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lições CPADlivro de Hebreus 3 trim-2001
lições CPADlivro de Hebreus 3 trim-2001

                                      Lições Bíblicas CPAD

                                                      Jovens e Adultos

                                               3º Trimestre de 2001

 

Título: Hebreus — “... os quais ministram em figura e sombra das coisas celestes

Comentarista: Elinaldo Renovato

Lição 1: Cristo, o resplendor da glória de Deus

Data: 1 de Julho de 2001 

TEXTO ÁUREO 

O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade, nas alturas(Hb 1.3).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A revelação de Deus aos homens teve sua plena expressão através de seu Filho, Jesus Cristo, não restando mais qualquer revelação sobre a sua vontade para com a humanidade.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Sl 96.6

Glória e majestade diante de Deus

 

 

 

Terça - Rm 11.36

Glória a Cristo eternamente

 

 

 

Quarta - 2 Co 4.4

Jesus, imagem e glória de Deus

 

 

 

Quinta - Ef 3.21

A Cristo, glória na igreja

 

 

 

Sexta - 1 Tm 3.16

Jesus, recebido em glória

 

 

 

Sábado - Ap 4.11

Jesus, digno de receber glória

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Hebreus 1.1-6.

 

1 - Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho,

2 - a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.

3 - O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou se à destra da Majestade, nas alturas;

4 - feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.

5 - Porque a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho?

6 - E, quando outra vez introduz no mundo o Primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem.

 

PONTO DE CONTATO

 

Neste trimestre estudaremos a Epístola aos Hebreus que, entre outros assuntos importantes, enfoca a pessoa de Cristo como “o resplendor da glória de Deus”. Sua superioridade é destacada de forma magistral: excede a Moisés, Arão, Melquisedeque, os profetas e os anjos. Ademais disso, o presente tratado, ao alertar os destinatários da carta quanto aos desvios e a apostasia, estabelece as bases da verdadeira adoração, da fé e da comunhão com Deus.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Reconhecer que a revelação de Deus aos homens foi completada e definida em Jesus.
  • Distinguir as diferenças entre a antiga e a última revelação dadas por Deus.
  • Identificar as características da majestade de Cristo.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

A Epístola aos Hebreus compara Jesus Cristo com o Antigo Pacto, e o apresenta como o cumprimento de todas as promessas messiânicas. Tal comparação visa demonstrar a superioridade de Cristo sobre tudo quanto o Antigo Testamento tem a oferecer. O tema que percorre a carta do princípio ao fim é: “Jesus Cristo é superior a ...”. Ele é superior aos anjos, aos profetas, ao sacerdócio levítico e etc. É descrito como o Criador de todas as coisas, resplendor da glória e imagem de Deus; aquele que tudo sustém com o seu poder, que nos purificou de todo o pecado e está assentado à destra de Deus.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Utilizando o quadro abaixo, dê aos seus alunos as diferenças entre os três tipos de mensageiros citados nesta lição: os profetas, os anjos e o Senhor Jesus. O quadro o ajudará a demonstrar a superioridade de Jesus não apenas como portador da mensagem definitiva, mas também como o Senhor de todas as coisas.

 

 

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

A epístola aos Hebreus contém alguns enigmas. Não esclarece quem foi seu autor; a quem foi realmente destinada, nem a data em que foi escrita. No primeiro século, os chamados pais da Igreja não esclareceram tais detalhes. Clemente de Alexandria e Orígenes entenderam que Paulo escrevera Hebreus. No Século II, Tertuliano discordava da autoria paulina, e cria que Barnabé era o autor da epístola. Agostinho, de início, julgou que fosse Paulo mas, depois, afirmou que ela era anônima. Martinho Lutero sugeriu que a carta poderia ter sido escrita por Apolo (At 18.24). Quanto à data, os estudiosos situam-na entre 68 a 70 d.C. Com relação aos destinatários da carta, Hebreus deve ter sido inicialmente dirigida a judeus helenistas convertidos ao Cristianismo. O propósito deste comentário não é discutir tais pormenores, pois a resposta só teremos no céu, quando nos encontrarmos com o escritor. É fundamental que nestas lições sobre a Epístola aos Hebreus, vejamos a pessoa de Jesus Cristo como o resplendor da glória de Deus, o Salvador perfeito.

 

I. DEUS FALOU DE MODO DEFINITIVO

 

1. A antiga revelação. No versículo primeiro, o escritor assevera que, “antigamente”, Deus falou “muitas vezes, e de muitas maneiras aos pais, pelos profetas”. Moisés foi um profeta especial. No Salmo 103.7, lemos: “Fez notórios seus caminhos a Moisés, e os seus feitos aos filhos de Israel”. Na galeria dos profetas, destacam-se Isaías, que recebeu a revelação do nascimento, vida, ministério, morte e ressurreição do Messias; Jeremias, Ezequiel, Daniel, Joel, Malaquias, e outros, foram instrumentos da revelação, não só para Israel, mas para a Igreja e para o mundo. (Ver 1 Pe 1.12.)

2. Deus falou de muitas maneiras (v.1b). Nas páginas do Antigo Testamento, vemos que Deus não falou de modo uniforme pelos profetas. A uns, como a Moisés, Ele falou direto, “cara a cara”; a outros, como Daniel, falou por sonhos; a Jonas, em voz audível, e por meio do vento, do mar e do peixe. Por esses meios, Deus se revelou de modo progressivo, nas diversas dispensações, até que chegasse “...a posteridade, a quem a promessa tinha sido feita” (Gl 3.19), e a posteridade era Cristo.

3. A última e definitiva revelação. Deus, “a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho” (v.1b). Essa afirmação é fundamental para a fé cristã. Primeiro, porque Deus falou. Segundo, porque nos falou “pelo Filho”. A revelação pelos profetas foi divina e progressiva. Eles, com convicção, diziam: “Assim diz o Senhor” (Êx 5.1; Is 7.7; Jr 2.5; Ez 3.11). A revelação pelo Filho, Jesus, é divina e superior, visto ser conclusiva e definitiva. Em Hebreus, vemos a melhor e mais perfeita comunicação do Altíssimo. Ele, nestes “últimos dias”, falou pelo seu próprio Filho, de modo completo, direto e definitivo (cf. Lc 21.33; Mc 13.31). Os ímpios não entenderam esta revelação: os espíritas dizem que o espiritismo é a “terceira revelação”, depois de Moisés e Cristo. Os adeptos da “Nova Era” dizem que virá a “Era de Aquários”, para substituir o Cristianismo. Com esse engodo, o Diabo engana os incrédulos, a fim de que sejam lançados no inferno (cf. Sl 9.17). Jesus é a última e definitiva revelação de Deus aos homens. Ele falou e está falado! “Cale-se diante dele toda a terra” (Hc 2.20). Nós cristãos, precisamos estar seguros, fundamentados na Palavra de Deus, para refutar toda e qualquer doutrina falsa, que apresente qualquer outra revelação divina.

 

II. O PERFIL MAJESTOSO DE CRISTO

 

1. Herdeiro de tudo e criador do mundo. No v.2, lemos que Deus constituiu Jesus como “herdeiro de tudo e criador do mundo”.

a) Todas as coisas foram feitas por Jesus. No evangelho segundo João (1.1), temos uma declaração profunda da divindade de Cristo, quando lemos: “Todas as coisas foram feitas por ele, e nada do que foi feito sem ele se fez”. Ele foi o agente de Deus na Criação, fazendo vir à luz as coisas criadas pelo poder do Espírito Santo.

b) Todas as coisas foram feitas para Ele. Jesus teve do Pai a outorga para criar todas as coisas, e também para ser o herdeiro de todas as coisas criadas. Paulo, escrevendo aos Colossenses, diz: “Tudo foi criado por Ele e para Ele” (Cl 1.16). O Diabo usurpou parte da criação, mas, na sua vinda, Jesus tomará posse de tudo o que lhe pertence por direito de criação, de autoria e por direito de herança.

2. Cristo, o resplendor da glória de Deus (v.3). Esta é uma revelação da maior transcendência. No Antigo Testamento, Deus manifestou a sua glória, em certas ocasiões, de modo terrível e aterrador. Em alguns momentos, a glória de Deus se manifestou sobre o povo de Israel, deixando-o atordoado. Ezequiel viu a glória de Deus junto ao rio Quebar de modo estranho e terrível. E concluiu, dizendo: “Este era o aspecto da semelhança da glória do Senhor; e, vendo isso, caí sobre o meu rosto e ouvi a voz de quem falava” (Ez 1.1-28). Tudo isso que o profeta viu foi apenas a “semelhança da glória do Senhor”. Mas em Cristo, Deus revelou “o esplendor da sua glória”.

3. Cristo, “a expressa imagem” de Deus (v.3). Essa revelação, no texto, amplia a visão de Cristo, dada ao escritor. Mostra que Ele não é só o resplendor da glória de Deus, mas tem a mesma natureza, o mesmo caráter. O termo, no grego, para “expressa imagem” ou “a expressa imagem de seu ser” é charakter, que dá idéia de um carimbo, uma gravação, de gravura indelével. Sendo o Filho do Homem quanto à sua condição humana, Cristo apresentou-se ao mesmo tempo com a natureza do Pai, divina. Ele disse: “eu e o Pai somos um” (Jo 10.30).

4. Cristo sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder (v.3). Jesus é o agente da criação de Deus. Sua palavra criadora teve efeito não apenas imediato, mas transformou-se em lei, executada no momento em que, como Deus, Ele disse: “Haja luz”; “haja uma expansão...”; “façamos o homem...” (Gn 1.1-26). O poder da palavra de Deus foi tão grande, que sua eficácia continua por todos os séculos. O salmista diz: “tu coroas o ano da tua bondade, e as tuas veredas destilam gordura” (Sl 65.11). No Gênesis, lemos: “Enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite não cessarão” (Gn 8.22). Devemos agradecer a Deus por todos os dias que despertamos, pois, vendo a luz do sol, sentindo o ar que respiramos, vendo as pessoas à nossa volta, cada animal que nasce, e cada ser humano que vem à luz, constatamos que isso é obra da criação de Deus e de nosso Senhor Jesus Cristo.

5. Cristo, o Salvador, fez a purificação dos nossos pecados (v.3). O escritor aos Hebreus recebeu a revelação da obra redentora de Cristo, como aquele que, pelo seu sangue, nos purifica de todo o pecado (cf. 1 Jo 1.7). As religiões feitas pelos homens e seus líderes não têm esse poder. Pelo contrário, as religiões orientais, como o Budismo, o Hinduísmo e o Islamismo, pregam uma salvação que pretende purgar os pecados, através de reencarnações, dum carma, ou de obras, levando o homem a crer na mentira da salvação efetuada pelo próprio homem. Com Cristo é diferente. Ele é o agente eficaz da salvação, remindo o homem que o aceita como Salvador.

6. Assentado à direita de Deus (v.3). Nos antigos impérios e reinos, o lugar de honra era ao lado do monarca, ou do imperador. A comunicação sobre a posição de Cristo, quando elevado aos céus, evoca essa metáfora. Após sua ascensão, Jesus foi recebido à direita de Deus (Mc 16.19); Estêvão viu Jesus à destra de Deus, no momento de seu martírio (At 7.55); (ver ainda Rm 8.34).

 

CONCLUSÃO

 

Alegremo-nos por não servirmos a um deus qualquer, produto da mente humana, ou da necessidade imanente de se acreditar em algo ou em alguém superior, como os indígenas e outros povos tidos como primitivos. O nosso Deus é o excelso Criador. O nosso Cristo é o Verbo Divino, o Salvador, que, cumprida sua missão, assentou-se “à direita da majestade nas alturas”.

 

VOCABULÁRIO

 

Aterrorizador: Que aterroriza; pavoroso, aterrador, aterrorizante.
Imanente: Que existe sempre em um dado objeto e inseparável dele.
Indelével: Que não se dissipa, indestrutível.
Posteridade: Série de indivíduos procedentes da mesma origem.
Progressivo: Que se vai realizando gradualmente.
Purgar: Tornar puro; purificar, limpar.
Refutar: Dizer em contrário; desmentir; negar.
Transcendência: O conjunto de atributos do Criador que lhe ressaltam a superioridade em relação à criatura.
Usurpar: Apossar-se violentamente de, adquirir com fraude.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Por que Jesus é herdeiro de tudo?

R. Porque todas as coisas foram feitas por Ele e para Ele.

 

2. De acordo com a lição, como Deus falou na Antiga Aliança?

R. “Muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas”.

 

3. Como foi a revelação pelo Filho, Jesus?

R. Foi divina e superior, visto que foi conclusiva e definitiva.

 

4. Por que Cristo é a expressa imagem de Deus?

R. Porque tem a mesma natureza e caráter de Deus.

 

5. Por que Cristo sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder?

R. Porque a palavra que saiu de sua boca, no momento da criação, teve efeito não apenas imediato, mas transformou-se em lei.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“‘Falou-nos... pelo Filho’ (Hb 1.1,2). Estes dois primeiros versículos estabelecem o tema principal deste livro. No passado, o instrumento principal de Deus para sua revelação foram os profetas, mas agora Ele tem falado, ou se revelado pelo seu Filho Jesus Cristo, que é supremo sobre todas as coisas. A Palavra de Deus falada mediante seu Filho é final: ela cumpre e transcende tudo o que foi anteriormente falado da parte de Deus. Absolutamente nada, nem os profetas (v.1) nem os anjos (v.4) têm maior autoridade do que Cristo. Ele é o único caminho para a salvação eterna e o único mediador entre Deus e o homem. O escritor de Hebreus confirma a supremacia de Cristo ao enumerar dEle sete grandes revelações (vv.2,3).

Assentou-se à destra’ (1.3). Depois de Cristo ter efetuado o perdão dos nossos pecados mediante a sua morte na cruz, assumiu o seu lugar de autoridade à destra de Deus. A atividade redentora de Cristo no céu envolve seu ministério de mediador divino (8.6; 13.15; 1 Jo 2.1,2), de sumo sacerdote (2.17,18; 4.14-16; 8.1-3) de intercessor (7.25) e de batizador no Espírito (At 2.33)” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, pág.1899).

 

 

 

Subsídio Bibliológico

 

“Por designação divina, herdeiro de todas as coisas (1.1,2). Deus, desde a eternidade, predestinou seu Filho para ser Possuidor e Soberano de todas as coisas. Mas foi pela encarnação que Cristo alcançou o senhorio messiânico. Como resultado da encarnação, Ele veio tomar posse de algo antes não necessariamente disponível por sua condição de Filho. Era o seu direito de primogenitura, mas foi de sua humanidade, morte e ressurreição que surgiu o tipo de soberania que se tornou sua somente em razão de seu triunfo sobre o pecado na carne (v.3), e como resultado de sua identificação com os homens numa condição de irmandade. O senhorio messiânico não lhe poderia pertencer enquanto estivesse no seu estado pré-encarnado, visto ser uma questão relativa à função e não a poder e majestade inerentes. Em essência, sempre foi o ‘Filho de Deus’, mas isto não o fazia Messias; era necessário que se tornasse o ‘Filho do Homem’” (Comentário Bíblico Hebreus, CPAD, págs.116,117).

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 2001

 

Título: Hebreus — “... os quais ministram em figura e sombra das coisas celestes

Comentarista: Elinaldo Renovato

 

 

 

Lição 2: Cristo, superior aos anjos

Data: 8 de Julho de 2001

 

TEXTO ÁUREO

 

Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles” (Hb 1.4).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Cristo encarnou-se para cumprir sua missão salvífica, isto é, fez-se homem, tendo, porém, sua natureza divina, sendo um com o Pai, e superior aos anjos.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Mt 4.23

Jesus, o ensinador

 

 

 

Terça - Lc 4.18,19

Jesus, o libertador

 

 

 

Quarta - At 2.32

Jesus venceu a morte

 

 

 

Quinta - Sl 34.7

O anjo do Senhor

 

 

 

Sexta - Sl 148.2

Os Anjos louvam a Deus

 

 

 

Sábado - Hb 13.2

Hospedando anjos

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Hebreus 1.4-14; 2.1-3.

 

Hebreus 1

4 - Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.

5 - Porque a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho?

6 - E, quando outra vez introduz no mundo o Primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem.

7 - E, quanto aos anjos, diz: O que de seus anjos faz ventos e de seus ministros, labareda de fogo.

8 - Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos, cetro de eqüidade é o cetro do teu reino.

9 - Amaste a justiça e aborreceste a iniqüidade; por isso, Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo da alegria, mais do que a teus companheiros.

10 - E: Tu, Senhor, no princípio, fundaste a terra, e os céus são obras de tuas mãos;

11 - eles perecerão, mas tu permanecerás; e todos eles, como roupa, envelhecerão,

12 - e, como um manto, os enrolarás, e, como uma veste, se mudarão; mas tu és o mesmo, e os teus anos não acabarão.

13 - E a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra, até que ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés?

14 - Não são, porventura, todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?

 

Hebreus 2

1 - Portanto, convém-nos atentar, com mais diligência, para as coisas que já temos ouvido, para que, em tempo algum, nos desviemos delas.

2 - Porque, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição,

3 - como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos, depois, confirmada pelos que a ouviram;

 

PONTO DE CONTATO

 

Esta lição fala acerca da superioridade de Jesus sobre os anjos. Os crentes hebreus, baseados nos relatos e ensinamentos do Antigo Testamento, tinham os seres angelicais em alta estima e respeito, uma vez que os mesmos ocupavam proeminente lugar na economia divina. Eles sabiam que caso suas mensagens fossem desprezadas, conseqüências terríveis haveriam de vir.

Era urgente e necessário para aqueles crentes entenderem que Jesus está acima dos anjos em todos os aspectos, pois sua mensagem e missão têm finalidade infinitamente mais sublime: a salvação de todos os homens em todas as épocas e lugares. Somente ao Senhor Jesus toda honra, glória e majestade.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Afirmar que Jesus é superior aos anjos em todos os aspectos.
  • Definir os privilégios de Jesus como Senhor e Criador.
  • Explicar que não há salvação fora de Jesus.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Os anjos tiveram importantes momentos na história dos judeus, tanto no âmbito nacional como na vida de indivíduos. Em sua natureza, mesmo atuando em favor dos que hão de herdar a vida eterna, são criaturas com limitações se comparadas ao Senhor Jesus Cristo. Ele é declarado como Filho pelo próprio Deus, é o Messias. Criador e está à direita do Pai.

O escritor, ainda demonstrando a superioridade de Jesus sobre os anjos, lembra aos leitores que, se o que foi dito pelos anjos foi válido ao ponto de toda desobediência às palavras angelicais receber punição, maior pena receberá aqueles que desprezarem, em Jesus, “tão grande salvação”. Apenas Ele, como verdadeiro Sumo Sacerdote, pode se compadecer dos que são tentados e salvá-los.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Com o intuito de fixar o tema da lição e, especificamente, o ponto que fala da superioridade de Jesus sobre os anjos, reproduza no quadro de giz ou em uma cartolina o quadro comparativo abaixo.

Peça a seus alunos que examinem cuidadosamente todas as diferenças e coloque ao lado de cada item a referência bíblica correspondente.

 

 

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Na Antiga Aliança, os anjos eram muito considerados. Na epístola aos Hebreus, o escritor ressalta, de modo enfático, a superioridade de Cristo em relação aos seres angelicais e, ao mesmo tempo, afirma que Ele, ao se encarnar, fez-se “um pouco menor que os anjos” (Hb 2.9). Nesta lição, estudaremos alguns aspectos importantes dessa superioridade, entendendo esse paradoxo numa análise exegética simples.

 

I. MAIS EXCELENTE EM SUA NATUREZA E NO SEU NOME

 

1. Os anjos na Bíblia. Os anjos tiveram papel muito importante entre o povo de Deus no Antigo Testamento. Ver Gn 19.1,15; 28.12; Êx 3.2; 23.20; Sl 103.20. No Novo, não foi diferente. Um anjo apareceu a José, revelando o nascimento sobrenatural de Jesus (Mt 1.20); um anjo removeu a pedra do sepulcro de Jesus, após sua ressurreição (Mt 28.2). Hoje, há uma verdadeira idolatria em torno desses seres celestiais. A Bíblia adverte: “Ninguém vos domine a seu bel-prazer, com pretexto de humildade e culto dos anjos” (Cl 2.18).

Outras referências demonstram claramente a ação dos anjos, não só em favor de Israel, mas de todos os servos de Deus, em todo o mundo (cf. Sl 34.7).

2. A natureza dos anjos (vv.7,14). O texto bíblico nos revela alguns aspectos relativos à natureza dos anjos. No v.7, lemos que Deus “de seus anjos faz ventos, e de seus ministros labaredas de fogo”. É uma citação de Salmos 104.4. Eles são ministros usados por Deus segundo a sua vontade, submissos a cada convocação sua, portanto, ficam muito aquém da natureza e das funções do Filho de Deus. Por maiores que sejam os anjos, em comparação com Cristo são apenas bafos de ventos e fagulhas de fogo. Eles são criaturas. Jesus é Criador, inclusive dos anjos (ver Jo 1.3). No v.14, os anjos são chamados “espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação”.

 

II. A SUPERIORIDADE DE JESUS EM RELAÇÃO AOS ANJOS

 

1. Declarado Filho de Deus, gerado pelo Pai. No v.5, o escritor indaga: “a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho?”. Estas perguntas trazem em seu bojo a afirmativa de que Cristo é superior aos anjos, por ter sido gerado pelo Pai. Ver também Rm 1.4. O escritor sacro reporta-se a Salmos 7.2, que diz: “Recitarei o decreto: O SENHOR me disse: Tu és meu Filho; eu hoje te gerei”. Essa questão é realmente difícil de entender. Sendo Deus, em que sentido Jesus poderia ser gerado? A resposta está no grandioso milagre e mistério da sua encarnação, incompreensível à mente humana, que só entende um pouco das coisas terrenas.

2. O Filho pela ressurreição. O escritor Lucas, no Livro de Atos, declara: “E nós vos anunciamos que a promessa que foi feita aos pais, Deus a cumpriu a nós, seus filhos, ressuscitando a Jesus, como também está escrito no Salmo segundo: Meu filho és tu; hoje te gerei” (At 13.32,33). Sem ter deixado jamais de ser Deus, Jesus foi apresentado ao mundo publicamente, como Filho de Deus, na ressurreição. Veja o que Paulo diz: “Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos — Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 1.4). De fato, se Jesus tivesse feito milagres, mas não houvesse ressuscitado, ninguém poderia crer que fosse o divino Filho de Deus (Ver Mt 3.17; 17.5; Rm 1.4). Seria como Buda, Maomé, Chrisna, etc.

3. O Filho deve ser adorado pelos anjos (v.6). “E quando outra vez introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem”; “...por isso lhe darei o lugar de primogênito; fá-lo-ei mais elevado do que os reis da terra” (Sl 89.26,27).

4. Jesus está à direita de Deus (v.13). Esta é a posição de honra, dada somente a Cristo, e a ninguém mais: “E a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra até que ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés?”. Estêvão, quando estava sendo martirizado, contemplou Jesus à direita de Deus (cf. At 7.55).

5. Jesus é Rei, Messias e Criador. No v.8, lemos: “Mas do Filho diz: ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos, cetro de eqüidade é o cetro do teu reino”. Aqui o Filho é chamado Deus, como de fato Ele o é, além de ser também Rei, cujo cetro (símbolo da autoridade real) é de retidão. Os anjos não têm poder de reino ou soberania. Nos vv.9-12, vemos que Jesus é apresentado como o Ungido, o Messias, e, ao mesmo tempo, como aquEle de quem a terra e “os céus são obra” de suas mãos. O v.13 prossegue exaltando a superioridade de Cristo como o vencedor, pondo seus inimigos debaixo de seus pés.

 

III. A GRANDE SALVAÇÃO EM JESUS

 

1. Advertência contra o desvio (vv.1-3). Depois de apresentar o quadro da superioridade de Cristo em relação aos anjos, o escritor aos Hebreus é levado a advertir os destinatários da carta (e a nós, também), quanto “às coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas” (v.1). E explica que, se “a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda a transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição”, indaga solenemente: “Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação...?” (v.3). Esta salvação, trazida por Jesus Cristo, não foi efetivada por meras palavras, e sim, autenticada por Deus, por meio de “sinais e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo...” (v.4). Quem se desvia da sua fé em Cristo, corre o risco de perder-se para sempre (v.3).

2. Jesus, homem, um pouco menor que os anjos (2.7-9). Esse é um aparente paradoxo encontrado na carta aos Hebreus, relacionado à encarnação de Cristo. “Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos”. A dedução é simples: Jesus, feito homem, despojou-se voluntariamente de parte de seus atributos, e sujeitou-se a morrer, na cruz, para que “provasse a morte por todos”. Nessa condição, em sua natureza humana, tornou-se “um pouco menor que os anjos”. Se não fosse assim, a sua natureza divina não o permitiria morrer, pois Deus não morre.

 

IV. JESUS, O FIEL SUMO SACERDOTE (2.9-18)

 

1. Tudo existe em função dEle (v.10a). Para Jesus são todas as coisas, visto que elas existem por Ele e para Ele (Cl 1.16). E assim é, para que Ele traga “os filhos à glória”, e, pelas aflições, se tornasse “o príncipe da salvação deles” (v.10b). Os filhos, ou seja, os que o receberam, deu-lhes o poder (o direito) de serem feitos “filhos de Deus” (Jo 1.12), e são chamados por Cristo de “irmãos” (v.11). É sublime a declaração de Cristo, em relação aos que são salvos por Ele. No v.13, Ele diz: “Eis-me aqui a mim, e aos filhos que Deus me deu”. Esses são livres do “império da morte, isto é, do Diabo” (v.14), e da servidão (v.15).

2. Em tudo, foi semelhante aos irmãos (v.17). Para poder cumprir sua missão salvadora, Jesus, “em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens, e, achado na forma de homem, humilhou-se até à morte, e morte de cruz” (Fp 2.6-8). Assim, “feito um pouco menor que os anjos”, entregou-se a Deus para, como “fiel sumo sacerdote”, expiar os pecados do povo (v.17)

3. Em tudo foi tentado (v.18). Em sua condição humana, Jesus, o Filho do Homem, suportou a tentação, “para socorrer aos que são tentados”. Esta é uma afirmação consoladora para nós, os crentes, que durante a caminhada na Terra, somos acossados e ameaçados por várias tentações. Nosso Deus, Jesus, não foi em sua missão um deus alienado dos seus adoradores e fiéis, como prega o deísmo. Pelo contrário, Ele se colocou no meio dos pecadores e, como eles, foi tentado até à cruz para lhes dar vitória sobre as tentações. Na verdade, Ele, “como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb 4.15). Glória a Deus, por isso!

 

CONCLUSÃO

 

A superioridade de Cristo em relação aos anjos excede em muito a idéia distorcida, e difundida entre os incrédulos, de que os seres angelicais têm papel místico, ao ponto de serem venerados ou mesmo adorados pelos adeptos das falsas doutrinas.

 

VOCABULÁRIO

 

Acossar: Correr ao encalço de, perseguir, afligir, atormentar.
Cetro: Bastão de apoio usado outrora pelos reis e generais.
Dedução: Ação de deduzir, o que resulta de um raciocínio lógico.
Martirizar: Afligir, atormentar, mortificar.
Místico: Misterioso e espiritualmente alegórico ou figurado.
Paradoxo: Conceito que é ou parece contrário ao comum; contra-senso, absurdo, disparate.
Reportar: Dar como causa, atribuir, referir.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Quando Jesus foi apresentado como o Filho de Deus?

R. Publicamente, na sua ressurreição.

 

2. Qual a posição de honra de Cristo no céu?

R. Assentado à destra de Deus.

 

3. Qual o papel primordial dos anjos em relação aos crentes?

R. Eles são considerados “espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação”.

 

4. Porque a Bíblia diz que Jesus foi feito um pouco menor que os anjos?

R. “Por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos”.

 

5. Como se posicionou Jesus em relação à tentação?

R. Em tudo foi tentado, mas sem pecado.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

O autor da carta aos Hebreus, iniciando seu escrito, fala acerca de três tipos de emissários que Deus enviou ao mundo para transmitir a sua revelação: os profetas, os anjos e o Filho.

Comparando-se os profetas e os anjos, deve-se deixar claro que os primeiros foram muito usados por Deus, falando com autoridade e convicção. Entretanto, seus oráculos, mesmo sendo da parte de Deus, nem sempre eram bem recebidos. A rebeldia dos ouvintes fez com que diversos profetas fossem assassinados, desprezados e passassem por adversidades. No caso dos anjos, não há relatos de terem sido desprezados ou apedrejados, pois eram tidos em grande temor por serem figuras sobrenaturais. (Note que as diversas aparições dos seres celestes causavam muito medo, motivo este que levava os anjos a começarem seus diálogos com a expressão “Não temas”). Comunicações que exigiam decisão de uma pessoa eram transmitidas por anjos (veja os exemplos de Abraão, Gideão e Ló).

Se o povo ouvia os anjos com certo grau de temor, mais temor deveriam ter diante do Filho de Deus, por ser este maior do que os anjos. Ele criou todas as coisas, inclusive os anjos. Se o povo reverenciava os mensageiros celestes, estes, por sua vez, reverenciavam o Filho. O mundo vindouro não foi deixado sob os cuidados dos anjos, mas de Jesus. Eles são “espíritos ministradores”, que labutam em prol dos que “hão de herdar a salvação”, enquanto o Filho é o próprio executor da salvação. Até na forma de tratamento, a designação “anjos” é inferior ao “Filho”, pois são eles servos, criaturas, e Jesus é Senhor e Criador. Partindo desses argumentos, o escritor anuncia a superioridade de Jesus tanto sobre os profetas como sobre os anjos.

O autor conclui que, se as palavras ditas pelos anjos foram firmes e, no caso de transgredidas, receberam punição, maior responsabilidade haverá para os que rejeitarem as palavras do Filho de Deus, sem o qual não há salvação.

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 2001

 

Título: Hebreus — “... os quais ministram em figura e sombra das coisas celestes

Comentarista: Elinaldo Renovato

 

 

 

Lição 3: Cristo, superior a Moisés

Data: 15 de Julho de 2001

 

TEXTO ÁUREO

 

Porque ele é tido por digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a edificou” (Hb 3.3).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Se conservarmos firmes nossa fé e confiança em Cristo Jesus, Ele será sempre o nosso fiel Sumo Sacerdote perante Deus.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Sl 103.7

A revelação de Deus a Moisés

 

 

 

Terça - Sl 77.30

Moisés, o líder provido por Deus

 

 

 

Quarta - Êx 2.11,12

Moisés falhou ao agir segundo a carne

 

 

 

Quinta - Dt 32.1-43

O canto de Moisés

 

 

 

Sexta - Sl 105.26

Moisés, servo do Senhor

 

 

 

Sábado - Js 1.1-7

Moisés reconhecido

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Hebreus 3.1-8,12,14.

 

1 - Pelo que, irmãos santos, participantes da vocação celestial, considerai a Jesus Cristo, apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão,

2 - sendo fiel ao que o constituiu, como também o foi Moisés em toda a sua casa.

3 - Porque ele é tido por digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a edificou.

4 - Porque toda casa é edificada por alguém, mas o que edificou todas as coisas é Deus.

5 - E, na verdade, Moisés foi fiel em toda a sua casa, como servo, para testemunho das coisas que se haviam de anunciar;

6 - Mas Cristo, como Filho, sobre a sua própria casa; a qual casa somos nós, se tão somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim.

7 - Portanto, como diz o Espírito Santo, se ouvirdes hoje a sua voz,

8 - Não endureçais o vosso coração, como na provocação, no dia da tentação no deserto.

12 - Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mal e infiel, para se apartar do Deus vivo.

14 - Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até o fim.

 

PONTO DE CONTATO

 

Você já resistiu à voz do Espírito Santo alguma vez na em sua vida?

Resistir à voz de Deus tem sido a prática de muitos em nosso meio, que semelhantemente aos hebreus no deserto, tornaram-se insensíveis e desobedientes aos preceitos do Todo-Poderoso: habituaram-se com as bênçãos, sem contudo, reverenciar, obedecer e servir ao Doador e Provedor de todos os benefícios. Ouvir a voz de Deus e abster-se do mal são procedimentos de um coração bom e fiel. O Senhor está sempre pronto para agraciar seu povo com o suficiente “maná diário”, garantindo sobrevivência e crescimento espiritual.

Podemos estar certos de que não pereceremos no “deserto desta vida”; nossa jornada culminará na prometida Canaã celestial.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Considerar Cristo como nosso Sumo Sacerdote.
  • Reconhecer a superioridade de Jesus sobre Moisés.
  • Decidir não endurecer o coração ao ouvir a voz de Deus.
  • Destacar a importância de ser um participante de Cristo.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Os crentes destinatários da epístola, são chamados de “santos”, e devem, por serem participantes da “vocação celestial”, considerar Jesus não apenas como apóstolo (um enviado de Deus), mas também Sumo Sacerdote, ao qual devem confessar suas dificuldades. Se Moisés foi fiel em seu ministério, Jesus muito mais, pois foi o autor, não somente do ministério, mas também da família de Moisés. O Grande Libertador dos hebreus, por ser homem, não pôde ser perfeito. Entretanto, Jesus deu-nos o exemplo de irrefutável perfeição.

O sacro escritor relembra a seus leitores que o povo de Israel peregrinara no deserto por muitos anos, por não ter ouvido a voz de Deus através de Moisés, e roga-os que não ajam da mesma forma, endurecendo seus corações às ordens divinas.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Divida a turma em dois grupos. O primeiro, deverá listar as semelhanças entre Moisés e Cristo. O segundo relacionará as diferenças. Ao cabo desta parte da tarefa, solicite voluntários para destacarem os aspectos da superioridade de Cristo sobre Moisés. Dê a eles dez minutos para o cumprimento desta atividade.

 

Exemplos de semelhanças:

 

       Moisés livrou o povo da escravidão do Egito;

       Jesus livrou o homem da escravidão do pecado.

       Moisés foi o intermediário entre Deus e o povo;

       Jesus é o mediador entre Deus e o homem.

       Moisés instituiu o sistema levítico;

       Jesus inaugurou o sistema da graça.

 

 

Exemplos de diferenças:

 

       Cristo é Deus; Moisés apenas conhecia a Deus.

       Cristo é Filho de Deus; Moisés foi apenas servo.

       Cristo estabeleceu a “casa” da qual Moisés era apenas uma parte (3.3).

 

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Nesta lição, somos exortados a considerar Jesus Cristo como “Sumo Sacerdote da nossa confissão”. Os israelitas tinham grande respeito aos profetas e sacerdotes da antiga aliança, destacando-se entre eles Moisés e Arão. Na Nova Aliança, Jesus é superior a todos eles, pois encarnou-se tomando a forma humana, ou seja, tornou-se o Emanuel, “Deus entre nós”, concedendo a gloriosa e eterna salvação para todos os que nEle crêem.

 

I. CONVOCAÇÃO DOS SANTOS À ADORAÇÃO A CRISTO (v.1)

 

1. “Irmãos santos”. A palavra santo vem do latim, sanctu, que, originalmente, quer dizer aquele ou aquilo que “era estabelecido segundo a lei”, passando depois a significar aquele ou aquilo “que se tornou sagrado”. No Antigo Testamento, a palavra hebraica para santo é qodesh e seus derivados, que significam santo, santificado, santificar, separar, pôr à parte. No Novo Testamento, a palavra “santo”, no grego hagios, tem sentido semelhante ao da língua hebraica; santos, segundo o ensino bíblico, são somente aqueles que têm comunhão com Deus e com seu Filho, Jesus. Estes são convocados para adorarem a Cristo, separados do mundo.

2. “Participantes da vocação celestial”. Os santos que vivem aqui na terra não são apenas os mártires, ou os que fizeram algum milagre, como ensina o Catolicismo. Os santos são pessoas de carne e osso, “participantes da vocação celestial”, por aceitarem a Cristo como seu Salvador ao ouvirem o seu convite através do evangelho.

3. Cristo, Apóstolo e Sumo Sacerdote. Os santos são convocados para considerar “Jesus, apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão”. Ele foi, de fato, o Apóstolo por excelência. Jesus foi enviado por Deus ao mundo, “não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele” (Jo 3.17).

No Antigo Testamento, os sacerdotes intercediam pelo povo, tendo que oferecer, por todos os pecantes, sacrifícios com sangue de animais, que apenas encobriam o pecado. Na Nova Aliança, Jesus é o Sumo Sacerdote perfeito, pois ofereceu o seu próprio sangue para nos salvar e nos apresentar a Deus com a nossa confissão.

 

II. MAIOR GLÓRIA DO QUE MOISÉS

 

1. Moisés, fiel como servo (v.5). Moisés foi fiel em sua casa, como acentua o escritor, na condição de servo, sendo o mensageiro que testemunhou das “coisas que haviam de vir”. Ele foi o porta-voz de Deus ao receber as tábuas da Lei no Sinai, transmitindo, com fidelidade, a palavra que de Deus ouviu no monte. Ele nada alterou do que recebeu do Senhor. Foi servo em sua casa, no âmbito do que lhe foi confiado, e desincumbiu-se muito bem de sua tarefa na “casa” de Deus. Por isso, foi considerado um modelo entre os homens (cf. Jr 15.1).

2. Jesus, fiel sobre sua própria casa (v.6). Jesus foi superior a Moisés. Este foi servo. Aquele é o Filho, o Sumo Sacerdote constituído por Deus, posição que não foi confiada a mais ninguém. Moisés, mesmo sendo fiel como homem, não foi perfeito. Falhou em algum momento. No episódio em que Deus mandou que ele falasse à rocha pela segunda vez, descontrolou-se emocionalmente e feriu-a, ao invés de falar (Nm 20.11). Jesus, no entanto, nunca falhou. “Em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb 4.15).

3. A casa somos nós (v.6). Em nossa imperfeição, como poderíamos ser chamados “casa” de Cristo para que Ele, nessa “casa”, fosse sumo sacerdote? Só a graça de Deus pode explicar. A condição para que sejamos “casa” do Senhor, é que tão-somente conservemos “firme a confiança e a glória da esperança, até o fim”. O apóstolo Paulo teve de Deus revelação semelhante. Na primeira Epístola aos Coríntios 6.19,20, lemos: “Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?”. Diante disso, é grande a nossa responsabilidade para com essa “casa”, em que, ao mesmo tempo, habitam Cristo, nosso Sumo Sacerdote, e o Espírito Santo, nosso intercessor, que nos tem como seu templo.

 

III. ADVERTÊNCIA QUANTO AO ENDURECIMENTO CONTRA DEUS

 

1. Ouvindo a voz do Espírito. A advertência é grave e solene: “Portanto, se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação, no dia da tentação no deserto...” (vv.7,8). Citando o Salmo 95.8-11 o escritor admoesta os destinatários da carta valendo-se de fatos constrangedores, relativos ao povo de Israel. Na advertência, o Espírito Santo os lembra para não fazerem como seus pais, que provocaram a Deus no deserto com graves atitudes: 1) Tentaram a Deus; 2) Provaram a Deus, mesmo tendo visto suas obras por 40 anos (v.9; Êx 15.22-25; 17.1-7). Esse aviso quanto a ouvir o Espírito Santo é significativo e oportuno para nós em nosso tempo, pois há crentes tão insensíveis, em todos os sentidos, que suas consciências já se encontram irremediavelmente cauterizadas (cf. 1 Tm 4.2).

2. Não endurecer o coração (v.8). O povo israelita, não obstante presenciar as maravilhas do poder miraculoso de Deus no deserto, a começar pela passagem do Mar Vermelho, rebelou-se contra o Senhor. Em conseqüência, Deus se indignou. Manifestou a sua ira e decretou seu juízo: “Não entrarão no repouso de Deus”. Daquela geração rebelde, todos os que tinham mais de 20 anos não entraram na Terra Prometida. O endurecimento do coração é um obstáculo para o recebimento da bênção de Deus.

3. Um coração mau e infiel (v.12). Outra advertência é dada pelo Espírito Santo através do escritor da Epístola aos Hebreus, para que neles não houvesse “um coração mau e infiel”, que viesse afastá-los “do Deus vivo”. O verbo afastar, no texto, é apostenai (gr.), palavra que dá origem ao termo apostasia. No versículo seguinte vem um conselho divino: “Antes exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado” (v.13). Muitos, por falta de orientação e advertência (exortação), endurecem o coração para Deus, desviam-se e até negam a fé, aceitando falsas doutrinas e envolvendo-se em práticas extra-bíblicas, semelhantes às do espiritismo, incluindo “regressão espiritual” e outras invencionices.

4. Como nos tornamos participantes de Cristo (v.14). O escritor nos mostra como nos tornamos participantes de Cristo: “Se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até o fim”. Essa afirmação é corroborada pelo que Jesus asseverou: “...mas aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 10.22). “Até o fim...”. O homem só alcança a salvação plena quando aceita a Cristo como Salvador e permanece em santidade, até a “redenção do nosso corpo” (Rm 8.23b). Se por um lado é difícil iniciar a carreira cristã, mais difícil ainda é continuar e terminá-la. Porém, todas as promessas futuras na eternidade estão reservadas para os vencedores, os que completam a carreira, como diz o apóstolo Paulo (2 Tm 4.7).

 

CONCLUSÃO

 

A superioridade de Cristo em relação a Moisés é incontestável. Moisés era homem imperfeito e falho, mesmo tendo de Deus uma missão tão grande. Jesus, nosso Salvador, mesmo na condição humana, em face de sua missão salvífica, “em tudo foi tentado, mas sem pecado”. Nós, cristãos, precisamos honrar a Jesus Cristo, o Sumo Sacerdote da nossa confissão.

 

VOCABULÁRIO

 

Âmbito: Contorno, periferia; circunferência, espaço delimitado.
Cauterizar: Aplicar cautério a, queimar.
Corroborar: Confirmar, comprovar.
Desincumbir-se: Dar cumprimento a uma incumbência.
Imperfeição: Qualidade de imperfeito; defeito, incorreção.
Ofício: Ocupação ou trabalho especializado.
Pecante: Que ou quem peca habitualmente; pecador.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Quais são os dois ofícios de Cristo, apresentados nesta lição?

R. Apóstolo e sacerdote da nossa confissão.

 

2. Onde Moisés foi fiel?

R. Em toda a sua casa.

 

3. Em que condição somos casa de Cristo?

R. “Se conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até o fim”.

 

4. Qual a advertência para quem ouve a voz do Espírito Santo?

R. Não endurecer o coração.

 

5. Qual a conseqüência de um coração mau e infeliz?

R. Apartar-se do Deus vivo.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“Havendo declarado o pensamento central do sacerdócio de Cristo, e antes de desenvolvê-lo nos capítulos 5 a 7, o autor interrompe o assunto, a fim de estabelecer, sob outro ponto de vista, a superioridade do Novo Concerto sobre o Antigo. Ele já demonstrou que Cristo é superior aos anjos, os mediadores espirituais da Lei; agora demonstra que também é superior a Moisés, o homem que promulgou a Lei.

O autor, ao abordar o assunto, emprega a expressão ‘o mundo futuro’, ou ‘o século que há de vir’ (2.5; 6.5) — que no grego écukoumenen (literalmente ‘o mundo vindouro habitado’). Ele se refere ao reino de Deus que será estabelecido entre os habitantes da Terra.

Isso leva, naturalmente, à comparação entre os fundadores da velha teocracia judaica, sob Moisés e Josué, e Jesus, do novo Reino. A posição de Moisés para com o sistema judaico torna necessário o argumento, porque os cristãos hebreus estavam confusos sobre esse ponto.

O ponto de comparação, no versículo 2, prende-se ao fato de que tantos Moisés como Cristo se ocuparam da administração de economia divina: aquele, sob a velha ordem da Lei; este, sob a nova ordem da graça de Deus, tendo ambos cumprido fielmente suas responsabilidades. Mas o autor apresenta em seguida uma série de contrastes que demonstram a glória muito superior de Jesus.” (Comentário Bíblico Hebreus, CPAD, págs. 129-131).

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 2001

 

Título: Hebreus — “... os quais ministram em figura e sombra das coisas celestes

Comentarista: Elinaldo Renovato

 

 

 

Lição 4: Repouso para o povo de Deus

Data: 22 de Julho de 2001

 

TEXTO ÁUREO

 

Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus” (Hb 4.9).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Nosso Sumo Sacerdote, Jesus, preparou-nos um repouso sublime, no qual só teremos acesso se ouvirmos a sua voz, não endurecendo o coração.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Is 23.1

Deus deu repouso a Israel

 

 

 

Terça - Is 32.17

Repouso, fruto da justiça

 

 

 

Quarta - Rm 8.34

Jesus, nosso intercessor

 

 

 

Quinta - Mt 11.29

Jesus dá descanso à alma

 

 

 

Sexta - Êx 33.14

A presença de Deus dá descanso

 

 

 

Sábado - Ap 14.13

Os salvos descansarão

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Hebreus 4.1-16.

 

1 - Temamos, pois, que, porventura, deixada a promessa de entrar no seu repouso, pareça que algum de vós fique para trás.

2 - Porque também a nós foram pregadas as boas-novas, como a eles, mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram.

3 - Porque nós, os que temos crido, entramos no repouso, tal como disse: Assim, jurei na minha ira que não entrarão no meu repouso; embora as suas obras estivessem acabadas desde a fundação do mundo.

4 - Porque, em certo lugar, disse assim do dia sétimo: E repousou Deus de todas as suas obras no sétimo dia.

5 - E outra vez neste lugar: Não entrarão no meu repouso.

6 - Visto, pois, que resta que alguns entrem nele e que aqueles a quem primeiro foram pregadas as boas-novas não entraram por causa da desobediência,

7 - determina, outra vez, um certo dia, Hoje, dizendo por Davi, muito tempo depois, como está dito: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração.

8 - Porque, se Josué lhes houvesse dado repouso, não falaria, depois disso, de outro dia.

9 - Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus.

10 - Porque aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou de suas obras, como Deus das suas.

11 - Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia naquele mesmo exemplo de desobediência.

12 - Porque a Palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.

13 - E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar.

14 - Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão.

15 - Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.

16 - Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.

 

PONTO DE CONTATO

 

Você crê, realmente, que Deus fará o que prometeu na sua vida? A Palavra de Deus é digna de confiança? Deus fez uma promessa ao povo de Israel: Ele se responsabilizaria pela sua segurança ao entrar em Canaã. Israel respondeu com incredulidade: o povo duvidara da veracidade divina. No texto em estudo, o sacro escritor adverte aos crentes hebreus acerca do perigo da incredulidade e relembra-os que, dentre os que saíram do Egito, somente dois (Josué e Calebe) entraram no descanso prometido, na terra de Canaã. Mesmo tendo presenciado milagres portentosos, operados por Deus, o povo duvidou da capacidade do Altíssimo para expulsar os poderosos habitantes daquela terra.

Há também um descanso para os cristãos no campo espiritual, mas para tomar posse desse repouso é necessário ter fé, obediência e perseverança em Deus.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Reconhecer que a pregação sem a fé não atinge os objetivos propostos por Deus.
  • Definir as principais características da Palavra de Deus.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

A sorte daqueles que foram resgatados do Egito teve amplo e direto sentido para os destinatários da epístola em estudo. Foram libertados mas não entraram no “descanso de Deus”, e pereceram no deserto. Mesmo a segunda geração, que conseguiu entrar em Canaã, não alcançou a plenitude da promessa divina. Só pela vinda do Messias seria alcançada; e isto por apropriação, mediante a fé. Tanto Israel como esses primitivos cristãos ocupavam posição semelhante de ter recebido o evangelho e ter a oportunidade de apropriar-se do mesmo. Israel falhou. Agora, o perigo para esses primitivos cristãos judeus era que, por causa da incredulidade e falta de firmeza, deixassem de entrar no descanso espiritual de Deus, o qual não foi cumprido por Josué, mas que agora estava ao alcance de todos, em Cristo.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Nunca inicie a aula sem especificar seus objetivos e declará-los à turma. Sem objetivos não se pode esperar resultados.

Para despertar o interesse dos seus alunos sobre o tema desta lição, inicie a aula fazendo as seguintes interrogações: O texto sagrado diz que para os crentes resta ainda um repouso. De que modo pode ser interpretado o descanso prometido por Deus para os crentes do novo concerto? Nosso descanso é terrestre ou celestial? Temos algum repouso nesta vida? Este repouso é parcial ou total? E ao morrermos no Senhor?

De que modo o crente pode esforçar-se para alcançar o lar celestial? É necessário apegar-se a Palavra (v.12)? É necessário dedicar-se à oração (v.16)?

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Em conseqüência da desobediência do povo de Israel durante sua peregrinação, os que pecaram, rebelando-se contra o Todo-Poderoso, morreram, e seus corpos caíram no deserto. De acordo com o juramento de Deus, os desobedientes não entraram no seu repouso. Que isto jamais venha a acontecer conosco!

Nesta lição, veremos em que consiste o repouso espiritual reservado aos crentes fiéis.

 

I. AS BOAS NOVAS FORAM PREGADAS

 

1. Ouviram mas não obedeceram. Segundo cálculos razoáveis, os israelitas tirados do Egito pela poderosa mão de Deus foram cerca de três milhões de pessoas. Somente os homens de guerra somavam 600.000 (Êx 12.37). Desses, só entraram em Canaã, dois: Josué e Calebe (Dt 1.36,37). Por causa da desobediência e da incredulidade, o juízo de Deus prostrou-os no deserto, impedindo-os de chegar à Terra Prometida. Isso mostra que Deus dá mais valor à qualidade do que à quantidade. No Dilúvio, só oito escaparam. Na destruição de Sodoma e Gomorra, somente três ficaram vivos.

2. A pregação sem proveito (v.2). Os israelitas ouviram as “boas novas”. A razão pela qual muitos não entraram no “repouso”, ou seja, em Canaã, é que “a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram” (v.2). Aí, vemos a importância da fé para a salvação. A Bíblia assevera que sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6).

Hoje, em todo o mundo, é grande a provocação ao Senhor. Os ímpios estão em rebelião aberta e declarada contra Deus. Infelizmente, também há crentes que ouvem a Palavra nas igrejas, mas preferem continuar desobedecendo aos preceitos do Senhor.

 

II. O DESCANSO PARA O POVO DE DEUS

 

1. A ilustração do descanso de Deus. O escritor, no v.10, relembra o que está escrito em Gn 2.2, quando Deus, no sétimo dia, descansou de suas obras: “Porque aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou de suas obras, como Deus das suas”. Obviamente que aqui não se trata de descanso físico, pois por ser Espírito, Deus não sofre desgaste.

2. O descanso dos israelitas. O sofrimento dos israelitas no Egito após a morte de José foi cruel. Por mão de Moisés e pelo poder de Deus, o povo foi libertado milagrosamente. Entretanto, por causa da incredulidade e rebeldia, grande parte deles não pôde entrar na Terra Prometida. Foram obrigados a passar 40 anos caminhando no deserto (Hb 3.19; 4.6,11; 1 Co 10.1-11). Somente por misericórdia, Deus lhes destinou a terra de Canaã, onde enfim encontraram o descanso de seus sofrimentos.

3. O descanso (repouso) do povo de Deus (v.9). Aqui o descanso prometido não é físico, mas espiritual, celestial, mirífico, indizível e pleno para os salvos: “Ainda resta um descanso para o povo de Deus”.

Trata-se do bendito estado da alma e do espírito, em que os crentes, obedientes e santos, que ouvem a Palavra e a obedecem, terão direito à paz e a tranqüilidade perene, na comunhão com o Senhor. Lembremo-nos de que o descanso espiritual só se obtém através da nova vida em Cristo (ver Mt 11.28,29). É preciso ouvir e obedecer a Palavra de Deus. “Procuremos pois entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência” (v.11).

 

III. O PODER PENETRANTE DA PALAVRA DE DEUS

 

1. Ela é viva. A Palavra de Deus mostra quem vai entrar no repouso eterno. Ela não se constitui de meras argumentações humanas ou filosóficas, que atingem o intelecto, mas não penetram no coração, no mais íntimo do ser humano. A Palavra de Deus é viva, poderosa e vivificante. Jesus afirmou: “as palavras que eu vos disse são espírito e vida” (Jo 6.63). Somente Ele tem palavras de vida eterna (Jo 6.68).

2. Ela é eficaz. A palavra de Deus sempre produz efeitos: “Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, mas regam a terra e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia; antes, fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei” (Is 55.11). Ninguém ouve a palavra de Deus sem ser alcançado por seus resultados. Quem ouve e crê “tem a vida eterna” (Jo 5.24). Quem ouve e não crê “já está condenado” (Jo 3.18).

3. Ela é penetrante. É comparada a uma espada cortante, que “penetra até à divisão da alma e do espírito e das juntas e medulas”. Sendo “espírito e vida”, a palavra de Deus atinge a parte sensorial do homem. O espírito, a alma e o corpo são alcançados pelo poder penetrante da palavra divina. Por quê? Quando o homem ouve a Palavra e crê, no seu interior ocorrem modificações extraordinárias que beneficiam inclusive o funcionamento orgânico do seu corpo.

4. Ela discerne pensamentos e intenções. Muitos filósofos, com seu intelectualismo frio e racionalista, têm confundido os homens afastando-os ainda mais do seu Criador. A Bíblia, no entanto, sendo a Palavra de Deus, tem transformado a vida de inúmeras pessoas, elevando-as à condição de salvas e remidas pelo sangue de Jesus.

No v.13 o escritor adverte que diante do poder penetrante da palavra de Deus, “não há criatura alguma encoberta diante dele”, e todas as coisas estão “nuas e patentes aos seus olhos”, ou seja, não há nada velado diante do Todo-Poderoso.

 

IV. NOSSO GRANDE SUMO SACERDOTE (vv.14-16)

 

1. “Jesus, Filho de Deus”. Ele é grande, no sentido absoluto. Os “sumo sacerdotes” de outras religiões jamais chegaram aos céus. Buda pregou que chegaria ao Nirvana (no budismo, estado de ausência total de sofrimento); Chrisna, mentor do Hinduísmo, também não foi aos céus; para seus adeptos, deve estar reencarnando por aí. Os seguidores de Maomé imaginam que ele esteja num “paraíso”, onde há muitas mulheres e tâmaras.

Os sumo sacerdotes do Antigo Testamento só adentravam uma vez por ano, no lugar Santíssimo, onde era manifestada a glória de Deus. Eles não podiam permanecer lá. Mas Jesus, nosso Sumo Sacerdote por excelência, “penetrou nos céus”, “está à direita de Deus, e também intercede por nós” (Rm 8.34b).

2. Sacerdote compassivo. Em seu ministério terreno, Jesus sempre se preocupou com as multidões sofredoras (Mt 9.36; 14.14). Em sua missão sacerdotal, demonstra grande compaixão por nós: sendo “longânimo e grande em benignidade” (Sl 103.8), Ele suporta as nossas fraquezas, não querendo que ninguém se perca (2 Pe 3.9).

Não perecemos unicamente em razão de sua infinita misericórdia.

3. Em tudo foi tentado. Mesmo com a natureza divina, Jesus “em tudo foi tentado”, diz a Palavra de Deus. Só conhece o que é tentação quem já passou por ela. As tentações de Jesus não partiam de seu íntimo, como ocorre com o “homem natural” (1 Co 2.14). Elas foram provações e provocações externas, advindas do tentador e seus agentes. Além das tentações no deserto, o Mestre certamente experimentou a opressão do Maligno em outras ocasiões. Para nós é muito significativo saber que Jesus, como homem, foi tentado em todas as coisas, “mas sem pecado”. A Bíblia nos assegura: “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Co 5.21). Diante disso, compreendemos o grande amor de Jesus por nós: Ele sofre conosco, colocando-se sempre ao nosso lado.

4. Acheguemo-nos ao trono da graça (v.16). Tendo Jesus como nosso Sumo Sacerdote, podemos pela fé adentrar ao trono da graça, à sua santa presença a qualquer momento, e sermos “ajudados em tempo oportuno”. Glória a Ele para todo o sempre.

 

CONCLUSÃO

 

Três das grandes mensagens da lição estudada são: a) Deus tem preparado um verdadeiro descanso espiritual em Cristo para os que a Ele vêm; b) Deus tem um prometido lugar de descanso celestial para seu povo, em sua presença, na eternidade. Para chegarmos lá, só precisamos ser fiéis, obedientes e santos e c) Jesus é o nosso Sumo Sacerdote perfeito, que, como homem, “em tudo foi tentado, mas sem pecado”. Que o Senhor nos ajude a servi-lo conforme a sua vontade; e que jamais venhamos a dar lugar à desobediência.

 

VOCABULÁRIO

 

Asseverar: Afirmar com certeza, segurança, assegurar.
Junta: Ponto de junção e reunião, juntura, articulação.
Medula: A parte mais íntima, o interior, âmago, essência.
Mirífico: Maravilhoso, admirável, extraordinário, excelente.
Orgânico: Relativo a, ou próprio de organismo.
Perene: Que dura muitos anos, não acaba, perpétuo.
Prostrar: Lançar por terra, abater, derribar, prosternar.
Sensorial: Pertencente ou relativo à sensação.
Tâmara: Fruto da tamareira.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Por que a pregação das “boas novas” aos israelitas, no deserto, foi sem proveito?

R. Porque não estava misturada com a fé.

 

2. Qual o caráter do descanso para o povo de Deus?

R. Espiritual.

 

3. Quais as quatro características da palavra de Deus, conforme Hb 4.12?

R. Viva, eficaz, penetrante e apta para discernir pensamentos e intenções.

 

4. Com relação ao acesso ao lugar santíssimo, qual a diferença entre Jesus e os sacerdotes do AT?

R. O sumo sacerdote, no AT, só entrava no lugar santíssimo uma vez por ano. Jesus penetrou nos céus eternamente.

 

5. Por que Jesus é o nosso Sumo Sacerdote perfeito?

R. Em tudo foi tentado, mas sem pecado.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Bibliológico

 

‘Pareça que algum de vós fique para trás’ (4.1). Deixar de perseverar na fé e na obediência a Jesus resulta em deixar de alcançar o prometido repouso eterno no céu (cf. 11.16; 12.22-24). (1) A expressão ‘pareça que algum de vós’ é falada à luz dessa possibilidade terrível e do juízo de Deus. (2) A perseverança na fé exige que continuemos a nos aproximar de Deus, por meio de Cristo, com sincera resolução (v.16; 7.25).

‘Entramos no repouso’ (4.3). Somente nós, que temos crido na mensagem salvadora de Cristo, entramos no repouso espiritual de Deus. Isto é, Cristo carrega nossos fardos e nossos pecados, e nos dá o ‘repouso’ do seu perdão, da sua salvação e do Espírito Santo (Mt 11.28) Mesmo assim, nesta vida, o nosso repouso é apenas parcial, porque somos como peregrinos que caminham com dificuldade na penosa estrada deste mundo. Ao morrermos no Senhor, entramos no seu repouso perfeito no céu.

‘Resta... um repouso’ (4.9). O repouso prometido por Deus não é somente o terrestre, mas também o celestial (vv.7,8 cf. 13.14). Para os crentes, resta ainda o repouso eterno no céu (Jo 14.1-3; cf. Hb 11.10,16). Entrar nesse repouso final significa cessar do labor, dos sofrimento e das perseguições, tão comuns em nossa vida nesta terra (cf. Ap 14.13); significa participar do repouso do próprio Deus e experimentar eterna alegria. Deleite, amor e comunhão com Deus e com os santos redimidos. Será um descanso sem fim (Ap 21,22). (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, págs. 1902,1905)

 

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 2001

 

Título: Hebreus — “... os quais ministram em figura e sombra das coisas celestes

Comentarista: Elinaldo Renovato

 

 

 

Lição 5: Cristo, Sumo Sacerdote superior a Arão

Data: 29 de Julho de 2001

 

TEXTO ÁUREO

 

Como também diz noutro lugar: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque” (Hb 5.6).

 

VERDADE PRÁTICA

 

O sacerdócio de Cristo é infinitamente superior ao de Arão, por ser divino, eterno e por todos os salvos.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Êx 4.14

Arão, irmão de Moisés

 

 

 

Terça - Êx 17.12

Arão, ajudador de Moisés

 

 

 

Quarta - Êx 32

Arão e sua falha

 

 

 

Quinta - Hb 7.1-4

Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote de Deus

 

 

 

Sexta - Hb 6.20

Jesus, nosso eterno sumo sacerdote

 

 

 

Sábado - Ap 19.16

Jesus, Rei dos reis e Senhor dos senhores

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Hebreus 5.1-10.

 

1 - Porque todo sumo sacerdote, tomado dentre os homens, é constituído a favor dos homens nas coisas concernentes a Deus, para que ofereça dons e sacrifícios pelos pecados,

2 - e possa compadecer-se ternamente dos ignorantes e errados, pois também ele mesmo está rodeado de fraqueza.

3 - E, por esta causa, deve ele, tanto pelo povo como também por si mesmo, fazer oferta pelos pecados.

4 - E ninguém toma para si essa honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão.

5 - Assim, também Cristo não se glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote, mas glorificou aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, hoje te gerei.

6 - Como também diz noutro lugar: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque.

7 - O qual, nos dias da sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia.

8 - Ainda que era filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu.

9 - E, sendo Ele consumado, veio a ser a causa de eterna salvação para todos os que lhe obedecem.

10 - chamado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque.

 

PONTO DE CONTATO

 

Ainda utilizando o método de comparação, com a finalidade de exaltar o Filho de Deus, o escritor destaca no presente texto a superioridade do sacerdócio de Cristo. O trabalho sacerdotal no Antigo Testamento não era puramente humano, mas um ministério de intercessão instituído por Deus em favor dos homens. O Eterno determinara, de antemão, que os sacerdotes viessem da família de Arão, prefigurando o surgimento de Cristo como o verdadeiro Sumo Sacerdote; aquele que se ofereceria como oferta pelos pecados de toda a humanidade.

Dentre outros, sua superioridade é aqui destacada no fato de Ele não se exaltar, mas glorificar aquele que disse: “Tu és meu Filho, hoje te gerei”. O Filho de Deus viveu entre nós sem pecado, aprendeu pela obediência e trouxe-nos eterna salvação.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Definir as diferenças entre Jesus e os sacerdotes do Antigo Pacto.
  • Reconhecer que o sacerdócio de Cristo é superior ao de Arão.
  • Identificar Jesus como sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Por não conhecerem a Cristo sob a figura de Sumo Sacerdote e por não ser Ele da linhagem de Arão, os cristãos hebreus não compreendiam a aplicação deste título e ofício à sua pessoa e, conseqüentemente, tinham dificuldades em aceitá-lo e honrá-lo nessa função. Daí, a necessidade do escritor resumidamente apresentar as características e atribuições do sumo sacerdote, demonstrando que as mesmas são perfeitamente satisfeitas em Cristo.

O texto mostra a superioridade de Cristo sobre os demais sumo sacerdotes, destacando que Ele não apenas satisfez as exigências do sistema levítico para a vocação sacerdotal, mas distinguiu-se pelo fato de, sem pecado, entregar-se a si mesmo por nossos pecados.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Segundo o sistema levítico, todo sumo sacerdote é escolhido entre os homens e constituído a favor deles. Ele traz ao altar sacrifícios sem sangue e de sangue (v.1). É exigido dele que possa “condoer-se” ou “ter compaixão” do povo, ou seja, em seu julgamento, não deve ser severo demais e nem tolerante ao ponto de transigir com o mal (vv.2,3).

De acordo com o enunciado acima, peça a seus alunos que procurem na Bíblia referências que demonstrem essas qualificações da vocação sacerdotal em Jesus.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Os sumos sacerdotes do Antigo Testamento, apesar de serem santos, eram limitados e imperfeitos. Arão, por exemplo, ainda que grandemente honrado ao ser separado para o ofício de sumo sacerdote, cometeu uma falha indecorosa: levantou um ídolo em forma de bezerro de ouro e levou o povo a pecar.

Mas Cristo, nosso Sumo Sacerdote, é superior a Arão, não somente por sua infalibilidade e perfeição, mas porque cumpriu cabalmente o plano divino de redenção de toda a humanidade.

 

I. O SUMO SACERDOTE DO ANTIGO TESTAMENTO

 

1. Características básicas (v.1).

a) “Tomado dentre os homens”. O sumo sacerdote na Antiga Aliança era uma pessoa comum que, apesar de separada por Deus, levava para o sacerdócio suas virtudes e defeitos. Ele não era tomado dentre anjos ou espíritos, mas “dentre os homens”. E essa é uma característica muito importante.

b) “Constituído a favor dos homens”. O sumo sacerdote não era eleito pelos seus pares, nem pelo povo em geral. Sua investidura no cargo era por nomeação direta da parte de Deus. Hoje, há diversas formas utilizadas na escolha e consagração de um pastor, porém, acima de tudo é indispensável que o pastor seja constituído por Deus.

c) “Nas coisas concernentes a Deus”. O sacerdote falava e agia em nome de Deus, no que concernia à sua expressa vontade. Por outro lado, ouvia os homens e intercedia por eles diante do Altíssimo. Em tudo, a missão sacerdotal era cuidar dos interesses de Deus em relação ao povo e os do povo em relação a Deus. Era um mediador, um representante do Eterno.

2. Funções primordiais. De modo geral as principais funções do sumo sacerdote eram ensinar a lei de Deus e interceder pelo povo.

a) Oferecer dons e sacrifícios pelos pecados (v.1b). Na Antiga Aliança os oferentes não podiam dirigir-se diretamente a Deus. Traziam suas dádivas e ofertas e as apresentavam ao sacerdote. Segundo estudiosos do Antigo Testamento, os dons eram ofertas de cereais e os sacrifícios eram “ofertas de sangue”. No Novo Testamento, Jesus, nosso Sumo Sacerdote quanto a nossa salvação, é tanto o oferente como a própria oferta vicária: “ofereceu-se a si mesmo [por nós] a Deus”.

b) “Compadecer-se ternamente dos ignorantes e errados” (v.2). O sumo sacerdote deveria ter simpatia, ou seja, capacidade para compartir as alegrias ou as tristezas das pessoas que lhe procuravam e, ao mesmo tempo, ter empatia, capacidade para se colocar na situação do outro. Só quem tem essas qualidades pode de fato ser um intercessor. Da mesma forma devem proceder os obreiros do Senhor no trato com os que erram por ignorância ou por fraqueza.

 

II. DIFERENÇA FUNDAMENTAL ENTRE CRISTO E ARÃO

 

1. Jesus, sacerdote perfeito. A Lei previa a possibilidade de erro ou pecado por parte dos sacerdotes (v.3; Lv 4.3). O próprio sumo sacerdote Arão tinha a orientação de Deus para oferecer sacrifícios não só pelo povo (Lv 16.15ss.), mas por si próprio (Lv 16.11-14). Enquanto o sumo sacerdote do Antigo Testamento estava sujeito a pecar, Jesus nunca pecou. Ele é perfeito. Satisfez todas as condições para o perfeito sacerdócio. Foi ungido como Rei, como Filho (Sl 2.6,7); e Sacerdote Eterno (Sl 110.4); foi enviado por Deus (Jo 5.30); veio em nome do Pai (Jo 5.43). Jesus não se glorificou a si mesmo para fazer-se sumo sacerdote (v.6). Diante de todas essas qualificações, o Mestre nunca ofereceu sacrifícios por si próprio. Ele deu-se a si mesmo por nossos pecados (Gl 1.4).

2. Sacerdote eterno (v.6). O escritor aos hebreus faz referência a dois textos bíblicos no livro de Salmos para demonstrar o caráter especial do sacerdócio de Cristo: um sacerdócio que não tem fim: “Tu és meu filho; hoje te gerei” (Sl 2.7); e “Tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl 110.4).

 

III. A MISSÃO TERRENA DE JESUS

 

1. “Nos dias de sua carne” (v.1). É uma referência direta à vida humana de Jesus. O escritor já houvera acentuado esse aspecto no cap. 2.14-17. Aqui, mais uma vez, ele demonstra que o nosso Sumo Sacerdote, mesmo provindo de uma linhagem especial, encarnou-se, tomando a forma de homem, como vemos no Evangelho de João (1.14): “E o verbo se fez carne...”. O Verbo refere-se a Jesus Cristo (cf. Ap 19.13).

Os gnósticos ensinavam que o corpo é intrinsecamente mau. Mas Jesus, o Verbo divino, provou o contrário. Ele se fez carne, “e habitou entre nós”, tornando-se homem completo, pleno, perfeito. E não apenas se fez carne, mas tomou a “forma de servo” (Fp 2.7); na semelhança da “carne do pecado” (Rm 8.3), suportou a “paixão da morte” (Hb 2.9).

2. Clamor, lágrimas, orações e súplicas (v.7). A Escritura diz que Jesus clamou a Deus, com “lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte”. No Evangelho segundo João 11.35 está escrito que Jesus chorou, mas aquela não foi a única vez, como atesta o v.7. É por isso que Jesus entende de lágrimas e, um dia, como Deus, enxugará dos olhos toda a lágrima (Ap 7.17; 21.4).

3. Aprendeu a obediência (v.8). Haverá prova mais autêntica da humanidade de Jesus? “Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu” (Hb 5.8). Ele, sendo divino, obedeceu a Deus. A mente humana é, por vezes, levada a indagar: “Afinal, se Ele era Deus, porque deveria obediência a alguém?”. Esse é um mistério que só a fé pode aceitar.

Jesus como ser humano teve um desenvolvimento humano normal: “E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens” (Lc 2.52). Como Filho de Deus, Ele obedeceu ao Pai.

4. “Por aquilo que padeceu” (v.8b). A prova suprema da obediência de Cristo foi a sua paixão e morte. O Diabo tudo fez para que Jesus não executasse o plano da salvação. Na tentação no deserto, seu objetivo era que o Senhor obedecesse suas sugestões (Mt 4.1-11); na crucificação, o inimigo usou alguém para lhe sugerir que “provasse” que Ele era o Filho de Deus, descendo da cruz (Mt 27.40).

5. Trouxe eterna salvação (v.9). “E, sendo ele consumado, veio a ser a causa de eterna salvação para todos os que lhe obedecem”, (grifo nosso) Jesus declarou ao Pai: “Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer” (Jo 17.4). Na cruz, no momento supremo de seu sacrifício em favor dos pecadores, Ele exclamou: “Está consumado...” (Jo 19.30).

Nesse aspecto, é oportuno lembrar que alguns teólogos, baseados no versículo em foco e em outras referências, pregam a doutrina da predestinação absoluta, resumida na sentença “uma vez salvo, para sempre salvo”. Entretanto, o versículo mostra inequivocamente que a salvação não é eterna a priori, mas sim condicional. Ela é eterna para “todos os que lhe obedecem”. Desse modo, exclusivamente é salvo quem crê e segue a Cristo em obediência.

6. Chamado por Deus (v.10). Jesus pertenceu a uma ordem sacerdotal singular, diferente da de Arão. Nisto, vemos mais uma importante distinção entre o sacerdócio de Cristo e o sacerdócio arônico. Jesus, como diz o v.10, foi “chamado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque” (v.10).

 

CONCLUSÃO

 

Como podemos constatar no capítulo cinco de Hebreus, o texto revela com clareza meridiana a superioridade do sacerdócio de Cristo em relação ao de Arão. Outro ponto importante diz respeito a humanidade de Cristo: o escritor assevera que Jesus foi humano o suficiente para buscar a Deus, o Pai, em oração, súplicas e lágrimas, sendo obediente como Filho. Trata-se de um exemplo inigualável e uma lição incomparável para nós, mortais, que, às vezes somos relapsos em fazer a vontade do Senhor, em obediência irrestrita.

 

VOCABULÁRIO

 

Condicional: Dependente de condição, que envolve condição.
Distinção: Ato ou efeito de distinguir(-se); diferença, separação.
Dom: Donativo, dádiva, presente.
Indecoroso: indecente, indigno, vergonhoso.
Investidura: Ato de investir ou dar posse.
Mediador: Que ou aquele que medeia ou intervém, medianeiro.
Oferente: Oferecedor.
Relapso: Aquele que reincide em erro, obstinado, contumaz, que ou aquele que falta a seus deveres.
Simpatia: Sentimento caloroso e espontâneo que alguém experimenta em relação a outrem.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Na lição, quais as características dos sacerdotes do Antigo Testamento?

R. “Tomado dentre os homens” e “constituído a favor dos homens nas coisas concernentes a Deus”.

 

2. Quanto ao oferecimento de sacrifícios, qual a diferença entre Arão e Cristo?

R. Jesus nunca ofereceu sacrifícios por si próprio, como Arão.

 

3. Quanto ao tempo, como é o sacerdócio de Cristo?

R. Eterno.

 

4. Como deve ser entendida a eterna salvação a que se refere o escritor aos Hebreus?

R. Salvação com obediência.

 

5. Como foi a ordem sacerdotal de Cristo?

R. Segundo a ordem de Melquisedeque, da qual nenhum outro foi consagrado.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Bibliológico

 

“‘Todo sumo sacerdote’ (Hb 5.1). Duas qualificações são necessárias para um verdadeiro sacerdócio. (1) O sacerdote deve ser compassivo, manso e paciente com aqueles que se desviam por ignorância, por pecado involuntário e por fraqueza (v.2; 4.15; cf. Lv 4; Nm 15.27-29). (2) Deve ser designado por Deus (vv.4-6). Cristo satisfaz ambos os requisitos.

A origem de Melquisedeque (5.6). Melquisedeque é uma personagem misteriosa do Antigo Testamento, que aparece em Gn 14 como o sacerdote de Deus em Salém (que é Jerusalém, Gn 14.18; Js 18.28; Sl 110.1-4; Hb 7.1), antes dos tempos do sacerdócio levítico. O sacerdócio de Cristo é do mesmo tipo que o de Melquisedeque” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, págs. 1905, 1906).

“Em relação a Cristo, os cristãos hebreus não o reconheciam sob a figura de Sumo Sacerdote. Por isso, não compreendiam a aplicação desse título e ofício à sua pessoa. Não sendo Ele da linhagem de Arão, naturalmente não o contemplariam como sacerdote. Seu ministério também não lhes despertara tal pensamento, uma vez que não reivindicou nenhum privilégio de acesso ao templo, nem executou nenhuma função sacerdotal, e sempre criticou o concerto judaico do sacerdócio (Vicent).

O autor resumidamente apresenta as características e atribuições do sumo sacerdote (5.1-4), demonstrando que são perfeitamente satisfeitas em Cristo (5.5-10).

Segundo o sistema levítico, todo sumo sacerdote é escolhido entre os homens e constituído a favor dos homens. Ele traz ao altar tanto sacrifícios cruentos como sem sangue (5.1). Exige-se dele que possa condoer-se ou ter compaixão do povo. A expressão significa ser ‘moderado’ ou ‘tenro’ em seu julgamento, nem severo demais nem tolerante demais. Não deve ser homem que se irrita diante do pecado e da ignorância, nem transigente com o mal (vv.2,3) Ele deve ser chamado por Deus (v.4)” (Comentário Bíblico Hebreus, CPAD, pág. 135).

 

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 2001

 

Título: Hebreus — “... os quais ministram em figura e sombra das coisas celestes

Comentarista: Elinaldo Renovato

 

 

 

Lição 6: O perigo da apostasia

Data: 5 de Agosto de 2001

 

TEXTO ÁUREO

 

Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores e coisas que acompanham a salvação, ainda que assim falamos” (Hb 6.9).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Há um grande perigo para aqueles que, uma vez conhecendo a verdade de Deus, dela se afastam, negando sua eficácia e poder.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Hb 12.16

Fornicação espiritual

 

 

 

Terça - Hb 12.17

Arrependimento tardio

 

 

 

Quarta - Pv 24.16

O justo cai e se levanta

 

 

 

Quinta - Hb 3.16

Deus contra os desobedientes

 

 

 

Sexta - Hb 3.17,18

Mortos por desobediência

 

 

 

Sábado - Fp 2.11

Jesus é o Senhor

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Hebreus 5.11-14; 6.1,2,4-6,10,13,16-20.

 

Hebreus 5

11 - Do qual muito temos que dizer, de difícil interpretação, porquanto vos fizestes negligentes para ouvir.

12 - Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos da palavra de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite e não de sólido mantimento.

13 - Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino.

14 - Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal.

 

Hebreus 6

1 - Pelo que, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até a perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus,

2 - e da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno.

4 - Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo,

5 - e provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro,

6 - e recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus e o expõem ao vitupério.

10 - Porque Deus não é injusto para se esquecer da vossa obra e do trabalho da caridade que, para com o seu nome, mostrastes, enquanto servistes aos santos e ainda servis.

13 - Porque, quando Deus fez a promessa a Abraão, como não tinha outro maior por quem jurasse, jurou por si mesmo.

16 - Porque os homens certamente juram por alguém superior a eles, e o juramento para confirmação é, para eles, o fim de toda contenda.

17 - Pelo que, querendo Deus mostrar mais abundantemente a imutabilidade do seu conselho aos herdeiros da promessa, se interpôs como juramento,

18 - para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta;

19 - a qual temos como âncora da alma segura e firme e que penetra até o interior do véu,

20 - onde Jesus, nosso precursor, entrou por nós, feito eternamente sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque.

 

PONTO DE CONTATO

 

Comece a aula perguntando a seus alunos se eles se consideram crentes espiritualmente maduros. Depois fale um pouco sobre a urgência da maturidade cristã. Os cristãos hebreus, destinatários da epístola em apreço, eram ainda “criancinhas” quando, pelo tempo de crentes, deveriam ter alcançado certa maturidade. Já era tempo para eles serem mestres dos outros, enquanto na realidade, careciam de instrução elementar. Eram inexperientes, imaturos e mal preparados para participarem das discussões dos problemas de grande vulto do pensamento cristão. O escritor pretendia deixar claro que não se consegue a maturidade cristã pelo retorno aos padrões dos primeiros estágios da instrução cristã. Para que o edifício espiritual seja concluído, é necessário ir além do lançamento dos alicerces, isto é, o arrependimento de obras mortas e fé em Deus.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Expressar a importância do crescimento espiritual para todos os cristãos.
  • Reconhecer o perigo terrível da apostasia.
  • Desejar manter-se firme diante de Deus para não ser apanhado pela apostasia.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Os cristãos hebreus haviam sido uma vez iluminados através da revelação de Deus em Cristo. Haviam experimentado o dom celestial, o Espírito Santo, e a boa Palavra de Deus, o evangelho de Cristo, pregado entre eles com toda manifestação de poder e milagres. Para essas pessoas, caso se desviassem, seria impossível serem renovadas outra vez para arrependimento, uma vez que deliberadamente rejeitaram a Cristo, declarando que a sua crucificação não possuía mais o sentido que antes lhe atribuíam.

O escritor aos hebreus sentiu bem de perto o perigo que aqueles crentes nessas circunstâncias enfrentavam, por isso os advertiu.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Peça a seus alunos para relacionarem no quadro de giz os passos que normalmente conduzem os crentes inadivertidos à apostasia. Depois, compare-os com os exemplos abaixo:

 

1. O crente por sua falta de fé, deixa de levar plenamente a sério as verdades, exortações, advertências, promessas e ensinos da Palavra de Deus (Jo 5.44,47).

2. Quando as realidades do mundo chegam a ser maiores do que as do reino de Deus, o crente deixa paulatinamente de aproximar-se de Deus através de Cristo (Hb 7.19,25).

3. Por causa da aparência enganosa do pecado, a pessoa se torna cada vez mais tolerante com ele na sua própria vida (1 Co 6.9,10).

4. Por causa da dureza do seu coração (Hb 3.8,13) e da sua rejeição dos caminhos de Deus, não faz caso da repetida voz e repreensão do Espírito Santo (1 Ts 5.19-22).

5. O Espírito Santo se entristece (Ef 4.30); seu fogo se extingue e seu templo é profanado (1 Co 3.16). Finalmente, Ele afasta-se daquele que antes era crente (Hb 13.14) (Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD, pág. 1903).

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Quando o cristão estaciona na fé e não se aprofunda no conhecimento das coisas de Deus, corre o risco de ser levado por ventos de doutrinas (Ef 4.14) e apostatar, vindo a perder-se eternamente por não se arrepender. O tema desta lição, por seu expressivo conteúdo doutrinário, merece cuidadosa análise à luz da Palavra de Deus.

 

I. INFÂNCIA ESPIRITUAL

 

1. Negligentes para ouvir (5.11). É próprio das crianças em geral serem negligentes para ouvir. Faz parte da sua estultícia (Pv 22.15). Aqui o escritor dirige-se aos cristãos que já deviam “ser mestres pelo tempo”, ou seja, pessoas que não eram mais neófitas na fé. Aliás, os novos convertidos, vistos como crianças espirituais, normalmente são os melhores ouvintes.

2. Necessitados de leite (vv.12,13). O crente “menino” não se desenvolve por não saber ouvir a Palavra de Deus. Os leitores da Epístola aos Hebreus ainda careciam dos ensinamentos rudimentares da fé cristã: precisavam “de leite, e não de sólido alimento”. Aliás, em nossos dias, observa-se muita “meninice” em diversas igrejas. Trata-se de “movimentos estranhos”, embusteiros e perigosos, que não têm base na Palavra de Deus.

Essa gente precisa, se quer mesmo crescer e ser adulto na fé, do leite puro da Palavra de Deus para crescimento, fortalecimento e imunização espiritual.

 

II. OS RUDIMENTOS DA DOUTRINA

 

1. Arrependimento e fé (6.1). Constituem os dois pilares da doutrina da salvação. São elementos fundamentais que não podem faltar no ensinamento e formação do novo convertido.

O escritor fala de “arrependimento de obras mortas”. Sendo eles judeus convertidos ao cristianismo, provavelmente ainda queriam reviver os velhos conceitos da lei, tais como a guarda do sábado, a implementação dos sacrifícios, a observância das luas novas, etc, esquecendo-se da salvação somente pela graça, mediante a fé.

2. Batismos e imposição de mãos (v.2). A doutrina dos batismos faz parte do início da fé, e não dos estágios mais avançados do desenvolvimento espiritual. Hoje, ainda há “meninos”, ensinando que só se deve batizar em nome de Jesus, e não na forma trinitariana como Jesus ordenou (cf. Mt 28.19). Quanto à imposição das mãos, nos moldes do Antigo Testamento, que consistia num gesto simbólico de transmissão de bênçãos (como fez Jacó), os crentes daquela ocasião não deveriam mais preocupar-se. Agora, com Cristo, o gesto de impor as mãos, no nome de Jesus, propicia a cura divina (Mc 16.18; At 28.8).

3. Ressurreição e juízo (v.2). Todo crente em Jesus, desde o início de sua fé, em seu discipulado básico, deve saber que Cristo morreu por nossos pecados, mas ressuscitou para nossa justificação (Rm 4.25), e para um dia julgar o mundo com justiça (At 17.31).

 

III. O GRAVE PERIGO DA APOSTASIA

 

1. O que é apostasia. Do gr. apostásis, afastamento, abandono da fé. Apostatar significa abandonar a fé cristã de modo premeditado e consciente. No texto em apreço o escritor adverte quanto ao perigo da apostasia.

2. O arrependimento impossível (vv.4,5). O capítulo em estudo contém uma solene advertência contra a apostasia deliberada e insensível. Nele são apresentados cinco motivos pelos quais um apóstata empedernido não pode mais arrepender-se:

a) “Já uma vez foram iluminados”. Jesus é a luz do mundo (Jo 8.12); os que o aceitam de verdade, experimentam seu perfeito fulgor, e reconhecem que outrora encontravam-se nas trevas, no mundo, sem Deus e sem salvação. Agora não são mais novos convertidos. São crentes que sabem diferençar as trevas do Diabo da luz de Cristo.

b) “Provaram o dom celestial”. O texto não se refere a neófitos na fé, com limitada convicção do evangelho. Refere-se, sim, a crentes que tiveram uma experiência real com Cristo (ver 1 Pe 2.1-3), provando a salvação que, pela fé, é dom de Deus (Ef 2.8,9).

c) “E se fizeram participantes do Espírito Santo”. Aqui a advertência é severa para aqueles que foram pelo Espírito Santo imersos no corpo de Cristo. O apóstolo Paulo diz que “todos temos bebido de um Espírito” (1 Co 12.12,13). Fica claro que o escritor dirigia-se a pessoas que conheciam muito bem o significado da comunhão com o Espírito Santo.

d) “E provaram a boa palavra de Deus”. O escritor repete o verbo provar, referindo-se a crentes que tiveram um conhecimento mais que superficial das verdades de Deus, expressas em sua Palavra. Não apenas sentiram o “cheiro”, mas “comeram” a Palavra, experimentando-a e confirmando-a como verdadeira (cf. Jo 17.17).

e) “E (provaram) as virtudes do século futuro”. Os leitores da carta eram crentes que além da vasta experiência espiritual, puderam, ainda no presente, experimentar as bênçãos e as virtudes do porvir. Jesus disse: “E curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: É chegado a vós o Reino de Deus” (Lc 10.9); “... o Reino de Deus está entre vós” (Lc 17.21).

3. A recaída no fosso da apostasia (v.6). O escritor diz que para aqueles que possuíam as experiências descritas nos vv. 4 e 5, e recaíssem, seria “impossível” (v.4a) serem “outra vez renovados para arrependimento” (v.6a). Não se trata de um crente que se afasta da igreja local por pecados relativamente comuns entre os homens. Quase sempre essas pessoas se arrependem e pedem perdão a Deus e à igreja. A impossibilidade de arrependimento referida pelo escritor, diz respeito a crentes que, mesmo providos das experiências mencionadas acima, abandonam a Cristo, negando-o e renegando-o de modo proposital e deliberado. Trata-se de uma pessoa que chegou a um estágio tão escrachado de desvio, que sua consciência encontra-se cauterizada (conforme 1 Tm 4.2), ficando insensibilizado a qualquer advertência por parte do Espírito Santo.

É uma situação tão difícil que a pessoa acaba blasfemando contra o Espírito de Deus, não tendo mais condições de obter o perdão do Pai (cf. Mt 12.31). Este é o “pecado para a morte” de que trata o apóstolo João em sua epístola (1 Jo 5.16b).

4. Expondo Cristo ao vitupério.

a) Voltam a crucificar o Filho de Deus. A morte de Cristo foi por Deus preordenada para ocorrer apenas uma vez, como de fato aconteceu. Os sacerdotes do Antigo Testamento ofereciam muitas vezes sacrifícios, inclusive por si mesmos (Hb 9.26). Mas Cristo ofereceu-se uma única vez “para tirar os pecados de muitos” (Hb 9.28). Quem o conhece, experimentou sua salvação, e mesmo assim, peca proposital e deliberadamente, volta a crucificá-lo, expondo-o ao vitupério.

b) Terra maldita. Usando uma trágica metáfora, o escritor dá a entender que o coração de quem tem conhecimento de Cristo e o despreza, apostatando da fé, é como uma terra antes boa, mas tornando-se reprovada, “produz espinhos e abrolhos”, e só presta para ser queimada.

 

IV. A FIDELIDADE DE DEUS

 

1. Deus não é injusto (v.10). O escritor considera os destinatários de sua carta como pessoas amadas, de quem espera “coisas melhores, e coisas que acompanham a salvação...”. Isso prova que, embora a apostasia os ameaçasse constantemente, eles não tinham caído nela: estavam sendo advertidos. Em seguida, ele diz que “Deus não é injusto” para se esquecer da obra, do trabalho e da caridade deles para com os santos, a quem serviam.

2. Deus cumpre suas promessas (v.13). Deus fez promessa a Abraão e, como não tinha alguém maior por quem jurasse, jurou por si mesmo, prometendo abençoá-lo e multiplicá-lo na terra, ainda que sua esposa fosse estéril. E o patriarca alcançou a bênção, porque esperou com paciência (vv.14,15).

3. É impossível que Deus minta (vv.16-20). Deus quis mostrar a “imutabilidade de seu conselho aos herdeiros da promessa”, fazendo um juramento. Certamente Deus não precisa jurar, mas para que os homens não tivessem dúvida, Ele “se interpôs com juramento”. O escritor enfatiza que “é impossível que Deus minta” e, por isso, devemos “reter a esperança proposta, a qual temos como âncora da alma, segura e firme, e que penetra até o interior do véu”, onde está Jesus, nosso mui amado e eterno Sumo Sacerdote.

 

CONCLUSÃO

 

Aqueles que têm a experiência gloriosa da salvação precisam cuidar-se para não caírem no engano do Diabo. É indescritível o prejuízo de quem apostata da fé, negando a eficácia do sangue de Cristo para a salvação dos pecadores. Tais desafortunados podem chegar à situação de arrependimento impossível, e se perderem eternamente.

 

VOCABULÁRIO

 

Apostatar: Desertar (da fé), mudar de religião ou de partido.
Blasfemar: Proferir palavras blasfemas e ultrajantes.
Carecer: Não ter, não possuir.
Embusteiro: Quem ou aquele que usa de embustes; mentiroso, intrujão, impostor.
Empedernido: Que se tornou duro como pedra; petrificado; endurecido, insensível, duro.
Estultícia: Qualidade ou procedimento de estulto; estultice.
Implementar: Dar, executar a (um plano, programa ou projeto).
Premeditar: Resolver com antecipação e refletidamente; planejar.
Propiciar: Tornar propício, favorável.
Rudimentar: Que tem o caráter de rudimento; elementar.
Vitupério: Insulto, injúria, ato vergonhoso, infame ou criminoso.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Quem são considerados meninos espirituais?

R. Aqueles a quem se torna necessário ensinar os rudimentos da doutrina de Cristo.

 

2. Que é apostasia?

R. O afastamento da fé.

 

3. Por que é impossível alguém que apóstata deliberadamente arrepender-se?

R. Porque “de novo crucificam o Filho de Deus e o expõem ao vitupério”.

 

4. A que tipo de terra é comparado o coração do apóstata deliberado?

R. A uma terra maldita.

 

5. O que é impossível a Deus, segundo a lição?

R. Que Ele minta.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Bibliológico

 

“Neste ponto, o autor poderia ter procedido a comparação de Cristo com Melquisedeque. Mas, temendo que o leitor não alcançasse o seu significado, uma vez que seria contrária às opiniões correntes judaicas, ele formula um aviso e só retoma o argumento a partir do capítulo 7.

Nos versículos 11-14 (Cap. 5), o autor alerta quanto aos perigos de estacionar na vida espiritual e menciona as possíveis consequências. A vida espiritual é semelhante à natural: em todos os seus estágios depende de fatores sem os quais não poderá ser mantida. Um crescimento sadio dá ao cristão condições de se apropriar do que seria impossível num estágio anterior e inferior. Contudo, essa constatação traz sérias responsabilidades:

a) O período de infância espiritual pode ser prorrogado de forma abusiva, como fizeram os hebreus, mantendo-se como ‘criancinhas’ — estágio esse que já deveriam ter passado (vv.11,12).

b) Como consequência do primeiro item, a pessoa pode não estar preparada para a instrução mais madura (‘sólido mantimento’), em tudo necessária, quando ministrada a seu tempo (vv.13,14).

Os hebreus eram ainda ‘criancinhas’ quando, pelo tempo de convertidos, deveriam ter alcançado certa maturidade. Já era tempo de serem mestres e não de estarem buscando instrução elementar. Eram inexperientes, imaturos e despreparados para participar das discussões sobre problemas de grande vulto do pensamento cristão.

Segue-se uma exortação para avançarem na busca de um conhecimento mais elevado a que o autor os conduz, convicto de que o acompanharão (6.1-3): ‘Pelo que, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até a perfeição’. Os crentes hebreus precisarão de maior percepção espiritual, uma vez que o autor irá demonstrar que o sacerdócio de Cristo significa a abolição da Antiga Aliança.

Não se consegue a maturidade cristã retornando aos padrões dos primeiros estágios da instrução cristã. Para que o edifício espiritual seja concluído, é mister ir além dos alicerces — o arrependimento das obras mortas pela fé em Deus” (Comentário Bíblico Hebreus. CPAD, págs. 136,137).

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 2001

 

Título: Hebreus — “... os quais ministram em figura e sombra das coisas celestes

Comentarista: Elinaldo Renovato

 

 

 

Lição 7: Cristo, Sacerdote eterno e perfeito

Data: 12 de Agosto de 2001

 

TEXTO ÁUREO

 

Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus” (Hb 7.26).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Jesus Cristo no céu é o nosso eterno Sumo Sacerdote, sempre intercedendo por nós perante a face de Deus.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - At 2.32

Jesus venceu a morte

 

 

 

Terça - At 10.38

Jesus, o ungido de Deus

 

 

 

Quarta - At 16.31

Jesus, nosso Salvador

 

 

 

Quinta - 1 Co 3.11

Jesus, nosso fundamento

 

 

 

Sexta - 1 Tm 2.5

Jesus, único mediador

 

 

 

Sábado - Hb 2.9

Jesus, coroado de glória

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Hebreus 7.1-3,11,12,24-27.

 

1 - Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da matança dos reis, e o abençoou;

2 - a quem também Abraão deu o dízimo de tudo, e primeiramente é, por interpretação, rei de justiça e depois também rei de Salém, que é rei de paz;

3 - sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas, sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre.

11 - De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (porque sob ele o povo recebeu a lei) que necessidade havia logo de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque, e não fosse chamado segundo a ordem de Arão?

12 - Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei.

24 - mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo.

25 - Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.

26 - Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus,

27 - que não necessitasse, como sumos sacerdotes, de oferecer a cada dia sacrifícios, primeiramente, por seus próprios pecados, e depois, pelos do povo; porque isso fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo.

 

PONTO DE CONTATO

 

Melquisedeque é descrito, em poucas palavras, como uma figura singular na história do Antigo Testamento. Sua genealogia é desconhecida, como também não é registrado nada depois do seu aparecimento até Abraão. O que se sabe de Melquisedeque é que era sacerdote do Deus Altíssimo, rei de justiça e que recebeu os dízimos de Abraão. Se esse sacerdote foi honrado pelo patriarca, maior honra deve ter o Senhor Jesus, que é infinitamente superior a Melquisedeque. O autor da epístola aos hebreus demonstra a insuficiência da lei, que não podia salvar nem aperfeiçoar os homens em Deus. Jesus Cristo por sua vez, como sacerdote perfeito e definitivo, proveu-nos mediante a nossa fé a eterna salvação.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Explicar as características de Melquisedeque como uma prefiguração de Cristo.
  • Descrever a mudança obrigatória do sacerdócio e da lei, feita por Jesus.
  • Valorizar o sacerdócio perfeito de Cristo.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

O autor da epístola agora reverte ao argumento deixado no capítulo 5, versículo 10, no qual se referia a Cristo como Sumo Sacerdote de um serviço divino, de ordem mais elevada do que aquela estabelecida sob a lei mosaica. Esta ordem sacerdotal é de origem divina e segundo a ordem de Melquisedeque. A descrição histórica desse personagem singular, encontra-se em Gênesis 14.17-20. Ele surge nas páginas sagradas qual estrela nova, no firmamento. Logo desaparece para só o encontrarmos na epístola aos hebreus.

O fato de as Escrituras não apresentarem o registro genealógico do nascimento de Melquisedeque ou sua morte, já o torna tipo perfeito do sacerdócio eterno de Cristo.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Divida a turma em quatro grupos. Depois distribua entre os grupos as tarefas discriminadas abaixo. Tais atividades deverão ser realizadas no máximo em 10 minutos. Cada grupo deverá apresentar no quadro de giz um esboço ou resumo de suas conclusões.

 

Grupo A: Listar as características de Melquisedeque (vv.1-8).

Grupo B: Responder qual a relação entre Melquisedeque e o sacerdócio levítico (vv.4-10).

Grupo C: Comparar o sacerdócio levítico com o de Cristo (vv.11-25).

Grupo D: Demonstrar a qualidade superior do sacerdócio de Cristo (vv.26-28).

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

São poucas, mas profundas as informações da Epístola sobre Melquisedeque, as quais fazem deste uma personagem enigmática, de difícil compreensão quanto à sua origem, desenvolvimento e consumação de sua obra. Cristo Jesus, ao contrário, sendo Deus, revelou-se de tal forma à humanidade, que dEle se pode conhecer o que Deus quis revelar, tornando-se nosso sacerdote eterno, perfeito e imaculado.

 

I. QUEM ERA MELQUISEDEQUE

 

A Bíblia não provê detalhes sobre a pessoa de Melquisedeque; daí haver muitas especulações a seu respeito.

1. Era rei de Salém. “E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho...” (Gn 14.18a; Hb7.1); “e este era sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14.18). Esta é a primeira referência bíblica a Melquisedeque. Ele aparece nas páginas do Antigo Testamento, quando foi ao encontro de Abraão, após este haver derrotado Quedorlaormer, rei de Elão, e seus aliados. Salém veio a ser Jerusalém após a ocupação da terra prometida por Deus a Abraão e seus descendentes (Gn 14.18; Js 18.28; Jz 19.10). Rei de Salém que dizer “rei de paz” (v.2b).

2. Era sacerdote do Deus Altíssimo. “... e este era sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14.18b; Hb 7.1). As funções de rei e sacerdote conferiam-lhe grande dignidade perante os que o conheciam. Estas duas funções são relembradas em Hb 7.1: “Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo...”.

3. Era de uma ordem sacerdotal diferente. Estudiosos da Bíblia supõem que Melquisedeque pertencia a uma dinastia de reis-sacerdotes, que tiveram conhecimento do Deus Altíssimo pela tradição oral inspirada, transmitida desde o princípio, quando a religião era única e monoteísta e que conservava a esperança do Redentor da raça humana, conforme Gn 3.15. Ele não pertencia à linhagem sacerdotal arônica, proveniente da tribo de Levi.

4. Recebeu dízimos de Abraão (Hb 7.2). Isto nos mostra que a instituição do dízimo remontava ao período bem anterior à Lei. Esse fato indica “quão grande” era Melquisedeque (v.4). Ele abençoou Abraão, como detentor das promessas (vv.5,6).

5. Era rei de justiça (v.2). Como um tipo de Cristo, Melquisedeque tinha as qualidades de um rei justo e fiel.

6. Sem genealogia (v.3). O texto afirma ter sido Melquisedeque “sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida...”. O que o sacro escritor quer dizer é que não ficou registrada sua ascendência e sua descendência, bem como os dados referentes a sua morte. Pelo contexto, entende-se que ele era um homem com características especiais diante de Deus.

 

II. A MUDANÇA DO SACERDÓCIO E DA LEI

 

1. O novo e perfeito sacerdócio (v.11b). O sacerdócio levítico era imperfeito (v.11a). Nele, os sacrifícios, as ofertas, o culto e a liturgia eram apenas sombra do verdadeiro sacerdócio, que veio por Cristo. O sacerdócio de Cristo, não da ordem de Arão ou de Levi, mas “segundo a ordem de Melquisedeque”, trouxe a perfeição no relacionamento do homem com Deus.

O primeiro sacerdócio, com suas imperfeições, não era capaz de salvar, mas Cristo como Sumo Sacerdote, mediante o seu próprio sangue deu-nos acesso a Deus, garantindo-nos a salvação plena.

2. Mudança de lei (v.12). “Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei”. Com Cristo, de fato, houve uma mudança não só do sacerdócio, mas também da lei. Antes, era a lei da justiça, a lei das obras. Com Cristo, veio a lei da graça, a lei do amor.

3. A lei era ineficaz. “O precedente mandamento”, ou seja, a antiga lei, foi “ab-rogado por causa de sua fraqueza e inutilidade” (v.18). Ab-rogar quer dizer anular, cessar, perder o efeito, revogar. Foi o que aconteceu quando Cristo trouxe o evangelho, ab-rogando a antiga lei, a Antiga Aliança.

 

III. O SACERDÓCIO PERPÉTUO E PERFEITO DE CRISTO

 

1. Jesus trouxe salvação perfeita (v.25). Os sacerdotes do antigo pacto pereceram (v.23). O sacerdócio arônico foi constituído por centenas de sacerdotes, que se sucediam constantemente, visto que “pela morte foram impedidos de permanecer”. Os sacerdotes arônicos apenas intercediam pelos homens a Deus, mas não os salvavam. Jesus, nosso Sumo Sacerdote, não só “vive sempre para interceder” por nós, como nos assegurou uma perfeita salvação por seu intermédio (v.25; Rm 8.34). Jesus garante salvação plena (Jo 5.24), sem depender de um suposto purgatório ou de uma hipotética reencarnação.

2. Jesus, sacerdote perfeito (v.26). A Palavra de Deus indica aqui as qualificações de Cristo, que o diferenciam de qualquer sacerdote do antigo pacto. “Porque nos convinha tal sumo sacerdote”:

a) Santo. O sacerdote do Antigo Testamento teria que ser santo, separado, consagrado. Até suas vestes eram santas (Êx 28.2,4; 29.29). Contudo, eram homens falhos, imperfeitos, sujeitos ao pecado. Jesus, nosso Sumo Sacerdote, era e é santo no sentido pleno da palavra.

b) Inocente. Porque nunca pecou, Jesus não tinha qualquer culpa. Ele desafiava seus adversários a acusá-lo (Jo 8.46).

c) Imaculado. O cordeiro, na antiga Lei, tinha que ser sem mancha (Lv 9.3; 23.12; Nm 6.14). Jesus, como o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29), não tinha qualquer mancha moral ou espiritual.

d) Separado dos pecadores. Jesus viveu entre os homens, comeu com eles, inclusive na casa de pessoa de baixa reputação, como Zaqueu, mas foi “separado dos pecadores”. Ele não se misturou, nem se deixou influenciar pelo comportamento dos homens maus.

e) Feito mais sublime do que os céus. Tal expressão fala da exaltação de Cristo, como dele está predito na Bíblia: “Pela minha vida, diz o Senhor, todo joelho se dobrará diante de mim, e toda língua confessará a Deus” (Rm 14.11).

f) Ofereceu-se a si mesmo, uma só vez (v.27). Os sumos sacerdotes do Antigo Testamento necessitavam de oferecer sacrifícios, muitas vezes, primeiro por eles próprios e, depois, pelo povo. Mas Jesus, por ser imaculado, sem pecado, não precisou fazer isso por si. Tão somente ofereceu-se num sacrifício perfeito, uma vez, pelos pecadores.

 

CONCLUSÃO

 

Nesta lição verificamos que, em todos os aspectos o sacerdócio de Cristo, proveniente da ordem de Melquisedeque, é superior ao sacerdócio arônico. Com isto, devemos ser gratos a Deus por fazermos parte de sua linhagem espiritual.

 

VOCABULÁRIO

 

Dignidade: Autoridade moral, honestidade, honra.
Hipotético: Fundado em hipótese, duvidoso, incerto.
Imaculado: Que não tem mácula ou mancha de pecado, puro, inocente.
Linhagem: Genealogia, geração.
Monoteísta: Que ou quem admite um só Deus.
Reputar: Considerar, julgar, achar.
Sacro: Sagrado, venerável, respeitável.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Quem era Melquisedeque?

R. Era rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo.

 

2. Por que se diz que Melquisedeque não tinha genealogia?

R. Porque não ficou registrada sua ascendência e sua descendência.

 

3. Qual o significado das ofertas, do culto e dos sacrifícios no AT?

R. Sombra ou cópia do verdadeiro sacerdócio, que veio com Cristo.

 

4. O que mudava com a mudança do sacerdócio?

R. A lei.

 

5. Por que Cristo foi considerado sacerdote imaculado?

R. Porque não tinha qualquer mancha moral ou espiritual de que fosse acusado.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“Melquisedeque (Hb 7.1). Melquisedeque, contemporâneo de Abraão, foi rei de Salém e sacerdote de Deus (Gn 14.18). Abraão lhe pagou dízimos e foi por ele abençoado (vv.2-7). Aqui, a Bíblia o tem como uma prefiguração de Jesus Cristo, que é tanto sacerdote como rei (v.3) O sacerdócio de Cristo é ‘segundo a ordem de Melquisedeque’ (6.20), o que significa que Cristo é anterior a Abraão, a Levi e aos sacerdotes levítico, e maior que todos eles.

“Sem pai, sem mãe (Hb 7.3). Isso não significa que Melquisedeque, literalmente, não tivesse pais nem parentes, nem que era anjo. Significa tão somente que as Escrituras não registram a sua genealogia e que nada diz a respeito do seu começo e fim. Por isso, serve como tipo de Cristo eterno, cujo sacerdócio nunca terminará.

Vivendo sempre para interceder (Hb 7.25). Cristo vive no céu, na presença do Pai (8.1), intercedendo por todos os seus seguidores, individualmente, de acordo com a vontade do Pai (cf. Rm 8.33,34; 1 Tm 2.5; 1 Jo 2.1). (1) Pelo ministério da intercessão de Cristo, experimentamos o amor e a presença de Deus e achamos misericórdia e graça para sermos ajudados em qualquer tipo de necessidade (4.15; 5.2), tentação (Lc 22.32), fraqueza (4.15; 5.2), pecado (1 Jo 1.9; 2.1) e provação (Rm 8.31-39). (2) A oração de Cristo como sumo sacerdote em favor do seu povo (Jo 17), bem como sua vontade de derramar o Espírito Santo sobre todos os crentes (At 2.33) nos ajudam a compreender o alcance do seu ministério de intercessão (ver Jo 17.1). (3) Mediante a intercessão de Cristo, aqueles que se chegam a Deus (i.e., se chega continuamente a Deus, pois o particípio no grego está no tempo presente e salienta a ação contínua) podem receber graça para ser salvo ‘perfeitamente’. A intercessão de Cristo como nosso sumo sacerdote é essencial para a nossa salvação. Sem ela, e sem sua graça e misericórdia e ajuda que nos são outorgadas através daquela intercessão, nos afastaríamos de Deus, voltando a ser escravos do pecado e ao domínio de satanás, e incorrendo em justa condenação. Nossa esperança é aproximar-nos de Deus por meio de Cristo, pela fé (ver 1 Pe 1.5)” (Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD, págs. 1907-1909).

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 2001

 

Título: Hebreus — “... os quais ministram em figura e sombra das coisas celestes

Comentarista: Elinaldo Renovato

 

 

 

Lição 8: Cristo, mediador de uma melhor aliança

Data: 19 de Agosto de 2001

 

TEXTO ÁUREO

 

Porque este é o concerto que, depois daqueles dias, farei com a casa de Israel, diz o Senhor: porei as minhas leis no seu entendimento e em seu coração as escreverei; e eu lhes serei por Deus, e eles me serão por povo!” (Hb 8.10).

 

VERDADE PRÁTICA

 

O Antigo Pacto cumpriu o seu objetivo e foi substituído por outro superior, sendo Cristo o seu mediador.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - 1 Tm 2.5

Cristo, mediador entre Deus e os homens

 

 

 

Terça - Hb 8.6

Mediador de melhor concerto

 

 

 

Quarta - Hb 9.15

Mediador da Nova Aliança

 

 

 

Quinta - Is 54.10

Aliança da paz

 

 

 

Sexta - Is 55.3

Aliança perpétua

 

 

 

Sábado - Jr 31.31

Nova Aliança

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Hebreus 8.1-4,6-13.

 

1 - Ora, a suma do que temos dito é que temos um sumo sacerdote tal, que está assentado nos céus à destra do trono da majestade,

2 - ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem.

3 - Porque todo sumo sacerdote é constituído para oferecer dons e sacrifícios; pelo que era necessário que este também tivesse alguma coisa que oferecer.

4 - Ora, se ele estivesse na terra, nem tampouco sacerdote seria, havendo ainda sacerdotes que oferecem dons segundo a lei.

6 - Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de um melhor concerto, que está confirmado em melhores promessas.

7 - Porque, se aquele primeiro fora irrepreensível, nunca se teria buscado lugar para o segundo.

8 - Porque, repreendendo-os, lhes diz: Eis que virão dias, diz o Senhor, em que com a casa de Israel e com a casa de Judá estabelecerei um novo concerto,

9 - não segundo o concerto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; como não permaneceram naquele meu concerto, eu para eles não atentei, diz o Senhor.

10 - Porque este é o concerto que, depois daqueles dias, farei com a casa de Israel diz o Senhor, porei as minhas leis no seu entendimento e em seu coração as escreverei; e eu lhes serei por Deus, e eles me serão por povo.

11 - E não ensinará cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece o Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior.

12 - Porque serei misericordioso para com as suas iniquidades e de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais.

13 - Dizendo novo concerto, envelheceu o primeiro. Ora, o que foi tornado velho e se envelhece perto está de acabar.

 

PONTO DE CONTATO

 

Jesus Cristo é o Mediador da Nova Aliança. Que significa isso? Qual a importância desse fato? A aliança dada por Moisés deveria ser desprezada? Se todos os rituais e cerimônias do judaísmo haviam perdido o seu valor, o que existia para tomar o seu lugar? Qual seria a base para alguém se comunicar com Deus? Estas eram as interrogações daqueles crentes hebreus. O presente estudo declara-nos a resposta: a base agora deveria ser Jesus Cristo. Ele é o Ministro do “verdadeiro tabernáculo” (v.2); o Mediador de superior aliança (v.6). O tabernáculo é a morada de Deus. Sendo Ministro, Jesus Cristo nos leva à própria presença de Deus, onde temos plena comunhão com Ele. Por ser de uma superior aliança, Cristo nos prepara e equipa para entrarmos e morarmos no Lugar Santíssimo. Aleluia!

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Explicar o que é uma aliança.
  • Definir qual a posição de Cristo no céu.
  • Valorizar Cristo como Ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Nós, os crentes do Novo Concerto, possuímos um Sumo Sacerdote de classe única e proeminente: Alguém que em si mesmo é a realidade, que corresponde e cumpre o padrão estabelecido por Deus para o sacerdócio; Alguém cujo ministério, por conseguinte, é cumprido na esfera celestial, e não na terrena; Alguém cuja obra foi consumada pela entronização à mão direita de Deus; e Alguém que, por isso mesmo, é apto para cumprir um mais excelente ministério na qualidade de mediador de um novo e melhor Concerto: Cristo, nosso amado Salvador, tornou-se ministro do verdadeiro tabernáculo, tendo entrado em nosso lugar não em algum santuário terreno, mas na própria presença de Deus, efetuou eterna redenção.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Divida a turma em dois grupos (A e B). O grupo A deverá ler Hebreus 8.1-5 e contrastar o ministério sacerdotal de Cristo com o levítico. O grupo B deverá ler Hebreus 8.7-13 e contrastar a Antiga Aliança com a Nova. Dê a eles pelo menos 10 minutos para a execução desta tarefa. Utilize o esquema abaixo para orientar esta atividade.

 

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COMENTÁRIO

 

introdução

 

A Antiga Aliança implicava mandamentos, estatutos e juízos, os quais não foram observados pelo povo escolhido. Era um concerto transitório, como indica o escritor: “Porque se aquele primeiro fora irrepreensível, nunca se teria buscado lugar para o segundo” (v.7). Diante disso, Jesus trouxe uma Nova Aliança, que se estabeleceu, não em atos exteriores, rituais, mas no interior do homem, no entendimento e no coração. Por isso, é um melhor concerto. Que o Senhor nos faça entender esse tema, e que o valorizemos em nossa vida cristã!

 

I. A POSIÇÃO DE CRISTO NO CÉU

 

1. “Um sumo sacerdote tal...” (v.1a). Com esta expressão, a Palavra de Deus visa mais uma vez enfatizar a singularidade de Cristo como Sumo Sacerdote, destacando-o e diferenciando-o dos sumo sacerdotes comuns, frágeis, mortais, da Antiga Aliança. A expressão “tal”, aqui, evidencia a incapacidade das palavras humanas para descrever a grandeza de Cristo. É o que ocorre também em Jo 3.16 (de “tal” maneira).

2. “Assentado nos céus”. Esta expressão que também aparece em 1.3; 10.12 e 12.2, indica Cristo, como Sumo Sacerdote perfeito, que realizou sua obra de tal forma que tem o direito de assentar-se no seu trono, ao lado direito do Pai. Já os sacerdotes do Antigo Pacto não podiam assentar-se, pois sua obra nunca terminava. Por isso nunca são descritos como sentados.

3. “À destra do trono da majestade” (v.1b). Cristo, à direita de Deus, está na posição da mais alta honra, nos céus. Em Mc 16.19, está escrito: “Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu e assentou-se à direita de Deus”. Jesus Cristo é o único ser que tem essa posição de extremo destaque nos céus. Tal verdade nos é transmitida, para que saibamos que o nosso mediador não é um ser celeste qualquer, mas aquele que tem posição de honra, única e destacada, diante de Deus. As nossas orações são levadas a Ele, que por nós intercede junto ao Pai.

 

II. O SACERDÓCIO DE CRISTO NOS CÉUS

 

1. “Ministro do santuário, e do verdadeiro tabernáculo”. Não obstante estar Cristo assentado à destra de Deus, e tendo concluído sua obra, quando do seu ministério terreno, Ele é aqui descrito como “ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo” (v.2). Nos céus, o Mestre amado continua a executar seu ministério ou serviço divino, como nosso mediador, intercessor, advogado e Sumo Sacerdote perante o Pai, pois entrou no Santo dos Santos.

2. O que cristo faz nos céus. Abrindo um pouco o véu da eternidade, a Bíblia revela-nos algo sobre o trabalho de Cristo nos céus. De lá, Ele controla todas as coisas, tanto as que estão nos céus, quanto as que estão na terra, no universo, enfim. Ele está assentado “à destra da majestade”, “sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder” (1.3). É muita coisa!

Em relação a nós, diz a Bíblia, que “ele está à direita de Deus, e também intercede por nós” (Rm 8.34b). Há milhões de crentes, orando todos os dias, em todos os lugares, em todas as mais de 6.000 línguas conhecidas, e Jesus está ouvindo essas orações, e intercedendo por nós. Glória a Deus! Jesus contempla todos os seus servos e trabalha em favor deles. (Leia Is 64.4).

3. Constituído por Deus (vv.2-4). Jesus, como Sumo Sacerdote constituído por Deus, no céu, exerce seu trabalho no verdadeiro tabernáculo, fundado pelo Senhor, e não pelo homem. O antigo tabernáculo, montado no deserto, deixou de existir. Sua exuberante glória desapareceu. Salomão construiu o majestoso templo, que substituiu o tabernáculo (2 Cr 7.1,11). Mais tarde, esse templo foi destruído e substituído por outro, que também desapareceu. Mas o tabernáculo celeste, no qual Cristo está, é eterno e indestrutível.

 

III. UM NOVO CONCERTO

 

1. “Um ministério mais excelente” (v.6a). Mais do que um sacerdote, na terra, Jesus foi o “cordeiro de Deus”, oferecendo-se a si mesmo como holocausto, entregando sua vida em nosso lugar (cf. Jo 10.15,28). Agora Ele exerce as funções sumo sacerdotais lá no céu: “ministério mais excelente” (1.4), que o realizado por todos os sacerdotes e sumo sacerdotes terrenos, da Antiga Aliança.

2. “Mediador dum melhor concerto” (v.6b). Numa aliança, existem três elementos envolvidos. As partes, no mínimo duas, e um mediador. No Antigo Pacto, vemos Deus de um lado e o povo de Israel de outro. O mediador era o sacerdote ou o sumo sacerdote. Foi Deus quem propôs e estabeleceu a Antiga Aliança. Os sacerdotes fizeram seu trabalho, mas fracassaram. Foram mediadores deficientes e falhos. O lado humano, representado por Israel, arruinou-se apostatando. Mas Deus, por sua infinita misericórdia, proveu-nos um Novo e melhor Concerto, “confirmado em melhores promessas” (v.6), através de Cristo.

3. O novo concerto aboliu o antigo (v.7). “Porque, se aquele primeiro fora irrepreensível, nunca se teria buscado lugar para o segundo”. Em Jeremias, lemos: “Mas este é o concerto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o SENHOR: porei a minha lei no seu interior e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (Jr 31.33). Ver Ez 36.25,26. Isto é muito significativo.

No Antigo Pacto, o culto era mais exterior: havia os sacrifícios de animais, os rituais, a guarda dos sábados, das luas novas, etc. O Novo Concerto trazido por Cristo, em tudo é superior. A lei de Cristo é colocada no coração do homem. Em lugar de todos os sacrifícios do Antigo Pacto, Cristo, entregando-se na cruz, efetuou um único e suficiente sacrifício, expiador e redentor. Glória a Deus!

 

CONCLUSÃO

 

Não devemos ter nenhuma dúvida quanto à validade da Nova Aliança, perpetrada por Cristo. O apóstolo Paulo escrevendo aos Coríntios, asseverou: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17). Isso se refere a quem aceitou a Cristo, deixando os velhos pecados e costumes, e que deve valorizar a cada dia a salvação em Cristo Jesus, não voltando às velhas práticas. É preciso ter firmeza na fé.

 

VOCABULÁRIO

 

Deficiente: Falto, falho, carente, incompleto.
Exuberante: Superabundante, cheio, repleto.
Holocausto: sacrifício em que a vítima era queimada inteira.
Implicar: Tornar confuso, enredar, embaraçar, enlear.
Transitório: De pouca duração, que passa; passageiro, efêmero, transitivo.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Que quis dizer o escritor da Carta aos Hebreus com a expressão “um sacerdote tal”?

R. Mostrar a singularidade do sacerdócio de Cristo.

 

2. Que significa, no texto, Cristo “assentado” no céu?

R. Significa que Cristo, como Sumo Sacerdote perfeito, realizou sua obra de modo tão exato que tem o direito de assentar-se no seu trono, ao lado do Pai.

 

3. Por que Jesus é apontado como “Ministro do Santuário, e do verdadeiro Tabernáculo”?

R. Porque Ele continua a executar seu ministério divino, pois entrou no lugar Santo dos Santos.

 

4. Por que o novo concerto substituiu o antigo?

R. Porque o antigo concerto envelheceu, perdendo sua finalidade com o tempo.

 

5. Onde Deus prometeu escrever o novo concerto com Israel?

R. No interior do coração.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Bibliológico

 

“O novo santuário e a nova aliança (Cap. 8). Antes de considerar detalhadamente a obra sacerdotal de Cristo (cap. 9; 10.1-18), o autor apresenta um panorama geral, quanto à natureza, da relação entre o novo santuário (8.1-6) e a Nova Aliança (8.7-13).

1. O novo santuário

O autor inicia o argumento dizendo: ‘Quanto ao assunto em discussão, este ponto é principal (a essência do que temos dito) porque agora possuímos um Sumo Sacerdote, e Ele já está exercendo a obra sacerdotal condigna à sua posição no santuário celeste’. Este santuário foi divinamente estabelecido sobre o trono da majestade nas alturas (vv.1,2).

A obra de Cristo como Sumo Sacerdote, nas regiões celestiais, de maneira nenhuma poderia cumprir-se na terra, pois no tempo que foi escrita a epístola ainda havia uma ordem sacerdotal (ultrapassada, contudo ainda funcionando) estabelecida pela lei mosaica. Uma vez que Cristo não pertencia à tribo de Levi (7.13,14), naturalmente não podia atuar com eles (vv.5,6).

2. A nova aliança

O sistema levítico baseava-se numa aliança que até os profetas reconheceram imperfeita e transitória, pois falavam do propósito divino de estabelecer uma nova. Se a primeira fosse perfeita, não haveria procura por uma segunda aliança (v.7). Daí entendemos que havia no coração do povo santo que viveu no Antigo Testamento um senso de satisfação. Procuravam algo superior. E essa aliança melhor já fora prometida, como provam as Escrituras (Jr 31.31-34; Ez 36.25-29; vv.8-12).

Características da Nova Aliança:

         Inclui todo o povo da Antiga Aliança - Israel e Judá - e mais os gentios (v.8).

         É distinta da Antiga Aliança, instituída no tempo do Êxodo (v.9), através da qual Deus ordenou uma nação em tudo separada e exclusiva, para testemunho do seu poder. A nação de Israel veio servir de tipo à ‘nação santa’ (assim representada pela igreja, 1 Pe 2.9), que seria levantada pela Nova Aliança.

         Possui características positivas, de ordem espiritual e subjetiva. Sua eficiente operação transformaria o coração daqueles que cressem, de um modo tão definitivo que os mandamentos fariam parte da personalidade deles (v.10).

         É universalmente eficaz em favor de todos os povos, incluindo a ‘casa de Israel’, de quem o Senhor seria individualmente conhecido (v.11).

         Apoia-se na graça de Deus, suficiente para prover um perdão absoluto. O pecado seria removido até da memória divina (v.12)”.

(Comentário Bíblico — Hebreus. CPAD, págs.145-147)

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 2001

 

Título: Hebreus — “... os quais ministram em figura e sombra das coisas celestes

Comentarista: Elinaldo Renovato

 

 

 

Lição 9: Cristo trouxe maior glória na adoração a Deus

Data: 26 de Agosto de 2001

 

TEXTO ÁUREO

 

Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de um melhor concerto, que está confirmado em melhores promessas” (Hb 8.6).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Com Cristo, o culto a Deus passou a ter uma glória maior do que no antigo pacto, pois Ele substituiu os símbolos rituais pela realidade da verdadeira adoração.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Êx 2.24

Um concerto com Abraão, Isaque e Jacó

 

 

 

Terça - Dt 4.13

Um concerto em tábuas de pedra

 

 

 

Quarta - Jr 31.32

Um concerto invalidado

 

 

 

Quinta - Jr 31.31

Um Novo Concerto com Israel

 

 

 

Sexta - Jr 31.33

Um Novo Concerto no coração

 

 

 

Sábado - Rm 8.1

Um Concerto sem condenação

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Hebreus 9.1,2,11,12,15,22-28.

 

1 - Ora, também o primeiro tinha ordenanças de culto divino e um santuário terrestre.

2 - Porque um tabernáculo estava preparado, o primeiro, em que havia o candeeiro, e a mesa, e os pães da proposição; ao que se chama o Santuário.

11 - Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação,

12 - nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção.

15 - E, por isso, é mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna.

22 - E quase todas as coisas segundo a lei, se purificam com sangue, e sem derramamento de sangue não há remissão de pecado.

23 - De sorte que era bem necessário que as figuras das coisas que estão no céu assim se purificassem; mas as próprias coisas celestiais, com sacrifícios melhores do que estes.

24 - Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer, por nós, perante a face de Deus;

25 - nem também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no santuário com sangue alheio.

26 - Doutra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas, agora, na consumação dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo.

27 - E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo,

28 - assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para a salvação.

 

PONTO DE CONTATO

 

Antes de falar sobre as glórias do sacerdócio de Cristo, o escritor apresenta em retrospecto o ministério levítico, descrevendo o Tabernáculo com seus dois compartimentos, o Lugar Santo e o Santo dos Santos. Havia algo de belo e majestoso nessa antiga administração do culto e serviço sacerdotal, o qual, pelo contraste, enaltece a glória da nova ordem cristã.

Deus ordenou ao povo de Israel que construísse um santuário, e orientou-o em cada detalhe desta construção. Em razão de ser a habitação de Deus no deserto, o povo o venerava. Entretanto, o tabernáculo e seus elementos eram passageiros e inferiores a Cristo.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Relacionar os elementos que compunham os móveis do tabernáculo.
  • Reconhecer Cristo como sacerdote dos bens futuros e da nossa confissão.
  • Identificar o sacrifício de Cristo como perfeito e absoluto.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Sob a ordem mosaica entendia-se que não havia livre acesso à presença de Deus. Somente uma vez por ano, e isso por meio dum representante. Somente mediante sacrifício cruento podia o povo aproximar-se de Deus. A lição que aprendemos é que devido ao pecado, o propósito do homem de acercar-se diretamente de Deus era frustrado. Toda a economia levítica era provisória, não passando de sombra ou tipo da realidade celestial. Os sacrifícios anuais jamais poderiam resolver o problema da consciência. Por serem provisórios, eles aguardavam um tempo de “reforma”, uma ocasião melhor.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Se possível, amplie no quadro de giz a figura abaixo. Em seguida convide sete dos seus alunos para colocarem o nome das peças do tabernáculo no lugar correspondente.

 

    1. Altar do holocausto

    2. Bacia de bronze

    3. Mesa dos pães da proposição

    4. Candeeiro de ouro

    5. Altar do incenso

    6. Arca da aliança

    7. Propiciatório

 

 

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Nas lições referentes aos capítulos de 8 a 10 da epístola em estudo, vemos a diferença marcante entre o ministério sacerdotal, no antigo pacto, e o de Cristo, como Sumo Sacerdote no Novo Concerto. Nesta lição, que dá sequência ao tema da anterior, veremos, mais uma vez, que, em todos os aspectos, o Novo Concerto é melhor e mais glorioso que o primeiro.

 

I. O CULTO DIVINO EM SANTUÁRIO TERRESTRE

 

1. O culto no lugar santo do tabernáculo (9.1,2). O tabernáculo, onde as atividades do culto eram intensas, dividia-se em três partes: o Pátio, o Lugar Santo e o Santo dos Santos. O v.2 refere-se à segunda parte — o lugar santo, chamando-o “o primeiro”, pelo fato dele ser a primeira das duas partes cobertas: o Lugar Santo e o Santo dos Santos. O Pátio era descoberto.

2. Os elementos do Lugar Santo. Após o véu da entrada, viam-se três elementos importantes na segunda parte do tabernáculo: “o candeeiro, a mesa e os pães da proposição” (v.2). O tabernáculo revelava que Deus queria manifestar-se no meio de seu povo (Êx 25.8). Hoje, devemos valorizar o ambiente do templo, na igreja local, pois é consagrado ao culto a Deus.

a) O candeeiro, castiçal ou candelabro. Era uma peça maciça, de ouro puro, cujas lâmpadas eram acesas diariamente (Êx 25.31; Lv 24.1-4), representando Cristo, a luz do mundo (Jo 8.12);

b) Os pães da proposição. Ficavam sobre a mesa, que era um móvel de madeira de cetim, revestida de ouro. Os pães da proposição eram um tipo de Cristo, o pão da vida (Jo 6.35).

c) O altar do incenso. O escritor não fala do altar do incenso, mas este também estava no Lugar Santo (ver Êx 30.1-3) representando Cristo, nosso intercessor (Jo 17.1-26; Hb 7.25). Ele ocupava uma posição central no santuário, indicando que a vida de oração é fundamental no culto a Deus. A negligência à oração revela imaturidade espiritual.

3. O lugar Santo dos Santos (vv.3-7). No seu interior, estava a arca do concerto, com a sua cobertura ou propiciatório, com querubins entalhados nas extremidades (Êx 25.10). A arca representava a presença de Deus ou Cristo, nosso Emanuel, que é Deus conosco (Mt 1.23). Na arca, estavam o maná, em memória da provisão de Deus, ou Cristo, o “pão que desceu do céu” (Jo 6.58); a vara de Arão, lembrando a fidelidade de Deus; e as tábuas do concerto, para que o povo não se esquecesse da importância da lei. Mas havia um véu, separando o Lugar Santo do Lugar Santíssimo (vv.3,7,8). Aquele véu indicava “que ainda o caminho do Santuário não estava descoberto, enquanto se conservava em pé o primeiro tabernáculo” (v.8).

Quando oramos, não devemos ficar “no Pátio” (oração monótona). Precisamos passar ao “Lugar Santo” (oração objetiva) e chegar ao “Santo dos Santos” (oração no Espírito).

 

II. UM MAIOR E MAIS PERFEITO TABERNÁCULO

 

1. Cristo, Sumo Sacerdote dos bens futuros (v.11). Esses “bens futuros” ainda não estão plenamente ao nosso alcance. A salvação é presente, mas depende de nossa perseverança até o fim (Mt 10.22; 24.13; cf. Rm 13.11). O reino absoluto de Cristo e a feliz eternidade com Deus nos aguardam. Os céus nos esperam. A Nova Jerusalém está preparada para os santos do Senhor.

2. Um perfeito tabernáculo (v.11). O tabernáculo celestial, “não feito por mãos”. Os utensílios do antigo tabernáculo desapareceram. Onde estará a arca? O altar do incenso? Não se sabe. Porém Cristo, ao morrer, fez com que o véu do templo (em Jerusalém) se rasgasse de alto a baixo, demonstrando que o caminho para o verdadeiro santuário, que é a presença de Deus, estava definitivamente aberto para o homem que nEle crê.

3. Mediador de um Novo Testamento.

a) O Velho Testamento foi superado. O Velho Testamento era a sombra das coisas celestes, providas por Deus para a redenção do homem. A lei, que orientava o culto no antigo santuário, não justificou ninguém (Gl 3.11). Pelo contrário, os que estavam debaixo das obras da lei estavam sob maldição, por não poderem cumprir todas as suas cláusulas (Gl 3.10).

b) O Novo Testamento é superior. Cristo tornou-se “Mediador de um Novo Testamento” (v.15), que contém as cláusulas marcantes e definitivas do novo relacionamento de Deus com o homem, e deste com Deus. Ele “entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção” (v.12).

c) A morte do testador. O testamento só tem validade com a morte do testador (v.16). Uma vez que Cristo morreu, o Novo Testamento passou a ter validade, garantindo-nos uma “herança eterna” (v.15). No antigo tabernáculo, a expiação dos pecados era temporária e parcial. No novo, com a garantia do Novo Testamento, a redenção é perfeita, definitiva e perene.

d) Sacerdote imaculado (v.14). Os sacerdotes eram imperfeitos. Cristo, nosso Sumo Sacerdote, com seu sangue, “pelo Espírito eterno, se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus”, purificando as consciências “das obras mortas” para que sirvamos ao Deus vivo (v.14). O Velho Testamento era validado pelo sangue de animais (v.19). O Novo legitimou-se pelo sangue de Cristo, derramado em nosso lugar.

 

III. O SACRIFÍCIO PERFEITO DE CRISTO

 

1. “Sem derramamento de sangue não há remissão” (v.22). A Bíblia ressalta que, no antigo tabernáculo, “quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue”, enfatizando que “sem derramamento de sangue não há remissão” (cf. Lv 17.11). Aqui, vemos a importância do sangue para a expiação do pecado, no Velho Testamento. Isso quer dizer que, quando um animal era oferecido em sacrifício pelo pecado, Deus aceitava a oferta por atribuir a ela o valor provisório do resgate do pecador ofertante. O sangue era símbolo da outorga da vida, que era dada em expiação. Tal sacrifício apontava para o sangue de Cristo, que seria derramado em nosso lugar.

2. “Sacrifícios melhores” (v.23). O escritor diz que “era bem necessário que as figuras das coisas que estão no céu assim se purificassem”, ou seja, deviam purificar-se com sangue. Cada animal morto, substituto do pecador, apontava para o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Os sacrifícios antigos eram repetitivos. O de Cristo foi efetuado uma única vez, por ser superior e perfeito.

3. A entrada de Cristo no céu (v.24). Cristo entrou “uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção” (v.12). O sacerdote entrava todos os dias no santuário, isto é, no Lugar Santo, mas só conseguia a remissão parcial e temporal do pecado. O sumo sacerdote entrava somente uma vez por ano no Santo dos Santos e oferecia sacrifícios pelo povo e por si próprio, pois também era pecador (cf. v.7). No entanto, Cristo entrou “no mesmo céu, para agora comparecer, por nós, perante a face de Deus”. Ele é nosso intercessor perfeito (Rm 8.34), juntamente com o outro maravilhoso intercessor, que é o Espírito Santo (Rm 8.27).

4. Cristo aparecerá pela segunda vez (vv.27,28). Aqui a Bíblia diz que Cristo “uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo”, oferecendo-se para “tirar os pecados de muitos”, e que Ele voltará, pela segunda vez, “aos que o esperam para a salvação”.

 

CONCLUSÃO

 

O Novo Concerto trazido por Cristo realizou-se através de um sacrifício perfeito e único, que não precisa repetir-se, em substituição aos sacrifícios imperfeitos do antigo concerto. Assim, sejamos gratos a Deus pela morte de Cristo na cruz do Calvário, o qual por nós efetuou uma eterna redenção.

 

VOCABULÁRIO

 

Negligência: Desleixo, descuido, desatenção.
Outorga: Ato ou efeito de outorgar; consentimento, concessão.
Redenção: Resgate, libertação. Livramento proporcionado por Cristo ao oferecer-se para morrer em nosso lugar.
Remissão: Compensação, paga, satisfação.
Testador: Que ou aquele que testa ou faz testamento.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Quantas partes tinha o tabernáculo no AT?

R. Três partes.

 

2. Que significado espiritual tinha o véu, entre o lugar santo e o Santo dos Santos?

R. Indicava que o acesso a Deus não estava livre.

 

3. O que Cristo fez, antes de entrar no santuário celeste?

R. Efetuou uma eterna redenção pelo seu próprio sangue.

 

4. O que é necessário para que um testamento tenha validade?

R. A morte do testador.

 

5. Por que Cristo não ofereceu sacrifícios por si mesmo?

R. Porque não teve pecado.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

A expiação da Nova Aliança (9.11-22). O tema de reforma introduz um santuário melhor, um sacrifício eficiente e uma salvação mais completa. O serviço do sumo sacerdote judaico no Dia da Expiação representava o clímax do sistema levítico. Nesse dia, todo ano, ele entrava na presença divina, num tabernáculo terreno, levando o sangue expiatório de animais. Sob a Nova Aliança, Cristo, ‘o sumo sacerdote dos bens futuros’, entrou uma vez para sempre no próprio tabernáculo, levando o seu próprio sangue como expiação.

O sangue de touros e de cabras efetuava apenas purificação ritualística e simbólica, de alcance limitado, mas o sangue de Cristo, oferecido como sacrifício espiritual e vivo, executa a purificação interior, que traz comunhão com o Deus vivo (vv.13,14).

O bispo Westcott observa os seguintes itens pelos quais o sangue de Cristo é superior, partindo da análise de seu sacrifício, que foi:

a) voluntário, ao contrário dos sacrifícios exigidos pela Lei;

b) racional, e não como o dos animais (irracionais);

c) espontâneo, e não em obediência a ordens superiores;

d) moral, como oferta de si próprio por ação do supremo poder nEle residente (o Espírito Eterno), pelo qual mantinha comunhão com Deus. Não seguiu meramente um rito, um esquema predeterminado. Não! Ele detinha os mais puros motivos.” (Comentário Bíblico - Hebreus, CPAD, págs. 148,149).

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 2001

 

Título: Hebreus — “... os quais ministram em figura e sombra das coisas celestes

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

 

Lição 10: A eficácia do sacrifício de Cristo

Data: 2 de Setembro de 2001

 

TEXTO ÁUREO

 

Porque, tendo a lei a sombra dos bens futuros e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam” (Hb 10.1).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Os sacrifícios diários do Antigo Concerto não foram eficazes para a salvação dos pecadores. O sacrifício de Cristo, oferecido uma só vez, garante-nos a certeza da eterna salvação, pela fé em seu nome.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Cl 2.17

Sombra das coisas futuras

 

 

 

Terça - Lv 16.21

Pecados sobre um animal

 

 

 

Quarta - Mq 6.6,7

Dúvidas quanto ao sacrifício

 

 

 

Quinta - Sl 40.6

Sacrifício rejeitado

 

 

 

Sexta - Jo 17.19

Jesus santificou-se por nós

 

 

 

Sábado - Hb 9.12

Uma eterna redenção

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Hebreus 10.1,3,4,9-12,14,19,22-25.

 

1 - Porque, tendo a lei a sombra dos bens futuros e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam.

3 - Nesses sacrifícios, porém, cada ano, se faz comemoração dos pecados,

4 - porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire pecados.

9 - Então, disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade. Tira o primeiro para estabelecer o segundo.

10 - Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez.

11 - E assim todo sacerdote aparece cada dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar pecados;

12 - mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à destra de Deus,

14 - Porque, com uma só oblação, aperfeiçoou para sempre os que são santificados.

19 - Tendo pois, irmãos, ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus,

22 - Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência e o corpo lavado com água limpa,

23 - retenhamos firmes a confissão da nossa esperança, porque fiel é o que prometeu.

24 - E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos à caridade e às boas obras,

25 - não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns; antes, admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.

 

PONTO DE CONTATO

 

Os profetas anunciaram uma Nova Aliança. Em que ela se baseia? Qual a sua precípua finalidade? Ela indica o único caminho que conduz o homem a Deus. A Nova Aliança propicia a entrada ao trono divino, mediante o perdão e o esquecimento de todos os pecados. Cristo inaugurou-a com o sacrifício de si mesmo. Agora já não precisamos continuar fazendo os sacrifícios levíticos. O que aqueles sacrifícios não podiam fazer, foi feito pelo sacrifício de Cristo sobre a cruz.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Descrever a forma como o Velho Pacto foi substituído pelo Novo.
  • Enunciar os privilégios e responsabilidades dos crentes no Novo Pacto.
  • Valorizar o sacrifício perfeito de Cristo.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Instituído por Deus, os sacrifícios de animais eram a única forma de se aplacar a ira divina contra o pecado e aproximar o homem do seu Criador. Entretanto, tais sacrifícios demonstraram ser ineficazes porque apenas aplacavam temporariamente a ira de Deus, mas não removiam o pecado. Desta forma, havia a necessidade de um sacrifício único e perfeito, que propiciasse aos homens a certeza da reconciliação com Deus.

O autor da epístola em estudo não apenas apresenta Cristo como o último Sumo Sacerdote, mas como o sacrifício perfeito diante de Deus; sacrifício que tira definitivamente os pecados.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

O preparo da lição faz parte dos deveres do professor, e deve ser feito tendo em vista a necessidade do aluno, e não a do professor. O que interessa a um aluno adulto, não interessa a um jovem ou a uma criança.

Preparar uma lição sem pensar nisso é ficar diante da classe pregando no deserto. O professor deve preparar a lição tendo em mira três propósitos para com o aluno: 1) O que desejo que meus alunos aprendam? 2) O que desejo que meus alunos sintam? 3) O que desejo que meus alunos façam? (A Escola Dominical, CPAD).

Para esta lição, peça a seus alunos que tentem identificar, no texto em estudo, quais as quatro fraquezas do sacrifício levítico. Observe o esquema abaixo:

Os sacrifícios levíticos...

1) Não podem tornar perfeitos os ofertantes (v.1);

2) Não podem satisfazer a consciência quanto ao pecado (v.2);

3) Não podem apagar a memória dos pecados (v.3);

4) Não podem tirar os pecados (v.4).

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

No Antigo Testamento, os sacrifícios eram repetidos todos os dias por sacerdotes comuns. O sumo sacerdote entrava todos os anos no lugar santíssimo para oferecer sacrifícios por si mesmo e pelo povo. Mas, como tudo isso era “sombra dos bens futuros”, tais sacrifícios não aperfeiçoavam ninguém. Com Cristo, nosso Sumo Sacerdote, temos a certeza da plena salvação que nos aperfeiçoa, até que um dia cheguemos “a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4.13). E isso só ocorrerá no céu.

 

I. SACRIFÍCIOS INEFICAZES

 

1. A sombra dos bens futuros (v.1). O Antigo Pacto se constituía de sacrifícios, holocaustos, oblações e oferendas, que eram figuras “dos bens futuros”, ou seja, do evangelho de Cristo, que nos trouxe as riquezas da graça de Deus, a começar pela salvação de nossas almas, através do sacrifício vicário de Jesus. Por serem sombras e não a realidade, os sacrifícios de animais não puderam aperfeiçoar “os que a eles se chegam”.

2. O sangue de animais não tirava os pecados (vv.2-4). Para que serviam aquelas ofertas, se o escritor diz que “é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire pecados” (v.2)? Os sacrifícios não levavam os homens a Deus, mas serviam, por antecipação, de meio para expiação. A palavra expiação no hebraico tem o significado de “cobrir” os pecados, num delito contra a Lei.

3. Deus preparou um corpo para Jesus (v.5). Somente no corpo humano (encarnação), Ele poderia ser aceito por Deus como oferta perfeita no lugar do homem pecador. No Antigo Testamento, os sacrifícios eram substitutos imperfeitos. O corpo de Cristo foi a solução de Deus para substituir todos os sacrifícios imperfeitos do Antigo Testamento. Seu sangue, derramado na cruz, não apenas cobriu os pecados, mas tirou-os, e lançou-os nas profundezas do mar (Mq 7.19). João exclamou: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29).

 

II. O PRIMEIRO FOI TIRADO PARA O ESTABELECIMENTO DO SEGUNDO

 

1. Cristo obedeceu a Deus (v.9). Jesus foi obediente até à morte (Fp 2.8). Ele cumpriu todos os desígnios divinos no intuito de salvar o homem da perdição eterna. Sua morte foi prova inconteste da sua total resignação, obediência e submissão à vontade de Deus. Ele afirmou: “Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade”. Trata-se de uma lição de valor espiritual inigualável para todos nós: Jesus, sendo Deus, voluntariamente despojou-se de sua glória, e apresentou-se ao Pai na disposição irrestrita de cumprir cabalmente o plano divino de redenção da humanidade (ver Fp 2.5-8).

2. O Velho Pacto substituído pelo Novo (v.9). Ao dizer a Escritura “tira o primeiro para estabelecer o segundo”, vemos a substituição definitiva do antigo sistema legal mosaico, no qual os sacrifícios eram ineficazes para salvação, pelo Novo Pacto, estabelecido por Cristo, com seu sacrifício perfeito.

3. Comparação entre o velho e o Novo Concerto. A lei não transformava o homem em termos morais; o evangelho de Cristo transforma, pois “é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16); a lei apenas condenava o culpado; a graça de Deus o liberta. A lei consistia de símbolos da realidade; a graça consiste na realidade dos símbolos; a lei era “o ministério da morte” (2 Co 3.7); a graça é “lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus” (Rm 8.2).

 

III. UM SACRIFÍCIO PERFEITO

 

1. Santificados pela oblação do corpo de Cristo (v.10). Oblações eram ofertas incruentas (sem sangue), inanimadas, oferecidas a Deus tais como: vinho, azeite, flor de farinha, etc.

Se de um lado, Cristo ofereceu seu próprio sangue como holocausto em nosso favor, por outro, Ele foi aceito como oferta de cheiro suave a Deus, “feita uma vez”, de modo que, em Cristo, somos aceitos por Deus.

2. Sacrifício único (vv.11-14). O escritor lembra que os sacerdotes, no Velho Pacto, diariamente ofereciam sacrifícios que não podiam tirar pecados. E acentua que Cristo ofereceu “um único sacrifício pelos pecados”, demonstrando a eficácia do seu auto oferecimento a Deus pelos pecadores. Acrescenta que Cristo está “assentado para sempre à destra de Deus” “...esperando até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés”.

3. Sacrifício que aperfeiçoa. Diferente dos sacrifícios do Antigo Pacto, que apenas cobriam temporariamente o pecado, mas não transformava o pecador, o sacrifício de Cristo constituiu-se “numa só oblação”, que “aperfeiçoou para sempre os que são santificados” (v.13; ver v.10). Aqui temos algo que a lei não podia fazer: santificar as pessoas. Com o advento da graça, somos santificados pela Palavra (Jo 17.17), pela fé em Cristo (At 26.18) e pelo sangue de Jesus (1 Pe 1.2).

 

IV. PRIVILÉGIOS E RESPONSABILIDADES DO CRENTE EM JESUS

 

1. Entrar no santuário de Deus (v.19). No Antigo Pacto, as pessoas comuns do povo não podiam adentrar no santuário propriamente dito. Só chegavam até ao pátio, que era a parte exterior do tabernáculo. Em Cristo, no entanto, homens e mulheres salvos são “sacerdotes reais” (1 Pe 2.9), e têm “ousadia para entrar no Santuário pelo sangue de Jesus”. Este é um privilégio que só os fiéis lavados e remidos pelo sangue de Cristo podem ter. Tais crentes não precisam de medianeiros, guias, orixás ou gurus. Jesus é “o único mediador entre Deus e o homem” (1 Tm 2.5).

2. Como chegar a Deus (vv.22-25). Não se pode chegar a Deus de qualquer maneira. O escritor, em sua incisiva exortação, nos mostra os cuidados que devemos ter para chegarmos à presença de Deus:

a) “Com verdadeiro coração”. Só podemos ter acesso ao Pai e ser aceitos por Ele se tivermos um coração sincero, limpo e puro (Mt 5.8).

b) “Em inteireza de fé”. O crente, ao buscar a presença de Deus, não pode ter dúvida alguma de sua existência, do seu poder e de sua graça.

c) “Tendo o coração purificado da má consciência”. Para Deus não valem as aparências. Ele vê o interior do homem. O salmista disse que Deus nos sonda e entende o nosso pensamento (Sl 139.1,2). Se dermos lugar à iniquidade, Ele não nos ouvirá (Sl 65.18).

d) “O corpo lavado com água limpa”. Certamente, o texto bíblico aqui refere-se à purificação do crente pela Palavra, como se lê em Ef 5.26: “purificando-a com a lavagem da água, pela Palavra”, isto em relação à Igreja.

e) Retendo firmes a confissão da esperança. Em Hb 3.6 somos exortados a “conservar firme a confiança e a glória da esperança até ao fim”. A confissão da esperança indica a nossa fé nas gloriosas e infalíveis promessas de Deus, “porque fiel é o que prometeu”.

f) Considerando uns aos outros, estimulando-nos “à caridade e às boas obras”. O bom relacionamento entre os crentes é condição importante para o acesso a Deus. A caridade (amor em ação) é a marca do cristão. Boas obras são dever do salvo (Ef 2.10).

g) “Não deixando a nossa congregação”. Aqui não se refere ao sentido físico: deixar a igreja local para ir congregar-se em outro bairro; mas sim, que não devemos deixar de congregar-nos, de nos reunirmos, tendo em vista a necessidade da comunhão coletiva. Somos membros uns dos outros (Rm 12.5). É equivocada e carnal a ideia de que alguém pode ser “crente em casa”, a menos que esteja doente.

h) “Admoestando-nos uns aos outros”. Admoestar, aqui, tem no original o sentido de animar, encorajar. Essa prática, quando realizada com amor, tem grande efeito no fortalecimento e encorajamento espiritual da comunidade cristã.

 

CONCLUSÃO

 

Diante do que estudamos nesta lição, cremos que não há lugar para qualquer dúvida quanto à superioridade do Novo Concerto, baseado no perfeito e único sacrifício de Cristo em relação ao antigo, realizado na base de sacrifícios de animais, que apenas cobriam provisoriamente os pecados do povo.

 

VOCABULÁRIO

 

Advento: Vinda, chegada, aparecimento.
Delito: Fato que a lei declara punível, crime.
Desígnio: Intento, plano, projeto.
Inconteste: Que não é conteste, afirmativo.
Incruento: Em que não houve derramamento de sangue, que não custou sangue.
Oblação: Ação pela qual se oferece qualquer coisa a Deus.
Resignação: Renúncia espontânea de uma graça ou de um cargo.
Vicário: Que toma o lugar de outrem ou de outra coisa.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Por que os sacrifícios de animais não puderam aperfeiçoar os ofertantes?

R. Por serem sombras “dos bens futuros”, e não a realidade.

 

2. Qual o significado da palavra expiação?

R. Significa “cobrir” os pecados, como exigência para a reparação de um delito.

 

3. Por que Deus preparou corpo para Jesus?

R. Porque somente no corpo da carne (na encarnação), Ele poderia ser aceito por Deus como substituto perfeito para o homem pecador.

 

4. Que significa a expressão: “tira o primeiro para estabelecer o segundo”?

R. Refere-se à substituição definitiva do antigo pelo novo concerto.

 

5. Que significa a expressão “não deixando a nossa congregação”?

R. Que não devemos deixar de reunirmos, tendo em vista a necessidade da comunhão coletiva.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsidio Teológico

 

“O sangue dos touros (Hb 10.4). O sangue de animais era apenas uma provisão ou expiação temporária pelos pecados do povo; em última análise, era necessário um homem para servir como substituto da humanidade. Por isso, Cristo veio à terra e nasceu como homem a fim de que pudesse oferecer-se a si mesmo em nosso lugar (2.9,14). Além disso, somente um homem isento de pecado poderia tomar sobre si nosso castigo pelo pecado (2.14-18; 4.15) e, assim, de modo suficiente e perfeito, satisfazer as exigências da santidade de Deus (cf. Rm 3.25,26).

Aperfeiçoou para sempre os... santificados (Hb 10.14). A oferenda única de Cristo na cruz e seu resultado (i.e., a salvação perfeita) são eternamente eficazes todos quantos estão santificados ao se chegarem a Deus por meio de Cristo (v.22; 7.25) Note que a palavra no grego ‘santificar’, aqui e no versículo 10, são particípios presentes que enfatizam a ação contínua no tempo presente.

Quando vedes que se vai aproximando aquele dia (Hb 10.25). O dia da volta de Cristo para buscar os seus fiéis está se aproximando. Até chegar esse dia, enfrentaremos muitas provações espirituais e muitas falsificações na doutrina. Devemos congregar-nos regularmente para encorajarmos mutuamente e nos firmarmos em Cristo e na fé apostólica do novo concerto.” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, págs. 1914, 1915).

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 2001

 

Título: Hebreus — “... os quais ministram em figura e sombra das coisas celestes

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

 

Lição 11: O pecado imperdoável

Data: 9 de Setembro de 2001

 

TEXTO ÁUREO

 

Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados” (Hb 10.26).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Há situações específicas em que o pecador se coloca deliberadamente contra Cristo, num estado tão tenebroso de iniquidade que se torna impossível sua restauração.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Nm 15.30

A alma extirpada do meio do povo

 

 

 

Terça - 2 Pe 2.20

O último estado pior do que o primeiro

 

 

 

Quarta - 2 Pe 2.21

Desvio perigoso

 

 

 

Quinta - Ez 36.5

Menosprezando a Deus

 

 

 

Sexta - Dt 17.2

Traspassando o concerto

 

 

 

Sábado - Mt 12.31,32

Pecado que não será perdoado

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Hebreus 10.26-31,38,39.

 

26 - Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados,

27 - mas uma certa expectação horrível de juízo e ardor de fogo, que há de devorar os adversários.

28 - Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas.

29 - De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue do testamento, com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?

30 - Porque bem conhecemos aquele que disse: Minha é a vingança, eu darei a recompensa, diz o Senhor. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo.

31 - Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo.

38 - Mas o justo viverá da fé; e, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele.

39 - Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição, mas daqueles que creem para a conservação da alma.

 

PONTO DE CONTATO

 

Os homens precisam aceitar o sacrifício de Cristo, senão sofrerão o juízo eterno. Não há alternativa. O escritor aos hebreus apresenta a salvação como presente para os que esperam a Cristo; mas para os que rejeitam o seu sacrifício, há apenas uma expectação terrível de juízo “prestes a consumir os adversários”. O apóstolo Pedro diria a essas pessoas: “Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado”.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Identificar o pecado considerado por Deus como imperdoável.
  • Escolher não desprezar o sacrifício feito pelo Filho de Deus.
  • Definir qual é o castigo reservado a quem apostata da fé e pisa o Filho de Deus.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

O sacrifício de Cristo nos faculta o acesso a Deus. Entretanto, Deus exige de nós responsabilidade no uso de seus dons, mas deseja principalmente de nós uma vida de santidade. Pode haver na igreja pessoas que, mesmo tendo experimentado os presentes de Deus — a salvação, o perdão dos pecados, a inclusão na igreja — queiram pecar voluntariamente, não havendo para os pecados de tais pessoas qualquer sacrifício. Pelo fato de retornarem à vida de pecados e pisarem o Filho de Deus, resta-lhes a expectação de algo ruim, pois cairão nas mãos do Deus Vivo.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Divida sua turma em pequenos grupos de 2 a 4 alunos cada. Os grupos deverão discutir por 5 minutos sobre a parte “b” do versículo 26, que diz: “...já não resta mais sacrifício pelos pecados”.

Perguntas para o início da discussão: Qual o significado dessa expressão? Qual a sua abrangência?

Ao término do tempo estipulado para esta atividade, reúna os grupos e anote suas conclusões no quadro de giz. Observe se as respostas concordam com a afirmativa abaixo.

Essas palavras devem ser entendidas em dois sentidos a saber: 1) Não pode haver outro sacrifício, além daquele que já foi feito — o de Cristo —, que possa conferir perdão de pecados. Os sacrifícios levíticos foram abolidos; não têm valor para fazer expiação e não pode haver um novo sacrifício expiatório. 2) Mas além disso, o escritor sagrado indica que o pecado da apostasia é fatal; está fora do alcance do perdão divino.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Nesta lição estudaremos sobre o pecado da apostasia, para o qual “não resta mais sacrifício”. Esse tipo de pecado era conhecido entre os rabinos do Antigo Testamento. Naquela ocasião, somente os pecados de ignorância podiam ser expiados; se um homem pecasse deliberadamente, com pleno conhecimento de sua maldade, não haveria mais sacrifício em seu favor; simplesmente seria excluído do seu povo. Sua iniquidade permaneceria sobre ele e não teria direito ao perdão. Este assunto tem sido motivo de muitos questionamentos.

 

I. PECADO VOLUNTÁRIO

 

No capítulo 3 de Hebreus, está escrito: “Vede irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo” (v.12). “O termo gr. aphistemi, traduzido ‘apartar’ é definido como decaída, deserção, rebelião, abandono, retirada ou afastar-se daquilo a que antes se estava ligado” (Bíblia de Estudo Pentecostal). Trata-se de apostasia. “Esse pecado consiste na rejeição consciente, maliciosa e voluntária da evidência e convicção do testemunho do Espírito Santo, com respeito à graça de Deus manifesta em Jesus Cristo” (Oliveira). É nesse contexto que devemos entender o presente tema.

1. Tendo conhecido a verdade (v.26). O texto sagrado refere-se a um tipo de pecado espontâneo, consciente. O conhecimento da verdade aqui mencionado não é o rudimentar, experimentado pelo novo convertido, ou por aquele crente de vida cristã superficial, mas o conhecimento da verdade divina no sentido amplo (epignosis).

2. Não resta mais sacrifício. “Já não resta mais sacrifício pelos pecados”, assevera o texto sagrado. Trata-se dos pecados insolentes, que se constituem numa afronta inominável a Deus. Pecar assim é um atentado à santidade do Altíssimo. É loucura que trará sérias consequências.

A verdade divina liberta (Jo 8.32) quando o pecador a recebe de coração. No entanto, quando a verdade é desprezada de modo deliberado, consciente, doloso, reincidente e ofensivo, por quem a conhece bastante, torna-se impossível o perdão porque tal pessoa repudia e repele para longe de si a graça de Deus, que pode levá-la ao arrependimento. No contexto iníquo já descrito, tal pessoa peca não somente contra o Filho, mas também contra o Pai, que o enviou, e contra o Espírito Santo, que nos convence do pecado. Quem então convencerá tal pessoa do seu pecado?

3. Só resta uma expectação horrível (v.27). Não havendo mais sacrifício pelo pecado, o que resta? Só resta “a expectação horrível de juízo e ardor de fogo, que há de devorar os adversários”. Só lhe espera uma sentença: “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (v.31).

 

II. DESPREZANDO O ÚNICO SACRIFÍCIO QUE SALVA

 

1. Pisando o Filho de Deus (v.29). Na lei de Moisés, a palavra de duas ou três pessoas era válida para que um sacrílego fosse condenado sem misericórdia (Dt 17.2-6). Para aquela pessoa, não havia mais apelação: a morte era certa. Quem pisar o Filho de Deus, um “maior castigo” lhe sobrevirá. Desprezar o evangelho é considerar sem valor o sacrifício de Cristo; é zombar da salvação, desprezar tudo o que há de sagrado na igreja de Cristo depois de ter conhecido a verdade proveniente dos Santos Oráculos.

2. Profanando o sangue do testamento (v.29b). Significa considerar o sangue do Filho de Deus como sangue comum, profano, sem nenhum valor sagrado ou redentor. A Bíblia diz que “o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (1 Jo 1.7). É por seu sangue que nos aproximamos dEle (Ef 2.13); o sangue de Cristo purifica (Hb 9.14); resgata (1 Pe 1.19); lava de todo o pecado (Ap 1.5). Assim, se o deliberado transgressor profana o sangue de Cristo, não há nada mais que o possa renovar ou purificar.

3. Agravo ao Espírito Santo (v.29). Trata-se de um pecado múltiplo em sua prática: enquanto pisa o Filho de Deus, profana o seu sangue e faz agravo ao Espírito Santo (literalmente, insulto, insolência, ultraje). Para esse tipo de pecador, o Calvário não passa de uma encenação, de uma farsa.

a) Blasfêmia contra o Espírito Santo. Com o coração endurecido, o pecador ultraja conscientemente o Espírito Santo. Quanto a isso Jesus advertiu severamente: “Qualquer, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca obterá perdão, mas será réu do eterno juízo” (Mt 12.32; Mc 3.29; Lc 12.10). No texto de Marcos, depreende-se que blasfemar contra o Espírito de Deus é o mesmo que atribuir a Satanás a obra de Cristo. Como vemos, a Epístola aos Hebreus apenas corrobora o que Jesus já ensinara anteriormente.

b) O pecado imperdoável não é a simples incredulidade. O incrédulo de fato, se não aceitar a Cristo, está condenado (Jo 3.18). No caso em questão, não se trata de um incrédulo qualquer, mas de alguém que já teve amplo conhecimento da verdade. O Espírito Santo é que tem o poder de convencer o pecador de seus pecados (Jo 16.8). Se o miserável o despreza e lhe faz agravo, não há mais esperança para o tal.

c) Arrependimento impossível. No estudo referente ao capítulo 6 de Hebreus, já aprendemos que se torna impossível a renovação para arrependimento daqueles que “uma vez foram iluminados”; “provaram o dom celestial”; “se fizeram participantes do Espírito Santo”; “provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro” (vv.5,6). Qual a razão de tal impossibilidade? A resposta está claramente estampada no texto: por que “de novo crucificaram o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério”. Mais uma vez constatamos que o pecado imperdoável não é cometido por um desobediente desavisado qualquer; não se trata de pecado por ignorância.

 

III. O JUÍZO DE DEUS É SEVERO E TOTAL

 

1. “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo”. Essa advertência nos mostra o quanto Deus é severo em seu juízo: nenhum suborno poderá alterar seus propósitos; nem fama, nem riquezas e nem vantagens terrenas de qualquer espécie farão qualquer diferença no juízo celestial.

2. Lembrando dos dias passados (v.32). Aqui a admoestação aos destinatários da Epístola é para que se lembrem “dos dias passados”, nos quais eles deram seu testemunho diante de seus perseguidores. Aqueles crentes compadeceram-se dos que foram presos e perderam bens, sabendo que teriam “nos céus uma possessão melhor e permanente” (vv.33,34).

 

CONCLUSÃO

 

A apostasia, o abandono deliberado da fé em Cristo, é algo de indescritível gravidade espiritual. Se rejeitarmos o sacrifício de Cristo como paga pelos nossos pecados, nenhuma outra provisão haverá para a nossa salvação (v.26). O relativismo religioso e o secularismo que debilitam a igreja, afrouxando as regras e os limites entre o santo e o profano, constituem um sinal de alerta a todos nós. Não rejeitemos a Cristo!

 

VOCABULÁRIO

 

Agravo: Ofensa, injúria, afronta, dano.
Apelação: Ato ou efeito de apelar, recurso.
Oráculo: Resposta de um deus a quem o consultava.
Profano: Não pertencente à religião, contrário ao respeito devido a coisas sagradas.
Rudimentar: Que tem o caráter de rudimento, elementar.
Sacrílego: Que cometeu sacrilégio.
Tenebroso: Cheio ou coberto de trevas, caliginoso, escuro.
Vitupério: Vituperação, insulto, injúria, ato vergonhoso.

 

EXERCÍCIOS

 

1. No texto, qual o significado de apostasia?

R. Afastar-se deliberadamente da fé.

 

2. Por que, na lição, se diz que só resta uma expectação horrível para quem apóstata da fé?

R. Por não haver mais sacrifício pelo pecado.

 

3. O que significa profanar o sangue do testamento?

R. É considerar o sangue de Jesus comum, sem nenhum valor sagrado.

 

4. Segundo Marcos, em que consiste a blasfêmia contra o Espírito Santo?

R. É atribuir a Satanás a obra de Cristo.

 

5. O que aguarda nos céus os crentes que perderam seus bens por amor a Jesus?

R. “Uma possessão melhor e permanente”.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Bibliológico

 

“Aviso contra a apostasia. O pecado voluntário que ameaçava os hebreus consistia em abandonar o Cristianismo e voltar ao judaísmo. Não há nenhum sacrifício em favor dos que apostatam da fé em Cristo - pela alma do homem só existe um único sacrifício, o de Cristo (v.26). Ora, se o sacrifício de Cristo é definitivo, também é o último. Rejeitá-lo voluntariamente implica ‘uma certa expectação horrível de juízo e ardor de fogo’ (v.27). O autor não limita a eficácia da obra de Cristo em favor do penitente. Essa passagem deve ser estudada em conjunto com o capítulo 6.4-8.

Sob a Antiga Aliança, quem desprezasse a Lei de Moisés era punido com a morte (v.28). O mesmo princípio está em vigência, e com maior rigor ainda para quem apostatar da fé, pois constitui afronta a Cristo, à eficácia do seu sangue e um insulto ao Espírito Santo, através de quem a graça de Deus se manifesta. Sobre os tais pesa o juízo de Deus, do qual ninguém pode escapar (vv.29-31)” (Comentário Bíblico - Hebreus, CPAD, pág. 156).

 

 

 

Subsídio Teológico

 

“Se pecarmos voluntariamente (Hb 10.26). O escritor de Hebreus volta a advertir seus leitores sobre o caso de abandonar a Cristo, como fizeram em 6.4-8.

Pisar o Filho de Deus (Hb 10.29). Continuar a pecar deliberadamente depois de termos recebido o conhecimento da verdade (v.26) é: (1) tornar-se culpado de pisar Jesus Cristo, tratá-lo com desprezo e menosprezar sua vida e morte; (2) ter o sangue de Cristo como indigno da nossa lealdade; e (3) insultar o Espírito Santo e rebelar-se contra Ele, o qual comunica a graça de Deus ao nosso coração.

O justo viverá da fé (Hb 10.38). Este princípio fundamental, afirmado quatro vezes nas Escrituras (Hc 2.4; Rm 1.7; Gl 3.11; Hb 10.38), governa o nosso relacionamento com Deus e a nossa participação na salvação provida por Jesus Cristo. (1) Esta verdade fundamental afirma que os justos obterão a vida eterna por se aproximarem fielmente de Deus com um coração sincero e crente (ver 10.22). (2) Quanto aquele que abandona a Cristo e deliberadamente continua pecando, Deus ‘não tem prazer nele’ e incorrerá na condenação eterna (vv.38,39)” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, pág. 1915).

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 2001

 

Título: Hebreus — “... os quais ministram em figura e sombra das coisas celestes

Comentarista: Elinaldo Renovato

 

 

 

Lição 12: Elementos essenciais da fé

Data: 16 de Setembro de 2001

 

TEXTO ÁUREO

 

Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem” (Hb 11.1).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A fé dá ao crente a certeza daquilo que ele espera, segundo a Palavra de Deus, fazendo-o ver o invisível, contrariar a lógica, e superar os limites das fraquezas humanas.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Rm 8.25

Esperando o que não vê

 

 

 

Terça - Hc 2.4

O justo viverá da fé

 

 

 

Quarta - Mt 6.30

Pequena fé

 

 

 

Quinta - Mt 9.22

Fé que salva

 

 

 

Sexta - Mt 15.28

Grande fé

 

 

 

Sábado - Mt 21.21

Fé que remove montanhas

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

HEBREUS 11.1-6.

 

1 - Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem.

2 - Porque, por ela, os antigos alcançaram testemunho.

3 - Pela fé, entendemos que os mundos, pela palavra de Deus, foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente.

4 - Pela fé, Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e, por ela, depois de morto, ainda fala.

5 - Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte e não foi achado, porque Deus o trasladara, visto como, antes da sua trasladação, alcançou testemunho de que agradara a Deus.

6 - Ora, sem fé é impossível agradar-lhe, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam.

 

PONTO DE CONTATO

 

Na lição passada, vimos o perigo da apostasia e suas consequências. Nesta lição, estudaremos a base da vida cristã: a fé. Querendo apresentar uma parte da história antiga para demonstrar a eficiência da fé, o escritor aos hebreus principia seu relato dizendo que a própria criação do universo é uma ilustração da fé. “Pela fé entendemos que os mundos, pela palavra de Deus, foram criados” (v.3). A fé se baseia na Palavra de Deus. Esta palavra consiste num poder invisível que produziu do invisível o universo, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Nomear os elementos que definem a fé.
  • Listar quatro heróis da fé mencionados nesta lição.
  • Estimar uma vida de fé ante as dificuldades da carreira cristã.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

A fé, conforme a Palavra de Deus, é a condição básica para ser salvo e receber de Deus auxílio em todos os aspectos. É a base — “firme fundamento” — , a esperança — “das coisas que se esperam” — e a convicção — “prova das coisas que não se veem”. O escritor, recorrendo à história judaica, mostra diversas personagens que, pela fé, e não por seus próprios méritos, puderam obter da parte de Deus vitórias marcantes. Tais personagens viram de longe as promessas de Deus, e morreram crendo no cumprimento delas. Deus considera esses heróis como pessoas “dos quais o mundo não era digno”, exemplos de fé a serem seguidos por todos nós.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Trace uma linha no quadro de giz, dividindo seu espaço em duas partes. De um lado relacione as principais características dos heróis da fé descritas no cap. 11 da epístola em estudo (sem citar o nome do personagem). Do outro relacione os nomes das personagens, porém, fora da ordem especificada no texto.

Esta atividade consiste em fazer os alunos identificarem as personagens tendo em vista suas características relacionadas à fé.

Observe o quadro abaixo.

 

 

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Nesta lição, estudaremos um dos assuntos mais palpitantes da Bíblia: a Fé. Esta palavra tão pequena encerra em si grande conteúdo para os que de Deus se aproximam. Sem ela não existiria a Igreja, não haveria salvos, esperança de vida futura, não poderíamos esperar um mundo melhor nem creríamos na Segunda Vinda de Cristo. É por meio da fé que recebemos as bênçãos de Deus. Esta preciosa e santíssima fé vem-nos através de Cristo, para que ninguém tenha de que se gloriar (Hb 12.2).

 

I. CONCEITO DE FÉ

 

O escritor sacro não pretendeu simplesmente definir a fé, mas sim descrevê-la como elemento fundamental da vida cristã.

1. O firme fundamento. Fundamento aqui significa muito mais que a mera certeza humana, fruto da lógica, ou do exercício da futurologia. Na visão cristã, tem o sentido de certeza inabalável, ou seja, temos convicção de que servimos a um Deus onipotente, onisciente e onipresente, que vela por sua Palavra para a cumprir (cf. Jr 1.12; Is 43.13). Significa também certeza absoluta a respeito da nossa salvação. Ver 1 Jo 3.2. Assim, a certeza é o primeiro elemento essencial da verdadeira fé, isto é, “a fé que é por Ele” (At 3.16).

2. Das coisas que se esperam. “A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam...”. O segundo elemento essencial da fé é a esperança. Esta é consubstanciada na forte convicção de que aquilo que se espera da parte de Deus há de acontecer sempre, independente das circunstâncias. Abraão creu que teria um filho segundo a promessa divina, fruto de sua união com Sara, mesmo quando a lógica humana dissesse o contrário.

3. A prova das coisas que não se veem. A “prova” tem o significado de “convicção”, que é o terceiro elemento da fé. Aqui temos um ponto muito importante a considerar. Pessoas há que manipulam este texto para justificar a prática mística do que eles chamam de visualização mental para obtenção do que se deseja. Nesse meio estão certas ramificações da Confissão Positiva. Tal prática não tem apoio nas Escrituras Sagradas. No contexto do capítulo 11 de Hebreus, “as coisas que não se veem” são as coisas de Deus, “os bens futuros” (Hb 9.11), “as melhores promessas” (Hb 8.6). Isso porque tais “coisas” foram prometidas por Deus em sua Palavra, e esta não pode falhar em nenhuma hipótese. Há “crentes” que, iludidos pelo seu próprio coração, asseveram que podem aplicar esse texto (v.1) a qualquer coisa. Por exemplo: “eu creio que Deus vai me dar um carro novo, e uma bela casa”. Ora, isso é um desejo, mas não uma promessa de Deus. Pode tornar-se real ou não. É algo condicional e circunstancial.

 

II. EXEMPLOS MARCANTES DE FÉ

 

1. Abel. Foi exemplo de fé sacrificial. A Bíblia não diz em Gênesis 4 por que Deus aceitou seu sacrifício e não o de seu irmão, o homicida Caim. Mas em Hebreus 11.4 podemos constatar o final da história: enquanto a oferta de Abel foi movida pela fé em Deus (ver Jd v.11), Caim trilhou seu “caminho” sem fé.

A ideia de que a oferta de Abel foi aceita por tratar-se de oferta com sangue (apontava para o sacrifício de Cristo) apesar de correta, é parcial, uma vez que a oblação de Caim, mesmo sendo de vegetais, também seria aceita por ser produto do seu trabalho como lavrador (Gn 4.3; ver v.7).

Caim tinha má índole; era iracundo e “suas obras eram más” (1 Jo 3.12), por essas razões suas ofertas não foram aceitas pelo Senhor.

2. Enoque. Exemplo de fé agradável. O pouco que a Bíblia fala sobre esse homem de Deus encerra a grandeza de seu caráter e de sua fé: “E andou Enoque com Deus; e não se viu mais, porquanto Deus para si o tomou” (Gn 5.24). Se ele “andou com Deus”, ou seja, viveu em íntima comunhão com o Eterno e no centro da sua vontade, diante da extrema incredulidade de seu tempo, foi porque tinha uma fé viva, que via o mundo melhor. Por isso, ainda na terra, antes da sua trasladação, “alcançou testemunho de que agradara a Deus”. Sem fé não agradamos a Deus (Hb 11.6).

3. Noé. Exemplo de fé obediente e justa. Nunca ouvira falar de dilúvio, todavia, “divinamente avisado das coisas que não se viam, temeu” e obedeceu, preparando uma arca “para salvação da sua família”. Noé foi o primeiro homem na Bíblia a ser chamado justo. Isso nos traz uma lição de extremo valor: o homem de fé precisa ser justo diante de Deus e dos homens.

4. Abraão. É considerado o pai da fé provada. Quando foi chamado por Deus, sequer imaginava para onde iria (v.8). Passou anos habitando em tendas, peregrinando “como em terra alheia” (v.9) e recebeu a promessa de que seria “uma grande nação” (Gn 12.2). O Todo-Poderoso mandou que ele olhasse para os céus e contasse as estrelas, se pudesse, dizendo que assim seria sua semente: “e creu ele no Senhor e foi-lhe imputado isto por justiça”. Mais tarde Deus pediu-lhe em sacrifício seu único filho, Isaque. Sem relutar, o grande patriarca obedeceu piamente à voz do Altíssimo, crendo “que Deus era poderoso para até dos mortos o ressuscitar” (vv.17,18). O Deus de Abraão é o nosso Deus. Ele é fiel em cumprir sua palavra (cf. Jr 1.12).

 

III. VIRAM AS PROMESSAS DE LONGE

 

1. Todos estes morreram na fé. Após destacar os quatro primeiros heróis da fé, o escritor declara que eles morreram na fé, “sem terem recebido as promessas, mas, vendo-as de longe...”. Como Paulo, combateram o bom combate, acabaram a carreira e guardaram a fé (2 Tm 4.7).

2. Viram as promessas de longe. Era a fé fazendo-os olhar para o horizonte ao longe, sem chegar lá, porém contemplando o cumprimento das promessas. Certamente eles usufruíam a salvação em Cristo porque criam na vida eterna, na entrada nos céus, na vitória sobre o mal e, sobretudo, no reinado eterno de Deus.

3. Crendo nas promessas, abraçando-as e confessando-as (v.13). A fé daqueles homens era tão forte e poderosa que, mesmo sem verem o cumprimento das promessas de Deus, nelas creram e as abraçaram (cf. v.1). Eles consideravam-se “estrangeiros e peregrinos na terra”, porque esperavam uma pátria melhor, definitiva, no futuro, sendo aclamados por Deus, “porque já lhes preparou uma cidade” (vv.13-16).

 

IV. HOMENS DOS QUAIS O MUNDO NÃO ERA DIGNO

 

Na última parte do texto em estudo, a Palavra de Deus fala de forma comovente sobre dois tipos de heróis da fé. São eles:

1. Os lutadores. As Escrituras apresentam vários exemplos de lutadores. Eles “venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, neutralizaram a força do fogo, escaparam do fio da espada”, tudo isso pela fé no Todo-Poderoso.

2. Os martirizados. Foram os que, na luta pela fé, foram açoitados, apedrejados, presos, aflitos, torturados e mortos: “não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição” (vv.35-37). A história da Igreja registra outros grandiosos exemplos de fé e coragem entre os mártires do cristianismo.

3. Foram homens “dos quais o mundo não era digno”. O “mundo” que não é digno dos homens de Deus é aquele que se opõe ao bem, e que dificulta a inquirição espiritual. Foi para esse mundo que Jesus apontou ao falar sobre a inevitabilidade das perseguições: “Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, me aborreceu a mim” (Jo 15.18).

Os homens dos quais o mundo não era digno viram de longe as promessas, mas não as alcançaram, “provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados” (vv.39,40).

 

CONCLUSÃO

 

Hoje para muitos, principalmente crianças e adolescentes que não conhecem a Deus, os heróis são os ídolos humanos ou virtuais da TV e do cinema. Esses não passam de falsos ídolos e heróis que desencaminham seus admiradores para o mal. Contudo, a Bíblia nos inspira fé e perseverança, necessárias para que confiemos nas promessas de Deus. Ela nos mostra em suas páginas a vida de homens e mulheres, crianças e adolescentes, jovens e adultos, que nos legaram exemplos extraordinários da verdadeira fé em Deus.

 

VOCABULÁRIO

 

Asseverar: Afirmar com certeza, segurança, assegurar.
Circunstancial: Relativo a, ou resultante de circunstância.
Consubstanciar: Unir para formar uma substância; ligar, unificar, consolidar.
Índole: Propensão natural, tendência característica, temperamento.
Inquirição: Inquérito, sindicância, inquisição.
Translação: Ato ou efeito de transladar, transporte, transladação.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Que significado tem a expressão “firme fundamento”, em relação à fé?

R. “A certeza”, significando muito mais que a mera convicção humana, fruto da lógica, ou do exercício da futurologia.

 

2. Quais os três elementos essenciais da fé, segundo a lição?

R. A certeza, a esperança e a prova (convicção).

 

3. Quem é considerado o “pai na fé” dos que creem?

R. Abraão.

 

4. Por que os heróis da fé consideravam-se “estrangeiros e peregrinos na terra”?

R. Porque esperavam uma pátria melhor.

 

5. Por que os heróis da fé não alcançaram as promessas?

R. “Para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados”.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Bibliológico

 

“Encorajamento palas vitórias da fé (Cap.11). O autor, neste capítulo, destaca a fé como sendo a grande característica e o denominador comum do verdadeiro povo de Deus em todos os tempos (cf. 10.38,39). Ele menciona detalhadamente os heróis da fé que viviam sob a antiga aliança e cujos exemplos nos incentivam a sermos leais a Deus, hoje.

O versículo 1 é muitas vezes citado como uma definição de fé, porém, na realidade é mais uma explicação das características da fé. Em poucas palavras, a fé é simplesmente confiança em Deus e sua palavra (cf. Rm 10.17). Parafraseando o versículo, poderíamos dizer: ‘A fé significa que somos confiantes; temos a certeza (algo que serve de base ou apoio a qualquer coisa, como um alicerce, um fundamento, uma promessa ou um contrato) daquilo quer esperamos receber, a convicção da realidade das coisas invisíveis’.

Foi com essa atitude de fé que, naquele tempo, os heróis enfrentaram o futuro e aprenderam as coisas invisíveis. Os antigos alcançaram testemunho e o próprio Deus também testificou da fé que possuíam, a qual superou todos os obstáculos, sendo seus feitos registrados na Bíblia como homens de fé (v.2).

A crença em Deus como Criador de todas as coisas do universo é imprescindível para a vida de fé, qualquer que seja sua manifestação (v.3). ‘Por isso, em primeiro lugar, o autor declara essa ação primária da fé, pela qual chegamos à plena certeza de que o mundo - a História e as eras - não resultou do acaso; é uma resposta à expressão da vontade de Deus’ (Westcott)” (Comentário Bíblico - Hebreus, CPAD, pág.158).

“Creia que ele existe (Hb 11.6). Este versículo descreve as convicções integrantes da fé salvífica. (1) devemos crer na existência de um Deus pessoal, infinito e santo, que tem cuidado de nós. (2) Devemos crer que Ele nos galardoará quando o buscarmos com sinceridade, sabendo que nosso maior galardão é a alegria e a presença do próprio Deus. Ele é nosso escudo e nossa grande recompensa (Gn 15.1; Dt 4.29; Mt 7.7,8 nota; Jo 14.21 nota). (3) Devemos buscar a Deus com diligência e desejar ansiosamente a sua presença e graça” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, pág.1916.).

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 2001

 

Título: Hebreus — “... os quais ministram em figura e sombra das coisas celestes

Comentarista: Elinaldo Renovato

 

 

 

Lição 13: Perseverança na fé e santidade

Data: 23 de Setembro de 2001

 

TEXTO ÁUREO

 

Portanto, nós também, pois, que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia e corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta” (Hb 12.1).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A vitória na vida cristã é para os que correm com paciência rumo ao encontro final com Cristo nos céus.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Mt 10.22

Perseverando até o fim

 

 

 

Terça - Gl 4.2

Perseverando na oração

 

 

 

Quarta - Rm 12.13

Ajudando aos santos

 

 

 

Quinta - 1 Co 7.14

Santificação conjugal

 

 

 

Sexta - Jo 15.9

Permanecendo no amor

 

 

 

Sábado - 2 Co 13.13

A graça, o amor e a comunhão

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Hebreus 12.1,2,6-8,12,13.

 

1 - Portanto, nós também, pois, que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia e corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta,

2 - olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus.

6 - porque o Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que recebe por filho.

7 - Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque que filho há a quem o pai não corrija?

8 - Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois, então, bastardos e não filhos.

12 - Portanto, tornai a levantar mãos cansadas e os joelhos desconjuntados,

13 - e fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que manqueja se não desvie inteiramente; antes seja sarado.

 

PONTO DE CONTATO

 

Depois de apresentar os homens de fé e a vitória que eles alcançaram, o escritor aos hebreus volta e dirigi-se aos seus leitores para estimulá-los a percorrer o mesmo caminho. Tanto os antigos crentes como nós somos aperfeiçoados em Cristo. Eles alcançaram esta posição por sua fé apesar de sofrerem tantas provações. Nós, igualmente, devemos ter uma fé ativa, despojando-nos de todo o embaraço e do pecado que nos assedia, para corrermos com perseverança a carreira que nos foi proposta.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Identificar o pecado e o embaraço como elementos que podem atrapalhar a vida cristã.
  • Afirmar que a vida cristã é parecida com uma maratona.
  • Reconhecer que a vida de santificação é a vontade de Deus para as nossas vidas.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Os cristãos hebreus tinham à sua disposição muito mais vantagens que as permitidas aos heróis que os antecederam. O autor se compara, juntamente com seus irmãos em Cristo, a atletas disputando uma corrida, ao redor dos quais está aquela numerosa plateia enfileirada, como nas arquibancadas de um grande estádio. As testemunhas da grande prova são justamente os heróis da fé, cujos feitos estão registrados no capítulo 11 da epístola em estudo. Tomando o exemplo desses homens das gerações anteriores, o escritor procura nos encorajar a correr a boa corrida da fé e ganhar, pela resistência e coragem, o prêmio que nos é oferecido.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Introduza sua aula com a seguinte pergunta: Que tipo de corredor deve ter maior resistência: o de uma corrida de cem metros ou o de uma maratona? Aguarde, por algum tempo, a resposta. Certamente responderão que o corredor de maior resistência é o que se dispõe a correr uma maratona. Informe-lhes que tais corredores, para chegarem ao final, precisam de muita resistência e paciência durante o percurso. Da mesma forma é a carreira cristã. Ela não é feita de rápidas corridas, mas de uma longa corrida de fé, paciência e persistência para não perder o rumo do “prêmio”. Não esqueça de dizer-lhes que os vencedores em Deus são os que completam a corrida, e não apenas os que chegam em primeiro lugar.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Os dois últimos capítulos de Hebreus encerram a epístola com exortações e orientações aos crentes sobre como perseverar na fé e na doutrina, com disciplina, amor e santidade. Estes temas atualmente são desprezados em muitos lugares, por causa do “vírus” do relativismo. Mas a Palavra de Deus é como um “martelo que esmiúça a penha” (Jr 23.29), e dissipa os “ventos” contrários a sã doutrina, fortalecendo e edificando os que hão de concluir a carreira cristã.

 

I. A CARREIRA COM PACIÊNCIA

 

1. Uma nuvem de testemunhas (v.1). O escritor nos leva a outros aspectos da vida cristã, ressaltando que estamos rodeados de “uma tão grande nuvem de testemunhas”. Quem são essas testemunhas? Pelo contexto entendemos que aqueles são heróis diante do Todo-poderoso que testemunham a sua fidelidade. Aqui, a palavra testemunha, originalmente martys, denota a experiência dos antepassados da fé. Por outro lado, podemos dizer que em nossa carreira cristã estamos sendo observados por muitas testemunhas. Umas visíveis: os homens, crentes e descrentes; outras, invisíveis: os anjos e os demônios. (Ver Sl 34.7; Hb 1.13,14; 1 Pe 5.8.) Diante dessa realidade devemos ter muito cuidado com o nosso comportamento.

2. Deixando o pecado e o embaraço (v.2). Somos exortados a deixar “todo o embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia”. O embaraço certamente não é pecado, mas pode tornar-se num impedimento, ou num atraso à nossa vida e carreira espiritual, e aí sim, conduzir-nos ao pecado. Um crente embaraçado é facilmente atingido pelo Diabo. A televisão, por exemplo, mesmo transmitindo programas de cunho informativo ou cultural, pode embaraçar o crente se este deixar de ir à casa de Deus para prostrar-se diante dela. Há crentes que se embaraçam com dívidas, amizades, esportes, lazer, etc. Ademais disso, não podemos esquecer que a Bíblia nos manda remir o tempo (Ef 5.15,16).

3. Correndo com paciência. Aqui o escritor toma uma figura de linguagem emprestada, provavelmente dos jogos olímpicos, para comparar a vida cristã a uma maratona. Numa corrida, é necessário ter paciência para se alcançar a chegada (cf. Hb 10.36). No caso da fé, a carreira não é escolhida pelo cristão, e sim proposta por Deus. O crente precisa correr e chegar ao final vitorioso. Para que isso aconteça só existe um segredo segundo as Escrituras: perseverança e paciência (Rm 5.3-5).

4. Olhando para Jesus (v.2). Numa corrida de resistência, o atleta precisa olhar para frente, caso contrário, poderá perder o tempo e o rumo. Na vida cristã, mais ainda, o crente não pode perder de vista o alvo, Jesus. Ele é o autor e também o consumador de nossa fé. Deu-nos o exemplo, suportando a cruz, desprezando a afronta, até assentar-se à direita de Deus, “pelo gozo que lhe estava proposto”. A história da Igreja está cheia de exemplos de homens e mulheres, que corajosamente desprezaram os prazeres e as glórias do mundo por amor a Cristo.

5. A correção com amor (vv.3-11). Nesta primeira parte do texto, o escritor exorta os crentes hebreus à perseverança, dizendo que ainda não haviam resistido “até o sangue no combate contra o pecado” (v.4). Parece que o escritor tinha em mente que seus destinatários poderiam ignorar um pouco da Palavra de Deus, e cita Provérbios 3.11-12, onde a Palavra de Deus anima os crentes a não se esquecerem da exortação do Pai, e a não desanimarem ao serem repreendidos.

No v.6, o autor diz que se alguém está sem disciplina não é filho, mas bastardo, ou filho ilegítimo (vv.7,8). E conclui falando do valor da correção: “porque o Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que o recebe por filho” (vv.10,11). Trata-se da correção com amor.

 

II. EXORTAÇÃO À SANTIFICAÇÃO

 

1. Levantando as mãos cansadas (v.12). Na vida cristã, pode haver momentos de cansaço e esgotamento espiritual. Mas existe um remédio para isso: Os que estão firmes pela graça de Deus, ao invés de dificultarem ainda mais a caminhada dos mais fracos, devem ajudá-los a levantarem-se (cf. Jó 4.3; Is 35.3). E, Deus tem o poder necessário para nos renovar e restaurar (Is 40.29-31).

2. Seguindo a paz e a santificação. Santidade é o estado de quem se destaca pela pureza. Santificação é a prática. E só é possível através da Palavra de Deus e mediante o sangue de Cristo (Jo 17.17; 1 Jo 1.7). A santificação é a salvação em andamento, em processo. A doutrina equivocada de que “uma vez salvo para sempre salvo” não passa de falácia, para justificar a pretensiosa doutrina da predestinação absoluta, segundo a qual uns nascem “carimbados” como “salvos” e outros como “perdidos”. Uma vez salvo, o cristão precisa fazer sua parte: separar-se do mundo e dedicar-se totalmente ao serviço do Reino de Deus.

 

CONCLUSÃO

 

Temos uma carreira a percorrer pacientemente, mas esta deve ser livre de embaraços, pois eles, mesmo não sendo o pecado, podem conduzir-nos a ele. Que possamos concluir esta carreira como santos filhos de Deus, e receber do nosso Pai o galardão reservado a cada um de nós.

 

VOCABULÁRIO

 

Embaraço: Impedimento, obstáculo, atrapalhação.
Esmiuçar: Dividir em partes miúdas, esmigalhar, reduzir a pó, pulverizar.
Maratona: Corrida a pé, de longo percurso.
Vírus: Diminuto agente infeccioso, invisível e de reprodução apenas no interior de células hospedeiras vivas.

 

EXERCÍCIOS

 

1. O que é embaraço, na lição?

R. Algo que dificulta o caminhar, e que pode levar ao pecado.

 

2. A que o escritor compara a vida cristã?

R. A uma carreira de resistência ou uma maratona.

 

3. Para quem o crente deve olhar durante a sua carreira?

R. Para Jesus.

 

4. Se alguém está sem disciplina, a que é comparado?

R. A um bastardo ou filho ilegítimo.

 

5. Segundo Hb 12.14, o que devemos seguir?

R. A paz com todos e a santificação.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“‘A carreira que nos está proposta’. Esta corrida é o teste neste mundo, que dura a vida inteira (10.23,38; 12.25; 13.13).

(1) A corrida deve ser efetuada com ‘paciência’ (gr. hupomone), ou seja, com perseverança e constância (cf. 10.36; Fp 3.12-14). O caminho da vitória é o mesmo que o dos santos no capítulo 11 - esforçando-se para chegar até ao fim (cf. 6.11,12; 12.1-4; Lc 21.19; 1 Co 9.24,25; Fp 3.11-14; Ap 3.21).

(2) Na corrida, devemos deixar de lado os pecados que nos atrapalham ou que nos fazem ficar para trás (v.1) e fixarmos os olhos, nossas vidas e nossos corações em Jesus e no exemplo que Ele nos legou na terra, de obediência perseverante (vv.1-4).

(3) Na corrida, devemos estar conscientes de que o maior perigo que nos confronta é a tentação de ceder ao pecado (vv.1,4), de voltar àquela pátria de onde haviam saído (11.15; Tg 1.12), e de nos tornar, de novo, cidadãos do mundo (Mc 11.13; Tg 4.4; 1 Jo 2.15; ver Hb 11.10)” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, pág.1918).

“Portanto, tal como a Cristo, há uma carreira proposta ao povo de Deus, um alvo as ser alcançado, um caminho a ser percorrido. Jesus Cristo é o príncipe, o Líder e o Aperfeiçoador da fé. AquEle que não se embaraçou com as coisas materiais desta vida, pois contemplava a eternidade, sabendo discernir o valor das coisas que não se viam. Tal deve ser a nossa paciência. A luta de Cristo foi até a morte, e Ele a venceu. Animados por seu exemplo, podemos fazer o mesmo” (Comentário Bíblico Hebreus, CPAD, p.167).

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

3º Trimestre de 2001

 

Título: Hebreus — “... os quais ministram em figura e sombra das coisas celestes

Comentarista: Elinaldo Renovato

 

 

 

Lição 14: Evidências da vida cristã

Data: 30 de Setembro de 2001

 

TEXTO ÁUREO

 

E não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque com tais sacrifícios Deus se agrada” (Hb 13.16).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A vida cristã não será completa se não for vivida com obediência, amor e submissão.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Hb 13.3

Lembrando dos presos

 

 

 

Terça - Hb 13.7

Lembrando dos pastores

 

 

 

Quarta - Hb 13.4

O casamento na ótica de Deus

 

 

 

Quinta - Hb 13.8

O Deus que não muda

 

 

 

Sexta - Hb 13.8

Firmeza na Palavra

 

 

 

Sábado - Hb 13.17

Obedecendo aos pastores

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Hebreus 13.1-4,7,17,20-22.

 

1 - Permaneça a caridade fraternal.

2 - Não vos esqueçais da hospitalidade, porque, por ela, alguns, não o sabendo, hospedaram anjos.

3 - Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles, e dos maltratados, como sendo-o vós mesmos também no corpo.

4 - Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará.

7 - Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver.

17 - Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa alma, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil.

20 - Ora, o Deus de paz, que pelo sangue do concerto eterno tornou a trazer dos mortos a nosso Senhor Jesus Cristo, grande Pastor das ovelhas,

21 - vos aperfeiçoe em toda a boa obra, para fazerdes a sua vontade, operando em vós o que perante ele é agradável por Cristo Jesus, ao qual seja glória para todo o sempre. Amém!

22 - Rogo-vos, porém, irmãos, que suporteis a palavra desta exortação; porque abreviadamente vos escrevi.

 

PONTO DE CONTATO

 

Certas virtudes são consideradas essenciais à vida cristã, tais como, amor, hospitalidade, pureza, compaixão, submissão, obediência, etc. O escritor da Epístola aos Hebreus admoestou seus leitores a observá-las. Devemos buscar com diligência tais qualidades, se pretendemos genuinamente servir a Deus. Com certeza foi extremamente difícil para aqueles crentes hebreus, que passaram por severa pressão diária aplicar essas admoestações em suas vidas. Ora, se eles deviam obedecer a essas admoestações, quanto mais nós, que conhecemos tão pouco de perseguição e oposição.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Destacar o amor cristão e a hospitalidade como mandamentos divinos a serem praticados.
  • Valorizar o matrimônio como instituição ordenada por Deus.
  • Estimar a obediência aos pastores.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

O escritor sagrado adiciona no texto em estudo uma variedade de breves declarações que contêm agudas exortações práticas para que o crente viva a vida cristã de modo digno. Ele sabia que seus leitores se tinham mostrado ativos no passado, em simpatia e bondade para com seus irmãos na fé (6.10). Por esta razão, exorta-os aqui sobre a importância de manter tal amor prático entre os membros da fraternidade cristã: eles deveriam lembra-se particularmente dos encarcerados, dos que estivessem sofrendo enfermidades ou maus tratos, pois os crentes deveriam compartilhar das mútuas provações.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Para tornar a aula mais dinâmica e participativa, peça a seus alunos que tentem fazer um esboço do conteúdo da lição, diferente do apresentado na revista. Esse exercício é extremamente importante por ampliar-lhes a capacidade de síntese e compreensão do tema. O esquema facilita a assimilação do conteúdo e permite ao aluno refletir melhor sobre o texto em estudo. Observe o exemplo abaixo:

 

Evidências ou características da vida cristã:

I. Nossa conduta (13.1-6)

II. Nossa submissão (13.7-16)

III. Nossa obediência (13.17-25)

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Nesta última lição, veremos que a vida cristã tem características importantes que precisam ser evidenciadas em nosso cotidiano, principalmente no que diz respeito às relações interpessoais.

 

I. VIRTUDES RELEVANTES A VIDA CRISTÃ

 

1. O amor fraternal (v.1). Essa virtude é tão importante que representa a marca, ou distintivo, do verdadeiro discípulo (cf. Jo 13.34,35). Sem o amor fraternal de nada servem os dons ou a realização de boas obras (1 Co 13). Visto que nossos irmãos fazem parte da família de Deus, devemos amá-los incondicionalmente; desprezá-los é o primeiro passo para quem desconsidera a Cristo, nosso irmão mais velho.

2. A hospitalidade (v.2). A hospitalidade deve ser prestada não somente aos estranhos (v.2), mas também aos pobres (Lc 14.13), e até mesmo aos inimigos (Rm 12.20).

Na época em que foi escrita a Epístola aos Hebreus, muitos cristãos haviam perdido todos os seus bens em consequência da perseguição que lhes movia as autoridades constituídas. Neste aspecto, a hospitalidade trazia alento a esses servos de Deus, e demonstrava que outros crentes poderiam servir ao Senhor abrindo suas casas para lhes servirem de abrigo. Entretanto, essa simpática atitude, principalmente em nossos dias, não deve ser confundida com a de hospedar qualquer pessoa sem conhecê-la ou saber de suas reais intenções.

3. O valor do matrimônio (v.4). A expressão “venerado seja” nesse texto, denota elevado grau de respeito e consideração para com o matrimônio. Muitos desprezam o casamento para viverem uma vida desregrada, dissoluta e descompromissada. A vida cristã exige compromisso sério não apenas com Deus e a igreja, mas também com a sociedade e a família; e esta última começa com o nosso cônjuge. Quaisquer comprometimentos sexuais ilícitos — a prostituição, o adultério — são duramente condenados por Deus, e quem pratica tais coisas receberá dEle o justo juízo. Deus quer que seus filhos tenham vida sexual ilibada, não apenas por causa do testemunho, mas também por sermos o templo do seu Espírito.

4. O valor da beneficência (vv.3,6). O escritor não se esqueceu da importância da beneficência cristã. Exortou aqueles crentes a que se lembrassem dos que estavam presos e dos maltratados como se estivessem no lugar deles. Um crente perseguido facilmente seria lembrado por seus irmãos, mas os que permaneciam presos por muito tempo poderiam ser esquecidos. Há muitas pessoas que são perseguidas e presas por causa de sua fé em Cristo, como há também aquelas que cumprem pena por terem transgredido a lei dos homens. Mas tanto um como o outro não podem ser desprezados pela igreja do Senhor.

 

II. EXPRESSÕES DA FÉ: SUBMISSÃO E OBEDIÊNCIA

 

1. Submissão à liderança (vv.7,17). O escritor adverte a seus leitores sobre a maneira correta de tratar os que pastoreiam o rebanho do Senhor:

a) Lembrando-se deles e imitando-lhes a fé (13.7). É dever dos membros da igreja lembrarem-se de seus pastores em suas orações diárias e não apenas em épocas especiais como a data reservada à comemoração do “dia do pastor”.

Os pastores são modelos que precisam ser imitados, pois homens de fé servem de exemplo e impulsionam outros homens a terem fé.

b) Atentando para a sua maneira de viver (13.7). A vida de um pastor sempre será observada: sua integridade, piedade, amor a Deus e a sua obra servirão de exemplo principalmente para os novos obreiros. Daí a grande responsabilidade do pastor.

c) Obedecendo-lhes (13.17a). A lembrança e a atenção dadas aos pastores de nada valerão se não forem acompanhadas pela obediência aos mesmos. Eles são responsáveis por trazer mensagens, orar por nós, administrar a igreja, aconselhar, visitar, ter a família como exemplo e prestar contas a Deus do rebanho que lhe foi confiado. Será que, com tantas responsabilidades, eles não merecem a obediência de suas ovelhas?

“A obediência e a fidelidade aos líderes cristãos, aos pastores e mestres, deve basear-se numa superior lealdade a Deus” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD).

Hoje em dia, muitos obreiros são desrespeitados. E essa é a estratégia de Satanás para enfraquecer a liderança eclesiástica. Que possamos ter em alta estima aqueles a quem Deus escolheu para zelar por nós.

2. Obediência a Cristo. “... Jesus Cristo, grande pastor das ovelhas, vos aperfeiçoe em toda a boa obra, para fazerdes a sua vontade...” (vv.20,21). (Grifo nosso.) Isso significa que aquele que nos salvou continua a realizar sua obra em nós, tornando-nos sensíveis à sua vontade para que tudo quanto fizermos seja agradável aos seus olhos. A obediência ao Senhor Jesus deve ocupar o primeiro lugar na vida cristã.

3. Obediência à Palavra (v.22). O escritor exorta-nos a “suportar a presente palavra”. “Tenham paciência comigo”, pede ele, “quanto partilho a Palavra com vocês. Aceitem-na com paciência e digiram-na, porque a carta não é muito comprida” Quando Deus fala, como o fez por meio desta epístola, devemos ouvir e aplicar o que ouvimos.

 

CONCLUSÃO

 

O escritor conclui sua Epístola, desejando que o Senhor Jesus Cristo, “o grande pastor das ovelhas” aperfeiçoe os crentes em toda a boa obra, operando o que lhe é agradável, e roga que aqueles crentes suportem a exortação“ (vv.20-25). Que o Senhor nos ajude a entender e guardar os preciosos e santos ensinos que estudamos durante este trimestre.

 

VOCABULÁRIO

 

Descomprometido: Que deixou de estar comprometido; cujo compromisso cessou ou se desfez.
Hospitalidade: Ato de hospedar.
Ilibar: Tornar puro, sem mancha, purificar, depurar, reabilitar, justificar.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Porque o amor fraternal é importante?

R. É a marca ou distintivo do cristão.

 

2. Segundo a Bíblia, a hospitalidade é uma opção ou mandamento para o cristão?

R. Um mandamento.

 

3. Que termo a Bíblia usa para demonstrar qual deve ser a nossa visão sobre o casamento?

R. Venerado.

 

4. A submissão aos pastores é facultativa ou determinada por Deus?

R. Determinada por Deus.

 

5. O que devemos fazer ao ouvir a palavra de Deus?

R. Obedecê-la.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Bibliológico

 

“O amor entre os irmãos pode ser comparado à ‘vara’ que segurava as tábuas recobertas de ouro do antigo Tabernáculo, servindo para dar unidade ao recinto em que se manifestava a divina presença. O amor do cristão para com o seu próximo é universal. Que esse amor continue sempre entre nós (v.1).

Nesse tempo era uma necessidade que houvesse hospitalidade particular, devido à falta de hotéis. A hospitalidade não é necessariamente uma virtude cristã, mas de qualquer maneira, a sociedade cristã deve provê-la (v.2).

De modo prático, o cristão deve procurar socorrer quem precisa dele, seja tal necessidade resultado de perseguição ou decorrente das circunstâncias adversas da vida (v.3).

Os avisos sobre o caráter sagrado do matrimônio eram especialmente oportunos, devido à facilidade do divórcio entre os judeus, uma vez sancionados pelos mestres da escola do grande rabino Hillel (Westcott). Deus julgará e condenará as violações dos laços matrimoniais, quer dos solteiros que vivem em fornicação, quer dos casados que praticam o adultério, independente de qual seja a opinião tolerante da sociedade da época. Como é necessária essa mesma exortação para os dias atuais (v.4).

Esta seção inicia com uma referência aos líderes da igreja (v.7) e assim também se encerra (v.17). Da primeira vez, o autor ordenara aos crentes reconhecerem com gratidão os seus pais na fé, os fundadores da igreja, que possivelmente já haviam falecido, procurando seguir-lhes o exemplo. Agora ele manda que obedeçam àqueles que estão atualmente na direção, seus pastores. Tais homens não eram aventureiros inescrupulosos, mas homens de Deus, cônscios de sua responsabilidade pastoral perante Deus e a igreja. Portanto, que não lhes causassem tristeza, comportando-se como ovelhas desgarradas, pois isso não lhes seria proveitoso” (Comentário Bíblico — Hebreus, CPAD, págs.170-174).

fonte www.avivamentonosul21.comunidades.net