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Lições CPAD a vida de Davi 4 trim-2009
Lições CPAD a vida de Davi 4 trim-2009

                                                             Lições Bíblicas CPAD

                                                   Jovens e Adultos

                                                4º Trimestre de 2009

 

Título: Davi - As vitórias e as derrotas de um homem de Deus

Comentarista: José Gonçalves

 

Lição 1: Davi e a sua vocação

Data: 04 de Outubro de 2009

 

TEXTO ÁUREO

 

"Porém, agora, não subsistirá o teu reino; já tem buscado o SENHOR para si um homem segundo o seu coração e já lhe tem ordenado o SENHOR que seja chefe sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o SENHOR te ordenou(1 Sm 13.14).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A vocação de Davi atendeu ao propósito divino de preservar o povo escolhido e a linhagem real do Messias.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Hb 3.1

A vocação celestial e os filhos de Deus

 

 

 

Terça - 2 Tm 1.9

A vocação cristã é santa

 

 

 

Quarta - Tg 1.17

As vocações divinas procedem de Deus

 

 

 

Quinta - 1 Co 7.20-24

Diferentes vocações, um chamado

 

 

 

Sexta - Ef 1.18

A esperança da nossa vocação

 

 

 

Sábado - Fp 3.14

A soberana vocação

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

1 Samuel 16.1,3,10-13.

 

1 - Então, disse o SENHOR a Samuel: Até quando terás dó de Saul, havendo-o eu rejeitado, para que não reine sobre Israel? Enche o teu vaso de azeite e vem; enviar-te-ei a Jessé, o belemita; porque dentre os seus filhos me tenho provido de um rei.

3 - E convidarás Jessé ao sacrifício; e eu te farei saber o que hás de fazer, e ungir-me-ás a quem eu te disser.

10 - Assim, fez passar Jessé os seus sete filhos diante de Samuel; porém Samuel disse a Jessé: O SENHOR não tem escolhido estes.

11 - Disse mais Samuel a Jessé: Acabaram-se os jovens? E disse: Ainda falta o menor, e eis que apascenta as ovelhas. Disse, pois, Samuel a Jessé: Envia e manda-o chamar, porquanto não nos assentaremos em roda da mesa até que ele venha aqui.

12 - Então, mandou em busca dele e o trouxe (e era ruivo, e formoso de semblante, e de boa presença). E disse o SENHOR: Levanta-te e unge-o, porque este mesmo é.

13 - Então, Samuel tomou o vaso do azeite e ungiu-o no meio dos seus irmãos; e, desde aquele dia em diante, o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi. Então, Samuel se levantou e se tornou a Ramá.

 

INTERAÇÃO

 

Prezado professor, inicie a primeira aula deste trimestre apresentando o tema geral das Lições Bíblicas e comente que as treze lições analisam a chamada e os principais desafios enfrentados por um homem que foi pastor, poeta, matador de gigantes, rei e participante da linhagem do Messias. Fale também sobre o comentarista, pastor José Gonçalves - escritor, teólogo, graduado em Filosofia; presidente do Conselho de Doutrina da Convenção Estadual da Assembleia de Deus no Piauí (CEADEP) e vice presidente da Comissão de Apologia da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB). O enriquecimento espiritual que lhe advirá do estudo de cada lição será sentido em todas as áreas de sua vida, e seus alunos participarão dele.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Compreender o que significou a vocação de Davi.
  • Explicar como se deu a chamada do filho de Jessé.
  • Conscientizar-se de que a chamada divina é uma concessão do Eterno.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Professor, explique aos alunos que não era errado Israel desejar um rei, pois Deus já havia mencionado esta possibilidade (Dt 17.14-10). O problema residia no fato de que o povo estava rejeitando o Senhor como seu líder, porque queria ser como as “outras nações”. Deus, em sua misericórdia, ordenou que Samuel cuidadosamente explicasse ao povo os “prós” e “contras” de se ter um rei. Nesta lição, sugerimos que você reproduza a tabela abaixo (onde constam os problemas e as realizações da monarquia), e discuta com os alunos o que significou para Israel ter um rei.

 

 

 

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Palavra Chave

Vocação: Escolha, chamamento, inclinação.

 

Não há dúvida de que a história de Davi é uma das mais belas e instrutivas da Bíblia. Somente ele é denominado nas Escrituras de o homem segundo o coração de Deus (1 Sm 13.14). O motivo dessa consideração deve-se ao fato de que Davi sempre estava disposto a cumprir a vontade do Todo-Poderoso (At 13.22). Para nós, que conhecemos a providência divina, sabemos que Davi surge como um homem escolhido pelo Senhor para cumprimento de seus propósitos.

 

I. AS CIRCUNSTÂNCIAS EM QUE DAVI FOI CHAMADO

 

1. Em meio a uma crise espiritual. De certa forma, a vocação ou o chamado de Davi por parte de Deus externou-se a partir da rejeição de Saul pelo Senhor (1 Sm 13.13,14; 15.26-28). É preciso lembrar-se que, antes de ter um rei, o povo de Israel possuía uma liderança teocrática, formada por juízes escolhidos por Deus, os quais defendiam suas causas (Jz 2.16-19). Não obstante, a vontade de Israel manifestada publicamente naqueles dias (cf. 1 Sm 8.1-22), foi esquivar-se do sistema político da teocracia para se tornar uma monarquia como as nações incrédulas vizinhas (1 Sm 8.1-7, 19-22). A vontade do povo não era apenas a de ter um rei, mas de se tornar "como as outras nações" (v.20). Não era, portanto, apenas por uma simples mudança de regime que o povo estava ansiando, mas por uma troca de governante. Aquela má escolha deixou o profeta Samuel alarmado e triste (1 Sm 8.6).

É nesse contexto que vemos, na história bíblica, surgir Saul (1 Sm 9.1-27), alguém que preenchia os requisitos e as expectativas do povo (1 Sm 8.4-6). Muito cedo em seu governo Saul demonstra não ser um homem disposto a buscar a direção de Deus para dirigir Israel (1 Sm 13). Samuel logo observou ser Saul um rei carnal, fraco, desobediente e sem espiritualidade, e, portanto, desqualificado como líder do povo eleito de Deus (1 Sm 13.14; 15.26-28). O maior problema era que um fracasso iminente do rei significava a derrocada de toda a nação. E isso, infelizmente, não tardou acontecer. Saul assemelhava-se a uma árvore, cujas raízes foram cortadas, permanecendo com sua folhagem verde por algum tempo. E é neste contexto que o Senhor buscou "para si um homem" que lhe agradasse e que se tornaria príncipe sobre o seu povo (1 Sm 13.14). E Davi era esse homem escolhido (1 Sm 16.12,13).

Hoje, assim como naquela época, a obra de Deus sofre, em certos lugares, por desobediência de alguns que chegam a "ensinar" somente por obrigação e vontade humana sem, contudo, ter a aprovação de Deus. Entretanto, não é possível alguém permanecer à frente da obra Deus e ir muito longe se os seus fundamentos espirituais foram derrubados.

2. A gravidade da crise. Diante de uma crise de tal gravidade que se abateu sobre a liderança do povo de Deus, Samuel chorava não somente a queda de Saul, mas também se preocupava com a lacuna gerada por sua rejeição definitiva. Deus, que controla as situações, declarou a Samuel que já havia se provido de um rei (1 Sm 16.1).

Em toda a história bíblica, é possível verificar esta forma de Deus tratar com o seu povo. Durante a peregrinação no deserto, vemos como o Senhor não aceitou a desobediência de Moisés, impedindo sua entrada na Terra Prometida (Nm 20.11,12; Dt 32.51,52). Mesmo não permitindo que Moisés em sua rebeldia continuasse a governar o seu povo e entrasse em Canaã, o Todo-Poderoso não desamparou a sua Tribo Nômade, pois já havia provido outro líder para finalmente introduzi-la na Terra Prometida (Dt 1.37,38).

 

SINOPSE DO TÓPICO (I)

 

A vocação ou o chamado de Davi, por parte de Deus, externou-se a partir da rejeição de Saul pelo Senhor.

 

II. A NATUREZA DA VOCAÇÃO DE DAVI

 

1. Um desígnio divino. No ensino revelado na Palavra de Deus, a vocação divina é um fato declarado e demonstrado entre o povo de Deus. Ele chama a quem quer, quando quer e capacita como quer e para o que quer. Essa verdade é demonstrada na vida do sucessor de Saul. Quando lemos o Salmo 89.20: "Achei a Davi, meu servo; com o meu santo óleo o ungi", vemos claramente que Davi foi escolhido por Deus. Ele foi chamado ou "recebeu uma vocação" da parte do Senhor.

Em um contexto maior, é importante entender que o Messias prometido ao povo de Deus seria um descendente da tribo de Judá e, portanto, Davi é parte direta do cumprimento das promessas divinas a Israel (Is 11.1,2; Jr 23.5,6; At 2.29,30; Rm 1.3). O primeiro versículo do Novo Testamento (Mt 1.1) enuncia o cumprimento desta profecia messiânica. No último livro da Bíblia, o próprio Senhor Jesus, o Messias prometido declara: "[...] Eu sou a Raiz e a Geração de Davi" (Ap 22.16). Tais textos são uma evidência do cumprimento da Aliança Davídica: "Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será firme para sempre" (2 Sm 7.16).

2. A resposta humana. Um dos princípios da vocação divina é a soberania de Deus (1 Cr 28.4,5). Todavia, isso não significa que o Eterno não leve em conta a responsabilidade humana na realização de seus propósitos (1 Cr 28.6,7).

Saul subiu ao trono em resposta à pretensão do povo (1 Sm 8.4-6), que, após ouvir a "descrição" divina do perfil do rei (1 Sm 8.9-18), respondeu categoricamente: "Não, mas haverá sobre nós um rei. E nós também seremos como todas as outras nações; e o nosso rei nos julgará, e sairá adiante de nós, e fará as nossas guerras" (vv.19b,20). Assim, de acordo com o discurso do apóstolo Paulo na sinagoga de Antioquia, o Eterno deu Saul em resposta ao injusto clamor do povo e segundo o que eles idealizaram (At 13.21). Em seguida, Paulo declara que Deus "levantou como rei a Davi" (At 13.22). Enquanto Davi foi levantado em decorrência da vontade divina (1 Sm 13.13; 15.26-28; 16.1), Saul foi dado por Deus segundo o desejo de Israel de ter alguém com o perfil desse rei (1 Sm 9.14-20; 10.17-27).

Isso mostra que a escolha divina de homens para o seu serviço leva também em conta a liberdade humana e não a invalida. Saul não estava predestinado ao fracasso (1 Sm 13.13), tampouco Davi estava destinado ao sucesso continuamente (1 Rs 11.38). Contrastando a vida de ambos, observamos que os dois foram ungidos da parte de Deus por Samuel sob iguais condições de conduzirem o reino de Israel. Mas a forma como cada um procedeu ante a esse chamado foi muito diferente.

 

SINOPSE DO TÓPICO (II)

 

Um dos princípios da vocação divina é a soberania de Deus. Todavia, isso não significa que o Eterno não leve em conta a responsabilidade humana na realização de seus propósitos.

 

III. O PROPÓSITO DA VOCAÇÃO DE DAVI

 

1. Abençoar a nação judaica. Para entendermos o contexto da chamada de Davi, devemos levar em conta o caráter profético da nação hebraica: "Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes o meu concerto, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha" (Êx 19.5). Apesar de estar atualmente sob provação divina e temporária por causa de sua incredulidade, Israel continua a ser uma nação profética (Rm 11.15-26). Deus escolheu Israel dentre os demais povos para que, através desta nação, tivesse lugar o seu maravilhoso plano de salvação para a humanidade inteira. Davi estava consciente disso ao exclamar: "E quem há como o teu povo, como Israel, gente única na terra, a quem Deus foi resgatar para seu povo?" (2 Sm 7.23a). Sob a Nova Aliança feita pelo sangue precioso do Filho de Deus (Lc 22.20), o Pai também tem um propósito especial com a sua Igreja, chamada de "Israel de Deus" (Gl 6.16; 1 Pe 2.9,10).

2. Abençoar a humanidade. Davi foi uma bênção para o seu povo porque estabeleceu um poderoso reino firmado em Deus e também deixou uma imensa riqueza espiritual e cultural, contida nos seus muitos maravilhosos Salmos (2 Sm 23.1,2). Além de rei de Israel, Davi foi também profeta de Deus (At 2.29,30; 2 Sm 23.2). Cristo Jesus, o legítimo herdeiro de Davi, abençoaria a humanidade com o seu reinado e domínio em todos os sentidos (Lc 1.32). Ele é Rei e brevemente reinará em dimensões nunca conhecidas entre os homens (Jr 23.5,6).

 

SINOPSE DO TÓPICO (III)

 

A vocação de Davi abrangia não somente a nação judaica, mas também a humanidade inteira, uma vez que Deus escolheu Israel dentre os demais povos, a fim de que por meio dele realizasse o seu maravilhoso plano de salvação.

 

CONCLUSÃO

 

Vimos, pois, que a vocação de Davi fez parte da vontade de Deus, que na sua soberania e presciência escolhe a quem quer para a realização dos seus desígnios. Nada está fora do seu controle e nada acontece sem a sua permissão. Mesmo em meio às crises e reveses da vida, Ele continua sendo Senhor da história.

 

REFLEXÃO

 

"A Igreja é beneficiária das recompensas espirituais da Nova Aliança".Thomas Ice

 

VOCABULÁRIO

 

Nova Aliança: Ou Novo Testamento é o pacto que Deus estabeleceu com a humanidade mediante o sangue de Cristo vertido no Calvário (1 Co 11.25).

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

PURKISER, W. T. Comentário Bíblico Beacon. Vol. 2: Josué a Ester. RJ: CPAD, 2005.

LAHAYE, T. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. RJ: CPAD, 2008.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Qual foi a verdadeira intenção dos israelitas ao pedirem um rei ao Senhor?

R. A vontade do povo de Israel era esquivar-se de ser uma teocracia para se tornar uma monarquia como as nações incrédulas vizinhas. A vontade do povo não era apenas a de ter um rei, mas de se tornar "como as outras nações".

 

2. Qual a causa primária da rejeição de Saul?

R. A causa primária da rejeição de Saul foi a sua desobediência (1 Sm 13.15).

 

3. Qual a natureza da vocação de Davi?

R. A natureza da vocação de Davi é divina, uma vez que o Messias prometido ao povo de Deus seria um descendente da tribo de Judá e, portanto, de Davi.

 

4. Qual é o princípio da vocação divina?

R. É a soberania de Deus.

 

5. De que modo a vocação de Davi foi uma bênção para toda a humanidade?

R. Porque Cristo Jesus, o legítimo herdeiro de Davi, abençoaria a humanidade com o seu reinado e domínio em todos os sentidos.

 

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

 

Subsídio Escatológico

 

"A Aliança Davídica

A segunda aliança incondicional entre Deus e Israel foi mais especificamente firmada com Davi. Ela está registrada em 2 Samuel 7.1-16. Esta aliança pormenoriza a questão da 'semente' na aliança abraâmica. O Senhor prometeu estabelecer o reinado, o lar e o trono de Davi para sempre (2 Sm 7.12-16). Estas três palavras ('reino', 'casa' e 'trono') dizem respeito ao futuro político de Israel. Nesta aliança, Deus promete de forma clara tornar Israel politicamente independente para sempre. Ela garante a proteção de Israel como um povo e, com o tempo, como uma nação. Deus haverá de cumprir essa promessa no reinado do Messias, quando o Senhor Jesus Cristo, como o grande Filho de Davi, governar no trono de Davi. Isso ainda não aconteceu, mas indica o futuro de Israel como uma nação (Ez 36.1-12; Mq 4.1-5; Zc 14.1-21). Deixar de enxergar o futuro de Israel como algo especial e exclusivo que Deus preparou para seu próprio povo equivaleria a chamar o Criador de mentiroso e seria o mesmo que considerá-Lo infiel em suas palavras. Estas promessas e profecias claramente mostram que: (1) Israel jamais possuiu toda a terra prometida por Deus; (2) Deus prometeu não mudar o seu propósito; (3) Deus admitiu que Israel seria disperso por entre as nações; (4) Deus traria o seu povo de volta para sua terra e os reuniria como uma nação; e (5) Israel, no futuro, servirá ao Senhor sob o domínio do Messias na Terra Prometida".

(LAHAYE, T. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. RJ: CPAD, 2008, p.34).

 

APLICAÇÃO PESSOAL

 

"Quando Jessé chamou o seu filho mais velho, Eliabe, Samuel pensou que certamente o jovem alto de postura nobre fosse o ungido do Senhor. Mas a ele foi recordado que o Senhor não vê como vê o homem. [...] Esta é uma observação importante que devemos recordar, porque somos rápidos para julgar pelas aparências, quando elas podem ser muito esmagadoras. Depois que a mesma coisa já havia acontecido com sete dos filhos de Jessé, Samuel perguntou: Acabaram-se os jovens? (11). Ainda havia o menor, e eis que apascenta as ovelhas - uma tarefa servil designada ao filho menos importante ou aos empregados do dono da casa. Davi foi chamado, e quando chegou, viu-se que era ruivo, e formoso de semblante (em hebraico "bonito aos olhos").

'O que Deus observa' é visto tanto negativa como positivamente em 1 Samuel 16.6-13. [...] O Senhor não procura: (1) semblantes formosos, 7; (2) estatura física, 7; (3) idade ou maturidade, 11; (4) condição ou posição, 11. O Senhor olha para o coração, 7; e derrama o seu Espírito sobre aqueles que Ele aceita, 13".

(Comentário Bíblico Beacon. Vol. 2: Josué a Ester. RJ: CPAD, 2005, p.208).

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

4º Trimestre de 2009

 

Título: Davi - As vitórias e as derrotas de um homem de Deus

Comentarista: José Gonçalves

 

 

 

Lição 2: Davi enfrenta e vence o gigante

Data: 11 de Outubro de 2009

 

TEXTO ÁUREO

 

"Davi, porém, disse ao filisteu: Tu vens a mim com espada, e com lança, e com escudo; porém eu vou a ti em nome do SENHOR dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado(1 Sm 17.45).

 

VERDADE PRÁTICA

 

O desafio de Davi a Golias, o gigante filisteu, representa a luta espiritual que o crente trava com o mundo, a carne e o Diabo.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - 2 Co 10.4

Armas espirituais poderosas

 

 

 

Terça - Ef 6.17

A espada do Espírito

 

 

 

Quarta - Rm 13.12

Armas espirituais da luz

 

 

 

Quinta - Ef 6.13-17

A armadura de Deus

 

 

 

Sexta - Sl 41.2

A proteção divina em meio à batalha

 

 

 

Sábado - Rm 8.37

Mais que vencedores

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

1 Samuel 17.43-49.

 

43 - Disse, pois, o filisteu a Davi: Sou eu algum cão, para tu vires a mim com paus? E o filisteu amaldiçoou a Davi, pelos seus deuses.

44 - Disse mais o filisteu a Davi: Vem a mim, e darei a tua carne às aves do céu e às bestas do campo.

45 - Davi, porém, disse ao filisteu: Tu vens a mim com espada, e com lança, e com escudo; porém eu vou a ti em nome do SENHOR dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado.

46 - Hoje mesmo o SENHOR te entregará na minha mão; e ferir-te-ei, e te tirarei a cabeça, e os corpos do arraial dos filisteus darei hoje mesmo às aves do céu e às bestas da terra; e toda a terra saberá que há Deus em Israel.

47 - E saberá toda esta congregação que o SENHOR salva, não com espada, nem com lança; porque do SENHOR é a guerra, e ele vos entregará na nossa mão.

48 - E sucedeu que, levantando-se o filisteu e indo encontrar-se com Davi, apressou-se Davi e correu ao combate, a encontrar-se com o filisteu.

49 - E Davi meteu a mão no alforje, e tomou dali uma pedra, e com a funda lha atirou, e feriu o filisteu na testa; e a pedra se lhe cravou na testa, e caiu sobre o seu rosto em terra.

 

INTERAÇÃO

 

Professor, nesta lição, você ensinará a respeito da peleja entre Golias e o jovem Davi. No decorrer da semana, leia o texto bíblico com atenção e medite a respeito da coragem do jovem Davi.

Em classe, pergunte aos seus alunos: "O que é ter coragem?" "Coragem significa ausência de medo?" Depois de ouvi-los, explique que ter coragem não significa ausência de medo; mas sim fazer o que for preciso, apesar do medo. A fé que Davi depositava em Deus lhe proporcionou coragem para aceitar o desafio naquele momento - enfrentar o gigante em nome do Senhor dos Exércitos. Davi recebeu de Deus força, estratégia e coragem para a realização daquela difícil tarefa.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Entender o contexto do conflito entre Davi e Golias.
  • Associar o desafio de Davi a Golias, à luta espiritual que o crente trava com o mundo, a carne e o Diabo.
  • Conscientizar-se de que, assim como Davi, devemos resistir o Inimigo e vencê-lo por Cristo.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Professor, para a aula de hoje, sugerimos que o gráfico abaixo seja reproduzido em uma cartolina, pois ele poderá ser utilizado durante todo o trimestre. Ao usá-lo, explique aos seus alunos que, embora Davi fosse "um homem segundo o coração de Deus", enfrentou muitas tribulações. Ele teve que derrubar muitos "gigantes" e vivenciou experiências boas e ruins, no entanto, sempre manteve uma fé inabalável no Senhor dos Exércitos.

 

 

 

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Palavra Chave

Vitória: Ato de vencer o inimigo em uma guerra; triunfo brilhante em qualquer campo de ação.

 

Quem lê o capítulo 17 de 1 Samuel, principalmente os versículos 31 a 50, observa que Davi, ao enfrentar o gigante filisteu, estava cônscio de que aquele combate não era somente físico, mas também espiritual. Todo crente fiel enfrenta essa luta contra os poderes do inferno (Mt 16.18; Ef 6.10-18). A vitória de Davi sobre Golias aponta para a nossa vitória diária na vida cristã através do Filho de Davi, Jesus Cristo, que venceu por nós (2 Co 2.14; Rm 8.37).

 

I. OS INIMIGOS DO POVO DE DEUS

 

1. Inimigos numerosos. Os filisteus eram um povo aguerrido, que habitava a planície da costa do Mar Mediterrâneo, desde Jope até o sul de Gaza. Na Bíblia, o país é chamado de Filístia (Sl 87.4), que originou os termos Palestina e palestino. Em Gênesis 10, a Bíblia registra a origem desse povo gentílico (vv.13,14). Em Josué 13.3, está a menção das suas cinco grandes cidades: Gaza, Asdode, Asquelom, Gate e Ecrom. Golias, o guerreiro gigante que desafiou os israelitas, era de Gate (1 Sm 17.4).

O livro de Samuel nos dá a dimensão da grandeza numérica desse povo: "E os filisteus se ajuntaram para pelejar contra Israel: trinta mil carros, e seis mil cavaleiros, e povo em multidão como a areia que está à borda do mar; e subiram e se acamparam em Micmás, ao oriente de Bete-Áven" (1 Sm 13.5). Os inimigos de Israel eram de fato numerosos. Na história se observará que os fiéis a Deus, às vezes, parecem estar em desvantagem pessoal, material, posicional, comunicativa, etc., mas a Palavra do Senhor acerca deles permanece de pé: "Não temas, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o Reino" (Lc 12.32).

2. Inimigos poderosos. De acordo com 1 Samuel 13.20, "todo o Israel tinha que descer aos filisteus para amolar cada um a sua relha, e a sua enxada, e o seu machado, e o seu sacho”. Os filisteus dominavam a técnica que permitia instrumentalizar o ferro. Já Israel era mais um povo agrícola, pastoril. O livro de Juízes, do qual 1 Samuel é uma sequência, relata o desvio espiritual de Israel como povo de Deus (Jz 17.6; 21.25). Israel colheu a má semeadura disso ao ser atormentado pelos filisteus (1 Sm 4.2,10; 7.3). Parecia impossível Israel vencer o seu potente inimigo, mas nas palavras de fé de Davi, temos a devida resposta: “E saberá toda esta congregação que o senhor salva, não com espada, nem com lança; porque do senhor é a guerra, e ele vos entregará na nossa mão” (1 Sm 17.47). Somente a provisão divina pode explicar isso!

 

SINOPSE DO TÓPICO (I)

 

A vitória de Israel sobre seu potente inimigo só foi possível mediante a confiança de Davi em Deus.

 

II. O INIMIGO DE DAVI

 

1. Amedrontava por seu tamanho. A Bíblia descreve a estatura de Golias com os seguintes detalhes: "Então, saiu do arraial dos filisteus um homem guerreiro, cujo nome era Golias, de Gate, que tinha de altura seis côvados e um palmo" (1 Sm 17.4). Golias impressionava por sua grande estatura. Pelo nosso sistema atual de pesos e medidas, isso corresponde a quase 3 metros de altura. Tal informação não é de causar espanto, pois a arqueologia tem descoberto, no Antigo Oriente, esqueletos de gigantes que confirmam o relato bíblico. Aliás, o registro bíblico apresenta outras menções de homens gigantes (Gn 6.4 ; Dt 2.10,20,21; 3.11).

Golias, confiante em sua grande estatura, desafiou e amedrontou o exército de Israel por quarenta dias (1 Sm 17.11,16). Como o gigante, muitos hoje confiam tão somente em sua "estatura" (em vários sentidos), sem cogitarem que sua derrubada está próxima.

O contraste era grande: de um lado um homem guerreiro e campeão, que amedrontava por sua experiência e seu tamanho; do outro, um jovem do campo, pastor de ovelhas (1 Sm 16.11), mas que demonstrou coragem e responsabilidade no cuidado com o rebanho de seu pai (1 Sm 17.34-37). A diferença física entre os dois era muito grande, tanto que aos olhos do gigante Davi era desprezível: "E, olhando o filisteu e vendo a Davi, o desprezou" (1 Sm 17.42). O homem de Deus pode ser depreciado, ignorado e humilhado, mas, se ele é temente ao Senhor, santo, fiel, perseverante e humilde de espírito, sabe que o Todo-Poderoso lhe dará a vitoria final. Apesar de sua zombaria, Golias não sabia que, a despeito de ser novo, aquele moço possuía as qualidades mencionadas em 1 Samuel 16.18: talento musical, coragem, prudência no falar, boa aparência e, o mais importante, tinha comunhão com Deus.

2. Amedrontava por suas armas e discurso persistente. Golias e seu armamento causavam medo a qualquer um. O texto sagrado, ao falar das armas de Golias, registra: "Trazia na cabeça um capacete de bronze e vestia uma couraça de escamas; e era o peso da couraça de cinco mil siclos de bronze. E trazia grevas de bronze por cima de seus pés e um escudo de bronze entre os seus ombros. E a haste da sua lança era como eixo de tecelão, e o ferro da sua lança, de seiscentos siclos de ferro; e diante dele ia o escudeiro" (1 Sm 17.5-7). Imagine Davi desafiando essa fortaleza móvel, com tantas armas, tendo apenas um cajado, uma funda, cinco pedras do ribeiro e uma pequena sacola!

Golias procurava amedrontar o acampamento israelita com seus persistentes discursos que afrontavam o Deus de Israel. A Escritura registra que o gigante desafiava Israel pela manhã e pela tarde, e isso durou um longo período (1 Sm 17.16,23). É evidente que essa era uma forma de impor medo e manter o exército de Israel sob constante pressão. Essa mesma tática o Diabo repetiu ao tentar Cristo por quarenta dias, e, sendo derrotado, afastou-se até o momento oportuno (Lc 4.13). Assim como Davi, nós devemos resisti-lo e vencê-lo por Cristo (Tg 4.7).

 

SINOPSE DO TÓPICO (II)

 

O inimigo de Davi era assustador por causa de seu tamanho, armas e discurso, entretanto, foi derrotado por confiar em sua própria força.

 

III. A VITÓRIA DE DAVI

 

1. Davi venceu porque estava sob a direção e autoridade de Deus. Nos dias do patriarca Abraão, Deus firmou uma aliança com ele (Gn 12.1-3; 17.1-11). Essa aliança, o Senhor a confirmou com os descendentes de Abraão: Isaque (Gn 26.3,4) e Jacó (Gn 28.13,14). Herdeiro dessas alianças de Deus com seu povo, Davi sabia que estava sob a proteção do Senhor (2 Sm 7.15,16). Assim, a indignação de Davi não consistia meramente no fato de que Golias estava desafiando os soldados do exército do Povo Escolhido, mas o próprio Deus dos Exércitos de Israel (1 Sm 17.45). O homem segundo o coração de Deus estava convicto de que, assim como havia um exército humano comandado por Saul, existia um exército celestial comandado pelo Senhor!

Na realidade, a vitória de Davi está diretamente relacionada à autoridade espiritual da qual ele estava investido. Ele não lutava em seu próprio nome, mas no nome do Deus de Israel que estava sendo afrontado (1 Sm 17.45). A Bíblia declara que "as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas" (2 Co 10.4). Tal como Davi, o crente é um soldado cristão e jamais deve esquecer que não está lutando contra o sangue e a carne, mas contra os principados e potestades (Ef 6.12), e que, por isso, deve estar sempre revestido de toda a armadura de Deus (Ef 6.11).

2. Davi venceu porque teve fé e confiança em Deus. Quando Saul quis saber como o jovem Davi poderia enfrentar o gigante, ele relatou que já havia matado um leão e um urso, que tinham atacado o seu rebanho (1 Sm 17.34-37). Se ele pôde destruir aqueles animais ferozes, da mesma forma poderia derrotar o gigante filisteu. Quem tem fé e confiança no Senhor costuma ver as coisas por outro ângulo, e foi o que Davi demonstrou ali. Sua confiança em Deus era tão grande e evidente, que logo convenceu tanto Saul como o comandante do seu exército. Só Deus faz estas coisas. Não é sem razão que Davi é um dos componentes da galeria dos heróis da fé (Hb 11.32).

Sempre que a fé está presente, as leis da lógica formal são anuladas. A fé em Deus faz o menor vencer o maior; uma guerra ser vencida sem luta (2 Cr 20.17); a fraqueza virar força (Hb 11.34); e a alegria prevalecer no sofrimento, pois a fé pode crer mesmo contra a esperança (Rm 4.18); ela contempla como existentes coisas que ainda não existem (Hb 11.1). Davi estava tomado por essa fé em Deus, por isso, derrotou o gigante filisteu.

 

SINOPSE DO TÓPICO (III)

 

Davi venceu o gigante filisteu porque estava sob a direção e autoridade divinas e teve fé e confiança em Deus.

 

CONCLUSÃO

 

A vitória de Davi sobre Golias é sem dúvida alguma um grande divisor de águas na história da nação hebraica. De um simples e pequeno pastor desconhecido, Davi passa a ser uma figura-chave na construção da monarquia de Israel. Tudo isso graças à sua coragem e fé ousada na ocasião em que não temeu o enfrentamento com um inimigo aparentemente invencível. Fica para nós a lição de que nenhum gigante é imbatível, quando o combatemos confiando plenamente no Senhor.

 

REFLEXÃO

 

"Pela oração, adoração e prática da fé, treinamos para a missão que Deus coloca diante de nós". Michael Kendrick

 

VOCABULÁRIO

 

Leis da lógica formal: Na tradição clássica, o estudo das formas (juízos, conceitos e raciocínios), e leis do pensamento.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

PFEIFFER, C. F. Dicionário Bíblico Wycliffe. RJ: CPAD, 2006.

PURKISER, W. T. Comentário Bíblico Beacon. Vol. 2. RJ: CPAD, 2005.

GONÇALVES, J. Por Que Caem os Valentes? RJ: CPAD, 2006.

 

EXERCÍCIOS

 

1. De acordo com a lição, o que aponta a vitória de Davi sobre Golias?

R. A vitória de Davi sobre Golias aponta para a nossa vitória diária na vida cristã através do Filho de Davi, Jesus Cristo, que venceu por nós.

 

2. Faça um breve resumo a respeito dos filisteus.

R. Os filisteus era um povo aguerrido que habitava a planície da costa do Mar Mediterrâneo, desde Jope até o sul de Gaza, e dominavam a técnica que permitia instrumentalizar o ferro.

 

3. Descreva, de modo resumido, o contraste entre Davi e Golias.

R. O contraste era grande: de um lado um homem guerreiro e campeão, que amedrontava por sua experiência e seu tamanho; do outro um jovem do campo, pastor de ovelhas, mas que demonstrou coragem e responsabilidade no cuidado com o rebanho de seu pai. A diferença física entre os dois era muito grande, tanto que, aos olhos do gigante, Davi era desprezível.

 

4. Por quanto tempo Golias afrontou o exército de Israel? Qual era seu objetivo ao adotar tal estratégia?

R. Por um longo período. O objetivo era impor medo e manter o exército de Israel sob constante pressão.

 

5. O que fez com que Davi vencesse Golias?

R. Sua fé e confiança em Deus.

 

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

 

Subsídio Biográfico

 

Golias: Golias era um descendente dos refains, um povo alto e aborígene que vivia na região de Amom, na Transjordânia, dos quais um grupo reduzido refugiou-se com os filisteus depois da sua dispersão pelos amonitas (Dt 2.20,21), ou era descendente dos anaquins (q.v.; cf. Nm 13.33; Js 11.22), conhecidos por sua elevada estatura. A LXX (1 Sm 17.4) e Josefo dizem que ele media quatro côvados e um palmo, ou seja, dois metros e vinte centímetros, ao passo que o texto hebraico afirma que ele media seis côvados e um palmo, ou seja, praticamente três metros e vinte centímetros de altura. [...] A literatura rabínica registra muitas lendas sobre Golias. De acordo com elas, sua mãe era Orfa (cf. Rt 1.14), que caminhou 40 passos (aprox. 30 metros) com Noemi e Rute, e então voltou para uma vida libertina em Moabe. Golias foi seu filho ilegítimo. Ele orgulhava-se de ter assassinado os dois filhos de Eli (1 Sm 4.11), e de ter roubado a Arca de Israel (1 Sm 4.17). Os quarenta dias do seu desafio ao exército de Israel (1 Sm 17.4-10) comparam-se aos 40 passos de sua mãe, Orfa, e ocorreram na época em que recitavam o Shema! [...] O lugar onde Golias encontrou a morte foi o vale de Elá (ou vale do Carvalho, 1 Sm 17.2), entre Socó e Azeca, nas terras da tribo de Judá. Os israelitas, sob o comando do rei Saul, estavam acampados na encosta norte do vale de Elá, e os filisteus estavam entrincheirados na encosta oposta. Um vale estreito, por onde passava um riacho, que separava os dois exércitos”.

(Dicionário Bíblico Wycliffe. RJ: CPAD, 2006, p.873).

 

APLICAÇÃO PESSOAL

 

Através da passagem bíblica que serve de tema à aula deste domingo, aprendemos que o povo de Israel estava sendo afrontado por um incircunciso filisteu. Todos estavam acuados, paralisados diante das afrontas do inimigo. Os israelitas pareciam ter se esquecido do poder e dos muitos livramentos que o Altíssimo já havia lhes concedido. Entretanto, Deus os via, importava-se com o que estava acontecendo e estava trabalhando em favor deles, enviando-lhes um "homem segundo o seu coração" para ajudá-los.

Que momentos difíceis você está atravessando? Qual "gigante" tem se levantado sobre sua vida antes tão tranquila? Que peleja você está travando? Você tem a sensação de estar sozinho? Acredite: Deus está contemplando a sua luta e agindo em seu favor, ainda que você não o perceba. Como um Pai amoroso e misericordioso, Ele sempre ouve o nosso clamor. Mais um pouco, e logo você verá o "gigante" caindo a sua frente. E todos saberão que "o SENHOR salva, não com espada, nem com lança; porque do SENHOR é a guerra" (1 Sm 17.47).

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

4º Trimestre de 2009

 

Título: Davi - As vitórias e as derrotas de um homem de Deus

Comentarista: José Gonçalves

 

 

 

Lição 3: Davi na corte real - Vivendo com sabedoria

Data: 18 de Outubro de 2009

 

TEXTO ÁUREO

 

"E saía Davi aonde quer que Saul o enviava e conduzia-se com prudência; e Saul o pôs sobre a gente de guerra, e era aceito aos olhos de todo o povo e até aos olhos dos servos de Saul(1 Sm 18.5).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Deus deu a Davi unção, bem como prestígio diante de Israel, e ele se conduziu com prudência na presença de seus líderes e auxiliares.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Pv 14.15

Davi, um homem prudente

 

 

 

Terça - Pv 18.15

Davi, um homem sábio

 

 

 

Quarta - Os 14.9

Davi, um homem de discernimento

 

 

 

Quinta - Jó 28.28

Davi, um homem temente a Deus

 

 

 

Sexta - Pv 3.13

Davi, um homem bem-aventurado

 

 

 

Sábado - Pv 10.19

Davi, um homem de lábios moderados

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

1 Samuel 16.18; 18.2-5,13,14.

 

1 Samuel 16

18 - Então, respondeu um dos jovens e disse: Eis que tenho visto um filho de Jessé, o belemita, que sabe tocar e é valente, e animoso, e homem de guerra, e sisudo em palavras, e de gentil presença; o SENHOR é com ele.

 

1 Samuel 18

2 - E Saul, naquele dia, o tomou e não lhe permitiu que tornasse para casa de seu pai.

3 - E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma.

4 - E Jônatas se despojou da capa que trazia sobre si e a deu a Davi, como também as suas vestes, até a sua espada, e o seu arco, e o seu cinto.

5 - E saía Davi aonde quer que Saul o enviava e conduzia-se com prudência; e Saul o pôs sobre a gente de guerra, e era aceito aos olhos de todo o povo e até aos olhos dos servos de Saul.

13 - Pelo que Saul o desviou de si e o pôs por chefe de mil; e saía e entrava diante do povo.

14 - E Davi se conduzia com prudência em todos os seus caminhos, e o SENHOR era com ele.

 

INTERAÇÃO

 

Inicie a aula pedindo aos alunos para citarem algumas qualidades do caráter de Davi. À medida que forem mencionando, relacione-as no quadro-de-giz. Depois de ouvi-los com atenção, explique que as características do caráter de Davi revelam que ele era um homem consciente de suas limitações, vigilante e que amava a Deus acima de todas as coisas.

Ressalte o fato de que Davi era prudente em sua conduta e sabia se conduzir no meio de príncipes, do exército e do povo em geral. Embora tenha passado sua infância e juventude no campo cuidando de ovelhas, Davi soube como ninguém construir uma forte rede de relacionamentos. Portanto, enfatize a importância de se estabelecer bons relacionamentos.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Descrever as principais qualidades e virtudes de Davi.
  • Identificar a razão do carisma de Davi diante de Jônatas, do povo e dos servos de Saul.
  • Reconhecer a habilidade de Davi para administrar conflitos.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Professor, para esta aula, sugerimos que o quadro abaixo seja reproduzido de alguma forma (cartolina, slide para o PowerPoint, etc.). Explique aos seus alunos que Davi, ao longo de sua vida, desempenhou várias atividades no campo, no exército, em família e no palácio. Como homem, e na posição de líder ungido pelo Senhor, cometeu erros e acertos, no entanto, as características de seu caráter revelam que ele era prudente, moderado, precavido e cauteloso em suas atitudes. Explique aos alunos que a prudência é uma virtude que toda pessoa deve desenvolver.

 

 

 

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Palavra Chave

Prudência: Qualidade de quem age com moderação, comedimento, buscando evitar tudo o que acredita ser fonte de erro.

 

Mesmo antes de derrotar Golias, Davi já era um jovem talentoso e temente a Deus (1 Sm 16.18). Todavia, após sua vitória esmagadora sobre Golias e, consequentemente, sobre o exército filisteu, Davi tornou-se o centro das atenções, tanto da tropa israelita como do povo em geral. Essa notoriedade trouxe novos desafios para o filho de Jessé, porém, o mais importante foi o seu proceder com sabedoria e discernimento na administração dos conflitos advindos dessa nova situação. A admiração e o respeito do povo motivaram a inveja do rei, que passa a considerar o novo herói nacional seu rival e inimigo. O mesmo ocorre hoje na obra de Deus, gerando situações difíceis, acusações injustas, ameaças, obstáculos e prejuízos à Igreja.

 

I. AS QUALIDADES E VIRTUDES DE DAVI

 

1. Um homem talentoso. Como já vimos, Davi, mesmo antes de vencer o gigante Golias, já era possuidor de virtudes, habilidades e qualidades que lhe permitiriam conduzir-se prudentemente na corte real. Quando os servos de Saul solicitaram um músico para tocar para o rei em suas crises espirituais, um deles demonstrou conhecer a pessoa ideal: “Eis que tenho visto um filho de Jessé, o belemita, que sabe tocar e é valente, e animoso, e homem de guerra, e sisudo em palavras, e de gentil presença; o SENHOR é com ele” (1 Sm 16.18b).

É oportuno lembrar que nesse tempo o Espírito do Senhor já havia se retirado de Saul, e um espírito maligno o oprimia (1 Sm 16.14,15,23). Seus passos seguintes foram tenebrosos, pois consultou uma feiticeira (1 Sm 28.7) e cometeu suicídio (1 Sm 31.4,5).

2. Um homem com muitas habilidades. Algumas virtudes, habilidades e qualidades de Davi são imprescindíveis à igreja nos dias atuais:

a) Músico. Davi sabia tocar magistralmente. Era exímio músico e poeta, e isso muito contribuía para ser ele um homem espiritual, metódico, organizado e sensível às questões divinas. Basta lermos seus muitos Salmos para constatarmos essa realidade. É altamente importante para a Igreja de Deus e para a vida cristã de cada um a verdadeira música evangélica, a “música de Deus” (1 Cr 16.41,42); música inspirada pelo Senhor e bem executada (Sl 33.3); música espiritual que ensina e edifica (Cl 3.16).

b) Forte. Os livros de 1 e 2 Samuel; 1 Crônicas e Salmos registram os feitos corajosos, resolutos, decisivos e vitoriosos de Davi. Neles vemos um homem de fé, oração, justo, temente a Deus e perseverante, como no caso registrado em 1 Crônicas 14.8-17.

c) Valente. Davi, por confiar inteiramente no Senhor, era um homem destemido em seu desempenho como rei de Israel. Ele demonstrou coragem, habilidade e eficiência antes de ocupar o trono e depois, quando nele assentou-se.

d) Homem de guerra. Infelizmente as guerras com os seus incontáveis sofrimentos e consequências vêm dos primórdios da humanidade, a partir do momento em que o pecado nela entrou (Gn 3; Pv 6.14; Tg 4.1,2). Vemos Caim matando seu irmão Abel (Gn 4.8) e, a partir daí, a Bíblia registra muitas guerras, basta ler Gênesis 14.1-17, bem como grande parte do Antigo Testamento.

e) Sisudo em palavras. O renomado comentarista bíblico John Gill declarou que Davi era um homem “prudente em seus assuntos; nas suas falas e conversas; na conduta e comportamento; e que sabia se conduzir, até mesmo na corte real”.

f) Boa aparência. A boa, cuidada e equilibrada aparência e compostura de uma pessoa influencia a visão das demais a respeito dela. Aliás, a aparência é algo tão marcante que, se não fosse Deus, Samuel ungiria a pessoa errada (1 Sm 16.6,7). Quando Saul ascendeu ao trono, sua aparência, inclusive seus traços físicos, foram logo percebidos e mencionados pelo povo (1 Sm 9.2; 10.23). Convém dizer que o que agradou ao Senhor ao escolher Davi foi o seu interior (1 Sm 16.7), e não a sua imagem externa. Vemos aqui um princípio a que a igreja deve estar atenta ao avaliar alguém como homem de Deus, ou não, somente pelo que vê ou ouve.

g) O Senhor era com ele. Davi era piedoso, um homem temente a Deus. A piedade aparece na vida do filho de Jessé como uma virtude que deve ser imitada (1 Tm 4.8; 6.11). O Eterno era tudo para Davi (Sl 18.2), e isso fez toda a diferença em sua vida. Sua inteira e voluntária submissão ao Senhor fez dele o maior monarca da história bíblica.

 

SINOPSE DO TÓPICO (I)

 

Davi possuía muitas virtudes e qualidades, tais como: exímio músico, corajoso, valente, prudente, de boa aparência, destemido, piedoso e temente a Deus.

 

II. O TALENTO DE DAVI NA CORTE

 

1. Davi como escudeiro do rei. Antes de chegar a ser o escudeiro do rei Saul, o jovem Davi era um simples camponês, trabalhando como pastor das ovelhas de seu pai (1 Sm 17.15), e tinha a habilidade de tocar instrumentos de cordas (1 Sm 16.18). Na corte, Davi era praticamente um desconhecido (1 Sm 17.55,56).

O homem segundo o coração de Deus obteve êxito desde o princípio e em todo lugar, porque foi alguém que sempre cultivou em seu espírito a humildade de aprender e de começar de baixo. Quem quer chegar aonde Davi chegou, deve saber se portar, agir com humildade e estar sempre pronto a aprender.

2. Como comandante das tropas. Até o seu desafio a Golias, Davi era um aprendiz na casa real (1 Sm 16.21). Todavia, essa situação mudou drasticamente graças à sua estupenda vitória sobre Golias, o filisteu de Gate. De um simples músico e escudeiro-aprendiz, Davi foi promovido a comandante de tropas (1 Sm 18.5).

Davi, por ser fiel e amar ao Senhor e à sua Palavra, soube se conduzir como iniciante e também portar-se numa posição elevada e de autoridade. Em ambos os casos, Davi estava instruído a como se conduzir: quando era dirigido como subordinado e quando dirigia como chefe. Não é difícil executar tarefas mais difíceis, extensas e complexas quando se aprende bem a fazer as mais simples, buscando ao Senhor, o divino Mestre, que tudo conhece.

 

SINOPSE DO TÓPICO (II)

 

O homem segundo o coração de Deus obteve êxito desde o princípio e em todo lugar porque foi alguém que sempre cultivou em seu espírito a humildade de aprender e de começar de baixo.

 

III. O CARISMA DE DAVI NO PALÁCIO REAL

 

1. Nos relacionamentos. Inicialmente Davi foi muito estimado pelo próprio rei (1 Sm 16.22), mas isso foi apenas no começo, depois tudo mudou (1 Sm 18.7-16). Entretanto, na corte, ele ampliou seus relacionamentos, demonstrando empatia com as três principais classes de pessoas no reino:

a) O filho do rei. Sem dúvida, essa estima contagiante para com Davi, que logo fez com que o filho do rei se tornasse o seu melhor amigo, foi muito importante e necessária em sua vida, como se vê em 1 Samuel 23.16,17. Não devemos esquecer que Jônatas era um potencial herdeiro do trono de Saul, e com certeza Saul pensava assim (1 Sm 20.31). Todavia, Jônatas não enxergava Davi como um rival, mas como o seu melhor amigo.

b) Todo o povo. Davi era benquisto pelo povo (1 Sm 18.5). Uma característica de quem obtém ascensão social de forma meteórica é esquecer suas origens e raízes. Porém, Davi não agiu assim. Mesmo convivendo no palácio, ele não perdeu seus referenciais do campo. Ele soube construir novos relacionamentos, mas também manter aqueles já existentes.

c) Servos de Saul. Ainda dentro da corte de Saul, Davi construiu relacionamentos com os funcionários do rei (1 Sm 18.5), e manteve boas amizades até mesmo com os servos de Saul.

2. Para administrar conflitos. Davi se portou com sabedoria na corte quando demonstrou habilidade para administrar conflitos: “E as mulheres, tangendo, respondiam umas às outras e diziam: Saul feriu os seus milhares, porém Davi, os seus dez milhares“ (1 Sm 18.7). A Escritura registra ainda que “daquele dia em diante, Saul não via a Davi com bons olhos” (1 Sm 18.9 - ARA). Isto é, o primeiro rei de Israel passou a ter inveja de Davi. O espírito maligno que nele atuava tornou isso pior do que se imagina.

A Bíblia mostra que Davi fez o possível para que o seu relacionamento com Saul fosse mantido amistosamente, no entanto, a condição espiritual e emocional do rei não permitiu isso. Mesmo quando sofreu tentativas de assassinato por parte do rei, Davi não revidou, mas preferiu fugir (1 Sm 18.11; 19.1). Quando teve oportunidade para matar o rei, mais uma vez ele procurou reatar as relações rompidas e não “tocou” no ungido do Senhor (1 Sm 26.9-25).

 

SINOPSE DO TÓPICO (III)

 

Mediante o seu carisma e habilidade, Davi conseguiu construir bons relacionamentos e administrar conflitos.

 

CONCLUSÃO

 

A passagem do homem segundo o coração de Deus pela corte real, antes de sua ascensão ao trono de Israel, foi algo marcante em sua vida. Todos temos algo a aprender com o até então futuro monarca de Israel. O modo como ele se conduziu e construiu uma forte rede de relacionamentos talvez seja uma de suas maiores proezas. A Escritura registra que isso se deu graças à sua forma prudente de se conduzir no meio de príncipes, do exército e do povo em geral.

 

REFLEXÃO

 

“Pela oração, adoração e prática da fé, treinamos para a missão que Deus coloca diante de nós”. Michael Kendrick

 

VOCABULÁRIO

 

Estupendo: Admirável, maravilhoso, espantoso, extraordinário.

Exímio: Excelente em sua arte ou profissão.

Metódico: Quem tem, ou em que há método.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

WOOD, G. O. Um salmo em seu coração. RJ: CPAD, 2006.

PURKISER, W. T. Comentário Bíblico Beacon. Vol. 2: Josué a Ester. RJ: CPAD, 2005.

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. RJ: CPAD, 2004.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Cite três qualidades de Davi.

R. Prudente, valente e temente a Deus.

 

2. Como Davi se conduziu como escudeiro do rei?

R. Com humildade e vontade de aprender e de começar de baixo.

 

3. Davi, graças ao seu carisma, construiu na corte de Saul bons relacionamentos. Cite três exemplos.

R. Ele teve um bom relacionamento com o filho do rei, com todo o povo e com os servos de Saul.

 

4. De acordo com a lição, qual conselho você daria a quem deseja chegar aonde Davi chegou?

R. Resposta pessoal.

 

5. Como Davi procurou resolver as diferenças entre ele e Saul?

R. Davi procurou não revidá-las, mas fugir.

 

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

 

Subsídio Histórico

 

“Quando pensamos em Davi, logo nos vem a mente que ele era pastor, poeta, matador de gigante, rei e antepassado de Jesus - em resumo, um dos maiores homens do Antigo Testamento. Mas existe uma outra relação junto a esta: traidor, mentiroso, adúltero e assassino. A primeira lista fornece as qualidades que todos nós gostaríamos de ter; a segunda, as que poderiam ser reais e a nosso respeito. A Bíblia não faz esforço algum para esconder os fracassos de Davi. Ele ainda é lembrado e respeitado por seu coração voltado para Deus. Quando aprendemos que compartilhamos mais dos fracassos de Davi do que de suas grandezas, deveríamos ficar curiosos para descobrir o motivo pelo qual o Senhor se refere a ele como ‘o homem segundo o meu coração’ (At 13.22). Davi, apesar de suas fraquezas, possuía uma fé inabalável na fiel e perdoadora natureza de Deus. [...] Suas confissões eram de coração, e seu arrependimento genuíno. Nunca negligenciou o perdão de Deus ou tomou sua bênção como uma concessão. Em troca, o Senhor nunca lhe negou seu perdão ou as retribuições de suas ações. Davi experimentou a alegria do perdão mesmo quando teve que sofrer as consequências de seus pecados. [...] Ele aprendeu com suas falhas porque aceitou o sofrimento que estas lhe trouxeram. [...] Quais mudanças seriam necessárias para que Deus encontrasse esse tipo de obediência em você?”.

(Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. RJ: CPAD, 2004, p.393).

 

APLICAÇÃO PESSOAL

 

“O Davi humano também teve uma falha séria que o poderia ter condenado não fosse o Mestre agindo em sua vida. O Salmo 51 fala sobre o pecado que quase o destruiu e nos ensina mediante o seu exemplo como nos arrependermos dos nossos próprios erros.

A oração de Davi se inicia com três pedidos ao Senhor: Misericórdia (v.1). Nenhum de nós merece a graça de Deus, porém Ele cuida de nós com ternura e intensidade, mesmo quando o nosso coração está distante dEle. Nosso amor pelo Senhor pode falhar, mas não o seu amor por nós. Renovação (v.2). A ‘tinta’ de nossa falha deixa uma marca indelével em nossa vida e na dos outros; porém, podemos confiar na compaixão do Senhor para apagar o nosso pecado do livro de sua memória. Purificação (v.2). Somente Deus pode lavar a mancha e a sujeira do pecado. Queremos nos sentir puros outra vez, de modo que desapareçam toda a impureza que adquirimos e o legado de suas lembranças”.

(WOOD. G. O. Um Salmo em seu Coração. RJ: CPAD, 2006, pp.209,210).

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

4º Trimestre de 2009

 

Título: Davi - As vitórias e as derrotas de um homem de Deus

Comentarista: José Gonçalves

 

 

 

Lição 4: Davi e o tempo de Deus em sua vida

Data: 25 de Outubro de 2009

 

TEXTO ÁUREO

 

"E disse aos seus homens: O SENHOR me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, ao ungido do SENHOR, estendendo eu a minha mão contra ele; pois é o ungido do SENHOR(1 Sm 24.6).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Mesmo estando ungido a mando do Senhor para ser o rei, Davi soube esperar o tempo de Deus para ocupar o trono de Israel.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Sl 25.3

Os que confiam não se confundem

 

 

 

Terça - Sl 37.7

A Bíblia aconselha esperar em Deus

 

 

 

Quarta - Is 40.31

Novas forças para os esperançosos

 

 

 

Quinta - Is 64.4

O favor divino para os que esperam

 

 

 

Sexta - Mq 7.7

Esperando a salvação que vem de Deus

 

 

 

Sábado - Hb 11.1

O esperar com fé

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

1 Samuel 24.4-8

 

4 - Então, os homens de Davi lhe disseram: Eis aqui o dia do qual o SENHOR te diz: Eis que te dou o teu inimigo nas tuas mãos, e far-lhe-ás como te parecer bem a teus olhos. E levantou-se Davi e, mansamente, cortou a orla do manto de Saul.

5 - Sucedeu, porém, que, depois, o coração doeu a Davi, por ter cortado a orla do manto de Saul;

6 - e disse aos seus homens: O SENHOR me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, ao ungido do SENHOR, estendendo eu a minha mão contra ele, pois é o ungido do SENHOR.

7 - E, com estas palavras, Davi conteve os seus homens e não lhes permitiu que se levantassem contra Saul; e Saul se levantou da caverna e prosseguiu o seu caminho.

8 - Depois, também Davi se levantou, e saiu da caverna, e gritou por detrás de Saul, dizendo: Rei, meu senhor! E, olhando Saul para trás, Davi se inclinou com o rosto em terra e se prostrou.

 

INTERAÇÃO

 

Deus escolheu e ungiu Davi para governar seu povo. Mas, para que Davi assumisse o trono, seu caráter precisava ser moldado mediante o exercício da paciência. Ele teve que aprender a esperar, e esperar o tempo de Deus. Esperar não é uma tarefa fácil, principalmente na atualidade, onde as pessoas vivem sob a pressão do imediatismo. Hoje, tudo tem que ser instantâneo, imediato, até mesmo as bênçãos de Deus. Ninguém quer esperar. Contudo, saber aguardar o momento certo, sem "tramóias" ou manobras políticas é uma virtude que todo homem de Deus precisa aprender. Em determinadas situações, não podemos fazer absolutamente nada, a não ser esperar e confiar que os planos do Eterno jamais poderão ser frustrados. Essa certeza faz com que os servos de Deus esperem com paciência e sem amargura ou dor, naquEle que pode todas as coisas (Sl 40.1).

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Compreender que Davi, mesmo na adversidade, soube esperar.
  • Conscientizar-se de que precisamos esperar com paciência o tempo de Deus.
  • Identificar o tempo de Deus.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Reproduza o esquema abaixo no quadro-de-giz. Utilize-o para explicar aos seus alunos as principais diferenças entre Saul e Davi. Mostre que Davi tinha grande respeito por Saul, apesar de este rei tentar matá-lo por diversas vezes. Davi tinha consciência de que um dia viria a ser rei, mas entendia também que não era direito seu derrubar o homem a quem Deus havia ungido.

 

 

 

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Palavra Chave

Tempo: Momento ou ocasião apropriada (ou disponível) para que uma coisa se realize.

 

Uma das grandes lições na história de Davi é a sua paciência para esperar o momento certo de ascender ao trono de Israel. Apesar de ter sido ungido para ser rei sobre Israel quando ainda era bem jovem, Davi esperou muitos anos para vir, de fato, a sê-lo. Neste seu período de espera, não vemos em nenhum momento Davi maquinando Golpe de Estado, manobras escusas e procedimentos vis para destituir Saul e ocupar o seu lugar. E em todo o tempo de suas provações, Davi era ciente de que Saul havia sido rejeitado por Deus. O exemplo de Davi deve ser seguido por todos aqueles que têm aguardado as promessas de Deus, andam segundo a sua Palavra e vivem conforme a sua vontade.

 

I. DAVI ESPERA O TEMPO DE DEUS EM MEIO àS AMEAçAS

 

1. A lança do rei. O capítulo 18 de 1 Samuel narra o início da perseguição que Davi passaria a sofrer por parte de Saul, movido por inveja e cobiça de origem não somente natural, mas também diabólica (1 Sm 18.6-9). Daquele dia em diante, Saul não via a Davi com bons olhos (v.9). Quando esses fatos ocorreram, Davi era um militar a serviço do rei (v.16). Nessa época, Davi gozava de grande aceitação e popularidade diante de todo o povo. Não era difícil nesse momento valer-se de sua posição, promover uma rebelião contra Saul e ocupar o trono. Contudo, Davi nunca se valeu de sua posição para derrubar Saul. Enquanto pôde permanecer no palácio real, mesmo sendo perseguido, Davi manteve a postura de um servo humilde que reconhece tanto a bondade e misericórdia divinas, quanto sua justiça e retidão em todas as coisas. O livro de Salmos, em várias passagens, revela muitos desses momentos (SL 57). Por ser fiel e temente a Deus, Davi fugiu várias vezes, retirando-se secretamente da presença de Saul, como está registrado nos capítulos 19,20,21 e 22 de 1 Samuel.

2. A espada dos filisteus. Tendo falhado em matar Davi com suas próprias mãos, Saul orquestra um novo plano: usar os filisteus - os piores inimigos de Israel -, para acabar com Davi através deles. O estratagema é ardiloso e envolvia uma negociata com as filhas do próprio rei. Primeiramente Saul ofereceu sua filha Merabe a Davi, exigindo em troca apenas que ele guerreasse “as guerras do SENHOR” (1 Sm 18.17). Essa seria uma excelente oportunidade para Davi ascender socialmente, vindo a tornar-se genro do rei. Todavia, o filho de Jessé não demonstra ambição e esquiva-se da primeira proposta do rei, alegando que não passava de um simples camponês (1 Sm 18.18). Posteriormente Saul oferece Mical a Davi, querendo apenas a vida de alguns filisteus como dote. Humanamente falando não seria essa uma excelente oportunidade para fazer parte da família real? Quantos caem porque no seu dia-a-dia também recebem propostas semelhantes a essa. Esperar o tempo de Deus, muitas vezes, significa perder aparentemente excelentes oportunidades. Posteriormente Davi se casou com Mical (1 Sm 18.27,28), mas manteve-se firme em não tomar decisões movido por torpes e indignos interesses.

 

SINOPSE DO TÓPICO (I)

 

Enquanto aguardava o tempo de Deus se cumprir, Davi enfrentou várias ameaças contra a sua vida, inclusive do rei Saul.

 

II. OS LOCAIS DE REFÚGIO DE DAVI DURANTE A ESPERA DO TEMPO DE DEUS

 

1. Na escola profética de Samuel. Davi larga o comando militar na corte de Saul e foge para Ramá, onde Samuel residia e dirigia uma casa de profetas (1 Sm 19.18-20). é compreensível que Davi, vendo-se pressionado por Saul, procurasse o profeta Samuel, o destacado homem que Deus usou para ungi-lo. Ninguém melhor do que o “homem de Deus” (1 Sm 9.6) para entender e aconselhar Davi nesse difícil momento de sua vida. Anteriormente, Davi já contara com o ombro amigo de Jônatas, mas agora enfrentava uma pressão psicológica e espiritual, que dependia de uma ajuda espiritual. Samuel era um excelente conselheiro e, por isso, o texto sagrado declara que Davi contou a ele “tudo quanto Saul lhe fizera” (1 Sm 19.18).

2. Na casa do sacerdote Aimeleque. O ministério profético estava relacionado à inspiração divina, enquanto o ministério sacerdotal, à instrução. O sacerdote cuidava do caminho de ida para Deus, isto é, representava o povo diante de Deus, enquanto o profeta cuidava do caminho de volta, isto é, representava Deus perante o povo. Davi buscou refúgio na escola profética de Samuel e, embora o texto sagrado não nos diga os detalhes desta visita, certamente ela trouxe refrigério à alma aflita de Davi. A unção tem o poder de quebrar o jugo (Is 10.27).

Pode acontecer de um crente estar esperando o tempo de Deus e assim mesmo ocorrerem problemas, fraquezas e dificuldades, como foi o caso ocorrido quando da visita de Davi ao sacerdote Aimeleque (1 Sm 21.1-9; 22.6-22).

 

SINOPSE DO TÓPICO (II)

 

Enquanto aguardava o tempo de Deus em sua vida e fugia de Saul, Davi buscou refúgio na escola profética de Samuel e na casa do sacerdote Aimeleque.

 

III. DAVI CONTINUA ESPERANDO O TEMPO DE DEUS

 

1. Entre os filisteus e na caverna de Adulão. Naqueles dias de provações, Davi não se sentia seguro em nenhum lugar de Israel e, por isso, procurou abrigo em território inimigo (1 Sm 21.10-15; 27.1-7). Amparar-se ou buscar asilo no território inimigo não é a melhor alternativa; isso mostra o quanto é possível perder a lucidez quando se está em perigo. Sua experiência mostra-nos que devemos pensar bem antes de tomar qualquer atitude e decisão, principalmente quando estamos sob forte pressão (1 Sm 22.1-5).

Sendo descoberto pelos filisteus, o filho de Jessé foge para a caverna de Adulão, local que, pelas defesas naturais, proporcionava-lhe proteção. Naquele lugar os familiares de Davi sentiram-se seguros em visitá-lo (1 Sm 22.1). Recebendo apoio da família, Davi evidentemente se sentiu fortalecido. Ao longo das Escrituras, constatamos que a família desfruta de destaque especial nos desígnios de Deus para a humanidade. Além do seu papel de coesão, inclusive social, a família provê também apoio emocional e espiritual para seus membros. Todos nós de alguma forma necessitamos também de nossa “caverna de Adulão”, isto é, um local de refúgio, inclusive familiar.

2. Nas cidades, desertos, vales e montes. As fugas de Davi cobrem um longo período de tempo e durante essa época, como registra a Escritura, ocorreram muitos fatos. Nesse ponto de seus apertos a caminho do trono, Davi declarou: “[...] até que saiba o que Deus há de fazer de mim” (1 Sm 22.3).

Os capítulos 24 e 26 de 1 Samuel mostram duas situações diferentes, onde Davi prova que não estava interessado em eliminar Saul. No primeiro momento Davi se encontrava no deserto de En-Gedi, onde Saul, juntamente com três mil homens, montam-lhe o cerco. Apesar de ter tido a oportunidade de matar Saul, quando este se encontrava em uma caverna, Davi não o fez. Pelo contrário, Ele sentiu até seu coração doer quando cortou parte das vestes de Saul (1 Sm 24.5). Bastava Davi sair daquela caverna com a cabeça de Saul, e tudo estaria terminado. Mas que consequências isso iria trazer? Davi por certo estava consciente da unção real sobre ele, mas ascender ao trono daquela forma não o agradava. Ele preferiu esperar o tempo de Deus.

Em outra ocasião, quando novamente teve oportunidade de matar Saul, Davi mais uma vez declara: “O SENHOR me guarde de que eu estenda a mão contra o ungido do SENHOR” (1 Sm 26.11). Os capítulos finais de 1 Samuel mostram a rota de fuga de Davi que ora se encontra nos desertos, ora nos vales e montes, ora entre os inimigos (1 Sm 27.1-12). A grande lição para nós é que, em todos esses terríveis momentos, o filho de Jessé soube esperar em Deus (Sl 40).

 

SINOPSE DO TÓPICO (III)

 

A espera de Davi compreende períodos na caverna de Adulão, em cidades, desertos e montes, como registra a Bíblia.

 

CONCLUSÃO

 

Davi esperou pacientemente no Senhor, e Ele ouviu a sua voz. Esperar o tempo de Deus é a garantia de não agirmos precipitadamente. é o segredo de quem quer fazer a vontade do Senhor. A Escritura diz que os nossos pensamentos não são os pensamentos de Deus, nem tampouco os nossos caminhos são os caminhos dEle (Is 55.8). O tempo do Eterno, evidentemente, não é o nosso tempo (Sl 90.4). Conhecedores desse fato, devemos confiar no Senhor e esperar nEle em todas as situações.

 

REFLEXÃO

 

"Quando estamos esperando, o plano de Deus e o seu tempo perfeito são dignos da nossa confiança". Charles Stanley

 

VOCABULÁRIO

 

Tempo: Os gregos antigos tinham duas palavras para o tempo: chronos e kairos. Enquanto chronos refere-se ao tempo cronológico, ou sequencial, que pode ser medido, kairos refere-se a um momento indeterminado no tempo, em que algo especial acontece, em Teologia, é “o tempo de Deus”.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

PALMER, M. D. Panorama do Pensamento Cristão. RJ: CPAD, 2001.

PURKISER, W. T. Comentário Bíblico Beacon. Vol. 2: Josué a Ester. RJ: CPAD, 2005.

DANIEL, S. Reflexões sobre a Alma e o Tempo. RJ: CPAD, 2001.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Mencione uma das grandes lições que podemos aprender com a vida de Davi.

R. Certamente uma das maiores lições de Davi foi a sua paciência para esperar o momento certo de ascender ao trono de Israel.

 

2. Qual o plano de Saul para tirar a vida de Davi?

R. Usar os filisteus para dar cabo da vida de Davi.

 

3. Cite os locais de refúgio de Davi enquanto esperava o tempo de Deus em sua vida?

R. Na escola profética de Samuel, na casa do sacerdote Aimeleque, entre os filisteus e na caverna de Adulão.

 

4. Que lição podemos aprender com o fato de Davi ter ido para a caverna de Adulão?

R. Todos nós de alguma forma necessitamos também de nossa “caverna de Adulão”, isto é, um local de refúgio, inclusive familiar.

 

5. Em que situação de sua vida, você poderá aplicar o conteúdo da lição?

R. Resposta pessoal.

 

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

 

Subsídio Filosófico

 

“O Tempo Cronos e o Tempo Kairos

[...] As Escrituras veem o tempo como um presente e uma oportunidade a ser usada sob a direção do Espírito Santo. Remimos o tempo para realizar aquelas coisas que estão de acordo com os propósitos de Deus. A visão moderna de tempo é como um produto que pode ser eficaz ou ineficazmente usado, disputado, administrado, economizado, perdido ou até convertido em dinheiro. O kairos-tempo promove uma consciência descontraída e um discernimento das oportunidades de viver fornecidas pelo tempo. O cronos-tempo é propenso a ser compulsivamente tiranizado por uma planificação frenética da vida. Objetivar a riqueza, a produtividade econômica e viver eficientemente nutrem a sensação de ser rápido - a marca registrada das sociedades redigidas pelo cronos-tempo.

cronos-tempo e o kairos-tempo encontram-se em todo o momento. Uma espiritualidade verdadeiramente carismática requer uma sensibilidade descansadamente contínua à voz e movimento do Espírito, na qual a vontade de Deus é comunicada ao crente. Sem essa sensibilidade, nenhuma reivindicação à espiritualidade pode permanecer fiel à sua visão de nutrir a vida na abundância do Espírito Santo.

[Na realidade, existe uma relação muito grande entre] o valor da meditação e contemplação em termos de aprofundamento da experiência que a pessoa tem com o Espírito”.

(NIENKIRCHEIN, C. Panorama do Pensamento Cristão. RJ: CPAD, 2001, pp.268,269).

 

APLICAÇÃO PESSOAL

 

“O tempo não é um inimigo, mas um amigo. Lutar contra o tempo é uma sandice. Se o sofrimento entrou no mundo por causa do pecado, Deus não é o causador do sofrimento; e se Ele o permite, mesmo quando não consigo evitá-lo, o mais coerente seria ver as intempéries como aliadas na formação e aprimoramento de traços e silhuetas positivas na alma. Esse é o ensino bíblico.

O tempo serve para nos preparar. Quando compreendo e admito isso, consigo ver o tempo como algo que não é ruim, que serve para amadurecer-me e não pode tirar minha felicidade, porque esta está firmada em Deus.

Nós sabemos, pela Palavra de Deus, que o sofrimento tem um fim. A demora também. Logo, o propósito de Deus na minha vida é usar o tempo para me ajustar ao ponto ideal. Ad augusta per angusta - ‘chega-se a resultados sublimes por caminhos estreitos’. Desde que apenas nesta dimensão encontro demora e sofrimento, e lá não, então o aqui e o hoje são dotados de instrumentos de Deus para forjar o meu ser. Disse o salmista Davi, em Salmos 31.15: ‘Os meus tempos estão nas tuas mãos...’.

Quando entrego tudo à vontade de Deus, entrego não apenas a minha vida, mas o meu tempo também. E isto significa que a administração do meu tempo passou a ser orientada por Deus. Se ‘os meus tempos’, isto é, se o meu passado, o meu presente e o meu futuro, estão nas mãos de Deus, e não sou daqueles que buscam e criam problemas e situações de espera angustiante e, mesmo assim, se eu passo por problemas e esperas, devo ver tudo isso como o trabalhar de Deus em mim”.

(DANIEL. S. Reflexões sobre a Alma e o Tempo. RJ: CPAD, 2001, p.155).

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

4º Trimestre de 2009

 

Título: Davi - As vitórias e as derrotas de um homem de Deus

Comentarista: José Gonçalves

 

 

 

Lição 5: Davi e sua equipe de liderados

Data: 1º de Novembro de 2009

 

TEXTO ÁUREO

 

E ajuntou-se a ele todo homem que se achava em aperto, e todo homem endividado, e todo homem de espírito desgostoso, e ele se fez chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens” (1 Sm 22.2).

 

VERDADE PRÁTICA

 

O trabalho em equipe é um princípio básico da liderança eficaz, inclusive na causa do Senhor. Se quisermos ser bem-sucedidos na obra de Deus não devemos esquecer esse princípio.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - 1 Sm 16.13

Davi, um líder cheio do Espírito do Senhor

 

 

 

Terça - At 13.22

Davi, um líder segundo o coração de Deus

 

 

 

Quarta - 1 Cr 19.2

Davi, um líder amável e benevolente

 

 

 

Quinta - 1 Sm 26.1-25

Davi, um líder que sabia respeitar e perdoar

 

 

 

Sexta - 1 Sm 17.34-37

Davi, um líder corajoso e responsável

 

 

 

Sábado - Sl 37.7

Davi, um líder que descansava em Deus

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

1 Crônicas 11.10-12,20,22,24,25.

 

10 - E estes foram os chefes dos heróis que Davi tinha e que o apoiaram fortemente no seu reino, com todo o Israel, para o fazerem rei, conforme a palavra do SENHOR, no tocante a Israel.

11 - E estes foram do número dos heróis que Davi tinha: Jasobeão, hacmonita, o principal dos capitães, o qual, brandindo a sua lança contra trezentos, de uma vez os matou.

12 - E, depois dele, Eleazar, filho de Dodô, o aoíta; ele estava entre os três varões.

20 - E também Abisai, irmão de Joabe, foi chefe de três, o qual, brandindo a sua lança contra trezentos, os feriu; e teve nome entre os três.

22 - Também Benaia, filho de Joiada, filho de um valente varão, grande em obras, de Cabzeel; ele feriu dois fortes leões de Moabe; e também desceu e feriu um leão dentro de uma cova, no tempo da neve.

24 - Estas coisas fez Benaia, filho de Joiada, pelo que teve nome entre aqueles três varões.

25 - Eis que dos trinta foi ele o mais ilustre; contudo, não chegou aos três; e Davi o pôs sobre os da sua guarda.

 

INTERAÇÃO

 

Professor, assim como Davi, você também é um líder à frente de sua classe. Por isso, esteja atento a alguns aspectos importantes da liderança de Davi que serão apresentados nesta lição. Todo líder, qualquer que seja a sua área de atuação, corre o risco de desgastar-se no exercício da liderança, quando não sabe delegar responsabilidades. Alguns pensam que podem fazer tudo sozinhos. Puro engano! Todos precisam de cooperadores (Rm 16.3). Você tem seus cooperadores? Sua equipe trabalha em harmonia? Se a sua resposta for afirmativa, você com certeza terá uma liderança bem-sucedida.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Compreender que o trabalho em equipe é o princípio básico da liderança eficaz, inclusive na causa do Senhor.
  • Conscientizar-se de que equipes eficientes e fortes são reflexos de uma liderança competente e idônea.
  • Reconhecer que o modelo bíblico de liderança agradável a Deus é aquele centralizado no caráter.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Professor, sugerimos que você reproduza em uma cartolina o diagrama abaixo. Explique aos seus alunos que muitos não valorizam o trabalho em equipe por falta de conhecimento, pois desconhecem a importância e os benefícios deste. Leia o texto bíblico de 1 Coríntios 3.6. Depois, explique que "Paulo só teve o que plantar, porque alguém lhe deu a semente, Apolo só teve o que regar, porque Paulo plantou, e Deus só deu o crescimento porque os dois plantaram". Paulo e Apolo trabalharam em equipe. Trabalhar em equipe é um princípio bíblico que deve ser observado por todos que querem realizar a obra do Senhor.

 

 

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Palavra Chave

Líder: Indivíduo que, devido à sua própria personalidade empreendedora, dirige um grupo social, com a participação espontânea dos seus membros.

 

Os liderados, à semelhança dos reflexos de um espelho, refletem a qualidade da liderança de seus líderes ou dirigentes. Equipes sadias, eficientes e fortes são reflexos de uma liderança competente e idônea, assim como um corpo saudável reflete a harmonia de seus membros.

Não se pode minimizar a importância do trabalho em equipe, pois desde os primórdios da história bíblica vemos líderes, juntamente com seus liderados, realizando os propósitos de Deus (Êx 18.13-27). Davi demonstra ser um homem de grande capacidade para liderar Israel. Sendo povo de Deus, devemos aprender com ele esses princípios para bem nos conduzirmos na vida e na Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

I. LIDERANÇA BÍBLICA E LIDERANÇA SECULAR

 

1. Líder, liderança e equipe. Os especialistas no assunto definem o líder natural como alguém que, devido à sua própria personalidade empreendedora, dirige um grupo social, com a participação espontânea dos seus membros. Como bem declarou o Pregador em Eclesiastes 1.9: "nada há novo debaixo do sol". E em relação a Davi, esta verdade não poderia ser mais bem aplicada, pois na liderança de seus homens no deserto de Judá, os mesmos princípios básicos do trabalho em equipe adotados hoje pelos modernos administradores, já eram praticados naqueles tempos pelo segundo rei de Israel.

Davi, o líder escolhido por Deus, mas rejeitado e perseguido no deserto, figura a Cristo, o ungido de Deus, que foi rejeitado e perseguido por seus irmãos "segundo a carne" - os judeus. Davi, quando no deserto, humilhado, rejeitado e perseguido, fez com que um grande grupo de seguidores se achegasse a ele. Os primeiros eram em sua maioria estrangeiros em dificuldades, homens rudes e problemáticos, no entanto, Davi recebeu, acolheu, ensinou e preparou-os. Também se chegaram a Davi muitos de seus irmãos de Israel (1 Sm 22.1-5; 23.13); a princípio, eram 400 homens "em aperto", mas logo o número chegou a 600 (1 Sm 22.2; 25.13).

2. A atualidade da liderança davídica. É evidente que as circunstâncias na qual Davi desenvolveu sua liderança eram muito diferentes da nossa. Todavia, o modelo utilizado por ele em nada fica a desejar se comparado às modernas tendências em liderança da nossa sociedade globalizada. Sem dúvida Davi foi um homem que viveu à frente de seu tempo. Devemos ressaltar que os princípios que regem uma liderança eficaz são ainda os mesmos, quer tenham sido vividos nos primeiros estágios da civilização, quer sejam praticados hoje. Como negar, por exemplo, que Davi tenha sido um homem talentoso, carismático, criativo e com um alto poder de decisão (1 Sm 16.18; 18.14; 23.22; 25.13)?

Por outro lado, lembremo-nos de Jetro, sogro de Moisés (Êx 18.21), cujo modelo de trabalho em equipe é seguido ainda hoje tanto por cristãos como por não-cristãos. Isto porque os princípios de liderança são universais e, portanto, podem ser aplicados a todas as épocas, todos os povos e em todos os lugares. Nesse sentido há, por conseguinte, muita coisa em comum entre a liderança genuinamente bíblica e o atual modelo secular de liderança eficaz, aliás, aquele precedeu a este.

 

SINOPSE DO TÓPICO (I)

 

O modelo de liderança utilizado por Davi em nada fica a desejar se comparado às modernas tendências em liderança da nossa sociedade globalizada.

 

II. A LIDERANÇA FUNDAMENTADA NO CARÁTER CRISTÃO

 

1. É uma liderança que agrada a Deus. O modelo bíblico de liderança é aquele centralizado no caráter. Elementos do caráter cristão como o temor de Deus, a coragem, a virtude, o altruísmo, a honestidade, etc., são postos em relevo. As técnicas mudam, mas os princípios do caráter não. Uma equipe de trabalho com esses fundamentos será bem-sucedida. A sabedoria é um fator de sucesso na liderança, pois o "temor do SENHOR é o princípio da sabedoria" (Sl 111.10).

O sucesso da admirável liderança de Davi veio dos princípios bíblicos observados por ele. Basta, por exemplo, lermos algumas passagens bíblicas para chegarmos a essa conclusão. Como não nos dobrarmos diante do senso de justiça de Davi quando estipulou a lei da partilha (1 Sm 30.24) ? Somente um homem com uma noção exata de valores aprovados por Deus podia tomar uma atitude assim.

2. Não é uma liderança à parte de Deus. O antecessor de Davi exerceu uma liderança à parte de Deus. Em vez de esperar com "paciência no Senhor" (Sl 40.1), assim como Davi, Saul era demasiadamente precipitado. Na realidade, a liderança de Saul refletia simplesmente o seu caráter (1 Sm 15.1-35), pois ele não conseguia enxergar-se como dependente da direção divina.

 

SINOPSE DO TÓPICO (II)

 

O modelo bíblico de liderança é aquele centralizado no caráter. As técnicas mudam, mas os princípios do caráter não.

 

III. DAVI E SUA EQUIPE

 

A expressão "Davi e seu homens" aparece por diversas vezes nos livros de Samuel (1 Sm 18.27; 24.2; 25.13; 2 Sm 5.6,21; 15.14; 16.13). Todas estas passagens mostram que tal expressão pode perfeitamente ser lida como "Davi e sua equipe". De fato, Davi possuía mais do que um grupo, ele tinha uma equipe coesa, harmônica, íntegra e submissa.

1. Distinguindo uma equipe de um grupo. Há diferença entre os termos "grupo" e "equipe". Basicamente essa diferença se situa na área das relações interpessoais, no objetivo comum e na própria essência daquilo que seja um grupo ou uma equipe. Só há uma equipe quando existe um devido relacionamento entre seus membros. Isto nos lembra a parábola da "casa dividida", a qual o Mestre se referiu em Mateus 12.25.

A equipe de Davi era unânime, irmanada, vinculada, integrada e ainda contava com heróis individuais, os chamados "valentes de Davi" (2 Sm 23.8). De acordo com a Escritura, nessa equipe bem treinada "o menor valia por cem homens, e o maior, por mil" (1 Cr 12.14 - ARA). Era uma equipe em ação com um objetivo comum, dado por Deus, e não um aglomerado de homens sem um alvo específico na vida. Na autêntica liderança, cada membro da equipe é de alto valor para o seu líder. Em 2 Samuel 23.14-17 e 1 Crônicas 11.16-19, fica evidente que isso era uma realidade na vida de Davi. Nessa ocasião, ele teve sede e desejou beber da boa água da cisterna de Belém, que estava em poder dos inimigos filisteus. Davi, ao saber que os seus homens haviam se arriscado para obtê-la, rejeitou a água e ficou com sede. Isso é que é empatia! Tal atitude só pode vir de quem não trata os membros de sua equipe como máquinas, objetos, mas como gente de carne e osso e, portanto, digna de amor, respeito e apreciação. É uma obrigação cristã reconhecer o valor das pessoas e não tratá-las como objetos descartáveis, a serviço de nossos interesses.

2. A força do exemplo do líder. Liderança se faz com exemplo. Por que o povo de Israel se rendia à liderança de Davi? A Escritura registra: "Porém todo o Israel e Judá amavam Davi, porquanto saía e entrava diante deles" (1 Sm 18.16). Davi liderava pelo seu exemplo vinculado ao amor e ao altruísmo.

 

SINOPSE DO TÓPICO (III)

 

A equipe de Davi era unânime, irmanada, vinculada, integrada, contava com heróis individuais e tinha um objetivo comum.

 

CONCLUSÃO

 

Sem dúvida Davi foi um líder talentoso, no entanto, muito mais do que talento, Davi amava a Deus e cuidava do seu caráter. Ele, em suas fraquezas, descuidos e tentações, cometeu pecados, como é claramente mostrado nas Escrituras, mas venceu pela sua fé e devoção a Deus. Ele era um servo do Senhor disposto a se retratar, a valorizar o outro e a liderar pelo seu exemplo. Pela providência divina e por seus princípios de liderança fundamentados no caráter íntegro, Davi formou uma equipe de trabalho vitoriosa.

 

REFLEXÃO

 

"A excelência da Escola Dominical, só será uma realidade para os alunos quando a equipe que a administra se importar com a contínua melhoria da qualidade dos seus serviços, visando se adequar à gestão da qualidade total (o TQM, na sigla em inglês), dentro da realidade bíblica, ética e cultural". César Moisés Carvalho.

 

VOCABULÁRIO

 

Sem ocorrências.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

CARVALHO, C. M. Marketing para a Escola Dominical. 4. ed. RJ: CPAD, 2008.

 

EXERCÍCIOS

 

1. De acordo com a lição, defina o líder natural.

R. Alguém que, devido à sua própria personalidade empreendedora, dirige um grupo social.

 

2. Davi, o rei ungido e perseguido no deserto, pode ser comparado a quem?

R. A Jesus Cristo sendo tentado no deserto.

 

3. Cite três características da equipe de Davi.

R. Coesa, íntegra e submissa.

 

4. Como Davi via seus liderados?

R. Como gente de carne e osso e, como tal, digna de amor, respeito e apreciação.

 

5. Qual a forma de liderança de Davi?

R. Davi liderava pelo exemplo vinculado ao amor, ao altruísmo.

 

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

 

Subsídio Técnico

 

"Unidade é a Base da Equipe

O corpo docente da sua Escola Dominical é uma equipe? [...] Agem os professores e os demais componentes, de acordo com a vontade do Senhor explicitada em sua oração? São abnegados trabalhadores, que ajudam um ao outro, fazendo com que a Escola Dominical a cada dia cresça? Têm eles o mesmo dinamismo de uma equipe empresarial que despende todo o seu trabalho em prol do sucesso da empresa através da produção e vendas? [...] A linha de raciocínio bíblico fornece uma ampla visão de como formar uma equipe, sendo o primeiro passo, a oração (Lc 6.12,13)".

(CARVALHO, C. M. Marketing para a Escola Dominical. 4. ed. RJ: CPAD, 2009, p.184,191).

 

APLICAÇÃO PESSOAL

 

"Transforme sua 'Equipe' em uma Equipe

Quando Jesus pediu em sua oração sacerdotal que os discípulos fossem um (Jo 17.11), quebrou um dos maiores dissidentes fomentadores de disputa nas equipes, não fugindo a essa regra os seus discípulos por quem Ele até orava nesse sentido (Mt 20.24). Não é de admirarmos que sua oração intercessória abrangesse todos os cristãos que surgissem dali para frente: [...] (Jo 17.20-23). Jesus, que é presciente, sabia da máxima que impera na sociedade atual: 'Viver é fácil, difícil é conviver'. O que mais impede uma equipe de funcionar eficazmente e com eficiência é o individualismo e partidarismo".

(CARVALHO, C. M. Marketing para a Escola Dominical. RJ: CPAD, 2009, p.184-5).

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

4º Trimestre de 2009

 

Título: Davi - As vitórias e as derrotas de um homem de Deus

Comentarista: José Gonçalves

 

 

 

Lição 6: Davi unifica o Reino de Israel

Data: 08 de novembro de 2009

 

TEXTO ÁUREO

 

Assim faça Deus a Abner e outro tanto, que, como o SENHOR jurou a Davi, assim lhe hei de fazer, transferindo o reino da casa de Saul e levantando o trono de Davi sobre Israel e sobre Judá, desde Dã até Berseba” (2 Sm 3.9,10).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A coroação de Davi sobre todo o Israel, além de cumprir as profecias que prediziam esse fato, realizou o propósito divino de estruturar e organizar a nação eleita.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - 1 Sm 15.23

Um reinado rejeitado

 

 

 

Terça - 2 Sm 1.25,27

A morte dos valentes

 

 

 

Quarta - 2 Sm 2.7

Buscando a unidade do reino

 

 

 

Quinta - 2 Sm 5.1,2

Um reino unificado

 

 

 

Sexta - 2 Sm 5.12

O reinado de Davi é confirmado

 

 

 

Sábado - Mt 12.25

O reino dividido está fadado à destruição

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

1 Samuel 16.1,12,13; 2 Samuel 5.2.

 

1 Samuel 16

1 - Então, disse o SENHOR a Samuel: Até quando terás dó de Saul, havendo-o eu rejeitado, para que não reine sobre Israel? Enche o teu vaso de azeite e vem; enviar-te-ei a Jessé, o belemita; porque dentre os seus filhos me tenho provido de um rei.

12 - Então, mandou em busca dele e o trouxe (e era ruivo, e formoso de semblante, e de boa presença). E disse o SENHOR: Levanta-te e unge-o, porque este mesmo é.

13 - Então, Samuel tomou o vaso do azeite e ungiu-o no meio dos seus irmãos; e, desde aquele dia em diante, o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi. Então, Samuel se levantou e se tornou a Ramá.

 

2 Samuel 5

2 - E também dantes, sendo Saul ainda rei sobre nós, eras tu o que saías e entravas com Israel; e também o SENHOR te disse: Tu apascentarás o meu povo de Israel e tu serás chefe sobre Israel.

 

INTERAÇÃO

 

Professor, nesta lição, veremos que, apesar de Davi ser um homem segundo o coração de Deus, enfrentou a retaliação de uma parte do seu povo quanto a unificação do reino. Isso nos mostra que a dificuldade de o povo de Deus estar unido não é recente, mas um problema antigo, que demanda esforço e persistência da liderança em sua busca. Encoraje seus alunos a trabalharem firme em prol da união de sua família e igreja, a fim de que nossas principais instituições estejam fortalecidas.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Explicar a importância da unificação do reino de Israel por Davi.
  • Refletir acerca dos problemas que a divisão pode trazer para qualquer instituição.
  • Identificar a relevância do culto ao Senhor para Davi e as consequências disso para o êxito de seu reinado.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Professor, converse com seus alunos e explique que o caminho de Davi até o trono passou por várias etapas distintas e bem espinhosas. Contudo, ele foi vencedor em muitas delas. Questione-os: "Quais foram às atitudes tomadas por Davi que o fizeram vencedor?" "Que passos ele seguiu?" - e, logo após, mediante a passagem bíblica de 2 Samuel 5.19-25, exponha alguns passos seguidos por Davi e que também podem ser imitados em nossa caminhada diária. Após apresentá-los, enfatize que, se ignorarmos tais passos, poderemos falhar em nossas "batalhas".

 

 

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Palavra Chave

Unidade: Qualidade daquilo que não pode ser dividido.

 

A chegada de Davi ao trono deu-se em duas etapas: primeiro, ele reinou em Hebrom sete anos e meio sobre a tribo de Judá; a seguir, reinou sobre as doze tribos por 33 anos; totalizando quarenta anos de reinado (2 Sm 5.4,5). A Escritura deixa claro que a profecia que prenunciava a Davi um reinado sobre toda a nação hebraica, era de conhecimento não só do filho de Jessé, mas também dos nobres e até mesmo do povo mais comum (2 Sm 5.2). Esse fato é visto na declaração de Abner em 2 Samuel 3.9,10 e também nas palavras de Jônatas, filho de Saul (1 Sm 23.17), e nas de Abigail em 1 Samuel 25.30. O próprio Saul tinha uma visão disso (1 Sm 24.20). Foi muito atribulada a jornada de Davi até chegar ao palácio real, todavia, ele estava dentro do plano de Deus para esse fim.

 

I. A MONARQUIA AMEAÇADA

 

1. O nascimento e a morte de um sonho. O primeiro rei de Israel, dado por Deus segundo a vontade popular e conforme o modelo prescrito pelo povo, que queria algo semelhante ao governo das nações incrédulas e idólatras a sua volta (1 Sm 8 a 10), certamente não terminou o seu reinado conforme eles idealizaram. Infelizmente, havia no imaginário popular a ideia de que somente um rei, que se assemelhasse aos monarcas das outras nações daquela época, seria capaz de levá-los à segurança. Isso fica explícito não somente por parte da nação israelita, mas é claramente expresso pelos seus líderes auxiliares (1 Sm 8.4,5), que não buscaram continuamente ao Senhor neste assunto tão vital: a administração da nação eleita por Deus.

Com a decadência espiritual e posterior morte de Saul, acabou também o sonho daqueles que idealizaram seu reinado. Fora da vontade de Deus, não há garantias de que sonho algum se realize. Aliás, realização de promessas e sonhos está condicionada à obediência ao Senhor. Aquela não pode acontecer sem esta (1 Cr 22.12,13).

2. O trágico fim de Saul. Como já vimos em outra ocasião, a princípio Saul tinha tudo para dar certo, pois ascendeu ao trono com um alto índice de popularidade (1 Sm 9.2; 10.22-24). O texto sagrado relata que naquela ocasião crítica e sem saída em que o povo se encontrava, o "Espírito de Deus se apossou de Saul", e o Senhor concedeu a vitória à Nação Escolhida (1 Sm 11.6,11). Portanto, o primeiro rei de Israel poderia ter tido êxito em seu reinado caso se mantivesse na direção de Deus. Infelizmente, com as suas constantes desobediências, vemos no final do primeiro livro de Samuel o registro trágico do seu fim pelas mãos dos inimigos do povo de Deus (1 Sm 31). Em outras palavras, Saul inaugurou seu reinado vencendo e triunfando e terminou perdendo, envergonhando e finalmente tirando a própria vida, deixando Israel em uma situação difícil.

O momento agora era de união nacional e não de retaliação. Como poderia Davi se alegrar com a derrota do povo da Aliança Divina se por trás de tal perda estavam os "incircuncisos" (2 Sm 1.20)? Embora Davi tivesse uma personalidade forte, era também um homem que se quebrantava com facilidade (Sl 34.18; 51.17). Em seu lamento pela morte de Saul e de seu filho, ou seja, de "como caíram os valentes" (2 Sm 1.25,27), Davi deixa aflorar, do mais profundo íntimo de suas emoções, um hino belo e expressivo. As palavras do lamento de Davi revelam muito mais do que um coração despedaçado; mostram os fragmentos nos quais transformara-se a nação. Somente o Senhor podia agora reconstruir, alentar, encorajar, unificar e sarar o seu povo. Aqui há mais uma lição de liderança empática e de como é importante colocar as questões pessoais de lado em benefício do Reino.

 

SINOPSE DO TÓPICO (I)

 

O fracasso do reinado de Saul ameaçou a monarquia de Israel, no entanto, a liderança empática de Davi possibilitou um recomeço.

 

II. O REINO ABALADO

 

1. Do exílio ao trono. Após a morte de Saul, Davi retornou do exílio, onde esteve peregrinando na obscuridade durante vários anos. Instalou-se em Hebrom, na tribo de Judá (1 Cr 11.1-4), que fora uma das cidades dos patriarcas, e também cidade de refúgio (Js 20.7). Sem demora, "Davi consultou ao SENHOR" sobre o que fazer naquele momento (2 Sm 2.1). Deus o dirigiu para a cidade de Hebrom com seus familiares e seus homens, isto é, sua guarda que o apoiou e protegeu no deserto. No meio de sua tribo, de sua parentela e do seu povo, Davi logo foi aclamado como rei sobre a casa de Judá (2 Sm 2.4).

Apesar de ser o homem segundo o coração de Deus, Davi, assim como Saul (1 Sm 10.27), enfrentou a retaliação de uma parte do seu povo, pois Abner, precipitada e arbitrariamente, constituiu a Isbosete como rei sobre uma área que compreendia a maior parte do território de Israel. Esse acontecimento antecipa o que oitenta anos depois realmente ocorreria: a divisão do Reino (1 Rs 12.1-33).

2. Um reino sem aprovação divina. Deus já havia estabelecido que Davi seria o rei escolhido para governar Israel (1 Sm 16.1), nenhuma promessa divina havia sobre Isbosete. Mesmo assim o povo o constituiu rei sobre Israel (2 Sm 2.8-10). De nada valem os cargos e ofícios que porventura venhamos a ocupar na Casa do Senhor se não formos estabelecidos neles pela vontade divina. Mais importante do que um cargo é a unção que Deus põe sobre quem o exerce. Saul, quando ainda rei, caiu no erro de se preocupar mais com a posição do que com a unção do alto. Observamos isso quando ele disse "[...] honra-me, porém, agora diante dos anciãos" (1 Sm 15.30). De que vale a honra daqui sem a unção de Deus na vida da pessoa? De que vale o cargo sem a aprovação divina e sua comprovação perante o povo? São casos que continuam a acontecer como o de Isbosete (2 Sm 2.8-10).

Contudo, fica para nós a lição de que aquilo que humanamente queremos nem sempre é o que o Senhor quer; e o que escolhemos sem consultar a Deus, julgando estarmos certos, nem sempre é o que Ele escolhe.

 

SINOPSE DO TÓPICO (II)

 

O reino de Israel foi abalado tanto pela morte de Saul, quanto pela constituição de Isbosete como rei de uma parte do território da nação.

 

III. A MONARQUIA RESTAURADA

 

1. A unção real. Passados sete anos e meio na condição de rei parcial, chegou o momento em que os próprios anciãos de Israel procuraram Davi e lembraram-lhe da promessa que o Senhor lhe fizera: "Então, todas as tribos de Israel vieram a Davi, a Hebrom, e falaram, dizendo: Eis-nos aqui, teus ossos e tua carne somos. E também dantes, sendo Saul ainda rei sobre nós, eras tu o que saías e entravas com Israel; e também o SENHOR te disse: Tu apascentarás o meu povo de Israel e tu serás chefe sobre Israel" (2 Sm 5.1,2). Por meio desse gesto, os anciãos de Israel demonstraram ter consciência de que a unção real estava de fato sobre Davi e, portanto, não havia razão para adiamento da sua ascensão ao trono sobre a nação inteira (2 Sm 5.3). Com a coroação de Davi sobre todo o Israel, o reino finalmente estava unificado.

2. Restaurando o culto. Uma das diferenças básicas entre Davi e Saul é que este não demonstrava muita preocupação com o culto ao Senhor e com os ministros do culto, enquanto aquele comprova um zelo especial pela adoração a Deus (Leia os capítulos 6 e 7 de 2 Samuel). Não se pode governar, reinar ou fazer qualquer outra coisa com êxito se há negligência no culto a Deus. Quando Saul lembrou-se de levantar um altar a Deus, já estava todo complicado por causa de suas transgressões às ordens do Senhor. Não esqueçamos esse fato, pois o Eterno considera primeiramente, e antes de qualquer coisa, a obediência (1 Sm 15.22).

 

SINOPSE DO TÓPICO (III)

 

Davi foi coroado rei de todo o Israel pelos próprios anciãos do povo que reconheceram a unção real sobre sua vida, que zelava pela adoração a Deus acima de tudo.

 

CONCLUSÃO

 

A unificação do reino por parte de Davi foi um dos mais importantes acontecimentos da história do povo escolhido. Como o Israel de Deus que hoje somos, devemos saber que sem unidade nenhum edifício se mantém de pé. É por isso que não devemos medir esforços na busca da unidade do corpo de Cristo, que é a Igreja (Ef 4.3). O Novo Testamento revela claramente a eterna unificação do reino de Deus através do perfeito e autêntico "Filho de Davi" - o Senhor Jesus Cristo (Mt 21.9; Lc 1.32,33).

 

REFLEXÃO

 

"Ao unir-se com seus irmãos em Cristo para perseguir um objetivo comum, você realiza muito mais do que faria sozinho". Evelyn Christenson.

 

VOCABULÁRIO

 

Sem ocorrências.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

PURKISER, W.T. Comentário Bíblico Beacon. Vol. 2. RJ: CPAD, 2005.
WOOD, G. Um salmo em seu coração. RJ: CPAD, 2006.

 

EXERCÍCIOS

 

1. A chegada de Davi ao trono deu-se em quantas etapas? Faça um resumo de cada uma.

R. Em duas: primeira, ele reinou em Hebrom sete anos e meio sobre a tribo de Judá; a seguir, reinou sobre as doze tribos por 33 anos; totalizando quarenta anos de reinado (2 Sm 5.4,5).

 

2. De acordo com a lição, quais são as condições para que as promessas e sonhos tenham êxito.

R. Obediência ao Senhor.

 

3. Ao retornar do exílio, após a morte de Saul, qual foi a cidade escolhida por Davi para fixar sua residência?

R. Hebrom.

 

4. Segundo a lição, o que é mais importante do que um cargo na obra de Deus?

R. A unção que Deus põe sobre quem o exerce.

 

5. Quais as diferença básicas entre Davi e Saul em relação ao culto?

R. Saul não demonstrava muita preocupação com o culto ao Senhor e com os ministros do culto, enquanto Davi demonstra um zelo especial pela adoração a Deus.

 

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

 

Subsídio Histórico

 

"A Última Batalha de Saul

A expressão estes incircuncisos (4) revela a aversão e o desprezo que os hebreus tinham por seus vizinhos pagãos. Quando o escudeiro se recusou a atender o pedido, Saul tomou a sua própria espada, fixou o cabo na terra e lançou-se contra a sua ponta; suicidou-se e seu companheiro seguiu o mesmo exemplo (4,5). Quando as tropas de Israel que não estavam perto de Saul viram o que havia acontecido, abandonaram as suas posições, deixaram as suas cidades e fugiram para o deserto (7). No dia seguinte à batalha, os filisteus descobriram os corpos de Saul e seus três filhos no campo de batalha. Profanaram o corpo do rei de Israel, ao cortar-lhe a cabeça. Despojaram-no de suas armas e as puseram no templo de Astarote, provavelmente perto de Bate-Seã, e fixaram o corpo de Saul e os seus três filhos no muro da mesma cidade".

(PURKISER, W.T. Comentário Bíblico Beacon. Vol. 2. RJ: CPAD, 2005, p.229).

 

APLICAÇÃO PESSOAL

 

"No Salmo 125, [...], o escritor deixa-nos saber que sua fé tem se debatido [...] e tem prevalecido. O versículo 3 é um telegrama de sua provação. [...]. O mal domina e o povo de fé vacila (ou seja, 'o justo não estenda suas mãos à iniquidade'). [...] A oração do peregrino traz força para sua fé [...]. Quando você confia no Senhor no meio da provação, Deus faz você tão firme quanto o monte Sião. Nada pode penetrar o círculo protetor de Deus para você (v.2). As adversidades e a tristeza não podem passar do círculo exterior. O próprio Deus se torna o seu perímetro interno de cuidado e proteção. Momentos difíceis não são desculpa para má conduta (v.5). É importante continuar vivendo retamente, mesmo quando tudo vai mal".

(WOOD, G. Um salmo em seu coração. RJ: CPAD, 2006, pp.506-7).

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

4º Trimestre de 2009

 

Título: Davi - As vitórias e as derrotas de um homem de Deus

Comentarista: José Gonçalves

 

 

 

Lição 7: A expansão do Reino Davídico

Data: 15 de novembro de 2009

 

TEXTO ÁUREO

 

E Davi se ia cada vez mais aumentando e crescendo, porque o SENHOR, Deus dos Exércitos, era com ele” (2 Sm 5.10).

 

VERDADE PRÁTICA

 

O reino de Israel se tornou forte e respeitado tendo Davi como seu rei. O segredo de todo esse êxito foi a bênção de Deus.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - 2 Sm 5.1-3

Davi é constituído rei de todo o Israel

 

 

 

Terça - 2 Sm 8.1-8

Davi conquista as nações vizinhas

 

 

 

Quarta - 2 Sm 7.10,11

A promessa de Deus a respeito dos inimigos

 

 

 

Quinta - 2 Sm 8.15

Um reino comprometido com a justiça

 

 

 

Sexta - 2 Sm 23.8-39

Um reino com muitos valentes

 

 

 

Sábado - 2 Sm 5.12

Um reino confirmado pelo Senhor

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

2 Samuel 5.6-10.

 

6 - E partiu o rei com os seus homens para Jerusalém, contra os jebuseus que habitavam naquela terra e que falaram a Davi, dizendo: Não entrarás aqui, a menos que lances fora os cegos e os coxos; querendo dizer: Não entrará Davi aqui.

7 - Porém Davi tomou a fortaleza de Sião; esta é a Cidade de Davi.

8 - Porque Davi disse naquele dia: Qualquer que ferir os jebuseus e chegar ao canal, e aos coxos, e aos cegos, que a alma de Davi aborrece, será cabeça e capitão. Por isso, se diz: Nem cego nem coxo entrará nesta casa.

9 - Assim, habitou Davi na fortaleza e lhe chamou a Cidade de Davi; e Davi foi edificando em redor, desde Milo até dentro.

10 - E Davi se ia cada vez mais aumentando e crescendo, porque o SENHOR, Deus dos Exércitos, era com ele.

 

INTERAÇÃO

 

Professor, como está sendo a expectativa de seus alunos em relação aos temas abordados neste trimestre? Eles estão motivados e interessados no estudo biográfico de Davi? Nesta sétima lição, estudaremos a respeito da expansão e da prosperidade do reino davídico. Através da leitura do livro de 2 Samuel, podemos perceber que, sob a liderança de Davi, o reino de Israel experimentou um vertiginoso crescimento, que acarretou diversas mudanças em diferentes áreas (política e espiritual). Com isso, aprendemos que, se o líder escolhido pelo Senhor para realizar a sua obra, for fiel e obediente a Ele, o crescimento e a prosperidade (espiritual e material) virão.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Relatar a importância da cidade de Jerusalém para Israel e para a Igreja.
  • Reconhecer que todo reino bem-sucedido suscita reações distintas.
  • Identificar o legado de Davi para a história bíblica e para a Igreja.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Professor, reproduza o mapa abaixo e utilize-o para mostrar à sua classe a expansão do reino davídico: 1. Hebrom: Após a morte de Saul, Davi mudou-se da cidade dos filisteus, Ziclague, para Hebrom. 2. Jerusalém: Uma das primeiras batalhas de Davi, como rei, foi travada em Jerusalém. Davi e suas tropas tomaram a cidade de surpresa, e ela se tornou a capital do reino. 3. Gate: Pertencia aos filisteus. Davi e suas tropas os expulsaram (2 Sm 5.17-25) e os dominaram (2 Sm 8.1). 4. Moabe: Davi conquistou Moabe e exigiu que lhe pagassem impostos (2 Sm 8.2). 5. Edom: Davi derrotou os edomitas e os obrigou a pagarem tributos (2 Sm 8.14).

 

 

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Palavra Chave

Expansão: Fazer crescer, ampliar, desenvolver-se.

 

Mesmo enfrentando inimigos externos - as nações vizinhas -, e também conflitos internos, familiares e governamentais, Davi foi próspero e vitorioso em seu reinado, pelo fato de obedecer à direção de Deus para sua vida. Era também um crente que buscava ao Senhor, amava a sua Palavra, sempre adorava e louvava a Deus. O aprofundamento da sua vida espiritual no deserto e sua dependência do Senhor ali, lhe foi muito proveitoso em seu desempenho como chefe nacional do povo de Deus.

 

I. A NOVA SEDE DE UM NOVO REINO

 

1. Jerusalém e sua posição estratégica. Tão logo Davi foi empossado rei sobre todo o Israel, tomou a decisão de conquistar a cidade de Jerusalém, na época conhecida como Jebus (Js 18.28). Centralizada em Canaã, Jerusalém era uma cidade fortificada, situada nas montanhas, o que a tornava militarmente estratégica. Davi iniciara a transformação de Jerusalém num centro nacional religioso. Essa tradição permaneceu forte entre os judeus, e Jerusalém tornou-se o local predileto para se adorar a Deus (Jo 4.20). Esse fato é visto claramente nos Salmos de Davi (Sl 122; 137), nos quais é mostrada a importância espiritual que essa cidade ocupava no coração da nação.

Reedificada várias vezes no mesmo local, Jerusalém (não Roma) permanece a Cidade Eterna do mundo, símbolo da Nova Jerusalém, que se há de estabelecer na consumação dos séculos, quando ela será a metrópole mundial. Isso, durante o Milênio, período em que terá muito esplendor (Is 2.3; Zc 8.22), pois Israel estará à frente das nações que subsistirem ao seu julgamento.

2. Jerusalém e sua importância histórica. Jerusalém já conta com mais de três mil anos de história e somente esse fato já é suficiente para torná-la relevante. Mencionada no Antigo Testamento como "A Cidade de Davi" e também no Novo como "Cidade do grande rei", Jerusalém se tornou importante tanto para judeus como para os cristãos. Para o judaísmo, Jerusalém é importante porque se tornou a cidade de Davi (2 Sm 5.7), e para os cristãos, por ser a cidade do Grande Rei, Jesus Cristo (Mt 5.35).

Ao longo da história hebraica, Jerusalém aparece em diferentes contextos. Depois do reinado de Davi, seu filho Salomão construiu neste local o Templo e o palácio real. A perspectiva espiritual de Jerusalém é bem documentada nas páginas do Novo Testamento. Por exemplo, em sua carta aos Gálatas, o apóstolo Paulo faz um interessante contraste entre a Jerusalém histórica, a qual ele chama de terrena, e a Jerusalém espiritual, a qual ele chama de lá de cima (Gl 4.25,26). No perfeito estado eterno de "um novo céu e uma nova terra" (Ap 21), Deus fará a nova e resplandecente Jerusalém descer do céu e pairar nas alturas acima da nova terra (vv.1,2). Que cena maravilhosa não será?! Leia Apocalipse 21.10,11.

 

SINOPSE DO TÓPICO (I)

 

Jerusalém possui não somente uma posição estratégica, mas também uma importância histórica para Israel e para a Igreja.

 

II. UM REINO CRESCENTE DESPERTA INIMIGOS

 

1. Um período de conquista. Uma vez unificado o reino, Davi dá início a suas conquistas militares. Sua primeira investida, após consultar o Senhor e fazer o que este lhe ordenara, é contra os jebuseus, habitantes de Jerusalém (2 Sm 5.6). Após derrotar os jebuseus, a Bíblia diz que "ouvindo, pois, os filisteus que Davi fora ungido rei sobre Israel, subiram todos para prender a Davi" (2 Sm 5.17). Entretanto, a Escritura informa-nos que ele "feriu os filisteus desde Geba até chegar a Gezer" (2 Sm 5.25).

Sobre a conquista de Jerusalém, também conhecida como a fortaleza de Sião (2 Sm 5.7), o Salmo 2 vai nos mostrar esse fato e apresentá-lo como sendo um tipo da conquista do Messias que viria (Sl 2.6). Isso se explica pelo fato de que não somente Davi se torna um tipo do Messias vencedor, mas a própria Jerusalém terrestre, um tipo da celestial (Gl 4.26).

2. Reconhecimento lá fora. A vitória de Davi sobre os jebuseus e posteriormente sobre os filisteus foi apenas o início de um extenso período de vitórias nessa nova fase do reino unido de Israel. O texto sagrado destaca que Davi "ia cada vez mais aumentando e crescendo, porque o SENHOR, Deus dos Exércitos, era com ele" (2 Sm 5.10). Essa presença divina na vida e no reinado de Davi foi notória até fora de Israel, o que é demonstrado pelos presentes trazidos pelos mensageiros enviados por Hirão, rei de Tiro (2 Sm 5.11). Davi reconhecia que no seu reinado todas as bênçãos materiais e espirituais sobre o povo, a terra e o culto divino procediam de Deus.

Nessa época do reinado de Davi, a Arca da Aliança ficou em Jerusalém numa tenda provisória preparada por ele, pois o Tabernáculo do Senhor estava levantado em Gibeão próximo a Jerusalém (1 Cr 16.39; 21.29). Porém, a Arca estava, como já vimos, em Jerusalém no monte Sião (2 Cr 5.2; Sl 116.19). Havia, portanto, culto diante da Arca em Jerusalém (1 Cr 15.29), e diante do Tabernáculo em Gibeão (1 Cr 16.39,40). Da tenda provisória que o rei Davi erigiu-lhe no monte Sião em Jerusalém, a Arca foi transportada para o Templo de Salomão também em Jerusalém (1 Rs 8.1-9). A Arca aparece em visão no livro de Apocalipse 11.19, apenas para lembrar a Israel que o tempo da bênção divina nacional, conforme as promessas do Eterno a Israel, é chegado.

 

SINOPSE DO TÓPICO (II)

 

A expansão do reino de Davi despertava admiração e inimizade ao mesmo tempo.

 

III. NOVO REINO, NOVOS ALVOS A ALCANÇAR

 

1. Adoração ao Senhor. É edificante observar como Davi priorizava as coisas espirituais e primava por isso. Ao chegar ao trono, sua grande preocupação foi cuidar da Arca e do culto ao Senhor. Em seus Salmos, Davi ressalta isso muitas vezes. Será que um dia teremos, em nosso país, governantes e líderes assim?

A Arca representava a presença de Deus entre o seu povo: "E ali virei a ti e falarei contigo de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins (que estão sobre a arca do Testemunho), tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel" (Êx 25.22). Quando a Arca foi levada inicialmente para Jerusalém, tanto Davi como os filhos de Israel "alegravam-se perante o SENHOR, com toda sorte de instrumentos de madeira de faia, com harpas, e com saltérios, e com tamboris, e com pandeiros, e com címbalos" (2 Sm 6.5). No transporte da Arca para Jerusalém, os levitas encarregados disso descumpriram preceitos da Lei de Deus sobre o assunto e houve castigo divino com a morte de um levita. Por isso, a Arca permaneceu três meses em casa de Obede-Edom (2 Sm 6.2-11).

2. Um projeto de construção. Davi viveu na Velha Aliança, onde o culto a Deus era prestado no Tabernáculo e, posteriormente, no Templo. Em o Novo Testamento a adoração no templo é substituída pelo "templo adoração", ou seja, o salvo em Cristo é o templo do Espírito Santo (Tg 4.5). A nossa adoração a Deus origina-se pelo Espírito Santo no íntimo do nosso ser "em espírito e em verdade" (Jo 4.23,24). Adoração não é exatamente o mesmo que louvor. Muitos afirmam louvar a Deus sem, contudo, adorá-Lo; isso por ignorância, hipocrisia, engano, etc. Nesta era da Igreja, cada crente é santuário de Deus e, por isso, pode adorá-lo pelo Espírito Santo, que no crente habita, em qualquer lugar (1 Co 3.16).

 

SINOPSE DO TÓPICO (III)

 

O sucesso do Reino Davídico se deve principalmente ao fato de Davi colocar Deus em primeiro lugar em sua vida.

 

CONCLUSÃO

 

Davi, apesar dos seus maus e reprováveis procedimentos que a Bíblia não omite por ser Ela imparcial, tinha o propósito de amar ao Senhor, buscá-Lo e consultá-Lo em oração, adorá-Lo e sempre fazer sua vontade. Por isso, o seu reinado em Israel tornou-se forte e estável. O legado de Davi para a história bíblica e universal e, particularmente, para a Igreja atual, é muito importante, pois nele está materializada a história de Israel, bem como uma marcante experiência espiritual. Por conseguinte, Davi é citado em o Novo Testamento por diversas vezes.

 

REFLEXÃO

 

"Deus nunca fez uma promessa que fosse boa demais para ser verdade". D. L. Moody.

 

VOCABULÁRIO

 

Sem ocorrências.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

PURKISER, W. T. Comentário Bíblico Beacon. Vol. 2: Josué a Ester. RJ: CPAD, 2005.
LAHAYE, T. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. RJ: CPAD, 2008.

 

EXERCÍCIOS

 

1. A que se deve a prosperidade do reino davídico?

R. À bênção de Deus.

 

2. Qual era o lugar predileto dos judeus para a adoração ao Senhor? Cite uma referência que comprove esse fato.

R. Jerusalém. Salmos 122 e 137.

 

3. De acordo com a lição, mencione dois nomes antigos de Jerusalém.

R. Jebus e Cidade de Davi.

 

4. Qual a importância de Jerusalém para o judaísmo e para o cristianismo?

R. Para o judaísmo, Jerusalém é importante porque se tornou a cidade de Davi (2 Sm 5.7), e para os cristãos, por ser a cidade do Grande Rei, Jesus Cristo (Mt 5.35).

 

5. O que representava a Arca da Aliança?

R. A presença de Deus entre o seu povo.

 

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

 

Subsídio Histórico

 

"Uma família de reis

[...] Após a morte de Saul, o Senhor deu a Davi uma promessa por meio de seu profeta Natã. A respeito de Salomão, o filho de Davi, Deus disse: "Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre" (2 Sm 7.13). E Deus acrescentou: "Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será firme para sempre" (v.16). Esta promessa é a base da aliança davídica. A "casa" de Davi é uma referência a sua linhagem familiar. O "trono" de Davi simboliza o governo de sua família sobre o reino de Israel. O "reino" inclui tanto o povo como seu território. As gerações subsequentes de israelitas, tanto no NT como do AT, conheciam esta promessa e aceitavam-na como sendo literal: somente através da família de Davi haveria reis sobre Israel".

(LAHAYE, T. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. RJ: CPAD, 2008, p.37).

 

APLICAÇÃO PESSOAL

 

A partir de um reino despedaçado, que Saul havia deixado como herança, Davi construiu uma potência forte e unida. Quarenta anos depois, esta seria transmitida a seu filho Salomão. O segredo do sucesso do reino de Davi era o seu coração totalmente voltado para Deus. Foi um rei que governou o povo de Deus por meio dos princípios de Deus e, por esta razão, Deus o abençoou. Pode ser que não alcancemos o sucesso terreno de Davi, no entanto, obedecer a Deus é, certamente, a melhor e mais acertada decisão. Há muitos crentes que são insubmissos a Deus e à sua Palavra. Os tais se esquecem que obedecer é um princípio fundamental da vida cristã. O Deus de Davi continua o mesmo. Ele ainda requer obediência. Davi é um exemplo de que, sem obediência a Deus, o líder não conseguirá obter o bom êxito e a expansão da obra de Deus.

(Adaptado da Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. RJ: CPAD, 2003, p.415).

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

4º Trimestre de 2009

 

Título: Davi - As vitórias e as derrotas de um homem de Deus

Comentarista: José Gonçalves

 

 

 

Lição 8: O pecado de Davi e suas consequências

Data: 22 de novembro de 2009

 

TEXTO ÁUREO

 

"E aconteceu que, tendo decorrido um ano, no tempo em que os reis saem para a guerra, enviou Davi a Joabe, e a seus servos com ele, e a todo o Israel, para que destruíssem os filhos de Amom e cercassem Rabá; porém Davi ficou em Jerusalém(2 Sm 11.1).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A resposta à tentação para pecar não é ignorá-la ou ser-lhe indiferente, mas invocar as promessas bíblicas pela fé em Cristo.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - 1 Co 10.13

A tentação sobrevem a todos

 

 

 

Terça - 1 Pe 5.8

É preciso vigiar

 

 

 

Quarta - 2 Tm 2.22

Fuja da tentação

 

 

 

Quinta - Tg 1.12-15

A tentação vem de maus desejos interiores

 

 

 

Sexta - 1 Cr 21.1

Satanás, o tentador

 

 

 

Sábado - Tg 4.7

Resistindo ao tentador

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

2 Samuel 11.2,4,5,14-17.

 

2 - E aconteceu, à hora da tarde, que Davi se levantou do seu leito, e andava passeando no terraço da casa real, e viu do terraço a uma mulher que se estava lavando; e era esta mulher mui formosa à vista.

4 - Então, enviou Davi mensageiros e a mandou trazer; e, entrando ela a ele, se deitou com ela (e já ela se tinha purificado da sua imundície); então, voltou ela para sua casa.

5 - E a mulher concebeu, e enviou, e fê-lo saber a Davi, e disse: Pejada estou.

14 - E sucedeu que, pela manhã, Davi escreveu uma carta a Joabe e mandou-lha por mão de Urias.

15 - Escreveu na carta, dizendo: Ponde Urias na frente da maior força da peleja; e retirai-vos de detrás dele, para que seja ferido e morra.

16 - Aconteceu, pois, que, tendo Joabe observado bem a cidade, pôs a Urias no lugar onde sabia que havia homens valentes.

17 - E, saindo os homens da cidade e pelejando com Joabe, caíram alguns do povo, dos servos de Davi; e morreu também Urias, o heteu.

 

INTERAÇÃO

 

A lição de hoje trata do pecado de Davi com Bate-Seba. O pecado, uma vez concebido, fez com que o "homem segundo o coração de Deus" passasse da vitória para o tormento. Aproveite esta aula para, mediante a experiência deste rei, demonstrar aos alunos a importância de andarmos em Espírito para que não venhamos satisfazer os desejos da carne.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Conscientizar-se de que a tentação é uma realidade para qualquer crente.
  • Apontar as três fontes básicas da tentação: o Diabo, o mundo e carne.
  • Refletir a respeito das consequências que o pecado traz para quem o comete.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Divida a classe em 5 grupos. Depois que já estiverem formados, entregue a cada grupo uma das questões abaixo. Cada grupo terá, no máximo, três minutos para discutir seu tema e dois minutos para expor sua opinião à classe.

1. Podemos considerar o pecado de Davi como uma simples fraqueza ou imperfeição?

2. O que devemos fazer diante da tentação?

3. O fato de ser um servo fiel a Deus nos isenta do pecado?

4. O que faz com que optemos por ficar em determinado local, onde claramente estamos expostos e vulneráveis à tentação?

5. Se acaso estivéssemos em outro local, será que teríamos cometido o que cometemos?

Conclua o debate explicando que, embora vivamos em uma sociedade que tem se tornado complacente com o pecado, este é fatal. Por isso, deve ser erradicado de nossas vidas.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Palavra Chave

Pecado: Transgressão deliberada e consciente das leis estabelecidas por Deus.

 

A vida de Davi como homem comum pode ser dividida em dois momentos: antes e depois de sua tentação e queda. Com certeza, ele não vigiou espiritualmente, como reiteradas vezes nos adverte as Sagradas Escrituras a fazermos. Pode ser que Davi não tenha considerado as consequências que seu ato lhe traria. O adultério com Bate-Seba, o planejamento e a covarde execução de Urias, o esposo, sem dúvida estão entre os acontecimentos mais condenáveis e repulsivos já narrados na história bíblica. Deus, o Senhor de toda a justiça, reprovou o ato de Davi (2 Sm 11.27), todavia, em sua infinita misericórdia, perdoou-lhe quando este demonstrou arrependimento (Sl 51).

 

I. DAVI E A TENTAÇÃO ANTES DO PECADO

 

1. A realidade da tentação. Ninguém pode negar que a tentação para praticar o mal, o pecado, é uma realidade bem presente em todos nós (Mc 7.21-23; Tg 1.14). Inclusive, um dos nomes do Diabo é "Tentador" (1 Ts 3.5), até a Jesus ele tentou (Mt 4.3). Todos somos tentados de alguma forma. Ninguém está imune à tentação. A tentação em si não é pecado; pecado é ceder-lhe. Todo cristão deve manter-se sempre vigilante neste sentido, pois a tentação, uma vez consumada, sempre produzirá frutos amargos. Davi estava no auge do seu reinado quando tragicamente caiu em pecado, vencido pela sua própria paixão desenfreada. Época de triunfo e realização é também momento de vigilância contra o mal. Davi à essa altura também já era culpado da quebra do mandamento assinalado em Deuteronômio 17.17.

Não sabemos qual era a proximidade que havia entre Bate-Seba e Davi. O fato é que a mulher portava-se indevidamente em local praticamente público e veio a se tornar objeto de cobiça do rei que, desocupado, a avistou banhando-se, desejou-a, mandou que a trouxessem e adulterou com ela. Como se isso não bastasse, Bate-Seba ainda ficou grávida. E é aqui que o desenrolar do restante da tragédia tem início.

2. As fontes da tentação. A Escritura revela três fontes básicas da tentação, que são respectivamente o Diabo, o mundo e a carne. O Diabo é um ser espiritual, "o maligno" (Mt 13.19), que se opõe a Deus e à sua criação; o mundo, como sistema e filosofia de vida, é inimigo dos valores cristãos; e a carne no sentido bíblico é a natureza humana, depravada, decaída e propensa ao pecado (Rm 7.18).

A fim de vencer os desafios das "fontes da tentação" no que diz respeito ao Tentador, a recomendação bíblica é que devemos resisti-lo e assim ele fugirá (Tg 4.7). Quanto aos apelos do mundo, a Palavra nos instrui a que não o amemos (1 Jo 2.15). Em relação à carne, somos advertidos a não somente "viver", mas também a "andar" em Espírito (Gl 5.25).

 

SINOPSE DO TÓPICO (I)

 

A tentação é uma realidade na vida do crente e possui três fontes básicas: o Diabo, o mundo e carne.

 

II. DAVI E O SEU PECADO

 

1. O pecado camuflado. Depois de ter consumado o seu ato pecaminoso, Davi, de várias maneiras e durante um bom tempo, tentou ocultá-lo (2 Sm 11.27). As tentativas foram cada vez mais pecaminosas. Isso sempre acontece com quem tenta esconder seu pecado (Sl 42.7; Nm 32.23). Analisemos as etapas em que o pecado de Davi se avolumou, trazendo mais danos ao seu relacionamento com Deus, à sua consciência, e às pessoas que foram envolvidas nesta trama diabólica:

a) Primeiro Davi ordenou que Urias viesse da guerra para dar-lhe notícias dela, em seguida, ofereceu-lhe um presente e deu-lhe licença para ir a sua própria casa (2 Sm 11.6-8). Tudo era mentira, engano, logro.

b) Em segundo lugar, Davi insistiu que Urias permanecesse em casa, noutras palavras reincidiu no mal (v.10).

c) Em terceira instância, Davi ofereceu um banquete a Urias com vinho embriagante (vv.12,13).

d) Em quarto e último lugar, Davi enviou uma carta real ao comandante Joabe, através de Urias, onde estava contida a sentença de morte do próprio portador (vv.14,15)! Um assassinato covarde de um leal soldado, planejado pelo rei da Nação Escolhida (vv.16,17).

Por meio de tudo isso (e muito mais), Davi estava tentando esconder e incubar o seu pecado. Quando o crente procede dessa forma, o julgamento divino o aguarda, pois "Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gl 6.7).

2. O pecado descoberto e exposto. Quando Davi achava que, morto o esposo da mulher com quem adulterara, o seu problema estava resolvido, Deus envia o profeta Natã para confrontá-lo (2 Sm 12.1-25). Natã narra a parábola do camponês, que possuía uma única ovelha, e do fazendeiro, que tinha muitas ovelhas. O fazendeiro rico toma a única ovelha do camponês e oferece aos seus visitantes. Ao ouvir tal fato, Davi ficou tão irado e furioso com o fazendeiro - uma característica de quem vive com pecado acobertado - que exige a morte de tal homem e ainda a restituição quatro vezes mais ao camponês (2 Sm 12.5,6).

É comum alguém que pecou e não tratou de forma devida o seu pecado projetar um sentimento de "justiça" e uma falsa santidade perante os outros. Ele exige dos outros aquilo que ele mesmo não fez. Cobra santidade, requer compromisso, exige dedicação, no entanto, nega com a sua prática a eficácia desses valores. Natã, com divina autoridade, declarou que Davi era o tal homem (2 Sm 12.7), e que o rei acabara de promulgar sua própria sentença! Devemos ter cuidado para não projetarmos nossos pecados nos outros, pois eles acabarão se voltando contra nós mesmos.

 

SINOPSE DO TÓPICO (II)

 

Ao tentar esconder seu pecado, Davi o agravou ainda mais, levando Deus a expô-lo por meio do profeta Natã.

 

III. DAVI E AS CONSEQUÊNCIAS DO PECADO

 

1. Consequências emocionais. Após pecar, Davi ouviu um dos mais duros julgamentos pronunciados pelo profeta Natã (2 Sm 12.10-14). O julgamento atingia não somente sua vida pessoal, mas também toda a sua existência, incluindo reino e família. Os resultados do pecado de Davi podem ser vistos primeiramente em sua vida sentimental e emocional. Quantas lágrimas Davi derramou? Não há como aferir, entretanto, em Salmos 6.6, temos uma noção: "Já estou cansado do meu gemido; toda noite faço nadar a minha cama; molho o meu leito com as minhas lágrimas". Por certo Davi chorou quando Tamar, sua filha foi violentada (2 Sm 13), e quando seus filhos Amnon e Absalão foram mortos prematuramente (2 Sm 13.33; 18.14).

2. Consequências espirituais e físicas. Não há dúvida de que os maiores efeitos do pecado de Davi estão na esfera espiritual. O pecado parece doce, inofensivo e natural, no entanto, suas consequências são amargas. Paulo, o apóstolo, adverte em sua primeira carta aos coríntios: "Por causa disso [do pecado], há entre vós muitos fracos e doentes e muitos que dormem" (1 Co 11.30). Em outras palavras, aquilo que é espiritual num primeiro plano, tem consequências físicas num segundo. Os especialistas advertem que há muitas doenças psicossomáticas, isto é, doenças da alma ou de origem psicológica que afetam o corpo físico. A Bíblia nos mostra que há também doenças de origem espiritual. A Palavra de Deus adverte: "Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos" (Tg 5.16). Davi pôs em prática isso e clamou ao Senhor: "[...] Tem piedade de mim; sara a minha alma, porque pequei contra ti" (Sl 41.4).

 

SINOPSE DO TÓPICO (III)

 

O pecado de Davi trouxe consequências emocionais, espirituais e físicas para ele e sua família.

 

CONCLUSÃO

 

Davi estava no lugar errado e na hora errada quando pecou. A Escritura diz que naquele tempo os reis costumavam ir à guerra, mas Davi ficou em casa (2 Sm 11.1,2). Infelizmente, ele não ficou apenas em casa, mas ficou também ocioso quando passeava pelo terraço. A essas lições da vida de Davi, cujo registro Deus permitiu ficar na Bíblia, devemos atentar bastante para que também não venhamos a incidir no mesmo erro.

 

VOCABULÁRIO

 

Aferir: Medir, avaliar.
Avolumar: Aumentar em volume.
Camuflado: Escondido, oculto.
Rescindir: Recair, praticar o mesmo erro de novo.
Vulnerável: Diz-se do ponto fraco pelo qual alguém pode ser atacado.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

PURKISER, W. T. Comentário Bíblico Beacon. Vol. 2. RJ: CPAD, 2005. 
WOOD, G. O. Um salmo em seu coração. RJ: CPAD, 2006.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Quais são as fontes da tentação?

R. O Diabo, o mundo e carne.

 

2. O que aconteceu a Davi quando ele tentou ocultar o seu adultério?

R. O pecado foi se avolumando.

 

3. Qual é o comportamento típico da pessoa que não vive o que professa?

R. É comum alguém que pecou e não tratou de forma devida o seu pecado projetar um sentimento de "justiça" e uma falsa santidade perante os outros. Ele exige dos outros aquilo que ele mesmo não fez.

 

4. Quais são as três classes de consequências do pecado?

R. Emocionais, espirituais e físicas.

 

5. Em sua opinião, por que Davi se tornou tão vulnerável ao pecado?

R. Resposta pessoal.

 

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

 

Subsídio Teológico

 

"O profeta Natã foi enviado pelo Senhor para confrontar Davi com seu pecado. Dramaticamente usou uma parábola simples, mas admirável para revelar a verdade à consciência do rei. A sabedoria desta abordagem faz um paralelo com o discurso de Paulo aos atenienses no Areópago (At 17.22-31). Cada elemento da parábola é planejado para estimular a solidariedade do rei e ultrajar o senso de justiça: um homem pobre com apenas uma cordeira, a qual ele amava com grande estima; um homem rico com uma riqueza abundante em rebanhos e gado; a cruel desconsideração pelos sentimentos e direitos de seu pobre vizinho ao tomar-lhe a única cordeira e matá-la para os seus convidados (1-4). A reação de Davi foi imediata e correta. A sua ira foi provocada, e ele declarou: 'Digno de morte é o homem que fez isso'. Natã revelou com habilidade o ponto-chave da parábola: 'Tu és este homem'. [...] Davi tinha desprezado o mandamento de Deus, e tinha feito o mal diante de seus olhos com o pecado duplo de adultério e assassinato. O terrível resultado do pecado começa agora a se desdobrar. O juízo seria duplamente severo porque viria não de estrangeiros e inimigos de fora, mas da sua própria casa"

(PURKISER, W. T. Comentário Bíblico Beacon. Vol. 2. RJ: CPAD, 2005, p.246).

 

APLICAÇÃO PESSOAL

 

Bate-Seba era o vínculo entre os dois reis mais famosos de Israel - Davi e Salomão. Seu adultério com Davi quase pôs fim a família através da qual Deus planejou entrar fisicamente no mundo. Em meio às cinzas daquele pecado, porém, o Senhor trouxe o bem. Jesus Cristo, o Redentor da humanidade, nasceu de um descendente de Davi e Bate-Seba. A história de Davi e Bate-Seba mostra que pequenas decisões erradas frequentemente levam a grandes erros. [...]

Bate-Seba provavelmente sentiu-se arrasada pela cadeia de eventos. [...] Davi a confortou (2 Sm 12.24), e ela viveu para ver outro filho, Salomão, sentar-se no trono. Por meio de sua vida, vemos que as pequenas escolhas que fazemos em nosso dia-a-dia são muito importantes. Elas nos preparam para realizar coisas esplêndidas, quando temos que tomar grandes decisões. A sabedoria para fazer as escolhas certas em diversos assuntos é um dom de Deus.

(Adaptado da Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. RJ: CPAD, 2003, p.461).

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

4º Trimestre de 2009

 

Título: Davi - As vitórias e as derrotas de um homem de Deus

Comentarista: José Gonçalves

 

 

 

Lição 9: A restauração espiritual de Davi

Data: 29 de novembro de 2009

 

TEXTO ÁUREO

 

"Então, disse Davi a Natã: Pequei contra o SENHOR. E disse Natã a Davi: Também o SENHOR te traspassou o teu pecado; não morrerás(2 Sm 12.13).

 

VERDADE PRÁTICA

 

O caminho da restauração passa pelo arrependimento e confissão do erro cometido e abandono da prática.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Jó 22.23

Deus restaura o que se arrepende

 

 

 

Terça - Sl 19.7

A Palavra de Deus restaura a alma

 

 

 

Quarta - Is 57.18

Deus restaura os caminhos do pecador

 

 

 

Quinta - Mq 7.18,19

Deus perdoa e "esquece"

 

 

 

Sexta - Hb 8.12

A misericórdia divina

 

 

 

Sábado - Sl 32.1,2

O perdão traz a verdadeira alegria

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Salmos 51.1-4,7-12,17.

 

1 - Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias.

2 - Lava-me completamente da minha iniqüidade e purifica-me do meu pecado.

3 - Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim.

4 - Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que a teus olhos é mal, para que sejas justificado quando falares e puro quando julgares.

7 - Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve.

8 - Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que gozem os ossos que tu quebraste.

9 - Esconde a tua face dos meus pecados e apaga todas as minhas iniqüidades.

10 - Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto.

11 - Não me lances fora da tua presença e não retires de mim o teu Espírito Santo.

12 - Torna a dar-me a alegria da tua salvação e sustém-me com um espírito voluntário.

17 - Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.

 

INTERAÇÃO

 

Caro professor, nesta lição, o "homem segundo o coração de Deus", de acordo com Mark Dever, tornou-se o retrato mais claro do que significa arrepender-se do pecado. Como homem, Davi errou e quase veio a sucumbir, no entanto, ao contrário de Saul, não tentou se justificar, mas arrependeu-se profundamente e reconheceu o seu pecado (2 Sm 12.13a; Sl 51.4). Aproveite esta aula para enfatizar aos alunos a importância da confissão, do arrependimento e do abandono da prática do pecado.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Compreender que o caminho da restauração passa pelo arrependimento, confissão e abandono do pecado.
  • Conscientizar-se da importância da Bíblia para a restauração espiritual.
  • Reconhecer a influência do meio na decisão do indivíduo em pecar, ou não.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Realize um pequeno debate com o seguinte problema: "Saul transgrediu a Lei do Senhor e, em virtude disso, perdeu o trono. O que o torna diferente de Davi? Por que Davi pecou e não perdeu o reino?" Após ouvir as respostas, explique que a diferença entre Saul e Davi provavelmente está na atitude dos dois em relação ao pecado. Ao pecar, Saul tentou justificar-se transferindo a responsabilidade para o povo (1 Sm 13.13,14; 15.1-3,9,15-31). Ao passo que Davi, arrependeu-se profundamente (2 Sm 12.13a; Sl 51.4). Conclua o debate mostrando que atualmente o crente que não reconhece seus erros e rejeita a disciplina de Deus, poderá ter o mesmo destino de Saul. Esteja atento para que o debate não se estenda muito, utilize, no máximo, 10 minutos.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Palavra Chave

Restauração: Restabelecimento de uma situação vivida anteriormente; conserto.

 

O relacionamento pecaminoso de Davi com Bate-Seba foi rápido, mas as suas consequências foram duradouras. Até ser confrontado pelo profeta, ele agiu à semelhança dos nossos primeiros pais, que também tentaram ocultar seus pecados (Gn 3.1-13). Todavia, uma vida de pecados ocultos apenas prolonga o sofrimento de quem os comete, já que de Deus ninguém consegue esconder nada. Por certo, Davi só obteve paz espiritual após dizer a frase que resume a atitude de um pecador arrependido: "Pequei contra o Senhor" (2 Sm 12.13).

 

I. A RESTAURAÇÃO E A PALAVRA DE DEUS

 

1. Davi e a Palavra de Deus. Davi certamente era um homem que amava a Palavra de Deus. Entretanto, podemos afirmar com segurança que no momento de sua queda espiritual ele estava longe da lei divina. Poderia um homem estar agindo de acordo com a Palavra de Deus e ainda assim possuir a mulher do seu próximo e mandar matar seu marido? Por certo não! O mais simples é entendermos que Davi se tornara um burocrata, e um crente com uma vida devocional pobre, e que, por isso, não percebera sua fragilidade nem tampouco a cilada de Satanás.

Davi foi confrontado pela Palavra de Deus pronunciada pelo profeta Natã (1 Sm 12). Qual outra fonte se atreveria a confrontar o rei? Somente a Palavra de Deus é poderosa para lançar luz em nossas densas trevas.

2. O cristão e a Palavra de Deus. Em o Novo Testamento encontramos várias atitudes que o cristão deve tomar em relação à Palavra de Deus, a fim de que não venha tropeçar (Rm 10.17; 1 Ts 1.6). O crente necessita ouvir a Palavra, recebê-la e também nela meditar (Sl 1.2). A Palavra precisa ser aceita e acolhida por nossas mentes e corações. Quantos tropeçam porque não recebem aquilo que Deus está a lhes falar? Armar-se com a Palavra é outra atitude fundamental para não fracassar (Ef 6.17). Contudo, o que adianta armar-se com a Palavra ou estar cheio dela se não soubermos como usá-la? É preciso manejar bem a Palavra da verdade (2Tm 2.15).

 

SINOPSE DO TÓPICO (I)

 

A Palavra de Deus é fundamental no processo de restauração, atuando como luz em nossas densas trevas.

 

II. A RESTAURAÇÃO E A INFLUÊNCIA DE FATORES EXTERNOS EM NOSSAS DECISÕES

 

1. A influência do meio. Embora não sirva de desculpa, não há como negar que Davi se deixou influenciar pelo meio no qual vivia. Na cultura do Antigo Oriente os reis eram quase semi-deuses, podendo exercer um poder absoluto e ter praticamente tudo o que queriam. Ser o homem de várias mulheres era algo considerado "normal" naqueles dias. Com Davi não foi diferente. Essa influência do meio fez com que ele desejasse e possuísse Bate-Seba, sem se dar conta do grande mal que estava praticando.

Veremos mais adiante que o meio não deve servir de justificativa para nos eximir de nossas responsabilidades morais, no entanto, não devemos subestimar o poder exercido por ele (Rm 12.2). Tomemos cuidado com o meio no qual vivemos.

2. Nossa responsabilidade moral. Já falamos que Davi estava no lugar errado e na hora errada. Porém, em seu processo de restauração, isso não é levado em conta e nem deveria, já que a Escritura coloca sobre nós toda a responsabilidade pelas decisões que tomamos. Devemos dar a resposta adequada ao meio onde nos encontramos. A restauração de Davi começa por essa conscientização.

É bom sabermos que, como agentes morais livres, somos responsáveis por nossas ações ou decisões. Não é possível nenhum processo de restauração quando desconsideramos esse fato. Por que Davi caiu? Por que Pedro negou a Jesus? Por que Judas o traiu? Em todos os casos, de quem era a culpa? Deus pode ser responsabilizado pelas ações desses homens? Algum deles foi predestinado a cometer tal ato? Em todos esses casos, quer estivessem motivados por agentes da tentação externos, quer não, a Escritura põe a responsabilidade desses atos sobre cada um deles. A culpa foi de Davi, a culpa foi de Pedro, a culpa foi de Judas. A culpa é nossa. É por isso que, para ser restaurado, Davi exclamou: "Porque eu conheço as minhas transgressões; e o meu pecado está sempre diante de mim" (Sl 51.3).

 

SINOPSE DO TÓPICO (II)

 

O meio exerce uma poderosa influência sobre nós, mas isso não nos exime de nossa responsabilidade moral.

 

III. A RESTAURAÇÃO E A ATITUDE DIANTE DO PECADO

 

1. Reconhecendo a misericórdia de Deus. Possivelmente nenhum obstáculo é maior no processo de restauração do que o sentimento de indignidade que a culpa produz. Satanás é sabedor deste fato e costuma explorá-lo até as últimas consequências. Quantos cristãos estão encostados porque, após terem fracassado, acham-se eternamente indignos de ser restaurados e de levantar a cabeça? Quando Davi tropeçou, consciente de seu erro, exclamou do fundo da sua alma: "Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a sua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias" (Sl 51.1). A restauração só é possível, porque Deus é gracioso para conosco e está pronto a mostrar o seu favor imerecido. De fato, um dos significados da palavra graça é "favor imerecido". Davi estava consciente de que, para ser restaurado, ele necessitava do favor e da compaixão do Eterno.

2. Reconhecendo a nossa pecaminosidade e a santidade de Deus. Nos versículos 2 e 3 do Salmo 51, Davi reconhece sua iniquidade e transgressão. Essas duas palavras são usadas para nomear a malignidade do pecado. A transgressão é maligna, e a sua consequência imediata é a culpa. Somos portadores de uma natureza pecaminosa, e o reconhecimento desse fato é importantíssimo no processo de restauração (Rm 7.18). Por que culpar o outro quanto na verdade somos a causa do problema? A ordem do processo de restauração é sempre essa: arrependimento, conscientização, confissão e abandono da prática pecaminosa.

Davi ora e diz: "Esconde a tua face dos meus pecados" (Sl 51.9). Nenhum pecado é tratado devidamente se não se leva em conta a santidade do Senhor. O pecado é cometido primeiramente contra Deus e sua Palavra. A nossa transgressão deve provocar um sentimento de vergonha diante da divindade, que é santa. Se o pecado mancha nossa vida e agride a santidade de Deus, precisamos urgentemente ser purificados. Por isso, Davi exclama: "Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve" (Sl 51.7).

 

SINOPSE DO TÓPICO (III)

 

O reconhecimento dos nossos pecados, da santidade e da misericórdia divinas são fundamentais no processo de restauração.

 

CONCLUSÃO

 

A Escritura comprova que Davi foi totalmente restaurado diante de Deus, e suas poesias expostas nos Salmos confirmam essa restauração. Não há porque vivermos sob o domínio do pecado, uma vez que a Escritura assegura-nos de que o sangue de Jesus quebrou esse domínio e tem poder para nos purificar totalmente dele (Rm 6.14; 1 Jo 1.7,9). Contudo, no processo de restauração, cabe a nós demonstrar uma atitude de arrependimento, confissão, quebrantamento e abandono do pecado, assim como fez Davi.

 

VOCABULÁRIO

 

Sem ocorrências.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

COUTO, G. A Transparência da Vida Cristã. RJ: CPAD, 2001.
Dicionário Bíblico Wycliffe. RJ: CPAD, 2006.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Cite algumas atitudes que o cristão deve tomar em relação à Palavra de Deus.

R. O crente necessita ouvir, receber e meditar na Palavra, bem como aceitá-la e acolhê-la em nossas mente e coração.

 

2. De quem é a responsabilidade pelo pecado?

R. A responsabilidade pelo pecado é de quem os comete.

 

3. Qual é a ordem do processo de restauração?

R. Conscientização, arrependimento, confissão e abandono do pecado.

 

4. Antes de ser contra nós ou outra pessoa, primeiramente, o pecado agride a quem?

R. Agride a Deus e a sua Palavra.

 

5. Na situação de Davi, o que você faria?

R. Resposta pessoal.

 

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

 

Subsídio Bibliológico

 

"A doutrina do perdão, proeminente tanto no AT quanto no NT, refere-se ao estado ou ao ato de perdão, remissão de pecados, ou à restauração de um relacionamento amigável. [...] No perdão, a culpa pelo pecado é perdoada e substituída pela justificação, através da qual o pecador é declarado justo. [...] Embora judicialmente todos os pecados sejam perdoados quando o pecador é salvo através da fé (Jo 3.18), se o pecado entrar na vida de um cristão, ele afetará o relacionamento deste com o Pai Celestial. O perdão e a restauração da comunhão que se fizeram necessários são efetuados mediante a confissão dos pecados (1 Jo 1.9) e o arrependimento (Lc 17.3,4; 24.47). [...] A confissão de pecados é feita primeiramente a Deus (Sl 32.3-6), àquele que sofreu o dano (Lc 17.4), a um conselheiro espiritual (2 Sm 12.13), ou a congregação de crentes (1 Co 5.3)".

(Dicionário Bíblico Wycliffe. RJ: CPAD, 2006. pp.443,1501-2).

 

APLICAÇÃO PESSOAL

 

"A confissão é para a alma o que o preparo da terra é para o campo. Antes de semear, o fazendeiro trabalha a terra, removendo pedras e arrancando tocos. Ele sabe que a semente cresce melhor quando o solo é preparado. A confissão é um convite para Deus passear pelos acres de nosso coração. A semente de Deus cresce melhor se o solo do coração é roçado. [...] E então, o Pai e o Filho andam juntos pelo campo; cavando e arrancando, preparando o coração para frutificar. A confissão convida o Pai a trabalhar o solo da alma. A confissão busca o perdão de Deus, não a anistia. Perdão presume culpa; anistia, derivada da mesma palavra grega para amnésia, 'esquece' a suposta ofensa sem imputar culpa".

(LUCADO, M. Nas Garras da Graça. RJ: CPAD, 1999, p.120).

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

4º Trimestre de 2009

 

Título: Davi - As vitórias e as derrotas de um homem de Deus

Comentarista: José Gonçalves

 

 

 

Lição 10: Davi e o preço da negligência na família

Data: 06 de dezembro de 2009

 

TEXTO ÁUREO

 

"Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia(1 Tm 3.4).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Não adianta termos êxito em tudo se a nossa família é uma prova do nosso fracasso.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - 2 Sm 6.16

O injusto desprezo de uma esposa

 

 

 

Terça - 2 Sm 11.1-4; Êx 20.14

Adultério, o inimigo do lar

 

 

 

Quarta - 2 Sm 12.11

O juízo divino sobre a família de Davi

 

 

 

Quinta - 2 Sm 15.6

Um filho rebelde

 

 

 

Sexta - 2 Sm 12.16; 1 Cr 29.19

A oração de um pai em favor de seu filho

 

 

 

Sábado - Pv 23.13

A disciplina dos filhos

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

2 Samuel 13.2,5,10-12,14,15

 

2 - E angustiou-se Amnom, até adoecer, por Tamar, sua irmã, porque era virgem; e parecia, aos olhos de Amnom, dificultoso fazer-lhe coisa alguma.

5 - E Jonadabe lhe disse: Deita-te na tua cama, e finge-te doente; e, quando teu pai te vier visitar, dize-lhe: Peço-te que minha irmã Tamar venha, e me dê de comer pão, e prepare a comida diante dos meus olhos, para que eu a veja e coma da sua mão.

10 - Então, disse Amnom a Tamar: Traze a comida à câmara e comerei da tua mão. E tomou Tamar os bolos que fizera e os trouxe a Amnom, seu irmão, à câmara.

11 - E, chegando-lhos, para que comesse, pegou dela e disse-lhe: Vem, deita-te comigo, irmã minha.

12 - Porém ela lhe disse: Não, irmão meu, não me forces, porque não se faz assim em Israel; não faças tal loucura.

14 - Porém ele não quis dar ouvidos à sua voz; antes, sendo mais forte do que ela, a forçou e se deitou com ela.

15 - Depois, Amnom a aborreceu com grandíssimo aborrecimento, porque maior era o aborrecimento com que a aborrecia do que o amor com que a amara. E disse-lhe Amnom: Levanta-te e vai-te.

 

INTERAÇÃO

 

Prezado professor, como está a sua família? Todos estão bem? Você tem tido cuidado com o seu cônjuge? Será que, como pai, você não está cometendo os mesmos erros que Davi? Pense... A família é o nosso maior patrimônio. É uma das grandes dádivas de Deus para nós. Davi foi um dos maiores reis de Israel, no entanto, fracassou na educação e na formação dos seus filhos. Ele não colocou sua família entre as suas prioridades. Reflita com seus alunos acerca dos erros cometidos por Davi em sua vida familiar e encoraje-os a cuidar e proteger sua família.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Identificar a negligência de Davi em relação à sua família.
  • Compreender o papel da disciplina na educação dos filhos.
  • Reconhecer a importância do afeto e da presença dos pais na vida dos filhos.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Reproduza o quadro abaixo e providencie uma cópia para cada aluno. Caso seja possível, apresente-o em forma de slides no PowerPoint. O fato de Davi haver transgredido a Lei Mosaica (Dt 17.17), adquirindo para si muitas mulheres, trouxe-lhe consequências terríveis. Tais consequências não atingiram apenas o "homem segundo o coração de Deus", mas toda a sua família. Utilize o quadro para refletir com seus alunos a respeito de questões familiares, tais como fidelidade conjugal, educação de filhos etc.

 

 

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Palavra Chave

Negligência: Desatenção; descuido; desleixo.

 

Admirados diante dos grandes feitos de Davi como rei de Israel, achamos difícil admitir a sua negligência como pai de família. Às vezes corremos o risco de cuidar demasiadamente da imagem pessoal e do progresso profissional, e descuidar da assistência ao lar. Não há como eximir Davi de sua omissão na educação de seus filhos. Isso fica mais evidente quando descobrimos que os maiores escândalos sexuais aconteceram dentro da família real (2 Sm 13.1-19; 16.20-23). Não seria este o momento de não apenas estudarmos acerca dos erros de Davi, mas de extrairmos lições que nos ajudem na formação de nossos familiares?

 

I. DAVI FRACASSA NA FORMAÇÃO CULTURAL DOS FILHOS

 

1. Os valores dos filhos do mundo. Os hebreus tinham uma facilidade muito grande de assimilar os costumes das culturas vizinhas. De fato, esse foi um problema crônico que acompanhou o povo de Deus ao longo de sua história. A fim de preveni-los desse mal, ainda no ministério mosaico, Deus advertiu-os: "E não andeis nos estatutos da gente que eu lanço de diante da vossa face, porque fizeram todas estas coisas; portanto, fui enfadado deles" (Lv 20.23). Infelizmente a história irá mostrar que a absorção de tais costumes foi a causa principal da derrocada de Israel. No período dos reis, devido ao afrouxamento na observação dos princípios divinos, esse perigo se tornou mais ameaçador (2 Rs 17.19). Muitos costumes vividos por Davi, como o de possuir várias mulheres, refletem mais a cultura circundante de seus dias do que a cultura bíblico judaica. Lamentavelmente, foram alguns desses princípios valorativos que Davi deixou de herança para seus descendentes.

Uma coisa pode ser legal, isto é, amparada por um costume ou até mesmo por uma lei coercitiva; todavia, essa mesma coisa pode não ter apoio moral. Nos dias de Davi, era costume um monarca desposar várias mulheres. Culturalmente não havia nenhum problema nisso, mas teria essa prática apoio moral na Palavra de Deus, que Davi tão bem conhecia? Davi e outros reis depois dele parecem ignorar aquilo que é moral para se ajustar àquilo que era convencionalmente aceito.

2. Os valores dos filhos do rei. Amnom possuía uma escala de valores invertidos, que se reflete, por exemplo, na ideia que ele tinha sobre a sexualidade humana. Totalmente dominado por uma paixão e concupiscência doentias, vejamos algumas de suas características:

a) Ele estava dominado pela atração física. O texto sagrado na versão atualizada declara que Amnom se "enamorou pela formosura" de sua meio-irmã Tamar (2 Sm 13.1). Mesmo naqueles dias, o culto ao corpo já era bem familiar nas culturas pagãs. Amnom não conseguia ver em sua meio-irmã a pureza de uma donzela filha do rei, mas contemplava-a como um objeto sexual.

b) Ele estava à procura de sexo. É muito fácil confundir sexo com amor e, uma paixão fugaz com um relacionamento. Entretanto, há uma diferença assombrosa entre ambos. Não devemos esquecer que Amnom era meio-irmão de Tamar e, portanto, deveria saber que um relacionamento entre eles era impossível (Lv 20.17). Mesmo diante da sugestão de Tamar, Amnom violenta-a e satisfaz, à força, o seu desejo de gratificação sexual, sabendo que isso não era permitido e teria a reprovação de Davi.

c) Ele demonstra ser um homem impulsivo e não racional. Os impulsos dominaram Amnom. Através da primeira carta aos Coríntios (capítulo 13), ficamos sabendo que o amor é mais um comportamento do que um sentimento. É sentimental, mas também racional. Tivesse Amnom a noção exata do que significa o verdadeiro amor, por certo não teria destruído a vida de sua irmã para satisfazer um desejo pessoal, egoísta e irracional.

 

SINOPSE DO TÓPICO (I)

 

O fracasso de Davi na formação cultural dos filhos acarretou tragédias para dentro de sua casa.

 

II. DAVI FRACASSA AO NÃO IMPOR LIMITES

 

1. Davi não corrigiu o mal comportamento. Uma primeira leitura da vida e obra de Davi nos dá a nítida impressão de que ele era um rei extremamente zeloso, mas um pai omisso. Davi parece alimentar um ambicioso projeto expansionista, mas não demonstra esse mesmo interesse na administração de sua família. Essa omissão fica evidente quando ele, mesmo sabendo do ato detestável praticado por seu filho Amnom contra Tamar, sua filha, não toma nenhuma medida para corrigi-lo. O texto sagrado registra que, ao saber do acontecido, Davi ficou irado (2 Sm 13.21), e isso é perfeitamente compreensível. Todavia, que medidas ele tomou depois que as coisas esfriaram? Nenhuma.

Diante da impunidade, Absalão, irmão de Amnom e de Tamar, também filho de Davi, passou a odiar a "Amnom, por ter forçado a Tamar, sua irmã" (2 Sm 13.22). Certamente, Davi percebia esse ódio no rosto de Absalão e, se tivesse agido com justiça, corrigindo o incestuoso filho, é possível que as coisas não tivessem terminado daquela forma. Dois anos se passaram (2 Sm 13.23), e Davi nenhuma providência tomou acerca do caso. A sua omissão contribuiu para que o sentimento de vingança de Absalão crescesse e resultasse na morte de Amnom (2 Sm 13.28,29).

2. Davi não ensinou valores hierárquicos. Um dos fatores que ajuda estabelecer uma boa convivência familiar é o respeito pelos papéis familiares. Algumas atitudes dos filhos de Davi contradizem esse princípio. Primeiramente vemos uma forte ambição pelo poder, claramente demonstrada nas atitudes de Absalão e Adonias, que a todo custo queriam o lugar do pai. Este via sua autoridade real ameaçada pelas tentativas de Golpe de Estado planejada por seus dois filhos (2 Sm 15.1-18; 1 Rs 1.5-10). A Bíblia diz que Adonias "se exaltou e disse: eu reinarei" (1 Rs 1.5). A expressão "se exaltou" mantém o sentido na língua original de "levantar-se contra a autoridade constituída". Somente alguém sem nenhum respeito pela hierarquia, que neste caso é a do próprio pai, agiria dessa forma. É difícil imaginar isso acontecendo em uma família onde valores familiares, como respeito à autoridade paterna, são praticados.

 

SINOPSE DO TÓPICO (II)

 

Davi foi um rei bem-sucedido, mas fracassou na disciplina de seus filhos.

 

III. DAVI FRACASSA COMO PAI

 

1. Um pai ausente. Um bom pai acompanha seus filhos de perto, orientando-os inclusive em relação às suas companhias. Os fatos ocorridos com Amnom revelam que, por trás do plano arquitetado para violentar sua meia-irmã, havia um "amigo" chamado Jonadabe, o qual o aconselhou a cometer tamanho crime (2 Sm 13.2-5). Jonadabe, que demonstra ser um mau caráter, atua como uma espécie de "pedagogo" para Amnom. Mas onde estava Davi? Nunca é demais dizer que os pais devem ser os melhores amigos dos filhos sem, contudo, serem seus cúmplices.

2. Um pai sem afetividade. O relacionamento entre Davi e seus filhos obedecia a um formalismo frio. A forma como ele tratou Absalão, após este ter assassinado Amnom, é uma prova disso. Depois de cometer o crime, Absalão fugiu para Gesur (2 Sm 13.38) e, três anos depois do fato ter acontecido, Davi ainda não lhe perdoara. Graças à intercessão de Joabe, Absalão volta ao palácio real, mas sem ter o direito de ver a face do pai (2 Sm 14.28). Após muita insistência, Absalão foi admitido na casa real. Davi, como gesto de perdão e admissão do filho, até o beijou, mas tal ato foi insuficiente para reparar os danos causados pela falta de afetividade do passado (2 Sm 14.33). Completando o círculo de desgraças, Absalão armou um Golpe de Estado e acabou morto (2 Sm 18.9-15).

 

SINOPSE DO TÓPICO (III)

 

O afeto e a presença dos pais na vida dos filhos é fundamental para uma boa educação.

 

CONCLUSÃO

 

Há por certo outras virtudes de Davi que ainda não contemplamos, todavia, essa análise às avessas visa nos alertar para os perigos que cercam nossas famílias. Seja como for, quer de forma positiva, quer de forma negativa, Davi nos ensina.

 

VOCABULÁRIO

 

Acautelar: Ter cuidado.
Incauto: Ignorante.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

YOUNG, Ed. Os 10 Mandamentos da Criação dos Filhos. RJ: CPAD, 2007.
GANGEL, K. O.; GANGEL, J. S. Aprenda a ser pai com o Pai. RJ: CPAD, 2004.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Cite três atitudes que demonstram que Amnom não se pautava pelos valores bíblicos.

R. Ele estava dominado pela atração física, à procura de sexo e demonstrava ser um homem impulsivo e não racional.

 

2. O que significa, segundo a língua original, a expressão "se exaltou"?

R. Significa "levantar-se contra a autoridade constituída".

 

3. À luz da história de Amnom, como os pais devem agir em relação às companhias de seus filhos?

R. Um bom pai deve acompanhar seus filhos de perto, orientando-os inclusive em relação às suas companhias.

 

4. Os pais devem ser amigos dos filhos ou cúmplices?

R. Os pais devem ser os melhores amigos dos filhos sem, contudo, serem cúmplices.

 

5. Comparando a forma de Davi educar com a sua, em que vocês mais se parecem e em que mais divergem?

R. Resposta pessoal.

 

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

 

Subsídio Histórico

 

"Disciplina é um componente necessário do amor (Hb 12.5,6). Obviamente, a disciplina paterna oferecida por cristãos no contexto da família deveria sempre ser amorosa - nunca aplicada com raiva. [...] Disciplina identifica o filho como um membro genuíno da família (Hb 12.7,8). A referência a pais terrenos nesses versículos indica novamente que Deus nos ensina verdades espirituais através de ilustrações familiares. [...] Disciplina de pais humanos nunca é perfeita (Hb 12.9,10). A Escritura ensina que nós temos de reverenciar, ou honrar, pais que nos corrigem, mesmo quando eles fazem isso de forma imperfeita e às vezes mediante seus próprios padrões.[...] Disciplina sempre parece ser dolorosa na hora, mas no fim produz frutos (Hb 12.11). [...] Uma disciplina bem-sucedida requer paciência, persistência e uma visão clara do objetivo. Disciplina nem sempre significa fazer coisas para e por seus filhos. Às vezes pode significar exigir que eles façam coisas essenciais por si mesmos".

(GANGEL, K. O.; GANGEL J. S. Aprenda a ser pai com o Pai. RJ: CPAD, 2004, pp.141-2).

 

APLICAÇÃO PESSOAL

 

Os pais não estão somente criando filhos, mas construindo templos. Uma vez que os seres humanos são feitos para serem preenchidos com a presença de Deus, os pais são construtores de templos, assentando uma fundação sólida de disciplina coberta por um telhado robusto de incentivo. Conectando a fundação (que dá estabilidade) ao telhado (que dá segurança), há duas robustas colunas chamadas estabilidade e firmeza.

(YOUNG, Ed. Os 10 Mandamentos da Criação dos Filhos. RJ: CPAD, 2007).

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

4º Trimestre de 2009

 

Título: Davi - As vitórias e as derrotas de um homem de Deus

Comentarista: José Gonçalves

 

 

 

Lição 11: Davi e a restauração do culto a Jeová

Data: 13 de dezembro de 2009

 

TEXTO ÁUREO

 

"Dai ao SENHOR a glória de seu nome; trazei presentes e vinde perante ele; adorai ao SENHOR na beleza da sua santidade(1 Cr 16.29).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A essência do verdadeiro culto a Deus é a adoração, portanto, Ele procura adoradores que o adorem em espírito e em verdade.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - 1 Sm 16.17,18

Davi, um adorador

 

 

 

Terça - 1 Cr 16.1

Um lugar de adoração

 

 

 

Quarta - 1 Cr 16.4

Levitas separados para o louvor

 

 

 

Quinta - Sl 29.2

Adorando a Deus com intensidade

 

 

 

Sexta - Sl 33.2

Adorando com instrumentos musicais

 

 

 

Sábado - Ap 22.9

Adorar somente a Deus

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

1 Crônicas 16.7-14

 

7 - Então, naquele mesmo dia, entregou Davi em primeiro lugar o Salmo seguinte, para louvarem ao SENHOR, pelo ministério de Asafe e de seus irmãos:

8 - Louvai ao SENHOR, invocai o seu nome, fazei conhecidos entre os povos os seus feitos.

9 - Cantai-lhe, salmodiai-lhe, atentamente falai de todas as suas maravilhas.

10 - Gloriai-vos no seu santo nome; alegre-se o coração dos que buscam o SENHOR.

11 - Buscai o SENHOR e a sua força; buscai a sua face continuamente.

12 - Lembrai-vos das suas maravilhas que tem feito, dos seus prodígios, e dos juízos da sua boca.

13 - Vós, semente de Israel, seus servos, vós, filhos de Jacó, seus eleitos.

14 - Ele é o SENHOR, nosso Deus; em toda a terra estão os seus juízos.

 

INTERAÇÃO

 

Prezado professor, nesta lição estudaremos a respeito da segunda tentativa de Davi de trazer a Arca que estava na casa de Obede-Edom. Davi havia aprendido a lição e desta vez preparou-se junto aos levitas, que eram pessoas separadas por Deus para cuidar da Arca (Nm 4.4-15). Portanto, desta vez, a viagem até Jerusalém foi marcada não somente pela adoração e pelo louvor, mas também pelo respeito, reverência e obediência aos mandamentos de Deus. Aprendemos, por intermédio desta lição, que adorar a Deus exige reverência, pois é um ato de total rendição, gratidão e exaltação ao Senhor. Separe um tempo, na conclusão da aula, para que você e seus alunos adorem ao Senhor, pois só Ele é digno de receber toda a honra, glória e louvor.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Definir adoração.
  • Explicar o propósito e os elementos do culto.
  • Estabelecer a diferença entre a liturgia da Velha e da Nova Aliança.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Professor, pergunte aos alunos o que entendem por adoração. Relacione suas respostas no quadro-de-giz. Depois, compare-as com as definições descritas abaixo.

 

O que é adoração

 

Adorar é um ato de rendição a Deus - Sl 95.6; 2 Cr 29.30.

Adorar a Deus é reverenciá-Lo com sinceridade e dedicação - Hb 12.28,29.

Adorar a Deus é uma experiência interior - Sl 95.6,7.

Adorar a Deus é estar unido a Cristo - Lc 22.14-20; Jo 15.1-10.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Palavra Chave

Adoração: O sentido original sugere o ato de inclinar-se perante alguém, a fim de reverenciar, venerar ou adorá-lo.

 

É quase impossível lermos o Pentateuco sem que não nos impressionemos pela estrutura que ganha o culto no judaísmo. Somente uma revelação divina, como a que foi dada a Moisés, justificaria a existência de tantos símbolos presentes na adoração hebraica. O culto mosaico era extremamente ritualista, no entanto, era constituído de uma adoração enriquecedora. No início da monarquia, muitos desses símbolos foram esquecidos ou desprezados. É com Davi que observamos os primeiros passos rumo ao retorno da verdadeira adoração a Jeová.

 

I. O CULTO E O SEU PROPÓSITO

 

1. Adoração. A essência do culto está na adoração ao Senhor, e nunca é demais enfatizarmos essa verdade, pois adoração vazia significa culto frio e sem propósito. Adorar vem de uma palavra que significa "inclinar-se, prostrar-se em deferência diante de um superior". No contexto bíblico, portanto, essa palavra significa um prostrar-se diante de Deus em reconhecimento à sua divindade.

Quando Davi se prontificou a trazer a Arca da Aliança (que se encontrava na casa de Obede-Edom) para Jerusalém, veio adorando a Deus durante todo o caminho percorrido. O gesto de Davi, ao dançar, demonstra a atitude de um verdadeiro adorador. É o que vemos com a expressão "Davi [...] ia bailando e saltando diante do Senhor" (2 Sm 6.16). A palavra hebraica karar traduzida na versão atualizada como "dançar" significa também "girar", e demonstra a atitude jubilosa do segundo rei de Israel. Não devemos esquecer que essa dança (ou giro) era movida pelo Espírito; não foi algo ensaiado nem tampouco fruto de uma explosão carnal.

2. Comunhão. Outro elemento indispensável ao verdadeiro culto a Deus e encontrado no culto davídico é a comunhão. Sem comunhão com o Deus a quem servimos e com o nosso próximo, não é possível uma adoração verdadeira. Ainda quando Davi conduzia a Arca de Deus a Jerusalém, observamos ele tomando uma atitude que demonstra uma característica importante de um verdadeiro adorador. Ao final do percurso, a Escritura afirma que Davi "repartiu a todo o povo e a toda a multidão de Israel, desde os homens até às mulheres, a cada um, um bolo de pão, um bom pedaço de carne, e um frasco de vinho; então, foi-se todo o povo, cada um para sua casa" (2 Sm 6.19).

Ao dar esses presentes, Davi demonstra ao povo a fraternidade que deve existir entre os adoradores do verdadeiro Deus. Na Nova Aliança essa comunhão é ainda mais fomentada, basta olharmos para os crentes no início da Igreja Primitiva (At 2.42). A comunhão é, pois, uma via de mão dupla, só a teremos com o Senhor se zelarmos pela comunhão com os nossos irmãos (1 Jo 2.9-11). Se quebrarmos nosso relacionamento com o próximo, não teremos comunhão com o Senhor (Mt 6.14,15).

 

SINOPSE DO TÓPICO (I)

 

O propósito do culto é adorar ao Senhor e estar em comunhão com Deus e com o próximo.

 

II. O CULTO E SEUS UTENSÍLIOS

 

1. O altar do holocausto e do incenso. O altar mais conhecido no Velho Testamento é o do holocausto, isto é, destinado à realização dos sacrifícios. Esse altar era o local onde se derramava o sangue de um animal inocente para fazer expiação pelo pecado, lembrando com isso o sangue do Cordeiro de Deus que seria sacrificado por toda a humanidade (Jo 1.29; Ap 1.5). Na Nova Aliança, em vez de sacrificarmos animais, fomos transformados em sacrifício vivo pelo Cordeiro de Deus, que foi sacrificado por nós (Rm 12.1). Por outro lado, o "altar do incenso" tem sua simbologia ligada à oração e intercessão (Sl 141.2). Na Nova aliança a Escritura declara que esse incenso é a oração dos santos (Ap 5.8).

2. A arca. Na arca da Aliança eram guardadas as tábuas da lei e outros objetos sagrados, e a sua simbologia está associada à presença de Deus (Êx 25.22). Infelizmente, nos dias de Samuel os israelitas haviam transformado a arca em uma espécie de amuleto, e tentavam usá-la como um fetiche (1 Sm 4.3). De nada adianta barulho sem poder, de nada vale um utensílio sagrado se não há obediência por parte de quem o conduz (1 Sm 4.5,10). Davi queria que a arca adquirisse nos seus dias a sua verdadeira simbologia.

 

SINOPSE DO TÓPICO (II)

 

Na Nova Aliança, somos o sacrifício e nossas orações são o incenso.

 

III. O CULTO E SUA LITURGIA

 

1. A liturgia na Velha Aliança. O culto judaico possuía uma liturgia complexa e inflexível. Nos dias de Davi, muitos elementos dessa forma de adorar ainda continuavam. Isso é comprovado em todo o Velho Testamento, especialmente nas dezenas de regras que serviam para regulamentar o culto e que são mostradas com abundância no Pentateuco. O vocábulo liturgia é oriundo de duas palavras gregas, que são respectivamente leiton e ergon. A junção destes vocábulos significa literalmente serviço público. A Septuaginta usa esse vocábulo para traduzir os termos hebraicos sharat e 'avodah. Os estudiosos observam que no contexto do Velho Testamento a liturgia passa a ser aplicada a sacerdotes e levitas, que se ocupavam dos ritos sagrados no Tabernáculo ou no Templo. Tanto os sacerdotes quanto os levitas trabalhavam duro para darem conta do ritual litúrgico do culto judaico.

2. A liturgia na Nova Aliança. Os escritores do Novo Testamento tomam emprestado esse significado e o aplicam à estrutura do culto cristão. Assim, no contexto neotestamentário, o termo é utilizado para "cristãos servindo a Cristo, seja pela oração, ou instruindo outros no caminho da salvação, ou de alguma outra forma". De fato, é o que podemos observar quando lemos o livro de Atos dos Apóstolos: "E, servindo eles ao Senhor" (At 13.2). Nesse contexto a palavra "servindo" é a tradução do grego leitourgeo, que no português é "liturgia".

A liturgia da Igreja Primitiva, ao contrário do culto veterotestamentário, é extremamente simples. Incluía a leitura da Bíblia e sua explanação (At 13.14-16; 1 Tm 4.13); a oração (At 16.13; 1 Tm 2.8); a recitação de Salmos, cânticos de hinos e expressões carismáticas do Espírito Santo (1 Co 14.26; Ef 5.19; Cl 3.16). Isso não quer dizer que os cristãos primitivos não se preocupassem com os rituais do culto e que fossem desprovidos de sentido. Devemos lembrar que há um contraste enorme entre o culto da Velha Aliança e o da Nova Aliança, o que justifica também essa diferença litúrgica.

Por exemplo, no Antigo Testamento a adoração era com base na letra; no Novo Testamento é no Espírito; No Antigo Pacto o sacerdócio é local e cabia à tribo de Levi; no Novo o sacerdócio é universal; no Antigo a unção do Espírito vinha especialmente sobre ofícios, isto é, reis, profetas e sacerdotes; no Novo o derramamento do Espírito é sobre toda carne; no Antigo a adoração é reservada ao Templo; no Novo há o "templo da adoração", isto é, cada crente é um santuário do Espírito Santo; no Antigo o Espírito estava com os crentes; no Novo o Espírito estános crentes. Esses fatos justificam a diferença na forma litúrgica, no entanto, conservam de igual modo a sua essência.

 

SINOPSE DO TÓPICO (III)

 

A liturgia da Igreja Primitiva, ao contrário do culto veterotestamentário, é extremamente simples: a leitura da Bíblia e sua explanação, a oração, a recitação de Salmos, cânticos e expressões carismáticas do Espírito Santo.

 

CONCLUSÃO

 

Aprendemos, pois como Davi organizou o culto a Jeová e nos deixou um legado de zelo e piedade. Devemos cultuar a Deus, mas não de qualquer forma. A Escritura adverte que, tratando-se do culto ao Senhor, ele deve ser realizado e oferecido ao Eterno com decência e ordem (1 Co 14.40). Embora não estejamos mais debaixo dos preceitos da Velha Aliança concernentes ao culto, os princípios que os fundamentam - reverência, pureza, sinceridade -, devem nortear ainda hoje o nosso culto.

 

VOCABULÁRIO

 

Deferência: Respeito, reverência.
Fetiche: Objeto animado ou inanimado, feito pelo homem ou produzido pela natureza, ao qual se atribui poder sobrenatural e se presta culto.
Septuaginta: Trata-se da tradução do Antigo Testamento para o grego. É também conhecida por tradução dos LXX, por ter sido traduzida por cerca de setenta rabinos de Alexandria.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

KLAUBER, M. O Caminho do Adorador. RJ: CPAD, 2005.
RICHARDS, L. O. Guia do Leitor da Bíblia. RJ: CPAD, 2005.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Qual é a essência do culto?

R. A adoração ao Senhor.

 

2. Um culto sem essa essência significa o quê?

R. Significa culto frio e sem propósito.

 

3. Nos dias de Samuel, como a arca estava sendo usada?

R. Como uma espécie de amuleto, fetiche.

 

4. Explique em que consistia a liturgia no Antigo Testamento.

R. Consistia numa liturgia complexa e inflexível.

 

5. Quais são as duas qualidades exigidas para a realização do culto?

R. Decência e ordem.

 

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

 

Subsídio Teológico

 

"Na segunda tentativa de trazer a arca para Jerusalém, Davi preparou-se com os levitas, que eram servos escolhidos por Deus para cuidar da arca. Eles deveriam se preparar, como Deus tinha ordenado, para realizar uma tarefa sagrada. Uzá estava morto, não porque Deus quisesse a arca em Jerusalém, mas porque ele não era um levita e tinha tocado a arca com suas mãos não santificadas.

A arca era a evidência da presença de Deus com seu povo (cf. Êx 25.10-22, 1 Cr 13.6). A omissão de Saul em indagar de Deus através dela revela seu menosprezo total ao significado do relacionamento com Deus. Davi, entretanto, teve o cuidado de trazê-la para Jerusalém, o centro político e geográfico de Israel. Para Davi, o relacionamento com Deus era de importância central, o coração vivo da nação. A advertência do cronista é tanto para os judeus pós-exilados em Judá como para nós. Ele é o foco e o centro de nossas vidas.

A Lei do Antigo Testamento é explícita. A arca deve ser levada em travessões, carregada somente por levitas (Nm 4.15). É bom estar ansioso por estar perto de Deus, mas devemos ser cuidadosos em nos aproximarmos dEle da maneira como Ele ordenou. O mais profundo significado da arca encontra-se na sua cobertura. Feita de puro ouro e representando modelos de dois dos anjos que guardam a santidade de Deus, a cobertura era o trono simbólico de Deus".

(Adaptado de o Guia do Leitor da Bíblia. RJ: CPAD, 2005, pp.268-9).

 

APLICAÇÃO PESSOAL

 

"Você deseja ser um adorador? Anseia por estar na presença de Deus? Aspira ver a face do Pai? Isto só é possível através da salvação por Jesus Cristo. Não se pode adorar a Deus sem a certeza dela. Não se pode louvá-Lo sem o perdão dos pecados. Não podemos nos aproximar do Pai, a não ser através de Jesus Cristo. Somente confessando-o como Senhor e Salvador das nossas vidas podemos alcançar o Pai.

Para adentrar à presença de Deus e ter a sua comunhão, é necessário que o homem pecador obtenha reconciliação com Ele, que é santo. Se ainda não somos redimidos por Cristo e não estamos convictos de que a nossa relação com o Senhor está restaurada, não podemos entrar pela porta. E não podemos adorar a Deus, ficando consequentemente do lado de fora.

Verifique sua vida. Certifique-se de que já entregou sua vida a Cristo como Salvador. Então, louve e adore ao Deus da sua salvação. Mas lembre-se: adorar a Deus às vezes requer esforço e sacrifício. Quantas chuvas e calor já impediram você de adorar a Deus! Algumas pessoas olham para o guarda-roupa e queixam-se por terem de repetir as vestes da semana anterior e, por isso, deixam de ir à igreja para adorar a Deus. Não permita que nada o impeça de adorar ao Senhor".

(KLAUBER, M. O Caminho do Adorador. RJ: CPAD, 2007, p.52).

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

4º Trimestre de 2009

 

Título: Davi - As vitórias e as derrotas de um homem de Deus

Comentarista: José Gonçalves

 

 

 

Lição 12: Davi e o seu sucessor

Data: 20 de dezembro de 2009

 

TEXTO ÁUREO

 

"Eis que o filho que te nascer será homem de repouso; porque repouso lhe hei de dar de todos os seus inimigos em redor; portanto, Salomão será o seu nome, e paz e descanso darei a Israel nos seus dias(1 Cr 22.9).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Formar sucessores é, sem dúvida, uma das maiores virtudes dos grandes líderes.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - 1 Cr 22.9

O sucessor escolhido pelo Senhor

 

 

 

Terça - 1 Rs 1.5,9,10

Planos enganosos para tomar o reino

 

 

 

Quarta - 1 Rs 2.1-4

Conselhos ao sucessor

 

 

 

Quinta - 1 Rs 3.12

Um sucessor sábio

 

 

 

Sexta - 1 Rs 1.52,53

Lidando com a oposição

 

 

 

Sábado - 1 Rs 10.23

A prosperidade do reino

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

1 Crônicas 28.4-8

 

4 - E o SENHOR, Deus de Israel, escolheu-me de toda a casa de meu pai, para que eternamente fosse rei sobre Israel; porque a Judá escolheu por príncipe, e a casa de meu pai, na casa de Judá; e entre os filhos de meu pai se agradou de mim para me fazer rei sobre todo o Israel.

5 - E, de todos os meus filhos (porque muitos filhos me deu o SENHOR), escolheu ele o meu filho Salomão para se assentar no trono do reino do SENHOR sobre Israel.

6 - E me disse: Teu filho Salomão, ele edificará a minha casa e os meus átrios, porque o escolhi para filho e eu lhe serei por pai.

7 - E estabelecerei o seu reino para sempre, se perseverar em cumprir os meus mandamentos e os meus juízos, como até ao dia de hoje.

8 - Agora, pois, perante os olhos de todo o Israel, a congregação do SENHOR, e perante os ouvidos do nosso Deus, guardai e buscai todos os mandamentos do SENHOR, vosso Deus, para que possuais esta boa terra e a façais herdar a vossos filhos depois de vós, para sempre.

 

INTERAÇÃO

 

Prezado professor, nesta lição, estudaremos a respeito da transição do reino de Davi para Salomão, seu filho com Bate-Seba. Não podemos esquecer que o reino de Israel pertencia ao Senhor, não a Davi. Os líderes de Deus, levantados na atualidade, também precisam estar conscientes deste princípio bíblico: a obra pertence ao Senhor. Ele é o único dono. Não somos proprietários de nada, somos mordomos. Um dia teremos de prestar conta ao nosso Senhor. Não podemos nos esquecer que “formar sucessores é, sem dúvida, uma das maiores virtudes dos grandes líderes”. Davi, no momento certo, passa o cetro para o seu sucessor que, com certeza, já estava sendo preparado para esse momento. Salomão não era o filho mais velho de Davi, no entanto, isso não importava para o Senhor, pois o filho de Jessé também era o menor dentre seus irmãos. O Senhor havia escolhido a Salomão. Deus escolhe e usa quem quer.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Saber que uma das responsabilidades do líder é formar sucessores.
  • Compreender que Salomão foi indicado por Davi, mas escolhido por Deus.
  • Descrever as características de Salomão, as quais agradaram a Deus.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Professor, reproduza no quadro-de-giz a tabela abaixo . Utilize-a ao concluir o tópico três da lição. Mostre aos seus alunos os pontos fortes e fracos de Salomão. Explique que, enquanto Salomão buscou ao Senhor e procurou viver em santidade, obteve êxito, mas, ao deixar se levar pelos enganos do mundo, acabou errando o alvo e se desviando dos propósitos de Deus para sua vida.

 

 

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Palavra Chave

Sucessão: Do latim sucessionis, passagem, transmissão de direitos. Na lição significa a continuidade da monarquia davídica.

 

Sabemos pela Escritura que o governo monárquico de Davi teve uma longa duração, cerca de 40 anos. Mas, como nenhum governo humano tem a capacidade de se perpetuar, chegou o tempo do segundo monarca de Israel passar o cetro para o seu sucessor. A história mostra-nos os últimos atos daquele que, sem dúvida, foi um dos maiores governos da história bíblica. Davi é um dos poucos personagens da Bíblia que tem a rara capacidade de nos causar admiração e decepção ao mesmo tempo. Admiração pela sua piedade e coração quebrantado; e decepção por haver falhado quando todos vibrávamos por seus acertos. Seja como for, o velho monarca conseguia ainda ouvir a Deus e, por isso, foi capaz de preparar um sucessor.

 

I. UM SUCESSOR INDICADO POR DAVI, MAS ESCOLHIDO POR DEUS

 

1. As insubmissas escolhas humanas. A transmissão do reino a Salomão não aconteceu de forma tão amistosa e pacífica. Durante seu reinado, Davi teve que administrar alguns conflitos internos que provaram ser extremamente danosos. O mais impressionante é que os levantes contra a autoridade real, isto é, as tentativas de golpe de estado, não vieram, por exemplo, dos militares, mas de seus próprios filhos: Absalão (2 Sm 15.4) e Adonias (1 Rs 1.5). Nenhum deles havia sido escolhido por Deus para suceder Davi. De fato, o que observamos são homens ávidos pelo poder e que desejavam sentar-se no trono a qualquer custo. Eram escolhas e projetos meramente humanos para uma nação que tinha, de Deus, um desígnio divino a cumprir (Sl 135.4).

2. A escolha divina. Quando Davi ainda fazia seu projeto para a construção do Templo, Deus revelou ao profeta Natã que um de seus filhos, e não ele, seria o escolhido de Deus para construir o Santuário (1 Cr 17.11-15). A profecia do texto de 1 Crônicas 17.11-15, refere-se primeiramente a Salomão, o herdeiro carnal de Davi, que levantaria posteriormente o Templo. Contudo, ela também aponta para o futuro e prediz o reino eterno do Messias, Jesus Cristo, o filho de Davi. Salomão, portanto, não chegou ao trono por uma simples indicação de Davi, mas por uma escolha divina (1 Cr 22.9), pois, mesmo antes de apresentá-lo ao povo, Davi já sabia dessa revelação divina.

 

SINOPSE DO TÓPICO (I)

 

Salomão chegou ao trono por indicação divina.

 

II. UM SUCESSOR DE POUCA EXPERIÊNCIA, MAS QUE HERDOU UM GRANDE LEGADO

 

1. O legado político institucional. Sem dúvida um dos grandes legados que Davi deixou para seu filho Salomão foi o fortalecimento das instituições. Uma nação forte possui instituições sólidas. Não devemos esquecer que Israel, até os dias de Samuel, era apenas um aglomerado de tribos. Com Saul, a monarquia foi instaurada, todavia, por causa de seu governo desobediente a Deus, não foi possível consolidá-la. No final do reinado de Davi encontramos as instituições de Israel bastante consolidadas. Observamos nos dias de Davi um exército bem montado, capaz de vencer grandes batalhas e uma guarda real bem aparelhada (1 Cr 18.14-17; 27.32-34). Outro fator que deve ser levado em conta é o sistema judiciário daqueles dias. O rei agia como o juiz do povo (1 Cr 18.14). Entretanto, ele nomeara oficiais e juízes para cuidar da política externa e dos negócios da coroa real (1 Cr 26.29-32). Davi foi hábil na organização até mesmo das minúcias do reino (1 Cr 27.25-31).

2. O legado religioso. O maior legado deixado por Davi ao seu filho Salomão foi o espiritual. Davi foi um homem que durante sua vida, demonstrou por diversas vezes que era dependente da orientação divina (1 Sm 23.2; 30.8; 2 Sm 2.1), e sabia, portanto, que o reinado do filho só teria êxito se Salomão agisse da mesma forma.

A chave para um reinado bem-sucedido estava no conhecimento e cumprimento das leis imutáveis de Deus, por isso, Davi apela ao filho para que não se esqueça, durante o seu governo, de ser um homem apegado à Palavra de Deus. Ele já havia discursado antes e lembrado toda a congregação de Israel de guardar todos os mandamentos do Senhor (1 Cr 28.8). O aviso fora dado e cabia ao seu filho, juntamente com seus súditos, observar esse importante legado (1 Cr 28.9).

 

SINOPSE DO TÓPICO (II)

 

A chave para um reinado bem-sucedido estava no cumprimento das leis imutáveis de Deus.

 

III. UM SUCESSOR JOVEM, MAS DE GRANDE PIEDADE

 

1. Na vida privada. Como já constatamos, ao colocar Salomão no trono de Israel, Davi estava seguindo a orientação de Deus. Todavia, como já vimos em outras lições, a decisão divina não anula nossas responsabilidades diante do Senhor. Esta é uma verdade bíblica incontestável (Dt 30.19). No início do seu reinado, Salomão respondeu bem à vocação divina e proferiu uma das mais belas orações da Bíblia; uma oração que agradou a Deus (v.10). Após ser visitado pelo Senhor durante um sonho, Salomão ora a Deus e, por meio de suas palavras e intenções, ele revela traços de seu caráter piedoso (1 Rs 3.3-15). Mas o que havia na oração do sucessor de Davi que tanto agradou ao Senhor?

a) Ele reconheceu os atributos divinos. Salomão reconheceu a benevolência de Deus (v.6), e deu graças ao Senhor, pois era consciente de que estava no trono pela bondade do Altíssimo e não por causa de seus méritos.

b) Ele demonstrou humildade. Em sua oração, Salomão reconheceu que não passava de uma criança e que não sabia como se conduzir (v.7).

c) Ele demonstrou um grande senso de justiça e não foi egoísta. Salomão orou ao Senhor pedindo um coração sábio, a fim de que soubesse discernir o bem do mal (v.9). Neste particular Salomão se distancia das pessoas comuns, pois não desejou aquilo que parece ser o alvo de todos os homens: longevidade, posses, vingança (v.11). Na oração de Salomão percebemos que ser próspero e abençoado é algo que transcende a tudo isso.

2. Na vida pública. Algo que marcou o reinado de Salomão foi sua forma de administrar. Tal capacidade chamou a atenção da rainha de Sabá, que constatou esse fato ao visitar a Israel (1 Rs 10.1-13). A chamada rainha do Sul admirou-se da sabedoria de Salomão, da casa que edificara, de seus criados e dos sacrifícios oferecidos ao Eterno. O mais importante de tudo é que o êxito do reinado não foi atribuído unicamente a Salomão, mas ao seu Deus, que foi glorificado na boca de alguém que não o servia (v.9).

 

SINOPSE DO TÓPICO (III)

 

A decisão divina não anula nossas responsabilidades diante do Senhor.

 

CONCLUSÃO

 

Davi cumpriu a sua missão, mas antes de morrer foi sábio e preparou um sucessor. Embora estejamos separados de Davi por um longo espaço de tempo, os princípios por ele vividos ainda continuam válidos para hoje. A liderança de Davi foi bem-sucedida porque ele não viveu para si, mas para Deus e para o próximo. Será que somos líderes com este perfil? Será que temos buscado esse tipo de vida?

 

VOCABULÁRIO

 

Sem ocorrências.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

RICHARDS, L. O. Guia do Leitor da Bíblia. RJ: CPAD, 2005.
DEVER, M. A Mensagem do Antigo Testamento. RJ: CPAD, 2008.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Qual era o desejo dos dois filhos de Davi que usurparam o trono?

R. Eles desejavam o poder.

 

2. Além de Salomão, a quem se refere à profecia de 1 Crônicas 17.11-15?

R. Aponta para o futuro e prediz o reino eterno do Messias.

 

3. Qual é a chave para um reinado bem-sucedido?

R. Conhecimento e cumprimento das leis imutáveis de Deus.

 

4. Cite os elementos da oração de Salomão que agradaram a Deus.

R. Salomão reconheceu os atributos divinos, demonstrou humildade e senso de justiça.

 

5. Relacione o que aconteceu a Salomão, por ocasião da visita da rainha de Sabá, com o texto de Mateus 5.16, e avalie se estamos agindo como o sucessor de Davi.

R. Resposta pessoal.

 

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

 

Subsídio Bibliológico

 

“O reino de Davi veio, completo, para as mãos de Salomão. Era uma área estimada em 128.000 quilômetros quadrados [...]. Sob o domínio de Davi, as condições domésticas em Israel permaneciam primitivas e patriarcais. Davi fez nascer a nação israelita; Salomão produziu o estado israelita. O seu governo era uma monarquia absoluta. Os membros do seu gabinete ampliado eram chamados de príncipes. [...] Ignorando as antigas divisões tribais, Salomão dividiu o país inteiro em 12 distritos administrativos, nove a oeste do Jordão e três a leste. Em cada distrito havia um oficial comissionado cuja responsabilidade era a de fornecer à corte provisões para um mês a cada ano. [...] Porém, várias políticas de Salomão não eram boas: (1) o trabalho forçado desorganizava a vida familiar do seu povo; (2) o comércio internacional trouxe deuses estrangeiros e encorajou a idolatria; (3) seu excessivo programa de construções superou os seus recursos; (4) sua corte esplendorosa cobrava excessivas taxas do seu povo, sobrecarregando a todos; (5) sua imensa poligamia chegava a ser uma tolice [...]. Embora indignado com Salomão, o Senhor, por sua graça, não lhe tirou o reino; mas tirou de seu filho . Mas o Senhor levantou ‘adversários’ a Salomão. O primeiro foi Hadade, o edomita, que tinha fugido para o Egito durante o reinado de Davi. [...] Mesmo com todas as fraquezas, Salomão [...] foi o responsável pelo estabelecimento do Templo como o santuário religioso central da nação”.

(Dicionário Bíblico Wycliffe. RJ: CPAD, 2006. pp.1740-42).

 

APLICAÇÃO PESSOAL

 

“Adonias queria realmente ser rei de Israel. Afinal, ele era o filho mais velho de Davi vivo. Era bonito, talvez nobre na aparência - tanto assim que dois dos conselheiros de Davi (Joabe e Abiatar) deram-lhe apoio. Mas Davi já havia prometido seu trono a Salomão. Os sonhos e planos de Adonias foram em vão.

Isso não impediu Adonias. Desesperadamente aprisionado em seu próprio mundo, ele contratou um bando de homens da corte e carruagens para 'provar' que ele era o rei. Até realizou os sacrifícios oficiais esperados de um rei recém-coroado e enviou convites para sua própria coroação. Seu jogo quase funcionou, mas sua obstinação finalmente levou à sua morte.

Ele não conseguia reconhecer e nem trabalhar dentro de limites. Por qualquer motivo, estava indisposto a respeitar os desejos dos outros ou aceitar a vontade de Deus quando essa contradizia a sua própria. Seu egocentrismo levou-o a desafiar seu pai, negar a soberania de Deus e, eventualmente, morrer de forma precoce.

Siga seus planos dentro da vontade de Deus, e não em vez de ou apesar dela. Os limites que Ele colocou sobre você só fará seus planos florescerem. Nossos desejos encaixam-se melhor dentro da vontade de Deus”.

(KENDRICK, M.; DARY, L. 365 lições de vida extraídas de personagens da Bíblia. RJ: CPAD, 1999. p.148).

 

 

 

 

 

 

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

 

4º Trimestre de 2009

 

Título: Davi - As vitórias e as derrotas de um homem de Deus

Comentarista: José Gonçalves

 

 

 

Lição 13: Davi - Um homem segundo o coração de Deus

Data: 27 de dezembro de 2009

 

TEXTO ÁUREO

 

E, quando este foi retirado, lhes levantou como rei a Davi, ao qual também deu testemunho e disse: Achei a Davi, filho de Jessé, varão conforme o meu coração, que executará toda a minha vontade” (At 13.22).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Fazer a vontade de Deus é o segredo de todo projeto bem-sucedido.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Rt 4.22; 1 Sm 17.12; Mt 1.6; Lc 3.31,32

A genealogia de Davi

 

 

 

Terça - 1 Sm 17.13-15

O filho caçula

 

 

 

Quarta - 1 Sm 16.12,13

Davi, o ungido de Deus

 

 

 

Quinta - 1 Sm 17.45

Davi, um homem que confiava em Deus

 

 

 

Sexta - 2 Sm 8.1-5

Davi, um homem de conquistas

 

 

 

Sábado - 1 Rs 2.10,11

O fim de um reinado próspero

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

1 Samuel 13.13,14; 16.11,12; Salmos 89.20

 

1 Samuel 13

13 - Então, disse Samuel a Saul: Agiste nesciamente e não guardaste o mandamento que o SENHOR, teu Deus, te ordenou; porque, agora, o SENHOR teria confirmado o teu reino sobre Israel para sempre.

14 - Porém, agora, não subsistirá o teu reino; já tem buscado o SENHOR para si um homem segundo o seu coração e já lhe tem ordenado o SENHOR que seja chefe sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o SENHOR te ordenou.

 

1 Samuel 16

11 - Disse mais Samuel a Jessé: Acabaram-se os jovens? E disse: Ainda falta o menor, e eis que apascenta as ovelhas. Disse, pois, Samuel a Jessé: Envia e manda-o chamar, porquanto não nos assentaremos em roda da mesa até que ele venha aqui.

12 - Então, mandou em busca dele e o trouxe (e era ruivo, e formoso de semblante, e de boa presença). E disse o SENHOR: Levanta-te e unge-o, porque este mesmo é.

 

Salmos 89

20 - Achei a Davi, meu servo; com o meu santo óleo o ungi.

 

INTERAÇÃO

 

Professor, com a graça de Deus, chegamos ao final de mais um trimestre. Durante os encontros dominicais, você e seus alunos com certeza foram edificados, exortados e consolados através do exemplo de vida do “homem segundo o coração de Deus”. Davi começou bem a sua carreira, teve alguns tropeços, no entanto, buscou a Deus, colocou-se de pé novamente e terminou os seus dias bem, na presença do Pai. Aprendemos com isso que fazer a vontade de Deus é o segredo para se ter uma vida bem-sucedida. A Palavra de Deus diz que “Davi dormiu com seus pais e foi sepultado na Cidade de Davi” (1 Rs 2.10). Que cada um de nós saiba também reconhecer os erros, arrepender-se deles e confessá-los, pois somente assim teremos cumprido nossa missão existencial.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Conscientizar-se que fazer a vontade de Deus é o segredo de todo projeto bem-sucedido.
  • Compreender que Davi foi um homem segundo o coração de Deus, mas isso não significa que fosse isento de falhas.
  • Descrever as características de Davi que tanto agradaram ao Senhor.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Para a finalização do trimestre, reproduza o quadro abaixo. Utilize-o ao concluir a lição. Mostre aos seus alunos os principais acontecimentos da vida do “homem segundo o coração de Deus”. Conclua perguntando à classe o que aprenderam de mais significativo durante o trimestre e que gostariam de relatar à turma.

 

PRINCIPAIS ACONTECIMENTOS DA VIDA DE DAVI

Samuel unge Davi como o próximo rei.

1 Samuel 16.1-13

 

Davi torna-se músico de Saul.

1 Samuel 16.19-23

 

Davi enfrenta e derrota Golias.

1 Sm 17.48-58

 

Saul dá início à perseguição a Davi.

1 Sm 18.6-11

 

Davi casa-se com Mical, filha de Saul.

1 Sm 18.27

 

Davi foge para Nobe, e vai ter com o sacerdote Aimeleque.

1 Sm 21.1-10

 

Davi torna-se rei de Judá.

2 Sm 5.1-25

 

Davi é constituído rei de todo Israel.

2 Sm 1-2

 

Davi traz a Arca para Jerusalém.

2 Sm 6.1-23

 

A queda e a restauração de Davi.

2 Sm 11.2,4,5,14-17; Sl 51.1-19

 

Os últimos dias de Davi.

1 Rs 1.1-53; 2.1-10

 

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Palavra Chave

Servo: Aquele que não tem direitos, ou não dispõe de sua pessoa e bens.

 

O que tornou Davi um homem segundo o coração de Deus? O que o distinguiu dos demais monarcas a ponto de sua vida servir de referencial para avaliar todos quantos vieram depois dele? Constantemente, encontramos expressões que classificam os reis como os que governaram bem porque andaram no “caminho de Davi” (2 Rs 22.2); e os que governaram mal, pois não fizeram o que era reto aos olhos do Senhor, “como Davi” (2 Cr 28.1). Acreditamos que há indicações nas Escrituras que nos permitem identificar alguns traços do caráter de Davi, que levaram-no a ser considerado pelo próprio Deus um homem segundo o coração dEle.

 

I. UM HOMEM PRONTO PARA SERVIR (AT 13.36)

 

1. Davi serviu voluntariamente a sua geração. O texto de Atos 13.36 na versão atualizada traz a seguinte redação: “Porque, na verdade, tendo Davi servido à sua própria geração, conforme o desígnio de Deus, adormeceu, foi para junto de seus pais e viu corrupção”.

Paulo faz uma importante afirmação sobre Davi quando diz que ele viveu para servir. Nessa declaração observamos o segundo monarca de Israel sendo um ajudador do povo, e não o contrário. O povo era o ator principal e Davi, o coadjuvante. Talvez isso nos surpreenda pelo fato de estarmos tão acostumados a contemplar, muitas vezes, os líderes sendo servidos e nunca servindo. Entretanto, a mensagem que resume bem o coração da Bíblia pode ser sintetizada na palavra “servir”. Servir foi a missão do filho de Deus (Mt 20.28) e também a de seu ancestral humano, Davi.

2. Davi serviu a Deus com propósito. Há outro fato sobre Davi registrado no texto de Atos 13.22 que merece a nossa reflexão: “Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará toda a minha vontade”. Essa Escritura é digna de uma atenção especial porque é o próprio Deus que dá testemunho de Davi. É Ele quem declara que encontrou Davi e que este fará toda a sua vontade. Este rei serviu a sua geração, no entanto, o seu servir foi segundo a vontade de Deus. Davi viveu para o Eterno e, consequentemente, viveu também para os outros. A vontade de Deus aparece aqui como “o que se tem determinado e que será feito”. Este homem, com seu coração de servo, realizou aquilo que o Senhor esperava. Ele serviu à sua geração e, assim, pagou a dívida moral e política que tinha com esta. Todos nós, de alguma forma, somos devedores à geração que pertencemos. Por isso, é importante discernirmos o que o Senhor está pedindo de nós.

 

SINOPSE DO TÓPICO (I)

 

Davi viveu para o Eterno e, consequentemente, viveu também para os outros.

 

II. UM HOMEM PRONTO PARA CRER

 

1. O menor na casa de Jessé se tornou o maior em Israel. Segundo os melhores intérpretes, Davi deveria ter entre 15 a 20 anos na época em que foi ungido por Samuel como o futuro sucessor de Saul. Nessa ocasião, ele por certo não sabia da grandeza de que agora desfrutava como rei. Sem dúvida isso mostra a grande fé que Davi demonstrou no Senhor e nas suas promessas. Do ponto de vista humano, o futuro era distante e incerto, já que Deus não lhe antecipara os detalhes da sua unção (1 Sm 16.11; 17.14,28).

2. O pequeno pastor que realizou proezas com o poder da fé. A fé de Davi o transformou em um grande homem. De fato, é a fé que está por trás de cada uma das suas ações. Uma das primeiras demonstrações públicas dessa confiança é quando ele enfrenta o gigante filisteu. A cena mais impressionante do combate é quando a Bíblia afirma que, “levantando-se o filisteu e indo encontrar-se com Davi, apressou-se Davi e correu ao combate, a encontrar-se com o filisteu” (1 Sm 17.48). Apesar de já termos visto em detalhes esse duelo, vale a pena relembrar que aos olhos naturais isso parecia uma corrida rumo ao suicídio, porém, na perspectiva de fé do jovem pastor, era a corrida da vitória.

 

SINOPSE DO TÓPICO (II)

 

A fé de Davi estava por trás de cada uma das suas ações e a transformou em um grande homem.

 

III. UM HOMEM PRONTO A SE HUMILHAR

 

1. Quando buscou reconciliação com o Senhor. Davi era um homem de diálogo e pronto tanto para perdoar como para se humilhar. Sem dúvida essa era uma de suas maiores virtudes (Sl 34.18). Davi era um homem de temperamento forte, mas também de coração quebrantado. Podemos demonstrar isso com apenas dois fatos. O caso ocorrido com Bate-Seba, esposa de Urias (2 Sm 11-12), e o incidente do censo (1 Cr 21).

No primeiro e mais dramático caso, observamos Davi reconhecendo o seu erro e obtendo como resposta do profeta a garantia do perdão de Deus. No Salmo 51, toda a sua interioridade é derramada diante de Deus. Somente um homem realmente arrependido e com um coração quebrantado faz uma oração tão pura e sincera como a descrita naquele texto.

O caso do censo é relatado na Bíblia como algo que “pareceu mal aos olhos de Deus” (1 Cr 21.7). Sendo cabeça do povo, o ato de Davi trouxe consequências terríveis para a nação, provocando a morte de milhares de pessoas por meio de uma praga enviada por Deus. Tão logo se deu conta do mal causado, Davi quebranta-se mais uma vez diante do Senhor: “E disse Davi a Deus: Não sou eu o que disse que se contasse o povo? E eu mesmo sou o que pequei e fiz muito mal; mas estas ovelhas que fizeram? Ah! SENHOR, meu Deus, seja a tua mão contra mim e contra a casa de meu pai e não para castigo de teu povo” (1 Cr 21.17).

2. Quando buscou reconciliação com o próximo. Pelo menos em duas situações específicas, Davi demonstra ser um homem disposto a construir relacionamentos. Primeiramente perdoando a Saul quando este o perseguia para matá-lo, e depois quando foi procurado no deserto por Abigail, esposa de Nabal, o carmelita (1 Sm 25). Quanto a Saul, como já vimos, seu ódio e fúria em relação a Davi não tinha apenas uma origem humana, mas também diabólica (1 Sm 18.10-12). No caso de Nabal, sua falta de cordialidade, diplomacia e bom senso, indignaram a Davi, que estava disposto a cometer uma chacina (1 Sm 25.13-17). Mesmo estando preparado para cumprir seu intento, Davi recebe Abigail, mulher de Nabal, que, por meio do diálogo, o convence de não executá-lo (1 Sm 25.18-35).

 

SINOPSE DO TÓPICO (III)

 

Davi era um homem de diálogo e pronto tanto para perdoar como para se humilhar.

 

CONCLUSÃO

 

Davi foi o homem segundo o coração de Deus, no entanto, como aprendemos, isso não significa que fosse isento de falhas ou imune ao pecado. Ele teve seus acertos, mas também seus erros. Os aspectos do caráter de Davi revelados nas Escrituras tornaram-no muito mais que um rei. Eles o transformaram em um líder-servo, um homem segundo o coração de Deus, que até hoje ilustra as histórias bíblicas para as crianças, inspira vocações e serve de referencial para nós, adultos.

 

VOCABULÁRIO

 

Sem ocorrências.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

MERRILL, E. H. História de Israel no Antigo Testamento. Ed. 7. RJ: CPAD, 2008.
DEVER, M. A Mensagem do Antigo Testamento. RJ: CPAD, 2008.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Qual a mensagem que resume o “coração da Bíblia”?

R. A palavra servir.

 

2. Quem é o nosso maior exemplo de servo?

R. Jesus Cristo.

 

3. O que está por trás de cada ação de Davi?

R. A fé inabalável em Deus.

 

4. Ao perceber que Deus feria o povo por causa do censo, qual foi a atitude de Davi?

R. Quebrantou-se mais uma vez diante do Senhor.

 

5. Se alguém lhe perseguisse, assim como Saul fez com Davi, você estaria disposto a perdoar-lhe?

R. Resposta pessoal.

 

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

 

Subsídio Histórico

 

“Os motivos de Davi

O mais significativo em toda a narrativa do censo e suas consequências é que Davi pôde perceber que a eira de Araúna, o jebuseu, deveria ser o local do templo de Yahweh (1 Cr 21.28-22.1). Obtendo esta percepção, passou a reunir os materiais e a mão-de-obra especializada para dar início às preparações da edificação que seu filho Salomão veria terminada.

O desejo de Davi de edificar um templo para Yahweh começou após Hirão, rei de Tiro, ter-lhe construído um palácio real, e a Arca da Aliança ter sido trazida para Jerusalém. Por várias razões, incluindo talvez a rebelião de Absalão, a obra não pôde ser executada naquele período. Agora, cerca de quatro ou cinco anos depois, o momento parecia propício, especialmente porque a eira de Araúna havia sido comprada e designada para esse propósito.

O motivo da intenção de Davi construir um templo é claro: ele vivia em um suntuoso palácio de cedro, enquanto Yahweh habitava em uma simples tenda (2 Sm 7.1,2; 1 Cr 17.1). É importante entender que, no antigo Oriente Médio, a soberania de um monarca não era totalmente reconhecida até que tivesse construído uma apropriada habitação. Se isto era verdade sobre os reis humanos, quanto mais o seria sobre os deuses, que, afinal, eram os verdadeiros reis sob os quais os governadores serviam!”.

(MERRILL, E. H. História de Israel no Antigo Testamento. 7 ed. RJ: CPAD, 2008.pp. 290-291).

 

APLICAÇÃO PESSOAL

 

Você deseja que Deus faça em sua vida o mesmo que fez com Davi? Se a sua resposta for afirmativa, coloque-se no altar do Espírito Santo; apresente sua vida àquEle que a todos transforma segundo a imagem de Cristo. Davi, o homem segundo o coração de Deus, não era perfeito. Já é do seu conhecimento que este personagem, como servo de Deus, soldado, pai e rei, teve muitas falhas e erros, mas colocou sua vida inteiramente nas mãos de Deus. Ele não usou máscaras ou disfarces. Você tem se colocado por inteiro no altar do Senhor?

Davi conhecia ao Senhor e sabia que Ele era poderoso para livrar e transformar o homem pecador. Davi conhecia ao Senhor de modo pessoal, pois andava em sua presença. Conhecia ao Senhor por experiência própria e não porque ouviu falar dEle. Você conhece ao Senhor pessoalmente? Mantém um relacionamento diário com Ele? O fato de conhecer ao Senhor pessoalmente fez a diferença na vida do filho de Jessé. Para ser um homem ou mulher segundo o coração de Deus, se faz necessário conhecê-Lo e viver inteiramente com Ele, obedecendo-Lhe em tudo. Que o Altíssimo continue a derramar ricas bênçãos sobre sua vida e família. Confie nEle e viva para a glória do Deus Pai, Aquele que também o ungiu para uma grande obra.

fonte www.avivamentonosul21.comunidades.net