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Firmados e edificados em JESUS
Firmados e edificados em JESUS

 

 

                                             EDIFICADOS EM JESUS A ROCHA

                                Uma parábola ilustrativa (7:24-27)

 

Qual pode ser a utilidade do fervor religioso, se o indivíduo não se encontra com Cristo por seu intermédio? Nenhuma, responde o evangelista. Isso ele ilustra com a parábola dos dois alicerces. A religião, por si mesma, se é símplice, não pode servir de alicerce sólido. A nossa conduta moral, o nosso misticismo, as nossas orações, os nossos estudos, a nossa meditação, o uso que fizermos dos dons espirituais, tudo deve conduzir-nos a Cristo, pois, do contrário, nada serão.

 

7:24  Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha.

 

(Lc 6:46-49). ALGUNS dos antigos códigos legais (Lv 26:3-45; Dt 28:3-6, 16-19) terminavam com bênçãos e maldições. Ideias similares são apresentadas em Aboth R. Nathan: «O homem que tem obras e que aprendeu muito da Torah, com o que pode ser comparado? Ao homem que edifica embaixo com pedras, e em cima com tijolos; e quando muita água cerca o edifício, as pedras não se abalam nem são tiradas de seu lugar. Porém, o homem que não tem boas obras e nem aprendeu a Torah, com quem pode ser comparado? Ao homem que constrói primeiramente com tijolos, e em cima com pedras, e quando chega até mesmo uma correnteza pequena, as pedras imediatamente caem».

 

Jesus usa aqui uma ilustração que também pode ser encontrada nos escritos dos judeus. Essa ilustração poderia ter sido muito instrutiva para uma audiência oriental, afeita às—tempestades características—da região: violentas, repentinas, que às vezes provocavam grande destruição. Chuva no telhado, um rio nos alicerces, vento nas janelas, exigiam uma construção firme, com bons alicerces.

 

«Ouve estas minhas palavras». Jesus faz aqui *a aplicação* do sermão. Esta seção (vss. 24-27) é o epílogo do sermão. Provavelmente Jesus usou essas palavras em outras circunstâncias, noutros sermões, para mostrar a necessidade que o povo tinha de receber o Cristo do reino. Diversos indícios mostram que ele não se referiu só ao reino literal, sobre a terra, o reino político, mas também aludiu ao reino dos céus, à salvação, ao destino dos seres humanos. Para que alguém alcance esse destino e o reino dos céus, os lugares celestiais, é mister que ouça e pratique as palavras do Rei.

 

«Ouve... pratica». Esses dois aspectos sempre andam juntos (ver Tg 1:22-25). Nesse ponto é que falhavam os falsos profetas. É o que os discípulos falsos apenas fingiam fazer. E é isso que os discípulos autênticos devem fazer.

 

«Homem prudente». O homem sem bom senso se deixaria impressionar pelo terreno nivelado, sem rochas, que não precisasse de preparo, como se já estivesse pronto para receber a construção. Mas a areia é traiçoeira. Em contraste, o prudente pensaria no futuro, nos ventos, nas inundações. Escolheria terreno pedregoso, apesar de tal terreno requerer muito preparo e trabalho, para que a casa começasse a ser edificada. Este homemprudente simboliza os que ouvem e praticam os ensinos de Jesus. Não faltariam a tal homem as tempestades e os períodos de dificuldade, mas no fim o resultado justificaria sua decisão na escolha do terreno. Esse é o homem que considera bem o ensino, aprende-o e torna-o regra de vida.

 

«Sua casa». Não visava a ostentação, mas tinha por finalidade ficar firme, em meio às tempestades. A casa é o símbolo da vida. A vida deve ser edificada com bom senso, considerando o futuro, e não apenas o presente, de acordo com os princípios ditados por aquele que dá a vida e a sustenta. A vida física deve ser usada para obter e desenvolver a vida eterna.

 

«rocha». Provavelmente Jesus se refere a si mesmo e aos seus discípulos verdadeiros. A alusão é à terra rochosa, pedregosa, que serve de bom alicerce para as edificações. Mas, na aplicação simbólica dessas palavras, não há que duvidar que Jesus falou de si mesmo. Jesus é quem tem as palavras da vida eterna, porquanto ele é o pioneiro e o consumador da fé, o caminho e a vida (Jo 14:6). Portanto, ele é a rocha (I Co 10:4; II Sm 22:2; Sl 23:3; 28:1; 30:3; Is 26:4; I Co 3:11). O ensino é que a vida deve estar—inteiramente—vinculada, edificada e envolta em Cristo.

 

7:25  E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa; contudo não caiu, porque estava fundada sobre a rocha.

 

«VENTOS», «chuvas», «rios», isto é, «turbulência» por cima, ao redor e por baixo dos alicerces. Diversos intérpretes fazem desses símbolos de turbulência, comparações com as tentações, com os «dolores Messiae», com as perseguições, com as heresias na igreja, etc. Outros ensinam que estão subentendidas três provas diversas, como: 1. Chuva: as aflições temporais; 2. rio: as provas que resultam do maltrato por parte de outros homens; 3. vento: as tentações e as provas que se originam em Satanás ou nos demônios. Provavelmente Jesus falou em termos gerais, que incluem essas ideias, mas sem fazer referência exata ou intencional a essas coisas.

 

«não caiu». Os pais da igreja aplicavam essas palavras—à própria igreja, como edifício de Cristo, e nisso encontravam o cumprimento de suas palavras: «Edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela» (Mt 16:18). Isso é verdade, sendo possível que esteja subentendido nas palavras de Jesus, mas a principal interpretação é a da vida individual. As pessoas que realmente têm a Cristo como fundamento e edificam uma vida de discipulado autêntico sobre ele, alcançarão o destino desta vida.

 

7:26  Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras, e não as põe em prática, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia.

 

«OUVE... não pratica... casa sobre a areia». Nota-se que realmente a ideia principal não é a de dois fundamentos, porque a areia não é fundamento. Aquele que edifica sobre a areia não tem alicerce algum; ignora essa necessidade. A experiência humana mostra que muitos se alicerçam em coisas sem a aprovação de Deus, e muitos outros não têm base de espécie alguma. Ambos os tipos ignoram a maior necessidade, o alicerce na rocha. Os cães e os porcos do vs. 6 exemplificam aqueles que não têm alicerce. Os fariseus (os hipócritas de 6:5 e de outros versículos), os falsos profetas (dosvss. 15-20), os discípulos e autoridades falsas (dos vss. 21-23), são exemplos de pessoas com alicerces falsos. Todos esses são «insensatos». Essa palavra é dura, pois é palavra que Jesus proibiu de ser aplicada aos outros (Mt 5:22). O seu—sentido principal—é embotado, pesado, estúpido. Era termo empregado para dar a entender uma comida sem sabor. Todos esses sentidos podem ser aplicados à alma e à mente do homem que ouve masnão pratica os ensinos de Jesus.

 

7:27  E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa, e ela caiu; e grande foi a sua queda.

 

NOTEMOS que este pode passar pelas primeiras provas do primeiro homem, mas com resultado diferente. «Sendo grande a sua ruína». Jesus deixa novamente subentendido o juízo, a perda do destino da vida, a razão mesma da existência.

 

Lemos que ocasionalmente, durante a seca do ano, os pescadores erigiam cabanas sobre a areia que secara com a falta de água. Quando, repentinamente, voltavam as chuvas, causando inundações inesperadas, essas cabanas eram destruídas totalmente, num momento. Assim ocorreàquele que ignora o alicerce na rocha. Entre os escritos judaicos encontramos as seguintes palavras do rabino Eleazar, as quais ilustram bem a mensagem sobre os dois fundamentos: «O homem cujo conhecimento excede às suas obras é como a árvore de muitos galhos mas poucas raízes; ao soprar o tufão, tal árvore é arrancada da terra e destruída. Mas aquele que tem mais obras do que conhecimento, com que podemos compará-lo? Ele é como a árvore que tem poucos ramos e muitas raízes; assim sendo, todo o vento dos céus não podem tirá-la do lugar». Outros rabinos empregaram parábolas mais semelhantes às que encontramos neste evangelho de Mateus.

 

Bibliografia R. N. Champlin

Os Dois Alicerces (Mt 7.21-27)

 

Nesta parábola, Jesus declara que seus ensinos são o alicerce para uma vida virtuosa e um glorioso destino - o segredo de um caráter forte. Homens carnais consideram os ensinos de Jesus belos em ideais, porém pobres em substância. “Idealistas demais para este mundo prático” - é o seu veredito. Jesus, porém, declarou que os seus ensinos tinham base de rocha. E desafia: “Submeta ao teste cada proceder e descobrirá que nada surge como rocha sólida a não ser este caminho meu. O restante é areia”.

 

Cada pessoa está a imprimir na alma o caráter que vai passar à eternidade. Esta casa para a alma é composta dos nossos atos, palavras, pensamentos, esperanças e ambi­ções. Como o bicho da seda, tecemos nosso caráter, até atingirmos o próximo estágio de vida.

 

As coisas que dizemos, pensamos ou fazemos perma­necem conosco, embora pareçam transitórias. Elas per­manecem em nossa memória e hábitos, de centenas de maneiras, a influenciar-nos o caráter. Portanto, a grande pergunta é: O que você está edificando? Falando figurativamente, algumas pessoas estão edificando lojas e imergindo nos negócios; outras, constroem casas de pra­zer, onde dissipam suas vidas em frivolidade; outras ain­da, fazem prisões, onde jazem atados pelas cordas do pecado. Mas, graças a Deus, há muitas pessoas edificando templos para adorar e servir a Deus.

 

Outra pergunta importante: Que materiais você está colocando na sua construção? Cada ato de pecado, covar­dia, egoísmo ou ambiguidade representa material inferi­or. Bondade, paciência, generosidade e consagração re­presentam material sólido.

 

Certo escritor declarou que a casa do caráter cristão é testada por três lados: inundações por baixo, ventos a soprar nos flancos e chuva por cima. Um lado não foi mencionado - o de dentro. E isto sugere que nenhuma força externa pode destruir a vida em Cristo; o fracasso só pode vir de dentro. De vez em quando ouvimos falar da queda de algum obreiro cristão. Na maioria dos casos, o colapso não se deve à força da tentação, mas à fraqueza do caráter não edificado com os materiais certos. A estru­tura, quando enfraquecida por algum pecado, não resiste à tempestade. Aqueles que se conservam em contato com Cristo e edificam as suas vidas de acordo com seus pla­nos, terão a experiência de enfrentar tempestades nesta vida e o teste perscrutador do juízo vindouro.

 

Bibliografia M. Pearlman

 

Um Quadro de Duas Casas (Lc 6.46-49).

 

O Sermão da Planície termina com forte desafio para pormos em prática os ensinos de Jesus. Mateus dá mais de­talhes desta parte do sermão, mas Lucas deixa claro que o assunto principal para os discípulos é um compromisso firme em obedecer a Jesus. Básico à obediência é andar com Ele. Assim, o discipulado não se acha em guardar regras, mas em uma relação viável com Jesus, da qual deve emergir uma vida de fidelidade.

 

Se afirmamos ser seguidores fiéis, nossas ações não devem deixar de combinar com o que professamos. Cientes de que as ações podem contradizer as palavras, Jesus emite uma repreensão no versículo 46: “E por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?” Esta pergunta retórica é adver­tência contra os falsos discípulos que, por suas ações, negam a autoridade profética de Jesus sobre eles. Sua autoridade vai além da de um mestre; Ele é o seu Senhor. “Senhor” aqui tem um significado mais profundo que somente um tratamento de respeito. Como o Senhor divino e ungido pelo Espírito, Ele tem autoridade para exigir obediência. Mas Jesus sabe que alguns que o confessam como Senhor não lhe são fiéis. A confissão de Jesus como Senhor é apropriada (Rm 10.9; Fp 2.9-11), mas a despeito de quão fervorosa seja nossa confissão, não pode haver substituto para cumprir suas palavras. Viver sob seu senhorio importa em obediência.

 

Jesus conclui o grande sermão com uma parábola sobre duas casas, o que reforça a importância de pôr suas palavras em prá­tica. Um homem constrói sua casa sobre pedra sólida. Ele sabe o que tem de fazer para obter uma construção sólida. Ele cava profundamente no solo até achar uma pedra sólida sobre a qual firmar as fundações. Leva tempo e é trabalho duro, mas o trabalho não é em vão. A rocha dá a casa uma fundação segura. No inverno, quando os maus tempos vierem e as tempestades assolarem, esta casa permanece firme. Nada pode movê-la. Esta casa representa uma vida construída na rocha sólida das palavras de Jesus. Nesta vida, tempestades e provações acontece­rão, mas os seguidores fiéis de Jesus terão força divina para resistir as dificuldades. Obedecendo a Jesus, eles constroem a vida na fundação mais segura.

 

Em contraste, aqueles que ouvem as palavras de Jesus, mas não o aceitam, são como o homem que constrói sua casa em cima do chão, sem uma fundação firme. Embora a casa seja atraente e pareça forte, não pode suportar o tempo ruim. Assim que o rio transborda e as torrentes comecem a bater contra a casa, ela des­morona, pois não há rocha subjacente para sustentá-la. A advertência é clara: Se nós ouvimos mas não obedecemos as palavras de Jesus, estamos convidando o desastre.

 

Bibliografia C. B. Pentecostal

 

Parábola das duas casas Mt 7:21-28

 

Nessa parte do discurso do Se­nhor, ele fala de sua própria divin­dade —"Senhor, Senhor" (Mt 7:21; Jo 13:13)— e, como divino, exige a nos­sa obediência irrestrita. Dizer que ele é o Senhor e não reconhecê-lo de fato como tal, dentro de si, impedirá que Cristo o reconheça tanto agora como em sua vinda. Isso sabemos com certeza que ele realmente conhece os que são seus (2Tm 2:19). Ao terminar o seu discurso, Jesus disse: "Portanto todo aquele que ouve essas minhas palavras, e as pratica, será semelhante ao homem prudente". Então prossegue e refere-se ao que esse homem obediente, astuto e prudente faz. Constrói a sua casa, toda a sua vida, sobre as rochas do verdadeiro discipulado, uma submissão genuína a Cristo. O homem desobediente constrói de maneira diferente.

 

Rocha por fundamentoCristo, ele próprio, é a Rocha sobre a qual construímos. "Sobre esta pedra", i.e., sobre a sua divindade que Pedro con­fessara, "edificarei a minha igreja" (Mt 16:18; Dt 32; Sl 18:2,46; 1Co 3:10,11; Sl 46:1,2). Esse salmo tem sido chamado a Canção da casa sobre a rocha, que não temia quando vinham as tormentas. Por toda a parábola que estamos analisando, Cristo ensina a importância do fa­zer tanto quanto doouvirEm sua descrição dos dois construtores, dei­xou claro que foram julgados, não pelo cuidado que tiveram ao cons­truir suas casas, mas pelofunda­mento sobre o qual elas estavam. Ele ilustrou de forma notável a impor­tância do fundamento ao edificarmos a vida. Se desejarmos construir man­sões mais imponentes para a alma, os fundamentos devem ser cuidado­samente escolhidos.

 

A interpretação da parábola, sem dúvida, sugerida pela arquitetura que estava ao redor deles, está rela­cionada com "o material em geral de uma vida cristã externa", uma vida que se apóia e está arraigada em tudo o que o Senhor é: em si mesmo. É somente pela nossa união com Cristo, a Rocha, que podemos con­seguir a firmeza da parede, sem a qual até mesmo os nossos objetivos mais firmes serão como areia move­diça. Temos segurança eterna, se for­mos edificados sobre aquela funda­ção a respeito da qual Deus disse: "Vede, assentei em Sião uma pedra, uma pedra já provada, pedra preci­osa de esquina, que está bem firme e fundada" (Is 28:16). Lucas refere-se ao construtor sábio, dizendo que ele "cavou, e abriu bem fundo, e lan­çou os alicerces sobre a rocha" (Lc 6:48). O caro Benjamin Keach diz o seguinte sobre o cavar fundo: "A alma do crente cava fundo, pene­trando na natureza de Deus, para descobrir qual o tipo de justiça em que achará alívio e se harmonizará com a justiça e a infinita santidade de Deus".

 

Areia por fundamentoCristo sa­bia que os estrangeiros, os quais vi­nham à Galiléia para construir, eram atraídos para um solo de areia, já pronto para ser usado, não para a rocha dura e enrugada do local. Mas, quando vinha o tempo das chuvas fortes, só restava ao construtor um monte de ruínas. O que uma funda­ção arenosa representa? Denota um fundamento frouxo, o ato de profes­sar a religião de forma vazia, mera religião externa.Ellicott comenta que a "areia" explica "os sentimen­tos inconstantes e incertos de alguns homens (os 'insensatos' da parábo­la), o único solo sobre o qual agem —amam ser louvados, são fiéis aos costumes e assim por diante". A se­gunda casa, embora muito impressionante, não tem fundação e, por­tanto, está condenada à destruição. Que grande diferença nosso Senhor retrata aqui! Como estão em perigo os homens cujas decisões não se ba­seiam na ajuda de Deus, encontra­da pela oração; cujas alegrias não são baseadas na confiança do amor de Deus; cuja confiança não é baseada na presença revelada de Deus; cujas virtudes não têm raízes; cuja bondade não tem motivação; cuja esperan­ça não tem fundamento! A casa de tal homem está simplesmente com as suas partes ligadas umas às ou­tras, e pode cair a qualquer momen­to. Os fariseus do tempo de Cristo construíram suas esperanças em bênçãos e privilégios externos: "Te­mos Abraão por pai" (Lc 3:8; Jo 8:33). Mas o coração deles estava distante da Rocha de sua salvação, e Cristo teve de dizer-lhes que o diabo é que era o pai deles, não Abraão.

 

EdificadoresNosso Senhor usa edificadores "prudentes" e "insensa­tos" para se referir a duas classes de pessoas, por meio da imagem natu­ral da construção de uma casa. Po­demos entender pelo quadro nítido que ele desenhou ambas as casas: atraentes e sólidas; mas Jesus reve­la a firmeza delas. O material usado e o processo de construção estavam corretos quando foram erguidas, e ambas pareciam no prumo certo, firmes e fortes.

 

A vida não é mais que "construir o caráter, os hábitos, as lembranças, as expectativas, tanto de fortalezas como de fraquezas; ao construirmos a casa da vida, adicionamos uma coi­sa sobre a outra, como se fosse pedra sobre pedra. Nosso desejo é que a construamos de forma segura". Há boas pessoas, que não são do Senhor, que constroem bem e acham que suas casas estão edificadas bem e sabiamente sobre o dinheiro, os ami­gos, a saúde, o sucesso nos negócios —todas essas coisas são louváveis em si mesmas, mas são desastrosas, se não forem alicerçadas sobre a Rocha. Mas há outros que constroem de maneira diferente, "aumen­tando diariamente o seu poder em servir, o seu conhecimento de Deus, as suas vitórias sobre os seus defei­tos, as suas alegrias e esperanças, até que suas vidas se tornem um palácio digno para Deus habitar".

 

Elementos do testeAs chuvas torrenciais, as inundações e os furacões do Oriente causam muitos danos às casas de aparência fortes, destruin­do as não solidamente construídas —essa foi uma ilustração que nosso Senhor usou com muita proprieda­de. "Desceu a chuva" Jesus compara aos momentos de prova apavorantes, às forças concentradas de uma chu­va torrencial que ameaça o telhado da casa. Como dá medo a chuva que cai, seguida de uma ventania!. "Transbordaram os rios", e essas tor­rentes tempestuosas podem corroer as paredes por baixo. "Sopraram os ventos", e esses ventos impetuosos como de furacão ameaçam os lados da casa.

 

Essas forças naturais aliadas fa­zem lembrar que o sol de verão nem sempre brilha. Não faz diferença se somos "prudentes" ou "insensatos", todos temos tensões, aflições, decep­ções, perdas, tentações, temores e pensamos sobre a morte e a vida no além. Ellicott diz: "O vento, chuva e asinundações não dão folga para a interpretação individual, a não ser que se use um detalhismo exagera­do. Esses elementos representam coletivamente as violências da per­seguição, do sofrimento e das tentações, sob as quais tudo, exceto a vida que repousa sobre a verdadeira fun­dação, cederá".

 

Um toque dramático é acrescen­tado ao desastre que sobreveio à casa construída sobre a fundação de areia —"E foi grande a sua queda". Com essas palavras lamentáveis, Cristo adverte a que evitemos destino semelhante. Como deve ter sido im­pressionante essa imagem de terrí­vel ruína para os que o ouviam, pois estavam acostumados à ferocidade das tempestades do Oriente, e como repentinos e absolutamente varriam tudo à sua frente que não estivesse firme! Não é de admirar que, quan­do Jesus terminou o discurso parabólico, as pessoas estavam maravi­lhadas com a singularidade e auto­ridade de suas palavras. "A consci­ência de ser a autoridade divina como legislador, comentarista e juiz brilhavam por sua mensagem, de tal forma que o ensino dos escribas fi­cou reduzido a nada mais que salivação debaixo de tanta luz." Os escribas eram meramente varejistas daquilo que outros haviam dito. Quando falamos do que sabemos, porque já experimentamos algo em nosso coração, então também, como o Mestre, falamos com autoridade.

 

Os construtores insensatos deve­riam prestar atenção à advertência de Jesus, e construir novamente, agora sobre uma fundação sólida, i.e., nele (1Co 3:11). Antes que uma perda final e irreparável lhes sobrevenha, serão sábios para reconhecer a sua absoluta impotência uma vez separados da graça, construindo so­bre a única fundação segura, do ar­rependimento e da fé, em tudo o que Deus prove para a sua redenção.

 

Bibliografia H. Lockyer