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primeira carta aos Corintios
primeira carta aos Corintios

             

              Corinto - Uma Igreja fervorosa, mas não espiritual

 

 

 

1 Coríntios 3.1-9.

 

1 - E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo.

2 - Com leite vos criei e não com manjar, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis;

3 - porque ainda sois carnais, pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois, porventura, carnais e não andais segundo os homens?

4 - Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu, de Apolo; porventura, não sois carnais?

5 - Pois quem é Paulo e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um?

6 - Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento.

7 - Pelo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.

8 - Ora, o que planta e o que rega são um; mas cada um receberá o seu galardão, segundo o seu trabalho.

9 - Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus.

 

Título:

1 Coríntios

Autor:

Paulo (1.1)

Data:

55 d.C., após a festa de Pentecostes (1 Co 16.8)

Tema:

A solução doutrinária dos conflitos internos da igreja

Propósito:

Corrigir e solucionar, através da doutrina, os problemas teológicos, litúrgicos, eclesiásticos e familiares da igreja local

Estrutura:

I. O Problema do Partidarismo (1-4)
II. Problemas da Falta de Moral (5-6)
III. Respostas aos Diversos Problemas Locais (7-16)

 

Características:

Uma epístola que procura corrigir diversos problemas locais:
divisão (1-4); pecado (5-6); divórcio (7); carne sacrificada e festas pagãs (8-10); adoração cristã (11); dons e desordem litúrgica (12-14); ressurreição (15); coletas (16).

 

 

Palavra Chave.Espiritualidade: Termo que descreve as piedosas disciplinas e santas virtudes da vida cristã integral.

 

Todo crente, inclusive obreiros, professores e alunos da Escola Dominical que quiserem entender a dinâmica da vida de uma igreja deve ler na íntegra a Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios. A diversidade de situações e fatos da igreja coríntia é o suficiente para uma ampla visão dos problemas e virtudes de uma congregação genuinamente cristã. Não existe igreja local perfeita, entretanto, Corinto se destaca por um fator agravante no comportamento daqueles irmãos: o excesso em muitas áreas, como se vê em 1 Coríntios 4.14-16; 5.6; 8.7,9; 10.21,32; 11.13-16, 20-22,30; 14.23, 32-34,40. Excetuando a pessoalidade da carta (saudações e lembranças), os ensinos doutrinários desta epístola são permanentes e, portanto, aplicáveis à igreja atual.

 

 O CONTEXTO DA ÉPOCA

 

 Propósito da epístola. Ao ser informado dos muitos e graves problemas dos crentes de Corinto, Paulo escreveu-lhes uma carta, não para envergonhá-los, mas para admoestá-los como filhos amados (1 Co 1.11). O propósito do apóstolo era tríplice: 1) Exortá-los a mudar sua conduta (desunião, imoralidade, processos judiciais, culto escandaloso, etc.; 2) Doutriná-los sobre assuntos gerais e comuns da vida cristã (matrimônio, amor ao próximo, a consciência e a liberdade cristã); e 3) Explanar a doutrina fundamental da ressurreição de Cristo e corrigir os falsos ensinos. Também doutrinar sobre o arrebatamento da Igreja por Cristo, começando com a ressurreição em glória dos mortos salvos, e a transformação dos vivos e sua transladação para o céu.

 Ser cristão em meio a um povo ímpio. Ser crente em Corinto, uma cidade afundada no pecado, era um grande desafio. Ali, ninguém sabia o que é ser um santo de Deus. Porém, ser ímpio, fornicário, beberrão, ladrão, enganador, imoral, assassino, pervertido sexualmente, viciado, idólatra, era normal. Havia, inclusive, a “prostituição cultural” em que o templo dedicado a Afrodite reunia mil sacerdotisas prostitutas que ofereciam religiosamente seus corpos à luxúria e aos demônios.

Nestes últimos dias antes da volta de Cristo, o pecado sob todas as formas, avoluma-se por toda parte, como um rolo compressor. Esta é uma das causas de haver tantos crentes frios espiritualmente: "E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará" (Mt 24.12).

 

 O FERVOR RELIGIOSO E A ESPIRITUALIDADE

 

 Fervor e espiritualidade. Os crentes de Corinto tinham dons espirituais (1.7), mas muitos eram imaturos, insubmissos, ignorantes da doutrina reveladora dos dons, além de carnais. Em uma igreja é possível haver crentes fervorosos, que gostam de movimento e agitação sem, contudo, haver espiritualidade real, advinda do Espírito Santo. Às vezes o que parece fervor espiritual é mais emocionalismo, resultante de motivações e mecanismos externos. Tal fervor é passageiro, ao passo que a verdadeira espiritualidade está intimamente relacionada ao exercício da piedade e da vida cristã consagrada (Ef 4.17-32).

O crente experiente na fé pode ser “fervoroso no espírito” (Rm 12.1,2,11). Todavia, é preciso compreender que essa maturidade cristã não vem primeiramente pelo exercício dos dons ou pelo tempo de conversão.

 Dons espirituais sem o fruto do Espírito (Gl 5.22; Ef 5.9). Havia abundância de dons na igreja de Corinto (1 Co 1.7), todavia não eram utilizados de forma equilibrada, visando o progresso da obra do Senhor. Os crentes exerciam os dons para demonstrar níveis de maturidade e de santificação, tornando-se assim, carnais (1 Co 3.1), ignorantes (1 Co 12.1) e meninos (1 Co 14.20).

Não são os atos miraculosos realizados e os diversos dons espirituais (ver Mt 7.22) exercidos que identificam os autênticos servos de Deus, mas os seus frutos. É o fruto que revela a natureza da árvore. O que atesta a autenticidade de um cristão não é primeiramente o que ele faz, mas o que ele é ante a Palavra de Deus (Mt 5.13-16). Os dons têm a ver com o que fazemos para Deus. O caráter cristão com o que somos para Ele.

O culto e a utilização dos dons na igreja. Os dons não se destinam a realização individual ou manipulação seja do que for, mas servem para o desenvolvimento, crescimento, amadurecimento e edificação do corpo de Cristo (1 Co 14.3-5,12,26). Os principais elementos de um culto espiritual encontram-se em 1 Coríntios 14.26.

 

 A MISSÃO DISCIPULADORA DA IGREJA

 

Discipular é fazer de cada novo crente um autêntico e fiel seguidor de Jesus Cristo (Mt 28.19).

 Quantidade e qualidade na igreja. Enquanto o crescimento quantitativo da igreja vem pelo novo nascimento (At 2.41-47), o qualitativo se dá pelo discipulado. Paulo, por causa da perseguição, não pôde passar tanto tempo em Corinto (At 18.11) quanto em Éfeso (At 19.8, 10; 20.31). Daí, a razão das grandes diferenças no tocante à conduta cristã dessas duas igrejas. O apóstolo foi um incansável discipulador, fortalecendo a fé dos novos crentes e edificando-os na doutrina do Senhor. Ver At 14.22; 15.36; 18.23; 1 Ts 5.14.

 Falsos crentes na igreja. Havia crentes na igreja de Corinto que não eram convertidos ao Senhor (1 Co 15.34). O mesmo ocorreu com o povo de Israel quando Deus o tirou do Egito. As pessoas saíram, mas o "Egito" não saiu da vida de muitas delas. É que o "Egito" para sair do coração dos israelitas, dependia também deles e não só de Deus. É o caso do crente e o mundo com seus enganos, seduções e pecados (Tg 4.4; 1 Jo 2.15-17). O problema de Israel foi pior, porque um povo estranho que não conhecia o Senhor saiu com eles do Egito (Êx 12.38). O mesmo aconteceu após a morte de Josué quando o povo de Deus se desviou (Jz 2.10).

Toda igreja tem na sua congregação muitos que não são nascidos de novo, inclusive na Escola Dominical (1 Jo 2.19). O professor deve sempre em oração, cautela e sabedoria, verificar quais alunos de sua classe ainda não são salvos e conduzi-los a Cristo, o Salvador.

 Ostentação - uma fraqueza entre os coríntios. Isto está muito claro no capítulo 4, versículos 8, 15 e 16 da epístola em estudo. Eles poderiam ter até dez mil professores na igreja (“em Cristo”, v.15), mas não tinham pais espirituais. Precisamos, sim, dos mestres, instrutores e guias, mas a partir de pais espirituais, que pelo Espírito Santo gerem filhos na fé para Deus.

Dez vezes na Primeira Epístola aos Coríntios aparece a pergunta “não sabeis?”, referente a ensinos básicos da fé cristã, a começar pelo capítulo 3, versículo 16. Os crentes de Corinto se envaideciam de tanto saber, mas desconheciam as coisas básicas da fé. Na Segunda Epístola, não ocorre a referida pergunta. Ao contrário, há no seu contexto várias declarações revelando que agora eles sabiam segundo Deus.

 Coisas boas na igreja de Corinto. Fatos bons em Corinto, relatados logo no início da epístola:

a) Em Corinto, por ocasião da epístola, havia muitos crentes “santificados em Cristo” (1.2).

b) Paulo dava “graças ao meu Deus” pelos crentes de Corinto, apesar de seus problemas (1.4).

c) Paulo chama os crentes coríntios de “irmãos”, apesar de muitos deles, na Segunda Epístola, falarem mal da pessoa de Paulo e do seu ministério (1.10,11).

d) Os crentes de Corinto, de um modo geral, com suas fraquezas, defeitos, falhas e pecados, pertenciam a Cristo, porque foram salvos por Ele (1.30).

e) Os crentes de Corinto melhoraram à medida que o apóstolo e pai na fé, Paulo, os admoestava biblicamente (11.2). Paulo lhes escreveu outros tratados (2 Co 10.9).

 

Fervor religioso sem maturidade espiritual pode gerar divisões, tal como ocorria entre os "profetas" da igreja de Corinto (1 Co 14.26-40). Inversamente, o Senhor Jesus disse que os cristãos devem ser conhecidos pelo amor demonstrado entre si (Jo 13.35). Essa é a principal característica e marca de uma igreja espiritualmente madura e sadia (At 17.11). O segredo deste maravilhoso amor sempre derramado em nós é a livre e desimpedida ação do Espírito Santo em nosso ser (Rm 5.5).

 

 

“1 Coríntios: exposição e observações práticas.Corinto era uma das principais cidades da Grécia, localizada naquela divisão particular conhecida pelo nome de Acaia. Ela estava situada no istmo (estreito de terra) que unia o Paleponeso ao resto da Grécia, no lado sul, e possuía dois portos adjacentes, um no extremo do golfo de Corinto, chamado Lacaeum, não distante da cidade, de onde eles faziam comércio com a Itália e o Ocidente, o outro na extremidade do Sinus Saronicos, chamado Cencréia, a uma distância mais remota, de onde eles faziam comércio com a Ásia.

Com base nessa situação, não é de admirar que Corinto fosse um lugar de intenso comércio e prosperidade; e, como a afluência é adequada para produzir luxo de todos os tipos, nem é de admirar que um lugar tão famoso pela prosperidade e artes fosse infame pelos vícios. Ela era famosa de maneira específica pela fornicação, de tal maneira que mulher coríntia era uma expressão proverbial para uma prostituta, e korinthiazein, korinthiasesthai - agir como coríntia, é agir como prostituta, ou tolerar inclinações indecorosas”.Notas (HENRY, M. Comentário Bíblico: Novo Testamento, Atos a Apocalipse.RJ: CPAD, 2008, p.425.)

 A espiritualidade não é uma propriedade do caráter decaído do homem, mas uma virtude que se adquire, aprende e se vive diariamente através do fruto do Espírito Santo. Ela é oposta à carnalidade e ao mundanismo. É muito mais fácil identificar a verdadeira espiritualidade nos personagens bíblicos do que explicar o que eles entendiam acerca da vida teologal. Em Abraão, a espiritualidade é identificada como a fé (Gn 15.6). Em Jó, como paciência ou perseverança (Tg 5.11). Em Moisés, como mansidão e comunhão com Deus (Êx 33.11; Nm 12.3). Em Josué, como leitura diária e meditativa das Escrituras (Js 1.7,8). Em Davi, como contrição e adoração (Sl 51). Em Jeremias, como lágrimas torrenciais a favor dos patrícios rebeldes (Jr 9.1). Em Paulo, como obediência à vocação celeste (At 26.19). Em Dorcas, como boas obras (At 9.36). Em Barnabé, como cheio do Espírito (At 11.24). Fé, paciência, perseverança, mansidão, comunhão com Deus, leitura das Escrituras, contrição, adoração, lágrimas, obediência, boas obras e cheio do Espírito; estas são algumas virtudes teologais da espiritualidade cristã integral.

 

 

                      A superioridade da mensagem da cruz

 

1 Coríntios 2.1-10.

 

1 - E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria.

2 - Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado.

3 - E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor.

4 - A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder,

5 - para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.

6 - Todavia, falamos sabedoria entre os perfeitos; não, porém, a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que se aniquilam;

7 - mas falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória;

8 - a qual nenhum dos príncipes deste mundo conheceu; porque, se a conhecessem, nunca crucificariam ao Senhor da glória.

9 - Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam.

10 - Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus.

 

 

CONTRASTE ENTRE A SABEDORIA HUMANA E A DIVINA

Sabedoria Humana (Tg 3.13-16)

Sabedoria Divina (Tg 1.5; 3.17,18)

 

1. Baseada no conhecimento parcial, terrestre.

1. Baseada no conhecimento infinito, celestial.

 

2. Produz orgulho.

2. Produz humildade.

 

3. Produz inveja.

3. Produz considerações para com os outros.

 

4. Produz ambição egoísta.

4. Produz imparcialidade.

 

5. Produz desordem.

5. Pacífica, submissa.

 

6. Não espiritual, do Diabo.

6. Pura, cheia de misericórdia.

 

7. Produz toda sorte de práticas ruins.

7. Cheia de bom fruto.

 

 

 

Palavra Chave. Mensagem da Cruz: Refere-se à pregação cristocêntrica, centrada no evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.

 

No capítulo 2 da Primeira Epístola aos Coríntios, encontramos a essência da verdadeira pregação do evangelho de Cristo. Ali, Paulo destacou três verdades fundamentais sobre o assunto: o poder da mensagem da cruz através do pregador (vv.1-5); a insignificância da sabedoria humana na comunicação e recepção da mensagem cristã (vv.6-9), e o sublime efeito da revelação da cruz de Cristo no ouvinte (vv.10-16). Com base nestas verdades, podemos refletir: Qual é a genuína mensagem cristã, segundo a Bíblia? Nossos púlpitos e salas de aula estão realmente a serviço da verdade, segundo a Palavra de Deus, ou da mentira, soberba e ganância dos falsos profetas? Infelizmente, muitos destes têm livre curso em nossas igrejas sem que façamos quaisquer questionamentos.

 

 A NATUREZA DA PREGAÇÃO BÍBLICA (2.1-5)

 

A despeito de sua vasta e polivalente cultura secular, e de sua grande erudição bíblica, Paulo era cheio do Espírito Santo (1 Co 2.4,5; At 9.17). O apóstolo dos gentios ensinava e pregava com graça, unção e muita simplicidade, todavia, sem ser superficial. Como deve ser a pregação bíblica em nossos dias?

 A genuína pregação bíblica deve ser centrada unicamente em Cristo e sua morte na cruz (v.2). Jesus é o princípio, o meio e o fim da pregação cristã. Não há como pregar o evangelho autenticamente sem falar de Cristo e sua morte na cruz. Mas, afinal, qual é o sentido da "cruz de Cristo" (1 Co 1.17), da "palavra da cruz", ou da "mensagem da cruz" (vv.18,23)? Estaria o apóstolo Paulo falando do madeiro em si mesmo?

"Cruz" aqui é uma metonímia, ou seja, é um símbolo da obra redentora de Cristo, mediante sua morte substitutiva no Calvário. Não se trata de uma cruz qualquer, mas da "cruz de Cristo" (Jo 19.25; 1 Co 1.17; Gl 6.12,14; Fp 3.18).

A palavra "cruz" evoca o indizível sofrimento de nosso Senhor, sua paixão e morte, e todas as bênçãos proporcionadas por seu sacrifício: a expiação, a redenção, a reconciliação, o perdão, e a remoção da maldição da lei (Rm 3.24,25; Gl 3.10-13; Ef 2.16; Cl 1.20; Hb 12.2).

A mensagem da cruz de Cristo aniquila qualquer discurso de sabedoria e filosofia humanas a respeito da salvação. Deus só tem compromisso com a "palavra da cruz", o "evangelho da vossa salvação" (Ef 1.13).

O verdadeiro sentido da Cruz aplicado à vida cristã. Aplicada à vida cristã, a cruz representa a renúncia total, voluntária e incondicional do crente a Cristo, para segui-lo fielmente até o fim (Mt 16.24; Lc 14.26,27,33; Rm 6.6; Gl 2.20).

 A legítima pregação bíblica é poderosa em Deus (v.4). Aprendemos neste versículo que a comunicação da mensagem salvífica da cruz de Cristo, falada, escrita, contada, tocada, gravada, etc., na dependência do Espírito Santo, é poderosa e eficaz para realizar a obra de Deus. Apesar de a mensagem carecer de um mensageiro, o Senhor é quem tudo realiza. Neste texto, Paulo dá seu próprio testemunho acerca do poder da pregação da Palavra. Veja em outras passagens: At 19.11; Rm 15.19; 2 Co 12.12.

Paulo esteve entre os coríntios em fraqueza, temor e tremor (v.3). É claro que fraqueza aqui conota total dependência de Deus. Esse estado conduz ao temor no sentido positivo (que é interior), e que pode conduzir ao tremor (que é exterior). Muitos não tremem diante do senhorio de Cristo porque não o temem. Essa falta de temor de Deus vem do engano e da auto-suficiência humanas. Contudo, a experiência de Paulo no serviço do Senhor (v.3) teve um abençoado desfecho (v.4). O Espírito Santo confirmou a exposição das Escrituras com sinais, maravilhas e conversões. Esses milagres sempre ocorrem quando Jesus Cristo crucificado é o tema central e prevalecente da mensagem (v.2).

 A autêntica pregação bíblica gera fé (v.5). Romanos 10.17 afirma que a "fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus". Logo, a Palavra de Deus é a fonte que origina a fé salvadora (Jo 5.24; 20.31; At 4.4). Porém, para que a fé seja gerada no ouvinte da Palavra é necessário que a exposição do texto sagrado seja centrada unicamente na bendita pessoa de Jesus, o Salvador, "autor e consumador da fé" (Hb 12.2). Não pode haver genuína conversão sem a fé em Cristo e por Cristo (At 20.21; Rm 5.1,2; Ef 2.8). Lembremos que a fé evangélica, que vem pelo ouvir a Palavra de Deus, é diferente da mera e inútil persuasão intelectual.

 

 CONTRASTES ENTRE A FALSA E A VERDADEIRA SABEDORIA (2.6-16)

 

Essa passagem destaca a excelência da sabedoria divina e as limitações e imperfeições da sabedoria humana. A linguagem da Escritura sobre a sabedoria de Deus nestes versículos é claramente espiritual: "oculta em mistério", "antes dos séculos" (v.7), "revelar pelo Espírito", "as profundezas de Deus" (v.10), etc. Estamos em terreno cujo raciocínio humano é inútil se não estiver alicerçado pelo Espírito e repleto das Sagradas Escrituras.

 A sabedoria deste mundo (v.6). Esta expressão é de caráter negativo. Neste versículo, o termo "mundo", no original, equivale à presente era, mas também, por metonímia, o modo ímpio de viver do povo deste tempo. Em Tiago 3.15,16, a Bíblia fala da sabedoria deste mundo como sendo "terrena, animal e diabólica". O mesmo texto que alude a esta sabedoria afirma suas qualidades: "inveja, espírito faccioso, perturbação e toda obra perversa". Esta falsa sabedoria (v.6) predominava nos crentes neófitos que se congregavam na igreja de Corinto (1 Co 3.1).

 A sabedoria de Deus (vv.7-9). A sabedoria de Deus, embora superior à humana, é subestimada e preterida pelo crente carnal, além de ser ignorada pelo homem natural (v.14). Esta é a razão pela qual os cristãos e mestres carnais da igreja de Corinto não compreendiam o mistério da cruz - "escândalo" para os judeus e "loucura" para os gregos (1 Co 1.23). Assim também, os incrédulos, sábios segundo a carne, rejeitam o evangelho por desconhecerem a sabedoria de Deus revelada na cruz de Cristo (2 Co 3.14; 4.3-5). Todavia, a verdadeira sabedoria do Altíssimo é personalizada em Cristo (1 Co 1.30). Assim sendo, a compreensão e assimilação da sabedoria divina não depende primariamente da capacidade e de processos humanos, mas da graça de Deus revelada em Cristo (v.12).

 A sabedoria de Deus revelada pelo Espírito (vv.10-16). Nesta passagem, o Espírito Santo é citado várias vezes nas suas infinitas operações no ser humano: a) Por Ele Deus revela sua sabedoria. Revelar tem a ver com o desconhecido. Isso também denota o atributo da onisciência do Espírito Santo como Deus (v.10a); b) Ele é o que perscruta as coisas profundas de Deus (v.10b); c) Ele conhece os pensamentos de Deus (v.11b); d) Ele procede diretamente de Deus (v.12a); e) Ele ensina a sabedoria de Deus (v.13); f) Ele é o Espírito de Deus (v.14). O Espírito habita no crente (1 Co 3.16) e no íntimo do crente revela a Cristo; daí, o crente ter a "mente de Cristo" (v.16). O homem espiritual, isto é, possuído e regido pelo Espírito Santo, "discerne bem tudo" (v.15). Em resumo, no capítulo 2, é dito do agir do Espírito Santo que: a) Ele operou com demonstração e poder (v.4); b) Ele revela o desconhecido (v.10); c) Ele conhece tudo (v.10); d) Ele sabe perfeitamente as coisas de Deus (v.11); f) Ele ensina mediante palavras: a Palavra de Deus (v.13).

 

 

Aprendemos que a mensagem da cruz de Cristo supera toda capacidade humana em palavra e sabedoria, em todos os tempos, lugares e assuntos. Nossa fé não está fundamentada na eloquência humana, mas no poder de Deus revelado através da Pessoa e Obra vicária de nosso Senhor Jesus. Devemos, pois, ter ampla, perene e profunda comunhão com o Espírito Santo, a fim de que possamos compreender o mistério de Deus: "Cristo em vós, esperança da glória" (Cl 1.27).

 

 

Subsídio Doutrinário."A pregação da cruz (1 Co 1.17,18,23; 2.1,4,5)

Esses versículos nos mostram que a pregação do Evangelho e a sabedoria humana são mutuamente exclusivas! A morte de Cristo e a proclamação dessa morte pareciam totalmente absurdas aos gentios. Mas, se Paulo tentasse tornar mais atrativa sua pregação por meio do uso de palavras de sabedoria e eloquência humanas, estaria atraindo os ouvintes a si, e era isso mesmo que desejava evitar. Ele queria tornar seus ouvintes seguidores de Jesus Cristo, e não de líderes humanos. A pregação da cruz tem por objetivo conduzir homens e mulheres a Jesus (Jo 12.32). Se por meio de eloquência natural e da sabedoria humana os ouvintes se sentem mais atraídos ao pregador que ao próprio Cristo, a cruz é anulada (1.17).

Os gregos da antiguidade se vangloriavam por sua sabedoria. Naturalmente, não é pecado buscar a verdade e a sabedoria. É pecado, contudo, acreditar que os seres humanos podem chegar até Deus e saber o que é bom mediante a sua própria sabedoria.

Paulo usa linguagem forte em 1.27,28. As coisas loucas do mundo irão envergonhar os sábios e as coisas fracas do mundo irão envergonhar os fortes".Notas (HOOVER, T. R. Comentário Bíblico: 1 e 2 Coríntios. RJ: CPAD, 1999, pp.25-26.)

 

Em 1 Co 2.1, Paulo dirige-se aos mestres e paroleiros itinerantes que usavam o raciocínio, a sublimidade de palavras, e a lógica da filosofia para persuadir os homens. Os doutores judeus e filósofos gregos em Corinto tentavam, sem sucesso, compreender e explicar o mistério da "cruz de Cristo" através da sabedoria humana. Todavia, quanto mais estudavam, menos compreendiam (1 Co 1.20-22). Lembremos que a Bíblia não se opõe ao estudo e à pesquisa de sua mensagem (Jo 5.39), muito menos ao uso legítimo do conhecimento para compreendê-la. Porém, os recursos retóricos da filosofia dos gregos e o misticismo dos judeus daquela cidade, eram incapazes de explicar o mistério de Deus revelado na cruz de Cristo (vv.6-8; ver 1 Co 1.20-22). A sabedoria humana, à parte da ação do Espírito, é incapaz de compreender os santos mistérios divinos.

 

 

 

                                       Partidarismo na Igreja

 

 

1 Coríntios 1.10-13; 3.1-6.

 

1 Coríntios 1

10 - Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa e que não haja entre vós dissensões; antes, sejais unidos, em um mesmo sentido e em um mesmo parecer.

11 - Porque a respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado pelos da família de Cloe que há contendas entre vós.

12 - Quero dizer, com isso, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo.

13 - Está Cristo dividido? Foi Paulo crucificado por vós? Ou fostes vós batizados em nome de Paulo?

 

1 Coríntios 3

1 - E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo.

2 - Com leite vos criei e não com manjar, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis;

3 - porque ainda sois carnais, pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois, porventura, carnais e não andais segundo os homens?

4 - Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu, de Apolo; porventura, não sois carnais?

5 - Pois quem é Paulo e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um?

6 - Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento.

 

No original, a palavra "dissensão" (ARC) e "divisão" (ARA), procedem de uma raiz que significa "fragmentar", "dividir", "rasgar". A igreja estava dividida, fragmentada em quatro partidos: Paulo, Apolo, Cefas e Cristo. Para reforçar a constatação do problema, Paulo usa o termo "contenda" que, no original, significa "rivalidade".

Nem todos os crentes de Corinto estavam felizes com a divisão da igreja em quatro partidos: Paulo, Apolo, Cefas e Cristo. Por esta razão, o apóstolo foi informado das facções existentes na igreja local. O Novo Testamento usa vários termos gregos para descrever a natureza das divisões, contendas e dissensões. Destes vocábulos destacam-se cinco: stásis (insurreição),dichostasía (separar), schísma (divisão), háiresis (facção), e merídzō (divisão). No texto de 1 Co 1.10-13 aparece duas dessas palavras schísma (v.10) e merídzō (v.13). Ambas significam divisão, são sinônimas. Abaixo há uma tabela com quatro termos e suas respectivas referências bíblicas.

 

 

 

Palavra Chave. Partidarismo: O ato de tomar partido de algo ou alguém.

 

A Igreja do Senhor Jesus Cristo é descrita no Novo Testamento por meio de figuras instrutivas que acentuam a natureza e a unidade do povo de Deus. Ela nos é apresentada como "corpo" (1 Co 12.12), "edifício" (1 Co 3.9), "templo" (1 Co 3.16), e "família" (Ef 2.19). Esses emblemas salientam a mais completa união entre os santos do Senhor. O apóstolo Paulo, usado por Deus, exorta a Igreja à unidade, à concórdia e à comunhão entre os irmãos. Todavia, é uma grande lástima ver aqui e acolá os ditos salvos e santos em guerra uns contra os outros. Será que estes são a continuação dos "falsos irmãos" descritos em Gálatas 2.4?

 

 UMA IGREJA, QUATRO PARTIDOS (1 Co 1.10-12)

 

Antes de exortar pastoralmente a igreja de Corinto, Paulo, com sabedoria, reconheceu e destacou as bênçãos divinas sobre aqueles irmãos e o que havia de bom entre eles: 1) Eram "santificados em Cristo" (v.2); 2) Chamados "santos" (v.2); 3) Alvos "da graça de Deus" (v.4); 4) Enriquecidos espiritualmente na palavra e no conhecimento (v.5); 5) Tinham todos os dons espirituais concedidos pela graça de Deus (v.7); 6) Tinham a certeza da volta de Cristo (v.7).

 O partido de Paulo: "Eu sou de Paulo" (v.12). O apóstolo foi o fundador da igreja em Corinto (At 18.8-11). Esse partido, composto principalmente por gentios, era o grupo dos "fundadores". Este grupo era formado pelos que se converteram através da pregação de Paulo, o "apóstolo dos gentios" (Rm 11.13). Paulo jamais incentivou qualquer divisão, pelo contrário, ensinava os crentes a amarem a todos, e a respeitarem a consciência dos mais fracos (1 Co 8.10-13).

O partido de Apolo: "Eu sou de Apolo" (v.12). Apolo era um servo de Deus, "eloquente e poderoso nas Escrituras" (At 18.24-28). Ele ministrou na cidade de Corinto depois da partida de Paulo para a Síria (At 18.18; 19.1). Era natural de Alexandria, Egito, um eficaz expositor das Sagradas Escrituras, e um fluente orador (At 18.28). O "grupo de Apolo" era formado pelos crentes elitistas, intelectuais, filósofos e sábios de Corinto (1 Co 1.20-23; 2.1-6; 3.18,19). Embora um partido se formasse em torno de seu nome, Apolo não apoiava qualquer facção na igreja local. Quando Paulo insiste para que ele vá a Corinto, Apolo não se apressa em atender aquela igreja, talvez com receio que sua presença estimulasse ainda mais as divisões (1 Co 16.12).

 O partido de Cefas: "Eu sou de Cefas" (v.12). Cefas era o nome de Pedro no aramaico (Jo 1.42). Não há qualquer registro de que este apóstolo tenha ido a Corinto, mas seu renome como um dos três discípulos mais chegados a Cristo (Mt 17.1; Mc 5.37), e "apóstolo dos judeus" (Gl 2.7,8) era conhecido por todos os cristãos. O "partido de Cefas", o qual deu muito trabalho a Paulo, era composto por judeus legalistas. É possível que esses judeus tenham se convertido em Jerusalém, através da pregação do apóstolo Pedro, no dia de Pentecostes, e depois, formado na igreja local um grupo a favor da liderança deste apóstolo.

 O partido de Cristo: "E eu de Cristo" (v.12). Este grupo da igreja era exclusivista. Ele se considerava o único partido legítimo. Não se submetia a nenhum pastor humano. Só Cristo servia. Era, sem dúvida, o mais nocivo dos divididos.

Contudo, essas facções estavam cometendo um grave pecado contra a unidade do Corpo de Cristo, a Igreja. Os de Paulo, liberais na doutrina e nos costumes cristãos, achavam que podiam exercer a liberdade em Cristo acima da lei do amor (1 Co 13) - seu pecado era a libertinagem. Os de Cefas, legalistas, erravam ao unir a lei com a graça (Jo 1.17; Rm 10.4; Cl 2.14) - seu pecado era unir duas alianças distintas. Os de Apolo, intelectuais, com seu racionalismo filosófico, acreditavam que a lógica e a razão humanas eram tudo o que precisavam para entender as coisas do Espírito - seu pecado era aceitar as escolas de pensamento humano em vez do Espírito. Os de Cristo, exclusivistas, por causa do seu orgulho, carnalidade e imaturidade crônica, não se submetiam a nenhuma liderança pastoral - seu pecado era a insubordinação.

Esses mesmos pecados ainda hoje continuam a estragar e corromper os crentes e suas respectivas congregações: libertinagem, legalismo, exclusivismo, dependência da sabedoria e capacidade humanas.

 

A IGREJA E A DIVERSIDADE DE SEUS MINISTÉRIOS (1 Co 3.1-10)

 

Nossos ministérios ou serviços para Deus, na sua obra, devem ser interagentes e completivos; não rivais. Nesta passagem veremos, em resumo, alguns desses obreiros e seus ministérios.

 Obreiro plantador de semente da Palavra (vv.6-8). Ele lida com a semente da Palavra de Deus (Lc 8.11), e ao mesmo tempo com os diferentes tipos de terrenos, que são os corações humanos (Mt 13.1-8). Há sementes parecidas, mas não são do celeiro do Senhor.

 Obreiro regador da planta (vv.6-8). Este cuida da plantinha com desvelo; água, adubo, limpeza, poda, higidez. Muitas plantas não vingam, nem crescem porque não houve regador.

O obreiro cooperador com os demais (v.9). Não se trata aqui de um mero ajudante ou auxiliar; mas de alguém devidamente capacitado e experiente, que trabalha com seus pares unindo forças para maior rendimento do trabalho comum.

Obreiro edificador (v.10). Edificar não é exatamente o mesmo que construir. No sentido estrito da palavra, edificar é esmerar-se nos mínimos detalhes da obra. Nos materiais: referência, qualidade, procedência, durabilidade, resistência. Na mão de obra: perícia, especialização, prática. Na planta: exame, precisão, aprovação. Sempre que a Bíblia fala da Igreja do Senhor e de seus membros, o termo empregado é edificar e não simplesmente construir. Construir para exibir volume de trabalho é fácil, rápido e barato; edificar em qualquer sentido custa muito. As igrejas novas que de um dia para outro se agigantam, geralmente são simples construções, temporárias e aparentes. Edificação também tem a ver com acabamento, que é caro e demorado. A Palavra adverte: "Veja cada um como edifica" (v.10).

 Obreiro destruidor (v.17). O texto refere-se especificamente àquele que destrói o templo do seu corpo (que pertence ao Senhor), com fumo, bebida, drogas, glutonaria, trabalho sem descanso, sexo ilícito, etc. Todavia, a referência geral à diversidade de trabalhadores na causa do Senhor perpassa todo o capítulo 3. Outras passagens que também tratam deste assunto são: Mt 9.37,38 (obreiro ceifador), e Jo 15.2 (o obreiro podador).

 Um alerta profético (vv.12-15). O fundamento da Igreja é nosso Senhor Jesus Cristo (v.11; Mt 16.18; 1 Pe 2.6). Contudo, Paulo, "como sábio arquiteto", pôs o "fundamento", mas outro "edifica sobre ele" (v.10). De que forma pôs o fundamento? Pela inspiração divina ele continuamente pregava e ensinava a Cristo, crucificado e ressurreto, como o perfeito e suficiente Salvador da humanidade.

Sobre a edificação da Igreja e seu fundamento inabalável que é Cristo, o apóstolo do Senhor alerta: "Veja cada um como edifica sobre ele" (v.10). Esta admoestação é de caráter profético: "o Dia a declarará" (v.13). Paulo refere-se à reunião dos santos no Tribunal de Cristo, que galardoará cada um "segundo o seu trabalho" (vv.8,14).

As obras reprovadas pelo justo Juiz não resistirão ao julgamento divino representado pelo fogo: madeira, feno, palha; enquanto as aprovadas resistirão ao juízo celestial: ouro, prata e pedras preciosas (v.12). "Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo" (v.15).

Entra hoje no trabalho do Senhor! O Senhor precisa de ti! Se tu não entrares, alguém fará o teu trabalho, mas não como tu o farias, por isso somos diferentes uns dos outros. "Olha, faze tudo conforme o modelo que, no monte, se te mostrou" (Hb 8.5; Êx 25.40).

  

O partidarismo divisionista na igreja enfraquece e combate a unidade do Espírito pelo vínculo da paz (Ef 4.3). Cada crente tem a sua parte na preservação da comunhão e da unidade cristãs. A vontade do Senhor Jesus é que, todos, sem exceção, cheguem à perfeição desta dádiva celeste.

 

 

"Apenas Cristo (1 Co 3.5-11).Nestes versículos, a Bíblia apresenta o ministério conjunto de Paulo e Apolo sobre o 'edifício e lavoura de Deus': um plantou, o outro regou, mas Deus deu o crescimento (vv.6,9,10; 1 Co 4.15). O crédito não é do pregador, muito menos do mestre, mas do Senhor (v.7). Em 1 Co 4.6-13, o apóstolo retoma mais uma vez a discussão iniciada em 3.5, afirmando que ele e Apolo servem de 'figura' à unidade cristã, pois, embora a igreja esteja dividida, os dois ministros desfrutam de comunhão e serviço sacrifical em favor do evangelho. Uma vez que o fundamento inamovível sob o qual a Igreja está edificada é a pessoa de Cristo (v.11), eles são apenas 'cooperadores de Deus' (v.9). Nem Paulo, nem Apolo têm a proeminência, mas Cristo. 'Portanto, ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso' (v.21).

O templo de Deus e a verdadeira sabedoria (1 Co 3.16-23). Anteriormente, Paulo ilustrou a igreja por intermédio das imagens do edifício e da lavoura (v.9), agora, emprega a figura do templo (vv.16,17). O Novo Testamento utiliza-se de dois termos para templo: hieros, usado para descrever todas as áreas do templo; e naos, especificamente, o santuário, a morada da divindade. Nesta passagem Paulo usanaos para designar que a Igreja é o lugar vivo da presença divina. O 'templo de Deus' é a comunidade dos redimidos habitada pelo Espírito Santo (vv.16,17)."

Paulo usa linguagem forte em 1.27,28. As coisas loucas do mundo irão envergonhar os sábios e as coisas fracas do mundo irão envergonhar os fortes".Notas (HOOVER, T. R. Comentário Bíblico: 1 e 2 Coríntios. RJ: CPAD, 1999, pp.25-26.)

 

Paulo atribui os problemas da igreja de Corinto à carnalidade e imaturidade dos crentes (1 Co 3.1-5). Essas duas qualidades negativas contrastam com a espiritualidade e maturidade cristãs. Eles eram carnais, meninos, invejosos, contenciosos, facciosos, soberbos, transgressores e andavam "segundo os homens" (v.3; 1 Co 4.6). Portanto, jamais compreenderiam "as coisas do Espírito", que se discernem espiritualmente (1 Co 2.14,15; 3.3). Eles se apresentavam como "espirituais" e "maduros", mas na realidade eram "infantis" e "mundanos". Ainda hoje, alguns "grupinhos" costumam dividir e causar tumultos nas igrejas locais. Não apresentam estes a mesmíssima natureza carnal e imaturidade dos crentes coríntios?

 

 

 

                         Despenseiros dos mistérios de Deus

 

 

 

1 Coríntios 4.1-5,14-16.

 

1 - Que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus.

2 - Além disso, requer-se nos despenseiros que cada um se ache fiel.

3 - Todavia, a mim mui pouco se me dá de ser julgado por vós ou por algum juízo humano; nem eu tampouco a mim mesmo me julgo.

4 - Porque em nada me sinto culpado; mas nem por isso me considero justificado, pois quem me julga é o Senhor.

5 - Portanto, nada julgueis antes de tempo, até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas e manifestará os desígnios dos corações; e, então, cada um receberá de Deus o louvor.

14 - Não escrevo essas coisas para vos envergonhar; mas admoesto-vos como meus filhos amados.

15 - Porque, ainda que tivésseis dez mil aios em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais; porque eu, pelo evangelho, vos gerei em Jesus Cristo.

16 - Admoesto-vos, portanto, a que sejais meus imitadores.

 

 

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Palavra Chave. Fidelidade: Qualidade de fiel; lealdade; constância, firmeza, perseverança.

 

Quem são os verdadeiros ministros de Cristo segundo a Bíblia? Como identificá-los? Quais são suas qualidades? Qual é a sua missão? No versículo 1 da Leitura Bíblica em Classe, Paulo ao destacar o papel do obreiro cristão, emprega dois vocábulos traduzidos por "ministro" (hypēretēs) e "despenseiro"(oikonomos). O primeiro refere-se ao remador de um navio da época, que remava abaixo da linha da superfície. Seu trabalho era volumoso, pesado e sempre sob as ordens de um chefe. A lição aqui comunicada é de subordinação aos superiores, trabalho e humildade. O segundo diz respeito a um servo administrador de uma casa ou propriedade. É a lição da fidelidade, capacidade e responsabilidade. 

 

 

 OS VERDADEIROS MINISTROS DE CRISTO

 

 São chamados pela vontade de Deus. Só os autenticamente chamados por Deus devem, de fato, exercer o ministério evangélico (Hb 5.4). Paulo tinha plena convicção de que fora separado por Deus para pregar sua Palavra: At 13.2; Rm 1.1; Gl 1.15. "Fomos aprovados de Deus para que o evangelho nos fosse confiado" (1 Ts 2.4). Quem exerce o santo ministério sem a direta convocação do Senhor - o dono da obra - é um intruso, e quanto mais cedo desistir, melhor, pois está profanando as coisas santas.

 Têm senso de responsabilidade ministerial. Um genuíno obreiro de Cristo tem acurado discernimento espiritual. Ele sempre age com o objetivo de obter um bom testemunho (1 Tm 3.7). A vida do ministro de Deus precisa ser observada, respeitada e aprovada não só pelos descrentes, mas, especialmente, pelos irmãos em Cristo (3 Jo v.12).

 São piedosos e íntegros. O verdadeiro ministro de Cristo vive uma vida digna, não só diante de Deus, mas também dos homens (2 Co 8.21; 1 Tm 6.11,12). Comporta-se de modo honroso no trabalho, na vizinhança e na família, sem escândalos. Assim como o profeta Elizeu, pode ouvir dos que o cercam: "Este que passa sempre por nós é um santo homem de Deus" (2 Rs 4.9). A santidade é um imperativo na vida do obreiro.

Um bom ministro de Cristo não apenas ordena, mas, em tudo é o exemplo para o rebanho, no seu comportamento, nas orações, nos dízimos e ofertas etc. (Hb 7.8,9; Ml 3.10).

 São comprometidos com a Palavra de Deus (2Tm 2.15; 4.2). Isto é, pregam a Palavra de Cristo e não "palavras persuasivas de sabedoria humana" (1 Co 2.4). O servo do Senhor não deve enxertar seus sermões com retórica política, comentários da mídia e psicologia popular.

 

                       A MISSÃO DOS MINISTROS DE CRISTO

 

A missão de todos os chamados por Deus para realizar sua obra, especialmente por meio da pregação do evangelho, apóia-se em três pilares:

 Serviço. Na vida secular entendemos a palavra ministro como um título de alguém que ocupa um alto cargo no governo com elevada autoridade: Primeiro Ministro, Ministro da Economia, Ministro de Educação e, assim por diante. Todavia, o termo ministro no âmbito bíblico-eclesiástico, conforme descrito no Novo Testamento, refere-se a um servo, serviçal, prestador de serviço, ministrador, assistente, atendente, como em 1 Co 3.5; 2 Co 6.4 (diakonos); Rm 15.16; Hb 8.2 (leitourgos); At 26.16; 1 Co 4.1 (hypēretēs).

Todo servo no trabalho do Senhor é pequeno, humilde, seja qual for a sua posição. Só o Eterno é infinitamente grande. Se alguém pensa que é grande, não é nada diante dEle!

O verdadeiro servo de Deus não tem vontade própria; seu prazer e realização estão em fazer a vontade do Senhor, por amor, gratidão, e privilégio.

 Mordomia. O apóstolo Paulo e seus companheiros de ministério não se consideravam donos da obra de Deus, mas mordomos do Senhor, isto é, "despenseiros dos mistérios de Deus" (v.1), ou seja, aqueles que administram os negócios de seu Senhor.

O obreiro cristão, portanto, não é dono da obra, serviço ou trabalho que ele faz para Deus na Igreja. O Altíssimo dá obreiros à Igreja (Ef 4.11), mas não dá Igreja aos obreiros como propriedade sua para fazer o que deseja e como quiser.

A Igreja (At 20.28), o rebanho (1 Pe 5.2) e a obra pertencem ao Senhor (1 Co 15.58).

Fidelidade. Fidelidade é um atributo de Deus. Ele é fiel (1 Co 1.9; 10.13; Ap 19.11). Não há dúvida de que esta é a qualidade primordial de um ministro de Cristo: "requer-se nos despenseiros que cada um se ache fiel" (1 Co 4.2; Mt 24.45). De nada adianta o obreiro pregar o evangelho e ensinar a Palavra, se ele é desobediente, displicente, e nem sequer pratica o que prega e ensina. É necessário que o servo seja fiel ao seu Senhor e à sua obra, diariamente. A verdadeira fidelidade revela-se em nossos atos cotidianos. Devemos cumprir a nossa palavra e promessas que fazemos às pessoas (Mt 5.37; Tg 5.12). Os olhos do Senhor estão à procura dos que são fiéis (Sl 101.6). Em Jeremias 48.10 encontramos um veemente alerta de Deus nesse sentido.

 

                     MINISTROS DOS MISTÉRIOS DE DEUS

 

Que mistérios sãos estes? Conforme 1 Coríntios 2.7, são as verdades e doutrinas bíblicas da redenção e do glorioso futuro da Igreja do Senhor, desconhecidas no Antigo Testamento, mas reveladas por Jesus nos Evangelhos, e pelo Espírito Santo através dos escritores das epístolas do Novo Testamento: "Falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória".

 

A AVALIAÇÃO DOS MINISTROS DE CRISTO (1 Co 4.3-5)

 

 O juízo dos outros (v.3). Paulo declarou que pouco se importava com a avaliação dos coríntios a respeito dele e do seu ministério. Ele não permitia que tais juízos influenciassem sua fé e conduta. Os Coríntios não estavam em condições de julgar os outros. Como um despenseiro de Deus, ele era diretamente responsável diante de Cristo. Nenhum obreiro deve julgar temerariamente seus pares. O Senhor, na sua vinda trará à luz as ações e os desígnios secretos de cada um. Então, cada um receberá a sua recompensa (v.5).

 O juízo próprio. Paulo também não dependia de juízo próprio: "nem eu tampouco a mim mesmo me julgo" (v.3). O juízo próprio é perigoso porque a pessoa facilmente sanciona as suas próprias opiniões, aprova a sua própria conduta e acalenta seus próprios erros.

 O juízo de Deus (v.5). Como servos do Senhor, Paulo e seus companheiros de ministério deveriam ser avaliados e julgados pelo seu Senhor e Mestre, e não pelos coríntios (vv.3-7). Não existe obreiro perfeito, mas também não existe congregação perfeita, como era o caso de Corinto. Arão, o ministro, fez a congregação de Israel pecar diante do Senhor (Êx 32). Todavia, a mesma congregação também fez Moisés pecar (Dt 1.37,38; 3.26; Sl 106.32,33).

 O juízo do Tribunal de Cristo (v.5). "Portanto, nada julgueis antes de tempo, até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações; e, então, cada um receberá de Deus o louvor" (cf. 1 Co 3.13-15; 2 Co 5.10; Rm 14.10,12).

O que é, e como se dará esse juízo?

a) A Bíblia afirma que "todos", sem exceção, seremos julgados (2 Co 5.10; Rm 14.10,12).

b) Trata-se de julgamento e recompensa (ou perda de recompensa) das obras, trabalho, serviço, desempenho e testemunho cristão. Este fato acontecerá nos lugares celestiais, a saber, no Tribunal de Cristo.

c) O julgamento não diz respeito ao destino eterno do crente, mas às suas obras. O cristão jamais será julgado como filho de Deus (Jo 1.12,13; 5.24; Rm 8.1), mas o será como servo. Filho de Deus, no sentido de salvo pelo sangue de Cristo, só há um tipo, mas de servo, há vários. Isto será notório naquele grande dia!

São altamente solenes para todos os santos as palavras de Apocalipse 14.13, vindas do Espírito Santo: "E ouvi uma voz do céu, que me dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam".

d) O Tribunal de Cristo é o dia da pesagem das nossas obras na justa balança de Deus (1 Sm 2.3). O Senhor julgará não somente os atos, mas também os motivos e meios que levaram a eles (1 Jo 3.15). Nossas ações, mesmo boas, mas com motivações erradas, egoístas, indignas, injustas e até antibíblicas serão severamente julgadas. Sete vezes nas cartas às igrejas, no Apocalipse, Jesus declarou: "Eu sei as tuas obras".

  

Assim como Paulo e seus companheiros, todos os obreiros da Igreja de Deus devem ser humildes. Não há lugar no trabalho do Senhor para o orgulho, ou presunção, pois a obra é de Deus, e Ele requer de seus obreiros submissão e fidelidade. Conforme indagou o Senhor Jesus: "Qual é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o senhor pôs sobre os seus servos?" (Lc 12.42)

 

"Juízo do homem, juízo próprio e juízo de Deus (4.3-5). Paulo declarou que pouco importava que avaliação os coríntios faziam dele. Ele era sempre compassivo, atencioso e gentil. Mas o apóstolo era quase que totalmente indiferente às reações dos homens em relação a si, quando se tratava da questão de pregar o evangelho. Tais juízos não tinham qualquer influência sobre sua conduta. A razão era simples: como um despenseiro ele era diretamente responsável diante de Cristo.

Paulo também não dependia de juízo próprio. Ele não podia se lembrar de nada em sua vida cristã que o condenasse. Nem estava ciente de qualquer coisa que pudesse ter contra ele ou contra o seu ministério. No entanto, Paulo não se sentia inocentado por causa de uma consciência limpa. Ele sabia muito bem que uma consciência não acusadora não indica, necessariamente, a isenção de alguma culpa. No caso de Paulo, a sua consciência limpa e a ausência de alguma condenação em particular, vieram como testemunho do Senhor.

Além disso, se Jesus Cristo é o Juiz final, os coríntios não devem julgar nada 'antes de tempo, até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas e manifestará os desígnios dos corações' (v.5)".Notas (GREATHOUSE, W.M. Comentário Bíblico Beacon, VIII. Romanos a 1 e 2 Coríntios. RJ: CPAD, 2006, pp. 267-8.)

 

Sejamos, pois, fiéis no desempenho do labor que Deus nos dispõe e no emprego daquilo que nos confia - o evangelho, os talentos, nosso tempo, as finanças, as oportunidades e qualquer coisa que tivermos a nossa disposição. Almejemos recusar fielmente qualquer tentação de cultuar a nossa própria glória. Desejemos edificar com presteza a Igreja de Cristo para glória de Deus, sendo dignos de exemplo para os demais.

Aceitemos humildemente a exortação de Paulo em Romanos 13.12,14: "A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz. Andemos honestamente, como de dia, não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências".

Senhor, faze-nos servos fiéis!

 

 

                                 A imoralidade em Corinto

 

  

1 Coríntios 5.1-6,9-11.

 

1 - Geralmente, se ouve que há entre vós fornicação e fornicação tal, qual nem ainda entre os gentios, como é haver quem abuse da mulher de seu pai.

2 - Estais inchados e nem ao menos vos entristecestes, por não ter sido dentre vós tirado quem cometeu tal ação.

3 - Eu, na verdade, ainda que ausente no corpo, mas presente no espírito, já determinei, como se estivesse presente, que o que tal ato praticou,

4 - em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, juntos vós e o meu espírito, pelo poder de nosso Senhor Jesus Cristo,

5 - seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus.

6 - Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa?

9 - Já por carta vos tenho escrito que não vos associeis com os que se prostituem;

10 - isso não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo.

11 - Mas, agora, escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais.

 

 

Palavra Chave.Complacência: A igreja de Corinto tornara-se complacente com o pecado.

 

Como alguém que pertence a uma igreja cristã seria capaz de viver na prática da imoralidade sexual pior do que os ímpios? É algo incrível, mas é o que ocorreu na igreja de Corinto. Quando a pecaminosa conduta social do mundo sem Deus é aceita pela Igreja em lugar da Bíblia, os pecados mais degradantes e abomináveis se aninham sem protesto entre os crentes. Esta lição trata da disciplina bíblica na igreja.

 

 ESCÂNDALO NA IGREJA

 

 O transgressor precisa ser confrontado (vv.1-5). O pecado era abominável e grosseiro. Um dos crentes de Corinto vivia um relacionamento incestuoso com a mulher do pai. A igreja era cúmplice do pecado, porquanto o tolerava. "Um pouco de fermento faz levedar toda a massa" (v.6). Até que Jesus volte, a igreja local é composta de salvos que ainda pecam (1 Jo 1.6-10). Quando Jesus voltar não haverá mais mancha, nem ruga (Ef 5.27).

A igreja de Corinto, bem como toda igreja da atualidade deve, pelo Espírito Santo, ter consciência de que Deus é santíssimo ("Santo, Santo, Santo é o Senhor", Is 6.3), e quem vive na prática do pecado, não pode ter comunhão com Ele.

Paulo não estava fisicamente em Corinto (v.3), mas em pensamento e em palavra. Na autoridade do Senhor Jesus e no poder do Espírito Santo, ele juntamente com a igreja determinou a disciplina do transgressor: aquele homem deveria ser entregue a Satanás (vv.3-5; ver Hebreus 12.5-8). No caso de Jó (1.12; 2.6), sua vida foi por Deus requerida, mas no caso em apreço, não (v.5). Ver 1 Co 11.30; 1 Tm 1.19,20; 1 Jo 5.16,17.

Nos vv.5,13, a mulher pecadora não aparece na disciplina corretiva; certamente ela não era crente.

A espiritualidade do crente não está no fato de possuir um elevado conhecimento doutrinário, ou ser portador de dons espirituais, mas na resolução permanente de evitar o erro, o mal, o pecado. Isto é, primar pela santidade. O caso desse cristão de Corinto mostra-nos que um crente de consciência cauterizada procede pior quanto ao pecado do que o incrédulo (1 Tm 4.2; Ef 4.19). Ler também Rm 1.28; Lc 11.26; 2 Pe 2.22.

 Lançar fora o fermento velho (vv.6-8). O pecado de um, infectara toda a congregação. Certa vez em Israel, apenas um homem pecou (Acã), e todo o povo sofreu (Js 7.1,11). O fermento na Bíblia, isto é, sua fermentação, representa o pecado como corrupção moral e espiritual agindo, a princípio, secretamente, como faz a fermentação, na massa (v.6; Mc 8.15). "Um pouco de fermento faz levedar toda a massa" (v.6). Assim age o pecado inicialmente, se ele não for evitado. O Espírito Santo que habita no crente a partir da conversão, regendo soberanamente a nossa vida, livra-nos do poder e domínio do pecado (Rm 6.14,17).

A aplicação da disciplina pela igreja (vv.9-11). O apóstolo conhecia Corinto e sabia quão decaída moralmente era a sua população (v.10; 6.10,11). Já numa epístola anterior, não inclusa no cânon do Novo Testamento, ele os ensinara sobre a não identificação e comunhão da luz com as trevas (v.9; Sl 1.1). Isso não significava que eles teriam de sair deste mundo (v.10; Jo 17.15,16). O apóstolo instruiu os crentes para que nem comessem com os incrédulos de Corinto. Isso pode parecer exagero e radicalismo para nós do Ocidente, mas naquele mundo de paganismo as refeições em grupo, quase sempre, incluíam atos idolátricos e demoníacos (cap. 10). A pureza da Igreja não pode ser comprometida (2 Co 11.2). Tendo em vista essas práticas, comer com eles significava aprovar a idolatria e o demonismo. O crente, com o auxílio do Espírito Santo, precisa ver o pecado como Deus o vê (Tg 1.14,15; 1 Jo 3.4-9). Hebreus 12.5-11 nos fala da disciplina habitual, comum e necessária. Ler Mateus 18.15-17; 2 Ts 3.6-15; Tt 3.10.

 

A AÇÃO PASTORAL DISCIPLINAR NA IGREJA (vv.9-11)

 

 A ação pastoral e eclesiástica sobre o pecado. O caso disciplinar de Corinto era estarrecedor, de modo que mesmo à distância, Paulo delibera e aplica a disciplina juntamente com a igreja para por fim ao escândalo (vv.4,13). A igreja local, tendo à frente seu líder tem o dever de preservar a disciplina preventiva e a corretiva entre os seus membros.

 O fermento do erro (v.6). O silêncio da igreja nesses casos, deixa claro a sua omissão, além de abrir o caminho para que o pecado se alastre. Atualmente é grande o número de igrejas que se gabam de serem "abertas" e "livres". Por isso lhes é fácil reunir muita gente. Seus dirigentes não observam que não é somente a porta de entrada da salvação que é "estreita"; o caminho a ser percorrido, após a porta, é "apertado" (Mt 7.14). Isso tem a ver com renúncia em nosso seguir a Cristo (Lc 14.33).

 A motivação para uma vida santa (v.8). "Pelo que façamos festa...". Nos tempos da Lei, Deus estabeleceu festas sagradas, cívico-religiosas, para o seu povo observar anualmente. Elas prefiguravam a Cristo e sua obra redentora (Cl 2.16,17). Hoje a festa é espiritual; é o banquete da salvação a partir do momento em que Cristo entra em nossa vida como Salvador e Rei.

 

RELACIONAMENTOS DO CRENTE

 

 O relacionamento com os descrentes (v.10). O crente pertence a Cristo; ele é um santo de Deus que não precisa viver isolado, evitando o contato com os não-crentes, senão teria de "sair do mundo", ou seja, morrer. O verdadeiro cristão, mediante a sabedoria e o poder do Espírito Santo, convive entre pessoas não-crentes, mas não se deixa influenciar por elas, por seu modo de viver, sua filosofia de vida, sua religião, seus pecados, etc.

 O relacionamento com o crente vivendo em pecado. Como já explanado, um caso como o da igreja de Corinto, isto é, o crente que se tornou escravizado pelo pecado, o transgressor contumaz, o rebelde por opção, deve ser isolado e evitado. A privação da comunhão amorosa dos santos pode despertar o transgressor a valorizá-la.

 A disciplina sofrida pelo infrator. Mesmo num caso extremo de disciplina cristã como o dos versículos 1-11, não se trata de punição, vingança, nem destruição do transgressor reincidente, mas obstinado. "Para que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus" (v.5).

 

A nossa sociedade não é melhor do que àquela em meio a qual a igreja de Corinto vivia. Vigiemos para não nos acostumarmos aos baixos padrões de corrupção moral prevalecentes hoje no mundo: no campo, na cidade, nas diversões, nas viagens, na escola, etc. Que o Senhor guarde o seu povo "em Cristo".

 

 

 

"Cristo, nossa páscoa.Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós (v.7). Esta é a grande doutrina do evangelho. Os judeus, após matarem o cordeiro pascal, passavam a festa com pão sem fermento. Assim devemos nós, não somente durante sete dias, mas durante todos os nossos dias, morrer com o nosso Salvador para o pecado, ser plantados na semelhança de sua morte ao mortificarmos o pecado, e na semelhança de sua ressurreição, devemos levantar novamente para a novidade de vida, e isso tanto a interior quanto a exterior. Devemos ter novos corações e novas vidas. Note que a vida de um cristão deve ser uma festa de pães sem fermento. Sua conversa comum e sua atuação religiosa devem ser santas. Ele deve lançar fora o velho fermento e guardar a festa do pão sem fermento da sinceridade e da verdade. Ele deve ser sem culpa em sua conduta em relação a Deus e ao homem. E quanto mais houver de sinceridade em nossa fé, menos censuraremos a dos outros. Note que no total, o sacrifício de nosso Redentor é o mais forte argumento com um coração gracioso pela pureza e pela sinceridade. Quão sincera atenção Ele mostrou por nosso bem-estar, morrendo por nós! E quão terrível foi a sua morte da natureza detestável do pecado, e do desagrado de Deus contra ela! Abominável mal, que não podia ser expiado a não ser pelo sangue do Filho de Deus!Notas (HENRY, M. Comentário Bíblico: Novo Testamento. RJ: CPAD, 2005, p.448.)

O caminho que conduz ao céu e a Deus é estreito, e poucos se dispõem a trilhá-lo. Vivemos em uma sociedade em que os meios de comunicação incentivam e exaltam o erotismo, a pornografia, o sexo fora do casamento e toda a sorte de perversão. É preciso ser firme e consciente de que Deus reprova tais atitudes e que vai julgar toda a iniquidade: "Ante a face do SENHOR, porque vem, porque vem a julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos, com a sua verdade" (Sl 96.13). Não podemos nos tornar complacentes com o pecado. Deus estabeleceu padrões para que tenhamos uma vida santa. Estejamos conscientes de que violar estes padrões é perigoso, pois a consequência é sempre a morte (Rm 8.13).

Deus quer usar a sua vida santa para proclamar sua Palavra (1 Pe 2.9-11). Mas, para que você seja usado pelo Senhor, precisa lutar diariamente para manter-se puro, resistindo aos impulsos diabólicos que diariamente tentando destruí-lo. "... Toda pessoa que diz que pertence ao Senhor precisa abandonar o pecado" (2 Tm 2.19 NTLH). A falta de santidade conduz à inutilidade. Jesus nos advertiu: "Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para ser lançado fora..." (Mt 5.13).

 

 

 

                                Demandas judiciais entre os irmãos

 

1 Coríntios 6.1-9.

 

1 - Ousa algum de vós, tendo algum negócio contra outro, ir a juízo perante os injustos e não perante os santos?

2 - Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois, porventura, indignos de julgar as coisas mínimas?

3 - Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida?

4 - Então, se tiverdes negócios em juízo, pertencentes a esta vida, pondes na cadeira aos que são de menos estima na igreja?

5 - Para vos envergonhar o digo: Não há, pois, entre vós sábios, nem mesmo um, que possa julgar entre seus irmãos?

6 - Mas o irmão vai a juízo com o irmão, e isso perante infiéis.

7 - Na verdade, é já realmente uma falta entre vós terdes demandas uns contra os outros. Por que não sofreis, antes, a injustiça? Por que não sofreis, antes, o dano?

8 - Mas vós mesmos fazeis a injustiça e fazeis o dano e isso aos irmãos.

9 - Não sabeis que os injustos não hão de herdar o Reino de Deus?

 

Os membros da igreja de Corinto estavam atravessando uma fase turbulenta, marcada por discórdias e demandas. Em vez de primeiro levarem as questões perante o Senhor da Igreja em oração, e depois aos crentes, acabavam por expor as disputas nos tribunais civis, onde juízes pagãos davam o veredicto. Essa situação afligia o apóstolo Paulo.Em Corinto não havia vencedores, todos saíam perdendo. Às vezes, os verdadeiros vencedores não são aqueles que vencem uma disputa, mas sim aqueles que sabem renunciar por amor a Cristo e a sua obra.

 

 

Palavra Chave. Litígio: Questão judicial; pleito, demanda.

 

Uma igreja onde ocorre a manifestação de dons espirituais pode abrigar crentes nitidamente carnais? Se isso acontece, a culpa é dos dons de Deus ou de seus portadores? Na realidade, os dons não asseguram um comportamento santificado do crente. Essa era a real situação da igreja de Corinto. Internamente ela estava perdendo a qualidade espiritual e, externamente, sua influência missionária. Essas perdas se davam em razão de muitos crentes moverem processos judiciais entre si na justiça secular. E quando isso acontece entre os irmãos, as consequências podem ser desastrosas (Pv 18.19).

Apesar de tudo, o amor de Deus levou Paulo a tratá-los carinhosamente de "irmãos" mais de vinte vezes ao longo de sua primeira epístola. Será que somos melhores e mais santos que os coríntios?

 

 A FALTA DE COMUNHÃO FRATERNA NA IGREJA CORÍNTIA

 

 As discórdias pessoais. "Tendo algum negócio contra o outro" (v.1). Alguns crentes, por motivos pessoais, egoístas e banais costumavam levar outros aos tribunais, acionando juízes pagãos, como era o costume da época. A gravidade da advertência de Paulo estava no fato de que tais juízes arbitravam as demandas segundo as leis, idéias e costumes do paganismo reinante entre os gregos e romanos.

 A falsa espiritualidade. O capítulo 14 da epístola em estudo revela que nos cultos em Corinto havia bastante movimento, demonstrações "carismáticas", declarações em línguas, cânticos, profecias, exposição doutrinária, mas também muitas meninices, superficialidades e emocionalismo, que não devemos confundir com as reais "manifestações do Espírito" (1 Co 12.7).

 Imaturidade diversa (vv.1,5,7). É verdade que aqui na terra não se acha pessoa nem igreja perfeitas até a volta de Cristo (Ef 5.26,27; Cl 3.4). Quando Paulo fala a respeito de "suportar" uns aos outros em amor (Ef 4.2), é exatamente por causa disso. Se a diversidade de temperamentos, de personalidades, de formação e de mentalidade for ignorada, e se também não for controlada, pode motivar conflitos os mais diversos por toda parte.

 

UMA IGREJA QUE DESCONHECIA A SUA IMPORTÂNCIA (vv.2-4)

 

 A Igreja como juiz futuramente. A Bíblia afirma que, sob Cristo, o mundo e os anjos maus serão julgados pela Igreja no futuro: "Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo?" (v.2). "Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos?" Ver 2 Pe 2.4; Jd v.6; Ap 20.10.

Já aqui na terra a Igreja tem seus pastores, dirigentes e mestres, que capacitados por Deus e preparados em si mesmos, devem cuidar, no âmbito interno, dos problemas dos irmãos que surgem na vida cristã e na vida em geral. Confira, por exemplo, "governos" em 1 Co 12.28 e a exortação em 1 Ts 5.12.

 "Não sabeis?" (v.3). No capítulo em estudo, esta pergunta é feita seis vezes! Apesar de aqueles crentes serem tão imponentes e envaidecidos de sua ciência, sabedoria, de seus dons, de sua capacidade superior, não havia entre eles ninguém sábio, competente justo e imparcial para solucionar suas desavenças (v.5).

A estrutura da referida pergunta ("não sabeis?") no original, deixa ver que os crentes coríntios tinham sido ensinados por Paulo sobre problemas que ocorriam entre eles (At 18.11).

Na hierarquia dos seres criados, os anjos são a classe mais elevada de criaturas. Se os santos vão julgar seres tão importantes, é evidente que deverão ser capazes de resolver hoje na igreja pequenas demandas internas.

 

 ENSINOS FINAIS SOBRE LITÍGIOS E INIMIZADES (vv.5-8)

 

 As causas das contendas. Em primeiro lugar, os crentes cometiam injustiças. Isto é, lesavam os outros. "Vós mesmos fazeis a injustiça e fazeis o dano" (v.8). Além disso, os ofendidos e prejudicados revidavam sem considerar o ensino bíblico (Mt 5.38-40; Rm 12.14-21). Outra causa de contendas era o fato de que os coríntios estavam sendo enganados. "Não erreis" (v.10). Literalmente esta expressão equivale a "não vos deixeis ser enganados". Havia ainda uma última causa: Alguns não eram convertidos (15.34).

 O cristão e a justiça secular. O cristão deve ou não recorrer à justiça secular? Nos versículos 5 a 7, Paulo não quer dizer que o cristão não deva recorrer à autoridade civil quando necessário. O próprio apóstolo invocou seus direitos. Ver At 16.37-39; 22.25-28; 25.11,12; Rm 13.1-7; Mt 22.19-21.

A Palavra de Deus diz que devemos sofrer o prejuízo (1 Co 6.7). Nesta questão, a "espiritualidade" dos coríntios, - se fosse realmente verdadeira - deveria levá-los a refletir o amor mútuo, e não a vingança. Paulo explica que, ele mesmo, para demonstrar seu amor pelo próximo, privou-se do direito apostólico de ter apoio financeiro para pregar entre os coríntios (1 Co 9.1-22; 2 Co 11.9). 

 

Cristo nos deu o exemplo de sofrimento a fim de que possamos segui-lo (1 Pe 2.21-23). Os que verdadeiramente andam com Deus e são conhecidos por Ele empregam sua liberdade e seu conhecimento para edificar os outros na fé, mesmo quando isso significa negar os próprios e legítimos direitos como fiel discípulo de Cristo (1 Co 8.9-13). Esse é "o amor" que realmente "edifica". O conhecimento sem ele "incha" (1 Co 8.1).

 

 

"O método cristão de resolver problemas (6.7b). Paulo havia indicado o método correto de resolver disputas quando pregou aos coríntios pela primeira vez: Por que não sofreis, antes, a injustiça? Por que não sofreis, antes, o dano? Um cristão não precisa ser um joguete, nem deve permitir abusos contra si. Mas, no pensamento de Paulo, era melhor suportar uma injustiça ou assumir uma perda financeira do que sofrer o dano espiritual. O Senhor Jesus ensina que o cristão deve resistir ao mal (Mt 5.39). A igreja estava sofrendo uma perda de dignidade e de honra; ela estava experimentando um declínio de influência e respeito; ela estava exaurindo a sua força evangélica. O método cristão de evitar as ações judiciais deveria ser o de sofrer em vez de retaliar.

Os coríntios não só haviam se recusado a sofrer injustiças e perdas; eles também estavam explorando agressivamente os seus irmãos cristãos. Paulo declara a situação desta forma: Mas vós mesmos fazeis a injustiça e fazeis o dano e isso aos irmãos. Eles não eram espirituais o bastante para suportarem a injustiça por amor ao evangelho. Mas eram carnais o bastante para infligir o dano aos outros".Notas (GREATHOUSE, W. M. (et al) Comentário Bíblico Becon. VIII. Romanos a 1 e 2 Coríntios. RJ: CPAD, 2006, pp. 286,287.)

 

Como a verdadeira espiritualidade pode ser expressa? Através dos dons e talentos? Certamente que não. Nossa fé deve ser demonstrada por meio de pequenos atos, ações que demonstram nosso compromisso, amor e verdadeira identificação com Jesus Cristo. Infelizmente, não era isso que estava ocorrendo entre os coríntios. Se você fosse a uma das reuniões daquela igreja (excetuando a Ceia), com certeza gostaria do "movimento pentecostal" que lá havia. Entretanto, a espiritualidade ali retratada desfazia-se no primeiro obstáculo que o crente precisasse enfrentar. Isso é um sintoma de que não havia em Corinto uma verdadeira espiritualidade. Na atualidade, a Igreja do Senhor precisa trilhar o caminho da verdadeira espiritualidade para que a luz de Cristo brilhe e o nome do Mestre seja exaltado.

 

 

                                 Considerações acerca do casamento

 

 

1 Coríntios 7.1-5,7,10,11.

 

1 - Ora, quanto às coisas que me escrevestes, bom seria que o homem não tocasse em mulher;

2 - mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido.

3 - O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher, ao marido.

4 - A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também, da mesma maneira, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher.

5 - Não vos defraudeis um ao outro, senão por consentimento mútuo, por algum tempo, para vos aplicardes à oração; e, depois, ajuntai-vos outra vez, para que Satanás vos não tente pela vossa incontinência.

7 - Porque quereria que todos os homens fossem como eu mesmo; mas cada um tem de Deus o seu próprio dom, um de uma maneira, e outro de outra.

10 - Todavia, aos casados, mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido.

11 - Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher.

 

Palavra Chave. Casamento: Instituição divina que tem por objetivo a união entre um homem e uma mulher.

 

Havia dúvidas entre os crentes de Corinto sobre o casamento e o relacionamento familiar em geral. Foi então que eles resolveram escrever ao apóstolo Paulo a fim de se esclarecerem sobre esses assuntos (v.1).

Paulo aos Coríntios, o texto mais rico da Bíblia acerca do casamento em seus diversos aspectos: o casal e a vida conjugal; os filhos; o estado de solteiro; a separação e o divórcio; a viuvez e o novo casamento etc.

 

 CASAMENTO OU CELIBATO

 

É evidente a inspiração divina e sobrenatural do apóstolo Paulo ao tratar deste importante assunto. "Mando, não eu, mas o Senhor" (v.10); "Digo eu, não o Senhor" (v.12). Ver também os vv.25,40.

Casar ou não casar? "Bom seria que o homem não tocasse em mulher" (v.1). No estado de celibato, o homem e a mulher devem manter-se sexualmente abstêmios. Intimidades conjugais são limitadas ao casamento. Deus não criou o sexo para o pecado, como está ocorrendo no mundo ímpio; o chamado "sexo livre", segundo a Palavra de Deus, é abominação. Isto não significa, de acordo com a Bíblia, que seja impróprio, ou condenável, estar solteiro ou casado. É questão de consciência e possibilidades de cada um. Todavia, todos devem estar cientes de que o casamento traz consigo certas obrigações que os pretendentes não podem ignorar. Em 1 Timóteo 4.1-3, o mesmo apóstolo profetiza, pelo Espírito Santo, que um dos sinais do fim dos tempos é a proibição do casamento. Há por toda parte uma multidão de casais vivendo sem serem casados sob o rótulo de "união estável" protegida pelo Estado.

O matrimônio foi instituído por Deus e é um estado honroso (Hb 13.4), mas o celibato também é uma opção de vida perfeitamente natural (v.38). O casal cristão que vive no temor de Deus simboliza Cristo e sua Igreja (Ef 5.31,32).

 

 

 A NECESSIDADE DO CASAMENTO (vv.2-5)

 

Ante a imoralidade sexual desenfreada, como era o caso da população de Corinto, e a do mundo hoje, o casamento efetuado por amor recíproco preserva e protege a pureza moral da sociedade a partir da família: "Mas por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido" (v.2).

Vejamos algumas atitudes e deveres cristãos concernentes ao casamento (vv.3,4).

 Obrigações recíprocas (7.3,4). "O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher, ao marido" (v.3). Ou seja, cumpram com seus deveres conjugais. O verbo "pague" deixa claro que não se trata de favor, mas de uma obrigação; do marido para com a esposa e da esposa para com o marido. Isso nos faz compreender que o ato conjugal não visa somente à procriação, mas a satisfação mútua. No casamento, cada cônjuge tem direito à pessoa do outro. Embora a Bíblia ensine que o marido é a cabeça da família e que a esposa deve obedecer-lhe a orientação, na área sexual ambos estão no mesmo nível. As diferenças afetivas e psicológicas dele e dela devem ser conhecidas por ambos, a partir do marido, por ser ele a cabeça do casal (1 Pe 3.7 "com entendimento"). A expressão "Não vos defraudeis um ao outro" (v.5), é um preceito bíblico. O relacionamento físico do casal é parte do plano divino (1 Co 7.3); é uma necessidade conjugal (Pv 5.15,18); é um direito conjugal (Êx 21.10). No v.5, Satanás é citado como um inimigo pronto para infernizar e destruir o casamento, especialmente através da infidelidade conjugal. Ele sempre procura arruinar tudo o que é bom, e o casamento é um de seus principais alvos. Que isso sirva de alerta para todo casal cristão.

 Abstinência temporária (7.5,6). Dá-se a abstinência temporária quando um dos cônjuges resolve abster-se sexualmente para dedicar-se de forma integral a uma missão ou atividade espiritual. Há condições definidas para isso (v.5): 1) Consentimento mútuo; 2) A situação deve ser temporária "por algum tempo"; 3) Deverá ser por elevados propósitos cristãos - oração, jejum; e 4) Deverão juntar-se de novo, imediatamente.

 

O SOLTEIRO (vv.7-9)

 

 "Cada um tem de Deus o seu próprio dom" (v.7). O termo "dom" refere-se a uma capacitação sobrenatural conferida por Deus para alguém permanecer solteiro sem "abrasar-se" (v.9), e sem frustração. O cristão pode permanecer solteiro por tempo indeterminado, ou nunca se casar para realizar propósitos específicos de Deus. Todavia, isso requer não somente domínio próprio, mas um dom especial da graça divina, o qual não é concedido a todos: "... cada um tem de Deus o seu próprio dom..." (v.7). Você é solteiro (a) e tem o dom do celibato? Está disposto (a) a ficar assim, servindo ao Senhor com fidelidade, segundo seus desígnios específicos para a sua vida?

O conselho de Paulo aos solteiros que desejavam permanecer neste estado (v.8) tinha a ver com as condições sombrias que estavam para atingir a igreja. No v.26, a expressão "instante necessidade" equivale a "situação angustiosa que se aproxima". Jesus também abordou esse assunto em Mateus 19.12.

 

COMPROMISSOS CRISTÃOS NO CASAMENTO (vv.10,11)

 

 A mulher e o marido não devem se separar. O apóstolo expressa diretamente a vontade do Senhor: "Todavia, aos casados, mando não eu, mas o Senhor" (v.10). "A mulher se não aparte do marido (...) Se, porém, se apartar, que fique sem casar"  "o marido não deixe a mulher" (vv.10,11). Naquela época tanto a lei romana quanto a judaica concedia igualmente ao marido e a mulher o direito de dissolver o casamento por "qualquer razão" (Mt 19.3b). Jesus, porém, declarou enfaticamente: "Qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de prostituição, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério" (Mt 19.9). Ler também Mt 5.32; Mc 10.11,12; Lc 16.18; Ml 2.14-16.

 Conversão do cônjuge após o casamento (1 Co 7.12-16). Os versículos 12-16 têm a ver com casais descrentes em que um dos cônjuges converte-se a Cristo, e o outro não. A Bíblia não está aqui sancionando o casamento misto, do crente com o incrédulo. A passagem infere claramente a conversão de um deles após o casamento. Não é que o descrente passe a ser santo em Cristo perante Deus simplesmente porque seu cônjuge é convertido. Significa, sim, que o marido ou mulher de um crente é motivado a chegar-se a Deus pelo modo consagrado de viver do crente. Através do cônjuge crente, as bênçãos do casamento são conferidas sobre o descrente. E até os filhos de tal casamento são também abençoados... "mas, agora, são santos" (v.14). Se o descrente se recusar a permanecer com o convertido por causa de sua fé em Cristo, o cristão está livre da obrigação de sustentar o casamento. Mas, a iniciativa deve ser do descrente. "Mas, se o descrente se apartar, aparte-se" (v.15). Esses casos são raros no Ocidente, mas no Oriente ocorrem com frequência. No passado, ocorria muito mais.

 

 Os coríntios viviam num ambiente de promiscuidade sexual ostensiva, sendo a metrópole de Corinto o centro do culto imoral e depravado à deusa grega Afrodite, cultuada entre os romanos sob o nome de Vênus. Ela era considerada a deusa do amor erótico, sensual. Hoje a Igreja defronta-se com ambiente ainda pior, como é o caso da multimídia eletrônica e informatizada: dramatizada, falada, visualizada, escrita, gravada etc. Entretanto, maior é Deus para guardar a todos os que nEle confiam e que vivem para Ele.

 

 

"Asceticismo e o celibato matrimonia. No versículo 2, Paulo está argumentando contra o falso ensino que defende o asceticismo e o celibato matrimonial. Alguns supunham que a vinda de Cristo estava muito próxima e que por isso deveriam ser espirituais. Esse pensamento de ser "espiritual" era provavelmente influência proveniente de idéias gregas sobre o corpo ser algo indigno (veja 1 Co 6.12-20; 15.1-58). O que Paulo quer dizer é que cada homem que já está casado deve continuar mantendo relações com sua própria esposa, e cada esposa com o seu próprio marido. Esta é a norma para os cristãos. A imoralidade que Paulo tem em mente é homens casados irem visitar prostitutas (em geral as prostitutas do templo que eram incentivadas pela religião grega). O versículo 2 se aplicaria a todo caso extraconjugal de hoje.

Dentro do casamento, o marido tem a responsabilidade primária de buscar a satisfação sexual de sua esposa. A esposa também deve corresponder. Paulo não considera as relações sexuais como somente para procriação. Elas são uma obrigação dentro do casamento, mas o marido e a esposa devem respeitar-se um ao outro para chegarem a um acordo mútuo sobre como e quando. Visto que no plano de Deus eles são unidos como uma carne, cada um possui o corpo do outro".Notas (HORTON, S. M. I e II Coríntios: Os problemas da igreja e suas soluções.RJ: CPAD, 2003, p. 69.)

 

 

                                   Coisas sacrificadas aos ídolos

 

 

1 Coríntios 8.1-4; 10.14,18-22.

 

1 Coríntios 8.

1 - Ora, no tocante às coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que todos temos ciência. A ciência incha, mas o amor edifica.

2 - E, se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber.

3 - Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido dele.

4 - Assim que, quanto ao comer das coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que o ídolo nada é no mundo e que não há outro Deus, senão um só.

 

1 Coríntios 10.

14 - Portanto, meus amados, fugi da idolatria.

18 - Vede a Israel segundo a carne; os que comem os sacrifícios não são, porventura, participantes do altar?

19 - Mas que digo? Que o ídolo é alguma coisa? Ou que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa?

20 - Antes, digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios.

21 - Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios.

22 - Ou irritaremos o Senhor? Somos nós mais fortes do que ele?

 

Em Roma havia muitas celebrações aos deuses da fertilidade. No dia 23 de Abril, na festa das Vinálias, os romanos adoravam a Júpiter e a Vênus Ericina, a "deusa das prostitutas". No dia 28 de Abril, na Floralia, adoravam a deusa dos rufiões e prostitutas. Informe à classe que essas festividades lembram as mazelas do "carnaval moderno" (Rm 1.18-32). O crente, portanto, deve se afastar dessas festas malignas que induzem os homens à fornicação, ao adultério, às drogas e à feitiçaria.

 

Palavra Chave. Idolatria: Culto prestado aos ídolos.

 

Corinto era uma importante cidade da Grécia, e a capital da província romana Acaia. Sua posição geográfica privilegiada favorecia o comércio, a cultura, os esportes e as religiões pagãs. Em Corinto havia muitos templos dedicados aos deuses greco-romanos. Dentre eles, destacava-se o de Afrodite, localizado no topo do Acrocorinto, tendo mais de mil sacerdotisas que se dedicavam à prostituição religiosa. As festas dedicadas a esses demônios eram repletas de música, orgia, comida, bebida e excessos de todos os tipos. Nas oferendas de animais, uma parte era queimada no altar do ídolo, a outra era doada ao sacerdote, e a última era entregue ao ofertante, que quase sempre a vendia no mercado.

 

 A CARNE SACRIFICADA: ASSUNTO ANTIGO, MAS CONTEMPORÂNEO

 

 No Antigo Testamento (Dt 32.16,17). Diversas passagens bíblicas relacionam o ídolo aos demônios, e o culto idólatra ao culto diabólico (Lv 17.7; 2 Cr 11.15). Os ídolos sempre foram laços para o povo de Israel, a quem Deus elegeu como seu povo peculiar aqui na terra. Há crentes que têm receio e pavor de ídolos, imagens fabricadas e figuras. Ora, "o ídolo nada é", afirma a Bíblia (1 Co 8.4; 10.19; Sl 115.4-7; Is 44.9-17). O culto idólatra dos israelitas desviados não era oferecido aos ídolos, mas "aos diabos", como afirma Deuteronômio 32.17.

O apóstolo adverte a igreja de Corinto para não se envolver com a idolatria, como o povo de Israel no deserto. Naqueles dias, os judeus desviados ofereceram sacrifícios aos demônios, prostituíram-se e comeram da carne sacrificada aos ídolos (1 Co 10.7,8).O cristão também não deve participar de festividades e atos que cultuam os "santos", "os guias" e ídolos demoníacos. Assim como Daniel, deve o crente rejeitar irrevogavelmente o "manjar oferecido aos ídolos" (Dn 1.8,9).

 No Novo Testamento. Em Atos 15.29, a igreja, composta de judeus e gentios (Ef 2.14), é doutrinada a abster-se "das coisas sacrificadas aos ídolos". Essa importante ordenança não apenas confirma a proibição do Antigo Testamento, como também amplia o conceito na era da graça: seja para cumprir o mandamento (At 15.29) seja por motivo de consciência (1 Co 8.7-13), ou ainda para não melindrar o crente imaturo (1 Co 8.9). Assim como participar da "mesa do Senhor" é um testemunho da nossa filiação, identificação e comunhão com Ele (1 Co 10.18), tomar parte de atividades, reuniões e procissões vinculadas a ídolos, ocultismo e espiritismo é identificar-se com o próprio Diabo (1 Co 10.20,21). A imagem adorada não é nada; apenas obra de pedra, de pau, gesso, cimento ou ouro (Sl 115.4-7), mas por detrás dela estão os demônios (ver Ap 9.20; 13.15).

 

O CRISTÃO DIANTE DAS FESTIVIDADES RELIGIOSAS PAGÃS

 

 As festas religiosas pagãs no Antigo Testamento. Antes de Israel ser introduzido na idólatra terra de Canaã, o Senhor advertiu-o a respeito dos maus costumes, feitiçarias, práticas e celebrações idólatras de seus habitantes (Êx 20.3-5; 22.20; 23.24,32). Todavia, o povo desobedeceu a Deus e curvou-se diante dos falsos deuses cananeus (Jz 2.7-13,17; Êx 32.8). Por esta razão, "a ira de Deus se acendeu contra Israel" (Jz 2.14). Ora, se Deus não "poupou os ramos naturais", afirma Paulo, "teme que te não poupe a ti também. Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus" (Rm 11.21,22). Portanto, meu amado irmão em Cristo, não participe das festas em honra aos ídolos e que servem aos demônios.

 As festas religiosas pagãs no Brasil. O nosso país caracteriza-se como uma nação multicultural e pluralista, inclusive no que tange a tradições religiosas não-cristãs. Muitos antropólogos e sociólogos seculares vêem essas festividades como elemento de integração social e manifestação cultural. Mas isto é apenas um disfarce material, que oculta a tenebrosa realidade espiritual das coisas. O sincretismo religioso presente em muitas dessas festas e comemorações é uma ferramenta maligna para iludir o cristão incauto ou desprovido de visão celestial.

 A idolatria do coração. O primeiro mandamento do Eterno em Êxodo 20.3, ordena: "Não terás outros deuses diante de mim". Israel antes de ser liberto e resgatado por Deus da escravidão do Egito, pecou contra o Senhor, adorando a falsos deuses (Js 24.14,15). E, ao chegar a sua nova terra, Canaã, continuou cometendo o mesmo pecado (Js 24.23).Deus conhece o coração do homem e sabe da sua propensão à idolatria. No caso de Israel, esse pecado não era apenas externo, mas interno; a idolatria do coração, arraigada no âmago da criatura humana.O que é um deus, ou ídolo dominante na vida de alguém? É tudo aquilo que ocupa sempre o primeiro lugar no coração do homem e aí se entroniza na sua vida, tempo, pensamento e vontade. Em Ezequiel 14, Deus advertiu seu povo sobre "ídolos no coração" (vv.2-7). Tomemos uma decisão: Deus deve ser o único e absoluto Senhor de nosso ser. Lembremo-nos que o Senhor não divide seu senhorio, nem a sua glória.

Vejamos alguns dos deuses modernos mais conhecidos:

a) Dinheiro. Principalmente o acúmulo de riquezas por avareza. Muitos têm abandonado a Deus, ou estão frios na fé devido a esse deus.

b) Sucesso. Fama, popularidade, reputação, cultura, graus acadêmicos, entre outros. Se o sucesso e o êxito não forem devidamente controlados, eles controlam seu portador e tornam-se um deus em sua vida.

c) Poder. O exercício do poder através de uma posição. Esta forma de poder leva à vaidade, pavonice, orgulho, vanglória e presunção. A essa altura, o poder torna-se um ídolo no coração.

d) Trabalho. Exagerado, sem descanso, que rouba o tempo que pertence unicamente a Deus, para buscar sua presença através da oração, adoração e leitura da Palavra de Deus.

e) Prazer. Também pode ser idolatrado. É a busca exagerada, incessante e crescente das diversões, da glutonaria, lazer, passatempos, etc. O prazer natural, controlado, justo e íntegro não é pecado. É evidente que há muitos outros ídolos no coração dos homens nesta era de avanços e realizações contínuos.

Paulo, o porta-voz de Deus, dirige-se à igreja de Corinto e alerta: "Portanto, meus amados, fugi da idolatria" (1 Co 10.14). Certamente, muitos deles estavam tentados a se envolverem com os ídolos, razão pela qual Paulo os admoesta. Deus também usou o apóstolo João para exortar os crentes a tomarem cuidado com os "ídolos" (1 Jo 5.21). É evidente que se trata aqui de "ídolos do coração".

 

A Bíblia proíbe o crente de participar da mesa do Senhor e do cálice dos demônios (1 Co 10.20,21). Tal duplicidade religiosa leva o seu praticante ao pecado, à mentira, à falsidade, à idolatria, e ao inferno, pois não há qualquer associação entre luz e trevas, verdade e mentira, entre o Senhor e Satanás. Não há meio termo na fé cristã e na doutrina (Mt 5.37; 6.24; Sl 119.113). Não existe verdade no erro, e nem erro na verdade, porque ambos se anulam mutuamente. Assim também, não há nada de sagrado no profano e no profano não há nada de sagrado.

 

"Idolatria e Prostituição cultual em Canaã.No ambiente canaanita, as práticas sincréticas nos cultos da fertilidade eram dominados pelo casal hierogâmico Baal e sua esposa Astarte ou Astarote. Baal era representado por um touro e era considerado o deus da chuva. Na concepção cananéia, a chuva era representação do sêmem de Baal, que frutificava a terra e a fazia germinar. Os símbolos religiosos que estavam relacionados a Baal ilustravam a virilidade e o poder procriador masculino. Astarte, por outro lado, era figura da terra que se prepara para receber a chuva. Ao receber a vida que procede da divindade masculina (chuva), forma-se no ventre da terra a vida que se manifesta nos frutos colhidos de tempos em tempos.

As imagens femininas desse período são antropomórficas e apresentam as deusas com todos os membros vitais da procriação. Os órgãos genitais masculinos e femininos são adorados e apreciados como uma dádiva de Baal e Astarte para a perpetuação da vida. Por essa razão, os templos ou locais para adoração aos deuses da fertilidade masculinos na Palestina daqueles dias, eram construídos em locais altos ou montes, simplesmente porque, de acordo com a concepção cananéia, estes são símbolos fálicos".Notas (BENTHO, E. C. A Família no Antigo Testamento: história e sociologia.RJ: CPAD, 2006, pp. 207-8.)

 

O mundo descrito pelo Antigo Testamento estava corrompido pelas festividades religiosas e costumes pagãos. Egito, Babilônia, Assíria, entre outros impérios, eram conhecidos por suas festividades em honra aos seus impudicos deuses e governantes. Antes de Israel ser introduzido na terra de Canaã, o Senhor advertiu o povo a respeito das festividades e orgias religiosas celebradas por seus habitantes (Êx 20.3-5; 22.20; 23.24,32; Dt 22.5; 30.17,18; Jz 2.2). Os povos que habitavam Canaã celebravam os deuses da fertilidade, Baal e Astarte. Os rituais pagãos desses povos eram repletos de orgias, homossexualidade, e sacrifícios de animais e de crianças. Infelizmente, Israel fora seduzido por essas festividades pagãs (Jz 2.7-13, 17), assim como ainda hoje muitos são atraídos por esses hediondos pecados (Rm 1.18-32).

 

 

 

                                   A importância da Santa Ceia

 

 

1 Coríntios 11.23-32.

 

23 - Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão;

24 - e, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim.

25 - Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim.

26 - Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que venha.

27 - Portanto, qualquer que comer este pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor.

28 - Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão, e beba deste cálice.

29 - Porque o que come e bebe indignamente come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor.

30 - Por causa disso, há entre vós muitos fracos e doentes e muitos que dormem.

31 - Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados.

32 - Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.

 

 

Palavra Chave. Memorial: Aquilo que mantém viva a memória de alguém ou de algo.

 

A Ceia do Senhor é um ato de suma importância, em si mesmo e na vida do crente. Ela não é um mero símbolo, mas sim uma das verdades centrais da nossa fé. A Santa Ceia lembra a paixão e a morte de Cristo em nosso lugar, bem como a sua segunda vinda. Tendo em vista suas verdades bíblico-teológicas, cabe-nos tomar assento à mesa do Senhor com solenidade e redobrada reverência.

 

 O QUE É A SANTA CEIA

 

A Santa Ceia não é apenas um ato celebrado pela igreja, mas também uma proeminente doutrina bíblica. Em geral, todos sabem como proceder, todavia poucos conhecem a doutrina, pois depende do estudo da Palavra.A Bíblia afirma que Paulo recebeu o ensino da Santa Ceia diretamente do Senhor: "Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei" (v.23). Provavelmente ele o tenha recebido durante os três anos em que estivera a sós com Deus na Arábia, sobre os quais as Escrituras silenciam (Gl 1.11,12,15-17).

São duas as ordenanças da Igreja Cristã originadas do ministério terreno de Nosso Senhor Jesus Cristo: o batismo e a Santa Ceia. Com o seu batismo, no rio Jordão, Ele iniciou o seu glorioso ministério (Mt 3.13-16), encerrando-o com a instituição da Santa Ceia, sua paixão e morte redentora (Mt 26.26-30). Enquanto o batismo fala da nossa fé em Cristo e ocorre apenas uma vez na vida do crente (Mc 16.16), a Ceia do Senhor diz respeito à nossa comunhão com Ele, e deve ser sempre renovada (Lc 22.14,15).

1. Definição e designações. A Santa Ceia é uma ordenança da Igreja, instituída por Jesus na noite em que ele foi traído. Na Bíblia, ela é chamada de "Ceia do Senhor" (1 Co 11.20) e "comunhão do corpo e do sangue de Cristo" (1 Co 10.16).

2. Ordenança ou sacramento. A Ceia do Senhor é conhecida pelos evangélicos como ordenança, por constituir-se numa ordem dada por Cristo aos santos apóstolos.

Os católicos romanos e certas alas do protestantismo costumam denominá-la de sacramento.A Santa Ceia é uma ordenança instituída por Jesus.

 

 OS ELEMENTOS DA SANTA CEIA

 

São elementos da Santa Ceia o pão e o vinho por representarem, respectivamente, o corpo e o sangue do Senhor Jesus.

O pão. Por ser este alimento o símbolo da vida, Jesus assim identificou-se aos seus discípulos: "Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome; e quem crê em mim nunca terá sede" (Jo 6.35). Por conseguinte, quando o pão é partido, na celebração da Ceia, vem-nos à memória o sacrifício vicário de Cristo, através do qual Ele entregou a sua vida em resgate da humanidade caída e escravizada pelo Diabo.

 O vinho. Identificado na Bíblia como "fruto da vide" e "cálice do Senhor" (Mt 26.29; 1 Co 11.27), o vinho na Ceia lembra-nos o sangue de Cristo vertido na cruz para redimir a todos os filhos de Adão: "Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição, recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado" (1 Pe 1.18,19). Portanto, o pão e o vinho são, biblicamente, o memorial do Calvário; representam o corpo e o sangue de Cristo, oferecidos por Ele como sacrifício expiatório para redimir-nos de nossos pecados. É a explicita, profunda e confortadora simbologia das Sagradas Escrituras.

 

 LIÇÕES DOUTRINÁRIAS DA SANTA CEIA

 

Vejamos algumas das lições ou ensinos doutrinários da Ceia do Senhor até a volta de Jesus.

 A Santa Ceia é um mandamento do Senhor. Ele ordenou por duas vezes: "fazei isto em memória de mim" (vv.24,25).

 É um memorial divino. "Em memória de mim" (vv.24,25). É um memorial da morte do Cordeiro de Deus em nosso lugar (1 Pe 1.18,19; Jo 1.29). Como tal, a Santa Ceia comemora algo já realizado (Lc 22.19).

Assim como a sociedade, o governo, o povo, as instituições particulares têm seus memoriais, aos quais estimam, honram e preservam, nós temos muito mais razão, dever, direito e prazer de sempre participar da Ceia do Senhor.

 É uma profecia a respeito da volta de Jesus. "Anunciais a morte do Senhor até que venha" (v.26). A igreja ao celebrar a Ceia do Senhor, está também anunciando a todos a sua vinda. "E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide até àquele Dia em que o beba de novo convosco no reino de meu Pai" (Mt 26.29).

Deve ser precedida de auto-exame do participante (v.25). Trata-se do auto-julgamento do cristão diante de Deus, quanto ao seu estado espiritual (v.31). Esse auto-exame deve ser feito com o auxílio do Espírito Santo e tendo a nossa consciência alinhada às Escrituras.

 A ceia do Senhor e o discernimento espiritual do crente. Participar da Ceia sem discernir "o corpo do Senhor" (v.29), é ter os santos elementos da Ceia como coisas comuns, e não como emblemas do corpo e do sangue de Cristo.

 É uma ocasião propícia ao recebimento de bênçãos. "O cálice de bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é, porventura, a comunhão do corpo de Cristo?" (10.16). Portanto, Deus pode derramar copiosas bênçãos no momento da ceia. Houve milagres na preparação da primeira Ceia (Lc 22.10-13).

 A Santa Ceia é um momento de gratidão a Deus. Na Ceia do Senhor todo crente deve ser agradecido. "E tendo dado graças" (v.24). Em todos os registros da Ceia vemos ação de graças a Deus: 1 Co 11.24; Mt 26.27; Mc 14.23; Lc 22.19.

 A Santa Ceia é para os discípulos do Senhor. Conforme Lucas 22.14, Jesus levou apenas os Doze para a mesa da Páscoa, seguida da Ceia do Senhor. Se a Ceia fosse para qualquer um, Ele teria chamado a todos sem distinção. A Santa Ceia é para os santos em Cristo Jesus.

 É um momento de profunda e solene devoção e louvor a Deus. "E, tendo cantado um hino" (Mt 26.30). Como Jesus cantou à sombra da sua cruz, não podemos compreender, nem explicar!

 A Santa Ceia é alimento espiritual. Toda ceia destina-se a alimentar. Devemos participar desse Santo Memorial convictos, pela fé e esperança de que seremos novamente alimentados espiritualmente.

 A Ceia do Senhor condena a duplicidade religiosa. "Não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios" (10.21). A Santa Ceia é incompatível com a duplicidade da vida espiritual do cristão (Sl 119.113; Mt 6.24; 2 Co 6.14).A Ceia é um mandamento, um memorial, uma profecia, e um momento de gratidão.

 

 

Tendo em mente o exposto, devemos sentar-nos à mesa do Senhor, com discernimento, temor de Deus e humildade. Conscientizemo-nos, pois, de que, ali, não estão meros símbolos, mas o sublime memorial da paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Caso contrário, seremos contados como réus diante de Deus. Que o Senhor nos guarde a todos, por sua graça.

 

"A importância da Ceia do Senhor.1. Passado. É um memorial da morte de Cristo no Calvário, para redimir os crentes do pecado e da condenação. Através da Ceia do Senhor, vemos mais uma vez diante de nós a morte salvífica de Cristo e seu significado redentor para a nossa vida. A morte de Cristo é nossa motivação maior para não cairmos em pecado e para nos abstermos de toda a aparência do mal (1 Ts 5.22).[...]

2. Presente. É um ato de comunhão com Cristo e de participação nos benefícios da sua morte sacrificial e, ao mesmo tempo, comunhão com os demais membros do corpo de Cristo (10.16,17). Nessa ceia, com o Senhor ressurreto, Ele, como anfitrião, faz-se presente de modo especial (cf. Mt 18-20; Lc 24.35). [...]

3. Futuro. É um antegozo do reino futuro de Deus e do banquete messiânico futuro, quando então, todos os crentes estarão presentes com o Senhor (Mt 8.11; 22.1-14). Na Ceia do Senhor, toda essa importância acima mencionada só passa a ter significado se chegarmos diante do Senhor com fé genuína, oração sincera e obediência à Palavra de Deus e à sua vontade".Notas (Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD. p.1753)

 

Sem dúvida alguma, a essência da Santa Ceia é a comunhão. Comunhão significa ter algo em comum com alguém. No âmbito espiritual, é indispensável que a Igreja, como Corpo de Cristo, possua algumas características em comum, tais como: "um só corpo, um só espírito, um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos." (Ef 4.4-6).Jamais deveríamos nos esquecer de que a Igreja de Cristo é um lugar onde, embora se manifeste uma diversidade de características físicas e culturais, a unidade é fundamental. Unidade na diversidade. Diversidade de dons, ministérios, talentos, mas unidade na doutrina, na fé e no Espírito.

 

 

 

                                      Os dons espirituais

 

 

1 Coríntios 12.1-11.

 

1 - Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes.

2 - Vós bem sabeis que éreis gentios, levados aos ídolos mudos, conforme éreis guiados.

3 - Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema! E ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo.

4 - Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.

5 - E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.

6 - E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.

7 - Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil.

8 - Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência;

9 - e a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar;

10 - e a outro, a operação de maravilhas; e a outro, a profecia; e a outro, o dom de discernir os espíritos; e a outro, a variedade de línguas; e a outro, a interpretação das línguas.

11 - Mas um só e o mesmo Espírito opera todas essas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.

 

Os termos empregados por Paulo no capítulo 12 de 1 Coríntios para categorizar os dons espirituais: (v.4) charisma (ξαρισμα); (v.5) diakonia (διακονια); e (v.6)energēmatos (ενεργηματος). O primeiro (charisma) enfatiza que os dons são dádivas divinas. O segundo (diakonia) ressalta o propósito dos dons: servir ao povo de Deus. Já o terceiro está relacionado aos dons de poder, indicando a poderosa ação divina através dos servos de Cristo.

 

 

Palavra Chave.Dom espiritual: Dom proveniente da parte de Deus aos crentes mediante a operação do Espírito Santo.

 

No Credo das Assembléias de Deus no Brasil, acha-se mui explícita a crença nos dons concedidos pelo Espírito Santo: "Cremos na atualidade do batismo no Espírito Santo e dos dons espirituais". Através desta verdade, ressurgida na Rua Azusa em Los Angeles, no início do século passado, os pentecostais vêm anunciando o evangelho completo de nosso Senhor Jesus Cristo em todo o mundo: Jesus salva, cura, batiza com o Espírito Santo, concede dons, e vem outra vez.

 

 O QUE SÃO OS DONS ESPIRITUAIS

 

Não importa o que dizem os descrentes, argumentando contra a atualidade e a realidade do batismo com o Espírito Santo e dos dons espirituais. A Bíblia, que é nossa suprema autoridade, além de ser clara sobre essa matéria de fé, é confirmada por incontáveis testemunhos, que ratificam a validade da promessa pentecostal.

 Definição. Os dons espirituais são dotações e capacitações sobrenaturais que o Senhor Jesus, por intermédio do Espírito Santo, outorga à sua Igreja, visando a expansão universal da sua obra e a edificação dos santos. Por intermédio deles, segundo o Espírito, o crente fala, conhece e age sobrenaturalmente.

 Origem. Ao contrário do que pensavam certos crentes de Corinto, os dons espirituais, embora diversos, são procedentes do Único e Verdadeiro Deus Triúno - o Espírito Santo (v.4), o Senhor Jesus (v.5), e Deus Pai (v.6). Antes acreditavam em diversos deuses (1 Co 8.5,6). Entretanto, foram eles ensinados, que há um só Deus, eternamente subsistente em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo (2 Co 13.13).Os dons espirituais são dotações e capacitações sobrenaturais que o Senhor Jesus, por intermédio do Espírito Santo, outorga à sua Igreja.

 

 A ATUALIDADE DOS DONS ESPIRITUAIS

 

 O falso ensino dos cessacionistas. Deduzem, erradamente, que os dons espirituais cessaram após a era apostólica, pois o Evangelho, de acordo com a geografia daqueles dias, já havia chegado aos confins da terra (At 1.8; 13.47). A Bíblia anula esse falso ensino. Interpretando equivocadamente as Escrituras, eles citam 1 Coríntios 13.8: "mas, havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão (...)". Eles se esquecem do versículo 10 que afirma: "Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado". Todavia, essa "era perfeita" ainda não começou; quando chegar, "então, veremos face a face" (v.12).

 Os dons prometidos profética e historicamente. De conformidade com a profecia de Joel, o derramamento do Espírito Santo e a distribuição dos dons espirituais, seriam mais intensos nos últimos tempos (Jl 2.28,29). Em Jerusalém, no Dia de Pentecostes, esta profecia cumpriu-se parcialmente (At 2.16-18). Desde então continua a cumprir-se onde quer que o evangelho seja ouvido e crido.

Em nossos dias, o derramamento do Espírito recomeçou em 1906, na Rua Azusa, em Los Angeles, Califórnia, Estados Unidos da América, sob a liderança de William Joseph Seymour (1870-1922). Este pastor era metodista, oriundo do Movimento da Santidade, e filho de pais batistas de origem africana. Desde então, o pentecostalismo expandiu-se, chegando ao Brasil em 1910. No momento, a Assembléia de Deus no Brasil já começa a comemorar o seu primeiro centenário, que teve início em 1911.Os dons espirituais não cessaram após a era apostólica.

 

 OBJETIVOS DOS DONS ESPIRITUAIS

 

Deus concede dons primeiramente para a edificação da igreja, mas também para o progresso do crente (1 Co 14.1-4). Os dons espirituais seguem-se ao batismo com o Espírito Santo: "e falavam línguas e profetizavam" (At 19.6). Não o contrário.

 Objetivos congregacionais. Os dons espirituais, principalmente os de expressão verbal, visam à edificação, consolação e exortação do povo de Deus. O capítulo 14 de 1 Coríntios discorre amplamente sobre o assunto. O termo "edificar" é ali empregado constantemente.

 Objetivos individuais. Os dons espirituais não devem ser usados para o nosso deleite, mas para o enriquecimento de nossa vida cristã: "O que fala língua estranha edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja" (1 Co 14.4). Quando alguém é batizado com o Espírito Santo e fala em línguas, em seu espírito ora, exalta e louva a Deus secretamente. É um relacionamento íntimo entre o salvo e Deus. Ninguém o entende, a não ser Deus (1 Co 14.2).Os dons espirituais visam à edificação, consolação e exortação do povo de Deus e também o enriquecimento da vida espiritual de seu portador.

 

 OS DONS DE MANIFESTAÇÃO VERBAL

 

Os dons de expressão verbal são os mais destacados na igreja. Ocupam o maior espaço no capítulo em estudo, o qual trata primariamente da operação dos dons "decentemente e com ordem" (v.40). Esses dons se manifestam sobrenaturalmente através de mensagens orais, segundo a orientação do Espírito Santo.

 Dom de variedade de línguas. Através do dom de variedade de línguas, os crentes, em espírito, oram, adoram e louvam a Deus de modo sobrenatural. É uma comunicação direta com Deus, mediante o Espírito Santo, sem quaisquer impedimentos (1 Co 14.2).

 Dom de interpretação de línguas. É evidente que este dom opera juntamente com o dom anterior, formando ambos uma profecia (vv.5,13,27,28).

 Dom de profecia. A profecia, como dom de expressão verbal, é enunciada claramente no idioma de quem a profere, "para edificação, exortação e consolação" de todos (v.3). O dom de profecia, hoje, não tem a mesma autoridade canônica das Escrituras (2 Pe 1.20), que são infalíveis. A profecia atual deve ser julgada (1 Co 14.29).A variedade e a interpretação de línguas e a profecia são dons de manifestação verbal.

 

 OS DONS DE SABER

 

Por intermédio dos dons de saber, a Igreja de Cristo manifesta sabedoria, ciência e discernimento sobrenaturais. Eles são de grande necessidade aos santos, habilitando-os a entenderem muito mais e a combaterem os espíritos do erro e suas artimanhas por toda parte. Considere-se a proliferação, inclusive dentro das igrejas, de falsas doutrinas, de imitação dos dons, de modernismos teológicos, de inovações antibíblicas, de falsos avivalistas, de "milagreiros" ambulantes, etc.

 O dom da palavra da sabedoria (1 Co 12.8). É o saber extraordinário e sobrenatural, outorgado diretamente pelo Espírito. O profeta Daniel tinha deste dom, segundo relata o escritor sagrado (Dn 1.17; 5.11,12; 10.1).

 O dom da palavra da ciência (v.8). Este dom provê um conhecimento extraordinário e sobrenatural. Ele certamente operava nos profetas Eliseu (2 Rs 5.25,26) e Aías (1 Rs 14.1-8).

 O dom de discernir os espíritos (v.10). É a identificação sobrenatural de operações de espíritos quanto à sua origem e intenções: espíritos enganadores, demoníacos e humanos. É um dom defensivo que evita que sejamos enganados pelo adversário. Paulo tinha o dom de discernimento de espíritos (At 16.16-18).Os dons de saber são: Palavra da sabedoria, palavra da ciência e discernimento dos espíritos.

 

 OS DONS DE PODER

 

Mediante os dons de poder, a autoridade e o poder divinos manifestam-se no crente de maneira sobrenatural sobre o mundo físico. Esses dons são: Fé, Curas, e Operação de Maravilhas.

 Dom da fé (v.9). É a operação sobrenatural da fé para a realização de coisas tidas como impossíveis na expansão do Reino de Deus. O profeta Elias tinha o dom da fé segundo o relato de 1 Reis 1.10-12.

 Os dons de curar (v.9). São um dom plural na sua constituição e operação. A palavra "curar" está no plural no texto grego, indicando diferentes "curas" para vários tipos de moléstias ou enfermidades.

Dom de operação de maravilhas (v.10). Estes dois vocábulos que designam este dom, no original, estão no plural. São operações de milagres extraordinários, surpreendentes e espantosos para levar os incrédulos à conversão; convencer os céticos e fortalecer os crentes fracos e duvidosos quanto à suficiência infinita de Deus. Ver Jo 6; At 8.6,13; 19.11; Js 10.12-14. Moisés, Elias, Eliseu, Paulo, e inúmeros outros servos de Deus tinham esse dom.Os dons de poder são: Fé, curas, e operação de maravilhas.

  

Todos os dons espirituais são necessários e imprescindíveis tanto para a Igreja como um todo como para os seus membros em particular. Por isso, devemos buscar com zelo os dons espirituais. Afinal, eles são uma grandiosa dádiva da graça divina ao nosso dispor.

 

"Amor. O grandioso capítulo do Amor da Bíblia Sagrada não é uma digressão, nem tampouco uma interpolação de uma composição já existente, escrita por Paulo ou por outra pessoa, na discussão dos dons espirituais. Suas referências aos vários dons espirituais teriam feito pouco sentido se já existissem isoladamente. Isto é, sua menção de línguas, profecias, mistérios, ciência, e fé, indicam que foi escrito para esta ocasião específica e que formou uma ponte necessária entre a existência dos dons (cap.12) e sua operação (cap.14).

Várias notas preliminares estão em ordem:

A palavra para amor, ágape não era comumente usada antes do primeiro século. Os escritores do Novo Testamento, porém, apresentam-na como a principal virtude de um cristão. Consta aproximadamente 115 vezes no Novo Testamento.

O amor não é um dom espiritual, como aqueles que Paulo discute neste contexto e em outras passagens. É, antes, uma virtude, um aspecto do fruto do Espírito (Gl 5.22,23). 'O amor não é um charisma [dom], mas um completo modo de vida' (Carson,57).

A essência do amor é a doação sacrificial de si mesmo, às vezes a favor de algo ou alguém que não o merece. Os exemplos supremos são o próprio Deus (Jo 3.16) e Jesus (Ef 5.25)".Notas (STRONSTAD, R.; ARRINGTON, F. L. (orgs.) Comentário Bíblico Pentecostal.RJ: CPAD, 2004, p.1020.)

 

É possível uma igreja com a presença de tantos dons ser considerada carnal? Sim, é possível, pois a igreja de Corinto é a maior prova disso (1 Co 3.1,3,4). É preciso que tomemos muito cuidado para não classificar irmãos que possuem dons espirituais como "irmãos muito espirituais". Infelizmente é comum medirmos o grau de espiritualidade de um crente pela quantidade de dons que ele possui ou pelo fato de ele "ser muito usado por Deus". Entretanto, a Bíblia nos mostra o caminho mais excelente: o amor. Não é por acaso que Paulo associa dons, amor e Corpo de Cristo num mesmo tratado. Uma igreja pode reunir todos os dons espirituais, no entanto, se não tiver amor, ela não terá utilidade nenhuma no Reino de Deus (1 Co 13.3).

 

 

                                  A Ressurreição de Cristo

 

1 Coríntios 15.1-10.

 

1 - Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado, o qual também recebestes e no qual também permaneceis;

2 - pelo qual também sois salvos, se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado, se não é que crestes em vão.

3 - Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras,

4 - e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras,

5 - e que foi visto por Cefas e depois pelos doze.

6 - Depois, foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também.

7 - Depois, foi visto por Tiago, depois, por todos os apóstolos

8 - e, por derradeiro de todos, me apareceu também a mim, como a um abortivo.

9 - Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus.

10 - Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus, que está comigo.

 

Ressuscitar significa despertar, levantar dentre os mortos. Converse com seus alunos sobre a imprescindibilidade dessa doutrina. Enfatize que Cristo foi feito "as primícias dos que dormem", e os que morrerem nEle, em sua vinda ressuscitarão à semelhança de sua ressurreição.

 Como será o corpo da ressurreição? Diga-lhes que será:

a) Visível (Lc 24.39);

b) Incorruptível (1 Co 15.42,54);

c) Palpável (Jo 20.27);

d) Corpo celestial (2 Co 5.1-4);

e) Vivificado (Rm 8.11).

 

Palavra Chave. Ressurreição: Tornar à vida.

 

Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé. Foi o que afirmou Paulo aos cristãos de Corinto que, embora muito bem doutrinados (At 18.1,11), ainda não criam na ressurreição do Filho de Deus. Por isso, o apóstolo escreveu o que viria a chamar-se o "Grande Capítulo da Ressurreição". Nessa passagem, encontram-se as provas irrefutáveis da ressurreição de Cristo e as bases escriturísticas da glorificação dos santos ao ressoar da última trombeta.

 

 A DOUTRINA DA RESSURREIÇÃO

 

"Morrendo o homem, porventura, tornará a viver?" (Jó 14.14). Esta pergunta milenar do patriarca Jó, foi plenamente respondida quando "Cristo ressuscitou dos mortos e foi feito as primícias dos que dormem" (1 Co 15.20). Nas Sagradas Escrituras, a ressurreição dos mortos, tanto a dos salvos, como a dos perdidos, é uma doutrina de suma importância.

 Definição. A ressurreição pode ser definida como o retorno à vida de modo sobrenatural. A Bíblia afirma que os salvos ressuscitarão com um corpo transformado e glorioso (vv. 35-53), enquanto que os ímpios ressuscitarão com um corpo desprezível e vergonhoso (Dn 12.2). Cristo ressuscitou, retornando sobrenaturalmente à vida física (Mt 28.9,17). Quanto aos outros casos de ressurreição descritos na Bíblia, foram temporários, vindo a pessoa a falecer mais tarde. De acordo com a Palavra de Deus, a ressurreição pode ser compreendida, também, como a conversão a Cristo (Ef 2.1,5,6; 2 Co 5.17).

 A ressurreição de Cristo é nossa garantia no presente. Quanto a isso, a Bíblia declara: "E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé" (v.14). Mas, Ele ressuscitou e: "se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas" (At 1.3).

 A ressurreição de Cristo é a nossa garantia no futuro. "Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens. Mas, agora, Cristo ressuscitou dos mortos e foi feito as primícias dos que dormem" (1 Co 15.19,20). A ressurreição dos que dormiram em Cristo, marcará o início da vida eterna de glória da Igreja com o Senhor no céu.A ressurreição de Jesus é o fundamento do Cristianismo.

 

 A PROFECIA DA RESSURREIÇÃO

 

A verdade da ressurreição dos mortos permeou de forma marcante as escrituras hebraicas. As três principais são: Jó, Davi e Daniel.

 A profecia de Jó. Jó é considerado contemporâneo dos personagens do livro de Gênesis, numa remota antiguidade. Em seu livro, no capítulo 19 e versículos 25 a 27, o patriarca afirmou que após sua morte, ressurgirá e verá claramente o seu Redentor.

 A profecia de Daniel. Considerado o principal escritor apocalíptico do Antigo Testamento, refere-se assim esse profeta: "Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno" (Dn 12.2).

 A profecia de Davi. O rei Davi, que também era profeta, já antevia, por inspiração divina, que o Messias provaria a morte, mas haveria de ressuscitar dentre os mortos (Sl 16.10; At 2.34).

A profecia do próprio Cristo. Em diversas ocasiões, o Senhor Jesus advertiu aos seus discípulos que Ele, haveria de ser entregue aos pecadores, e também morrer, a fim de resgatar a humanidade de seus pecados e iniquidades. Todavia, iria ressuscitar ao terceiro dia (Mt 16.21).A Bíblia ensina a doutrina da ressurreição de Cristo e dos justos.

 

 O FATO DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO

 

A ressurreição de Jesus é um fato bíblico e comprovadamente histórico.

 O fato da ressurreição de Cristo. Assim o evangelista Lucas registra a ressurreição de Nosso Senhor: "E, no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado. E acharam a pedra do sepulcro removida. E, entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus. E aconteceu que, estando elas perplexas a esse respeito, eis que pararam junto delas dois varões com vestes resplandecentes. E, estando elas muito atemorizadas, e abaixando o rosto para o chão, eles lhes disseram: Por que buscais o vivente entre os mortos? Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos falou, estando ainda na Galiléia" (Lc 24.1-6).

 A declaração da ressurreição de Cristo. Dentre as diversas declarações de fé do apóstolo Paulo temos a da ressurreição de Nosso Senhor: "Lembra-te de que Jesus Cristo, que é da descendência de Davi, ressuscitou dos mortos, segundo o meu evangelho; pelo que sofro trabalhos e até prisões como um malfeitor, mas a Palavra de Deus não está presa" (2 Tm 2.8,9). Nesta declaração, o apóstolo destaca a filiação divina do Filho de Deus (Jesus Cristo), sua filiação humana e real (descendente de Davi) e também declara ser Jesus o pleno cumprimento das Escrituras ("o meu evangelho"). Aqui temos uma incontestável evidência da ressurreição de Jesus.A ressurreição de Jesus é um fato bíblico e histórico.

 

 AS TESTEMUNHAS DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO

 

Conforme vemos na Palavra de Deus, a ressurreição de Jesus é um fato real e historicamente confirmado. Vejamos alguns desses testemunhos da ressurreição de Nosso Senhor.

 Os evangelhos. Todos os evangelhos atestam que Jesus precisou morrer para resgatar-nos do pecado, mas ressurgiu com mui grande poder e autoridade (Mt 28.1-10; Mc 16.1-8; Lc 24.1-12; Jo 20.1-10; Ef 1.19-22).

 Os Atos dos Apóstolos. Cumprindo as recomendações de Jesus, os discípulos foram a Jerusalém, a fim de esperar a descida do Consolador. Eles se dispersaram quando da morte do Senhor, mas após a sua ressurreição voltaram a Jerusalém. No capítulo 1 de Atos, os discípulos presenciaram a ascensão de Jesus ao céu. Após o derramamento do Espírito Santo no Dia de Pentecostes, o apóstolo Pedro, eloquentemente, pregou acerca da ressurreição de Cristo (At 2.22-32). Com base na ressurreição de Cristo, os seus discípulos levaram o Evangelho até aos confins da terra.

 Pedro e os doze. De acordo as testemunhas arroladas por Paulo, inicialmente o Senhor ressurreto foi visto por Cefas, também chamado Pedro, e em seguida pelos Doze (1 Co 15.5).

 Os quinhentos irmãos. Esses "irmãos", mais de quinhentos, viram o Cristo ressuscitado (1 Co 15.6). A maioria destes ainda vivia quando Paulo escreveu esta epístola.

 Tiago. Era irmão natural de Jesus. Antes, ele não acreditava que Jesus fosse o Messias de Israel (Jo 7.5). Jesus, já ressurreto apareceu a Tiago, que veio a tornar-se uma das colunas entre os santos (Gl 2.9).

 Paulo. A última aparição do Senhor ressuscitado foi testemunhada pelo apóstolo Paulo, conforme ele mesmo testifica (1 Co 15.8). A partir daí, o que muito perseguiu a Igreja, agora muito a defende, até mesmo com o risco da própria vida (At 20.28-38). São todos testemunhos irrefutáveis da ressurreição de Nosso Senhor. Como recusar tais testemunhos? Em um tribunal marcado pela seriedade, seriam prontamente aceitos.Foram testemunhas da ressurreição de Cristo: Paulo, os Doze, Tiago e Cefas.

 

Segundo a Palavra de Deus e os fatos nela revelados, o Senhor Jesus ressurgiu dentre os mortos. Ora, se Cristo ressuscitou, também ressuscitaremos quando do soar da última trombeta, anunciando o arrebatamento da Igreja. Foi o que o apóstolo deixou claro aos irmãos de Corinto (1 Co 15.51-54).A morte física não é a autoridade final de nossa existência. Pois, como Cristo ressuscitou pleno de vida e poder dentre os mortos, também venceremos as ânsias da morte para estarmos com o Senhor para sempre (1 Ts 4.17).

 

"A ressurreição de Cristo.Era o tema central da pregação da Igreja Primitiva. Devemos tê-la também como o centro de nossa mensagem, porquanto ela é a garantia de nossa própria ressurreição. A ressurreição de Cristo é a base de nossa fé e esperança. Uma das grandes afirmações do Novo Testamento encontra-se nestas palavras de Jesus: '... porque eu vivo, e vós vivereis' (Jo 14.19). Paulo classifica a ressurreição de mistério; algo que não havia sido revelado nos tempos do Antigo Testamento, mas que agora é-nos descoberto: 'Eis aqui vos digo um mistério' (1 Co 15.51-54). Tal como o corpo de Jesus, o corpo ressurreto, do qual Ele é a vida animadora, não será nem este corpo mortal que hoje possuímos, nem o espírito desencarnado, mas um corpo espiritual. Um corpo real e espiritual".Notas (MENZIES, W. W.; HORTON, S. M. Doutrinas Bíblicas. RJ: CPAD, 1995, pp.175-6.)

 

Receberemos do Senhor um corpo glorioso. A lei da gravidade não é mais forte do que nosso novo tabernáculo. Subiremos às nuvens para nos encontrar com o Senhor. Tudo o mais ficará preso à temporalidade e a gravidade deste mundo. Mas os salvos, juntos do Senhor, descansarão de sua militância; de nossas agruras terrenas não nos lembraremos mais (2 Co 5.1,2). Tudo será passado, e a única coisa importante será a eternidade que passaremos com o Senhor. Nossos corpos mortais serão revestidos de imortalidade. Nossos corpos naturais revestir-se-ão de espiritualidade. Não sentiremos mais cansaços físicos, pois nossos novos corpos não se enfadam. Não sofreremos mais as longas primaveras da vida, pois seremos revestidos de glória, jamais envelheceremos. O "mortal", diz Paulo, será "absorvido pela vida" (2 Co 5.1-4).

Maranata!

 

 

                                       Ajuda aos necessitados

 

2 Coríntios 9.6-12.

 

6 - E digo isto: Que o que semeia pouco pouco também ceifará; e o que semeia em abundância em abundância também ceifará.

7 - Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.

8 - E Deus é poderoso para tornar abundante em vós toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda suficiência, superabundeis em toda boa obra,

9 - conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre.

10 - Ora, aquele que dá a semente ao que semeia e pão para comer também multiplicará a vossa sementeira e aumentará os frutos da vossa justiça;

11 - para que em tudo enriqueçais para toda a beneficência, a qual faz que por nós se dêem graças a Deus.

12 - Porque a administração desse serviço não só supre as necessidades dos santos, mas também redunda em muitas graças, que se dão a Deus.

 

O conhecido teólogo Wiliam Barclay, no seu livro "As Cartas aos Coríntios", menciona quatro motivações para a contribuição dos crentes. São elas: como dever; para experimentar a auto-satisfação; para ganhar prestígio e honra; e porque é constrangido pelo amor.

 

Em todas as classes existem alunos tímidos, que geralmente não participam das atividades propostas pelo professor. Os mais tímidos se escondem e nunca contribuem. Para iniciar sua aula, utilize a técnica denominada "pergunta circular", que consiste no seguinte: o professor anuncia que a mesma pergunta será feita a todos os alunos, um por um, com a obrigação de todos responderem quando chegar a sua vez. A distribuição física, não precisa ser obrigatoriamente em forma de círculo, porém, qualquer disposição que permita a todos responderem sucessivamente. Perguntas sugeridas para esta aula: Deus se agrada de quem contribui com tristeza ou por obrigação? Deus aceita as ofertas baseadas em legalismo? Qual deve ser a motivação de nossa generosidade? A igreja atual trata a oferta como um serviço a Deus ou um ministério sagrado conforme Rm 15.26, 27 e Fp 2.17?

 

 

Palavra Chave. Oferta: Dádiva, donativo, doação.

 

Nos capítulos 1-15 da epístola em estudo, Paulo empenhou-se em corrigir erros doutrinários específicos e práticas antibíblicas entre os crentes de Corinto. Na primeira parte do último capítulo, ele discorreu com muita ênfase sobre a ação social em forma de socorro aos necessitados da igreja em Jerusalém; tema recorrente na segunda Epístola capítulos 8 e 9.

 

 A IMPORTÂNCIA DA AJUDA AOS NECESSITADOS (1 Co 16.1-4)

 

Naqueles dias, a Judéia enfrentava tempos difíceis em virtude de uma escassez, que deixou muitos dos santos em grande aflição (At 11.28,29). Conforme a passagem aqui citada, esse flagelo ocorreu nos dias do imperador Cláudio César, que reinara de 41 a 54 d. C., isto é, na época do ministério de Paulo na província da Ásia Menor.

 Paulo expôs em detalhes o dever da contribuição na igreja. Às vezes, valorizamos excessivamente a pregação, o ensino, e a leitura de temas doutrinários, e não nos incomodamos tanto com assuntos que julgamos triviais ou de somenos importância, como é o caso das dificuldades, carências, perdas e expectativas frustradas dos nossos irmãos em Cristo.

Na igreja, muito mais gente pagaria seus dízimos, contribuiria com ofertas para a causa do Senhor e para ajuda aos necessitados se os pastores e dirigentes, com a graça de Deus, sabedoria e o próprio exemplo, doutrinassem constantemente o povo sobre o dever, o privilégio e as bênçãos da contribuição financeira.

 Paulo falou claramente das necessidades dos irmãos. O generoso apóstolo dos gentios pouco falara da própria precisão. Ele trabalhava para supri-la e também para dar o exemplo. Paulo nunca foi mercenário, nem explorador das igrejas. Todavia, nunca relutou em pedir ofertas para atender às necessidades da igreja e dos irmãos carentes. Paulo refere-se a essa necessidade em Romanos 15.26: "Porque pareceu bem à Macedônia e à Acaia fazerem uma coleta para os pobres dentre os santos que estão em Jerusalém".

 Paulo pedia oferta para os santos (v.1). Era momento de os crentes de Corinto demonstrar simpatia, fraternidade, solidariedade e comunhão com os irmãos da Judéia. Eles deveriam ofertar "para os santos". Percebe-se que esses, não eram preguiçosos, desocupados e indolentes que queriam viver sem trabalhar. O preguiçoso complica não só a sua vida, mas também a dos outros (1 Ts 2.9). Era a vez agora de os crentes gentios de Corinto socorrerem os crentes hebreus.Devemos ajudar aos necessitados, especialmente aos domésticos na fé, em suas dificuldades, carências, perdas e expectativas frustradas.

 

 PRINCÍPIOS GERAIS ACERCA DA CONTRIBUIÇÃO (1 Co 16.1-4)

 

 Contribuir com regularidade. Os irmãos ofertavam no "primeiro dia da semana" (v.2a). Era o "Dia do Senhor", dia principal de culto em Corinto e nas igrejas da Galácia. O povo devidamente avisado vinha preparado. Assim deve ser nossas reuniões hoje. Um autêntico cristão deve contribuir sistemática e consistentemente com a obra de Deus. Além do recolhimento dos dízimos e das ofertas nos cultos, toda a igreja tem seus meios e métodos adicionais para receber contribuições para a santa causa do Senhor.

Contribuir individualmente. "Cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar" (v.2b). As crianças, desde pequenas, devem ser ensinadas a contribuir com alegria, assim como os novos convertidos e os crentes recebidos por transferência. Não apenas os ricos deviam contribuir, mas também os que tinham pouco deviam dar alegremente do seu pouco. Na obra de Deus, todos dando pouco, consegue-se mais recursos do que apenas alguns dando muito.

 As contribuições conforme a prosperidade individual. "Conforme a sua prosperidade" (v.2c). Os cristãos de Corinto deviam aumentar sua contribuição conforme Deus os fizesse prosperar. Há crentes que ao serem aumentados em seus salários ou negócios, não contribuem na mesma proporção.

 Os recursos do Senhor devem ser bem cuidados (vv.3,4). Para tratar dos recursos financeiros da igreja, não basta que o obreiro seja competente. Ele também precisa ser fiel.

Paulo declarou que se necessário fosse, ele iria pessoalmente a Jerusalém supervisionar a entrega e a aplicação da oferta arrecadada para os santos.Contribuir com regularidade e individualmente, conforme a prosperidade pessoal e cuidar bem dos recursos do Senhor são princípios gerais acerca da contribuição ensinados por Paulo.

 

 COMO DEVE SER A NOSSA CONTRIBUIÇÃO

 

 Devemos contribuir com abundância. "O que semeia pouco pouco também ceifará; e o que semeia em abundância em abundância também ceifará" (2 Co 9.6). Certo fazendeiro estava a reclamar que sua colheita não produzia tanto quanto a de seus vizinhos. Ao testar o solo descobriu que não havia nenhuma diferença entre suas terras e as deles. A questão é que ele semeava a metade da quantidade de sementes dos vizinhos. Deus nos recompensará por nossa generosidade amorosa (Pv 11.25; Gl 6.7).

 Devemos contribuir com alegria. "Não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria" (2 Co 9.7). Deus não se agrada de quem entrega a sua oferta contrariado ou por obrigação. Cada crente deve decidir o valor que deseja dar e fazê-lo com satisfação e alegria (1 Cr 29.17; Ed 1.5-11). De nada adianta contribuirmos com relutância, constrangimento, reclamação, murmuração e legalismo. Temos de ser generosos segundo o propósito do nosso coração, nosso amor e gratidão a Deus; impulsionados e motivados pelo Espírito Santo (Rm 12.8).

Devemos contribuir com fé, renúncia e desprendimento. Tomemos como exemplo o que fez a viúva pobre no templo (Mc 12.41-44). O importante para Deus não é a quantia da oferta, mas o grau de sacrifício e desprendimento.

 Devemos contribuir confiantes no Senhor. "Deus é poderoso para tornar abundante em vós toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda suficiência, superabundeis em toda boa obra" (2 Co 9.8; cf. Rm 8.32). Não precisamos temer que nossa generosidade venha nos causar dano, pois Deus conhece nossas necessidades e continuará nos suprindo (2 Pe 1.3).Devemos contribuir com abundância, alegria, fé, renúncia, desprendimento e confiança no Senhor.

  

Devemos ser fiéis em nossos dízimos, ofertas, contribuições e doações para obra de Deus, pois, tudo pertence ao Senhor. Nosso trabalho, família, saúde, tudo provém de Deus. O fato de não sabermos se estaremos vivos amanhã evidencia, inclusive, que a nossa vida é uma dádiva divina. Somos privilegiados por Deus nos constituir seus mordomos. Que sejamos todos mordomos fiéis (Lc 12.42).

 

"As ofertas. Ao ofertarmos com boa vontade e alegria, a graça da contribuição traz muitos resultados bons para nossa própria vida. Em primeiro lugar, encontraremos grande felicidade na nossa vida de serviço ao Senhor e aos nossos semelhantes. As ofertas aumentarão e muitas necessidades serão supridas. Deus é louvado e os laços de fraternidade cristã se estreitam ainda mais. Daí, oramos uns pelos outros, e aqueles que dão, recebem bênçãos recíprocas. 'Aquilo que o homem semear, isso também ceifará' (Gl 6.7). Essa é uma das leis universais de Deus. Vigora na agricultura e nas ações humanas, podendo-se aplicar aos bens materiais, à saúde, à vida social e à condição espiritual. Afeta até o destino eterno das pessoas, como vemos no caso de Esaú e Judas Iscariotes, respectivamente (Hb 12.16,17; At 1.18,19). Paulo encerra a sua mensagem com o princípio de semear e ceifar. Moisés proclamou que a obediência a Deus traria bênçãos materiais, ao passo que a desobediência acarretaria sofrimento (Dt 28.1,2,15). O rei Salomão, em sua sabedoria, aplica o mesmo princípio à contribuição (Pv 11.24,25). Jesus disse: 'Dai e dar-se-vos-à' (Lc 6.38)."Notas (HOOVER, T. R. Comentário Bíblico: 1 e 2 Coríntios. RJ: CPAD, 2001, p.196) 

 

Nossa atitude é mais importante do que a quantia que doamos. Não temos que nos envergonhar se pudermos dar apenas uma pequena contribuição. Deus está interessado na maneira como ofertamos, a partir dos recursos que temos. Quando investimos na obra de Deus com os recursos que Ele nos dá, Ele nos supre com muito mais para que possamos continuar a ofertar.

 

 

 

                                           Amor, a virtude suprema

 

 

1 Coríntios 13.1-8,13.

 

1 - Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos e não tivesse caridade, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.

2 - E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse caridade, nada seria.

3 - E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse caridade, nada disso me aproveitaria.

4 - A caridade é sofredora, é benigna; a caridade não é invejosa; a caridade não trata com leviandade, não se ensoberbece,

5 - não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;

6 - não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;

7 - tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

8 - A caridade nunca falha; mas, havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;

13 - Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e a caridade, estas três; mas a maior destas é a caridade.

 

 

Palavra Chave.Amor: É a revelação da natureza e do poder de Deus em nossas vidas.

 

Após ensinar sobre o desempenho dos dons espirituais, Paulo termina o capítulo 12 da Primeira Epístola aos Coríntios afirmando que lhes mostraria um “caminho ainda mais excelente”, o caminho do amor (1 Co 12.31b). Nesta lição estudaremos a respeito deste relevante tema.

 

 A EXCELÊNCIA DO AMOR CRISTÃO

 

 O amor cristão é imprescindível. A Bíblia assevera-nos que sem amor nada tem importância, peso e expressividade uma vez que todas as coisas se anulam pela ausência dele. Daí, a Palavra de Deus prevenir: “Todas as vossas coisas sejam feitas com caridade” (1 Co 16.14). Não apenas por amor, mas com amor. De que adianta ao crente ser dotado de todos os dons espirituais e até demonstrar auto-sacrifício, se ele não pratica o amor de Deus em sua vida cotidiana? Sem o genuíno amor de Deus operando em nossos corações, os mais destacados dons tornam-se ineficazes.

 A natureza do amor cristão. Enquanto os dons espirituais são aqui temporários, segundo os desígnios de Deus, o amor deve ser constante na vida do crente. Esse amor, que tanto revela a natureza de Deus (1 Jo 4.7-12) predominará na glória. Os dons são repartidos entre todos os membros do corpo de Cristo, mas o amor não é dividido, e sim, distribuído para todos de igual modo. Portanto, quem não ama não é verdadeiro cristão (1 Jo 4.8; Rm 5.5,8).Sem amor nada tem importância, peso e expressividade uma vez que todas as coisas são anuladas pela ausência dele.

 

 CARACTERÍSTICAS DO AMOR DE DEUS NO CRENTE

 

 É sofredor. Ele faz com que uma pessoa suporte danos pessoais causados por alguém, sem ressentimento ou retaliação. Quem ama com esse amor (vv.4-7), caminha uma segunda milha com quem o feriu, oferece a outra face, suporta os insultos etc. (Mt 5.39-41).

É benigno. O amor de Deus em nós vence o mal com o bem. “Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos aborrecem” (Lc 6.27). José tinha desse amor para com seus irmãos que lhe fizeram tanto mal (Gn 50.15-21).

 Não é invejoso. Quem ama tendo o amor de Deus, nunca age por ciúmes, não alimenta má vontade, malícia ou mau humor. Há crentes que acalentam rivalidades ou coisas insignificantes em relação aos irmãos na fé.

 Não é leviano. Não julga ou procede precipitadamente. Quem ama com o amor do Espírito (Cl 1.8) nunca ostenta suas próprias virtudes, chamando atenção para si, mas sempre procura fazer o possível por seu semelhante e atribui toda glória a Cristo.

Não é soberbo. O amor não é orgulhoso, arrogante, presunçoso, exibido, extravagante. Quem ama não busca a própria honra e admiração; não trata os outros como inferiores (Mt 20.26-28), nem faz alarde da sua “humildade”.

 Não é indecente. O amor nunca se porta com indecência, desonra, despudor, imoralidade. O crente jamais pode ser vulgar, descortês ou cínico. O amor nunca envergonha, fere ou humilha o outro, mas busca o bem-estar de todo o corpo de Cristo.

 Não é interesseiro. O amor não busca seus próprios interesses. Ele não é cobiçoso, egoísta, avarento, e que só pensa em si mesmo.

 Não se irrita. O amor não se enfurece a despeito das circunstâncias. O crente se mantém sob controle em sua posição, mesmo quando tudo parece dar errado.

 Não suspeita mal. Há crentes que guardam ressentimentos, e vivem sempre desconfiados, imaginando que alguém vai fazer-lhe mal. O amor sempre perdoa e não guarda rancor (Cl 3.13).

 Não se regozija com a injustiça. Há pessoas que quando algo de ruim acontece com seu semelhante, ele diz: “Bem feito!” O amor não folga com o mal, ou infortúnio dos outros.

 Regozija-se com a verdade. O amor de Deus está sempre do lado da verdade, mesmo quando ela lhe trás algum “aparente” desconforto ou prejuízo.

 Tudo sofre, crê, espera, suporta. O amor sempre defende, confia, tolera e persevera. O amor é obediente, fiel e esperançoso.O amor divino pode ser compreendido através de suas várias características: é sofredor e benigno; não é invejoso, leviano, soberbo, indecente, interesseiro. Enfim, tudo sofre, crê, espera, suporta.

 

O ALCANCE DO AMOR CRISTÃO

 

O amor de Deus para com os homens. A Bíblia afirma que Deus nos amou sem reservas, com amor sacrificial: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). O verbo amar aqui está intrinsecamente ligado ao verbo dar.

O amor do homem para com Deus. Por que devemos amar a Deus?

a) “Amar a Deus” é um mandamento. “... se diligentemente obedecerdes a meus mandamentos que hoje vos ordeno, de amar ao Senhor vosso Deus” (...) “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus” (Dt 6.5; 11.1). Deus requer nosso amor exclusivo: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20.3). Não podemos servir a Deus com o coração dividido. De que modo, então, devemos amar a Deus?

b) Amar a Deus com toda essência do ser (Dt 6.5).

c) Amar a Deus com amor retributivo (1 Jo 4.19; Jo 3.16).

d) Quem ama a Deus guarda os seus mandamentos (Jo 15.10; 1 Jo 5.3).

e) Quem ama a Deus ama seu irmão (1 Jo 4.20,21).

O amor do homem para com o próximo. O nosso amor ao próximo é um mandamento divino através de toda a Bíblia (Lv 19.18; Rm 13.8,9). Sempre devemos ter a obrigação de amar os nossos semelhantes. Todavia, “quem é o meu próximo?” Esta pergunta foi feita a Jesus por um doutor da lei (Lc 10.29). Jesus lhe respondeu (Lc 10.29-35). O Mestre fez com que aquele homem refletisse sobre a história e respondesse para si mesmo a sua indagação. “Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?” Ver os vv.36,37.

O amor, portanto, é a virtude ou predicado supremo do crente, mas isso não significa que ele substitui os dons. Ele é o “caminho mais excelente” para o exercício dos dons.O amor é a virtude suprema do crente. Ele é o "caminho mais excelente" para o exercício dos dons.

  

O amor não é um dom espiritual, mas a principal virtude de um cristão. A essência do amor, segundo a Palavra de Deus é a entrega sacrificial de nós mesmos, a favor de algo ou de alguém que necessite do nosso amor. Cristo é o exemplo supremo do amor. Ele "amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela" (Ef 5.25).

 

"O amor eterno.Deus é amor e eterno. Por isso o amor é eterno e não acaba. A profecia (um dos mais importantes dons), as línguas e a palavra de conhecimento acabarão algum dia. Isso não significa que fracassarão em sua função na Igreja, mas que simplesmente não serão mais necessárias. Nosso conhecimento é parcial e incompleto. A profecia, por mais valiosa que seja, não pode solucionar todos os nossos problemas. Aprendemos acerca de Deus por meio desses dons do Espírito e o louvamos através das línguas e com a profecia. Mas 'quando vier o que é perfeito', 'conheceremos perfeitamente' sem mais precisarmos do apoio desses dons. Para bem entendermos isso, devemos relacionar os versículos 10 e 12 de 1 Coríntios 13. Deus nos conhece plenamente agora; sabe tudo a nosso respeito (Jo 2.24,25). Um dia, conheceremos plenamente a Deus como Ele nos conhece agora. Não precisaremos mais dos dons espirituais para nos aproximarmos de Deus.

Paulo utiliza duas ilustrações para contratar nossa era presente e imperfeita com a perfeição da era futura. Possuímos agora uma pequena parcela de conhecimento, como se fôssemos crianças. Na era vindoura, saberemos uns aos outros mais plenamente. Não será mais como quem olha através de um vidro enfumaçado ou se contempla num espelho sujo. Aperfeiçoados no amor, não teremos mais mal-entendidos".Notas (HOOVER, T. R. Comentário Bíblico: 1 e 2 Coríntios. RJ: CPAD, 2001, p.113-4)

 

A chave do amor e do conhecimento de Deus deriva da transmissão da natureza dEle para a nossa, e não da nossa para a dEle. Seríamos incapazes de amá-Lo à altura, a menos que Ele pusesse a essência de seu amor em nossos corações.

O que sentimos e pensamos não representa absolutamente nada se o seu Espírito não infundir em nosso homem interior o verdadeiro retrato de Deus: "Para que, segundo as riquezas de sua glória, vos conceda que sejais robustecidos com poder pelo seu Espírito no homem interior; que Cristo habite pela fé nos vossos corações, a fim de que, estando arraigados e fundados em amor, possais compreender, como todos os santos, qual seja a largura, e o cumprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios até a inteira plenitude de Deus" (Ef 3.16,19).