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justificação pela fé N.1
justificação pela fé N.1

                                       A justificação

 

Para descrever a ação de Deus ao justificar-nos, os termos empregados pelo Antigo Testamento (heb. tsaddiq: Êx 23.7; Dt 25.1; 1 Rs 8.32; Pv 17.15) e pelo Novo Testamento (gr. dikaio: Mt 12.37; Rm 3.20; 8.33,34) sugerem um contexto judicial e forense. Não devemos, no entanto, considerá-la uma ficção jurídica, como se estivéssemos justos sem, contudo, sê-lo. Por estarmos nEle (Ef 1.4,7,11), Jesus Cristo tornou-se a nossa justiça (1 Co 1.30). Deus credita ou contabiliza (gr. logizomai) sua justiça em nosso favor. Ela é imputada a nós.

Em Romanos 4, Paulo cita dois exemplos do Antigo Testamento como argumento em favor da justiça imputada. A respeito de Abraão, diz que ‘creu ele no Senhor, e foi-lhe imputado [heb. chashav] isto por justiça’ (Gn 15.6). Isto ocorreu antes de Abraão ter obedecido a Deus no tocante a circuncisão, sinal da aliança. De modo talvez ainda mais dramático, Paulo cita Salmos 32.2, no qual Davi pronuncia uma bênção sobre ‘o homem a quem o Senhor não imputa maldade’ (Rm 4.8; 2 Co 5.19)(PECOTA, Daniel B. A obra salvífica de Cristo. In HORTON, S. M. Teologia Sistemática. RJ: CPAD, 1996, p.372). 

Justificação é um termo judicial. Fala de quebra da Lei (1Jo 3.4). Ele é o ato de transformação ou mudança de estado do pecador, perante Deus, operada por Ele mesmo. A justificação tem caráter exterior. Deus é o juiz, Cristo é o advogado e o homem, o réu. A transgressão da Lei de Deus é o pecado cometido.

O resultado da justificação na vida do novo crente é a mudança de posição perante Deus. De condenado que era, o homem passa a justificado. Na justificação, o homem entra em boas relações com Deus quanto às suas leis, pois Ele é justo (Rm 5.1; 8.1-4). A justificação é um ato divino fora do indivíduo, enquanto a regeneração ocorre no interior da criatura.

É muito maravilhoso o modo como Deus providenciou e efetua a nossa justificação. A justiça de Cristo é creditada à nossa conta espiritual (Rm 3.24-28). Romanos trata desse assunto de modo completo e majestoso.

Para a nossa justificação: a) Deus, em sua graça, colocou seu Filho em meu lugar, e, na cruz, transferiu minhas culpas e crimes para Ele; b) Jesus morreu voluntariamente por mim; c) Eu preciso aceitar, por fé, este único método divino de justificação do ímpio (Rm 4.5), confessando a Jesus como meu Salvador (Rm 10.9).

Assim, sem ultrajar sua perfeita justiça, Deus justifica o ímpio (aparentemente um absurdo), substituindo o culpado pelo inocente (Cristo), transferindo minhas culpas para Ele. Deste modo, Deus proveu a justificação para mim e para ti, mediante substituição e transferência, tudo por Cristo. Legalmente, não deveria haver misericórdia para com o culpado. Deveria ele ser punido. Porém, em virtude do sacrifício de Cristo, Deus, o Justo Juiz, faz justiça, perdoando o penitente que a Ele vem com fé. Assim, essa justificação por Jesus só é efetivada na vida do pecador que o aceitar como seu Salvador. Somente aceitando Jesus o pecador entra no plano divino para sua Salvação.

Vê-se, assim, que, no sentido bíblico, justificar é mais do que perdoar. O perdão remove a condenação do pecado, e a justi¬ficação nos declara justos. Um juiz terreno ou chefe de Estado pode perdoar um criminoso, mas não pode colocá-lo nunca em posição igual à daquele que nunca transgrediu a lei. Mas o nosso Deus pode e faz isso. Deus tanto perdoa o pecador, como justifica-o. Isto é, trata-o como se nunca tivesse pecado! Aleluia ao Trino Deus! E tal fato ocorre no momento em que o pecador arrependido aceita Jesus como seu Salvador pessoal. Aqui no mun¬do, um criminoso nunca mais receberá a consideração de justo por parte de seus semelhantes, mas Deus declara justo o pecador que Ele justificar. Sim! "Justificado!” – é o veredito divino. Quem pode agora nos condenar se é Deus quem nos justifica? (Rm 8.33-34). Aleluia!

Como é possível um Deus justo justificar um ímpio? (Rm 4.5). Já tentamos explicar: substituindo o culpado pelo inocente, o pecador pelo justo, e transferindo a culpa de um para o outro. Foi o que aconteceu no Calvário. Não foram os soldados romanos que levaram Jesus ao Calvário e ocasionaram sua morte, mas os meus e os teus pecados. Sua vida não foi tomada. Ele a deu como sacrifício para nos redimir.

É evidente que justificar é mais do que perdoar. Pela justificação o crente é declarado justo. A origem da justificação é a graça de Deus (Rm 3.24 e Tt 3.7). A base da justificação é o sangue de Jesus (Rm 5.9). O meio da justificação é a fé que vem por Jesus (Rm 3.28; 5.1). 

 

Justificação apenas pela fé Gl 2:15-21

 

Nós, judeus por natureza e não pecadores dentre os gentios, 16 sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e, sim, me­diante a fé em Cristo Jesus, também nós temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois por obras da lei ninguém será justificado. 17 Mas se, procu­rando ser justificados em Cristo, fomos nós mesmos também achados pecadores, dar-se-á o caso de ser Cristo ministro do pecado? Certo que não. 18 Porque, se torno a edificar aquilo que destruí, a mim mesmo me constituo transgressor. 19 Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; 20 logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim. 21 Não anulo a graça de Deus; pois, se a justiça é mediante a lei, segue-se que morreu Cristo em vão. 

Nestes versículos aparece uma importante palavra pela primeira vez em Gálatas. Ela é central na mensagem da Epístola, central no evangelho pregado por Paulo e realmente essencial ao próprio Cristianismo. Ninguém pode jamais entender o Cristianismo sem entender esta palavra. É a palavra "justificado". O verbo aparece três vezes no capítulo 16 e uma vez no versículo 17, enquanto que o substantivo "justificação" ou "justiça" aparece no versículo 21. 

Neste parágrafo, então, Paulo desvenda a grande doutrina da justificação pela fé. É a boa nova de que homens e mulheres pecadores podem ser aceitos por Deus, não por causa de suas obras, mas através de um simples ato de confiança em Jesus Cristo. Sobre esta doutrina Martinho Lutero escreve: "Esta é a verdade do evangelho. É também o artigo principal de toda a doutrina cristã, em que consiste o conhecimento de toda a piedade. Portanto, é mais do que necessário que co­nheçamos bem este artigo, que o ensinemos aos outros e que o marte­lemos em suas mentes." Em outras passagens Lutero se refere a ele como o "principal", "o mais importante" e "o artigo mais especial da doutrina cristã", pois é a doutrina "que realmente transforma as pessoas em cristãos". Ele acrescenta: "Se o artigo da justificação for alguma vez perdido, então toda a verdadeira doutrina ficará perdida".

 Semelhantemente, Cranmer escreve no primeiro Livro das Homí­lias: "Esta fé é a que as Sagradas Escrituras ensinam: é a rocha sólida e o fundamento da religião cristã. Esta doutrina todos os antigos auto­res da igreja de Cristo aprovam. Esta doutrina levou adiante e estabeleceu a verdadeira glória de Cristo, e derrotou a glória inútil do ho­mem. Todo aquele que a negar não pode ser considerado como um verdadeiro cristão, nem busca a glória inútil do homem." 

Se a doutrina da justificação é essencial na religião cristã, é de vital importância que a entendamos. O que ela significa? "Justificação" é um termo legal que foi tomado emprestado aos tribunais. É exatamente o oposto exato de "condenação". "Condenar" é declarar uma pes­soa culpada; "justificar" é declará-la sem culpa, inocente ou justa. Na Bíblia, refere-se ao ato imerecido do favor de Deus através do qual ele coloca diante de si o pecador, não apenas perdoando-o ou isentando-o da culpa, mas também aceitando-o e tratando-o como justo. 

Muitas pessoas acham que a linguagem de Paulo é estranha ao nosso vocabulário e que a sua argumentação é complicada e complexa. Mas Paulo não está escrevendo sobre uma necessidade humana universal, tão urgente hoje como o foi 2.000 anos atrás? Pelo menos duas coi­sas básicas nós sabemos com certeza. A primeira é que Deus é justo; a segunda é que nós não o somos. E estes dois fatos, colocados juntos, explicam a nossa difícil situação, que a nossa consciência e experiência já nos fizeram sentir, isto é, que algo está errado entre nós e Deus. Em vez de harmonia há atrito. Estamos sob juízo, sob a justa sentença de Deus. Estamos alienados de sua comunhão e banidos de sua pre­sença, pois "que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade?" (2 Co 6:14). 

Sendo assim, a questão mais urgente que enfrentamos é a mesma que Bildade, o suíta, apresentou séculos atrás: "Como, pois, seria justo o homem perante Deus?" (Jó 25:4). Ou, como Paulo o colocou: "Co­mo pode um pecador condenado ser justificado?" A sua resposta a es­tas perguntas cruciais encontra-se neste parágrafo. Primeiro, ele expõe a doutrina da justificação mediante a fé (versículos 15 e 16). Depois ele argumenta (versículos 17-21), examinando a objeção mais comum e demonstrando a total impossibilidade de qualquer outra alternativa.

 

1. Exposição (vs. 15, 16) 

Sua exposição assume a forma de um contraste entre a doutrina dos judaizantes, da justificação pelas obras da lei, e a doutrina dos apóstolos, da justificação mediante a fé. Ele repudia a primeira e dá força à última.

 

a. Justificação pelas obras da lei

 

Por "lei" entende-se a soma total dos mandamentos de Deus, e por "obras da lei" os atos praticados em obediência a ela. Os judeus supunham que podiam ser justificados desse modo, como também os ju­daizantes, que professavam ter fé em Jesus mas queriam que todos se­guissem igualmente a Moisés. Sua posição era esta: "A única maneira de ser justificado é através de trabalho duro. É preciso lutar. A 'obra' são as 'obras da lei'. Ou seja, é preciso fazer tudo o que a lei ordena e evitar tudo o que a lei proíbe." Os judeus e os judaizantes continua­vam, dizendo: "Isto significa que é preciso guardar especialmente os Dez Mandamentos. É preciso amar e servir ao Deus vivo, e não ter outros deuses ou substitutos. É preciso reverenciar o seu nome e o seu dia, e honrar os pais. É preciso evitar o adultério, o homicídio e o rou­bo. Nunca devemos dar falso testemunho contra o nosso próximo nem cobiçar alguma coisa que lhe pertença." Mas não era só isso. "Além da lei moral, temos a lei cerimonial, à qual é preciso obedecer. É preci­so levar a religião a sério, examinando as Escrituras em particular e freqüentando os cultos públicos. É preciso jejuar, orar e dar esmolas. E, se se fizer tudo isso, sem falhar em nada, ter-se-á alcançado o su­cesso e a aceitação de Deus sendo então justificado 'pelas obras da lei'." 

Esta era a posição do judeu e do judaizante. Paulo os descreve co­mo "procurando estabelecer a sua própria (justiça)" (Rm 10:3). Esta tem sido a religião do povo comum, antes e depois deles. É a religião que se encontra nas ruas, hoje. De fato, é o princípio fundamental de cada sistema religioso e moral no mundo, exceto o Cristianismo do No­vo Testamento. É um princípio popular porque é lisonjeiro. Ele diz ao homem que, se ele tão somente conseguir melhorar um pouco o seu comportamento e se ele se esforçar um pouquinho mais, conseguirá obter a sua própria salvação. 

Mas isso tudo é uma ilusão terrível. É a maior mentira do maior mentiroso do mundo, o diabo, o qual Jesus chamou de "pai da menti­ra" (Jo 8:44). Nunca alguém foi justificado pelas obras da lei, sim­plesmente porque ninguém jamais conseguiu obedecer à lei de maneira perfeita. Uma obediência restrita às exigências das obras da lei é uma coisa além do nosso alcance. Podemos guardar algumas das exigências da lei externamente, mas nenhum homem, exceto Jesus Cristo, jamais as cumpriu todas. Na verdade, se examinarmos as nossas motivações, descobriremos que já transgredimos todas as leis de Deus, pois Jesus disse que pensamentos homicidas nos transformam em homicidas e que pensamentos adúlteros nos transformam em adúlteros. Por isso as Es­crituras nos dizem: "o homem não é justificado por obras da lei" (versículo 16, aludindo ao Sl 143:2). O que nos surpreende é que alguém possa imaginar que possa aproximar-se de Deus e chegar ao céu dessa maneira.

 

b. Justificação pela fé

 

A segunda alternativa Paulo chama de "pela fé em Jesus Cristo". Je­sus Cristo veio ao mundo para viver e morrer. Na sua vida a sua obe­diência à lei foi perfeita. Na sua morte ele sofreu pela nossa desobe­diência. Na terra ele viveu a única vida de obediência imaculada para com a lei que já foi vivida. Na cruz ele morreu porque nós transgredi­mos a lei, uma vez que a penalidade para a desobediência à lei era a morte. Portanto, tudo de que precisamos para ser justificados é reco­nhecer o nosso pecado e a nossa incapacidade, arrepender-nos dos nos­sos anos de auto-afirmação e justiça própria, e colocar toda a nossa confiança em Jesus Cristo para nos salvar. 

Assim, a "fé em Jesus Cristo" não é apenas uma convicção inte­lectual, mas um compromisso pessoal. A expressão que aparece no meio do versículo 16 é (literalmente) "nós temos crido em (eis) Cristo Je­sus". É um ato de entrega, não apenas de aceitação do fato de Jesus ter vivido e morrido, mas de correr a ele em busca de refúgio e de cla­mar a ele por misericórdia. 

Estes são, portanto, teoricamente os dois meios alternativos de justificação: "pelas obras da lei" ou "por meio da fé em Jesus Cristo". E três vezes seguidas Paulo nos diz que o meio de Deus é o segundo, e não o primeiro. Sua enfática declaração no versículo 16 tem a inten­ção de não nos deixar dúvidas quanto a este assunto e (como Lutero costumava dizer) "martelar em nossas mentes" como o nosso pastor presidente tem feito incessantemente em nossa igreja. Não que a repetição seja exata e monótona, entretanto, pois há uma escala ascendente de ênfase: primeiro geral, depois pessoal e, finalmente, universal. 

A primeira declaração é geral (versículo 16a). Sabemos "que o ho­mem não é justificado por obras da lei, e, sim, mediante a fé em Cristo Jesus". Paulo não tem em mente ninguém em especial: ele é deliberadamente vago. Apenas "o homem", qualquer homem, qualquer mu­lher. Depois ele diz: "sabendo". Não apresenta uma opinião experimental, mas uma afirmação dogmática. Após gastar grande parte dos dois primeiros capítulos da epístola defendendo a sua autoridade apos­tólica, agora ele coloca todo o peso de sua autoridade nesta declara­ção. Ele já teve a coragem de declarar que o seu evangelho "não é se­gundo o homem" (1:11). Sendo assim, sua exposição do evangelho no versículo 16 não é segundo o homem, mas vem de Deus. Além disso, o plural "nós... sabendo" significa, no contexto, que ambos os após­tolos, Pedro e Paulo, sabiam que estavam unidos em sua convicção acerca da natureza do evangelho. 

A segunda declaração é pessoal (versículo 16b). Não apenas "sa­bendo", mas "também nós temos crido em Cristo Jesus, para que fôs­semos justificados pela fé em Cristo". Isto é, nossa certeza acerca do evangelho é mais do que intelectual; nós o testamos pessoalmente em nossa própria experiência. É um acréscimo importante e mostra que Paulo está propondo uma doutrina que ele mesmo já pôs à prova. "Sa­bendo," diz ele, "nós temos crido em Cristo Jesus", a fim de prová-lo. 

A terceira declaração é universal (versículo 16c). O princípio teoló­gico e a experiência pessoal estão agora confirmados pelas Escrituras. O apóstolo cita a declaração categórica do Salmo 143:2 (como ele faz novamente em Rm 3:20): "pois por obras da lei ninguém será justificado". A expressão grega é ainda mais forte do que em português. Refere-se a "toda a carne", a humanidade sem exceção. Seja qual for a nossa educação religiosa, antecedentes educacionais, status social ou origem racial, o caminho da salvação é o mesmo.Ninguém pode ser justificado por obras da lei; toda a carne tem de ser justificada através da fé em Cristo. 

Dificilmente se encontraria uma declaração mais forte do que essa quanto à doutrina da justificação. Nela insistem os dois apóstolosliderantes ("Nós... sabendo"), confirmando-a com a sua própria experiência ("também nós temos crido"); e ela é endossada pelas sagradas escrituras do Antigo Testamento ("por obras da lei ninguém será jus­tificado"). Com esta garantia tripla deveríamos aceitar á doutrina bí­blica da justificação, não permitindo que a nossa justiça própria natu­ral nos afaste da fé em Cristo.

 

2. Argumentação (vs. 17-21)

 

Mesmo sendo tão simples e pungente, a exposição de Paulo foi posta em dúvida no seu tempo, e o continua sendo nos dias de hoje. Por is­so, nestes versículos ele volta da exposição à argumentação, apresentando-nos o argumento que os críticos usaram para tentar derrubar a sua doutrina e o argumento que ele próprio usou para derrubar a doutrina deles e estabelecer a sua. Vejamos como isso aconteceu.

 

a. O argumento dos críticos contra Paulo (vs. 17-20)

 

Versículos 17 e 18: Mas se, procurando ser justificados em Cristo, fomos nós mesmos também achados pecadores, dar-se-á o caso de ser Cristo ministro do pecado? Certo que não. Porque, se torno a edificar aquilo que destruí, a mim mesmo me constituo transgressor.Estes versículos não são fáceis de interpretar e têm sido entendidos de diferentes formas. Das duas principais interpretações, escolhi aquela que parece mais coerente com a Epístola aos Romanos. 

Os críticos de Paulo argumentavam desta maneira: "A sua doutrina da justificação através da fé em Cristo somente, à parte das obras da lei, é uma doutrina altamente perigosa. Fatalmente enfraquece o senso de responsabilidade moral do homem. Ao afirmar que ele pode ser aceito confiando em Cristo, sem qualquer necessidade de boas obras, você o está encorajando a transgredir a lei, que é a vil heresia do 'antinomianismo'." As pessoas hoje continuam argumentando dessa forma: "Se Deus justifica pessoas más, de que vale ser bom? Neste caso, não podemos viver à vontade, fazendo o que bem nos aprouver?"

 

A primeira resposta de Paulo aos seus críticos é uma negativa fortemente indignada: "Certo que não" (versículo 17), ele diz. Ele nega especialmente a alegação anexa, de que era culpado de tornar Cristo o autor dos pecados dos homens. Pelo contrário, prossegue, "a mim mesmo me constituo transgressor" (versículo 18). Em outras palavras, "se depois da minha justificação continuo pecando, a falta é minha e não de Cristo. Eu sou o único culpado; ninguém pode culpar a Cristo." 

Depois Paulo prossegue refutando os argumentos dos seus críticos. Eles dizem que a justificação pela fé encoraja a perseverança no pecado, o que é ridículo. Eles entenderam mal e grosseiramente o evangelho da justificação. A justificação não é uma ficção legal, na qual o status do homem é mudado, enquanto o seu caráter permanece imutável. Versículos 17: Somos "justificados em Cristo". Isto é, nossa justifica­ção acontece quando somos ligados a Cristo pela fé. E uma pessoa que foi unida a Cristo nunca mais será a mesma pessoa. Ela é transformada. Não é apenas a sua posição diante de Deus que é transformada; a pessoa é que é radical e permanentemente transformada. Falar de voltar para a sua vida antiga, e de pecar à vontade, é francamente impossível. Ela se tornou uma nova criatura e começou uma vida nova. 

Agora Paulo passa a apresentar esta espantosa mudança que acon­tece com a pessoa que é justificada em Cristo. Ele a descreve em termos de morte e ressurreição. Duas vezes no versículo 19 e 20 ele fala dessa morte e dessa volta à vida. As duas coisas acontecem por meio da união com Cristo. É a morte e a ressurreição de Cristo que nós compartilhamos. Versículos 19: Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei (a exigência da morte da lei foi satisfeita na morte de Cristo), a fim de viver para Deus. Versículo 20: Estou crucificado com Cristo (isto é, estou unido a Cristo em sua morte por causa do pecado; meu passado pecador foi riscado); logo, já não sou eu quem vive, mas Cris­to vive em mim e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim. 

Talvez agora esteja se tornando mais claro por que um cristão que foi "justificado em Cristo" não tem liberdade para pecar. Em Cristo "as coisas antigas já passaram" e "eis que se fizeram novas" (2 Co 5:17). Isso porque a morte e a ressurreição de Cristo não são apenas acontecimentos históricos (ele "a si mesmo se entregou" e agora "vi­ve"), mas acontecimentos dos quais, por meio da união da fé com ele, o seu povo veio a participar ("Estou crucificado com Cristo" e agora eu "vivo"). Quando nos unimos a Cristo em sua morte nossa vida an­tiga acaba; é ridículo sugerir que podemos retornar a ela. Além disso, ressuscitamos para uma nova vida. Num certo sentido, vivemos esta nova vida por meio da fé em Cristo. Em um outro sentido, não somos nós que vivemos, mas Cristo vive em nós. E, vivendo em nós, ele nos dá novos desejos quanto a santidade, Deus e o céu. Não é que não pos­samos pecar novamente; podemos, sim. Mas não queremos. Todo o conteúdo de nossa vida mudou. Agora tudo se tornou diferente, por­que nós mesmos somos diferentes. Veja como Paulo torna tudo isso audaciosamente pessoal: Cristo "a si mesmo se entregou por mim". "Cristo vive em mim". Nenhum cristão que tenha assimilado essas verdades poderia jamais contemplar seriamente a possibilidade de retornar à vida antiga.

 

b. A argumentação de Paulo contra os seus críticos (v. 21)

 

Já vimos como Paulo reage à tentativa dos críticos de derrubar a sua doutrina; agora consideremos como ele pretende derrubar a doutrina deles. Versículo 21: Não anulo a graça de Deus; pois, se a justiça é mediante a lei, segue-se que morreu Cristo em vão. Convém sentirmos a força deste argumento. Os dois alicerces da religião cristã são a gra­ça de Deus e a morte de Cristo. O evangelho cristão é o evangelho da graça de Deus. A fé cristã é a fé do Cristo crucificado. Assim, se al­guém insiste em que a justificação é pelas obras e que se pode alcançar a salvação por esforço próprio está solapando os fundamentos da religião cristã. Está anulando a graça de Deus (porque, se a salvação é pelas obras, então não é pela graça) e tornando supérflua a morte de Cristo (porque, se a salvação é obranossa, então a obra de Cristo é desnecessária). 

Mas há muita gente que, assim como os judaizantes, comete exatamente estes erros, tentando recomendar-se a Deus através das próprias obras. Mas isso não é uma coisa nobre; é, outrossim, terrivelmente ig­nóbil, pois, na verdade, é o mesmo que negar a natureza de Deus e a missão de Cristo. É recusar a graça de Deus. É dizer a Cristo que ele não devia ter-se dado ao trabalho de morrer, pois, se nós somos donos de nosso próprio destino e podemos nos salvar a nós mesmos, tanto a graça de Deus como a morte de Cristo tornam-se redundantes. 

 

Parece que há quatro verdades cristãs que se destacam neste parágrafo.

A primeira é que a maior necessidade do homem é a justificação, ou aceitação de Deus. Comparadas a esta, todas as outras necessida­des humanas perdem qualquer significado. Como podemos acertar nos­sa vida com Deus, para que o nosso tempo e a eternidade sejam passa­dos desfrutando o seu favor e no seu serviço? 

Segunda, a justificação não é pelas obras da lei, mas pela fé em Cristo. Lutero o expressou de maneira suscinta: "Eu devo dar ouvidos ao Evangelho, que me ensina não o que eu devo fazer (pois este é o trabalho da Lei), mas o que Jesus Cristo, o Filho de Deus, fez por mim: a saber, que ele sofreu e morreu a fim de me livrar do pecado e da morte." 

A terceira verdade é que não confiar em Jesus Cristo por causa da confiança em si mesmo é um insulto à graça de Deus e à cruz de Cris­to, pois é dizer que são desnecessárias.

 E, por último, confiar em Jesus Cristo, sendo assim unido a ele, é começar uma vida totalmente nova. Se nós estamos "em Cristo", estamos mais do que justificados; descobrimos que já morremos e ressuscitamos com ele. Por isso podemos dizer com Paulo: Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim (versículos 19b, 20). 

Bibliografia J. R. W. Stott + ebareiabranca.com

 

A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ

 

"Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cris­to" (Rm 5.1).

 

A doutrina da justificação pela fé significa que a fé em Jesus Cristo, conforme o evan­gelho, é o suficiente para a salvação, ou seja, deste modo somos aceitos diante de Deus. 

O evangelho não ficou confinado entre os judeus, Pedro mesmo ouvira de Deus que os gentios são parte do plano divino da salvação.Com o tes­temunho de Pedro, depois da experi­ência na casa de Cornélio, todos en­tenderam que o evangelho devia ser pregado não só em Jerusalém, mas em todos os lugares e para todas as gen­tes. Com o episódio de repreensão a Pedro, o apóstolo Paulo mostrou não somente "a verdade do evangelho" como também a sua autoridade e re­putação entre os demais apóstolos. Deus revelou-lhe algo nunca antes revelado aos filhos dos homens - a pro­visão de Deus para salvar os gentios. Se prevalecesse entre os crentes gálatas o que queriam os judaizantes - além da fé, os neoconversos teriam de observar às leis judaicas - Jesus te­ria morrido em vão. Seria mais fácil seguir um conjunto de regras do que ter uma comunhão íntima e continua com Cristo. Conclui-se que, para os homens serem salvos e viver a salvação, nada mais é necessário além da fé em Jesus, o único que nos pode justificar diante de Deus.

 Os dois principais pontos da epístola aos Gálatas são: a salva­ção pela fé (2.16) e a liberdade cristã (5.1), sendo o último o tema da epístola. O apóstolo introduz o assunto da epístola no capítulo 2 com um episodio que serve para nos transmitir uma lição prática. Apartir do incidente de Pedro, em Antioquia, Paulo começa no v.15 a desenvolver o tema da salvação pela fé.

 

Pedro em Antioquia

 

1. Surge a Igreja dos gentios. A peculiaridade da igreja de Antioquia da Síria consistia no fato de os discípulos pregarem para os gen­tios. O número deles na igreja agora era considerável. A igreja crescia e se expandia, não estando mais con­finada apenas entre os judeus. Esse crescimento chegou ao conhecimen­to da igreja de Jerusalém (At 11.22). A lição de Pedro, por ocasião da ex­periência na casa de Cornélio, ser­via agora para os apóstolos tomarem a decisão certa: Os gentios têm, pela graça de Deus, livre acesso à salva­ção. A igreja de Jerusalém enviou Barnabé, o qual chegando em Antioquia e vendo o número dos sal­vos, foi buscar Saulo, em Tarso, para cuidar do novo rebanho (At 11.19-25). Foi nesse contexto que Pedro visitou Antioquia, ocasião em que Paulo e Barnabé estavam dirigindo a primeira igreja gentílica dá histó­ria. 

2. O escrúpulo judaico. Os ju­deus são escrupulosos ao extremo no kashrut (leis dietéticas dos judeus, observadas até hoje — alimentos considerados puros e impuros). Além disso não comem com gentios. O apóstolo Pedro ouviu do pró­prio Deus que os gentios são parte do plano divino da salvação. Isso foi confirmado na casa de Cornélio, quando o Espírito Santo desceu so­bre ele e sobre os que estavam em sua casa. Pedro testificou isso para os demais apóstolos e todos entenderam que o evangelho devia ser pregado não só em Jerusalém, mas em todos os lugares e para todas as gentes. Tudo isso pode ser lido em Atos 10 e 11.

 

O pecado da hipocrisia

 

1. A festa ágape. A pronúncia correta no original é agápe e não ágape como em português. Em Antioquia havia a prática da refei­ção congregacional, também chama­da de refeição agápe com a partici­pação dos cristãos. Os judeus con­vertidos deviam comer juntamente com os gentios convertidos ao cris­tianismo? Pedro entendeu que esses gentios agora eram seus irmãos e por isso comia e bebia com eles, sem constrangimento algum. Quando chegou um grupo de Jerusalém, Pedro mudou o comportamento, se afastando dos gentios. Barnabé e os demais irmãos disfarçaram, ou seja, "dissimularam". 

2. Uma questão de pressão e não de convicção. Entendemos que Pedro agiu dessa maneira por causa da pressão dos judaizantes e não por convicção pessoal. Ninguém melhor do que ele mesmo podia contar a experiência da casa de Cornélio. Paulo com esse testemunho mostra­va não somente a "verdade do evan­gelho" como também sua autorida­de e reputação entre os apóstolos. Esse episódio tem servido como estandarte da liberdade cristã.

 

O homem é justificado pela fé somente

 

1. O mistério revelado. É erro grosseiro afirmar que Paulo desenvol­veu uma teologia paralela aos qua­tro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João). Os judeus costumam dizer que Paulo é o fundador do cristianismo. Deus revelou ao apóstolo Paulo algo nunca revelado em outras épocas aos filhos dos homens (Ef 3.3-7), embora encontramos no An­tigo Testamento vislumbres da pro­visão de Deus para salvar os gentios (Gn 12.1-3). Paulo recebeu, pelo Espírito Santo, como isso devia ser feito. Os judaizantes desconheciam o modus operandi da salvação dos gentios, e queriam fazer do cristia­nismo uma seita judaica. 

2. Questão teológica (vv.15,16). Ninguém em sã consciência pode negar a autodisciplina do judeu e nem o seu modus vivendi exemplar. Os judeus têm um alto padrão de conduta, isso porque aprendem nas sinagogas todos os sábados (At 15.21). Os gentios não aprenderam os bons costumes porque nunca ti­veram quem os ensinassem, por essa razão o modus vivendi deles era pre­cário. O que Paulo está dizendo é que mesmo sendo judeu com um padrão ético muito acima do padrão dos gen­tios: "não pecadores dentre os genti­os", contudo, eram igualmente peca­dores e careciam da justificação (Gl 3.22; Rm 3.9,23) pela fé em Jesus, da mesma maneira que os gentios, "por­quanto pelas obras da lei nenhuma car­ne será justificada" (v.16).

 

Entrega total e não meramente uma fé intelectual

 

1. O legalismo e as seitas atu­ais. Os judaizantes achavam que além da fé em Jesus, deviam obser­var a circuncisão, dar esmolas, guar­dar o sábado, observar o kashrut — leis dietéticas dos judeus, etc. A conclusão do apóstolo Paulo é que, se­gundo essa linha de raciocínio, Je­sus teria morrido em vão (v.21). As seitas não ensinam a salvação pela fé somente, sempre acrescentam algo mais. Os Adventistas do Sétimo Dia acrescentam o sábado além da fé em Jesus; as Testemunhas de Jeová acrescentam a venda de suas publi­cações, reivindicar o nome de Jeová e a sua filiação à Sociedade Torre de Vigia; os Mórmons pregam a salva­ção mediante fé em Jesus, mais o batismo e dízimos, etc; as seitas unicistas, além da fé em Jesus, acrescentam o batismo em nome de Je­sus. No entanto o apóstolo diz: "Con­cluímos, pois, que o homem é justi­ficado pela fé, sem as obras da lei" (Rm 3.28). 

2. A natureza da justificação pela fé. A justificação pela, é o mesmo que dizer que somos aceitos por Deus pela fé em Jesus. Nada mais é necessário, além disso para a salvação. Se o homem pode ser acei­to diante de Deus apenas pela fé em Jesus então não há problema para o cristão continuar pecando? O ensi­no bíblico e cristão não é esse. Mas os legalistas entendiam assim e não concordavam com isso. Os antinomianistas — libertinos ou li­berais — entendiam também da mesma forma que os legalistas, sen­do que eles gostavam dessa interpre­tação (Jd v.4). 

3. Não uma fé artificial e inte­lectual. Não apenas parando do v.15, como na lição de hoje mas continuando até o v.21, para completar a justificação, podemos ver no v.20 que Paulo, usa a sua pessoa como exemplo; o que ele ali diz deve se referir a todos os cren­tes. Ajustificação pela fé, que às vezes assusta até aos crentes em Je­sus, pela maneira simples de o ho­mem ser salvo pela graça de Deus, pois a tendência humana é compli­car o que Deus simplificou, revela uma entrega total e irrestrita a Deus. Não se trata de uma fé intelectual e superficial, mas algo que torna a pes­soa em nova criatura por um milagre de Deus - o novo nascimento (2 Co 5.17), produzindo frutos dignos de arrependimento como decorrên­cia da salvação (Gl 5.22). 

Concluindo

 

Se é verdade que a lei não serve para a salvação, então o cristão não tem compromisso quanto à sua conduta pessoal diante da Igreja e do mundo? O conceito de que a salvação pela fé não exige responsabilidades pessoais ou que torna o cristianismo uma reli­gião muito fácil de ser seguida é falso. Seria muito mais fácil seguir um conjunto de regras do que ter uma comu­nhão contínua com o Cristo ressusci­tado. Você cumprindo certos conjun­tos de regras acha que já cumpriu a sua obrigação. Mas a essência do povo salvo é a comunhão íntima e pessoal com Jesus, que vem de dentro para fora. Essa comunhão leva o crente a sentir repugnância e vergonha pelo pecado, e com isso vem o fruto do Es­pírito (Gl 5.22). 

A respeito da salvação dos gen­tios, Paulo usa o termo "mistério" em Ef 1.9, é o repete três no capí­tulo 3.1-12 significando "segredos revelados, propósitos divinos ocul­tos dos homens por longas eras, frias que foram finalmente descortinados por meio da revelação divina". E nas palavras do próprio Paulo, mistério, nesse contexto, é o ato "de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tem­pos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra" (Ef 1.10). Os gentios são também "co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cris­to pelo evangelho" (Ef 3.6). 

"Pedro, embora soubesse que Deus aceitava os crentes gentios sem parcialidades (At 10.34,35), opôs-se as suas próprias convicções por medo das críticas e da possível perda de autoridade na igreja judaico-cristã em Jerusalém. Seu afastamento da comunhão com os crentes gentios, nas refeições, favoreceu a doutrina errônea de que havia dois corpos de Cristo, o judaico e o gentio." (Bíblia de Estudo pentecostal)

 As pessoas estão mais inclinadas a sutilmente acrescentar mandamentos à lei do que a se lembrar de que não podem "quebrar" nenhum dos seus mandamentos. Os religiosos do tempo de Jesus criaram, por exem­plo, regras sobre como se deveria andar no sábado. Tal "legalismo" parecia santo, mas chocava-se na prática com os princípios divinos. Nosso problema não é o quanto pre­cisamos obedecer à lei, mas enxer­garmos que somos suficientes peca­dores para precisarmos da salvação. 

O que Paulo ensinou-nos através dos crentes Gálatas é que há coisas por detrás da exterioridade da lei e que o cristianismo não é atender formalidades como quis fazer o rei Saul, pois, estando este em pecado de de­sobediência e de rebelião, sacrificou (cumpriu a lei).O Senhor o repreen­deu dizendo: "Obedecer é melhor do que sacrificar" (1 Sm 15.10-25). 

 FONTE www.pentecostalteologia.blogspot.com.br/

Bibliografia E. Soares + ebareiabranca.com