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as escrituras e o reconhecimento da igreja
as escrituras e o reconhecimento da igreja

 

             RECONHECIMENTO DA IGREJA

                             

              A Palavra de Deus é a verdade

 

            A IGREJA E A SUBMISSÃO À PALAVRA

 

A Igreja tanto é visível como invisível. Enquanto a visível é local, e se caracteriza como organização, a invisível é universal e orgânica. Vejamos:

 No sentido espiritual. Espiritualmente, a Igreja é um organismo que tem Cristo como a Cabeça, (Cl 1.18) e os crentes como o Corpo (Ef 1.22,23). Esta Igreja é composta de todos os que possuem seus nomes "inscritos nos céus" (Hb 12.22,23). Isto é, de todos os salvos em Cristo Jesus. Todas as igrejas locais pertencem à Igreja universal. Todavia, nem todos os que fazem parte de uma igreja local são de fato membros da igreja universal (1 Jo 2.19).

 No sentido organizacional. A igreja, como organização, é formada por crentes em Jesus que se reúnem numa determinada congregação a fim de adorar e servir a Deus. Ali, tanto há "trigo" quanto "joio", ou seja, há crentes fiéis e infiéis (Mt 13.24-30). Como numa organização qualquer, a igreja local necessita de uma liderança humana; assim como de atividades administrativas, estatutos e normas. Entretanto, tal estrutura jamais poderá suplantar ou sobrepor-se aos preceitos da Palavra de Deus.Embora a igreja local seja uma organização juridicamente estabelecida, não deixa de ser também um organismo espiritual que, sob a direção de um ministro de Deus, deve servir ao Senhor e obedecer a sua Santa Palavra.

 

                                  A IGREJA E A FIDELIDADE À PALAVRA

 

 O respeito à integridade da Palavra. Alguns teólogos modernistas dizem que a Bíblia precisa ser revisada, e que alguns de seus textos não fazem mais sentido para os dias pós-modernos. Trata-se de uma desvelada ação diabólica contra a Palavra de Deus. Algumas igrejas, infelizmente, têm sucumbido aos apelos desses "reformistas", deturpando a sã doutrina (1 Tm 1.10; 2 Tm 4.3), falsificando a Palavra (2 Co 4.2), e seguindo os ensinos de Balaão. Para piorar ainda mais, essas igrejas, à semelhança de Tiatira, acabam tolerando a imoralidade (Ap 2.14,15,20-22). Porém, a autêntica Noiva de Cristo mantém-se fiel às Escrituras (Jo 14.15,21,23; Tt 1.9), pois, é "a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade" (1 Tm 3.15). A mensagem bíblica não precisa ser revista, e sim, obedecida com submissão e santidade.

 A igreja deve pregar a verdade. A Igreja deve manifestar toda a verdade da Palavra de Deus: "Pelo que, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos; antes, rejeitamos as coisas que, por vergonha, se ocultam, não andando com astúcia nem falsificando a palavra de. Deus; e assim nos recomendamos à consciência de todo homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade" (2 Co 4.1,2). Os obreiros, principalmente os pastores, têm grande responsabilidade diante de Deus e de sua amada igreja. O púlpito jamais deve ser utilizado como palanque político, mas, sim, como Tribuna da Verdade do evangelho. Todo líder deve conduzir seu rebanho em completa obediência à Palavra da Verdade.

 

                                 A IGREJA E A SANTIDADE DA PALAVRA

 

 A Palavra de Deus é santa. "Porque se lembrou da sua santa palavra e de Abraão, seu servo" (Sl 105.42). Todo cristão sabe que ser santo é ser separado, consagrado ou dedicado a Deus. A Palavra do Senhor não é apenas portadora de uma santidade qualquer, mas da santidade do próprio Deus. Ela é a vontade santa de Deus revelada aos homens.

 Respeito ao Livro Sagrado. Muitos cristãos não valorizam a Bíblia como deveriam. Já vi um pastor colocá-la no chão, só porque se sentia incomodado de tê-la em suas mãos durante o culto. Um juiz jamais colocaria a Constituição do seu país em qualquer lugar, pois ela representa a lei maior da nação. A Bíblia não é apenas um livro, é a Lei de Deus para sua Igreja. Portanto, devemos amá-la e respeitá-la como Livro Sagrado e Palavra de Deus.

 A Bíblia é o Livro do povo santo. Há muitos povos no mundo. E nenhum dentre eles, no sentido pleno da palavra, pode ser chamado "povo de Deus". Mas, no meio dos povos e nações, há um povo separado por Deus para ser "a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido" (1 Pe 2.9). A Bíblia é o Livro de Deus para esse povo santo, formado por gente de todas as nações.

 

                         A IGREJA E A PROCLAMAÇÃO DA PALAVRA

 

Após dois mil anos, a Grande Comissão ainda é uma tarefa inacabada. Milhões de pessoas não conhecem a Jesus e muitas nações não foram alcançadas pela pregação do Evangelho. Quem lhes falará do amor de Cristo? Na Índia, há pessoas que adoram a ratos; na África, os que veneram árvores, pedras, rios e outros elementos da natureza; no Brasil e na América Latina, há uma enorme quantidade de ídolos. A missão precípua da igreja é a proclamação da Palavra de Deus (Mt 28.19,20). Jesus, em seu último contato com os discípulos, ordenou-lhes taxativamente que pregassem o evangelho (Mc 16.16). 

A Igreja universal é um organismo vivo e espiritual. A local, por sua vez, é uma organização centrada na autoridade da Palavra de Deus. Como parte do Corpo de Cristo, a igreja visível deve cumprir sua missão evangelizadora e proclamadora do evangelho, sem, contudo, deixar de amar e obedecer plenamente às Sagradas Escrituras. 

"Poder para a Missão.Para o cristão realmente entender o que ele realmente é, faz-se indispensável a afirmação de que a missão da reconciliação, revestida pelo poder do Espírito Santo, fornece a essência de nossa identidade: Somos um povo vocacionado e revestido do poder do alto (At 1.8) para sermos cooperadores de Cristo na sua missão redentora. A partir daí, o que significa ser um pentecostal está pelo menos parcialmente incorporado à avaliação da natureza e do resultado do batismo no Espírito Santo conforme registrado em Atos 2. Os pentecostais têm afirmado historicamente que esse dom, prometido a todos os crentes, é o poder para a missão. Os pentecostais recebem esse nome, disse o missiólogo pentecostal Melvin Hodges, porque acreditam que o Espírito Santo virá aos crentes nos tempos atuais assim como veio aos discípulos no Dia de Pentecostes".(HORTON, S. M. Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal. RJ: CPAD, 1996, p.586-7.) 

A Igreja não é constituída por cimento, tijolos e ferros, mas por aqueles que experimentaram o novo nascimento e amam a Jesus de todo o coração. O valor da Igreja não é resultado de sua arquitetura, de suas obras sociais ou da quantidade de filiais que possui, mas do precioso sangue de Cristo. Igreja, portanto, não foi edificada por Cristo para construir escolas, fundar hospitais ou assumir cargos políticos, por mais dignas que sejam tais realizações, mas para cumprir com o mandato de "ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura" (Mc 16.15).  

 

                               O VALOR DO ESTUDOS DA PALAVRA 

 

Ler não é apenas decodificar sinais alfabéticos, mas chegar à compreensão do texto. Semelhante ao eunuco, certos alunos lêem, todavia, não compreendem o texto (At 8.30-32). Há muitas formas de leitura da Bíblia: aleitura devocional - o leitor busca o aperfeiçoamento espiritual e moral (leitor introspectivo); leitura exegética - o leitor quer entender a estrutura, contextos e objetivos do texto (leitor analítico); leitura didática - o leitor deseja saber as bases doutrinárias da Bíblia (leitor receptivo). Portanto, não basta apenas ler, é necessário estudar com afinco a Palavra de Deus!

 

                                             O QUE É LER A BÍBLIA

 

 Leitura comum. Em Atos, lemos o relato do encontro de Felipe com o mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes. A Bíblia conta-nos que aquele ilustre homem, vindo de Jerusalém, assentado em seu carro, "lia o profeta Isaías" (At 8.27,28), mas não entendia absolutamente nada. Há, em toda parte, nas igrejas, pessoas que, a despeito de afirmarem com orgulho, "Já li a Bíblia toda tantas vezes", não conseguem apreender nada ou quase nada dela. Ler não é a mesma coisa que estudar.

 Leitura persistente. A Palavra de Deus nos adverte: "Persiste em ler, exortar e ensinar" (1 Tm 4.13). Há muitos crentes que começam a leitura da Bíblia em Janeiro, com o firme propósito de lê-la diariamente até o final do ano. Mas, infelizmente, poucos são os que conseguem alcançar esse objetivo. Falta-lhes disciplina e persistência.

 

                                O ESTUDO SIGNIFICATIVO DA BÍBLIA

 

 O que é estudar. Estudar consiste no processo de concentrar toda a atenção em um fato, assunto, ou objeto com o fim de apreender-lhe a essência, funcionalidade, utilização, relações de causa e consequências. Estudar exige do estudante certas aptidões intelectuais tais como: aprender a ver, ouvir, redigir, ler, memorizar e raciocinar.

Todo cristão, especialmente os alunos da Escola Dominical, precisa estudar com afinco as Sagradas Escrituras, tendo em vista a necessidade de apreender sua mensagem, essência e significado.

 O estudo aplicado da Bíblia. O estudioso da Bíblia deve procurar "conhecer a sabedoria e a instrução" para entender as palavras da prudência (Pv 1.2). O estudo das Escrituras conduz o crente à sabedoria, em todos os aspectos da vida. Entretanto, devemos ter cuidado para que o aprendizado não seja meramente teórico ou mnemônico. O estudo bíblico deve ter como principal objetivo a prática dos princípios divinos na vida cristã diária.

 

 

                                    BENEFÍCIOS NO ESTUDO DA BÍBLIA

 

 Crescer em conhecimento. Todo crente necessita ler e estudar a Bíblia diariamente, para crescer no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo (2 Pe 3.18). Infelizmente, há em muitas igrejas, crentes fracos, franzinos, raquíticos espiritualmente, por falta de alimento, que é o conhecimento da Palavra de Deus.

 Evitar as "meninices". Quando os crentes não lêem a Bíblia, nem tampouco a estudam, quase sempre, portam-se como meninos espirituais. Daí, porque há tanto emocionalismo nos cultos em muitas igrejas. Conforme afirma as Escrituras, tais pessoas, por não estarem fundamentadas na Palavra, são levadas "em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que, com astúcia, enganam fraudulosamente" (Ef 4.14; Os 4.6; 6.3; Pv 4.7).

 Meditação. "Oh! Quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia!" (Sl 119.97). Como vemos, o salmista tinha prazer em ler e meditar na Palavra de Deus. Meditar é ter uma atitude interior de reflexão, ponderação, e exame daquilo que estamos pensando. Hoje, com a agitação da vida moderna, é muito difícil refletirmos habitualmente.

 Prevenção. Precisamos ter a Palavra de Deus escondida em nosso coração para não pecarmos contra o Senhor (Sl 119.11). Um dos fatores que mais contribuem para a queda do crente é a falta de prevenção. Orar (Mt 26.41), ler e estudar a Bíblia, de maneira que o coração e a mente fiquem saturados da Palavra de Deus, são atitudes preventivas imprescindíveis para vencermos todas as sutis tentações do Maligno. 

 

                                      COMO ESTUDAR A BÍBLIA

 

 Com atitude espiritual.

a) Humildade. O estudioso da Bíblia deve curvar-se com humildade diante de Deus. Paulo disse: "Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos!" (Rm 11.33; Mt 11.25).

b) Fé e oração. O estudioso da Bíblia só poderá extrair dela lições aplicáveis à sua vida se tiver fé. A oração e a fé são as chaves que abrem as portas da percepção das verdades emanadas da Palavra de Deus.

c) Santidade. A Bíblia determina que devemos ser santos em toda a maneira de viver (1 Pe 1.15). A leitura e o estudo da Bíblia devem levar o estudioso a não pecar contra Deus (Sl 119.11). "Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade" (Jo 17.17).

 Com atitude intelectual.

a) Método. Um método simples, porém eficaz de leitura bíblica, é seguir uma tabela de leitura, que se encontra em muitas Bíblias. Outro método, também simples, é ler três capítulos por dia, de segunda a sexta-feira, e cinco capítulos aos domingos e feriados.

b) Anotações. Ao ler um texto bíblico, o estudante, ou o estudioso, deve ter o hábito de destacar certos aspectos relevantes, que observa. Poderá sublinhar o que lhe chama a atenção; e poderá anotar à margem, termos ou frases, que são significativas, no estudo, ou ter uma caderneta de anotações.

c) Observar regras de interpretação bíblica. O estudioso da Bíblia pode conhecer as regras de interpretação, adquirindo um bom livro de Hermenêutica. 

A Bíblia não é apenas um livro; nem mais um livro entre tantos outros. Ela é a Palavra de Deus. O crente deve valorizar não somente a leitura, mas, principalmente, o estudo sistemático, diário e persistente do Sagrado Livro. É de grande proveito para a formação do caráter cristão, individual, familiar, e de toda a igreja local. O estudo bíblico contribui decisivamente para o crescimento na graça e no conhecimento do Senhor Jesus Cristo. 

 “Ler e Compreender, atos necessários à exegese.A exegese bíblica é a extração, explicação, narração ou interpretação dos textos bíblicos. No entanto, o comentário da perícope bíblica, tradicionalmente chamado de exegese, somente é realizado pelo exegeta após a compreensão do texto em análise. Portanto, antes de explicar o texto é necessário compreendê-lo. Essa dimensão da interpretação foi captada maestricamente pelo filósofo do sentido, Paul Ricoeur, quando afirmou que 'a exegese se propõe a compreender um texto a partir de sua intenção, sobre o fundamento daquilo que esse texto significa'. Logo, a exegese quanto ciência da interpretação, se ocupa da compreensão e explicação do texto; isto é, do entendimento, elucidação do contexto, de sua trama, contextura e das conexões lógicas que existem entre as diferentes partes do texto a fim de torná-lo coerente. Logo, dois binômios são necessários à tarefa da exegese: compreender eexplicar. O primeiro procede da investigação metódica e conscienciosa do exegeta, enquanto o segundo, do resultado derivado da análise".(HORTON, S. M. Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal. RJ: CPAD, 1996, p.586-7.) 

 

A Exegese é a ciência da compreensão e explicação de textos, isto quer dizer que devemos acima de tudo entender que na prática existe um abismo entre "ler" e "compreender", embora no grego neotestamentário as duas palavras estejam etimologicamente relacionadas. É possível ler um texto das Escrituras e não compreender o sentido ou a mensagem do mesmo. O eunuco de Atos 8.30-35 lia, mas não compreendia. A leitura deve nos conduzir a uma compreensão do texto, pois o próprio ato de ler leva-nos ao de compreender.

FONTE  WWW.PENTECOSTALTEOLOGIA.BLOGSPOT.COM