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Lições betel primeiro trimestre 2015 fidelidade
Lições betel primeiro trimestre 2015 fidelidade

                                 

                                     ESCOLA DOMINICAL - Conteúdo da Lição  N.1  

                                    Revista da Editora Betel - 1º Trimestre de 2015  

 

A Fidelidade de Deus

4 de Janeiro de 2015

 

 

Texto Áureo

 

“A tua benignidade, Senhor, chega até os céus, até as nuvens a tua fidelidade” Sl 36.5. 

 

Verdade Aplicada

 

A fidelidade de Deus é a base sólida da sustentação de nossa confiança e relacionamento com Ele. 

 

Textos de Referência

 

Salmos 89.1 Cantarei para sempre as tuas misericórdias, ó Senhor, os meus lábios proclamarão a todas as gerações a tua fidelidade.

Salmos 89.2 Pois disse eu: a benignidade está fundada para sempre: a tua fidelidade, tu a confirmarás até nos céus, dizendo.

Salmos 89.5 Celebram os céus as tuas maravilhas, ó SENHOR, e, na assembleia dos santos, a tua fidelidade.

Salmos 89.24 A minha fidelidade e a minha bondade o hão de acompanhar, e em meu nome crescerá o seu poder. 

 

INTRODUÇÃO

 

A fidelidade de Deus, um dos grandes temas da Bíblia, carrega em si a ideia do compromisso inabalável de Deus em manter, na relação com o Seu povo, tudo quanto se encontra escrito na Sua Palavra. A fidelidade é uma das gloriosas perfeições do Senhor, uma vestimenta do próprio Deus (Sl 89.8). Tudo o que há acerca de Deus é grande, vasto e incomparável, assim é também Sua fidelidade (Sl 36.5). 

 

1 A fidelidade é um atributo do caráter de Deus.

 

A fidelidade é parte inerente do ser divino e Ele tem enorme satisfação em revelar-se a seu povo como Deus fiel (Dt 7.9). O apóstolo Paulo afirma que nem mesmo a infidelidade humana pode alterar a fidelidade divina (2Tm 2.13). 

 

1.1 A vida de Deus não muda.

 

Ele é desde a antiguidade (Sl 93.2). O salmista Davi compreende uma revelação da perfeição divina (Sl 103.26,27), por meio da qual Deus não está sujeito a qualquer mudança, não somente em Seu ser, mas também em Suas profecias, propósitos e promessas (Hb 6.13, 14). A fidelidade de Deus está expressa em Sua coerência moral e pessoal no seu relacionamento com as pessoas. Por isso, Deus é comparado a uma rocha (Dt 32.4). Ele permanece sempre na mesma posição. Ele é eternamente o Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação (Tg 1.17). 

 

1.2 O caráter de Deus não muda.

 

No curso da vida humana, gostos, perspectivas, tempo, temperamento, entre outros, podem mudar o caráter de uma pessoa, mas nada pode alterar o caráter de Deus. Ele nunca se torna menos verdadeiro, misericordioso, justo ou fiel (Êx 34.6). O caráter de Deus é hoje, e sempre será exatamente como era nos tempos bíblicos, conforme a auto-revelação de Deus a Moisés (Êx 3.14). Ele tem vida em si mesmo e o que Ele é agora será eternamente (Hb 13.8). 

 

1.3 Os propósitos de Deus não mudam

 

Os planos do homem podem mudar por falta de previsão ou ausência de poder. Porém os propósitos de Deus nunca se alteram (Sl 33.11), visto que Deus é Onisciente, Onipotente e Onipresente. O que Deus executa no presente, Ele já planejara desde a eternidade (Ef 3.3-11). Tudo o que se encontra em Sua Palavra, Ele se comprometeu a realizar (Mc 13.31). O seu propósito abrange grandes reinos (Dn 4.32), mas também tem planos para seus servos de forma individual (At 9.15) e com relação à Igreja (Fp 1.6). Podemos ter certeza de que o propósito de Deus com respeito à nossa salvação não é uma vaga possibilidade, mas uma convicção inabalável. A volta de Jesus e a consumação da nossa salvação é uma agenda firmada pelo Pai e Ele a levará avante. 

 

2. Deus é fiel no cumprimento de Suas promessas.

 

A Bíblia está repleta de promessas de Deus para Seu povo. Em Hebreus 10.23, somos convidados a guardar firmemente a nossa esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel. Vejamos algumas características das promessas de Deus:

 

2.1. As promessas de Deus podem ser condicionais.

A maioria das promessas de Deus é incondicional e será cumprida (Gn 18.9-14), outras, porém, dependem da obediência e fé do seu povo. Em Sua ascensão ao céu, Cristo prometeu aos discípulos que enviaria o Espírito Santo (Lc 24.49), mas estabeleceu uma condição: que permanecessem em Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder, o que se cumpriu no dia de Pentecostes (At 2.1-4). Precisamos, portanto, ter uma atitude de fé e perseverança face ás promessas de Deus e buscar o seu cumprimento por meio da oração, como fez o profeta Daniel. Ele entendeu que o fim do cativeiro havia chegado para Israel, então clamou ao Senhor pelo cumprimento da promessa (Dn 9.1, 2). Neemias também orou firmado nas promessas de Deus (Ne 1.9, 10). 

 

2.2. As promessas de Deus podem parecer demoradas.

 

Os que pensam que as promessas de Deus são tardias não possuem o discernimento necessário para saber que a demora de Deus tem o objetivo de afastar o julgamento e trazer a graça salvadora ao maior número possível de pessoas (2 Pe 3.9). Na vida do cristão, a espera é sem dúvida um amadurecimento pessoal. O tempo de Deus não é o nosso. Os discípulos só esperaram dez dias e foram batizados no Espírito santo. Alguns homens de Deus, porém, tiveram que esperar com paciência a realização da promessa de Deus. José esperou treze anos para tornar-se primeiro-ministro do Egito. Moisés passou quarenta anos no deserto se preparando (At 7.22, 23). Mas ambos alcançaram o cumprimento da promessa de Deus para suas vidas. Deus não atrasa nem adianta, chega sempre na hora certa. É preciso aprender a esperar no Senhor (Sl 27.14). 

 

2.3 Ás promessas de Deus são atuais.

 

Há nas Escrituras numerosas ilustrações da fidelidade de Deus em manter Suas promessas sempre atuais. O juramento feito por Deus em manter Suas promessas sempre atuais. O juramento feito por Deus de que a terra produziria alimentos para todos continua (Gn 8.22). No dia de Pentecostes, Pedro relembrou uma promessa feita por Deus (At 2.39). Após quase dois mil anos, essa promessa continuasse cumprindo e pessoas ainda são batizadas no Espírito Santo onde o Evangelho é pregado confirmando assim a atualidade das promessas de Deus. Vidas libertas, pessoas transformadas, doentes curados e o Evangelho avançando até as mais longínquas regiões do mundo são provas do cumprimento da Palavra de Deus (Mc 16.15-18).

 

3. A Fidelidade de Deus na relação com o Seu povo.

No relacionamento entre Deus e o Seu povo, Ele tem se mantido fiel. As gerações vão e vem, e Deus permanece fiel a todas elas. Mesmo quando o povo peca ou se desvia, Deus permanece fiel, pronto a perdoar, restaurar e socorrer, quando estes se voltam para Ele (2Tm 2.13). 

 

3.1. Deus é fiel em perdoar.

 

Essa é uma promessa que precisa ser celebrada e ao mesmo tempo compreendida. Não é um convite à licenciosidade, nem um incentivo ao erro. De forma alguma se deve brincar com o pecado. Sansão brincou e quase foi destruído (Jz 16.20, 21). Esaú foi profano com as coisas de Deus e não encontrou lugar de arrependimento (Hb 12.16, 17). Esses exemplos nos servem de advertência. Deus é fiel em perdoar o cristão sincero e verdadeiramente arrependido. Somos restaurados porque o Senhor é fiel. 

 

3.2. Deus é fiel em socorrer e livrar.

 

O povo de Israel, ao longo de sua história, é testemunha viva dos feitos poderosos do Senhor e Sua fidelidade para livrá-los dos seus inimigos. Davi confessou que sem o Senhor os seus opositores o teriam engolido vivo (Sl 124.1-3). Na passagem pelo Mar Vermelho (Êx 14.1-31), Moisés disse que Deus pelejaria pelo seu povo. Na ação de Deus que livrou os jovens hebreus da fornalha ardente (Dn 3.23-25), até o soberbo Nabucodonosor reconheceu Sua grandeza (Dn 3.29). Essas mesmas promessas se aplicam aos cristãos hodiernos. O Senhor não nos prometeu uma vida fácil e sem dificuldades, pelo contrário, Ele nos conscientizou de que neste mundo teríamos aflições (Jo 16.33), mas pediu que tivéssemos ânimo, porque Ele venceu e não desampara nem abandona os Seus servos (Hb 13.5, 6). Deus não permite uma luta acima do que podemos suportar (1Co 10.13). A palavra assegura que quem nasceu de novo e não vive na prática do pecado, o maligno não lhe toca (1Jo 5.18). 

 

3.3. A promessa da Sua presença.

 

A promessa da presença de Deus é uma verdade gloriosa revelada em toda a Bíblia. Quando recebeu a ordem de partir em direção à Canaã, Moisés pediu a Deus que a Sua presença fosse com eles, caso contrário não sairia dali (Êx 33.12-15). Deus lhe fez uma promessa e, durante quarenta anos no deserto, Ele foi fiel: de dia numa coluna de nuvem e de noite numa coluna de fogo (Êx 13.21, 22), ou seja, não importam as circunstâncias (Sl 23.4; Is 43.2), Ele estará presente. O Senhor Jesus corroborou essa promessa de forma maravilhosa para a Igreja (Mt 18.20). Ele estará presente e de forma ativa por todos dias até o fim dos séculos (Mt 28.20; Ap 2.1).

  

CONCLUSÃO

 

 

A infidelidade, um dos pecados mais proeminentes destes dias maus, está presente na vida social, nos negócios, nas amizades que se dissolvem tão facilmente e até na vida conjugal. No entanto, é encorajador erguer os olhos e contemplar aquele que é fiel em tudo e em todo o tempo, no qual podemos confiar plenamente na certeza de que Ele nunca falhará conosco.

Lições Bíblicas CPAD  Adultos   1º Trimestre de 2015

 

Título: A Lei de Deus — Valores imutáveis para uma sociedade em constante mudança

Comentarista: Esequias Soares 

 

Lição 2: O padrão da Lei Moral

Data: 11 de Janeiro de 2015

 

TEXTO ÁUREO

 

Então, vos anunciou ele o seu concerto, que vos prescreveu, os dez mandamentos, e os escreveu em duas tábuas de pedra(Dt 4.13).

 

VERDADE PRÁTICA

 

As chamadas “lei moral”, “lei cerimonial” e “lei civil” são, na verdade, três partes de uma mesma lei que o Senhor Jesus já cumpriu na sua totalidade.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Êx 34.28

Os Dez Mandamentos são chamados de “tábuas do concerto”

 

 

Terça - Ne 8.1,2,8,18

A lei de Moisés e a lei do Senhor não são duas leis distintas

 

 

Quarta - Lc 2.22,23

Não há diferença entre a Lei de Moisés e a Lei do Senhor

 

 

Quinta - Mc 12.28-32

Os dois maiores mandamentos não fazem parte da alegada lei moral

 

 

Sexta - Mt 5.17,18

O Senhor Jesus cumpriu toda a lei e a sua Palavra permanece para sempre

 

 

Sábado - Jo 1.17

A lei e a graça são os dois lados opostos de uma mesma moeda

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Deuteronômio 9.9-11; 10.1-5.

 

9.9 - Subindo eu ao monte a receber as tábuas de pedra, as tábuas do concerto que o SENHOR fizera convosco, então fiquei no monte quarenta dias e quarenta noites; pão não comi e água não bebi.

10 - E o SENHOR me deu as duas tábuas de pedra, escritas com o dedo de Deus; e nelas tinha escrito conforme todas aquelas palavras que o SENHOR tinha falado convosco no monte, do meio do fogo, no dia da congregação.

11 - Sucedeu, pois, que, ao fim dos quarenta dias e quarenta noites, o SENHOR me deu as duas tábuas de pedra, as tábuas do concerto.

10.1 - Naquele mesmo tempo, me disse o SENHOR: Alisa duas tábuas de pedra, como as primeiras, e sobe a mim a este monte, e faze uma arca de madeira.

2 - E, naquelas tábuas, escreverei as palavras que estavam nas primeiras tábuas que quebraste, e as porás na arca.

3 - Assim, fiz uma arca de madeira de cetim, e alisei duas tábuas de pedra, como as primeiras, e subi o monte com as duas tábuas na minha mão.

4 - Então, escreveu o SENHOR nas tábuas, conforme a primeira escritura, os dez mandamentos, que o SENHOR vos falara no dia da congregação, no monte, do meio do fogo; e o SENHOR mas deu a mim.

5 - E virei-me, e desci do monte, e pus as tábuas na arca que fizera; e ali estão, como o SENHOR me ordenou.

 

OBJETIVO GERAL

 

Apresentar a transitoriedade da Lei para a Dispensação da Graça.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 

Abaixo, os objetivos específicos referem-se aos que o professor deve atingir em cada tópico.

  • I. Mostrar o formato da Lei no Pentateuco.
  • II. Explicar a “morfologia” dos Dez Mandamentos.
  • III. Especificar a unicidade da Lei de Deus.
  • IV. Comparar a Lei com a Graça.

 

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

 

Prezado professor, como os alunos receberam a primeira aula? E a reação deles com o novo projeto gráfico e pedagógico das nossas revistas? Esperamos que essa experiência abençoe a sua vida e a dos seus alunos. Deus o chamou para esta nobre obra!

O tema desta semana ainda faz parte da introdução aos Dez Mandamentos. Por isso, é importante deixar claro para a classe a transitoriedade da lei do Antigo Testamento para a Nova Aliança. O Senhor Jesus é a plena manifestação do Pai. Logo, se a Lei cumpriu todo o propósito nEle, em Cristo, estamos debaixo da lei do Amor, do tempo da Graça de Deus.

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

PONTO CENTRAL

Toda a Lei — os preceitos morais, cerimoniais e civis — foi cumprida pelo Senhor Jesus Cristo.

 

Desde o princípio do mundo todos sabem que é imoral matar, adulterar, furtar, dizer falso testemunho, desonrar pai e mãe, pois Deus colocou a sua lei no coração e na mente de todos os seres humanos desde o início (Rm 1.19,20). Eram princípios éticos, e não um código de lei. As dez proposições agora foram colocadas em forma de lei, como código, e entregues a Israel por intermédio de Moisés.

 

I. AS TÁBUAS DA LEI

 

1. Formato. Era um jogo de duas tábuas com quatro faces. Não é possível saber qual era seu tamanho. A arca do concerto media um metro e dez centímetros de comprimento por 66 cm de largura e 66 cm de altura (Êx 25.10, NTLH). Cada uma dessas tábuas não devia passar de 75 x 55 x 55 cm, considerando que elas foram colocadas na arca juntamente com a vara de Arão, que floresceu, e um vaso com o maná (Hb 9.4). Contém 172 palavras. Um homem podia transportá-las tranquilamente.

2. A divisão das tábuas. Em nenhum lugar a Bíblia diz quantos e quais eram os mandamentos em cada uma dessas tábuas. Escritores antigos, judeus e cristãos, como o pensador judeu Fílon de Alexandria (30 a.C. — 50 d.C.), o historiador judeu Flávio Josefo (37 — 100) e um dos pais da igreja, Irineu de Lião (125 — 202), dentre outros, diziam haver cinco mandamentos em cada tábua. Segundo Calvino, eram quatro e seis, e não cinco e cinco. Esta nova interpretação tem encontrado eco nos tempos modernos.

3. A rebelião. Ao fim de quarenta dias, Moisés desce do monte com as tábuas da lei (Dt 9.11). Nessa ocasião Israel havia se corrompido com o bezerro de ouro (Êx 32.7-9). Ainda muito cedo na história, vemos como a natureza humana é inclinada ao pecado. Onde está o compromisso do povo quando declarou na cerimônia do concerto: “Tudo o que o SENHOR tem falado faremos e obedeceremos” (Êx 24.7)?

4. Deus renova o concerto. A revelação do Sinai prosseguiu após ser interrompida por causa da rebelião do bezerro de ouro. Nessa ocasião, as tábuas do concerto foram quebradas (Êx 32.15-19). Mas Deus perdoou o povo, e o concerto foi renovado (Êx 34.10,27). Deus mandou Moisés lavrar novas tábuas, nas quais escreveu novamente as mesmas palavras (Êx 34.1; Dt 10.1). Parece que isso foi resultado da intercessão de Moisés pelo povo (Êx 32.31-33).

 

 

SÍNTESE DO TÓPICO (I)

 

Os Dez Mandamentos têm caráter categórico e absoluto. Eles não contemplam o relativismo moral.

 

 

SUBSÍDIO DIDÁTICO

 

Esse primeiro tópico demarca o formato da Lei e responde à seguinte pergunta: Como o Decálogo foi elaborado? Por isso, aqui, você deve reforçar o caráter divino da concessão dos “Dez Mandamentos” ao povo de Deus, no Monte Sinai.

 

 

II. OS DEZ MANDAMENTOS

 

1. Origem do termo. A expressão “dez mandamentos”, em hebraico asseret hadevarim, significa literalmente “as dez palavras” e só aparece três vezes na Bíblia (Êx 34.28; Dt 4.13; 10.4). A Septuaginta traduziu por dekalogos, “decálogo”, a partir de dois termos gregos: deka, “dez”, e logos, “palavra”. O sentido de “palavra” nesses idiomas é amplo e indica “discurso, pronunciamento, proposição”. O termo hebraico específico para “mandamento” é mitsvah, usado também em referência aos Dez Mandamentos (Êx 24.12). A Septuaginta utiliza o termo entolé, a mesma palavra usada no Novo Testamento (Mt 19.17-19).

2. Classificação. As autoridades religiosas de Israel sempre classificaram os Dez Mandamentos em dois grupos: teológico e ético; vertical e horizontal; relação do ser humano com Deus e com o próximo. Os primeiros mandamentos são teológicos e se resumem no primeiro e grande mandamento (Dt 6.5; Mt 22.37,38; Mc 12.30; Lc 10.27). Os da segunda tábua são éticos, e consistem em amar o próximo como a si mesmo (Lv 19.18; Mt 22.39; Mc 12.31).

3. Forma. A forma dos Dez Mandamentos é geralmente chamada de categórica ou absoluta. É uma das formas de lei que apresenta um estilo sóbrio e de estrutura rítmica, assonante, paralela e poética. Isso facilita a memorização e é apropriado para a leitura litúrgica e em grandes eventos religiosos (Dt 31.11). As proibições são sem concessão; não admitem exceção. Aqui temos oito proibições absolutas com a negação hebraica, lo, “não”, forma incondicional, em tempo verbal que nas línguas ocidentais é chamado de “futuro”. Os outros dois mandamentos dados a Israel são positivos: guardar o sábado e honrar pai e mãe (Êx 20.8-12; Dt 5.12-16).

 

 

SÍNTESE DO TÓPICO (II)

 

A Lei é chamada de “Lei do Senhor” porque veio diretamente de Deus; e de Moisés, porque ela foi mediada pelo legislador de Israel.

 

 

III. A QUESTÃO DOS PRECEITOS DA LEI

 

1. Uma só lei. Há uma corrente de interpretação que ensina ser o Decálogo a lei moral, enquanto a parte da legislação mosaica que trata das cerimônias de sacrifícios e festas religiosas, entre outras, é chamada de lei cerimonial. Esse pensamento nos parece inconsistente, pois não é ensino bíblico nem os judeus jamais dividiram sua lei em moral e cerimonial. Ao longo da história, eles observaram o sábado e a circuncisão com o mesmo cuidado. Jesus disse que a circuncisão está acima do sábado (Jo 7.22,23).

2. A lei do Senhor e a lei de Moisés. O que de fato existem são preceitos morais, cerimoniais e civis, mas a lei é uma só. É chamada de lei do Senhor porque veio de Deus, e de lei de Moisés porque foi ele o mediador entre Deus e Israel (Ne 10.29). Ambos os termos aparecem alternadamente na Bíblia (Ne 8.1,2,8,18; Lc 2.22,23). A cerimônia dos holocaustos, a circuncisão e o preceito sobre o cuidado dos bois são igualmente reconhecidos como lei de Moisés (2Cr 23.18; 30.16; At 15.5; 1Co 9.9).

3. A lei de Deus. A lei de Deus é todo o Pentateuco; trata-se de um livro, e não meramente das palavras escritas em tábuas de pedra (Js 24.26; Ne 8.8,18). Isso precisa ficar muito claro porque certos grupos sectários argumentam: “Você guarda a lei de Deus?”. Isso por causa do sábado, e transmite a falsa ideia de que a lei de Deus se restringe aos Dez Mandamentos. Se eles guardam a lei de Deus, precisam observar os seus 613 preceitos; do contrário, estão sob a maldição (Gl 3.10).

 

 

SÍNTESE DO TÓPICO (III)

 

A Lei é chamada de “Lei do Senhor” porque veio diretamente de Deus; e de Moisés, porque ela foi mediada pelo legislador de Israel.

 

 

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

 

“[...] A função formal e teológica do Decálogo fica clara quando a vemos no contexto do ato redentor do êxodo e dos propósitos eletivos de Deus para Israel como povo vassalo, conduzido na comunhão do concerto com Ele, a fim de servir como reino de sacerdotes. A promessa abraâmica assegurou que o patriarca seria abençoado com semente inumerável, que essa semente herdaria uma terra que forneceria uma base geográfica, da qual a nação eleita tornar-se-ia o meio pelo qual Deus abençoaria o mundo. O êxodo livrara essa nação da escravidão para outro senhor, a fim de começar a desempenhar suas responsabilidades sob as orientações do Senhor Jeová. O texto do concerto, e particularmente os Dez Mandamentos, fornece as diretrizes segundo as quais este povo privilegiado tinha de ordenar-se para que realmente fosse uma nação santa capaz de exibir o Reino de Deus e mediar os benefícios e promessas salvíficas para o mundo em geral da humanidade alienada” (ZUCK, Roy (Ed.). Teologia do Antigo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2009, pp.54-55).

 

 

IV. A LEI A GRAÇA

 

1. A transitoriedade da lei. O Senhor Jesus cumpriu toda a lei, os preceitos morais, cerimoniais e civis (Mt 5.17,18). O apóstolo Paulo é muito claro quando fala que “o ministério da morte, gravado com letras em pedras [...] era transitório” (2Co 3.7,11). No entanto, a verdade moral contida no sistema mosaico, como disse o teólogo Chafer, “foi restaurada sob a graça, mas adaptada à graça, e não à lei”. Isso diz respeito a sua função e não compromete a sua autoridade como revelação de Deus e parte das Escrituras divinamente inspiradas (2Tm 3.16,17).

2. A graça. O Senhor Jesus e o apóstolo Paulo citaram Levítico 18.5 como meio hipotético de salvação pela observância da lei (Mt 19.17; Gl 3.11). Mas ninguém jamais conseguiu cumprir toda a lei, exceto Jesus. O mais excelente dos rabis de Israel só conseguiu cumprir 230 pontos dos 613 preceitos da lei. A lei diz “faça e viva”, no entanto, a graça diz “viva e faça”. Por esta razão os cristãos estão debaixo da graça, e não da lei (Rm 6.14; Gl 3.23-25). A lei não tem domínio sobre nós (Rm 7.1-4).

3. Os mandamentos de Cristo. Perguntaram a Jesus o que se deve fazer para executar as obras de Deus. A resposta não foi guardar o sábado, nem a lei e nem os Dez Mandamentos, mas exercer fé em Jesus (Jo 6.28,29). Essa doutrina é ratificada mais adiante (1Jo 3.23,24). Jesus falou diversas vezes sobre o novo mandamento, a lei de Cristo, o amor operado pelo Espírito Santo na vida cristã (Jo 13.34; 14.15, 21; 15.10). O Senhor Jesus não incluiu o sistema mosaico na Grande Comissão. Ele disse para “guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt 28.20). O mandamento de Cristo é a fé nEle, é a lei do amor (Rm 13.10; Gl 5.14) e não a letra da lei. Quem ama a Cristo tem a lei do Espírito em seu coração.

 

 

SÍNTESE DO TÓPICO (IV)

 

Em Jesus Cristo, toda a lei foi cumprida, isto é, todos os preceitos morais, cerimoniais e civis. Hoje, vivemos sob a Graça de Deus.

 

 

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

 

“O Espírito Santo e a Nova Aliança

A antiga aliança caracterizava-se pela revelação da vontade de Deus, resumida na lei mosaica, uma revelação que, com frequência, falhavam em observar (Jr 31.32). [...] Paulo considera que a nova aliança, pela qual os profetas do Antigo Testamento aguardavam (por exemplo, Is 59.20,21; Jr 31.31-34; 32.37-40; Ez 16.60-63; 37.21-28), foi iniciada por Cristo e levada adiante pelo Espírito (Rm 8.3,4; 2Co 3.4-18). Por isso, ele conclui que antiga aliança e as estipulações associadas à lei mosaica foram substituídas pelo ministério de Cristo e do Espírito (Rm 10.4; Gl 3.25).

Todavia, isso não quer dizer que os mandamentos ou estipulações não estão mais associados à nova aliança. Ao contrário, as epístolas de Paulo são cheias de ordens e exortações para as igrejas. A diferença relevante é que no tempo da nova aliança, a capacidade de viver à luz dessa revelação da vontade de Deus se torna possível por meio do ministério do Espírito.

Isso não quer dizer que a visão de Paulo em relação à fraqueza humana mudou. Com exceção do Espírito, as pessoas ainda são impotentes quando se defrontam com a realização da vontade de Deus. A natureza humana não mudou com o fim de uma era e a chegada de outra. A obra de Cristo e o vasto e amplo envolvimento do Espírito Santo na experiência da salvação são singulares à nova aliança (Rm 8.3,4)” (ZUCK, Roy (Ed.). Teologia do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2008, pp.284-85).

 

 

CONCLUSÃO

 

A tendência humana é se esforçar para merecer a salvação, por isso ainda há aqueles que se ofendem com a mensagem de que a salvação é pela fé em Jesus, sem as obras da lei (Gl 2.16). O que tais pessoas querem é fazer do cristianismo um remendo de pano novo em veste velha (Mt 9.16; Mc 2.21).

 

VOCABULÁRIO

 

Morfologia: Estudo da forma, da configuração, da aparência externa, neste caso, dos Dez Mandamentos.
Assonante: Que produz assonância, isto é, semelhança de sons em palavras próprias.

 

PARA REFLETIR

 

A respeito dos Dez Mandamentos:

 

É correto afirmar que eles foram abolidos como lei?

O Decálogo é a Lei de Deus, assim como todo o Pentateuco. É chamado de Lei de Deus porque veio do próprio Senhor. Jesus Cristo cumpriu toda a Lei, e hoje ela está gravada, não em pedras, mas no coração daqueles que foram alcançados pela graça de Deus (2Co 3.7,11).

 

Devemos guardar os Dez Mandamentos como os judeus guardam?

Os crentes não devem guardar os mandamentos como se houvesse apenas esses. Mas devem guardar no coração o novo mandamento de Cristo: a Lei de Cristo, o amor operado pelo Espírito Santo na vida cristã (1Jo 3.23,24). Assim cumpriremos todos os mandamentos.

 

Se Jesus cumpriu toda a Lei, devemos observar os Dez Mandamentos?

Quando perguntaram a Jesus o que se deveria fazer para executar a obra de Deus, Ele não disse que deveríamos guardar o sábado ou os Dez Mandamentos, mas exercer a fé nEle (Jo 6.28,29). Isto é, observando a lei de Cristo, o amor operado pelo Espírito.

 

O que é preciso fazer para executar as obras de Deus?

Exercer a fé em Cristo e cumprir a lei do amor (Rm 13.10; Gl 5.14).

 

A salvação se conquista por méritos humanos?

Não. É pela graça de Deus, por meio de Cristo Jesus, o nosso Senhor (Ef 2.8-10).

 

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

 

O padrão da lei moral

 

Retomando a explicação do artigo anterior, cremos na Bíblia como Palavra inteira de Deus que, através dos Dez Mandamentos, indicou o caminho para a vida a partir do povo hebreu (em 1250 a.C.). Foi um reinício da revelação divina, passando pelos mandamentos, pela monarquia, pelos santos profetas, pelo nascimento e vida de Jesus de Nazaré, a imagem plena de Deus; pela ressurreição de Cristo e pela proclamação dos apóstolos. Poderíamos então enumerar os objetivos do Decálogo para o povo hebreu, bem como para o mundo:

1. Para nunca mais haver escravidão;

2. Para a preservação da liberdade do povo;

3. Para os hebreus viverem a justiça de Deus e a comunhão com o próximo;

4. Para ser um povo organizado, tornando-se o sinal de Deus para o mundo;

5. Para uma comunidade organizada por Deus ser a resposta divina para o clamor dos povos;

6. Para o povo ser o anúncio do próprio Deus, a amostra daquilo que Deus quer para todo ser humano;

7. Para o povo viver a dimensão perfeita do amor a Deus e ao próximo.

As Escrituras dizem que Deus entregou a Lei a Moisés objetivando conservar a liberdade do povo hebreu. Jesus Cristo, o Seu Filho, não anulou a Lei de forma alguma, mas a completou e a reafirmou (Mt 5.17), dizendo mais: ”O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes” (Mc 12.29-31). Ora, esses dois grandes mandamentos são o resumo fiel do “Decálogo”.

 

O problema da lei hebreia, no tempo de Jesus, foram os maus doutores ensinarem os Dez Mandamentos ao povo, mas sem observá-los. Eles repetiam literalmente a letra, no entanto, matavam o “espírito” da lei (Mt 23.1-39). Os maus fariseus e escribas não se preocupavam com o clamor do povo, o sofrimento das pessoas e a necessidade espiritual do pecador. Simplesmente repetiam a lei como um mantra, mostrando um Deus irado, sem compaixão para com as pessoas. Da manutenção da liberdade, o povo judeu voltou à escravidão, agora não do Egito, mas a da religião sem Deus. Por isso a letra (a lei escrita) mata, mas o Evangelho, que é “espírito e vida”, vivifica o pecador (Jo 6.63; 2Co 3.6).

A fidelidade de Jesus Cristo

11 de Janeiro de 2015

TEXTO ÁUREO 

“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” Fp 2.5 

VERDADE APLICADA

A fidelidade é uma característica requerida àqueles que almejam viver a eternidade com Jesus. 

Textos de referência

Fp 2.5-8

5 De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,

6 que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus.

7 Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;

8 e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz.

INTRODUÇÃO 

A maneira de viver que Jesus partilhou com os que estavam à Sua volta foi suficiente para influenciar as demais gerações que sucederam depois dEle (Tg 1.18). Mesmo ainda jovem, ocupou a Sua mente e Seu tempo em cumprir estritamente os propósitos do Pai que O enviou para uma obra incomparável (Lc 2.52).

1. A fidelidade de Jesus Cristo ao Pai

Os passos do Mestre neste mundo foram marcados pela maneira fiel com que se relacionou com o Altíssimo. Na Sua particularidade, mesmo sendo a segunda pessoa da trindade divina (Lc 3.22), procurou portar-se com afinco na missão de desenvolver o caminho de salvação através da Sua morte na cruz (Fp 2.8) e ressurreição do túmulo (Mt 28.5, 6). Sendo a fiel testemunha (Ap 1.5) e primogênito dos mortos (1Co 15.20), mudou a história de todos aqueles que não tinham mais esperança de vida eterna (1Jo 1.2; 5.11).

1.1 Na encarnação de Cristo

O plano de salvação da humanidade incluía a vinda de Cristo a este mundo como homem, nascido de mulher, conforme profetizado pelos profetas (Is 7.14; Mq 5.2), cumprindo todas as exigências legais ordenadas pela Lei mosaica que requeria um sacrifício perfeito (Hb 9.11, 12; Gl 4.4) para que validasse a salvação de todos os homens. Sua concepção, nascimento e encarnação obedeceram criteriosamente aos propósitos de Deus prescritos na lei: homem perfeito, nascido de uma virgem pura, sem pecado algum (Jo 1.1, 14).

1.2 Em comunicar a verdade do Pai

A sociedade na qual Jesus desenvolveu o Seu ministério trazia em mente a influência da filosofia grega na cultura dos povos. Isso fica evidente na pergunta cética de Pilatos para Jesus acerca do que é a verdade (Jo 18.37, 38). Consta no evangelho de João que a Lei foi dada por Moisés, enquanto a graça e a verdade vieram por meio de Cristo (Jo 1.17). Ainda assim, os grupos religiosos da época, que detinham o conhecimento, interpretação e ensino da Lei em Israel (Lc 5.17), sentiam dificuldade em abandonar as verdades humanas para reconhecer a verdade eterna encarnada em Jesus como o Messias prometido (Jo 4.25). Nesse contexto de vida é que Jesus verbaliza Seus diálogos e exposições dos ensinos divino, como aquele que traz e comunica a doutrina do Pai (Jo 7.16; Jo 14.14) a todos os povos, tribos e nações.

1.3 Em submeter-se à vontade do Pai

A submissão de Jesus em concretizar o plano de salvação designado por Deus implicou-O a tornar-se humano. Isso condicionou-O a conviver com pessoas influenciadas pelo cumprimento da vontade romana em manter o domínio cultural e territorial de seus súditos. Em relação à humanidade, o propósito de Deus era que alguém que fosse perfeito assumisse a culpa pelos pecados de todas as gerações (Is 53.3-7; 1Co 13.10), uma vez que o homem carrega em seu sangue o “vírus” da desobediência, o pecado original (Rm 5.12). Por isso, Jesus submeteu-se à vontade do Pai, carregando sobre Si mesmo os pecados da humanidade para que pudesse redimi-la e reconciliá-la com o Pai. Dessa forma, Jesus foi enviado voluntariamente, como um sacrifício perfeito, imaculado, realizando um ato de expiação na cruz, reconciliando o homem com o criador (2Co 5.18, 19).

2. A fidelidade de Jesus Cristo à Sua missão

A encarnação do Filho do Homem entre nós teve como objetivo principal expiar os pecados da humanidade na cruz, reconciliando os pecadores e salvando todos os que haviam se perdido (Jo 1.14). Portanto, enfatizaremos a seguir o teor da fidelidade de Jesus no cumprimento dessa incumbência intransferível.

2.1 Expiar os pecados

A humanidade carece de salvação devido à incontestável realidade do pecado que a tem contaminado, manchado e afastado de Deus, conforme declarou o apóstolo Paulo (Rm 3.23). A natureza humana estava corrompida, degenerada e completamente fora do plano do Criador, daí a necessidade de se preparar uma solução permanente que correspondesse aos requisitos da justiça e do juízo divino. Ao enviar Seu filho para realizar a obra expiatória na cruz (Fp 2.8), Deus preparou o sacrifício perfeito (Hb 7.26), o advogado fiel (1Jo 2.1), o caminho reto pelo qual todos os que creem em Seu nome possam ser reconciliados.

2.2 Reconciliar os pecadores

A comunhão no relacionamento entre Deus e o homem foi interrompida desde que o pecado foi concebido pelo primeiro casal no Éden, onde se fizeram inimigos de Deus (Cl 1.21). Mas, o amor que Deus tem pelas Suas criaturas é imensurável (Jo 3.16), capaz de ir ao encontro do homem caído e restabelecer a paz (Is 9.6), reconciliando-o consigo mesmo através da morte vicária de Cristo (2Co 5.18) e removendo o abismo de separação criado pelo pecado (Is 59.2). Portanto, Jesus é o mediador do melhor concerto, consumado na Cruz por um alto preço independentemente de nós, e que oferece melhores promessas (Hb 8.6) aos pecadores reconciliados porque Ele nos amou primeiro (1Jo 4.19).

2.3 Salvar os perdidos

O ato de expiação na cruz proporcionou a libertação do pecado e seu poder destrutivo a todos os que creem no nome de Jesus (Lc 19.10), assim também como à descendência de Abraão (Mt 1.21). Vivificados em Cristo, todos aqueles que são alcançados pela graça experimentam a novidade de vida ensinada e promovida diariamente pelo agir do Espírito Santo (Ef 2.5). Assim, o Bom Pastor que deu Sua vida pelas ovelhas (Jo 10.11) direciona Seu olhar desde o céu a percorrer os campos, desertos e vales à procura da ovelha que se perdeu pelo caminho do engano (Mt 18.12) no decorrer das gerações. Nenhum daqueles que o Pai deu a Cristo, exceto o filho da perdição, se perdeu enquanto Jesus cumpria fielmente Seu ministério aqui na Terra, porque o Mestre os guardava (Jo 17.12).

3. A fidelidade de Jesus Cristo à Sua Igreja

A Igreja é a única organização instituída por Jesus para representá-lo na Terra. É um organismo vivo e ativo para agir no mundo como corpo de Cristo, reunindo pessoas de todas as classes sociais, etnias e culturas (1Co 12.13), revelando os propósitos divinos e as verdades das Escrituras, apregoando o amor de Jesus e Seu ministério salvífico.

3.1 Revestindo a Igreja com poder

O revestimento de poder se deu inicialmente quando Jesus Cristo ordenou a seus discípulos que permanecessem em Jerusalém para que recebessem a virtude do Espírito Santo (At 1.8). A partir de então, toda a Igreja recebeu esse poder que lhe torna capaz de pregar, testemunhar e anunciar o Reino de Deus, e leva o crente a defender dinamicamente a fé que uma vez lhe foi entregue (Jd 3). Necessitamos de qualificações espirituais para servir o Mestre e Sua obra para qual fomos chamados. O apóstolo Paulo descreve que os dons do Espírito Santo são dispensados àqueles que propõem em sua mente viver para Deus e vencer o pecado a cada dia (1Co 12). Assim, o poder de Deus dispensado a Sua Igreja sempre terá como alvo o aperfeiçoamento e fortalecimento daqueles que aceitaram o desafio de seguir o Cordeiro em comunhão e fidelidade a Seus mandamentos (Mc 16.15-18).

3.2 Preservando a Sua Igreja

A Igreja Cristã é perseguida desde seu início em Jerusalém. Entretanto ela é fundamentada em Cristo e por isso é capaz de suportar as tempestades que se levantam contra ela (Mt 16.18). Jamais os representantes políticos e movimentos socioculturais de uma nação poderão inserir normas que venham desfazer a Igreja que está pautada na Palavra de Deus (Cl 3.16). A igreja gloriosa, invisível e inumerável de Jesus está muito além das paredes de tijolos feitas por mãos humanas, pois a sua posição não é alcançada pelo homem natural (1Co 2.14) e sim espiritual.

3.3 A certeza da Sua presença

A noiva do Cordeiro tem a alegria de contar com a companhia fiel e ininterrupta de seu noivo mesmo antes do casamento, uma vez que Cristo é Onisciente, Onipotente e Onipresente (Jr 23.24). Pois a fidelidade de Jesus transcende o nosso entendimento e mesmo que Sua Igreja possa se sentir fragilizada diante dos obstáculos, não está só. O apóstolo Paulo, ao escrever a Igreja que estava em Corinto (1Co 6.19), lembrou os de que cada crente é habitação do Espírito Santo, dessa forma somos ensinados como proceder em todos os instantes de nossa vida cristã.

CONCLUSÃO

A fidelidade de Jesus está pautada no compromisso com o Pai de se oferecer para vir ao mundo, de levar ao Calvário os pecados da humanidade, ser fiel ao cumprir Sua missão e apresentar ao mundo a certeza de Seu amor incondicional para com Sua Igreja amada.

 

 

 

 

 

Homens Fiéis na Bíblia

18 de Janeiro de 2015]

 

TEXTO ÁUREO

 

“E era viúva de oitenta e quatro anos. Esta não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações” Lc 2.37

 

VERDADE APLICADA

 

Devemos viver uma vida de princípios éticos e morais que nos garanta uma vivência de fidelidade conforme os padrões exigidos por Deus no meio de uma sociedade pecadora.

 

Textos de referência

Ez 14.14; Lc 2.36-38

Ez 14.14 ainda que estivessem no meio dela estes três homens, Noé, Daniel e Jó, eles, pela sua justiça, livrariam apenas a sua alma, diz o Senhor JEOVÁ.

Lc 2.36-38

36 E estava ali a profetisa Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Esta era já avançada em idade, e tinha vivido com o marido sete anos, desde a sua virgindade,

37 e era viúva, de quase oitenta e quatro anos, e não se afastava do templo, servindo a Deus em jejuns e orações, de noite e de dia.

38 E, sobrevindo na mesma hora, ela dava graças a Deus e falava dele a todos os que esperavam a redenção em Jerusalém.

 

INTRODUÇÃO

Para ser fiel é preciso fé. Fé resultante de ouvir a Palavra de Deus (Rm 10.17). Fé que é fruto do Espírito Santo (Gl 5.22, 23). Os servos exemplares da Bíblia tinham dúvidas, inseguranças e fraquezas, mas o Espírito de Deus os capacitou para enfrentarem desafios e permanecerem fiéis até o fim (Hb 11.34; Tg 5.17). Nesta lição, estudaremos três deles: Noé, Ana e Daniel. Aprendamos muito com esses referenciais em fidelidade.

 

 

1. Um homem escolhido: Noé

 

Ao lermos a história de Noé, aprendemos a importância da fidelidade, pois no meio de uma sociedade corrompida ele se colocou como um pregoeiro da justiça (2Pe 2.5) dando ouvidos à voz de Deus e executando minuciosamente as ordens que lhe foram confiadas. A fidelidade de Noé nos inspira a sermos cristãos exemplares que vivem uma vida de obediência a Deus, exercitando a fé em Suas promessas.

1.1 Pelo seu exemplo em uma sociedade corrompida

Na época de Noé a sociedade estava totalmente perdida (Gn 6.5), mas ele achou graça aos olhos do Senhor e foi considerado justo e reto no meio daquela geração (Gn6.8). O seu nascimento é acompanhado de uma expectativa quanto a ação de Deus em favor dos justos em uma terra totalmente depravada (Gn 5.29). À semelhança de Noé, vivemos em uma sociedade que perdeu o temor e a reverência a Deus. São homens preocupados em satisfazer as suas próprias vontades em detrimento à vontade de Deus (Mt 24.38). No livro de Miquéias, Deus define como os homens devem andar em sua presença (Mq 6.8). Portanto, devemos viver uma vida de princípios éticos e morais que nos garanta uma vivência de fidelidade conforme os padrões exigidos por Deus no meio de uma sociedade pecadora.

 

1.2 Pela sua obediência à voz de Deus

 

A ideia de obedecer está ligada ao ato de se submeter à autoridade, em acatar ordens de alguém superior. Noé, com respeito e amor, atendeu a instrução de Deus e a cumpriu cabalmente (Gn 6.14-16). A voz de Deus ouvida por Noé provocou nele uma profunda atitude de resposta, que veio à tona na execução das ordens dadas pelo seu Senhor (Gn 6.22). O desejo de Deus é que nós venhamos a obedecê-lo assim como as ovelhas obedecem ao seu pastor (Jo 10.27; 8.47). Precisamos estar atentos ao que Deus está dizendo, pois os Seus mandamentos são inquestionáveis (Êx 15.26).

1.3 Pela sua fé em Deus

A construção da arca foi uma obra de fé e um milagre da engenharia para aquela época. Noé construiu uma arca com aproximadamente 133 metros de comprimento, 22 metros de largura e 13 metros de altura. A Bíblia afirma que Noé era um homem de fé (Hb 11.7), que foi fortalecida pela comunhão que ele tinha com Deus (Gn 6.9). Pela sua obediência construiu a arca, através da qual Deus condenou o mundo e salvou sua família (Gn 6.18). Noé era um homem que não andava por vista, mas por fé (2Co 5.7). Precisamos ser semelhantes a Noé, que mesmo enfrentando várias adversidades, se manteve firme, não olhando para as circunstâncias negativas, mas focando naquele que tem o poder e o controle sobre todas as coisas (Sl 24.1).

 

2. Ana, uma mulher fiel

Sua vida nos é contada em apenas três versículos, mas que são suficientes para considerarmos o quanto ela era fiel a Deus.

 

2.1 Ana e seu histórico

 

Ana, que significa “cheia de graça”, era profetisa, da tribo de Aser e filha de Fanuel (Lc 2.36-37). Apesar de pertencer a uma tribo de pouco destaque, ela honra a sua linhagem, cumprindo com fidelidade e responsabilidade o ministério que lhe foi confiado. A Bíblia cita a sua idade (quase 84 anos) (Lc 2.37) e declara que ela exercia esse ofício desde quando perdeu o seu esposo, após sete anos de casada. A narrativa nos mostra que ela atendeu ao chamado de Deus e permaneceu fiel até a sua velhice, desempenhando o ministério profético.

 

2.2 Ana era dedicada

 

Embora pudesse contrair um novo matrimônio, Ana preferiu dedicar-se integralmente à obra do Senhor (Lc 2.37). Apesar de sua idade, ela demonstrava prazer em servir ao Senhor, usando duas ferramentas basilares para vencermos as dificuldades ao longo da caminhada: a oração e o jejum. Infelizmente muitos crentes estão se tornando infiéis e tombando ao longo do caminho porque não oram e nem jejuam; perderam a visão espiritual, não conseguindo enxergar o propósito de Deus. Precisamos aproveitar o nosso tempo na presença de Deus. Ter vida com Deus é perceber nossa necessidade dEle. É admitir que somos pecadores e pedir a Ele que entre em nossos corações para ser a autoridade em nossas vidas.

 

2.3 Ana era uma mulher encorajadora

 

Mulher de fé, Ana observava tudo que estava acontecendo a sua volta. Enquanto Simeão previa o futuro do menino Jesus, ela se aproximou dando graças a Deus, por reconhecer que aquele era o Messias esperado para trazer redenção à humanidade (Lc 2.38). As suas palavras foram encorajadoras para todos que estavam próximo do templo, pois havia uma grande expectativa de mudança em toda a sociedade judaica naquela época. Precisamos ser como Ana. Há muitas pessoas em nossa volta que perderam a esperança. Estão desestimuladas, tristes, desistindo das promessas de Deus, acreditando que nada vai acontecer. Precisamos motivar as pessoas e insistentemente continuar dizendo que Jesus vive e que voltará para buscar um povo perseverante e de boas obras (Tt 2.14).

 

3. Um jovem que decidiu ser fiel

 

A vida de Daniel é uma história inspiradora para todas as idades, pois sua narrativa mostra que desde jovem ele decidiu ser fiel a Deus (Dn 1.8). Seu livro apresenta uma vida cercada de desafios e ameaças, sempre tendo sua fidelidade a Deus colocada à prova, mas em nada ele cedeu.

 

3.1 Abandonando o caminho da desobediência

 

Ao ler a história de Daniel, verifica-se que ele está na Babilônia por consequência do pecado de seu povo. Deus disse ao povo de Israel que, se permanecessem fiéis, alcançariam grandes bênçãos (Dt 28.1-7); se fossem infiéis, sofreriam o dano da perda (Dt 28.25-41). Daniel, instruído quanto à Lei, observou que o erro de sua nação foi não atentar às palavras de Deus. Quando deixamos de observar a vontade de Deus por meio de Sua Palavra, corremos sério risco de fracassar e perder tudo que já foi nos dado mediante a misericórdia e o amor de Deus. Daniel entendeu que sua estada naquele lugar era resultado do pecado de seu povo (2Rs 24.1,2, 8-14) e por isso tomou a decisão de não se contaminar com os manjares do rei (Dn 1.8). Á semelhança de Daniel, devemos também decidir a cada dia permanecer firmes na presença de Deus (1Co 16.13), o único que pode nos livrar e nos abençoar com toda sorte de bênçãos (Jr 1.8; Dn 3.17; Ef 1.3, 4).

 

3.2 Aplicando à sua vida os princípios divinos

 

Ao não se contaminar com os manjares do rei, Daniel e seus três amigos propuseram um pacto de fidelidade para com o único Deus. A aplicação desse princípio para a vida está inserida no primeiro preceito dado por Deus ao povo de Israel e a todos que O servem (Dt 6.13, 14) e resumida com propriedade por Jesus ao responder a pergunta de um doutor da Lei (Mt 22.37). Assim como Daniel precisamos viver uma vida de princípios, uma vida de amor a Deus que se caracteriza pela renúncia da vontade própria, o abandono cotidiano do pecado e obediência irrestrita às leis de Deus.

 

3.3 Suportando todos os desafios

 

Independente de sua situação, Daniel sempre se mostrou firme em sua decisão de servir a Deus, vencendo todos os desafios. Ao propor não se contaminar com os manjares do rei e nem com o vinho que ele bebia (Dn 1.8), Daniel nos ensina que precisamos viver uma vida de propósito diante de Deus, entendendo que Deus vela pela vida dos fiéis. Quando todos os sábios sofreram ameaça de morte (Dn 2.5), Daniel convocou os seus companheiros para buscarem a revelação da parte de Deus, a fim de não perecerem com os mentirosos e perversos (Dn 2.17-18). Aprendemos aqui que não importa o tamanho da ameaça, nosso Deus é maior; nosso Deus vê todas as coisas e a Seus fiéis revela o que é necessário (Dn 2.16). Desde sua chegada à Babilônia, Daniel sempre procurou servir com sinceridade e dedicação aos reis tanto babilônicos quanto medo-persas. Isso porque Daniel nunca abandonou o propósito que ele fez com seu Deus (Dn 1.8), nem deixou de honrá-lo (Dn 2.20-21).

 

CONCLUSÃO

A Bíblia nos dá o exemplo de muitos homens e mulheres que foram fiéis. Que possamos buscar neles inspiração para vivermos uma vida de testemunho, plenitude e graça diante dos homens e de nosso Deus, até que Ele venha nos buscar.

 

 

A Fidelidade às Doutrinas Cristãs 

25 de Janeiro de 2015

 

TEXTO ÁUREO

“Expondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus, alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido” 1Tm 4.6

 

VERDADE APLICADA

Precisamos estar atentos para não sermos levados por questões enganosas, por pessoas que se acham detentores de revelações especiais, disseminadoras de ideias egocêntricas, soberbas e cheias de vaidades.

 

Textos de referência

 

 

1Tm 1.3-7

3 Como te roguei, quando parti para a Macedônia, que ficasses em Éfeso, para advertires a alguns que não ensinem outra doutrina,

4 nem se deem a fábulas ou a genealogias intermináveis, que mais produzem questões do que edificação de Deus, que consiste na fé; assim o faço agora.

5 Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida.

6 Do que desviando-se alguns, se entregaram a vãs contendas,

7 querendo ser mestres da lei e não entendendo nem o que dizem nem o que afirmam.

 

INTRODUÇÃO

A doutrina bíblica é a chave para sermos bem sucedidos na caminhada cristã. Infelizmente, por não ser valorizada, assistimos uma série de novas “doutrinas” surgindo, não para a glória de Deus e sim para o próprio homem. Isso tem feito com que a Igreja do Senhor Jesus experimente um desvio doutrinário e distancie-se do propósito para o qual Deus a designou.

 

1. Desvio doutrinário da Igreja

Paulo exorta Timóteo a admoestar quanto aos falsos ensinos que estavam entrando na Igreja (1Tm 1.3). Esse desvio doutrinário se caracteriza de várias formas, levando cristãos à distorção ou até mesmo ao abandono da fé. Notemos como esses desvios se caracterizam:

 

1.1 Abandono do ensino bíblico e entrega às fábulas

Na Igreja de Éfeso havia falsos mestres que enfatizavam extensas genealogias judaicas, crendo que a salvação se baseava em ter uma linhagem até Abraão. A palavra “fábula” é usada para descrever uma narrativa fictícia e enganosa, uma história mítica que faz com que os homens se afastem da verdade. Paulo instrui Timóteo a não permitir a introdução desses novos métodos de ensino, incompatíveis com o legítimo e genuíno Evangelho, pois ele sabia que isso traria deformação e consequentemente vícios desnecessários à própria doutrina. A Bíblia ensina no Novo Testamento que precisamos ter a mesma fé de Abraão para sermos salvos (Rm 5.1, 2). Não fala de participar de sua genealogia. Nos dias atuais, precisamos estar atentos para não nos deixar levar por questões enganosas, produzidas por líderes pretenciosos, que se acham detentores de revelações especiais, disseminando ideias egocêntricas, soberbas e cheias de vaidades, nos distanciando do verdadeiro Evangelho (Gl 1.8).

 

1.2 Não aplicação do estudo das Escrituras

Paulo declara abertamente que os falsos mestres são ignorantes quanto as verdades das Escrituras (1Tm 1.7). Eles queriam se tornar “famosos” como mestres da Lei de Deus, mas nem sequer entendiam o propósito da Lei. Eles eram rasos, insensatos, pobres no conhecimento de Deus. Eram cegos querendo guiar outros (Mt 15.14). Para quem deseja ensinar as Escrituras é preciso seguir o exemplo de Esdras (Ed 7.10). Ele propôs, em seu coração, buscar, cumprir e ensinar a Lei do Senhor. Infelizmente, essa sequência não está sendo observada por muitos que lidam como ensino das Escrituras. Eles não se aplicam ao estudo da mesma, como orienta o apóstolo Paulo (1Tim 5.17). A expressão trabalhar dá ideia de um esforço sincero na busca da compreensão do texto bíblico e do ensino.

 

1.3 Ensino das Escrituras com motivações impuras

Falsos ensinos, guiados por motivações impuras, são relatados em diversas partes do Novo Testamento e são um contraste do que Jesus ensinou (Mt 5.8). Há aqueles que ensinavam visando lucros (2Co 2.17), outros por inveja e porfia (Fp 1.15), e ainda aqueles que visavam o domínio do rebanho (1Pe 5.2-3; At 20.30). Esses falsos mestres, contagiados por interesses próprios, tinham a fé adulterada e suas almas distanciadas de Deus submergidas em meio a um labirinto de vaidades. À semelhança desses falsos ensinadores, ainda hoje existem pessoas que estão trilhando o mesmo caminho, às quais precisamos estar atentos, visto que seus ensinos não produzem verdadeira edificação.

 

2. Consequências do desvio doutrinário da Igreja

Os efeitos do desvio doutrinário são perceptíveis aos olhos de todos, pois aquele que se distancia do ensino salutar das Escrituras, passa a ter atitudes que o igualam às pessoas que não conhecem a Cristo. Essas atitudes afastam as pessoas da Igreja, e, quando não as afastam, faz com que se tornem instrumentos para a disseminação de contendas entre os irmãos.

 

2.1 Afasta as pessoas da Igreja

O abandono da doutrina cristã afasta as pessoas da Igreja não somente no âmbito físico, mas, acima de tudo, no âmbito espiritual. A falta de amor, de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sincera promove um afastamento do propósito verdadeiro que foi dado à Igreja desde sua fundação (At 4.32). O próprio Cristo nos ensinou que nos últimos dias, por se multiplicar a iniquidade, o amor, qualidade essencial à vida cristã, se esfriaria (Mt 24.12). Vemos assim que tanto hoje como na época do apóstolo Paulo algumas igrejas vêm sofrendo desvios doutrinários e, consequentemente, a perda de valores fundamentais da fé cristã (1Tm 1.5).

 

2.2 Produz contenda e não edificação

Os falsos mestres estavam causando divisão e contendas trazendo enormes prejuízos à obra de Deus. Havia o desejo de um se mostrar melhor que o outro, gerando assim uma disputa dentro da Igreja. Eles se tornaram verdadeiros agentes de Satanás, promovendo a desunião familiar, intrigas entre os irmãos e um mal-estar na Igreja. Os que semeiam contendas entre os irmãos e trazem confusões para o meio da Igreja são abominação para o Senhor (Pv 6.16-19). Esse desvio acarretava problemas e divergências de ordem doutrinária (1Tm 6.3-5; 2Tm 2.14), pessoal e espiritual (1Co 3.1-3; Tg 4.1).

 

2.3 Alvo fácil de manipulação

A Igreja deve viver afastada do pecado em todas as suas manifestações (Rm 6.1-2). O Diabo tem usado tudo o que está a seu alcance para embaraçar a vida de santidade da Igreja, e seu método mais poderoso para influenciar os crentes a usar e abusar das coisas deste mundo são os meios de comunicação de massa (televisão, internet, jornais, revistas, etc). O uso indevido desses meios, por cristãos que se encontram desapercebidos e insensíveis aos perigos que os rondam, tem feito com que os usos e costumes do mundo adentre em suas vidas e incorporem seu dia a dia sem nenhum temos, enfraquecendo suas vidas espirituais e tornando-os indiferentes ao propósito de Deus.

 

3. Retorno à fidelidade doutrinária

Ao lermos os escritos de Paulo a Timóteo entendemos que a possibilidade de retorno não foi apenas para os insubordinados de sua época, mas também para os de hoje. Portanto esse retorno ocorrerá:

 

3.1 Quando anunciamos a Palavra com intenção pura

Preservar a Palavra de Deus em nosso coração é o único meio de nutrir intenções puras, a fim de reter o amor de Deus em nós (Sl 119.11). A Palavra tem em si a condição de promover a purificação do nosso homem interior discernindo pensamentos e intenções, possibilitando que o Espírito Santo trate conosco, produzindo assim uma fé sincera (Hb 4.12). Isso produz no cristão uma mente que está em constante transformação, dando a este o entendimento necessário para que viva uma vida de fidelidade, não se conformando com o mundo a sua volta (Rm 12.2). Somente cientes da vontade de Deus poderemos compreender Seu amor, santificando cada vez mais nossas vidas em Sua presença, vivendo com um coração puro e uma fé não fingida.

 

3.2 Quando produz transformação

Em sua ignorância e incredulidade, Paulo, por seu zelo pelo judaísmo e motivação errada, ridicularizou os ensinos de Jesus e perseguiu o povo de Deus. Porém, ao ter um encontro com Cristo, sua vida foi completamente transformada (At 9.1-9). Quando entendemos o verdadeiro objetivo da doutrina não apenas somos transformados em uma nova criatura (2Co 5.17), como também recebemos condições para o crescimento espiritual, (1Pe 2.2) até chegarmos à estatura de varão perfeito (Ef 4.13).

 

3.3 Quando a doutrina é transmitida com graça

Consciente de que o que faz um homem andar firme na presença de Deus é o reconhecimento de Sua graça (1Co 1.4-9). Paulo ensina que nada que façamos por meio de nossos esforços redundará em merecimento diante de Deus (Ef 2.8-9). O que está em evidência é o seu favor e o exercício contínuo da fé, promovida através do conhecimento da Palavra de Deus, transmitida a nós por meio da vida, ensino e morte de Jesus Cristo.

 

CONCLUSÃO

 

Paulo instrui a Timóteo e a nós que nunca devemos nos apegar às doutrinas cristãs apenas na teoria, mas sim na prática diária, com a intenção de resgatar aqueles que estão se distanciando. Esse trabalho feito com amor não fingido, tendo a fidelidade como bandeira, nos fará firmes até a volta de Cristo.

A Crise de Fidelidade na Igreja

 

01 de fevereiro de 2015

 

 

Texto Áureo

“Assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor” Ef 1.4

 

 

Verdade Aplicada

A crise de fidelidade tem afetado vários setores da Igreja, ocasionando a perda da unidade, dificuldades na adoração e a perda de sua identidade ética e missionária.

 

 

Textos de referência

 

Ef 4.20, 21, 25, 32

20 Mas não foi assim que aprendestes a Cristo,

21 se é que, de fato, o tendes ouvido e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus.

25 Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros.

32 Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo vos perdoou.

 

 

INTRODUÇÃO

Ultimamente, a Igreja vive dias difíceis, pois estamos passando por um momento dramático e angustiante. Alguns acontecimentos se abateram sobre o Corpo de Cristo e alteraram seu conceito diante da sociedade. Sua visão ficou ofuscada, sua missão comprometida, sua unidade abalada e sua comunhão fragmentada. É bem certo que enfrentamos crises em várias dimensões, porém, a área mais atingida é a da fidelidade.

 

 

1. As dimensões da crise de fidelidade na Igreja

Atualmente, percebe-se que a Igreja enfrenta crise em várias áreas e os princípios mais prejudicados são: a unidade, a comunhão e a ética.

 

1.1 A crise de unidade

De acordo com a mente de Cristo e Seus ensinos deixados nos evangelhos, a unidade deve ser um fator de identificação da Igreja (Jo 13.34, 35; 15.12). Entretanto, é exatamente a falta de unidade que mais ocorre nesses dias. Isso indica que estamos em crise, pois somos um povo dividido. A igreja de Corinto representa tipicamente o comportamento de uma igreja sem unidade (1Co 1.10). Eles tinham problemas no culto, nas relações entre os irmãos, nas relações familiares e a igreja ainda tinha aqueles que se dividiam em grupos ou partidos (1Co 1.11-13). Em Filipenses 2.1-5, Paulo escreve sobre a importância vital da unidade cristã. Ele afirma que a unidade espiritual da Igreja é produzida por Deus. Para a igreja em Éfeso, ele confirma que a unidade é construída sobre o fundamento da verdade (Ef 4.1-6). Essa unidade não é externa, mas interna. Não se trata de unidade denominacional, mas espiritual, pois fazemos parte da família de deus e estamos ligados ao Corpo de Cristo (1Co 12.27). Ainda exortando os irmãos filipenses, o apóstolo aponta que, para vencer a crise da unidade, devemos nos afastar do partidarismo e da vanglória.

 

1.2 A crise de comunhão

A palavra grega “Koinonia” significa comunhão. A ideia básica inserida aqui é compartilhar. As escrituras sempre enfatizam a necessidade da Igreja ser um espaço de vivência comunitária, fraterna e amiga. Essa prática foi entendida pelos primeiros cristãos como de importância tal que faz parte do indispensável Credo apostólico luterano – “Creio na comunhão dos santos”. Essa comunhão envolve o no Corpo de Cristo os salvos de todos os lugares e de todas as épocas. O sentido básico de “Koinonia”é compartilhar alegrias e tristezas (Rm 12.15). Associada a essa noção está a ideia de responsabilidade, isto é, membros do Corpo de Cristo que têm compromisso uns para com os outros viverão a comunhão dos santos.

 

1.3 A crise ética

Provavelmente é no campo da ética em que vivemos nossa maior crise. Muitos líderes e crentes em geral estão se esquecendo que a Igreja é sal da terra e luz do mundo e estão se deixando levar pelo espírito de corrupção que domina este mundo (Mt 5.13-16). Líderes que se corrompem, compram e não pagam, envolvem-se em negócios escusos com políticos desonestos e negociam, inclusive, o próprio rebanho. Seguramente, deriva-se dessas ações a nossa recente falta de credibilidade. Oque antes era referência de confiança, hoje é visto com outros olhos. O mundo passou a ver a Igreja como um lugar de exploradores por causa de uns poucos que nos envergonham. No entanto, a Igreja de Cristo, salva e remida, é formada de homens honestos.

 

2. A crise de fidelidade na missão da Igreja

A missão da Igreja é tríplice: ela deve ministrar a Deus, aos seus membros e ao mundo. Compreendemos então sua missão para com Deus, sua missão para consigo mesma e sua missão para com o mundo.

 

2.1 Sua missão com Deus

A adoração é essencialmente a missão da Igreja com Deus. Em Colossenses 3.16, Paulo encoraja a Igreja a cantar “salmos, hinos e cânticos espirituais, louvando a Deus com gratidão no coração”. A adoração na Igreja não é meramente um preparo para outra coisa; ela é em si mesma o cumprimento de um dos grandes propósitos da Igreja, cujos membros foram criados para o louvor e glória de deus (Ef 1.20).

 

2.2 Sua missão para consigo mesma

O ministério da Igreja a seus membros é realizado por meio do fortalecimento espiritual e da edificação destes para que ela possa apresentar “todo homem perfeito em Cristo” (Cl 1.28). Em Efésios 4.12, 13, os líderes com dons na igreja foram dados para o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério e para edificação do Corpo de Cristo até que cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus; ao estado de homem perfeito, à medida da estatura da plenitude de Cristo.

 

2.3 Sua missão para com o mundo

A missão da Igreja para com o mundo é realizada pela pregação do Evangelho a todas as pessoas no mundo, seja por meio de palavras, seja por meio de atitudes. Em Mateus 28.19, Jesus ordena aos Seus seguidores que façam discípulos de todas as nações. Para vencer a crise de fidelidade a essa missão, a Igreja deve envolver não somente no evangelismo, mas também em assistência aos pobres e oprimidos (Gl 2.10; Tg 1.27), e, consequentemente, todos os membros devem fazer o bem a todos.

 

3. As características de uma Igreja fiel

A Igreja que supera as crises de unidade, comunhão e ética, e tudo aquilo que compromete sua missão, certamente possui características de uma Igreja fiel, que vence as influências mundanas.

 

3.1 Uma Igreja frutífera

Um exemplo marcante de Igreja frutífera são os cristãos tessalonicenses (1Ts 1.5-8). Eles levaram a grande comissão de Cristo a sério (Mt 28.18-20). Serviram de exemplo para outros cristãos, pois difundiam o Evangelho por onde quer que fossem (1Ts 1.7-8). Levaram o Evangelho para toda a cidade, e, muito além de suas fronteiras físicas, para a região da Macedônia até a região da Acaia. Certamente esses cristãos discipulavam outros crentes e evangelizavam os incrédulos. Sem dúvida, outras igrejas foram fundadas graças à propagação do Evangelho que brotou daqueles irmãos.

 

3.2 Uma Igreja solidária

A Igreja é um enorme celeiro e um grande depositário de vocações, talentos, recursos e potenciais. Neste sentido, seu papel deve ser o de orientar os membros para o serviço à sociedade. Refletindo o nosso chamado para sermos sal e luz. Temos de avançar na questão da solidariedade através da conscientização. Como no sentido original da palavra “igreja” (que vem do grego “ekklesía” e significa “assembleia de santos”), precisamos recuperar a nossa vocação histórica de agentes de transformação e esperança.

 

3.3 Uma Igreja missionária

Segundo o escritor cristão Richard Mayhue, salvo a igreja de Jerusalém, nenhuma outra igreja esteve tão intimamente ligada à expansão missionária quanto a de Antioquia (At 13.1-4). Ele aponta alguns princípios básicos e eternos que contribuíram para o sucesso da referida igreja. Primeiramente, a partida de Paulo e Barnabé foi motivada e direcionada pelo espírito Santo (At 13.2), isto é, estava de acordo com o chamado e vontade de Deus, e não de homens. Em segundo lugar, a igreja confiou os dois obreiros a Deus e os encarregou de promover a expansão do Evangelho, ou seja, foram enviados pelo Espírito Santo e pela igreja local. Entendemos aqui que Paulo e Barnabé estavam debaixo de cobertura espiritual (At 13.3). Outro ponto a ser observado é que a igreja cedeu de boa vontade seus melhores homens, Paulo e Barnabé, em obediência à orientação do Senhor (At 13.4). Ela não foi mesquinha nem individualista em reter ou limitar a obra de Deus na vida dos seus servos e permitiu que o processo no campo missionário tivesse continuidade. Ela não tentou, de forma egoísta, segurá-los para si. Sendo assim, é preciso que a igreja atual reflita e repense sua recente prática missionária. O nosso Mestre já direcionou o caminho a ser trilhado e não podemos pensar em missões de forma diferente. Missões, que inclui o evangelismo local e às nações (At 1.8), não é o título, nem cargo. É trabalho sério. Desse modo, sempre debaixo da orientação do Espírito Santo, urge para pregarmos a Palavra a todo o mundo (Mc 16.15), a tempo e fora de tempo (2Tm 4.2).

 

CONCLUSÃO

 

Para vencermos a crise de fidelidade instaurada na Igreja, precisamos repensar nossa espiritualidade, nossa ética e nossa unidade. Devemos redescobrir a vontade de Deus através de Sua Palavra e sermos uma Igreja verdadeira, capaz de superar todos os seus desafios e vencer seus dilemas contemporâneos.

 

Lições Bíblicas CPAD     Adultos  1º Trimestre de 2015

 

Lições 7 -13.

ESCOLA DOMINICAL - Conteúdo da Lição 7 - Revista da Editora Betel

 

 

A Fidelidade Entre Pais e Filhos

 

15 de fevereiro de 2015.

 

Texto Áureo

“Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, pois isto é justo.” Ef.6.1

 

Verdade Aplicada

A fidelidade entre pais e filhos credencia a família a apossar-se de sublimes promessas de Deus, de modo a viver muitos dias e viver bem.

 

Textos de referência

Ef 6.1-4

1. Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, pois isto é justo.

2. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa,

3. Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.

4. E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor.

 

INTRODUÇÃO

Fidelidade entre pais e filhos é a convivência na qual os pais assumem ônus da paternidade responsável (amor, carinho, proteção, etc.). Nesse convívio criam-se vínculos e laços de amor fraternal. Assim, o resultado da fidelidade paternal é amor, respeito e honra por parte dos filhos. Embora a realidade atual apresente mudanças no padrão do relacionamento família, veremos que a Bíblia possui princípios imutáveis para um relacionamento fiel entre pais e filhos.

 

1. O desafio da fidelidade entre pais e filhos.

A crise familiar surgiu desde o momento em que o homem deixou de observar os princípios da Palavra de Deus (Gn 3.1-7), resultando em várias consequências: desrespeito aos pais (Gn 9.22, 24, 25), profanação (Gn 49.3, 4), incesto (2Sm 13.11-14), subversão (2Sm 15.12-14) e homicídio (Gn 4.8). Ainda hoje, esses males continuam ocorrendo pela inobservância da Palavra de Deus (2Tm 3.2; Ef 6.4).

 

1.1 O papel dos pais

O livro de Provérbios, verdadeiro manancial de conselhos paternos, exprime com muita clareza que os pais são responsáveis por legitimar ou repelir conhecimentos e valores adquiridos pelos filhos (Pv 1.8-19), exercer mediação entre os filhos e o mundo e empenhar-se no seu desenvolvimento físico, mental, social e profissional. Na família cristã, o pai, além de suprir as necessidades básicas, precisa ser sacerdote e continuamente apresentar sua família a Deus (Jó 1.5), e pastor, criando na vida dos filhos um padrão de moralidade com base nas Escrituras (Pv 2-3). Além de prover e educar, os pais devem impor limites de maneira sensata, transmitindo valores éticos sólidos, capazes de fazer com que os filhos ajustem seus comportamentos às exigências da vida dentro da coletividade e obedeçam a regras básicas de convivência (Pv 4-7).

 

1.2. O papel dos filhos

Os filhos ocupam um lugar especial na família. Eles são os responsáveis pela coroação da família, dando o sentido de um lar completo. A Bíblia é enfática ao afirmar que os filhos são herança do Senhor (Sl 127.3-5). Filhos ocupam um lugar de honra na família, contudo, devem submissão aos pais (Pv 15.20; 17.6). O texto Bíblico diz que isso é justo (Ef 6.1). Eles devem honra aos progenitores até mesmo depois de constituírem suas próprias famílias. Nessa fase os filhos terão dupla oportunidade: cuidar dos pais e chefiar seus lares.

 

1.3 Amizade e companheirismo

Os pais devem educar seus filhos, apoiá-los com firmeza e confiança e ser seus melhores amigos (Pv 4.3-27). Os laços de amizade e companheirismo entre pais e filhos tornam essa relação a parceria mais ideal e confiável (Sl 2.12). A amizade não é exigida, não se conquista de maneira forçada, sob pressões e ameaças, mas espontaneamente, independentemente de obtenção de recompensas ou favores. O filho que recebe dos pais a atenção devida, provinda de um amor verdadeiro, além de desenvolver autoconfiança, é altruísta, tolerante e aprende a valorizar. Nessa jornada, todas as oportunidades devem ser aproveitadas. Os pais devem promover atividades conjuntas, passeios e tempo com qualidades, abrindo mão de interesses próprios e se dedicando mais a família, fortalecendo a união e concretizando uma relação não apenas de pais e filhos, mas de amigos e parceiros.

 

2. O desafio de disciplinar com amor

As Escrituras nos advertem que desde o início a imaginação dos pensamentos do coração do homem era má continuamente (Gn 6.5). Se quisermos que nossos filhos tenham um caráter a toda prova, precisamos enfrentar desafios no processo instrutivo desde cedo, e isso envolve diálogo, prática e convivência sadia, firmeza e autocontrole. Disciplina implica em determinar limites.

 

2.1 Pelos princípios da Palavra de Deus

Devemos nos espelhar nas Escrituras, que nos exorta a instruir os filhos desde a mais tenra idade (Dt 6.6, 7) senão teremos uma colheita ruim (2Tm 3.1-9). A infância é o período de ouro do aprendizado, pois nessa fase a assimilação é mais fácil. Não meçamos esforços para que os princípios introduzidos nas mentes infantes se fixem de tal maneira que perdurem por toda vida. Os ensinamentos semeados garantirão colheita de bons frutos no futuro (Pv 22.6). Filhos bem preparados farão a diferença como referenciais para a Igreja e para a sociedade. Temos que acreditar na família. Famílias estruturadas e fiéis, células sadias, corpo saudável, Igreja forte. É dever do homem, como cidadão, viver de maneira ética. Como conhecedores da Palavra de Deus, maior responsabilidade temos de cooperar para que haja mais harmonia na sociedade através do Corpo de Cristo. A esperança da família está no viver a Palavra de Deus, aplicando os ensinamentos exarados nas Escrituras Sagradas.

 

2.2 Pela coerência na disciplina

Não raramente encontramos pais que preferem um filho em detrimento de outro, isso não é bom, causa divisão na família. Ser excessivamente rigoroso com um, enquanto outro desfruta de especial proteção não parece justo, cria ruptura na família. Outra situação não menos grave é quando há divergência na forma em que educam: um dos pais ensina de um modo e o outro desfaz, ensinando de maneira diferente. A falta de coerência nos métodos de formação dos filhos gera conflitos (Gn 37.3, 4;11; 25.28; 27.3-13), e instala a discriminação dentro do lar. O processo disciplinar exige equidade no tratamento com os filhos; antes de criticá-los é preciso ter interesse pelas coisas do universo deles. Também é preciso respeitar os limites dos filhos e estimular a superação dos mesmos, inspirando-lhes confiança.

 

2.3 Pelo exemplo

Somos observados pelos que nos rodeiam, principalmente por nossos filhos. Aprendemos a respeitar aos outros através da educação e disciplina, mas principalmente pelo exemplo. Os filhos fazem o que veem seus pais fazerem, (Mt 11.27; Tg 1.23-25). Se os pais são fiéis, os filhos aprenderão com eles. É grande a responsabilidade dos pais na lapidação do caráter dos filhos, pois estes herdam atitudes no aprendizado e no convívio e que, por sua vez, influenciam as novas gerações. As ações têm poder de convencimento. Elas falam por si mesma, ensinam mais que palavras.

 

3 Resultados da fidelidade entre pais e filhos

A boa relação entre pais e filhos passa necessariamente por uma comunicação eficaz. Significa que a pessoa compartilha, em família, o que ocorre com ela. Através da comunicação as pessoas partilham diferentes informações entre si, tornando tal ato uma atividade essencial para a vida em sociedade.

 

3.1 Harmonia e estabilidade familiar

Pais omissos serão responsabilizados pela maneira como criaram os filhos (1Rs 1.5, 6). Aproveitemos o tempo que passamos com aqueles que realmente importam para nós, e nos foram confiados por Deus, a quem de fato pertencem (Sl 127.3). As atitudes dos pais para com os filhos e dos filhos para com seus pais determinam o grau de relacionamento e equilíbrio na família. Ninguém melhor do que os pais para conhecer o caráter, personalidade e temperamento de cada um dos filhos. É de se esperar que os pais sejam os primeiros e melhores mestres dos filhos. O convívio sadio, pacífico e harmonioso é o ideal para semearmos confiança e estabelecer diálogo, oportunidade para ouvir e ser ouvido, criando um elo permanente com eles.

 

3.2 Posse de sublimes promessas

A observância dos preceitos divino conduz pais e filhos a apossarem-se de promessas grandiosas, que contemplam a família no seu relacionamento mútuo e com Deus (Dt 28.2-6; 30.6, 8, 9; Is 44.3). Nesse contexto, os pais se beneficiam ao serem honrados (Êx 20.12), os filhos por aplicarem este princípio e Deus é engrandecido pela observância da Sua Palavra.

 

3.3 Debaixo da bênção de Deus

O salmo 127.3-5 traça o perfil de uma família feliz e abençoada. O salmo 128 descreve o pai como abençoado, a mãe, videira frutífera, e os filhos, plantas de oliveira, herança do Senhor e flechas na mão do valente, e encerra com uma bênção de prosperidade e promessa de longevidade para o homem temente a Deus: ele terá paz e viverá o suficiente para ver seus filhos e seus descendentes. Portanto, a fidelidade entre pais e filhos coopera para a perpetuação das bênçãos na família de modo que serão como a oliveira verdejante na casa de Deus (Sl 52.8; 92.12-15).

 

CONCLUSÃO

Aquele que com prudência, previne-se do mau tempo e alicerça sua casa na rocha, estará seguro (Mt 7.24-27). Se não nos preocuparmos com a fundação, seremos insensatos e a família correrá perigo. O alicerce, mesmo não sendo aparente, faz a diferença e valoriza a construção. A palavra de Deu, manual do fiel e fonte inesgotável de ensino e aprendizado, nos fornece todos os materiais necessários para construirmos uma família bem fundamentada, à prova de vendavais.

FIDELIDADE NO MINISTÉRIO 

22 de Fevereiro de 2015

 

TEXTO ÁUREO

“Porque convém que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância”. (Tt 1.7).

 

 

VERDADE APLICADA

 

A principal virtude no ministério do obreiro é a fidelidade.

 

Textos de referência

 

Tt 1.6 - Aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem são desobedientes.

Tt 1.7 - Porque convém que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância;

Tt 1.8 - Mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante;

Tt 1.9 - Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes.

 

INTRODUÇÃO

Ao estudarmos as cartas pastorais, observamos que o ministério da casa de Deus precisa de homens que sejam chamados, talentosos e cheios do Espírito Santo. Além disso, aprendemos com a leitura da carta que Paulo escreve a Tito que todo líder, cuja característica principal é a fidelidade, deve pautar-se por uma vida ética e equilibrada.

 

1. As exigências do ministério.

Aquele que deseja e tem vocação ministerial deve compreender que há várias exigências para o ingresso e permanência no ministério. As principais condições são: fidelidade à família, fidelidade à Igreja e fidelidade à sua vocação.

 

1.1 Fidelidade a família

A fidelidade e o cuidado com a família estão no centro da preocupação de Paulo. O apóstolo adverte os obreiros a cuidarem de sua própria família. Chega, inclusive, a afirmar que se alguém não cuida dos seus e, principalmente, dos da sua família, este negou a fé e é pior que os incrédulos (1Tm 5,8). De acordo com Donald Guthrie, o lar é considerado o local onde se faz o treinamento dos líderes cristãos. A vida e os serviços cristãos devem começar na família. Sendo assim, os obreiros devem ser irrepreensíveis em sua vida e no seu casamento, de modo a amar sua esposa e a trata-la com carinho e respeito. Paulo diz que a conduta dos filhos é de responsabilidade dos pais (Tt 1.6). John Stott defende seriamente o pensamento de que os pais são os responsáveis pela crença e pelo comportamento de seus filhos (Pv 22.6). Vale ressaltar que, infelizmente, para os pais cristãos cujos filhos se desviam na fé ou dos princípios morais, a dor é bem mais intensa.

 

1.2. Fidelidade a Igreja

A Igreja é o corpo espiritual de Cristo e que também tem sua perspectiva institucional, que funciona através da vivência comunitária. Somos todos membros do mesmo corpo, buscamos a unidade e vivemos a mesma esperança cristã (1Co 12.26,27). De modo que desejamos o aperfeiçoamento dos santos para Deus, devemos responder com fidelidade à Igreja. Essa fidelidade envolve várias dimensões: fidelidade à liderança, fidelidade nas relações institucionais, fidelidade nas contribuições (dízimos e ofertas), fidelidade na participação da vida diária da Igreja, conforme Paulo escreve aos Coríntios: “Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel.” (1Co 4.2).

 

1.3 Fidelidade a vocação ministerial

O ministro deve atender fielmente às recomendações bíblicas (Tt 1.5-9).Ele deve estar consciente de que sua vocação ministerial, quanto à sua função, responsabilidade, atuação na sociedade e relacionamentos com sua liderança e liderados, deve ser pautada pela fidelidade. É necessário que cada obreiro seja transparente e sincero tanto no ministério da igreja local quanto em sua vida particular, ou seja, seu lar. Essa fidelidade inclui compromisso com reuniões ministeriais, pontualidade, assiduidade nos cultos e programações da igreja.

 

2. As credenciais para o ministério

A Bíblia apresenta muitas exigências para aqueles que estão ingressando ou já desenvolvem seu ministério. Dentre muitas credenciais requeridas ao obreiro, destaca-se a necessidade de uma vida ética, piedosa e equilibrada.

 

2.1 Ético

Entende-se por ética cristã um conjunto de normas e regras fundamentadas na Palavra de Deus que norteiam a vida do cristão. Nessa perspectiva, Paulo recomenda que os presbíteros precisam ser irrepreensíveis em seu caráter e em sua conduta (Tt 1.7, 8). Desse modo, cada obreiro deve apresentar uma clara evidência, pelo seu comportamento ético, de ter sido regenerado pelo Espírito Santo e de que seu novo nascimento o tenha levado a uma nova vida (2Co 5.17). Com isso o apóstolo nos ensina que a vida do líder é a vida da sua liderança, isto é, que cada ministro deve buscar ter uma vida de relacionamento ético com Deus, consigo mesmo e com seu ministério. Entende-se ainda que essa ética deve estar presente nas relações com seus pastores e amigos de ministério.

 

2.2 Piedoso

Assim como na primeira carta a Timóteo, a piedade é um conceito relevante na carta de Tito (Tt 1.1). NA VISÃO DE Warrem Wiersbe, a verdade do Evangelho transforma uma vida de impiedade em uma vida de santidade (Tt 2.12). Infelizmente, muitos dos que frequentavam a igreja de Creta, assim como alguns membros das congregações de hoje, professavam ser salvos, mas levavam uma vida que negava essa profissão de fé. O obreiro piedoso sempre busca pureza e santidade na vida (1Pe 1.16). O homem piedoso reverencia a decência fundamental da vida e conserva o temor ao Senhor. É importantíssimo lembrar que Deus se agrada de homens piedosos, como disse E. M. Bounds: “Deus não unge plano, não unge métodos, Ele unge homens”.

 

2.3 Equilibrado

O apóstolo adverte Tito quanto ao orgulho, temperamento, bebida, violência e dinheiro (Tt 1.8). Com isso, o apóstolo indica a necessidade de uma vida ministerial equilibrada (2Tm 1.7; 4.5). Segundo Hernandes Dias Lopes, é válido compreender que ninguém está apto para liderar os outros se não tiver domínio de si mesmo. Aquele que domina a si mesmo é mais forte do que aquele que domina uma cidade (Pv 16.32; 25.28). O autocontrole da vida do obreiro é essencial, pois faz parte da lista de virtudes cristãs e é uma das dimensões do fruto do Espírito (Gl 5.22). É certo que aqueles que não têm domínio próprio, que se desequilibram facilmente, acabam perdendo o respeito da família, da Igreja e da sociedade.

 

3 Compromisso no exercício do ministério

Quem é obreiro e participa ativamente no ministério cristão sabe que há muitos quesitos a serem considerados quanto ao seu desenvolvimento. O conhecimento das Escrituras é um dos principais requisitos, pois é essencial conhecer, amar e ensinar a Palavra de Deus.

 

3.1 Conhecer a Palavra de Deus

Desde o jardim do Éden até os nossos dias, um dos focos do Diabo para provocar o homem a cair em tentação é suscitar dúvidas acerca da Palavra de Deus (Mt 4.1-10). Então, é mais do que necessário que conheçamos a Palavra (Mt 4.4; Sl 119.105). Jesus, ao se dirigir aos saduceus, afirma que o erro surge em função do fato de não conhecermos as Escrituras (Mt 22.29; Os 4.6). Em outro momento, Cristo nos diz que, ao conhecermos a Palavra, seguramente ela nos libertará (Jo 8.32).

 

3.2 Amar a Palavra de Deus

Amar a Palavra de Deus está explicito em toda a Bíblia. O livro de Salmos expressa bem essa verdade (Sl 1.1, 2). Davi declara: “Como amo a tua lei! Penso nela o dia todo” (Sl 119.97). É importante observarmos que todo o Salmo 119 nos convida a amá-la, estuda-la, compreendê-la e praticá-la. É evidente que muitos conhecem a Palavra de Deus, mas não a praticam. Possuem apenas um conhecimento teórico e especulativo. São apenas ouvintes, mas não praticam diariamente a Palavra do Senhor (Tg 1.22). Além de ser homem íntegro na sua relação com a igreja, o obreiro deve ter intimidade e conhecimento das Escrituras (Tt 1.9). Deve ser um obreiro aprovado e que maneja bem a Palavra da verdade (2Tm 2.15). Vivemos em uma época que as pessoas, inclusive os cristãos (no caso, os evangélicos) desprezam a Palavra. Salomão declara que quem despreza a Palavra nunca prosperará (Pv 13.13). A Igreja sem o propósito de buscar maturidade na Palavra fica extremamente vulnerável e volúvel (Hb 5.11, 12). Muitos líderes e igrejas, deixando-se seduzir pela tentação dos números, se tornam superficiais quanto ao ensino da Palavra de Deus. Há uma verdade que nós, cristãos, servos do Deus Altíssimo, não podemos deixar de observar: obreiros fracos na Palavra geram membros fracos em conhecimento, igrejas fracas em ensino, suscetíveis às seitas e heresias (2Tm 4.2-5), sujeitas à rebelião e à contemplação do completo esvaziamento em seus cultos.

 

3.3 Ensinar a Palavra de Deus

Nas palavras de Paulo, os presbíteros (ou bispos) são chamados essencialmente, para um ministério de mestre, que necessita tanto do dom de ensino como de ser leal à mensagem que ensina (Tt 1.9). Em 1 Timóteo 1.15; 4.9; e Tito 3.8, é declarado que a Palavra é fiel e os que ensinam e pregam a Palavra também devem ser fiéis. O obreiro deve demonstrar capacidade para o ensino, deve exortar com poder, se ocupar do conhecimento da verdade para aplicar corretamente a s Escrituras.

 

CONCLUSÃO

 

Nessa lição, tivemos a oportunidade de aprender a respeito da nossa fidelidade ao ministério. Ministério esse que implica em sermos fieis a Deus, a família, à nossa chamada e vocação ministerial. Que Deus nos capacite a cumprir com fé e total dedicação o nosso chamado ministerial.

 

Fidelidade na aplicação dos talentos 

1º de março de 2015

 

Texto Áureo

“Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma” Ec 9.10.

 

 

Verdade Aplicada

 

O Senhor não tem nenhum servo desocupado ou inábil. Ele deu talentos a cada um conforme sua capacidade, que devem ser aplicados com sabedoria.

 

Textos de referência

 

Mt 25.16-19

16 E, tendo ele partido, o que recebera cinco talentos negociou com eles e granjeou outros cinco talentos.

17 Da mesma sorte, o que recebera dois granjeou também outros dois.

18 Mas o que recebera um foi, e cavou na terra, e escondeu o dinheiro do seu senhor.

19 E, muito tempo depois, veio o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles.

 

INTRODUÇÃO

 

A parábola dos talentos nos arremete para a responsabilidade nos negócios do Reino. O talento representa a oportunidade e o aproveitamento de nossa capacidade no desenvolvimento do Reino de Deus (Mt 25.14-30). Ao contar essa parábola, Jesus prepara os discípulos para o momento em que eles terão que trabalhar em sua ausência física, e fazendo-os saber que ao retornar Ele pedirá conta.

 

1. Princípio da motivação

 

No Reino de Deus não basta fazer, mas também o porquê fazer. Conforme Provérbios 16.2, Deus observa e conhece os princípios de todas as ações. Ele sabe com precisão as intenções do coração.

 

1.1 Movidos pelo valor dos talentos

 

Percebe-se que nada na parábola é irrelevante. Os valores dos talentos nos levam a compreender a importância das habilidades dadas por Deus, tanto naturais como espirituais, com as quais podemos servir aos homens e glorificar a Deus, dando assim continuidade ao Seu Reino. Nenhum homem tem qualquer coisa de sua autoria, exceto seus pecados (RM3.23). Assim sendo, o valor inestimável de nossas capacidades deve nos motivar a maximizar nossos esforços no Reino de Deus, procurando em cada ação e reação dar o nosso melhor (Ec 9.10).

 

1.2 Movidos pelo privilégio de servir

 

Não há nada mais grandioso nessa terra do que o Reino que Jesus implantou. Nada merece mais a nossa atenção (Mt 6.33). Servir no Reino de Deus é um dos maiores privilégios que o homem pode ter, pois atrai a atenção até mesmo de anjos (1Pe 1.12). A partir do momento em que o homem se engaja na excelência da obra de Cristo, tudo mais se torna pueril (Fp 3.7-80. Não merecíamos participar do planejamento divino, mas por Sua condescendência fazemos parte desse grande projeto. Fomos chamados pela graça de Deus (Gl 1.15); engajamos em Seu Reino pela graça (1Co 15.10); contribuímos em Seu Reino pela graça (2Co 8.1-4). Portanto, nada merecemos, mas Deus nos abarcou em Sua obra e, por conseguinte, não deve ser vista como uma obrigação ou constrangimento, pelo contrário, deve ser encarada como um privilégio.

 

1.3 Movidos pelos resultados

 

AS implicações da desenvoltura de nossos talentos são as mais diversas, vai desde causar mudanças temporais na vida das pessoas, até mesmo a conduzi-las à salvação eterna de suas almas, e isso não tem preço (Sl 49.8). O apóstolo Paulo tinha como motivação maior do seu ministério o bem-estar da Igreja e, nesse sentido ele não media esforços e sacrifícios (2Co 12.15; At 20.24). Não devemos esquecer que somos resultados do que os outros fizeram. Aqueles que se habilitam a trabalhar no Reino que Jesus implantou se envolvem com pessoas procurando melhorar suas vidas, mas a mentalidade do servo inútil é marcada pela indiferença com o bem-estar dos outros. A aplicação dos talentos permite que o melhor homem se torne um homem ainda melhor (Jó 42.5, 6). Portanto devemos dar o nosso melhor para que o que é bom fique ainda melhor.

 

2. Princípio da responsabilidade

 

Todos nós temos capacidades e oportunidades diferentes, mas também temos algo em comum: a responsabilidade de permanecer fiel a Deus e à Sua Palavra.

 

2.1 Responsabilidade de acordo com a capacidade

 

O Senhor não dá talentos indiscriminadamente, mas dá a cada um segundo suas capacidades (1Co 12.7). É manifesto na parábola que, na distribuição de talentos, o mesmo não foi dado a todos, cada um recebeu conforme sua envergadura (Mt 25.15). O Senhor não comete erros na atribuição de tarefas, tampouco pedirá conta além dos potenciais de cada um. Ele tão somente requer fidelidade (1Co 4.2). Em cada lugar, posição ou situação em que a providência divina nos colocar, nossa fidelidade estará sendo posta à prova (Rm 14.12). Somos responsáveis diante de Deus por todas as nossas capacidades, quer sejam pessoais, produtivas, cognitivas ou relacionais.

 

2.2 Responsabilidade no investimento

 

Podemos ser tentados a pensar que os talentos a nós confiados são para nosso próprio benefício e alegria, mas a verdade é que a parábola nos leva a compreender que os talentos são para alegria e “enriquecimento” do Senhor (Mt 25.20-23). O Mestre nos confia uma parcela de Suas riquezas não para gastarmos com nós mesmos, nem para enterrarmos, mas para “negociarmos” com ela. Aprendemos que o uso correto dos talentos a nós creditados fará ampliá-los. O caminho certo para aumentar nossas capacidades em Cristo é o exercício dos talentos que Ele nos deu. Sementes amontoadas e trancadas em um celeiro não se multiplicam (Ec 11.1) Façamos dos desdobramentos de nossos talentos uma espécie de investimento e, como todo investimento, os benefícios advindos desse alastramento do bem serão obtidos no amanhã (Cl 3.23, 24).

 

2.3 Responsabilidade no tempo confiado

 

Nenhum homem jamais alcançou lugares ou resultados elevados sem que tenha empregado sabiamente seu tempo. O estudante que aplica bem o seu tempo, o atleta que valoriza cada minuto e o agricultor que prepara o terreno no tempo adequado são mais bem-sucedidos. Isso não pode e nem deve ser diferente na vida do servo de Deus. Qualquer dia que se passe sem abraçar novas compreensões ou sem aproveitar as oportunidades, incorrerá em perdas irreparáveis. Provérbios 10.4 lança uma luz para quem objetiva alcançar êxito no que empreende fazer: “O que trabalha com mão remissa empobrece, mas a mão dos diligentes vem a enriquecer-se”. O trabalho no Senhor não pode esperar, pois afluirá consequências eternas em dar ou não valor ao tempo. Paulo, ao advertir os cristãos de Éfeso e de Colossos sobre a necessidade de remir o tempo, nos faz compreender que o tempo tem seu “preço” (Ef 5.16; Cl 4.5). Ou seja, “remir o tempo” pode significar “comprar” o tempo, ser o dono dele. Portanto, quem se engaja nos “negócios” do Reino de Deus deve aproveitar as oportunidades, pois o Senhor não tem servos desocupados.

 

3. Princípio das consequências

 

É certo que haverá o momento da prestação de contas, na qual cada indivíduo será recompensado ou punido, conforme agiu em relação aos talentos confiados. Os homens têm oportunidades e cada um pode agir de modo muito diferente em relação a elas.

 

3.1 O julgamento será inevitável

 

Embora possamos perder nossa capacidade de obedecer, Deus jamais perde a habilidade e o direito de comandar e exigir fidelidade de Seus servos (Sl 82.1). O nosso comparecimento diante de Deus para prestação de contas não é uma possibilidade, mas uma certeza (Mt 25.19). O Senhor há de trazer à tona todas as oportunidades aproveitadas ou perdidas. Cada “centavo” de talento será cobrado. O anonimato, a insignificância, a fraqueza, a imaturidade e outras desculpas, tantas vezes usadas como álibi para não assumir responsabilidades aqui, não nos manterão fora da apreciação divina. Portanto, a inevitabilidade do julgamento deve servir como incentivo para nossa diligência na aplicabilidade dos talentos que nos foram confiados.

 

3.2 Repreensão e condenação

 

A severa repreensão do Senhor ao servo descuidado (Mt 25.26) é uma evidência de que Deus julgará as pessoas não apenas por fazerem o mal, mas também por não fazerem o bem. Deixar de fazer o bem é uma das facetas do mal (Tg 4.17). A maldade do servo repreendido é demonstrada, não só por sua infidelidade, mas também por suas desculpas falsas e caluniosas (Mt 25.24). É notório que o acerto de contas não haverá como reivindicar a justiça, pois a própria justiça é quem condena. No dia do julgamento, a distinção entre o bem e o mal será rigorosamente desenhada, pois todos os véus e disfarces serão arrancados (Ml 3.18). “Senhor, Senhor”, naquele dia, será um grito de desespero vazio, já que não haverá mais oportunidade de remissão, pois a condenação já estará decretada (Mt 7.21, 23; 25.11, 12).

 

3.3 Reconhecimento e aprovação

 

Compreende-se pelo texto que os servos zelosos perceberam suas responsabilidades e logo começaram a aplicar os seus talentos. O desfecho não poderia ser diferente: a aprovação foi imediata (Mt 25.21, 23). Ser admitido à presença do Senhor e participar de Sua alegria é uma honra além da nossa compreensão. Esse reconhecimento de “bom” e “fiel” também pode referir-se à conduta e ao caráter. A cooperação entre a fé e as obras ocasionará o aperfeiçoamento do indivíduo que se habilita a servir no Reino de Deus (Tg 2.22, 26). Cada ser humano imbuído da fé em Jesus que canalizar suas habilidades em fazer o bem incondicionalmente, receberá aprovação e será recompensado (Mt 25.34).

 

CONCLUSÃO

 

 

Aprendemos nessa parábola que trabalhando para Deus cresceremos fortes nEle. O futuro para quem se adequar ao Evangelho e se entregar ao serviço do Reino será de recompensas, pois ouvirá do próprio Jesus Cristo: “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu Senhor.” (Mt 25.21).

Fidelidade em tempos de crise

 

22 de março de 2015

 

Texto Áureo

 

“Se te mostrares fraco no dia da angústia, é que a tua força é pequena.” Pv. 24.10

 

 

Verdade Aplicada

Inevitavelmente, todo ser humano poderá ser visitado por manifestações súbitas, seja no plano físico, psicológico ou espiritual, que demandará dele uma fé além das palavras.

 

 

Textos de Referência

 

Jó 1.17-20

17 Falava este ainda quando veio outro e disse: Dividiram-se os caldeus em três bandos, deram sobre os camelos, os levaram e mataram aos servos a fio de espada; só eu escapei, para trazer-te a nova.

18 Também este falava ainda quando veio outro e disse: Estando teus filhos e tuas filhas comendo e bebendo vinho, em casa do irmão primogênito,

19 eis que se levantou grande vento do lado do deserto e deu nos quatro cantos da casa, a qual caiu sobre eles, e morreram; só eu escapei, para trazer-te a nova.

20 Então, Jó se levantou, rasgou o seu manto, rapou a cabeça e lançou-se em terra e adorou;

 

 

INTRODUÇÃO

A Palavra de Deus deixa claro que não há quem escape das perplexidades desta vida (Jo 16.33). Mesmo os mais abnegados e dedicados servos de Deus enfrentam crises e contratempos (Sl 55.1-6). Nesta lição, Jó nos servirá como arquétipo de fidelidade. Aprenderemos pela sua experiência avassaladora que os justos, mesmo inseridos em situações de crise, devem manter-se fiéis ao Senhor (Jó 1.22; Hc 3.17, 18).

 

 

1. Fiel, ainda que os relacionamentos estejam afetados.

A fé deve triunfar sobre todas as questões da vida. A existência humana é composta de relacionamentos interpessoais nos quais poderemos sofrer acusações ou mesmo indiferenças daqueles que fazem parte de nosso círculo mais íntimo.

 

 

1.1 A intolerância dos familiares.

Nas situações mais críticas da vida, o que menos precisamos é de alguém que agrave nossa angústia. Nesses momentos, a família deve se tornar o nosso “chão”; mas nem sempre isso acontece, como foi o caso de Jó. Seu lar, o mundo de seus afagos, estava afetado. Mesmo em sua fidelidade, diante dos trágicos acontecimentos ele não encontrou na esposa a palavra que tanto precisava naquele período crítico de sua vida, mas, ainda assim, ele se manteve fiel (Jó 2.8-10; 19.14ª). Seu exemplo inspira a mantermos inarredáveis em nossa fidelidade a Deus. Mesmo quando não encontramos no seio de nossa família o tão esperado apoio. As Escrituras nos revelam que até mesmo Jesus, nossa maior inspiração, sofreu incompreensões de Seus familiares (Mc 3.31, 32).

 

 

1.2 As acusações dos amigos.

Uma das lições que aprendemos, quando inseridos nas adversidades, é identificar quem são nossos verdadeiros amigos (Pv 17.17). John C. Collins afirmou que “na prosperidade, nossos amigos nos conhece; na adversidade, nós conhecemos nossos amigos.” Quando os amigos de Jó souberam de sua calamidade foram até ele, em tese para consolá-lo (Jó 2.11-13). A partir do capítulo 3, com uma teologia equivocada, os amigos de Jó começaram a acusá-lo dizendo que o seu sofrimento era reflexo de seus pecados. Jó foi acusado de mentiroso, hipócrita e culpado pela morte de seus filhos (Jó 16.10). Porém, mesmo diante das zombarias, dos desprezos e das acusações, Jó se manteve íntegro.

 

 

1.3 O desprezo dos circunstantes.

De respeitado e honrado a desprezado e zombado pela sociedade (Jó 17.2). Essa era a situação de Jó quando inserido na crise aflitiva (Jó 29.7-11). Tamanha era a desolação, que Jó sentia-se como um animal de hábitos noturnos que vivia no deserto em solidão (Jó 30.29). A calamidade de Jó tornara-se assunto de alegria e brincadeira (Jó 17.6; 30.9; Sl 69.12). A perda da prosperidade acarretou a perda dessas homenagens. Aquele que foi lisonjeado em riqueza e sucesso foi cruelmente desprezado no momento da adversidade (Jó 30.1-10). Compreende-se que a vida social de Jó foi afetada quando tudo passou a dar errado no plano horizontal, isto é, entre os homens. Entretanto, mesmo desolado e em meio aos contratempos, no plano vertical ele se manteve fiel ao Senhor, Seu Deus.

 

 

2. Fiel, ainda que as perdas pareçam irreparáveis.

A rapidez e imprevisibilidade de acontecimentos na vida de Jó somente evidenciam como as coisas dessa temporalidade são transitórias. O dia de festa transformou-se em dia de luto. Precisamos saber como enfrentar:

 

 

2.1 A separação das pessoas que amamos.

Por mais dolorosa que seja, a morte é uma realidade e, paradoxalmente, é diante da perda que nosso coração tende a ficar melhor (Ec 7.1-3). Todos nós teremos que conviver com essa certeza até que Jesus a descontinue, pois na eternidade com Cristo não haverá mais cortejos fúnebres nem separações (Ap 21.4). Vale a pena nos manter fiéis a Deus, ainda que com os olhos lacrimejando pelas perdas irreparáveis, pois o nosso choro não pode ser o fim da fé, nem o fim da esperança (1Ts 4.13). O próprio Jesus diante da momentânea perda de Lázaro, embora soubesse que iria ressuscitá-lo, não se conteve e chorou (Jo 11.35-44). Jó não foi o único que enfrentou a perda das pessoas que amava. Muitos neste momento poderão estar com os corações dilacerados pela lacuna deixada por alguém que se foi, mas, assim como Jó, devemos sempre nos manter fiéis, pois aquele que deu a vida tem o direito de reavê-la (1Sm 2.6).

 

 

2.2 A perda de bens materiais.

Ao enfrentar a realidade da perda de seus bens, Jó se apegou às realidades espirituais e, portanto, não titubeou em sua fé (Jó 13.15). Sua fidelidade não repousava sobre o que Deus faz neste ou naquele momento, mas repousava sobre o que Ele é em todos os momentos. Assim, a efemeridade das propriedades terrenas, bem como a durabilidade das realidades espirituais ficam demonstradas no perpassar do livro. Somente um coração centrado em Deus e em Seus princípios, como era o de Jó, poderá suplantar todos os sentimentos de incredulidade em tempos inesperadamente desfavoráveis (Jó 2.21; Hc 3.17-19).

 

 

2.3 A irrefutável realidade das enfermidades.

Não há com o negar que, devido ao pecado, a humanidade está sujeita a todo tipo de males (Gn 3.16-19). Ninguém está livre de ser acometido pelas doenças e enfermidades (Rm 3.23). Todavia, é nessas situações que a verdadeira natureza da fé é aferida (Jó 2.4-6). Como se não bastasse o estado psicológico fragilizado em que estava, Jó agora viu seu estado físico sendo atingido violentamente e sua saúde se esvaindo (Jó 2.7, 8). É no contexto das angústias que se revelará a força ou fraqueza do cristão, se é fiel ou infiel (Pv 24.10). Jó, a despeito de sua dor e sofrimento, sabia que Deus continuava lhe assistindo e defendendo (Jó 16.19). Mesmo nos momentos de maior intensidade de sua dor, Jó permaneceu fiel (Jó 2.10). O livro de Jó nos ensina que o diagnóstico, por mais irrefutável que pareça, não pode contraditar o amor e assistência divina (Sl 46.1).

 

 

3. Como manter-se fiel mesmo ante as instabilidades da vida.

Nem sempre é fácil compreender o agir de Deus, mas o discernimento da Sua Palavra e a convicção de que Deus sempre quer o melhor para nós nos manterão estáveis frente às vicissitudes da vida.

 

 

3.1 Manter as convicções estabelecidas.

Embora a palavra “fé” não apareça no livro de Jó, ela transparece na vida e no comportamento dele ante a crise que se instalara em sua vida (HB 11.1). Suas convicções sobre Deus e Sua bondade não foram estremecidas (Jó 19.23). Jó nos ensina que, onde a sabedoria de Deus se manifesta como incógnita, o único caminho a ser seguido é o da fé (Hb 11.6). Assim, aprendemos que a teologia de um homem influenciará em sua vida, pois as convicções espirituais são as raízes de todas as outras. O que quer que um homem pense sobre Deus e sobre sua fé moldará o seu caráter e delineará o seu destino. Apesar dos pesares, a fé de Jó ancorava em Deus (Jó 13.14-16).

 

 

3.2 Não aplicar a teologia da causa e efeito na vida.

Entende-se pelas Escrituras que o sofrimento tenha como causa primária o pecado, todavia, nem todo sofrimento tem como causa imediata o pecado (Gn 3.15-19); Jo 9.1-3). A teologia da causa e efeito transfere a fixidez do mundo físico para o mundo espiritual. Para muitos, o sofrimento é reflexo da ausência de Deus na vida e, consequentemente, pecado oculto. Essa era a mentalidade teológica de Elifaz, Bildade, Zofar e de Eliú (Jó 4.7, 8; 22.5). A fé de Jó não foi abalada porque ele sabia que tragédias podem acometer também a quem conhece a Deus.

 

 

3.3 Compreender a soberania divina.

Jó não atribui ao Diabo a causa de suas aflições, como muitos costumam fazer. A certeza da soberania divina deu-lhe serenidade para adorá-Lo no dia da perplexidade (Jó 1.20; Hc 3.17, 18). Ele tinha a consciência que a vontade divina, que é soberana, determina a nossa vinda e nossa ida neste curto período de vida (Jó 1.21; Ec 3.2). Não são poucos os que inseridos na adversidade têm dificuldade de conciliar a bondade com a onipotência de Deus. Indagam: “Se Deus é bom e pode todas as coisas, porque estou sofrendo?” C.S. Lewis, em seu livro “O problema do sofrimento”, nos fala como é difícil, ou até mesmo impossível, saber com certeza o que é bom ou mau nesta vida (Is 55.8, 9).

 

 

CONCLUSÃO

 

A simultaneidade de acontecimentos trágicos que sobreveio na vida de Jó não o tornou uma pessoa amarga. Ele foi vítima das incompreensões, sofreu grandes prejuízos e ainda assim não perdeu a amabilidade com o próximo e mostrou-se fiel a Deus (Jó 42.10; 1.22). Todo aquele desencadear de aflições que sucedeu em sua vida serviu-lhe de prova e aperfeiçoamento. Jó saiu da crise mais fortalecido, mais lúcido sobre Deus e sobre si mesmo (Jó 42.5, 6). Mesmo fora das fronteiras da compreensão e do amor fraternal dos parentes, amigos e conhecidos, Jó sabia com quem podia contar: Deus.