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pentecostes cheios do Espirito Santo
pentecostes cheios do Espirito Santo

Cheios do Espirito Santo (At 2.1-21)

 Os 120 continuaram em oração e louvor por cerca de dez dias após a ascensão de Jesus até o dia de Pentecoste. Este era o dia da festa da colheita entre os judeus. No Antigo Testamento também é chamado Festa das Semanas (Êx 34:22; Dt 16:16), quando ocorria uma semana de semanas (sete semanas) entre ela e a Páscoa. Pentecoste significa "quinquagésimo", e era assim chamado porque, no quinquagésimo dia depois do movimento do molho dos primeiros frutos (Lv 23:15), eles moviam dois pães como primícias (Lv 23:17). 

Ao CUMPRIR-SE (At 2:1) 

Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar.

 

O Pentecoste estava sendo completado ou "cumprido", uma palavra que chama a atenção para o fato de que o período de espera estava chegando ao fim, e as profecias do Antigo Testamento estavam para cumprir-se. Os 120 estavam ainda reunidos em um mesmo lugar. Não faltava ninguém. Não se nos diz onde era o lugar: mas a maioria acha que era o cenáculo, pois ali era o centro de operações deles (At 1:13). Outros, em vista da declaração de Pedro de que era a terceira hora do dia (9 da manhã), creem que eles estavam no templo, provavelmente no átrio das mulheres. Já vimos que os crentes, nas horas de oração, estavam habitualmente no templo. Um dos pórticos ou colunatas cobertas, ao fim do átrio, teria proporciona­do um bom lugar para eles se reunirem e se unirem em adoração. Isso ajudaria a explicar a multidão que compareceu depois que o Espírito foi derramado. 

VENTO E FOGO (2:2, 3) 

De repente veio do céu um ruído, como que de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. E lhes apareceram umas línguas partidas como que de fogo, que se distribuíam, e sobre cada um deles pousou uma.

 De repente, sem prévio aviso, um som veio do céu como o de um vento impetuoso ou um tufão. Mas era o ruído que enchia a casa e os envolvia, e não um vento real.

 O vento devia recordar-nos as manifestações divinas do Antigo Testamento. Deus falou a Jó dum redemoinho (Jó 38:1; 40:6); um forte vento oriental abriu o caminho através do Mar Vermelho, ajudando os israelitas a escaparem do Egito pisando terra seca (Êx 14:21). O vento era, também, símbolo frequente do Espírito no Antigo Testamento (Ez 37:9, 10, e 14, por exemplo). Jesus também usou o vento para falar do Espírito (Jo 3:8).

 O ruído do vento indicava aos presentes que Deus estava para se manifestar, bem como seu Espírito, de uma forma especial. Aquele som era o de um vento que, trazendo poder, também falava do poder que lhes seria conferido conforme promessa de Jesus em Atos 1:8, um poder para serviço.

 Subitamente, apareceram línguas distribuídas como línguas de chama ou fogo. Alguma coisa que parecia uma porção de flamas surgiu sobre o grupo inteiro. Então aquela porção de flamas se dividiu, e uma só língua, semelhante a uma labareda de fogo pousou sobre a cabeça de cada um, homens e mulheres. Na realidade, não havia fogo real, e ninguém se queimou. Mas o fogo e a luz eram símbolos comuns da presença divina, como no caso da sarça ardente (Êx 3:2), e, também, na aparição do Senhor em fogo no Monte Sinai depois que o povo de Israel aceitou o Antigo Pacto (Êx 19:18).

 Alguns supõem que essas línguas constituíam um batismo de fogo purificador. Entretanto, os corações e as mentes dos 120 estavam já abertos à ressurreição de Cristo, já purificados, já cheios de louvor e alegria (Lc 24:52,53), já responsivos à Palavra inspirada pelo Espírito (At 1:16), já unânimes. Mais do que purificação ou condenação, o fogo aqui significava a aceitação, por parte de Deus, do corpo da Igreja como o templo do Espírito Santo (Ef 2:21,22; 1 Co 3:16), e, então, a aceitação dos crentes individualmente como sendo também templos do Espírito (1 Co 6:19). Assim, a Bíblia deixa claro que a Igreja já existia antes do batismo pentecostal. Hb 9:15,17 mostra que foi a morte de Cristo que pôs em vigor o Novo Pacto. Desde o dia da ressurreição, quando Jesus assoprou sobre os discípulos, a Igreja estava constituída como um Corpo da nova aliança.

 É importante notar que estes sinais precederam o batismo pentecostal ou os dons do Espírito. Não faziam parte dele, nem foramrepetidos em outras ocasiões quando o Espírito foi derramado. Pedro, por exemplo, identificou o enchimento dos crentes na casa deCornélio com a promessa de Jesus de que seriam batizados no Espírito, qualificando-o como o mesmo dom (At 10:44-47; 11:17). Mas o vento e o fogo não estavam presentes.

 

CHEIOS DO ESPÍRITO SANTO (2:4) 

E todos ficaram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem.

 Agora, que Deus reconhecera a Igreja como o novo templo, o passo seguinte era derramar o Espírito sobre os membros do Corpo.

 O que Jesus prometeu como batismo é descrito aqui como um enchimento, isto é, uma experiência plena, satisfatória. Alguns tentam fazer distinção entre ser batizado no Espírito e ser cheio.  Realmente, a Bíblia usa uma variedade de termos. Era também um derramamento do Espírito como Joel profetizou (At 2:17,18,33); o recebimento (e aceitação ativa) de um dom (At 2:38); uma descida sobre (At 8:16; 10:44; 11:15); um derramamento do dom (At 10:45), e uma vinda sobre. Com esta variedade de termos é impossível supor que o batismo seja algo diferente da plenitude.

 Realmente, desde que o Espírito Santo é uma Pessoa, estamos falando acerca de uma experiência que estabelece uma relação. Cada termo expressa algum aspecto da experiência pentecostal, e nenhum é capaz, isoladamente, de expressar todos os aspectos daquela experiência.

 É claro, também, desde que eles estavam todos juntos e unâni­mes, que quando At 2:4 diz que todos ficaram cheios, significa que isso se deu com os 120. Entre algumas das igrejas sacramentais, muitos supõem que somente os 12 apóstolos ficaram cheios. En­tretanto, foram faladas mais de doze línguas. Depois, quando Pedro falou a um grande grupo em Jerusalém, disse que dom semelhante descera sobre os gentios, "que também dera a nós, ao crermos no Senhor Jesus Cristo,,. Isto sugere que o Espírito desceu do mesmo modo, não somente sobre os 12, mas ainda sobre os 120 e também sobre os 3.000 que creram no dia de Pentecoste. Evidentemente, a experiência era e é para todos. Isto, entretanto, era novidade. No Antigo Testamento somente indivíduos escolhidos ficavam cheios.

 Tão logo ficaram cheios, os 120 começaram a falar (e continuaram falando) em outras línguas (idiomas). "Começaram" é significativo no que evidencia, como em At 1:1, que o que foi começado teve continuidade em outras ocasiões, assim indicando que as línguas eram o acompanhamento normal do batismo no Espírito Santo. Esse dom de falar vinha à medida que o Espírito lhes concedia a expressão oral (continuava a dar e se conservava dando-lhes para se manifesta­rem ou para falarem). Isto é, eles usavam suas línguas, seus músculos.Eles falavam, mas as palavras não vinham de suas mentes ou raciocínio. O Espírito lhes dava a mensagem que eles apresenta­vam com intrepidez, em voz alta, e com evidente unção e poder. Este era um sinal do batismo no Espírito que foi repetido.

 

PASMOS E CONFUSOS (2:5-13) 

5Habitavam então em Jerusalém judeus, homens piedosos, de todas as nações que há debaixo do céu. 6Ouvindo-se, pois, aquele ruído, ajuntou-se a multidão; e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua. 7todos pasmavam e se admiravam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses que estão falando? 8Como é, pois, que os ouvimos falar cada um na própria língua em que nascemos? 9Nós, partos, medos, e elamitas; e os que habitamos a Mesopotâmia, a Judeia e a Capadócia, o Ponto e a Ásia, 10a Frigia e a Panfília, o Egito e as partes da Líbia próximas a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, "cretenses e árabes — ouvimo-los em nossas línguas, falar das grandezas de Deus. 12E todos pasmavam e estavam perplexos, dizendo uns aos outros: Que quer dizer isto? 13E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto.

 Jerusalém era um centro cosmopolita a que muitos dos judeus da dispersão voltavam e onde se instalavam. "Habitavam" (versículo 5) realmente implica um pouco mais do que uma estada temporária ou visita. Sendo a Festa de Pentecoste, no entanto, podemos estar seguros de que muitos judeus de todo o mundo conhecido estavam ali em Jerusalém. Eram pessoas devotas, tementes a Deus, sinceras em seu culto ao Senhor. Na realidade, maior número estaria em Jerusalém nessa ocasião do que por ocasião da Páscoa, considerando que a viagem no Mar Mediterrâneo era mais segura nessa época do que mais cedo.

 A medida que o ruído dos 120 falando em línguas cresceu e se fez ouvir, a multidão formou-se com pessoas vindas de todas as direções. Todos estavam confusos porque cada um os ouvia falar sua própria língua. Própria enfatiza sua própria língua, a que ele usava desde a infância. Idioma aqui significa uma língua distinta. Eles não estavam simplesmente falando em uma multiplicidade de dialetos galileus ou aramaicos, mas em uma multiplicidade de línguas inteiramente diferentes.

 O resultado foi o espanto total. Eles estavam atônitos. Estavam cheios de espanto, porque reconheciam, provavelmente por causa da roupa, que os 120 eram galileus. Não podiam entender como era que cada um os ouvia falando sua própria língua, a sua língua materna.

 Alguns acham que o versículo 8 significa que os 120 estavam todos, na realidade, falando a mesma língua e, por um milagre de audição, a multidão era levada a ouvir em sua língua materna. Mas os versículos 6 e 7 são também específicos para o caso. Cada homem os ouvia falar em seu próprio dialeto, sem nenhum sotaque galileu. Não teria havido surpresa se os 120 falassem em aramaico ou grego.

 Outros supõem que os 120 realmente falaram em línguas, mas que ninguém os compreendia. Eles alvitram que o Espírito interpretava as línguas desconhecidas aos ouvidos dos ouvintes traduzindo-as para sua própria língua. Mas os versículos 6 e 7 rejeitam isso, também. Eles falavam em línguas reais que eram realmente entendi­das por uma multiplicidade de pessoas de uma multiplicidade de lugares. Isso dava testemunho à universalidade do dom e à universa­lidade e unidade da Igreja.

 Os lugares mencionados onde estes judeus haviam nascido esta­vam em todas as direções, mas eles também seguiram uma ordem geral (com algumas exceções) começando pelo nordeste. A Pártia estava ao leste do Império Romano, entre o Mar Cáspio e o Golfo Pérsico; a Média ficava ao leste da Assíria; o Elão ficava ao norte do Golfo Pérsico, na parte meridional da Pérsia; a Mesopotâmia era a antiga Babilônia cuja maior parte ficava fora do Império Romano. A Babilônia tinha uma grande população judaica nos tempos do Novo Testamento, vindo a tornar-se, depois, um centro do Judaísmo ortodoxo (1 Pe 5:13).

 A Judeia é mencionada porque os judeus dali ainda falavam hebraico e teriam ficado espantados pela ausência do sotaque galileu. É possível, também, que Lucas inclua com a Judeia toda a Síria, de fato, todo o território de Davi e Salomão, do rio Eufrates ao rio do Egito (Gn 15:18). A Capadócia era uma grande província romana na parte central da Ásia Menor; o Ponto era uma província romana na Ásia Menor setentrional, sobre o Mar Negro; a Ásia era a província romana compreendendo o terço ocidental da Ásia Menor; a Frigiaera um distrito étnico, parte do qual estava na província da Ásia e parte na Galácia. Posteriormente, Paulo fundou muitas igrejas nesta área.

 A Panfília era uma província romana na costa sul da Ásia menor; o Egito, ao sul, tinha uma grande população judaica. O filósofo judeuFaon disse, no A. D. 38, que havia cerca de um milhão de judeus ali, muitos em Alexandria. Cirene era um distrito do Egito na África ocidental sobre a costa mediterrânea (At 6:9; 11:20; 13:1).

 Outros presentes em Jerusalém eram estrangeiros (viajantes, resi­dentes temporários), cidadãos de Roma, incluindo tanto judeus como prosélitos (gentios convertidos ao Judaísmo). Outros, ainda, eram da ilha de Creta e da Arábia, o distrito ao leste e ao sudeste da Palestina.

 Todos estes continuaram ouvindo em suas próprias línguas as grandezas (os poderosos, magníficos, sublimes feitos) de Deus. Isso pode ter sido feito através de exclamações de louvor a Deus por essas obras admiráveis. Não implica discurso ou pregação, embora a pregação, com toda a certeza, tenha provocado a salvação de alguns (1 Co 1:21). Não há registro, aqui ou em outro lugar qualquer, entretanto, de o dom de línguas ser usado como meio de pregar ou ensinar o evangelho.

 Em vez disso, os ouvintes pasmavam (atônitos) e estavam perple­xos (na incerteza, inteiramente incapazes de compreender) a respeito de tudo aquilo. "Que quer dizer isto?" é, literalmente, "O que será isto?" e exprime sua confusão total bem como seu extremo espanto. Eles entendiam o significado das palavras, mas não o propósito. Isso porque estavam confusos pelo que ouviam.

 Outros na multidão, que evidentemente não compreendiam ne­nhuma das línguas, acharam que era algo ininteligível. Então, porque não podiam compreender o significado, tiraram a conclusão precipita­da de que aquilo não tinha sentido. Por causa disso, passaram a zombar e a mostrar menosprezo, dizendo que estavam cheios (saturados) de mosto (vinho novo). O vinho novo, aqui, é o gleukous grego, palavra da qual tiramos nossa palavra glicose para designar o açúcar extraído da uva. Não é a palavra comum para o vinho novo e provavelmente representa um vinho intoxicante feito de uma uva muito doce. Ainda não havia chegado o tempo da colheita das uvas, que começava em agosto, e o suco de uva estaria, de novo, disponível.

 O grego indica que havia gestos de zombaria bem como palavras. Alguns beberrões se tornam barulhentos e pode ter sido isso que os zombadores pensaram na ocasião. Não devemos supor que existisse qualquer sinal da espécie de delírio que marcava a orgia de bêbados pagãos. A principal emoção deles ainda era a alegria. Tinham estado agradecendo e louvando a Deus em sua própria língua (Lc 24:53), e, agora, o Espírito Santo lhes dera novas línguas para, com elas, louvarem a Deus. Podemos estar certos de que seus corações ainda extravasavam louvor, embora não compreendessem o que estavam dizendo.

 

PEDRO EXPLICA (2:14-21) 

14Então Pedro, pondo-se em pé com os onze, levantou a voz e disse-lhes: Varões judeus e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras. 15Pois estes homens não estão embriagados, como vós pensais, visto que é apenas a terceira hora do dia. 16Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: 17E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos mancebos terão visões, os vossos anciãos terão sonhos; 18e sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e eles profetizarão. 19mostrarei prodígios em cima no céu; e sinais embaixo na terra, sangue, fogo e vapor de fumaça. 20sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor. 21acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.

 Quando Pedro e os onze apóstolos (incluindo Matias) se puseram em pé, os 120, imediatamente, pararam de falar em línguas. Então, a multidão inteira voltou sua atenção para ele. Ainda ungido pelo Espírito, ele levantou a voz e passou a "tornar público" ou falar-lhes. A palavra usada para este discurso provém do mesmo verbo usado em relação ao que foi dito em línguas em At 2:4. Ela sugere que Pedro falava em sua própria língua (aramaico) à medida que o Espírito lhe dava a mensagem. Em outras palavras, o que se segue não é um sermão no sentido comum da palavra. Certamente, Pedro não se sentou e esboçou três argumentos ou pontos. Ao contrário, o que ocorreu foi uma manifestação espontânea do dom de profecia (1 Co 12:10; 14:3).

 O discurso de Pedro foi dirigido aos homens judeus e aos habitantes de Jerusalém. Era este um modo polido de começar e estava de acordo com o costume deles, mas não excluía as mulheres. O mesmo pode ser dito em relação aos versículos 22 e 29.

 Evidentemente, à medida que os 120 continuaram a falar em línguas, a zombaria aumentou ao ponto de a maioria estar zombando. Mesmo alguns que compreendiam as línguas podem ter-se unido a eles. Ele respondeu somente aos que zombavam.

 Estas pessoas não estavam embriagadas como a multidão supunha, porque era apenas a terceira hora do dia, cerca de nove horas da manhã. Na realidade, mesmo o vinho doce não era muito forte. Naqueles dias eles não possuíam processo de destilar álcool ou tornar fortes as bebidas. Suas bebidas mais fortes eram o vinho e a cerveja e eles costumavam diluir o vinho com várias partes de água. Teria sido muito difícil embriagá-los assim tão cedo, de manhã. Podemos estar certos, também, de que alguém que estivesse bebendo não viria expor-se em público àquela hora. Assim, as palavras dos zombadores mostravam-se absurdas.

 Pedro, então, declarou que o que eles viam e ouviam (2:33) era um cumprimento de Jl 2:28-32 (Jl 3:1-5 no texto hebraico). Visto que o contexto em Joel prossegue até tratar da condenação futura e do fim dos tempos, alguns hoje acreditam que a profecia de Joel teve cumprimento no dia de Pentecoste. Um escritor chegou a dizer que Pedro, na realidade não pretendeu dizer "isto é o que", mas, "isto é algo semelhante ao que foi dito". Em outras palavras, o derramamen­to pentecostal foi somente semelhante ao que acontecerá quando Israel for restaurado no fim dos tempos.

 Pedro, entretanto, disse: "isto é o que!" Joel, como os demais profetas do Antigo Testamento, não viram o interregno entre a primeira e a segunda vinda de Cristo. Inclusive o próprio Pedro, provavelmente, não percebeu quão longo seria esse interregno. Ele viu, entretanto, que a era messiânica estava chegando, e, provavel­mente, esperava que a vinda seria em breve.

 Pedro faz uma visível mudança na profecia. Sob a inspiração do Espírito ele especificou que a palavra "depois" em Jl 2:28 significa: o derramamento é "nos últimos dias". Assim ele reconheceu que os últimos dias começaram com a ascensão de Jesus (At 3:19-21). Disso podemos concluir que o Espírito Santo reconhece a era da Igreja, inteira, como os "últimos dias". Nós estamos na última era antes do arrebatamento da Igreja, da restauração de Israel, e do reino milenial de Cristo sobre a terra, a última era antes que Jesus venha em chama de fogo para tomar vingança dos que não conhecem a Deus e rejeitam o evangelho (2 Ts 1:7-10).

 A primeira parte da citação de Joel tem uma aplicação óbvia aos 120. As muitas línguas salientam o propósito de Deus de derramar o seu Espírito sobre toda a carne. No hebraico "toda a carne" significa geralmente toda a humanidade, como em Gn 6:12. Carne pode, também, falar de fraqueza, e isso se enquadra com o fato de que o batismo no Espírito Santo é uma experiência fortalecedora. O Espírito quer dar-nos poder e fazer-nos fortes.

 Se alguns sonhos ou visões ocorreram enquanto eles estavam falando, não sabemos. Talvez tivessem ocorrido. Mas a ênfase repetida (versículos 17 e 18) é no derramamento do Espírito de modo que os que ficassem cheios profetizariam. Evidentemente, Pedro, através do Espírito, viu que as línguas, quando compreendidas, são o equivalente da profecia (1 Co 14:5, 6). Na Bíblia, profetizar significa falar por Deus como seu porta-voz ou "boca". (Compare Êx 7:1 e Êx 4:15, 16.)

 "Toda a carne" se subdivide, pois, em filhos e filhas. Não deveria haver distinção, na experiência pentecostal, com relação a sexo. Esta é outra indicação de que todos os 120 foram batizados no Espírito, incluindo as mulheres.

 Os moços teriam visões e os velhos teriam sonhos. Nenhuma divisão existiria em relação à idade. Nem parece haver, aqui, qualquer distinção real entre sonhos e visões. A Bíblia, muitas vezes, usa as palavras alternadamente. Aqui estão, pelo menos, em paralelo. (Veja At 10:17; 16:9,10 e 18:9 para exemplos de visões.)

 Mesmo sobre os escravos e as escravas (que é o que servos e servas significam) Deus derramaria seu Espírito. Em outras palavras, o Espírito não prestaria atenção a distinções sociais. Embora, provavelmente, não houvesse escravos entre os 120, o Império Romano tinha muitas áreas onde o número de escravos chegava a 80% da popula­ção. O cumprimento viria.

 Também é possível tomar o versículo 18 como uma declaração resumida: "sobre minha igreja de escravos", num paralelo com os israelitas libertados do Egito pelo extraordinário poder de Deus. Todas as epístolas se referem aos crentes como servos (literalmente, escravos) em lugar de discípulos. Eles nada pediam para si mesmos, não reclamavam direitos, e tudo davam ao serviço do seu Mestre e Senhor. Mesmo os irmãos de Jesus, Tiago e Judas, chamavam-se servos (escravos) do Senhor Jesus (Tg 1:1; Jd 1).

 Muitos interpretam os versículos 18 e 19 simbolicamente. Outros supõem que eles foram de algum modo cumpridos durante as três horas de trevas enquanto Jesus estava pendurado na cruz. Parece, antes, que a menção dos sinais indica que o derramamento e a profecia continuariam até que esses sinais aparecessem no fim dos tempos. Pedro também tem em vista que esses sinais podem ser esperados justa e confiantemente.

 Podemos, também, ver o dom do Espírito como as primícias da era por vir (Rm 8:23). O coração e a mente impenitentes não têm concepção das coisas que Deus preparou para aqueles que o amam. Mas Deus "no-las revelou pelo seu Espírito" (1 Co 2:9,10). A herança, que será plenamente nossa quando Jesus vier, não é mistério para nós. Nós já a experimentamos, ao menos em certa medida. Como Hb 6:4, 5 ressalta, todos os que provamos (realmente experimentamos) o dom celestial e fomos feitos participantes do Espírito Santo, já experimentamos a boa palavra (promessa) de Deus e os poderes (poderes extraordinários, milagres) do mundo (era) por vir.

 Alguns também veem no fogo e na fumaça uma referência aos sinais da presença de Deus no Monte Sinai em Êx 19:16-18; 20:18 e olham para o Pentecoste como a entrega de uma nova lei ou a renovação do novo pacto. Entretanto, como Hb 9:15-18, 26, 28 indica, a morte de Cristo põe em vigor o novo pacto e nada mais seria necessário.

 Os sinais aqui também incluem sangue (versículo 19) e se referem à crescente efusão de sangue, guerras e fumaça das guerras que encobrirão o sol e farão a lua aparecer vermelha. Estas coisas acontecerão antes do grande e notável (manifesto) dia do Senhor. Fazem parte desta presente era. O dia do Senhor no Antigo Testamento inclui os julgamentos das presentes nações do mundo bem como a restauração de Israel com o estabelecimento do reino messiânico. Mas Pedro não está preocupado com essas profecias nesses termos aqui. Ele quer que seus ouvintes compreendam que o poder pentecostal do Espírito continuará a ser derramado através da era presente. A era da Igreja é a era do Espírito Santo; o dom do Espírito estará ainda acessível mesmo no meio das guerras e dos derramamentos de sangue vindouros.

 O versículo 21 apresenta o propósito do derramamento. Através de sua comunicação de poder a obra de convencer do Espírito será realizada no mundo, não apenas no fim, mas através da era até ao grande dia do Senhor. Durante todo esse período, todo o que invocar (em busca de socorro em sua necessidade, isto é, por salvação) o nome do Senhor, será salvo. O grego é forte: "todo aquele." Não importa o que aconteça ou que forças se oponham à Igreja, a porta da salvação permanecerá aberta. O grego também indica que podemos esperar que muitos vão responder e ser salvos.

 

FONTE Nota Bibliografia S. M. Horton,doutrina do Espirito Santo,2003 cpad

fonte www.avivamentonosul.blogspot.com.br