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frutos na obra parte N.2
frutos na obra parte N.2

 

O Senhor e seu povo Jo 15 

A videira e os ramos (15.1-11) 

1-3. [Algumas pessoas concluíram que depois de “levantai-vos, vamo-nos daqui”, no fim do capitulo 14, Jesus e os discípulos puseram-se a caminho do vale de Cedrom e do monte das Oliveiras, e que as palavras sobre a videira foram inspiradas pela visão da grande videira dourada que se projetava da entrada principal do santuário propriamente dito (Josefo, Guerra Judaica 5.210; Antiguidades 15.395 , Tácito,Histórias 5.5; Mishna, artigo Middoth 3.8). Todavia, esta sugestão (feita, por exemplo, por J. Pickl, The Messias, p. 180) é bastante improvável.]videira é uma das figuras usadas no A.T. como ilustração do povo de Israel. No Salmo 80.8-19, Israel é a videira que Deus trouxe do Egito e plantou no solo que tinha preparado especialmente para ela. O salmista lamen­ta-se porque ela não floresce mais, seus muros de proteção estão destruídos e ela está sendo saqueada por ladrões. Ele ora:

Olha do céu, e vê e visita esta vinha;

protege o que tua mão direita plantou!

Seja a tua mão sobre o povo da tua destra,

sobre o filho do homem que fortaleceste para ti! 

Jesus é aqui apresentado como o verdadeiro Israel, a videira genuína, o homem à direita de Deus. Como no salmo, Deus é tanto aquele que planta co­mo o que cultiva a videira. O substantivo traduzido agricultor é a palavra grega comum para indicar a pessoa que trabalha na lavoura (gêorgos). Viticultor seria o termo especifico. 

A ideia da inerência mútua e da habitação recíproca de Cristo e seu povo recebeu expressão repetida no capítulo 14; aqui ela aparece na parábola da vi­deira e dos ramos. Jesus é a videira; seus discípulos, os ramos, que tiram dele sua vida e a força para produzir fruto. O Pai cuida da videira com atenção amo­rosa, tornando-a tão produtiva quanto possível; ele remove ramos infrutíferos e poda os que dão fruto, tirando os galhos desnecessários para que o fruto possa se desenvolver melhor. No grego, há jogos de palavras que não são fáceis de traduzir: corta é airei e limpa é kathairei (“poda”), que também está ligado a limpos (“puros", BJ) no versículo 3 (vós já estaiskatharoi). Temos aqui um eco de 13.10: “Vós estais limpos (katharoi), mas não todos.” Lá Judas era a exceção; nos termos desta parábola, ele é um ramo infrutífero que precisa ser removido. Os discípulos que obedecem à palavra de Jesus (veja 14.23), dando-lhe acolhi­da (veja o v.7, a seguir), já estão limpos', pode ser concluído deste trecho que sua palavra é o meio que o Pai usa para efetuar a poda, fazer a limpeza. 

4-6. Um ramo de videira não tem vida nem utilidade se não continuar liga­do à videira. A seiva viva que flui pelo caule capacita-o a produzir uvas; sem isto ele fica infrutífero. A mesma coisa acontece com os discípulos de Jesus; somente à medida que permanecem unidos a ele e têm nele a origem da sua vi­da é que podem produzir o fruto do Espírito. [É uma questão de interesse histórico o fato de que uma das primeiras obras literárias de Karl Marx foi uma tese escolar, escrita aos dezessete anos, sobre “A união dos crentes com Cristo de acordo com João 15.1-14, mostrando seus elementos básicos, sua es­sência, sua necessidade absoluta e seus resultados” (K. Marx / F. Engels, Collected Works, I, Londres, 1975, pp. 636-639). O trabalho foi aprovado como “uma apresenta­ção bem pensada, ampla e convincente do tema" (E. H. Carr, Karl Marx: A Study in Fanaticism, Londres, 1934, p. 5; veja H. P. Adams, Karl Marx in his Earlier Writings, Londres, 1940, pp.15s.).] Paulo não usa os termos joaninos mas expressa a mesma verdade quando diz: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gl 2.20), e “tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.13). 

Em outra passagem do A.T., onde Israel é comparado com uma videira é enfatizado que a madeira da videira não serve para nenhuma outra coisa a não ser para a função específica da videira - produzir uvas. A madeira de uma vi­deira morta não pode ser usada para fazer um móvel ou algum outro utensílio; não serve nem de gancho para se pendurar algo. Um galho de videira que não produz uvas serve apenas para combustível (Ez 15.1-8). A moral da parábola deve ter sido evidente nos dias de Ezequiel; ela também fala por si na nova si­tuação e aplicação que Jesus lhe deu.

 7,8. Não há diferença prática entre o fato de Jesus habitar pessoalmente em seus discípulos e de suas palavras permanecerem neles. As palavras (plu­ral) aqui são rhēmata; a “palavra” (singular) no versículo 3 é logos. O logos é seu ensino como um todo; rhēmata são os pronunciamentos individuais que o compõe. Ele é pessoalmente a corporificação viva de todo o seu ensino. Em 14.13s., a resposta de oração é prometida aos que creem em Jesus; a mesma promessa é feita aqui aos que permanecem nele e em cujo coração as suas palavras têm residência permanente. A fé em Jesus e a aceitação das suas palavras iniciam uma união com ele pela qual sua vida e poder eternos estão para sempre a dispor do crente.

 Receber resposta para uma oração de fé parece ser uma forma de frutifi­cação espiritual. Em 14.13, o Pai é glorificado ao responder estas orações; aqui ele é glorificado pela produção de fruto abundante na vida do discípulo verdadei­ro. Assim como o Pai é glorificado supremamente na obediência de Jesus (13.31s, 17.1,4), também o é naqueles cujas vidas reproduzem a vida obediente de Jesus. Ofruto de que fala esta parábola é, no fundo, semelhança a Jesus (a mesma coisa pode ser dita dos nove aspectos do “fruto do Espírito”, em Gl 5.22s.). As pessoas que apresentam esta semelhança mostram que comprovadamente são discípulos verdadeiros dele. A mesma verdade já foi dita em 18.31 s., sem a ênfase explícita em dar fruto: “Se vós permanecerdes na minha palavra (logos), soisverdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verda­de e a verdade vos libertará”. Aquelas palavras foram dirigidas a pessoas sobre cuja fé e discipulado Jesus tinha dúvidas; a fé que leva à união com Cristo manifesta-se no discipulado verdadeiro, cujas evidências são obediência, amor e alegria.

 9,10. Como vimos em 14.20-24, a habitação mútua do Pai e Filho, de Je­sus e seus discípulos, e também os discípulos e Pai celestial, na qualidade de filhos, formam um relacionamento mútuo de amor, onde a obediência é alegria espontânea e não obrigação penosa. Meu amor, no qual Jesus pede que seus discípulos permaneçam, é, no contexto, o amor com que (como ele diz) eu vos amei - e é desnecessário dizer que ele espera que eles correspondam a este amor. O amor do Pai pelo Filho foi declarado em 3.35 e 5.20 (veja também 17.23,24).

 O amor de Jesus pelo Pai foi demonstrado em sua obediência a ele, e foi recompensado na sua consciência constante da concordância amorosa do Pai: “Ele não me deixou só”, disse Jesus, “porque eu faço sempre o que lhe agrada” (8.29). Portanto, os discípulos devem mostrar seu amor por seu Mestre através da obediência a ele, e sua recompensa será a certeza constante da aprovação do Pai amoroso. Assim, eles irão permanecer no amor daquele que permanece no amor do Pai.

 11. Nos versículos 10 e 11, Jesus acrescenta “meu amor” e meu gozo ao termo “minha paz”, que ele já tinha legado aos seus discípulos (14.27). A ga­rantia de um relacionamento eterno de amor mútuo com o Pai e com ele tinha exatamente a intenção de desfazer a apreensão que tomou conta dos corações deles com a notícia da sua partida, enchendo-os com alegria. Em 1 João 1.4, há um reflexo destas palavras.

 

Os amigos de Jesus (15.12-17) 

12-14. Este parágrafo (vv.12-17) é uma ampliação do novo mandamento de 13.34s.; ele começa e termina com a recomendação de amor uns pelos ou­tros. O padrão que Jesus quer que apliquemos no amar - como eu vos amei - é imensurável. “Nisto conhecemos o amor, em que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos” (1 Jo 3.16). A maior medida de amor que alguém pode dar por seus amigos é morrer por eles. Tentar relacionar estas palavras com Romanos 5.8-10, onde Paulo fala de inimigos que foram re­conciliados com Deus pela morte do seu Filho, significa correr o risco de enten­der mal o sentido das duas passagens. Aqui, Jesus está falando com seus amigos, em favor de quem ele em breve dará sua vida, mostrando assim que eles não são realmente seus philoi,objetos do seu amor. (Neste contexto, as palavras que indicam o verbo amar são o substantivo agapē e o verbo agapaō, e a palavra paraamigo é philos; no vocabulário de João não há diferen­ça de sentido entre as duas raízes). A ligação indissolúvel entre amor e obe­diência aparece novamente na afirmação de que os amigos de Jesus fazem tu­do o que ele manda.

 15. Não devemos concluir da expressão já não que antes Jesus chamava seus discípulos de “escravos” (douloi), ou os tratava como tais. O texto quer dizer que agora, no cenáculo, ele lhes está abrindo os segredos da motivação íntima do seu ministério e do seu sacrifício iminente. Um escravo não precisa saber por que seu dono lhe dá uma ordem. Ele só deve obedecer, não tentar saber a razão. Com um amigo, por outro lado, pode-se compartilhar esperanças e planos. Aqui, o contraste entre escravo e amigo não é diferente daquele entre o escravo e o filho, em Gálatas 4.7. John Wesley, pensando em sua conversão anos atrás, descreveu-a como o momento em que ele trocou a fé de um escra­vo pela fé de um filho. Tivesse ele se expressado em linguagem joanina e não de Paulo, poderia ter dito que trocara a obediência de um escravo pela obediência de um amigo.

 16,17. Jesus retorna rapidamente à ilustração da videira e seu fruto. No dia em que encontrou seus discípulos pela primeira vez e convocou cada um para o seu serviço com a ordem “Segue-me!”, ele os escolheu para que partici­passem do seu ministério. O fruto que os ramos produzem é o fruto da própria videira. Não é fruto do Mar Morto, que vira pó e cinzas quando tocado; é o fruto duradouro de vidas unidas ao Cristo sempre vivo, testemunhando da sua graça permanente. Novamente, (como no v.7) é feita a promessa da oração respondi­da ao discípulo que permanece unido a Jesus, assim como o ramo frutífero está unido à videira. Assim unido, este discípulo pode usar o nome eficaz de Jesus com confiança na presença do Pai. Jesus vive na vida dos seus discípulos e ora com seus corações e através dos seus lábios.

O parágrafo termina repetindo a ordem para que se amem.

 

Advertência contra a perseguição (15.18-25) 

18,19. Depois de recomendar o cultivo do amor mútuo entre a comunida­de dos seus seguidores, Jesus os adverte da hostilidade dos de fora. Como acontece tantas vezes nos escritos joaninos, o mundo é o mundo sem Deus, organizado em oposição a Deus e, por esta razão, oposto ao seu povo. Na­quele momento, Jesus era o alvo da sua hostilidade; em poucas horas ele seria vitima dela. Era inevitável que as pessoas ligadas a ele incorressem no ódio do mundo, como acontecia com ele. É estranho que o mundo logo tenha justificado sua hostilidade contra os cristãos atribuindo-lhes a iniciativa do ódio. A primeira referência a cristãos, descoberta na literatura pagã, acusa-os de “ódio contra a raça humana” (Tácito, Anais 15.44.5).

 Os seguidores de Jesus foram descritos em 13.1 como “os seus que estavam no mundo”, nos quais ele concentrou seu amor. Jesus osescolheu para fora do mundo, a fim de serem seu povo; por isso eles não pertencem mais ao mundo. O mundo os encara como estrangeiros, tratando-os de acordo com esta posição.

 20,21. A afirmação não é o servo maior que seu senhor já apareceu em 13.16. Ela está também em Mateus 10.24, em um contexto não muito diferente deste aqui. Em Mateus 10.16-25 (também, em termos mais breves, em Marcos 13.9-13), Jesus adverte seus discípulos quanto às perseguições que deverão suportar por sua causa: “Sereis odiados de todos por causa do meu nome" (Mt 10.22; Mc 13.13). As pessoas que gostavam do ensino de Jesus também gos­tarão do ensino que seus discípulos transmitirão no nome dele; elas reconhece­rão que os discípulos foram chamados por Jesus, assim como Jesus fora convocado por Deus. Mas as pessoas que rejeitaram o ensino de Jesus, recusan­do-se a reconhecê-lo como enviado de Deus, rejeitarão os discípulos quando estes vierem ensinando em nome do seu Mestre. A ligação estreita entre a per­seguição contra ambos encontra expressão na voz do céu que Saulo de Tarso ouviu na estrada de Damasco; “Por que me persegues?" (At 9.4, 22.7, 26.14). O Senhor, que foi perseguido pessoalmente na terra, continuou sendo perse­guido, mesmo depois de exaltado, nas pessoas dos seus seguidores. O fato de estes serem perseguidos por sua causa era um sinal de que eles pertenciam a Jesus, sendo, ao mesmo tempo, uma prova do julgamento que virá sobre os perseguidores (veja Fp 1.28, 2 Ts 1.5-10).

 22-25. Nos evangelhos sinóticos, é enfatizado repetidas vezes que a geração que viu Jesus tinha uma responsabilidade maior do que qualquer outra anterior, porque as pessoas de tempos passados não tinham ouvido seu ensino ou visto suas obras poderosas como os contemporâneos de Jesus. Em sua grande maioria, eles rejeitaram seu ensino e recusaram-se a admitir a evidência dos seus feitos; por esta razão, levavam desvantagem na comparação com pagãos como a rainha de Sabá, que ficou impressionada com a sabedoria de Salomão, ou com os habitantes de Nínive, que se arrependeram com a prega­ção de Jonas (Lv 11.31s). De fato, as cidades que tinham sido o centro do seu ministério, no grande dia, teriam um julgamento mais severo do que o dos peca­dores de Sodoma (Mt 11.23s.).

 O evangelista já observou antes que, apesar de Jesus fazer tantos sinais à vista dos seus ouvintes (especialmente em Jerusalém), eles “não creram ne­le" (12.37); aqui o próprio Jesus pronuncia um julgamento semelhante. Quanto maior o privilégio, tanto maior a responsabilidade; e não poderia haver maior pri­vilégio do que ouvir o ensino de Jesus e ver as maravilhas que ele operava. Os discípulos seriam odiados pelo “mundo” por causa do ódio que este nutria por ele (vv. 18 e 19); ele era odiado por causa do ódio que as pessoas tinham por Deus: “Eles viram e nos odeiam, a mim e ao Pai” (BJ). Eles tinham visto o Pai no Filho (veja 14.9), mas não haviam percebido. Se tivessem reconhecido Je­sus como o Filho de Deus, também teriam reconhecido o Pai nele; como este não foi o caso, ao repudiarem o Filho estavam rejeitando também o Pai (veja 5.23b). Jesus tinha vindo para lhes mostrar o amor de Deus, mas eles pagaram seu amor com ódio, assim como, quando ele veio como a luz do mundo, eles preferiram a escuridão à luz (3.19). Desta forma, eles estavam pronunciando a sentença para si mesmos: Rejeitando o doador da vida verdadeira, estavam se limitando à única outra alternativa - a morte.

 Sua lei (como “vossa lei” em 10.34) refere-se às Escrituras que eles mesmos aceitavam, cuja autoridade estavam obrigados a acatar. O fato de Je­sus citar esta lei como autoridade indica que não era exclusivamente a lei deles; o evangelista, como seu Mestre, aceitava-a como a palavra de Deus. Aqui (co­mo em 10.34) a citação é dos salmos; Odiaram-me sem motivo pode ter sido extraído do Salmo 35.19 ou 69.4, mas já que o Salmo 69 era considerado uma fonte de “testemunhos” messiânicos, especialmente em relação à paixão de Jesus (veja 2.17), provavelmente ele está em vista aqui.

 A terceira declaração sobre o Parácleto: o Espírito como testemunha (15.26,27) 

26,27. O testemunho que Jesus tinha dado, com suas palavras e ações, da graça e da verdade de Deus não cessaria quando ele não estivesse mais no mundo. O Espírito assumiria este ministério de testemunhar e levá-lo-ia adiante, e o faria através dos discípulos. Não é surpreendente que este aspecto do tra­balho do Espírito seja predito em um contexto de perseguição. Nos contextos paralelos dos sinóticos, o Espírito capacita os discípulos perseguidos a darem testemunho com ousadia: “Quando vos entregarem, não cuideis em como, ou o que haveis de falar, porque naquela hora vos será concedido o que haveis de dizer; visto que não sois vós os que falais, mas o Espírito de vosso Pai é quem fala em vós” (Mt 10.19s.; veja Mc 13.11). Além disso, há um exemplo marcante do cumprimento desta promessa em Atos 5.32, onde Pedro e seus companhei­ros defendem-se diante do sumo sacerdote e do conselho, e proclamam a res­surreição e entronização de Jesus, dizendo: “Nós somos testemunhas destes fatos, e bem assim o Espírito Santo, que Deus outorgou aos que lhe obede­cem”. Aqui, portanto, o testemunho que o Espírito e os discípulos dão é o mes­mo. Como o testemunho dos discípulos é mencionado no tempo presente, en­quanto o do Espírito está no futuro, o presente martyreite pode ser imperativo (como está na Bíblia Viva: “Vocês também devem falar a meu respeito”) em vez de indicativo (testemunhareis).

 Naturalmente, nem o testemunho do Espírito nem o dos discípulos está limitado a contextos de tribunal, mas está claro que neste texto joanino e em sua contrapartida em Atos tal situação está subentendida. Um significado mais amplo do testemunho do Espírito é indicado em 1 João 5.6: “O Espírito é o que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade” (veja como aqui e em 14.17 ele é chamado de “o Espírito da verdade”). O testemunho dos discípulos assume diversas formas em Atos, mas não pode começar antes que o Espírito Santo venha sobre eles com poder (At 1.8). Em 14.16, o Pai envia o Parácleto em nome do Filho; aqui o Filho o envia. De modo semelhante, em Atos 2.33 o Filho recebe “a promessa do Espírito Santo” do Pai e o “derrama” sobre os discípulos. A constatação de que o Espírito procede do Pai provavelmente não tem sentido metafísico; é outra maneira de dizer que o Espírito é enviado pelo Pai. Esta frase é citada no Credo Niceno de Constantinopla. A ampliação ocidental da frase: “Que procede do Pai e do Filho (filioque)" pode ser justificada porque tanto o Pai como o Filho enviam o Espírito; a objeção básica a ela é que não foi correto que uma parte da igreja fizesse uma alteração como esta no credo ecumênico sem consultar o restante da igreja.

 Os discípulos estiveram com Jesus desde o princípio (ap’ archēs) do seu ministério, que começou logo depois de ele ter sido reconhecido por João Batista (1.35ss).

 FONTE Bibliografia F. F. Bruce,COMENTARIO DO NOVO TESTAMENTO,EVANGELHO DE JOÃO.