificada por Deus no Antigo Testamento (Êx 15.26; Nm 21.6-9); anunciada pelos profetas (Is 53.4,5) e exercida por Cristo em seu tríplice ministério terreno. Jesus ensinava, pregava e curava.

Nosso Senhor cumpriu este ministério de curas pelo motivo de pura compaixão, em cumprimento da profecia, e assim evidenciou suas credenciais como o Messias, pois, a respeito dEle disse o profeta Isaías: “Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas doenças”. Portanto, é da natureza e propósito de Deus curar todos os que estão enfermos e oprimidos pelo Diabo.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Jesus não curava os enfermos buscando publicidade. Os seus milagres não eram feitos por querer ostentar-se. Antes, os curava movido de compaixão ao ver suas aflições. A Bíblia diz que Ele compadecia-se das multidões (Mt 9.36; Mc 6.34). Jesus curou principalmente movido por sua misericórdia e lançou mão dessas curas para acentuar lições espirituais. O dom de curar é baseado na compaixão.

Peça a seus alunos que listem passagens dos Evangelhos que relatem as curas e milagres operados por Jesus e tentem descrever os sentimentos dEle em relação às multidões aflitas.

Exemplos:

1) Jesus dispensou virtude quando uma mulher tocou nas suas vestes, procurando por cura (Mc 5.30).

2) Jesus, ao contemplar o surdo e gago, antes de curá-lo, suspirou (Mc 7.34).

3) Jesus, “agitou-se no espírito e comoveu-se” diante do túmulo de Lázaro (Jo 11.35,38).

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Dentre as consequências da entrada do pecado no mundo, certamente as enfermidades são as que mais perturbam as pessoas. Até mesmo os crentes em Jesus são acometidos de doenças, muitas vezes graves, que os levam à morte. Entretanto, o Senhor Jesus Cristo deu à sua Igreja a autoridade para curar enfermos em seu nome.

 

I. A TRÍPLICE MISSÃO DE JESUS

 

1. Ensinando o evangelho (v.23a). Nas sinagogas, normalmente aos sábados (Lc 4.16,17), Jesus ensinava aos que ali se reuniam. Sua mensagem, exposta de modo claro e simples, o fazia admirado por muitos, porém, irritava aos que não queriam ouvir a Palavra de Deus.

2. Pregando o evangelho (v.23b). A pregação do evangelho, ou das boas novas de salvação, era o ponto alto do ministério de Jesus. Ele pregava nas sinagogas (Mc 1.39), nas cidades (Mt 4.13,17) e de aldeia em aldeia (Lc 8.1).

3. Curando enfermidades (v.23c). A pregação de Jesus não era um evangelho só de palavras, como faziam os fariseus (Jo 7.46). Sua mensagem tornava-se eloquente por causa dos sinais e prodígios que operava (Jo 2.11). Ele próprio enfatizou este aspecto: “Se não virdes sinais e milagres, não crereis” (Jo 4.48). Muitos creram por causa dos sinais (Jo 2.23; 3.2). Dentre esses sinais, a cura das enfermidades teve lugar especial no ministério terreno do Senhor.

 

II. OS ENSINOS DE JESUS SOBRE AS ENFERMIDADES

 

1. Valorizava a visita ao enfermo (Mt 25.36). Ao final do sermão profético, Jesus revelou que, no final dos tempos, serão galardoados aqueles que, em sua missão, tiveram o cuidado de visitar os doentes: “adoeci, e visitastes-me”. Os justos indagarão sobre tal visita ao Senhor: “E, quando te vimos enfermo ou na prisão e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mt 25.39,40).

2. Jesus não condena a Medicina. Criticado por entrar na casa de um publicano, Jesus disse aos escribas e fariseus: “Não necessitam de médico os que estão sãos, mas sim os que estão enfermos” (Lc 5.31). Lucas, discípulo de Jesus, era médico. Quando enfermo, o crente não peca se recorrer à Medicina, pois Deus pode usar os médicos e os remédios para conceder a cura desejada. No entanto, para o crente deve sempre prevalecer a vontade divina, pois, às vezes, a cura não é concedida.

3. Enfermidade para a glória de Deus. Num certo lugar, Jesus viu um homem cego de nascença. “E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?”. Ele respondeu, afirmando: “Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus” (Jo 9.1-3). É preciso evitar os erros e exageros das doutrinas extrabíblicas, muito em moda nestes dias.

 

III. ELE TOMOU SOBRE SI AS NOSSAS ENFERMIDADES

 

1. O cumprimento profético da cura divina. Em visita à casa de Pedro, Jesus “curou todos os que estavam enfermos, para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, que diz: ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas doenças” (Mt 8.16,17). Neste texto bíblico, está o cumprimento do que Isaías profetizou (Is 53.4) sete séculos antes de Jesus se manifestar ao mundo, curando os enfermos e doentes.

2. Salvação e cura. Jesus cumpriu a profecia sobre seu poder sanador, mesmo antes de morrer na cruz. Após o seu sacrifício expiatório, ele assegurou o direito aos seus servos de serem salvos e curados dos males do corpo físico. O comentário da Bíblia de Estudo Pentecostal (CPAD) diz: “A morte expiatória de Cristo foi um ato perfeito e suficiente para a redenção do ser humano total — espírito, alma e corpo. Assim como o pecado e a enfermidade são os gigantes gêmeos, destinados por Satanás para destruir o ser humano, assim também o perdão e a cura divina vem juntos como bênçãos irmanadas, destinadas por Deus para nos redimir e nos dar saúde (cf. Sl 103.3; Tg 5.14-16)”.

3. Exageros doutrinários. Com base no texto bíblico de Mt 8.17, que repete Is 53.4, os adeptos da chamada “Confissão Positiva” entendem que, como a salvação, a cura divina já foi realizada na cruz, não existindo mais doenças para os crentes. Segundo eles, se o crente apresenta algum problema de saúde, isto é apenas “sintoma”, que precisa ser expulso, pois é coisa de Satanás. Se um crente fica doente, dizem que é por “falta de fé” ou “por causa de pecado”. Isso é terrível, pois há homens e mulheres de Deus, fiéis, que ficam doentes e até passam para o Senhor. Será que eles são pessoas incrédulas ou cheias de pecado? Por outro lado, há quem diga que o texto refere-se unicamente ao pecado (enfermidade espiritual). Jesus, com seu sacrifício, veio nos dar vitória tanto sobre o pecado, quanto sobre suas consequências, incluindo as enfermidades. Entretanto, a vitória total, ou seja “a redenção do nosso corpo” (Rm 8.23) só ocorrerá por ocasião da ressurreição (1 Co 15.54), no arrebatamento (Fp 3.21).

4. O crente fiel pode adoecer. Timóteo, “filho na fé” de Paulo, tinha frequentes enfermidades (1 Tm 5.23); Trófimo ficou doente cm Mileto (2 Tm 4.20); Epafrodito esteve quase à morte (Fp 2.25-30). Isso sem falar de Jó, que “era homem sincero, reto e temente a Deus; e se desviava do mal” (Jó 1.1), e padeceu de uma doença que lhe acometeu desde a cabeça até a planta dos pés (Jó 2.7). Em Mc 16.18, Jesus não disse que os enfermos seriam apenas os descrentes.

5. As doenças são reais. Se podemos impor as mãos sobre “os enfermos”, é porque eles existem e suas enfermidades são reais e não virtuais. Não são “sintomas” apenas. São concretas. É para isso que o crente ora, impondo as mãos ou fazem a “oração da fé” (Tg 5.14,15), que levantará “o doente”, de verdade, e não o falso enfermo. O crente pode adoecer e ser curado imediatamente, ou progressivamente; e pode não ser curado, se assim Deus o quiser ou permitir. A Bíblia diz “Tudo sucede igualmente a todos: o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro...” (Ec 9.2). Somente na eternidade, o justo será completamente diferente do ímpio: “Então, vereis outra vez a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus e o que não o serve” (Ml 3.18).

 

IV. JESUS DEU AUTORIDADE PARA CURAR

 

1. Poder para curar. Preparando os seus discípulos para a missão de evangelizar, Jesus “deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem e para curarem toda enfermidade e todo mal (Mt 10.1). Isso é maravilhoso. Os crentes em Jesus têm autoridade para orar pelos enfermos de todo o tipo, seja a enfermidade espiritual, emocional ou física. Na mesma ocasião, ele disse: “Curai os enfermos, limpai os leprosos, ...de graça recebestes, de graça dai” (Mt 10.8). No envio dos 70, ele mandou curar os enfermos (Lc 10.9). Em suas últimas palavras, antes de ser assunto aos céus, Jesus garantiu o seu poder, para que em seu nome os enfermos sejam curados (Mc 16.18).

2. A imposição das mãos. Jesus ensinou que os seus servos “imporão as mãos sobre os enfermos e os curarão”. Trata-se de um ato de fé, numa demonstração de que o poder de Deus no crente envolve o seu interior e o exterior. Assim como do corpo de Jesus saiu virtude (Mc 5.30), esta pode, da parte de Deus, fluir do crente para o enfermo e este receber a cura, não por causa das mãos de quem ora, mas pelo poder no nome de Jesus. Além da imposição de mãos, o crente pode ser curado através da oração da fé com unção com óleo (Tg 5.14-16) ou através dos dons de curar (1 Co 12.9).

 

CONCLUSÃO

 

As doenças, no seu aspecto geral, são consequências da entrada do pecado no mundo. No aspecto específico, ou seja, a doença de determinada pessoa, no entanto, não se pode julgar que seja fruto de pecado, ou de falta de fé. O cristão pode adoecer e pode ser curado de imediato ou não. Depende não só de fé, mas, também, da vontade diretiva ou permissiva de Deus. Que o Senhor nos ajude no incremento do ministério de cura divina, não só como fator de alívio para os doentes, mas como meio de propagar o poder de Deus através do evangelho.

 

VOCABULÁRIO

 

Acometer: Investir contra ou sobre; atacar; assaltar; provocar, hostilizar, insultar, injuriar.
Expiatório: Que serve para, ou em que há expiação; remissão, cumprimento de pena.
Jazer: Estar deitado, estendido no chão ou na cama; estar morto, ou como morto.
Lunático: Que é sujeito à influência da Lua; maníaco, visionário, aluado.
Moléstias: Incômodos ou sofrimentos físicos; doenças, achaques, males.
Prodígio: Coisa sobrenatural.
Rabi: Do hebr. rabbi, “meu mestre”.
Sanador: Que torna são; cura, sara.
Virtude: Disposição firme e constante para a prática do bem; boa qualidade moral; força moral; valor.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Como Jesus exerceu sua missão tríplice?

R. Ensinando e pregando o evangelho e curando as enfermidades.

 

2. Cite o versículo de Lucas que mostra que Jesus não condena a Medicina.

R. “Não necessitam de médico os que estão sãos, mas sim os que estão enfermos” (Lc 5.31).

 

3. De acordo com a lição, quais as três maneiras pelas quais a cura divina pode ser ministrada?

R. Pela imposição de mãos, através da oração da fé com unção com óleo ou através dos dons de curar.

 

4. Que diz Ec 9.2?

R. “Tudo sucede igualmente a todos: o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro...”.

 

5. Por que as doenças são reais e não apenas sintomas?

R. Porque o crente ora impondo as mãos ou faz a “oração da fé” (Tg 5.14,15), a qual levantará o doente de verdade, e não o falso enfermo.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Bibliológico

 

“Ao curar, Jesus realmente sentia o fardo dos doentes. Assim, preencheu a lei da verdadeira ajuda: o colocar-se sob o fardo de quem se quer ajudar (Gl 6.2). Saiu dEle poder quando uma mulher tocou nas suas vestes, procurando cura (Mc 5.30); suspirou quando orou por um surdo e mudo (Mc 7.34); emocionou-se junto ao túmulo de Lázaro (Jo 11.35,38).

Cristo veio destruir as obras do diabo, fossem elas na forma de doenças espirituais ou físicas; e, no Calvário, cumpriram-se as palavras: ‘Ele tomou sobre si as nossas enfermidades’, bem como: ‘Ele foi ferido pelas nossas transgressões’. E, mesmo antes do Calvário, Ele simpaticamente identificava-se com os doentes da alma e do corpo.

O poder para a cura física reside na expiação, no sentido em que flui da vida divina daquEle que morreu e ressuscitou. Devemos, no entanto, conservar em mente a relação entre cura divina e leis da saúde. 0 Senhor nunca mudou. Continua respondendo às orações para a cura dos enfermos. A cura do corpo é vontade de Deus para o seu povo, e deve ser pregada, praticada e desfrutada. Mesmo assim, as leis da saúde também são mandamentos divinos. Desafiar tais leis não é fé, e, sim, presunção.” (Coleção Myer Pearlman - Mateus, CPAD, pág.51)

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

2º Trimestre de 2000

 

Título: Os ensinos de Jesus para o homem atual

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

 

Lição 8: Jesus e o testemunho cristão

Data: 21 de Maio de 2000

 

TEXTO ÁUREO

 

Vós sois o sal da terra; e, se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta, senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens” (Mt 5.13).

 

VERDADE PRÁTICA

 

O crente como sal da terra e luz do mundo tem o dever de demonstrar, em todo o lugar, para todos, que tem uma nova vida, um novo proceder, como salvo em Cristo Jesus.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Mc 9.50

Ter sal em si mesmo

 

 

 

Terça - Fp 2.15

Irrepreensíveis e sinceros

 

 

 

Quarta - Pv 4.18

A vereda dos justos brilha

 

 

 

Quinta - Mc 4.22

Tudo será descoberto

 

 

 

Sexta - 1 Pe 2.12

Um viver honesto

 

 

 

Sábado - 1 Pe 2.15

Deus quer que façamos o bem

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Mateus 5.13-16.20.

 

13 - Vós sois o sal da terra; e, se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta, senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens.

14 - Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte;

15 - nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas, no velador, e dá luz a todos que estão na casa.

16 - Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus.

20 - Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus.

 

PONTO DE CONTATO

 

Comece a aula com oração. Peça a Deus que ajude a todos a cumprir o compromisso de serem crentes leais e testemunhas autênticas da glória e do poder do Senhor Jesus Cristo.

Como sal da terra devemos ficar atentos para que o nosso sal não perca o sabor, pois se os súditos do Reino perderem o sabor de cristãos, para nada mais presta senão para serem pisados pelos incrédulos.

A luz tem a função única de espantar as trevas e brilhar no meio delas. Os crentes estão colocados em evidência no seio da sociedade, e mesmo no seio da humanidade, à semelhança da vela colocada no velador e num lugar alto, de modo que eles não podem fugir ao dever de brilhar. Por isso Jesus exorta: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus”.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Explicar o sentido figurado de “sal da terra” e “luz do mundo”.
  • Reconhecer que, como crente, tem o dever de “salgar” para preservar sua família, seus amigos e todos os que estejam sob sua influência.
  • Destacar a importância do testemunho do crente através das boas obras.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Jesus nos apresenta duas características inerentes à natureza dos súditos do Reino de Deus, que devem ser externadas pela prática das virtudes da vida cristã — o sal e a luz.

Uma das maiores utilidades do sal é preservar certos alimentos da putrefação. Do mesmo modo, os crentes em Cristo têm de preservar a sociedade humana da putrefação moral e espiritual. Ser “sal da terra” é ter qualidade preservativas e temperantes à sociedade; é ter sabor agradável de uma vida santa e pura; é viver o evangelho de Cristo, no meio de uma geração corrompida, expondo-se mesmo ao sacrifício. Ser sal da terra é crucificar a carne com suas paixões.

Na segunda figura — a luz — Jesus ensina que aos crentes cabe o dever de proclamar ao mundo as verdades santas do evangelho, pois a única esperança da sociedade é a vinda do Reino de Deus ao coração humano. A vida do crente deve revelar o que ele é no íntimo — exatamente como a luz revela o que está nas trevas.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Pergunte aos seus alunos se já ouviram falar em sal-gema? A natureza do sal-gema, do sal verdadeiro, é permanente, e seu valor vai até ao fim. Mas, podem surgir pedras de sal falsas que apenas têm uma pequena camada externa que possa saborear. Não é pedra cem por cento de sal, e o resultado: exposta à umidade, dilui-se aquela fina camada e aparece a pedra dura, sem sabor algum.

Faça uma breve exposição da proposição acima e logo após, peça a seus alunos que comparem o sal-gema com a falsa pedra de sal e façam uma aplicação, atribuindo a essa figura o sentido prático da experiência cristã.

Exemplo:

Os verdadeiros crentes são sal-gema, porém, os falsos, apesar da boa aparência, verifica-se que lhes falta a fé genuína; são indiferentes às coisas espirituais e ausentes da comunhão com Deus. O mundanismo, a deslealdade, a insinceridade fazem diluir a delgada camada de sal no seu caráter e tornam-se insípidos, e, finalmente, intragáveis.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

O crente em Jesus tem grande responsabilidade, diante de Deus e dos homens, para que, com seu testemunho, glorifique o nome do Senhor.

 

I. “VÓS SOIS O SAL DA TERRA”

 

1. Propriedades do sal. Na Química, o sal é chamado Cloreto de Sódio. Esta substância tem propriedades importantes. Por isso, Jesus a usou para tipificar o papel daqueles que são seus discípulos.

a) O sal preserva. Desde tempos imemoriais, o sal tem sido utilizado pelos povos como substância conservante, que preserva as características dos alimentos. O cristão, como o sal espiritual, tem a capacidade de preservar o ambiente sob sua influência. Este mundo ainda existe porque, apesar de sua degeneração, a Igreja, formada pelos crentes, está preservando o que resta de saúde moral e espiritual no mundo. Quando a Igreja for tirada da terra, a podridão tomará conta dos povos sem Deus, levando-os à decomposição final, que os levará ao Inferno. O crente tem o dever de “salgar” para preservar sua família, seus amigos, crentes ou não e todos os que estejam de uma forma ou de outra sob sua influência. Através das missões, da evangelização local e regional, a Igreja espalha o sal sobre o mundo, para que ele não apodreça de vez.

b) O sal dá sabor. Uma comida sem sal nunca é vista como saborosa. Normalmente, é indicada para pessoas que estão com problemas de saúde, para quem é contraindicado o uso do sal. A Bíblia registra a importância do sal, como elemento que dá sabor: “Ou comer-se-á sem sal o que é insípido? Ou haverá gosto na clara do ovo?” (Jó 6.6). Da mesma forma, o crente em Jesus tem a propriedade de dar sabor espiritual ao ambiente em que vive, à vida dos que lhe cercam. Há pessoas que se sentem felizes em conviver com crentes fiéis, sentindo o efeito benéfico do contato com eles. E isso glorifica o nome do Senhor. É necessário ter sal na vida, ou seja, um viver cheio de alegria, de poder, entusiasmo, cheio do Espírito Santo. Jesus reconhecia o valor do sal, quando afirmou: “Bom é o sal, mas, se o sal se tornar insulso, com que o adubareis? Tende sal em vós mesmos e paz, uns com os outros” (Mc 9.50). Em seu ensino, Ele disse que, “se o sal for insípido, com que se há de salgar. Para nada mais presta, senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens” (v.13). Isso quer dizer que, se o crente deixar de dar seu testemunho, sua vida perde o sentido, torna-se inútil, e passa a ser “pisado” pelos pecadores.

2. Sal na medida. Uma das características do sal é sua “humildade”. Ele preserva e dá sabor, sem aparecer. Assim é o crente fiel. Ele é humilde. Não faz questão de aparecer. Quando o sal “aparece”, pelo excesso, ninguém suporta. O crente como sal prega mais com a vida do que com palavras. João Batista foi um exemplo. Falando sobre Jesus, disse: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30). O crente, quando tem sal demais, torna-se insuportável. Isso acontece, quando se torna fanático. Em lugar de passar para os outros o sabor da vida cristã, acaba afugentando as pessoas, com excesso de santidade. São pessoas legalistas, que vêm pecado em tudo. Por outro lado, há os que não têm mais sal em suas vidas. São os liberalistas, que se acomodam com o mundanismo, e dizem que nada é pecado. São extremos. É preciso ter equilíbrio no testemunho. Paulo disse: “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um” (Cl 4.6). O fruto do Espírito inclui a temperança (Gl 5.22).

 

II. “VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO”

 

Fazendo uso de metáforas, Jesus afirmou que os seus discípulos são “a luz do mundo”. Figura extraordinária essa! Diferentemente do sal, que não é visto em ação, a luz só tem valor quando é percebida, quando aparece.

1. O testemunho elevado. Comparando seus seguidores como luz do mundo, Jesus disse que “não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte”. De fato, as cidades sobre os montes, quando chega a noite, refletem as luzes de suas casas e ruas. Como luz, o crente está edificado sobre Cristo, em posição muito elevada. Ele “nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” (Ef 2.6). O salmista reconhecia essa posição elevada, quando disse: “Leva-me para a rocha que é mais alta do que eu” (Sl 61.2).

2. Crentes no velador. Jesus disse que não se “acende uma candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos os que estão na casa” (v.15). Velador é um suporte de madeira, sobre o qual se coloca um candeeiro ou uma vela, em lugar elevado, na casa, de forma que a luz que ali estiver, ilumine a todos que estiverem a seu redor. “Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus” (Jo 3.21). Infelizmente, há pessoas nas igrejas, que se colocam debaixo do alqueire do comodismo, da indiferença, da falta de fé e de ação, e apagam-se, por lhes faltar o oxigênio da presença de Deus.

3. O testemunho que resplandece (v.16). “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens...”. O crente em Jesus não tem luz própria. Ele não é estrela, com luz própria. Ele pode ser comparado a um planeta, que é um astro iluminado por uma estrela, em torno do qual ele gravita. Na verdade, nós somos iluminados por Jesus. Ele, sim, é a “estrela da alva” (2 Pe 1.19), a “resplandecente Estrela da manhã” (Ap 22.16). NEle, e em torno dEle, nós vivemos, e recebemos a sua luz. Com nosso testemunho, precisamos esparzir a “luz do evangelho da glória de Cristo” (2 Co 4.4).

4. “Para que vejam as vossas boas obras”. O crente, como luz, dá seu testemunho, através das boas obras de salvo, “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). Muitos têm ganho almas para Jesus, na evangelização, parque praticam um testemunho eloquente, em todos os lugares. Sabemos de servos e servas de Deus, que, no seu lar, ganharam toda a família, por causa de suas atitudes cristãs; outros, que no trabalho, ganharam seus colegas, por causa do comportamento cristão. Com isso, eles glorificam a Deus, que está nos céus. Paulo, exortando os crentes acerca do testemunho, disse que fizessem tudo “para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo” (Fp 2.15). Em Provérbios, lemos: “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4.18).

 

CONCLUSÃO

 

O testemunho cristão, segundo os ensinos de Jesus, deve ser de tal modo elevado, que os homens possam ver as boas obras do crente, e glorifiquem a Deus por causa delas.

 

VOCABULÁRIO

 

Alqueire: Uma vasilha de medida de alqueire, que servia para medir cereais, feita de barro, com a capacidade de 8 litros e meio.
Candeia: Pequeno aparelho de iluminação, que se suspende por um prego, com recipiente de folha de flandres, barro ou outro material, abastecido com óleo, no qual se embebe uma torcida, e de uso em casas pobres.
Decomposição: Ato ou efeito de decompor-se; redução a elementos simples; alteração profunda; análise; desorganização.
Eloquente: Que tem eloquência; expressivo, significativo, persuasivo, convincente.
Esparzir: Espalhar ou derramar (um líquido); irradiar, difundir.
Gravitar: Andar à volta de um astro, atraído por ele; seguir (uma coisa ou pessoa) o destino de outra, em situação secundária.
Insípido: Que não tem sabor; desagradável; tedioso; monótono.
Insulso: Que não tem sal; insosso; que não tem sabor; insípido.
Metáfora: Tropo que consiste na transferência de uma palavra para um âmbito semântico que não é o do objeto que ela designa, e que se fundamenta numa relação de semelhança subentendida entre o sentido próprio e o figurado. Exemplo: por metáfora, chama-se raposa a uma pessoa astuta, ou se designa a juventude primavera da vida.
Velador: Suporte vertical de madeira, que assenta em uma base ou pé e termina, no alto, por um disco onde se põe um candeeiro ou uma vela.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Por que Jesus usou o sal como figura para as qualidades dos seus discípulos?

R. Porque o sal preserva e conserva.

 

2. Que significa o “crente no velador”?

R. É o crente dando o seu testemunho em casa, no trabalho, na igreja e em todo o lugar.

 

3. Como o crente dá seu testemunho como luz?

R. Praticando as boas obras de salvo.

 

4. Qual a responsabilidade do cristão como sal espiritual?

R. Preserva o ambiente sob sua influência.

 

5. Qual é a atitude dos homens diante das boas obras do crente segundo o ensino de Jesus?

R. Glorifiquem a Deus por causa delas.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Doutrinário

 

“No mundo, os crentes são forasteiros e peregrinos (Hb 11.13; 1 Pe 2.11). (a) Não devem pertencer ao mundo (Jo 15.19), não se conformar com o mundo, não amar o mundo (2.15), vencer o mundo (5.4), odiar a iniquidade do mundo, morrer para o mundo (Gl 6.14) e ser libertos do mundo (Cl 1.13; Gl 1.4). (b) Amar o mundo corrompe nossa comunhão com Deus e leva à destruição espiritual. É impossível amar o mundo e ao Pai ao mesmo tempo (Mt 6.24; Lc 16.13; Tg 4.4). Amar o mundo significa estar em estreita comunhão com ele e dedicar-se aos seus valores, interesses, caminhos e prazeres. Significa ter prazer e satisfação naquilo que ofende a Deus e que se opõe a Ele. Note, é claro, que os termos ‘mundo’ e ‘terra’ não são sinônimos; Deus não proíbe o amor à terra criada, i.e., à natureza, às montanhas, às florestas, etc. (...)

O crente não deve ter comunhão espiritual com aqueles que vivem o sistema iníquo do mundo (Mt 9.11; 2 Co 6.14), deve reprovar abertamente o pecado deles (Jo 7.7; Ef 5.11), deve ser sal e luz do mundo para eles (Mt 5.13,14), deve amá-los (Jo 3.16), e deve procurar ganhá-los para Cristo (Mc 16.15; Jd 22,23)” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, págs. 1957,1958).

 

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

2º Trimestre de 2000

 

Título: Os ensinos de Jesus para o homem atual

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

 

Lição 9: Jesus e as mulheres

Data: 28 de Maio de 2000

 

TEXTO ÁUREO

 

E, entrando o anjo onde ela estava, disse: Salve, agraciada; o Senhor é comigo; bendita és tu entre as mulheres” (Lc 1.28).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Jesus em seu ministério valorizou as mulheres, admitindo-as como cooperadoras em sua missão terrena.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Mt 15.28

Mulher de fé

 

 

 

Terça - Jo 4.9

Quebrando preconceitos

 

 

 

Quarta - 1 Co 11.7

A glória do homem

 

 

 

Quinta - Gl 4.4

Nascido de mulher

 

 

 

Sexta - Jo 20.13

Consolando a mulher

 

 

 

Sábado - 1 Pe 3.7

Dando honra à mulher

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Lucas 1.30,31; Lucas 8.1-3; Marcos 16.1,2,9.

 

Lucas 1

30 - Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus,

31 - E eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho, e por-lhe-ás o nome de Jesus.

 

Lucas 8

1 - E aconteceu, depois disso, que andava de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do Reino de Deus; e os doze iam com ele,

2 - e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios;

3 - e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com suas fazendas.

 

Marcos 16

1 - E passado o sábado, Maria Madalena, Salomé e Maria, mãe de Tiago, compraram aromas para irem ungi-lo.

2 - E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nascer do sol,

9 - E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios.

 

PONTO DE CONTATO

 

Faça a seguinte pergunta a seus alunos: De que forma as mulheres eram tratadas na sociedade judaica? E qual foi a atitude de Jesus para com elas durante o seu ministério?

Israel era uma sociedade definitivamente patriarcal. Em geral, os homens eram os chefes da família e do governo. Embora aos olhos de Deus as mulheres fossem de importância igual à dos homens, estes não as viam assim. Haviam algumas leis que impunham sérias restrições à mulher. No primeiro século, havia uma célebre oração que os judeus recitavam, na qual agradeciam a Deus por não terem nascido mulher. Porém, com o advento do Messias essas barreiras foram quebradas. Jesus reservou para as mulheres um grande privilégio: elas foram as primeiras a gozar da enorme alegria de ver as evidências da sua ressurreição.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Reconhecer que uma das grandes conquistas do Cristianismo foi resgatar a mulher e elevá-la à sua verdadeira condição diante de Deus.
  • Identificar que as mulheres prestaram relevantes serviços ao ministério de Jesus e Paulo, e receberam destes o reconhecimento.
  • Conscientizar-se do direito de as mulheres serem usadas pelo Senhor e prestarem sua efetiva contribuição, como indivíduos, na Obra de Deus.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Uma das grandes conquistas do Cristianismo foi o resgate da mulher como pessoa e sua elevação à verdadeira condição diante de Deus. Jesus introduziu uma nova postura em relação às mulheres. Para os judeus ortodoxos, a mulher não podia ter participação ativa no culto. Nas sinagogas deviam sentar-se ao fundo. Em vez de participar dos atos religiosos, elas tinham que se manter a certa distância dos homens. Elas não podiam ler, nem ter nenhum outro tipo de atuação. No templo havia uma área denominada “pátio das mulheres”. Entretanto, no Santo dos Santos, elas nunca poderiam entrar. Mas Jesus simplesmente ignorou tudo o que era contrário à mulher, e deu início a uma era de total participação feminina.

Na sua igreja, quais as áreas de trabalho que atualmente têm a participação feminina e em quais outras poderiam elas contribuir?

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Peça a seus alunos que relacionem numa folha de papel as atitudes de Jesus em seu relacionamento com as mulheres. Exemplo: a) Aceitou mulheres em seu grupo de discípulos; b) Ensinou verdades espirituais às mulheres (Jo 4 e 11); c) Entrou em suas casas (Lc 10.38); d) Conversava com mulheres em público (Jo 4.27); e) Permitia que as mulheres tocassem nele (Lc 7.38); f) Permitia que as prostitutas se aproximassem dEle (Lc 3.3; Mt 21.32).

Outra atividade:

Inicie, no quadro de giz, uma lista contendo episódios neotestamentários nos quais as mulheres aparecem com notoriedade e distinção. Depois, peça a seus alunos que continuem a lista.

Utilize os exemplos abaixo:

1. Última pessoa ao pé da cruz (Mc 15.47).

2. Primeira pessoa no túmulo (Jo 20.1).

3. Primeira pessoa a proclamar a ressurreição (Mt 28.8).

4. Primeira pessoa a pregar aos judeus (Lc 2.37,38).

5. Presente na primeira reunião de oração (At 1.14).

6. Primeira pessoa a saudar missionários cristãos na Europa (Mt 16.13).

7. Primeira pessoa convertida na Europa (At 6.14).

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Do primeiro ao último livro da Bíblia, vemos a presença da mulher, direta ou indiretamente, como parte importante do plano de Deus para a humanidade. No princípio, criada à imagem de Deus (Gn 1.27), a mulher foi protagonista inicial da Queda. Recebeu, no entanto, a promessa de que, de sua semente, nasceria o Salvador. E Jesus, desde o seu nascimento, até à sua morte, teve participação feminina no cumprimento de sua missão.

 

I. A MULHER NA NATIVIDADE

 

1. Uma mensagem do céu (Lc 1.28,30,31). Nazaré, na Galileia, era uma cidade sem grande importância política ou econômica. Certamente, nunca recebia a visita de pessoas de destaque. Entretanto, num dia especial, uma de suas filhas, a jovem Maria, recebeu nada menos que a visita de um mensageiro, enviado diretamente do céu, para lhe anunciar a maior notícia que o mundo jamais ouvira: O anjo Gabriel lhe saudou, dizendo: “Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres... Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus... eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus”. Era o início do cumprimento da promessa que Deus fizera à mulher, em Gn 3.15.

2. O milagre da encarnação. Pela ação sobrenatural do Espírito Santo, Maria concebeu Jesus (Lc 1.34,35). Cumpria-se a profecia de Is 7.14, que previra sua concepção virginal. No ventre de Maria, Deus se fez presente entre os homens (Mt 1.23), redimindo a mulher da tremenda mancha que lhe atingiu, no Éden, quando se tornou culpada, ao lado do homem, pela entrada do pecado no mundo (Rm 5.12).

3. Nascido de mulher. A promessa feita a Eva, no Paraíso, teve seu cumprimento pleno, quando Maria “deu à luz seu filho primogênito, a quem pôs-lhe o nome de JESUS” (Mt 1.15). Jesus não nasceu antes nem depois da hora, “mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4.4).

 

II. MULHERES NO MINISTÉRIO DE JESUS

 

1. Jesus valorizou a mulher. Entre os judeus, de modo geral, as mulheres eram vistas como inferiores aos homens. O historiador Josefo relata que as mulheres podiam dar graças, desde que houvesse um homem presente, e que cem mulheres não valeriam mais do que dois homens. A mulher não podia ler as Escrituras na sinagoga, mas um escravo, homem, podia. Certos rabinos desconfiavam até que a mulher tivesse alma. No entanto, Jesus valorizou a mulher em seu ministério. Dialogava com elas, em diversas ocasiões (Mt 15.21-28; Jo 4); Enquanto o Talmude dizia que era preferível destruir a Torá (Lei) do que transmiti-la às mulheres, Jesus lhes ministrava o ensino (Lc 10.38-42). Certo rabino escreveu a Deus: “Eu te agradeço porque não nasci escravo, nem gentio, nem mulher”. Enquanto isso, Jesus ouvia as mulheres, curava suas enfermidades (Lc 13.11), e usava-as como exemplo em suas parábolas (cf. Lc 15.8-10; 18.1-8). Sem dúvida, ao nascer de uma mulher, Jesus dignificou a maternidade (Lc 1.28; Gl 4.4).

2. Jesus valorizou o trabalho da mulher. Ele as admitiu como suas cooperadoras em seu ministério, até a sua morte (Mt 27.55b; Mc 15.41). Quando andava pelas cidades e aldeias, pregando o evangelho, além de seus discípulos, Jesus tinha a inestimável cooperação de mulheres, de diversas classes sociais, incluindo Joana, esposa de um procurador do rei Herodes, além de Maria Madalena, a quem libertou, Suzana e outras, cujos nomes a Bíblia omite (Lc 8.1-3).

 

III. MULHERES NA MORTE E RESSURREIÇÃO DE JESUS

 

1. Diligência e coragem. Enquanto os homens, como discípulos, estavam “com medo dos judeus” (Jo 20.19,26), as mulheres estavam observando o triste espetáculo da crucificação. Diz Marcos: “E também ali estavam algumas mulheres, olhando de longe, entre as quais também Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José, e Salomé” (Mc 15.40), as quais serviam a Deus. Depois, diligentemente, foram ver o local, no qual Jesus fora sepultado por Jose de Arimatéia (Lc 23.50,55,56). Passado o Sábado, “Maria Madalena, Salomé e Maria, mãe de Tiago, compraram aromas para irem ungi-lo. E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nascer do sol” (Mc 16.1,2). De certo, aí, vemos o cuidado e o desvelo feminino, por parte daquelas mulheres, que foram beneficiadas por Jesus, o seu Salvador. Ao vê-lo sepultado, quiseram demonstrar o carinho por Ele, levando aromas para ungir seu corpo.

2. Espanto e privilégio. Quando se aproximaram do sepulcro, estavam preocupadas com a pedra que fora posta à sua entrada (Mc 16.3). No entanto, não havia mais razão para tal, pois a pedra já estava removida por um anjo por que Deus ressuscitara Jesus, (Mt 28.2; At 2.32; 3.15; 4.10). A experiência vivida pelas mulheres, ali, no Horto do Sepulcro, talvez não tenha sido observada por outra pessoa. À direita do túmulo, estava um anjo, que a Bíblia chama de “jovem”, “vestido de roupa comprida e branca, e ficaram espantadas”. Elas foram as primeiras e únicas pessoas a ouvirem a palavra tranquilizadora do anjo, dizendo: “Não vos assusteis; buscais a Jesus, o Nazareno, que foi crucificado; já ressuscitou”.

3. Testemunhas especiais. Parece-nos significativo o fato de Jesus, após sua ressurreição, ter aparecido, “primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios” (Mc 16.9). Ele não apareceu a Pedro, a Tiago ou a qualquer dos seus discípulos, não obstante ter compartilhado mais o seu ministério com eles. Após ouvirem a mensagem do anjo, Maria Madalena correu a anunciar o auspicioso fato aos discípulos, que estavam entristecidos e chorando. Lamentavelmente, quando aqueles ouviram a notícia da ressurreição, da boca de uma mulher, não o creram (Mc 16.11). Será que eles teriam perdido a fé? Ou será que descreram porque as boas novas foram transmitidas por uma mulher? O fato é que as primeiras testemunhas do grande milagre da ressurreição de Jesus foram as mulheres que o serviram em seu ministério.

 

CONCLUSÃO

 

Os judeus, acostumados numa sociedade oriental e patriarcal em que o homem tinha todos os privilégios, enquanto a mulher era considerada como cidadã de segunda classe, Jesus demonstrou interesse e atenção às mulheres, não só curando-as, libertando-as, mas admitindo-as como cooperadoras em seu profícuo ministério. Certamente, isso chocou a muitos, sendo, inclusive, considerado um desrespeitador das leis do país em que vivia. Que o Senhor nos ajude a entender os ensinos sábios do Mestre da Galileia.

 

VOCABULÁRIO

 

Auspicioso: De bom augúrio; prometedor.
Agraciada: Que recebeu graça, mercê; condecorado, galardoado.
Protagonista: A personagem de uma peça teatral, de um filme, de um romance, etc; pessoa que desempenha ou ocupa o primeiro lugar num acontecimento.
Hemorragia: Derramamento de sangue para fora dos vasos que devem contê-lo.
Crônica: Que dura há muito; persistente; entranhado, inveterado; diz-se das doenças de longa duração, por oposição às de manifestação aguda.
Diligência: Cuidado ativo; zelo, aplicação.
Desvelo: Grande cuidado; carinho; vigilância, dedicação.
Talmude: Doutrina e jurisprudência da lei mosaica com explicações dos textos jurídicos do Pentateuco e a Michna, i. e., a jurisprudência elaborada pelos comentadores entre o III e o VI século.
Profícuo: Útil, proveitoso, vantajoso, proficiente.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Quem trouxe a mensagem da encarnação de Jesus a Maria?

R. O anjo Gabriel.

 

2. A quem Jesus apareceu primeiro, após a ressurreição?

R. A Maria Madalena.

 

3. Cite o nome de três mulheres que cooperavam com Jesus, de acordo com esta lição.

R. Joana, Maria Madalena e Suzana.

 

4. Dentre as mulheres que assistiam à crucificação de Jesus, quais são as citadas por Marcos?

R. Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José, e Salomé.

 

5. Com a concepção virginal de Jesus, qual profecia do Antigo Testamento se cumpriu?

R. Is 7.14.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Bibliológico

 

“Uma leitura mais atenta dos versículos que registram a atuação da mulher nos tempos do Novo Testamento revela o destaque que elas tiveram no trabalho de expansão da Igreja. Destacamos a seguir o comentário da Bíblia de Estudo Pentecostal(CPAD) a respeito de duas referências bíblicas - Lc 8.3 e Rm 16.1:

Lc 8.3. Essas mulheres, que tinham recebido cura e atendimento especial da parte de Jesus, honravam-no, contribuindo fielmente para o seu sustento e dos seus discípulos. O serviço e a devoção delas continuam sendo um exemplo para toda mulher que nEle crê. As palavras de Jesus em Mt 25.34-40 aplicam-se a nós na proporção em que lhe servimos.

Rm 16.1. Provavelmente, foi Febe a portadora desta epístola. Ela era uma servidora (ou, que fazia o trabalho de diaconisa) na igreja em Cencréia, próximo a Corinto. A construção linguística do versículo em apreço, no original, indica que ela desempenhava a função de diácono, talvez porque no momento havia falta, ali, de elementos masculinos para o diaconato. Febe ministrava aos pobres, aos enfermos e aos necessitados, além de prestar assistência a missionários tais como Paulo. As saudações de Paulo a nada menos de oito mulheres neste capítulo, indicam que as mulheres prestavam serviços relevantes às igrejas”.

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

2º Trimestre de 2000

 

Título: Os ensinos de Jesus para o homem atual

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

 

Lição 10: Jesus e as crianças

Data: 4 de Junho de 2000

 

TEXTO ÁUREO

 

Jesus, porém, vendo isso, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir os pequeninos a mim e não os impeçais, porque dos tais é o Reino de Deus” (Mc 10.14).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Jesus demonstrou seu interesse pela salvação das crianças, ordenando que as mesmas tivessem a liberdade de chegar junto dele para serem abençoadas.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Gn 33.5

Filhos dados por Deus

 

 

 

Terça - Gn 50.20,21

Deus sustenta as crianças

 

 

 

Quarta - Sl 34.11

Convite de Deus às crianças

 

 

 

Quinta - Mt 2.16

Meninos exterminados

 

 

 

Sexta - Mt 21.16

O perfeito louvor dos meninos

 

 

 

Sábado - 1 Pe 2.2

Meninos espirituais

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Lucas 2.21,22,46; Mateus 18.1-5,10.

 

Lucas 2

21 - E, quando os oito dias foram cumpridos para circuncidar o menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fora posto antes de ser concebido.

22 - E, cumprindo-se os dias da purificação, segundo a lei de Moisés, o levaram a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor.

46 - E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os.

 

Mateus 18

1 - Naquela mesma hora, chegaram os discípulos ao pé de Jesus, dizendo: Quem é o maior no Reino dos céus?

2 - E Jesus, chamando uma criança, a pôs no meio deles

3 - e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus.

4 - Portanto, aquele que se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no Reino dos céus.

5 - E qualquer que receber em meu nome uma criança tal como esta a mim me recebe.

10 - Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre veem a face de meu Pai que está nos céus.

 

PONTO DE CONTATO

 

Além da atitude bondosa de Jesus para com as crianças, o que queria ensinar o Mestre baseado na comparação que fez entre os verdadeiros súditos do Reino dos céus e os pequeninos?

As crianças antes de serem atingidas pelo orgulho, pela maldade e pela ambição pessoal mundana, são dotadas de um espírito humilde e de uma fé simples. Apesar de serem fracas e indefesas, as crianças simbolizam com propriedade o povo simples que usualmente recebe a mensagem do evangelho sem oferecer resistência, no que contrasta com os de nobre nascimento, instruídos e sábios aos próprios olhos, que geralmente buscam justificativas para não levar a sério as declarações e advertências do Senhor. Sejamos humildes para que tenhamos acesso ao Reino dos céus!

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Destacar os ensinamentos e as atitudes de Jesus que demonstram seu interesse na salvação das crianças.
  • Conceituar “humildade” sob o ponto de vista bíblico.
  • Mencionar os vários aspectos da infância de Jesus que comprovam a sua humanidade.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Quem é o maior no Reino dos céus? Os de espírito orgulhoso? Os ambiciosos? Não, mas aqueles cujo espírito é semelhante ao de uma criança; aqueles que têm fé simples e inabalável e se apresentam a Cristo sem medo e ostentação.

A criança é símbolo dos humildes e dos crentes em contraste com os orgulhosos, violentos e arrogantes. É necessário que o indivíduo seja como uma criança, se tiver de ganhar o reino, mas também deve tratar os outros bondosa e compassivamente se tiver de ser grande, conforme Jesus fez às crianças.

Aquele que age com misericórdia está realmente favorecendo a Jesus, ou seja, servindo ao próprio Jesus, tão íntima é sua identificação com os homens.

Uma criança não tem ideia do que é grande e, assim, no Reino dos céus o maior é aquele que tem menor consciência de que é grande.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Como podemos verificar através dos Evangelhos, Cristo se interessa profundamente pela salvação das crianças e pelo seu crescimento espiritual. Os pais cristãos devem levar seus filhos a Cristo, porque Ele anseia recebê-los, amá-los e abençoá-los. O interesse de Jesus pelas crianças como pessoas e objeto do amor de Deus, foi transmitido para a Igreja Primitiva, fazendo uma diferença permanente na atitude dos cristãos. É simplesmente impressionante a ternura de Jesus em relação às crianças.

Considerando as afirmações acima, escreva no quadro de giz as seguintes referências: Mt 19.13-15; 25.31-46; Mc 10.13-16; Lc 18.15-17. Depois divida a turma em quatro grupos. Cada grupo deverá fazer uma descrição do texto a ele reservado enfocando o modo como o Senhor Jesus tratou as crianças.

Organize a atividade desse modo:

Divida o espaço do quadro de giz em quatro partes e escreva uma referência em cada parte. Cada grupo deverá usar o espaço que lhe for reservado. É importante que haja a participação de toda a classe.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Tendo sido criança, Jesus vivenciou a infância em seus diversos momentos, crescendo ao lado de seus pais, e recebendo a instrução devida na lei do Senhor. Já em seu ministério, Ele apresentou preciosas lições, tomando as crianças como exemplo a ser seguido pelos seus discípulos. Nesta lição, abordaremos alguns aspectos importantes dos ensinamentos de Jesus sobre as crianças.

 

I. JESUS VIVENCIOU A INFÂNCIA

 

1. Foi circuncidado ao oitavo dia. Cumprindo a Lei (Lv 12.3), os pais de Jesus o levaram ao Templo para ser circuncidado ao oitavo dia, após o seu nascimento (Lc 2.21). Após aquela cerimônia, Maria teve de ficar trinta e três dias em casa, até que se cumprisse o período de sua purificação (vide Lv 12.4). Quanto a esse período higiênico, vemos o cuidado de Deus, também, com a mãe, pois, ficando em casa em repouso, seu corpo melhor se recuperaria do desgaste natural, sofrido com o parto.

2. Foi apresentado ao Senhor. Trinta e três dias após a circuncisão de Jesus, ele foi levado pelos pais ao Templo, para ser apresentado ao Senhor (Lc 2.22). Normalmente, os pais teriam que oferecer, naquela cerimônia, um cordeiro e um pombinho ou uma rola para expiação do pecado (Lv 12.6,7). Sendo pobres, apresentaram apenas “um par de rolas e dois pombinhos” (Lc 2.24; Lv 12.8). Assim como os pais de Jesus fizeram, levando-o nos primeiros dias ao Templo, hoje, é importante que os pais levem seus filhos para os apresentarem na Casa do Senhor.

3. Aprendeu as Escrituras em casa. Sem que seus pais soubessem, o menino achou-se no meio dos doutores, “ouvindo-os e interrogando-os, e todos os que o ouviam admiravam a sua inteligência e respostas” (Lc 2.46,47). Certamente, Jesus aprendeu com seus pais as Escrituras Sagradas. Ele podia citar versículos de cor (Mt 4.4-7,10; 5.21,27,33,38 e outros). Sem dúvida, José e Maria procuraram obedecer o que foi ordenado, segundo Dt 11.18-21. É indispensável, hoje, que os pais crentes tenham o cuidado de fazer o culto doméstico, reunindo os filhos para louvar a Deus, ler as Escrituras juntos, e orarem uns pelos outros.

4. Acompanhava seus pais ao templo. Era costume dos pais levarem os filhos ao Templo (Lc 2.41,42). Nos dias em que vivemos, em que a família está ameaçada de destruição, é necessário que os pais, desde cedo, ensinem aos filhos o valor da Casa do Senhor, do templo mesmo, para a adoração coletiva. Há muitos que estão permitindo que seus filhos fiquem em casa, ensinados pela “babá eletrônica”, diante da qual, normalmente, não aprendem nada que os edifique.

5. Deu trabalho a seus pais. Jesus foi uma criança normal, que deu prazer e alegria, mas também deu preocupação a seus pais. Por ocasião do retorno, após a Festa da Páscoa, Jesus ficou em Jerusalém, e “não o souberam seus pais” (Lc 2.43). Isso é coisa de criança. Ele aproveitou para dar “uma entradinha” no Templo, e “colocar os doutores no bolso”. Os pais pensavam que Ele estivesse “entre os parentes e conhecidos”, após um dia de caminhada (Lc 2.44). Quando o procuraram, durante um dia, e não o encontraram, voltaram a Jerusalém, “passados três dias” de busca (Lc 2.46). E foram e o encontram, muito tranquilo, “assentado no meio dos doutores”. Ao vê-lo, ali, sua mãe lhe disse: “Filho, porque fizeste assim para conosco? Eis que teu pai e eu, ansiosos, te procurávamos” (Lc 2.48). É prova de sua humanidade.

 

II. JESUS FICOU AO LADO DAS CRIANÇAS

 

1. Jesus repreendeu os discípulos por causa das crianças. Os pais levavam as crianças a Jesus para que as tocasse (Mc 10.13-16; Lc 18.15-17), lhes impusesse as mãos (Mt 19.13-15) e os discípulos não gostavam, talvez por causa do barulho que elas faziam. Nas três referências, Jesus fica ao lado das crianças e acrescenta: “Quem não receber o Reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele (Mc 10.15).

2. Jesus repreendeu os sacerdotes por causa das crianças. Quando diversas crianças clamavam “Hosana ao filho de Davi”, os principais dos sacerdotes e os escribas ficaram indignados por causa das maravilhas que Jesus operava, e pelo fato de ouvirem o barulho do louvor das crianças. E perguntaram a Jesus se Ele não ouvia o cântico das crianças. O Mestre, então, respondeu: “Sim; nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor?” (Mt 21.15,16). Esse ensino é significativo, pois, hoje, há pessoas que não se sentem à vontade com as crianças, no templo, por causa do barulho que fazem. Mas é exatamente delas que sai o perfeito louvor.

 

III. JESUS VALORIZOU AS CRIANÇAS

 

1. Destacou as crianças (Mt 18.1,2). Em Cafarnaum, Jesus foi indagado pelos discípulos sobre quem seria “o maior no Reino dos Céus”. Sem rodeios, Jesus preferiu dar uma lição prática, com uma ilustração convincente. Chamou uma criança e “a pôs no meio deles”. Notemos que Jesus colocou o menino “no meio”, no centro das atenções. É uma grande lição para nós. Devemos dar melhor atenção às crianças. Elas são almas limpas que Deus colocou em nossas mãos, para que sejam salvas desde cedo, antes que o Maligno as atraia para o mundo. Infelizmente, há obreiros que não gostam de crianças. Há igrejas onde não há lugar para as crianças.

2. Jesus valorizou os meninos. Após colocar o menino “no meio”, Jesus respondeu aos discípulos, mostrando que, se alguém quer entrar no reino dos céus, tem que se fazer como menino, destacando os seguintes aspectos:

a) Conversão (v.3). “Se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus”. Uma criança, quando devidamente conduzida ao Senhor, ela segue a Cristo. Ela crê em Deus com simplicidade, de todo o coração.

b) Humildade (v.4). “Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus”. A criança, em geral, é humilde. Muitas vezes, quando se mostra orgulhosa, é por ver o mau exemplo dos pais ou de parentes, a quem imita. Jesus ensinou que “os humilhados serão exaltados” (Mt 23.12).

3. O relacionamento com os meninos (v.5). “E qualquer que receber em meu nome um menino tal como este, a mim me recebe”. Que lição tremenda! Que bom seria que, nas igrejas, fosse observado esse ensino de Jesus! Que os líderes tratassem melhor as crianças, cuidando do ensino apropriado para as crianças; tudo isso, em nome de Jesus.

4. Não escandalizar os meninos (v.6). “Mas qualquer que escandalizar um destes pequeninos, que creem em mim, melhor lhe fora que se lha pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar”. É um ensino duro, sem dúvida. Mas demonstra quanto o Senhor Jesus valorizou os meninos. Os pais são sacerdotes no lar. Precisam cuidar para que seus filhos não se escandalizem, não sofram influência da imoralidade que campeia por toda a parte, principalmente nos meios de comunicação. Os pais devem edificar seus filhos com a Palavra de Deus.

5. Não desprezar os meninos (v.10). “Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêm a face de meu Pai que está nos céus”. Com esse ensino, Jesus fez saber que é pecado desprezar ou subestimar as crianças. A expressão “seus anjos” tem levado alguns a concluir que cada criança tem seu anjo da guarda. Aliás, era crença antiga entre os judeus. Contudo, não podemos ensinar isso como doutrina. Se assim fosse, quando uma criança se acidentasse, poder-se-ia dizer que o anjo tinha-se descuidado. O que podemos ensinar, e que “o anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra” (Sl 34.7).

 

CONCLUSÃO

 

As Escrituras registram episódios notáveis, em que o Mestre aproveitou a presença de crianças, para dar ensinos de grande significado espiritual e moral para os que o ouviam. Entre os sacerdotes legalistas e as crianças, que cantavam no templo, Jesus ficou ao lado dos pequeninos. Quando os discípulos quiseram ver-se livres da presença dos meninos, Jesus os repreendeu, colocando as crianças nos seus braços para as abençoar.

 

VOCABULÁRIO

 

Campeia: Prevalecer; dominar; imperar.
Circuncidar: Praticar a circuncisão, rito de iniciação, que consiste em cortar o prepúcio.
Conceber: Formar no espírito ou no coração; compreender, entender.
Convincente: Que convence; convencedor.
Episódio: Ação incidente, ligada à ação principal (em obra literária ou artística); incidente, acessório; fato notável relacionado com outros.
Escriba: Doutor da lei, entre os judeus; aquele que tinha por profissão copiar manuscritos, muitas vezes mediante ditado; copista.
Hosana: Do hebr. hoshi ‘anna, ‘salva, rogo-te’; saudação, aclamação, louvor; salve.
Mó de azenha: Moinho de roda, movido a água; atafona.
Subestimar: Não dar a devida estima, apreço, valor, a; não ter em grande conta; desdenhar.
Submergir: Fazer sumir totalmente na água; afundar; fazer desaparecer, fazer sumir; ocultar, encobrir.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Que determinação da Lei os pais de Jesus cumpriram, ao oitavo dia de nascido?

R. A circuncisão.

 

2. O que os pais de Jesus ofereceram pela purificação de Maria?

R. Um par de rolas e dois pombinhos.

 

3. Quantos dias os pais de Jesus o procuraram, após o perderem de vista?

R. Três dias.

 

4. Onde Jesus colocou um menino, quando foi interrogado pelos discípulos sobre quem seria o maior no Reino dos Céus?

R. No meio deles.

 

5. Quem Jesus disse que seria o maior no Reino dos Céus?

R. Aquele que se tornar como menino.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Doutrinário

 

A capacidade espiritual das crianças. Não raro, subestimamos a capacidade das crianças. Voltemos a Spurgeon: ‘Diria que, de modo geral, tenho mais confiança na vida espiritual das crianças, que já recebi na igreja, que na condição espiritual dos adultos. Digo mais: usualmente descubro um conhecimento mais claro do evangelho, e um amor mais profundo por Cristo, nas crianças convertidas do que nos convertidos adultos. Ficarão ainda mais surpresos se disser que tenho me deparado com crianças de dez ou doze anos com uma experiência espiritual mais profunda do que certas pessoas de cinquenta ou sessenta anos’.

As crianças parecem possuir melhor capacidade para a fé do que os adultos. Suas mentes ainda não se anuviaram com a sabedoria mundana e o ceticismo.

O espírito infantil. ‘Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, de maneira nenhuma entrará nele’. O Senhor não quis dizer que os adultos devem se tornar infantis no entendimento; e, sim, que a sua atitude para com Deus tem de ser caracterizada pela docilidade, simplicidade e confiança. Em suma: deveriam agir para com Deus, assim como as crianças agem para com os seus pais” (Comentário Bíblico — Marcos, CPAD, pp.92,93).

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

2º Trimestre de 2000

 

Título: Os ensinos de Jesus para o homem atual

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

 

Lição 11: Jesus e a felicidade

Data: 11 de Junho de 2000

 

TEXTO ÁUREO

 

Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus” (Mt 5.8).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A felicidade ensinada por Jesus envolve conceitos e valores sublimes, que só podem ser apreendidos por aqueles que são iluminados pelo Espírito Santo.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Sl 2.12

Bem-aventurados os que confiam em Deus

 

 

 

Terça - Sl 84.4

Bem-aventurados os que habitam na casa do Senhor

 

 

 

Quarta - Sl 106.3

Bem-aventurados os que observam o direito

 

 

 

Quinta - Sl 119.1

Bem-aventurados os que trilham caminhos retos

 

 

 

Sexta - Pv 8.32

Bem-aventurados os que guardam os caminhos do Senhor

 

 

 

Sábado - Is 30.18

Bem-aventurados os que esperam em Deus

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Mateus 5.3-11.

 

3 - Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus;

4 - bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;

5 - bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;

6 - bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;

7 - bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;

8 - bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;

9 - bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;

10 - bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus;

11 - bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa.

 

PONTO DE CONTATO

 

Pergunte a seus alunos o que sabem a respeito da felicidade. Costuma-se dizer que ela é um estado de espírito ou que simplesmente está baseada na plena satisfação física e material. O que nos ensina a Bíblia a respeito? Como podemos defini-la?

As bem-aventuranças constituem-se nas promessas dos benefícios inerentes ao Reino do céus, pois os que a ele pertencem saberão o que significa ser consolado, herdar a terra, ser satisfeito, obter misericórdia, ver a Deus e ser chamado filho de Deus. As bem-aventuranças ilustram de imediato que a nova ordenança de Jesus consiste em mais do que a simples observância de determinado número de preceitos. Jesus alude no famoso Sermão da Montanha às atitudes da mente e do coração, e não apenas aos atos que podem ser vistos pelos homens. Seus verdadeiros discípulos são homens e mulheres dotados de humildade, amor, confiança, fidelidade e coragem.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Definir e conceituar a expressão “bem-aventurança”.
  • Reconhecer que a verdadeira felicidade está baseada na plena comunhão com Deus através de Jesus Cristo.
  • Relacionar e distinguir as nove bem-aventuranças ensinadas por Jesus no Sermão da Montanha.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

As bem-aventuranças, como são geralmente chamadas, são descrições que devem ser encontradas na vida dos que se submetem ao domínio soberano de Deus. Elas se constituem também em uma declaração das bênçãos que já experimentaram em parte e que irão gozar mais plenamente na vida futura todos os que revelem tais virtudes.

As bem-aventuranças mostram como seremos abençoados se fizermos delas a regra de nossas vidas. Elas mostram que, para Jesus, a retidão é mais do que a síntese de seus mandamentos; é uma total atitude de mente, uma forma particular de caráter. Aqueles que são louvados pelo evangelho são homens e mulheres humildes, amorosos, confiantes, fiéis e corajosos. Ainda não são perfeitos, mas são convertidos. Seus interesses e desejos se voltam na direção do Reino de Deus.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Utilizando a técnica denominada “Tempestade Cerebral”, solicite à classe que conceitue o termo “felicidade”.

A técnica consiste no seguinte: O professor faz uma pergunta ou proposição, e um aluno de cada vez responde imediatamente com suas próprias palavras, sem ter o tempo necessário para estruturar, ou ordenar logicamente a resposta. Esta técnica constitui-se num modo de estimular a geração de novas ideias a respeito de determinado tema e intenciona captar as ideias em estado nascente.

Após algum tempo de exercício, vá ao quadro e, com os alunos, construa o conceito mais adequado, de acordo com o texto bíblico em estudo.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

No mundo, as pessoas têm um conceito materialista de felicidade. Na mente da maioria, ser feliz é ter bastante dinheiro, um bom casamento, um emprego seguro, uma família ajustada. Sem dúvida, tudo isso é desejável e pode ser visto como elementos que contribuem para um estado de espírito feliz. Porém, a verdadeira felicidade começa, quando a pessoa se sente em comunhão com Deus, através de Jesus Cristo, e passa a desfrutar a “paz de Deus, que excede todo o entendimento” e guarda os corações e “os sentimentos em Cristo Jesus” (Fp 4.7). No Sermão da Montanha, Jesus explanou sua visão, mostrando quem são as pessoas felizes, através das nove bem-aventuranças.

 

I. CONCEITOS IMPORTANTES

 

1. Origem da expressão. Bem-aventurança significa “grande felicidade, a glória, a felicidade perfeita”. A palavra vem do grego makarismós, com o sentido de “felicidade”.

2. Bem-aventurado. Vem do grego, makários, identificando um indivíduo feliz, bem-aventurado, “livre de sofrimentos e preocupações”. Para os judeus, uma pessoa bem-aventurada deveria ser próspera materialmente. Para o cristão, o conceito de bem-aventurança extrapola a ideia dos gregos e dos judeus. O crente em Jesus pode ser feliz, alegre ou triste, sorrindo ou chorando, desde que suas lutas sejam decorrentes da fidelidade ao Senhor, e como pertencente ao Reino de Deus.

 

II. OS POBRES, OS QUE CHORAM E OS MANSOS

 

1. Os pobres de espírito (v.3). São bem-aventurados os humildes de espírito, que se sentem sempre dependentes de Deus. A eles pertence o Reino dos céus. Não se deve confundir com alguém que seja fraco de espírito. No Sermão da Montanha, quer dizer uma pessoa que, espiritualmente, é totalmente dependente de Deus, para a solução de seus problemas. O pobre de espírito não é um alienado, que abdica de sua personalidade, nem precisa viver como um monge. Tem o mesmo sentido do que disse Davi: “Clamou este pobre e o Senhor o ouviu...” (Sl 34.6). Essas pessoas são espiritualmente riquíssimas!

2. Os que choram (v.4). Em contraste com a visão do homem do mundo, que gasta milhões para rir, buscando a felicidade, Jesus afirma que são muito felizes os que choram. São os que choram por causas dos pecados e se arrependem; são os que choram, sentindo pelos outros; esse choro traz alegria, paz e conforto; eles serão consolados (Ap 7.17).

3. Os mansos (v.5). Neste mundo, a ideia dominante é a de que uma pessoa mansa é fraca, por não agredir, não revidar as ofensas. Na visão de Cristo, é diferente. O manso é uma pessoa forte. É capaz de suportar com equilíbrio as afrontas, as calúnias, as injúrias. Um fraco não suporta. É uma pessoa muito feliz. Aos mansos é prometido que herdarão a terra, sem precisar invadir propriedades alheias.

 

III. OS FAMINTOS E SEDENTOS DE JUSTIÇA, OS MISERICORDIOSOS E OS LIMPOS DE CORAÇÃO

 

1. Os famintos e sedentos de justiça (v.6). Certo irmão pensava que esse versículo se referia a pessoas que têm fome e sede de vingança. Mas não é isso que Jesus ensinou. Quanto à vingança, a Bíblia diz que pertence a Deus (Rm 12.19). O que Ele ensinou é que são felizes os que desejam a justiça de Deus; sua retidão. Primeiro, para suas vidas (Rm 5.1). Depois, que os outros sejam abençoados pela graça e pela justiça de Deus em suas vidas. A promessa é de que serão fartos.

2. Os misericordiosos (v.7). No sentido popular, misericórdia significa “compaixão suscitada pela miséria alheia”. No Novo Testamento, o sentido tem a ver com alguém capaz de se colocar no lugar do outro, sentindo sua dor, seu sofrimento. Os misericordiosos têm a promessa de que alcançarão misericórdia. É preciso ter cuidado, pois o juízo será severo contra quem não usa de misericórdia (Tg 2.13).

3. Os limpos de coração (v.8). São muito felizes os que têm o coração limpo e puro, ante o “Raio-X” de Deus, que é a sua Palavra. Na Palavra de Deus, limpo de coração é aquele “que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente” (Sl 24.4). Esses têm a promessa de que verão a Deus.

 

IV. OS PACIFICADORES, OS PERSEGUIDOS E OS INJURIADOS

 

1. Os pacificadores (v.9). Estes são os que promovem a paz. No grego paz é eirene e em hebraico, shalom. Na Bíblia, a paz de Deus não significa apenas ausência de guerra, de problemas, mas se refere a um estado de bem-estar pleno. A bem-aventurança dos pacificadores contraria o espírito agressivo que domina o mundo presente. Em muitas igrejas, há pessoas em guerra contra outras. Em muitos lares, há um campo de batalha. Por quê? Simplesmente porque não dão lugar ao fruto do Espírito Santo, que lhes dá paz (Gl 5.22). O pacificador é alguém que, antes de tudo, tem paz em si mesmo. E é capaz de dar de comer e de beber ao inimigo (Rm 12.20). Esses serão chamados filhos de Deus.

2. Os perseguidos (v.10). Como pode ser muito feliz uma pessoa perseguida? Esta pergunta pode ser feita pela lógica do homem natural. Notemos que a bem-aventurança é para os perseguidos “por causa da justiça”. Hoje, fica difícil entender esse conceito ensinado por Jesus. Os cristãos primitivos o entenderam muito bem. Foram crucificados, entregues às feras, queimados vivos, amarrados aos postes, untados com óleo, para servirem de “lâmpadas” no palácio de Nero. Os crentes, no início da evangelização do Brasil, foram perseguidos por causa da justiça de Deus. Ainda hoje, há quem sofra perseguição por causa do evangelho. A esses o Senhor promete que “deles é o reino dos céus”. É preciso seguir o ensino de Jesus sobre o que o mundo pode fazer conosco (Jo 15.18-20; ver 1 Pe 2.18-25).

3. Os injuriados (v.11). Os injuriados, no texto, são os perseguidos por algum tipo de agressão verbal, acusados injustamente pelo fato de serem servos do Reino de Deus. Contra eles, dizem todo o mal por causa de Jesus. Nos primórdios do evangelho pentecostal, crentes eram acusados por padres de serem “comedores de crianças”, filhos do Diabo, etc. Hoje, há quem sofra injúria e perseguição por ser crente em repartições, em empresas, e, infelizmente, até algumas igrejas, por não compartilharem das injustiças que o mundo perpetra contra a Igreja do Senhor. Mas aos que permanecerem fiéis ao Rei Jesus, é prometido que o seu galardão é grande nos céus.

 

CONCLUSÃO

 

As bem-aventuranças, proclamadas por Jesus, se constituem uma das mais belas páginas das Escrituras Sagradas. Nelas, vemos um elevadíssimo padrão ético-espiritual, o qual, em conjunto com os demais ensinos do Sermão da Montanha, ainda não foi alcançado por muitos que se dizem cristãos. É fácil buscar felicidade no hedonismo ou no liberalismo. Difícil é ser feliz por ser humilde, por chorar, ser manso, sedento de justiça, misericordioso, limpo de coração, pacificador, perseguido e injuriado. Mas para cada um desses, há promessas gloriosas, que só os vencedores por Cristo alcançarão.

 

VOCABULÁRIO

 

Abdicar: Desistir de; renunciar, resignar.
Alienado: Louco, doido, desvairado.
Exceder: Ultrapassar em valor, peso, extensão, tamanho.
Extrapolar: Ir além de; ultrapassar, exceder.
Hedonismo: Doutrina que considera que o prazer individual e imediato é o único bem possível, princípio e fim da vida moral.
Liberalismo: O conjunto de ideias e doutrinas que visam a assegurar a liberdade individual no campo da política, da moral, da religião, etc, dentro da sociedade.
Perpetrar: Cometer, praticar
Suscitar: Provocar, promover, causar.

 

EXERCÍCIOS

 

1. De acordo com a lição, quem são os “pobres de espírito ”?

R. São os humildes de espírito, que se sentem carentes de Deus.

 

2. Qual a promessa para os mansos?

R. Eles herdarão a terra.

 

3. Na lição, o que significa ser misericordioso?

R. Alguém que é capaz de se colocar no lugar do outro, sentindo sua dor, seu sofrimento.

 

4. Quais as palavras, respectivamente, no grego e no hebraico, que significam paz?

R. No grego, eirene e, no hebraico, shalom.

 

5. Qual a promessa para os que são perseguidos por causa da justiça?

R. O Reino dos céus.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Doutrinário

 

“A primeira palavra da boca do Mestre, no Novo Testamento, é ‘bem-aventurados’ em contraste com as últimas palavras do Velho Testamento que Ele ferirá a terra com maldição. ‘Bem-aventurados’ quer dizer ‘felizes’ ou ‘alegres’, indicando o transcedente alvo do reino dos céus; o de chamar os homens para uma vida verdadeiramente feliz. Não é uma vida de alegria superficial mas de gozo profundo e que perdura. (...)

Cristo ensinava, nas bem-aventuranças, que a felicidade não depende do que possuamos, nem do que façamos, mas do que somos. Tal felicidade não é importada de fora mas nasce na alma de todos os verdadeiros filhos de Deus.

Todas as bem-aventuranças de Cristo são paradoxos; todas são contrárias à opinião comum. O conceito dos homens é que são felizes os ricos, os honrados no mundo; os que passam sua vida aqui alegres; os que comem gulodices e vestem-se bem. Mas o Senhor veio corrigir esse erro fundamental; veio para chamar os homens à felicidade que é permanente e verdadeira.” (Espada Cortante, vol. 1, CPAD, p.398)

 

Subsídio Bibliológico

 

“A expressão ‘bem-aventurado’ oferece a chave para a verdadeira felicidade oferecida pelo Mestre. A palavra, no original grego, significa a bênção divina em contraste com a felicidade humana. Esta bem-aventurança descreve o estado de vidas em retidão: aqueles humildes, mansos, misericordiosos, puros de coração e pacíficos. Jesus ensina não depender a felicidade por Ele oferecida do que temos ou fazemos, mas do que somos: e não pode ser importada, mas precisa nascer na alma.

O mundo tem seu próprio conceito de bem-aventurança, onde feliz é o homem forte, rico, popular e satisfeito consigo mesmo.

Quando Jesus anunciou seu segredo, aquelas palavras soaram de forma estranha a muitas pessoas, pois descreviam um modo de viver que lhes parecia impraticável. Por que a desconfiança? Conta-se o caso de uma criança (e outros casos semelhantes tem havido) capturada por lobos e que viveu entre eles dos dois aos 11 anos de idade. A criança andava de quatro; as juntas dos joelhos eram grandes e duras por andar assim. Só queria comer carne crua e, quando voltou à dieta normal, ficou doente e morreu. Vivera tanto tempo no habitat dos lobos, que aquela lhe parecia a maneira natural de viver.

O mundo conviveu tanto tempo com princípios egoístas, que os ensinos de Jesus só poderiam parecer-lhe estranhos, anormal o seu modo de vida. Mas, na realidade, excêntricos (literalmente, ‘fora do centro’) são os que adotam princípios mundanos em suas vidas.” (Coleção Myer Pearlman — Mateus, CPAD, pp.30,31)

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

2º Trimestre de 2000

 

Título: Os ensinos de Jesus para o homem atual

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

 

Lição 12: Jesus e a Igreja

Data: 18 de Junho de 2000

 

TEXTO ÁUREO

 

Pois também eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo é a única instituição, na terra, que está predestinada por Deus ao sucesso total.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - At 2.47

A Igreja reúne os salvos

 

 

 

Terça - At 8.1

A Igreja sofre perseguição

 

 

 

Quarta - At 11.22

A igreja local

 

 

 

Quinta - At 12.5

A igreja em oração

 

 

 

Sexta - At 14.23

A liderança da igreja local

 

 

 

Sábado - Rm 16.5

A Igreja no lar

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Mateus 16.18-19; 18.15-20.

 

Mateus 16

18 - Pois também eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

19 - E eu te darei as chaves do Reino dos céus, e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.

 

Mateus 18

15 - Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão.

16 - Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que, pela boca de duas ou três testemunhas, toda palavra seja confirmada.

17 - E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano.

18 - Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.

19 - Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus.

20 - Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.

 

PONTO DE CONTATO

 

Qual é a identidade da verdadeira Igreja apresentada por Jesus? Quais suas principais características? Quem é seu fundador? A verdadeira Igreja do Senhor não conhece outro legislador além de Cristo e descobre que seu gozo mais elevado na terra consiste em saber sua vontade e fazê-la. Sua maior glória no futuro será tornar-se semelhante a seu Senhor (1 Jo 3.1-3). Vestida da justiça de Cristo, cheia de seu amor, revestida de seu Espírito e cumprindo sua vontade, a Igreja eleva os seus olhos ao céu, esperando a volta daquEle a quem ama (1 Ts 1.9,10).

Foi com referência a esta solene assembleia que Jesus disse: “Edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Definir a palavra “igreja”.
  • Refutar a teoria romanista que afirma ser Pedro o fundamento da Igreja.
  • Demonstrar que a Igreja está edificada unicamente sobre Cristo, a Rocha inabalável.
  • Reconhecer que a “multiforme sabedoria” de Deus é revelada ao mundo através da Igreja.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

A Igreja de Cristo tem três significados nas Escrituras: instituição, organização e comunhão espiritual.

A Igreja de Cristo como instituição explica a sua natureza. A Igreja como organização é a convocação visível num local, de crentes regenerados, salvos, pela graça de Deus, mediante a fé em Cristo crucificado e ressurreto, na comunhão do Espírito Santo e batizados num só corpo. A Igreja como uma comunhão espiritual, chamada Igreja em glória ou Igreja dos primogênitos, não é uma organização, mas um corpo místico, uma comunhão no Espírito. É a Igreja gloriosa, sem mácula e sem ruga; é a Igreja que existe através dos séculos, na terra e no céu, onde não existe barreira de raças e nações, e que se congregará ao redor do Trono de Deus.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Várias interpretações se têm dado ao vocábulo “pedra” registrado no versículo 18 do cap. 16 de Mateus.

Os romanistas, por exemplo, costumam afirmar que a pedra é o próprio Pedro, sobre o qual é edificada a Igreja de Cristo. O Novo Testamento se opõe a esse gravíssimo erro. Pedro é apenas uma das pedras do fundamento. Jesus é a Rocha e Pedra de esquina do Cristianismo.

Para enriquecer e tornar ainda mais claro o comentário do tópico II da lição sobre esse assunto, escreva no quadro de giz os pontos abaixo e comente-os com a classe.

1) Pedro é a pedra representativa, porque outros apóstolos também o são.

2) Os apóstolos e profetas são fundamentos (1 Co 3.10; Ef 2.19; Ap 21.14).

3) Todos os cristãos são “pedras vivas” (1 Pe 2.4-8)

4) Pedro apenas é um líder proeminente entre os apóstolos (Mt 18.1; Lc 22.24).

5) Pedro foi mandado, enviado por outros apóstolos, e obedeceu (At 8.14; 11.1-8).

6) Pedro não é vigário de Cristo na terra (1 Pe 5.1-4).

7) O Espírito Santo é o Vigário de Cristo na terra (Jo 14.16,17,26).

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Nesta lição, estudaremos alguns aspectos importantes em relação à Igreja. Esta instituição, fundada por nosso Senhor Jesus Cristo, é única em todo o mundo, em sua missão, atribuições e ação, em prol da salvação da humanidade. Como “coluna e firmeza da verdade” (1 Tm 3.15), a Igreja congrega a reserva moral e espiritual, inabalável, sobre a terra, a servir de padrão para todos os que nela se firmarem. Que Deus nos ensine a compreender e valorizar mais a Igreja do Senhor.

 

I. CONCEITUAÇÃO DE IGREJA

 

1. Origem da palavra. A palavra igreja vem do grego, ekklesia, significando, literalmente, “os chamados para fora”. Na Grécia antiga, identificava uma “assembleia”, em que um arauto convocava as pessoas para uma reunião, que podia ser realizada ao ar-livre, numa praça, com finalidade religiosa, política ou de outra ordem. Na realidade, tomos tirados “para fora” do mundo e Ele “nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” (Ef 2.6).

2. Conceituação bíblica. No Novo Testamento, encontramos expressões que denotam o significado e missão espiritual da Igreja.

a) “Multiforme sabedoria de Deus” (Ef 3.10). Neste aspecto, a igreja revela ao mundo a sabedoria de Deus, em suas muitas e variadas formas de manifestação. A criação do mundo, do homem, e do universo, bem como suas relações com as coisas criadas são expressões da sabedoria divina (ver Sl 19.1-4; Rm 1.19,20).

b) “Coluna e firmeza da verdade” (1 Tm 3.15). É a única e exclusiva instituição, em todo o mundo, em todos os tempos, que tem credenciais para ser sustentáculo da verdade. As “verdades” dos homens mudam a cada dia. A verdade apresentada pela Igreja é imutável, pois é encarnada no próprio Cristo (vide Jo 14.6).

 

II. O FUNDAMENTO DA IGREJA

 

1. Não é Pedro (Mt 16.15-18). O texto bíblico revela o diálogo entre Jesus e os discípulos, quando estes disseram que certas pessoas o consideravam como João Batista ressurreto, ou Elias, ou Jeremias ou outro dos antigos profetas (ver Mt 14.1,2; Lc 9.7,8; Mc 6.14,15). Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (v.15). “E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (v.16). Diante dessa resposta, Jesus disse: “Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai, que está nos céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (vv.17,18).

2. A pedra é Cristo. Na resposta de Jesus (v.18), podemos ver que Ele próprio é a pedra sobre a qual a Igreja está assentada. Quando Ele disse: “Tu és Pedro”, usou a palavra petros que quer dizer “pedrinha” ou “fragmento de pedra”, que pode ser removida. De fato, Pedro demonstrou certa fragilidade, em sua personalidade. Numa ocasião, deixou-se usar pelo inimigo (Mc 8.33); num momento crucial, negou Jesus três vezes (Mt 26.69-75). Por isso, quando Jesus disse: “sobre esta pedra edificarei a minha igreja”, Ele utilizou a palavra petra, que tem o significado de rocha inamovível, e não petros que é “fragmento”.

3. A edificação da Igreja. Em Mt 16.18, vemos a promessa da edificação da Igreja sobre o próprio Cristo. Ele é a Rocha. Somente Ele satisfaz essa condição, conforme lemos em 1 Co 3.11; 10.14; Rm 9.33; Mt 21.42; Mc 12.20; Lc 20.17. Sem dúvida, Pedro foi um dos líderes da Igreja primitiva, ao lado de Tiago e de João (At 12.17; 15.13; Gl 2.9). Contudo, não há base bíblica para afirmar que a Igreja teria Pedro como a rocha sobre a qual ela seria edificada. Jesus é o fundamento da Igreja (1 Co 3.11). Se alguém tem dúvida, basta ouvir o que o próprio Pedro disse em 1 Pe 2.4,5; At 4.8,11.

4. As chaves dadas a Pedro. Em sua resposta a Pedro, Jesus disse: “E eu te darei as chaves do Reino dos céus...” (Mt 16.19a.). As “chaves dos céus” são melhor entendidas como o poder e a autoridade para transmitir a mensagem do evangelho. No Dia de Pentecostes, Pedro foi usado por Deus para abrir as portas do Cristianismo aos judeus (At 2.38-42) e aos gentios, na casa de Cornélio (At 10.34-36). Portanto, Pedro não é o porteiro do céu, como pensam os romanistas.

 

III. PRERROGATIVAS DA IGREJA

 

1. O poder de ligar e desligar. “...e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16.19). Trata-se de autoridade dada por Cristo à Igreja, representada ali por Pedro, usado por Deus, e estendida a todos os apóstolos (Mt 18.18; Jo 20.23), no sentido de receber a aceitação de pecadores ao Reino dos céus, ou de desligá-los, mediante a autoridade concedida por Jesus. Esse poder não é absoluto. Só pode ser utilizado de modo legítimo, nos limites estabelecidos pela Palavra de Deus.

2. A autoridade para reconciliar. Jesus mostrou que há quatro passos importantes, para a reconciliação entre irmãos: a) o ofendido deve procurar o irmão: “vai e repreende-o entre ti e ele só” (Mt 18.15a); neste passo, há uma bifurcação; “se te ouvir, ganhaste a teu irmão” (Mt 18.15b); “mas, se não te ouvir”, vem o segundo passo; b) “leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas testemunhas toda a palavra seja confirmada” (Mt 16.16); c) “e se não as escutar, dize-o à igreja” (v.17a); d) “e, se também não escutar à igreja, considera-o como um gentio e publicano” (v.17b). Aqui, temos algumas observações. Primeiro, Jesus não mandou o irmão ofendido pedir perdão ao ofensor, como ensina alguém, de modo ingênuo. Segundo, vemos, nesse texto, a autoridade da Igreja para respaldar a reconciliação e para excluir aquele que não quer reconciliar-se.

3. Autoridade da concordância (Mt 18.19,20).

a) “Se dois de vós concordarem na terra”. Esta expressão mostra-nos o valor da união entre os crentes, bem como o valor da oração coletiva, a começar por um grupo de duas pessoas, que resolvem orar a Deus, em nome de Jesus (Jo 14.13), num só pensamento, num só propósito santo. Esse ensino previne contra o egoísmo na adoração. Deus é “Pai nosso”, de todos, e não apenas de cada indivíduo. A oração individual é valiosa (Mt 6.6), mas não exclui a oração coletiva.

b) “Acerca de qualquer coisa que pedirem”. A expressão “qualquer coisa” tem levado muitos a uma interpretação forçada do texto, crendo que o crente pode pedir o que deseja a Deus, tendo este obrigação de atendê-lo. Ocorre que Jesus ensinou algumas condições para o crente ser ouvido. Não é só dois crentes se unirem e pedirem, por exemplo, a morte de um desafeto; ou para ganharem rios de dinheiro; ou para fazerem o casamento de alguém com outrem. É necessário que as pessoas estejam em Cristo, e que sua Palavra esteja nas pessoas (Jo 15.7). É importante lembrar que Deus nos atende se pedirmos algo de acordo com sua vontade (1 Jo 5.14).

c) “Isto será feito por meu Pai que está nos céus”. Conforme dissemos no item anterior, Deus atende o crente que lhe pede algo em nome de Jesus (Jo 14.13), e se tal pedido for da sua vontade (1 Jo 5.14).

d) “Dois ou três” (v.20). Jesus nos garante que podemos ter sua presença, não só nas grandes reuniões, mas em qualquer lugar em que dois ou três crentes estejam em comunhão com Deus e com eles mesmos. Dessa forma, a dimensão da igreja local (At 20.28; 1 Co 1.2) ou universal (Hb 12.23) não depende de grandes números, mas de união e reunião em nome de Jesus.

 

CONCLUSÃO

 

A Igreja de Jesus Cristo, seja no sentido local ou universal, representa os interesses do Reino de Deus, na face da Terra. Sem ela, certamente a humanidade não teria como encontrar o caminho, a verdade e a vida, indispensáveis à salvação dos homens. No sentido espiritual, a Igreja é a noiva do Cordeiro, “igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5.27). Que nos sintamos felizes e honrados de pertencer à Igreja do Senhor Jesus.

 

VOCABULÁRIO

 

Arauto: Emissário, mensageiro; pregoeiro; núncio.
Bifurcação: Ponto em que alguma coisa se divide em dois ramos, ao modo de uma forquilha.
Crucial: Difícil, árduo, duro; terminante, categórico, decisivo.
Denotar: Significar, exprimir, simbolizar.
Imutável: Não sujeito a mudança.
Inamovível: Que não pode ser removido.
Prerrogativa: Concessão ou vantagem com que se distingue uma pessoa ou uma corporação; privilégio, regalia.
Prevalecer: Ter mais valor; levar vantagem; preponderar, predominar.
Respaldar: Dar respaldo ou cobertura a; apoiar, amparar.
Sustentáculo: Aquilo que sustenta ou sustém; base, suporte, amparo, apoio, sustentação.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Qual a origem da palavra “igreja”?

R. Vem do grego, ekklesia, significando “os chamados para fora”.

 

2. Nesta lição, quais os dois conceitos bíblicos de Igreja?

R. A “multiforme sabedoria de Deus” (Ef 3.10) e “coluna e firmeza da verdade” (1 Tm 3.15).

 

3. Em Mt 16.18, quais as palavras gregas usadas por Jesus, em relação a Pedro e a Ele próprio?

R. Com relação a Pedro, Jesus usou a palavra petros, que quer dizer “pedrinha” ou “fragmento de pedra” e, com relação a Ele, usou a palavra petra, que significa rocha inamovível.

 

4. Como se entende que Jesus entregou a Pedro as “chaves dos céus”?

R. As “chaves dos céus” são melhor entendidas como o poder e a autoridade para transmitir a mensagem do evangelho.

 

5. De acordo com a lição, o que nos mostra a expressão “se dois de vós concordarem na terra”?

R. O valor da união entre os crentes, bem como o valor da oração coletiva.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“Pedro, a Pedra e a Igreja. O significado desta passagem é que Cristo edificará a sua Igreja sobre a verdade da confissão feita por Pedro e os demais discípulos, i.e., que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo (v.16 At 3.13-26). Jesus emprega um trocadilho. Ele chama seu discípulo de ‘Pedro’ (gr. Petros, que significa uma pedra pequena). A seguir, Ele diz: ‘Sobre esta pedra (gr. Petra, que significa uma grande rocha maciça ou rochedo) edificarei a minha igreja’, i.e., sobre a confissão feita por Pedro.

(1) É Jesus Cristo que é a pedra, i.e., o único e grande alicerce da Igreja (1 Co 3.11). Pedro declara que Jesus é a ‘pedra viva... eleita e preciosa... a pedra que os edificadores reprovaram’ (1 Pe 2.4,6,7; At 4.11). Pedro e os demais discípulos são ‘pedras vivas’, como parte da estrutura da casa espiritual (a Igreja) que Deus está edificando (1 Pe 2.5).

(2) Em lugar nenhum as Escrituras declaram que Pedro seria a autoridade suprema e infalível sobre todos os demais discípulos (cf. At 15; Gl 2.11). Nem está dito, também, na Bíblia que Pedro teria sucessores infalíveis, representantes de Cristo e cabeças da Igreja. Tais ideias são injunções do homem e não a verdade das Escrituras” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p.1421).

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

2º Trimestre de 2000

 

Título: Os ensinos de Jesus para o homem atual

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

 

Lição 13: Jesus e os sinais da sua vinda

Data: 25 de Junho de 2000

 

TEXTO ÁUREO

 

Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do Homem” (Mt 24.27).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A vinda de Jesus deve motivar-nos a ter aqui e agora uma vida santa, justa e irrepreensível.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Mt 24.42

Não se sabe a hora da vinda de Jesus

 

 

 

Terça - Mt 24.37

Como foi nos dias de Noé

 

 

 

Quarta - Mt 24.46

Esperando com prudência

 

 

 

Quinta - Mt 24.21

Aflição como nunca vista

 

 

 

Sexta - Mt 24.11

Surgirão falsos profetas

 

 

 

Sábado - Mt 24.14

A pregação em todo o mundo

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Mateus 24.4-8,12,14.

 

4 - E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane,

5 - porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos.

6 - E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim.

7 - Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares.

8 - Mas todas essas coisas são o princípio das dores.

12 - E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará.

14 - E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim.

 

PONTO DE CONTATO

 

O que nos reserva o futuro? Para onde estamos indo? Quando chegaremos ao fim dessa jornada? Espera-nos a paz ou a guerra, a prosperidade ou a adversidade? Tais são as perguntas que ressoam em nossa mente. Os homens não sabem para que lado deverão voltar-se. As nações estão perplexas. Um egoísmo coletivo parece ter-se apossado da raça humana inteira. Um espírito de ambição e concupiscência domina os corações dos homens. Milhares de pessoas ansiosas e perplexas indagam com insistência: “O que acontecerá em seguida?”.

Só a Palavra de Deus tem a resposta. Deus conhece o fim desde o princípio. O Senhor escreveu a história com antecedência, e chamou isso de profecia.

Convém que atentemos aos sinais do fim e nos preparemos: “Perto está o Senhor” (Fp 4.5).

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Estabelecer distinção entre os sinais preditos por Cristo.
  • Descrever e classificar os sinais de acordo com as suas características.
  • Reconhecer a necessidade de estar preparado para o arrebatamento da Igreja.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Qualquer criatura sensata, isenta de preconceitos, não poderá negar que hoje estamos vivendo uma realidade que evidencia os sinais vaticinados por Cristo para os últimos dias.

A fome hoje é tema universal. As doenças também. Há guerras e rumores de guerra. A terra treme em várias partes do mundo. O evangelho está sendo difundido como nunca antes. O conhecimento humano aumenta assustadoramente. As riquezas são amontoadas no meio da mais extrema pobreza. Os tempos são realmente difíceis. Surgem profetas falsos e falsos cristos por toda parte. Israel já se estabeleceu na Palestina e está preparando aquela terra árida em solo fértil, à espera do seu Rei. O ecumenismo e outros movimentos estão preparando o terreno para dizerem: “paz e segurança”, e logo sobrevirá repentina destruição. Tudo indica que o Senhor Jesus não tarda em vir. Os sinais se cumprem a toda hora.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Em toda a Bíblia, não há exposição mais clara sobre o tempo do fim do que o vigésimo quarto capítulo do Evangelho de Mateus. Trata-se da história contada pelo próprio Cristo acerca dos dias futuros. Não estamos nas trevas da ignorância sobre isso. O futuro foi desvendado, e sabemos algo do que acontecerá. Jesus nos alertou através de vários sinais.

Para tornar a aula mais dinâmica solicite a participação da turma.

Trace uma linha divisória no quadro de giz. Escreva do lado esquerdo as referências bíblicas sobre os sinais descritos por Cristo e peça a seus alunos que escrevam ao lado de cada referência o sinal correspondente.

 

 

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Jesus, em seu sermão profético, deixou registrado os principais eventos futuros que se descortinarão sobre a humanidade. Ele enfatizou a necessidade da vigilância dos salvos, à espera do arrebatamento da Igreja, à vinda de Jesus para os seus, ao dizer: “Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis” (Mt 24.44).

 

I. SINAIS DA VINDA DE JESUS NA ESFERA RELIGIOSA

 

1. Os falsos cristos e falsos profetas (vv.4,5,11). Jesus alertou para o surgimento de pessoas, em seu nome, “dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos” (v.5). É a velha tática do Diabo, enganando a humanidade (2 Jo 1.7; 2 Co 11.14). Os falsos profetas estão por aí, e já previram a volta de Jesus para 1993, 1997, 1998, 1999, e 2000. Ele advertiu que o dia e a hora de sua vinda ninguém sabe (ler Mt 24.36,42,44,50; 25.13). É melhor pregar que Jesus pode vir hoje.

2. Falsos ministros do evangelho. Jesus previu que certos ministros do evangelho agirão de modo errôneo, espancando a igreja, com sua sede de poder, de vícios e maldades, pensando que o Senhor vai tardar (vide Lc 12.45). Nos últimos anos, tem sido grande o número de escândalos provocados por ministros, “espancando” a consciência dos crentes mais fracos.

3. A globalização do evangelho (v.14). Enquanto os homens desenvolvem a globalização econômica, científica e tecnológica, a Igreja do Senhor vai cumprir sua missão, nos últimos tempos, globalizando a mensagem do evangelho, através de todos os meios disponíveis, seja rádio, jornal, televisão, satélite, fibra ótica, telefone, telemática, raios laser, Internet, etc, sem deixar de usar os legítimos e eficazes meios tradicionais de evangelização, como culto ao ar-livre, evangelismo pessoal, em massa, de grupos, nos lares, jornais, livros, revistas, folhetos, etc. Paulo mostra que é necessário usar todos os meios para salvar alguns (1 Co 9.22).

4. O Estado de Israel (Lc 21.23,24). Israel foi disperso pelas nações, por ter rejeitado o Messias. Mas Jesus previu seu retorno, para se tornar uma nação politicamente organizada (Jr 31.17; Ez 11.17; 36.24; 37.21). Em 14 de maio de 1948, a ONU aprovou a criação do Estado de Israel. Foi o renascimento nacional daquela nação, cumprindo o que diz Ez 37.7,8. Falta o renascimento espiritual (Ez 37.9), que só acontecerá em meio à Grande Tribulação (Zc 12.10; Rm 11.25,26). Devemos ficar atentos, pois Israel é chamado “relógio de Deus”, indicando a hora do fim.

 

II. SINAIS DO CÉU

 

Jesus previu que, antes do arrebatamento, “haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu” (Lc 21.11,25). Em At 2.19, lemos: “e farei aparecer prodígios em cima no céu e sinais em baixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça”. Muito se tem falado nos discos voadores, ou OVNIs. Serão eles de Deus? Do Diabo? Da Terra? Acreditamos que não são de Deus, pois causam confusão, medo e pavor. Se for do homem, trata-se de uma tecnologia desconhecida. Ao que tudo indica, são aparições demoníacas, que impressionam os homens, em sua mentalidade tecnicista, afastando-os de Deus.

 

III. SINAIS EMBAIXO NA TERRA

 

1. Terremotos em vários lugares (v.7). Os terremotos são sinais na Terra (At 2.19), usados por Deus como indicadores de seus desígnios sobre o planeta. Para que se tenha uma ideia, os terremotos estão aumentando em número, a cada ano. Entre 1901 e 1908, houve mais terremotos do que nos dezenove séculos. Dados científicos indicam que, neste século, já houve mais de um milhão de terremotos, em graus de intensidade diferentes. É Deus falando. As pedras falam (Lc 19.40). Quando da morte de Jesus, as pedras falaram (Mt 27.51).

2. Secas e catástrofes eco lógicas (At 2.19). Há fenômenos estranhos. O chamado “El Nino” tem provocado secas em umas regiões, enquanto causa enchentes em outras, confundindo os meteorologistas. O planeta está sendo destruído pelo homem. A poluição do ar, das águas e do solo causam prejuízos inimagináveis ao meio ambiente e ao ser humano. Mas, por trás dessa ação maléfica, está o espírito demoníaco, que deseja provocar o maior número de mortes, de pessoas que não tem a salvação, para levá-las ao Inferno. Ainda bem que a Bíblia diz que Deus punirá os que destroem a terra (Ap 11.18).

 

IV. SINAIS NA VIDA POLÍTICA

 

1. Guerras e rumores de guerra (v.6). Após as duas guerras mundiais, do século passado, ocorreram muitas outras guerras menores, como no Sudeste asiático, no Oriente Médio, nas Américas, na África e, mais recentemente, na Europa, com a guerra na ex-Iugoslávia, envolvendo a Sérvia, a Croácia, Kosovo e outras regiões. A China vive em estado de guerra contra Taiwan. É “nação contra nação, e reino contra reino” (v.7). Lembramos que há guerras eletrônicas, que podem trazer catástrofes reais. É “o princípio de dores” (vv.6,8). Vale salientar que ninguém sabe até quando durará esse “princípio”. Não nos esqueçamos de que “um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um dia” (2 Pedro 3.8). É necessário ficarmos atentos.

2. Formação de blocos econômicos. É a preparação do palco para a encenação do governo do Anticristo. Em Ap 13.3,7 e 17.12,13, vemos a previsão do renascer do Império Romano. A Comunidade Europeia, com sua moeda única e um parlamento supranacional, já preparam o terreno para o governo mundial. Na América do Sul, há o Mercosul e na América do Norte, o Nafta.

 

V. SINAIS NA VIDA SOCIOECONÔMICA

 

1. Fomes (v.7a). O homem já sabe como chegar a Marte. Mas não sabe como fazer a comida chegar à mesa da maioria das pessoas. A fome é uma realidade, que acomete quase dois terços da humanidade. Todos os sistemas econômicos têm falhado. A fome atinge milhões de pessoas.

2. Pestes. Em nosso País, doenças endêmicas do início do século, como a dengue, a tuberculose, o sarampo e outras, estão voltando, apesar de todos os recursos da Medicina. Na África, há pouco tempo, surgiu o vírus Ebola, de efeito tão devastador, que mata uma pessoa em vinte e quatro horas; a AIDS (em português: Síndrome da Deficiência Imunológica Adquirida), já acomete mais de 20 milhões de pessoas, ameaçando propagar-se rapidamente por todo o mundo. Certamente, é sinal de que o fim está próximo. Fomes e pestes são juízo de Deus sobre os ímpios (Dt 28.48; Dt 32.24; 1 Rs 18.2).

 

VI. SINAIS NA VIDA MORAL

 

1. Aumento da iniquidade (v.12). Os homicídios, latrocínios, sequestros, estupros e outros atos de violência têm se multiplicado e aterrorizado as cidades, alimentados pelo tráfico de drogas, de armamentos, de prostituição, até de crianças. Mas iniquidade não é só a prática de violência e corrupção. É a falta de equidade. Muitos, mesmo se dizendo evangélicos, têm agido com iniquidade, praticando a injustiça contra os irmãos. Em consequência, o amor tem esfriado, como Jesus previu.

2. Depravação, como nos dias de Ló (Lc 17.28; Gn 19). Como no tempo de Ló, a imoralidade se espalha. Em lugar do casamento, da família tradicional, prega-se abertamente outros tipos de união tais como “produção independente”, em que uma mulher se junta com um homem, que faz o papel apenas de reprodutor, sem que se casem, para ter um filho. Homossexuais e lésbicas têm o apoio legal para suas práticas, condenadas pela Bíblia (Lv 20.13: Dt 23.17,18; Rm 1.23-28). Mas será severo o juízo de Deus sobre esse comportamento social (vide Lc 17.28-30).

 

CONCLUSÃO

 

Os ensinos de Jesus são um alerta solene sobre a natureza, a forma e o tempo em que ocorrerá a sua vinda, quando os mortos ressuscitarão e os vivos serão transformados, para encontrá-lo nos ares. Que o Senhor nos ensine e nos ajude a ter uma vida santa de tal maneira que nosso “espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Ts 5.23).

 

VOCABULÁRIO

 

Descortinar: Patentear, mostrar, correndo a cortina; enxergar, avistar; tornar manifesto; patentear, revelar.
Desígnio: Intento, intenção, plano, projeto, propósito.
Endêmica: Que tem endemia, doença que existe constantemente em determinado lugar e ataca número maior ou menor de indivíduos.
Globalização: O inter-relacionamento e internacionalização da economia, política, cultura, informação e de outras atividades humanas, entre todos os países do mundo.
Latrocínio: Roubo ou extorsão violenta, à mão armada.
Tecnicista: Que é dado ao tecnicismo, qualidade ou caráter do que é técnico.
Telemática: Ciência que trata da manipulação e utilização da informação através do uso combinado de computador e meios de telecomunicação.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Nesta lição, quais são os sinais da vinda de Cristo, na vida religiosa?

R. O aparecimento de falsos cristos, falsos profetas, globalização do evangelho, a criação do Estado de Israel, falsos ministros do evangelho e dois tipos de crentes.

 

2. Quais são os sinais embaixo na terra, que apontam para a vinda de Jesus?

R. Terremotos, secas e catástrofes ecológicas.

 

3. Quais os sinais na vida política, que indicam que estamos no fim dos tempos?

R. Guerras, rumores de guerras e formação de blocos econômicos.

 

4. Quais os sinais dos tempos do fim na vida econômica?

R. Fomes e pestes.

 

5. Quais os sinais na vida moral, que denotam o fim dos tempos?

R. Aumento da iniquidade e da depravação como nos dias de Ló.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“Os fenômenos vaticinados por Jesus Cristo como sinais da consumação dos séculos não parecem tão fenomenais assim, não é verdade? Afinal de contas, não é certo que sempre tivemos nações contra nações, guerras e rumores de guerras, fomes, terremotos e pestes? Assim sendo, como considerar a qualquer desses sinais como evidência da iminente volta de Jesus Cristo? Uma análise de Mateus 24.8, à luz do grego, poderá nos ajudar a compreender melhor o papel desses eventos como elementos prenunciadores da volta de Jesus. Na nossa Bíblia, versão Almeida, parece apenas sugerir que esses eventos são o princípio dos sofrimentos, enquanto que o original grego diz que todas essas coisas são o princípio das dores de parto. Note, portanto, que Jesus não disse ‘sofrimentos’ mas ‘dores de parto’.

Confessa Hal Lindsey: ‘Essa diferença de tradição me levou a pensar na experiência pela qual a mulher passa durante o parto. Visualizei o pai nervoso que aguarda o primeiro filho contando os intervalos entre as contrações dolorosas da parturiente, a fim de determinar a proximidade do nascimento. Não é a dor inicial em si que dá o sinal. Somente quando elas se tornam mais frequentes, contínuas é que a mulher sabe que o bebê está prestes a nascer’.

Notemos, portanto, que a simples presença no mundo dos sete tipos de eventos vaticinados por Jesus, não eram sinais a serem observados. Só quando esses eventos, essas ‘dores de parto’ se tornassem mais frequentes e intensas, saberíamos que os últimos dias do sofrimento da Igreja e o nascimento duma nova era se aproximava” (As Grandes Doutrinas da Bíblia, CPAD, pp.329,330).

fonte www.avivamentonosul21.comunidades.net